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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Existem profecias?



Todas as supostas profecias são escritas em textos compostos em tons divinatório, com palavras vagas, obscuras e inconcretas, aludindo a conceitos abstratos, generalistas sem qualquer informação detalhada.
E que requerem doses massivas de interpretação e imaginação para serem remotamente relacionadas com algum evento.

Se uma profecia disser que:

"No dia X, do ano Y, uma pessoa de nome Z, irá fazer ESPECIFICAMENTE a acção ABC."

E se for escrita ANTES do facto acontecer e se esse facto realmente acontecer, então, isso realmente é uma profecia.

Mas se uma "profecia" diz que...

"E no fim dos tempos, muitas pragas surgirão, muitas guerras se travarão e nações irmãs destruir-se-ão"

..isso NÃO É UMA PROFECIA!!

"No fim dos tempos" não é uma data específica. Pode-se interpretar como se desejar.

"Muitas pragas surgirão"... É só escolher... Peste de Atenas (século 5 a.E.C), Praga de Justiniano (século 4), Peste Negra (século 14), Grande praga de Londres (século 17), Grande Peste de Marselha (século 18), a "Terceira Pandemia (1855), etc...

"Muitas guerras se travarão"... Mmmmmm, pois... Em que época da história da humanidade não se travaram guerras?!?!

"Nações irmãs destruir-se-ão"... pois, usualmente as guerras são entre países vizinhos. Ou que têm relações políticas e económicas entre si. É uma questão de interpretar o que se quer dizer com "irmãs".

Portanto, os crentes apenas querem acreditar que são profecias porque querem justificar o livro de mitologia em que foram formatados a acreditar.

Apresentem-me uma "profecia" com nomes, com datas precisas, com descrições detalhadas de um evento, e que foi realmente escrita antes de um evento que realmente aconteceu conforme descrito, e eu aceitarei que é uma profecia.


Texto de Rui Batista

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Deus e a família tradicional



O senhor é pela família tradicional, segundo a bíblia?
Qual delas?

A de Abraão, que engravidou a empregada e depois a expulsou de casa com a criança, jogando ambos para a morte no deserto?

A de Isaque que gostava mais de um filho e foi enganado pela esposa para passar a bênção a outro filho?

A de Jacob, que comprou duas esposas junto ao sogro. arranjou uma terceira e cujos filhos se juntaram para matar um irmão mas foram bonzinhos e só o venderam como escravo?

A de David, que amava o cunhado, e que o seu exército matou um filho usurpador do trono, terminou os seus dias com uma jovem apenas para aquecê-lo e cujo herdeiro da coroa era um filho de sua amante, também casada?

A de Salomão, que tinha 1000 mulheres?

A de Maria, que casada com José teve o primeiro filho cujo pai não era o marido?

A de Pedro, que largou a família pelo apostolado?

A de Paulo, que disse que seria melhor o homem não ter mulheres e não fazer sexo?

Qual é mesmo a família tradicional que o senhor prefere?


Autor desconhecido

sábado, 9 de novembro de 2019

Vamos seguir as leis de deus!



Como experimento, pensei que deveria tentar seguir a moralidade bíblica por uma semana para tentar me tornar uma pessoa melhor. Mas antes de começar, há algumas coisas que preciso esclarecer.

A bíblia permite-me possuir escravos e é bastante clara como lhes devo bater, como os vender e como os passar para os meus filhos quando eu morrer. A bíblia diz que posso comprar escravos a estranhos, mas eu moro numa cidade onde quase toda a gente é estrangeira. Isso significa que posso comprar os escravos a qualquer um ou só posso comprar a estrangeiros, como a franceses ou a alemães?

Eu tenho duas filhas solteiras. Se alguma delas for violada (estuprada) no campo, eu sei que ela terá que se casar com o seu violador (estuprador) e jamais se poderá divorciar, mas eu estava a refletir sobre a penalidade que o violador me deve pagar. A bíblia diz 50 siclos de prata, mas devemos ou não levar em consideração a inflação? E quanto é que isso seria em euros ou dólares?

Se eu compro a filha de um homem como escrava sexual, mas ela não sendo boa na cama, eu sei que posso passá-la para o meu filho. Porém, se ela também não agradar ao meu filho, sou obrigado a devolvê-la ao pai dela. Nesse caso, devo insistir em obter um reembolso total ou há algum desconto por desgaste do produto?

Por vezes, o meu filho sai para beber com os seus amigos e de vez em quando ele responde-me com maus modos. Lendo as sagradas escrituras, vejo que tenho sido muito tolerante para com ele. Da próxima vez que isso acontecer, eu o levarei para os arredores da cidade com outros homens e vamos apedrejá-lo até a morte. Obviamente, essa é a coisa mais moral a fazer.
Mas a bíblia é um pouco escassa em detalhes, não aconselha que tamanho devem ser as pedras com que o devemos apedrejar. As pedras mais pequenas fariam com que ele sofresse por mais tempo mas as maiores realizariam o trabalho mais rapidamente. Alguém me podia oferecer algum conselho sobre este assunto?

O meu vizinho é médico no hospital. Costumo vê-lo a sair de casa aos sábados para ir trabalhar. Eu sei que devo apedrejá-lo até a morte por esse ato pecaminoso, mas há poucas pedras por onde vivo. Tendo isto em conta, seria aceitável espancá-lo até a morte com um taco de beisebol?

A maioria dos sistemas jurídicos do mundo presume que as pessoas são inocentes até que se prove o contrário, mas a bíblia é o inverso pois presume que todos nós somos culpados desde o nascimento. Deveríamos pressionar os nossos governos a incorporar esse princípio bíblico nas nossas leis nacionais?

Há só um problema com este experimento. Obviamente, seguir as leis de deus iria me tornar uma pessoa melhor, mas também me tornaria num criminoso, e não posso deixar de pensar que preferiria não ser um criminoso e não seguir as leis de deus.

Chamem-me de antiquado...


Texto de Bill Flavell

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Origens: bíblia e o alcorão




Atualmente, muitas pessoas entendem as origens duvidosas da bíblia - os autores desconhecidos e datas desconhecidas, as adições tardias, as redações e as traduções duvidosas. Acrescente a isso relatos fantásticos, a ênfase na fé e a nossa incapacidade de validar a maior parte do livro, e resta-nos algo que só pode ser tratado como ficção com, talvez, pequenas fragmentos de verdade espalhadas por aqui e ali.

Mas pergunte aos muçulmanos sobre o alcorão e terás uma história muito diferente. Eles dir-te-ão que o alcorão é original e inalterado ao longo de 1.400 anos, e que contém as palavras exatas de deus ditadas por um anjo.

Mas como eles sabem disso? Depois de conversar com muitos muçulmanos, concluo que eles não sabem disso. É uma questão de fé cega, nada mais.

Recentemente me deparei com um artigo intitulado "O alcorão na Bolsa de Estudos Recentes", de Fred M. Donner. Ele aparece num livro com o título "O alcorão em seu contexto histórico", editado por Gabriel Said Reynolds.
Donner é um peso pesado no campo dos estudos islâmicos. Ensinou história do Oriente Médio na Universidade de Yale por sete anos e ensina na Universidade de Chicago desde 1982 no Departamento de Línguas e Civilizações do Oriente Próximo. Ele é diretor do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade. Escreveu já quatro livros sobre a história primitiva do Islão.

Nada disso significa que seus pontos de vista estão corretos, mas ele também não pode ser dispensado com um aceno de mão. Donner é um estudioso que deve ser levado a sério. 

Um parágrafo em "O alcorão na Bolsa de Estudos Recentes" chamou a minha atenção:

"Os estudos do Alcorão, como um campo de pesquisa académica, parecem estar num estado de desordem. Aqueles que estudam as origens do Islão precisam admitir coletivamente que simplesmente não sabemos algumas coisas muito básicas sobre o Alcorão - coisas tão básicas que o conhecimento delas geralmente é dado como garantido por estudiosos que lidam com outros textos e incluem perguntas como: "Como o Alcorão se originou? De onde veio e quando apareceu pela primeira vez? Como foi escrito pela primeira vez? Em que tipo de linguagem foi - é - está escrita? Que forma tomou primeiro? Quem constituiu sua primeira audiência? Como foi transmitido de uma geração para outra, principalmente nos primeiros anos? Quando, como e por quem foi codificado? Aqueles que estão familiarizados com o Alcorão e com a erudição, saberão que fazer apenas uma dessas perguntas imediatamente nos mergulha num reino de graves incertezas e tem o potencial de desencadear intensos debates ".

Então, como os muçulmanos sabem que o alcorão é 100% original e é a palavra de deus? Talvez eles gostassem de nos dizer...


Texto de Bill Flavell



sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A origem do personagem Deus



Antes de 1928, a origem do personagem deus era difícil de explicar. Nesse ano foi descoberta uma cidade do povo fenício, Ugarit. As escavações revelaram uma cidade muito importante.

Documentos encontrados em Ugarit, civilização anterior a Israel, permitiram aos pesquisadores compreenderem os escritos hebraicos.
Diversos depósitos de tabuletas de argila na escrita cuneiforme foram encontradas, constituindo uma biblioteca do palácio, uma biblioteca de um templo, duas bibliotecas privadas, mais uma outra biblioteca e arquivos com 420 tabuletas, todas datando da última fase de Ugarit, a cerca de 1 200 a.C.

Sete alfabetos diferentes eram utilizados em Ugarit: hieróglifos egípcios e luvitas, e os cuneiformes eteocretense, sumério, acádio, hurrita e ugarítico.
A obra de literatura mais importante descoberta em Ugarit é o Ciclo de Baal, que descreve a base da religião e do culto do Baal fenício (canaanita). Inclui também textos mitológicos, cartas, documentos de compra e venda de terras, tratados internacionais, e uma grande quantidade de listas administrativas.
Estes arquivos tiveram grande importância para o estudo bíblico, continham uma descrição detalhada das crenças religiosas fenícias anteriores à existência dos hebreus, mostrando paralelos significativos com a literatura hebraica bíblica o que levou a uma nova apreciação do velho testamento.

RELIGIÃO UGARÍTICA
A religião ugarítica estava centrada no deus-chefe, Ilu ou El, o "pai da humanidade", "criador da criação". Os mais importantes entre os principais deuses eram Hadade, o rei dos Céus e Atirate ou Asherah (familiar aos leitores da bíblia), mas havia muitos outros. Os textos ugaríticos forneceram informações sobre a religião dos fenícios, que em essência era a religião dos antigos israelitas.
A suprema autoridade divina em Ugarit era El, um dos nomes do deus de Israel (Génesis 33:20). El era o soberano, mas outro deus administrava as coisas na terra por El, como seu vizir, Baal, familiar do antigo testamento. A posição de Baal como "rei dos deuses" em Ugarit ajuda a explicar o "problema de Baal" no antigo testamento. O reino do norte cultuava Baal.
Os hebreus cultuavam a deidade, El, e usavam até alguns salmos e outros temas da literatura fenícia. Os atributos do El hebraico são os mesmos que o El ugarítico. A bíblia associa Iaveh (Jeová) a El (Gen. 14:18-20, 33:20, Exod. 6:3, etc.).
Os deuses como Baal e Asherah, de origem fenícia, eram igualmente louvados pelos hebreus antigos.

ASHERAH
Asherah ou Athirat (em ugarítico), era a mãe dos deuses, consorte de El, deusa do mar, deusa dos rebanhos e colheitas.
Asherah, a benevolente mãe que intercede pelos seus filhos, já pertencia ao panteão do Império Acadiano, surgido em 2334 a.C. com Sargão (r. 2334 – 2279 a.C.) e que existiu até o reinado de Shu-Turul (r.2168 - 2 154 a.C.).

BAAL HADAD
Baal Hadad foi o deus mais adorado entre os fenícios. É o deus das tempestades, da chuva, da névoa, do orvalho, é aquele que nutre as lavouras e traz a fertilidade para a terra, embora não seja o deus da vegetação.
Baal é um título e significa Senhor, Dono ou Lorde, título utilizado por outros deuses.
Baal Hadad ocupa uma posição subordinada apenas ao deus El, é o regente do mundo, substituto de El.

OS HEBREUS
Os hebreus, no início de sua história, não era um povo distinto dos fenícios. Começaram a se agrupar formando uma comunidade separada dos fenícios em torno de 1.200 a.C. quando a comunidade ugarítica estava em declínio.
Era uma comunidade inexpressiva, até quando Omri ascende ao poder, fundando a dinastia Omrida (885-843 a.C.). Ahab, filho de Omri, foi um dos maiores reis hebreus, devido a sua política de sancionar tanto o culto de Javé (Jeová) quanto o culto de Baal. Depois Israel entra num período de decadência. (Ref. Keith W. Whitelam. «The invention of Ancient Israel: the silecing of Palestinian History»). Pelo menos até o fim da dinastia Omrida os hebreus eram politeístas.
Em 722 a.C., Israel foi conquistado pelos assírios.

RUMO AO MONOTEÍSMO.
Passo 1. A corte de Jerusalém que se exilou em Judá, sustentava a ideia de que El ou IHVH (Iaveh) era o deus supremo. Aproximadamente duzentos anos depois Judá foi conquistado pelos babilônios (Cativeiro da Babilônia).

Passo 2. Durante o cativeiro babilônico, surgiu a ideia de que existia um Deus único, Iaveh.

Passo 3. Quando os hebreus foram libertos e voltaram para suas terras, reconstruíram o templo e passaram a considerar Iaveh (Jeová) como deus único. Os relatos orais do passado hebreu eram fantasiosos e discordantes, então em 398 a.C. resolveram escrever estes relatos, onde foram incluídos lendas assírias e babilônicas. Este relato resultou na Bíblia.

Nos relatos: 

1. O rei Sargão foi transmutado em Moisés.
2. Os 50 anos do cativeiro babilônico foram transformados em 400 anos do cativeiro no Egito, onde nem existia escravidão nem nunca estiveram levas de judeus.
3. O reino inexpressivo de Davi foi transformado num reino forte com um exército de 1,3 milhão de combatentes.
4. A história dos hebreus foi recuada para alguns milénios de antiguidade.
5. Estes escritos foram atribuídos à inspiração divina, o que prevalece até hoje.

Texto de Djair Lima

sábado, 26 de outubro de 2019

O personagem Jesus Cristo



Nos primeiros três séculos, a diversidade de perspectivas sobre quem era Jesus e o que significava ser cristão eram enormes, tanto que no consenso atual dos historiadores e teólogos recomenda-se falar nos cristianismos primitivos, (no plural).

O NOVO TESTAMENTO
O cânone do novo testamento demorou a ser estabelecido, até porque o cânone do Judaísmo, o antigo testamento, ainda não estava definido.
É possível que o cânone judaico só tenha sido definido no século II.
No início, os cristãos consideravam os livros sagrados judaicos.

O PRIMEIRO AUTOR CRISTÃO
A primeira epístola aos Tessalonicenses, escrita por Paulo provavelmente no ano 51, foi o primeiro texto de autor cristão, cita trechos do Pentateuco e dos profetas israelitas. Da vida de Jesus, Paulo só fala da última ceia, que foi crucificado e ressuscitou, e cita um ou outro ensinamento de Jesus. Não se sabe porque ele não fez a biografia de Jesus. As biografias de Jesus só foram escritas a partir do ano 65, quando Paulo já tinha encerrado a sua carreira apostólica.

COMUNIDADE DE JERUSALÉM
Há citações de que inicialmente os apóstolos originais, de Jesus e membros da família do Nazareno fundaram a comunidade cristã da Judeia, que pode ter acabado entre os anos 66 e 70.
As igrejas fundadas por Paulo veneravam o grupo de Jerusalém. Com o fim deste grupo acaba qualquer autoridade central.

CRISTOLOGIAS
Com o fim desta autoridade central houve uma explosão de diversidade de doutrina sobre quem afinal era Jesus. Cada doutrina é chamada de cristologia, segundo Chevitarese, são quatro cristologias convivendo entre os anos 50 a 60.

a) Para Paulo, Jesus era o Cristo porque ressuscitou.
b) Para o evangelho de Marcos, quem fez Jesus se tornar o Cristo foi o batismo por João Batista.
c) Os evangelhos de Mateus e Lucas consideram que Jesus se tornou o Cristo a partir do seu nascimento.
d) Enquanto João vê Cristo como pré-existente no próprio mundo.

Ainda deve-se considerar que fragmentos dos evangelhos judaicos – cristãos citados por autores posteriores como Jerónimo (347-420) havia pelo menos três evangelhos da mesma linha, o Evangelho dos Nazarenos, o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho segundo os hebreus, que apresentava a ideia que Jesus não era divino e segunda pessoa da santíssima trindade.
O Evangelho dos Nazarenos, que parece uma versão do evangelho de Mateus, acreditava que Jesus era um ser humano especialmente bom, adotado por deus no momento do batismo.
O Evangelho dos Ebionitas fala que houve um certo homem chamado Jesus, que tinha cerca de 30 anos de idade. E foi ele quem nos escolheu.
Por outro lado, o bispo cipriota Epifânio de Salamina, morto em 403, regista que leu no Evangelho dos Ebionitas que Jesus era uma espécie de anjo encarnado – inferior a deus, mas não totalmente humano.

BIBLIOTECA PERDIDA
Em 1945, foi encontrada uma jarra selada enterrada, que continha treze códices de papiro embrulhados em couro. Os códices contêm textos sobre cinquenta e dois tratados maioritariamente gnósticos, três trabalhos pertencentes à Corpus Hermeticum e uma tradução parcial de A República de Platão. Muitos gnósticos acreditavam que Jesus não era o mesmo deus do antigo testamento, e sim, filho ou primeiro ministro do verdadeiro deus supremo.

IDEIAS EXISTENTES NA FORMAÇÃO DO CÂNONE
Marcion de Sinope rejeitava o deus sanguinário dos Judeus, e diferenciava o bondoso pai de Jesus. Ele achava que Jesus não era um humano de verdade, rejeitava o nascimento de Jesus e o cumprimento de profecias do antigo testamento na vida do Messias.

EVANGELHOS CANÓNICOS
Bispos e pensadores cristãos, como Irineu de Lyon, começaram a defender a definição de um cânone, mas este debate não parecia ter um fim, até que o cristianismo passou a ser a religião oficial do império Romano e o Imperador Constantino passa a promover a uniformização do cristianismo, e a determinação de um cânone único e coerente, o que deixou de fora dezenas de textos de cristãos judeus, gnósticos e outros "hereges". Mas Constantino não concluiu o seu projeto.
A primeira lista dos livros do novo testamento tal como é hoje, foi do ano de 367, determinada pelo bispo Atanásio de Alexandria.

A INFÂNCIA DE JESUS
Os autores dos evangelhos canónicos quase nada falam da infância e adolescência de Jesus. Jesus só aparece bebezinho e depois aos 12 anos numa passagem triunfal no Templo de Jerusalém.
Os primeiros cristãos tentavam imaginar, como era Jesus antes da vida pública.
Então foram escritos os evangelhos da infância, como o de Tomé. Especialistas como Bart Ehrman, professor de história do cristianismo antigo da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA), consideram que estes trechos são midrash (textos inventados para completar narrativas, comum entre os judeus).
Um trecho de Tomé relata que Jesus estava moldando passarinhos com barro num sábado, dia santo judaico. Um judeu chama a atenção de Jesus e o menino bate palmas e as aves saem voando.
Estes textos são questionáveis, retratam um menino Jesus usando poderes milagrosos de forma fantasiosa. Num trecho, um menino começou a desfazer umas represas que ele tinha feito nas margens de um riacho. Jesus irritou-se e fez o menino secar completamente. Noutro trecho um menino passou correndo e esbarrou no seu ombro, Jesus ameaçou o menino que caiu e morreu. Noutro os aldeões vão reclamar dele com José e eles ficaram cegos e ele amaldiçoou um de seus professores. Noutro ele ressuscita um amiguinho que caiu do telhado da casa. Fez madeira crescer milagrosamente para que José terminasse seus trabalhos de carpintaria.
Especialistas como o franco alemão Oscar Culmann(1902-1999), chegam a agradecer a deus pela não inclusão dos evangelhos da infância no novo testamento.

EVANGELHOS GNÓSTICOS
Para alguns seguidores de Jesus, Tomé (gémeo, em aramaico) apelido Dídimo (gémeo) ou Dídimo Judas Tomé, autor do evangelho de Tomé, era gémeo de Cristo.
Também nas narrativas canónicas, Jesus pede aos apóstolos que lhe digam quem ele é. Tomé lhe disse: "Mestre a minha boca é totalmente incapaz de dizer o que és".
Disse então Jesus. "Não sou teu mestre, pois bebeste e te embriagaste da fonte borbulhante que eu mesmo guardo".
O evangelho de Tomé representa ideias gnósticas, que o conhecimento secreto transmitido por Jesus é o responsável pela salvação e não a fé na morte e ressurreição, pois ali nem se fala em paixão de Cristo, ele é sempre descrito como o "Jesus vivente".
O evangelho de Tomé cita que Pedro fala: "Maria tem de nos deixar, pois as mulheres não são dignas de viver".
Jesus contradiz: "Eis que eu a guiarei para torná-la masculina, para que também ela se torne espírito vivente, como vós que sois homens, pois toda mulher que se fizer homem entrará no reino dos céus".
Outro texto narra: A companheira do Salvador é Maria de Magdala. O salvador amava-a mais do que a todos os discípulos, e ele a beijava com frequência na sua boca (os termos em destaques estão ilegíveis no original).

O DOCUMENTO Q
Há uma ideia que nos primórdios do cristianismo havia um documento hoje perdido contendo os chamados lógia (declarações) de Cristo, o documento Q, que parece ter dado origem ao Evangelho de Tomé e aos Evangelhos de Mateus e de Lucas.

CONCLUSÃO
O personagem Jesus Cristo construído a partir desta descrição histórica, certamente não é a verdadeira pessoa, o Jesus que deu origem ao cristianismo.


Texto de Djair Lima

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Quando os judeus tinham crença noutros deuses




A Bíblia está repleta de referências a outras divindades além de Yahweh: os profetas não negaram a existência desses deuses, eles simplesmente não achavam que os judeus deveriam adorá-los.

Existe apenas um Deus, de acordo com o dogma religioso judaico. Não existe outro. Tendemos a supor que nossos antepassados ​​devotadamente acreditavam no mesmo. Mas a verdade é que a Bíblia também mostra, repetidas vezes, que esse não era o sistema de crença predominante entre os antigos israelitas.

Os diferentes escribas que escreveram a maior parte do cânon bíblico acreditavam que o mundo incorpóreo era povoado por uma multidão de deuses, mas que os hebreus não deviam adorar nenhuma dessas outras divindades, apenas Yahweh. Isto é explicitamente declarado no segundo Mandamento: "Não terás outros deuses além de mim" (Êxodo 20: 3).

O versículo "Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti?"(Êxodo 15:11), é ainda mais explícito sobre outros deuses que existem junto com Yahweh.

Entre os livros da Bíblia, encontramos referências a muitos outros deuses, às vezes com referências explícitas aos milagres realizados por eles. Esses deuses geralmente são membros do panteão dos deuses semitas ocidentais, aqueles adorados por pessoas que falam línguas intimamente relacionadas ao hebraico.

Sem dúvida o mais importante desses deuses foi Ba'al ("mestre"), que é mencionado cerca de 90 vezes na Bíblia. Ba'al era um título honorífico do deus Hadad, da mesma maneira que "Adonai" ("meu mestre") é um título honorífico para o Senhor.



Obviamente, Ba'al não é o único deus do panteão semítico ocidental a ser mencionado na Bíblia. O pai de Ba'al, Dagon, o deus da colheita, também aparece, novamente em histórias destinadas a mostrar a superioridade de Yahweh sobre ele.

Em 1 Samuel, capítulo 5, somos informados de que, depois que os filisteus capturaram a Arca da Aliança, eles a levaram ao Templo de Dagon em Ashdod. Mas isso resultou na destruição milagrosa de sua estátua de culto. Yahweh vence novamente.

O pai de Dagon era El, o chefe do panteão semita ocidental. O nome Israel mostra que El era originalmente o deus tutelar de Israel (está bem ali no nome!), Mas com o tempo, Yahweh tomou o lugar de El: “Quando o Altíssimo (El Elyon) dividiu a herança entre as nações, quando separou os filhos de Adão, estabeleceu os limites do povo de acordo com o número dos filhos de Israel. Pois a porção do Senhor (Yahweh) é o seu povo; Jacó é a herança de sua herança”(Deuteronômio 32: 8-9).

Neste texto antigo, podemos ver que El e Yahweh ainda eram vistos como duas divindades separadas, com Yahweh subordinado a El. Mas, com o passar do tempo, El e Yahweh se combinaram: as duas divindades começaram a ser vistas como a mesma.

Em Êxodo 6:3, Deus diz a Moisés: "Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, pelo nome de Deus Todo-Poderoso (El Elyon), mas pelo meu nome Jeová não lhes era conhecido". Assim, os antigos só conheciam Deus como El, mas, com o passar do tempo, descobriram que El era apenas outro nome de Javé.

El tinha um consorte, a deusa Asherah, e quando Yahweh tomou o lugar de El, Asherah se tornou consorte de Yahweh. É-nos dito que a Asherah foi adorada no templo mais antigo de Jerusalém - não explicitamente, mas nos disseram definitivamente que os símbolos dela foram removidos do templo, então eles precisavam estar lá em primeiro lugar (1 Reis 15:13 e 2 Reis 23:14).

Foi apenas no final do período do Primeiro Templo, durante o reinado do rei Josias (a segunda metade do século 7 a.C.) que os objetos de culto de Asherah foram retirados do templo de maneira bastante dramática. Há várias referências às reformas monoteístas de Josias, como: "Josias despedaçou as colunas sagradas, derrubou os postes sagrados e cobriu os locais com ossos humanos." (2 Reis 23:14, Nova Versão Internacional)

Na verdade, El era o pai de muitos deuses além de Dagon, vários dos quais foram explicitamente mencionados na Bíblia.

Mot, a personificação da morte, é descrito em várias passagens como uma divindade. Diz-se que em Jó 18:13 ele tem um filho, e em Habacuque 2:5 nos dizem que ele abre bem a boca e engole almas.

Outro filho de El era o próprio mar, chamado Yam (a palavra ugarit e hebraica para "mar"), embora a Bíblia chame o deus "Raabe". Por exemplo, Jó 26:12 diz que Deus "divide o mar com seu poder, e pelo seu entendimento ele fere Raabe." Lendas de um deus da tempestade, como Ba'al, derrotando o mar são muito comuns no antigo Oriente Próximo.

O sol e a lua, o amanhecer e o anoitecer, assim como outros fenômenos naturais, também foram deificados nas antigas religiões semíticas do Ocidente e provavelmente no antigo Israel também, embora isso seja menos aparente na Bíblia.

É provável que Beit Shemesh tenha sido um centro de adoração ao sol, já que o nome do lugar significa literalmente "Casa do Sol". Jericó provavelmente foi em algum momento um centro para a adoração à lua. O nome da cidade em hebraico é "Yerikho"; e a palavra hebraica para lua é Yarekh, que outras línguas semíticas ocidentais usam como o nome do deus da lua.

A Bíblia se refere ao sol e à lua, é claro, geralmente mostrando que Deus tem total controle sobre eles, como é quando ele os pára no céu (Josué 10:13), mas não se refere a eles explicitamente como divindades personificadas.

No entanto, os antigos hebreus os adoravam claramente, como os outros semitas ocidentais. Ezequiel (8:16) relata ter visto pessoas adorando o sol no templo. Podemos inferir isso porque a Bíblia condena especificamente sua adoração, e somos informados de que Josias tomou medidas para impedir o culto no final do período do Primeiro Templo, na segunda metade do século VII AEC. Essas ações incluíam a remoção de objetos de culto do próprio templo (2 Reis 23:11).

A Bíblia também conta que os antigos hebreus adoravam um deus chamado Moloch, que estava associado aos amonitas e ao sacrifício de crianças. Este culto também foi marcado por Josias na mesma reforma (por exemplo, 2 Reis 23:10).

Os livros históricos da Bíblia foram escritos por um grupo “adeptos de Yahweh” e, portanto, são profundamente críticos da adoração de outros deuses em Judá. Ainda assim, é claro pela descrição deles que o politeísmo era a norma no período do Primeiro Templo. Foi somente durante a reforma do rei Josiah que o "único partido de Yahweh" realmente assumiu o controle e começou a tirar outros deuses da mente da Judeia.

Mas note que eles não alegaram que outros deuses não existiam. Eles apenas declararam que sua adoração era proibida por Yahweh, ou como diz Êxodo 34:14: "Pois não adorarás outro deus: porque o Senhor, cujo nome é ciumento, é um Deus ciumento".

Aparentemente, foi apenas durante o exílio babilônico (cerca de 586 aC a 500 aC) e o período seguinte do Segundo Templo (500 aC a 70 dC), que o judaísmo progrediu da crença de que Yahweh é o único deus que deveria ser adorado, à crença que ele é o único deus que existe. Ou seja, nasceu o monoteísmo.


Autoria de Elon GiladColaborador do Haaretz

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Inspirações da Bíblia




“Estruturalmente, Génesis 1-11 apresenta uma fascinante visão sobre como a Bíblia evoluiu de uma colecção de mitos politeístas e lendas de várias culturas em uma conta monoteísta mais coerente da história de Israel.” – 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg 2000; Página 3


Em resumo, todos os personagens na Bíblia foram roubados de religiões pagãs gentias e substituídos por personagens judaicos:


  •  Monoteísmo judaico foi roubado do egípcio Akhenaton
  •  A criação judaica foi roubado da criação egípcia.
  •  O uso que o Senhor judaica da palavra para criar foi roubado do
    Egípcios (o judeu Iavé substitui Ptah).
  •  “Haja Luz” foi roubado do Épico Theban da criação.
  •  O “firmamento no meio das águas” foi roubado da criação egípcia.
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  •  Eva vinda da costela de Adão foi roubada do épico de Enki e Ninhursag:
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  • “Meu irmão, que te dói?
    Minha costela me dói”
    ANET, Ninti cujo nome significa
    “Senhora do Rib”, curou costela de Enki.
  •  Punição e perda da imortalidade de Adão e Eva foram roubados da história mesopotâmica de Adapa (o judeu Iavé substitui o sumério Enki).
  •  Os judeus Caim, Abel e Seth foram roubados de Osíris, Set e Hórus.
  •  O conflito entre Caim e Abel foi roubado de Set e Osíris, e conforme a história se passa, é mais tarde com base nos sumérios Dumuzi e Enkimdu.
  •  O judeu Sansão foi roubado de Heracles: A remoção de seus olhos é baseada em Édipo, e a derrubada dos pilares foi roubada do conto egípcio sobre Re-Herakhte.
  •  A história judaica de Jacob e a escada foi roubada dos rituais funerários egípcios para o rei falecido: Glórias a ti, Escada de Deus, Salve, oh Escada de Set. Suba, oh Escada de Deus, suba, oh Escada de Set, suba, oh Escada de Hórus, sobre o qual Osíris foi o céu.” A Escada egípcia consiste dos corpos de duas divindades egípcias sobre a qual Osíris ascende aos céus, foi substituída por uma escada com vários seres sobrenaturais, anjos a subir e descer entre a Terra e o céu.”
  •  O judeu Moisés foi roubado de vários Deuses e reis, a depender da fase de sua vida: Sargon (o nascimento e abandono no rio, serem resgatados pela realeza etc.)
  •  As andanças no deserto foram baseados na Deus-Sol Baco, como visto nos Hinos de Orfeu.
  •  A passagem Hebraica de “40 anos no deserto”, afirmada no livro judaico de Êxodo. As subsequentes “40 dias e 40 noites” andanças no deserto do judeu nazareno foram roubadas: “a luta de Set e Hórus no deserto durou quarenta dias, como comemorado nos quarenta dias da Quaresma egípcia, durante os quais Set, como o poder de seca e esterilidade, fez guerra contra Hórus na água e germinação do grão enterrado… Esses quarenta dias foram estendidos para 40 anos, e confessadamente assim pelos judeus.”
  •  O judeu Josué foi roubado das Divindades egípcias Shu e Nun.
  •  A judia Débora foi roubada da Deusa egípcia Neith.
  •  O judeu Noé foi roubado do sumério Ziusudra.
  • O deus judeu fictício Iavé na história de Noé substituiu o deus sumério Enlil, também conhecido como Baal e Belzebu.
  •  O filho judeu de Noé, Kham, foi roubado de Belus.
  •  O judeu Nimrod foi roubado do Faraó egípcio Sesóstris.
  •  O judeu Abraão foi roubado do Rei Hariscandra dos Sankhayana-Sutras Hindus.
  •  O judeu Isaac foi roubado de Rohita, filho do Rei Hariscandra. Nessa história, o deus judeu fictício Iavé substituiu o deus hindu Varuna.
  •  O personagem judeu Daniel foi roubado do egípcio Neferti.
  •  O judeu Jonas e a baleia; Jonas foi roubado do personagem Hindu “Saktideva” encontrado na Somadeva Bhatta.
  •  As “Doze Tribos de Israel”, assim como os doze discípulos de Cristo são baseadas nos doze signos do zodíaco.
  • O judeu Ló e sua esposa foram roubados dos gregos Orfeu e Eurídice.
    Nessa história, o deus judeu Iavé substitui o deus grego Hádes
  •  Os judeus Jacó e Esaú foram roubados de Hórus e Set.
  •  A judia Rebeca foi roubada da Deusa egípcia Ísis.
  •  O judeu José com os onze irmãos foram roubados do egípcio Psammetichus.
  •  A história de José e a esposa de Potifar foi roubada dos egípcios Anúbis e Bata.
  •  “As Dez Pragas” contra o Egipto foram roubadas e muito exageradas e alteradas do Papiro de Ipuwer.
  •  Os dez mandamentos foram roubados do Código de Hammurabi.
  •  O judeu Iavé substitui o Deus-Sol sumério Shamash, também conhecido como Azazel.
  •  O judeu Davi a matar o filisteu Golias foi roubado de Thor a jogar o martelo em Hrungnir, atingindo-o na testa.
  • O judeu Jó foi roubado do ugarítico Keret, e o judeu Iavé substitui o Deus “El”.
  •  O judeu “Jó”, foi roubado de uma história escrita no idioma ugarítico (escrita cuneiforme), escrita por volta de 1400 aC por “Ilimilku, o Escriba”. Este épico envolve “Keret” e o Deus “El”, e NÃO Jó e Jeová. Tragédias familiares de Keret e doenças são comparáveis com a história de Jó. No conto original, “Satan” nunca sequer entrou em cena. Aqui, o judeu Jeová substitui El.
Ao criar Deuses opostos, um “bom” e outro “mal”, os judeus têm sido capazes 
de manipular o mundo além da imaginação.

  • O livro judaico de Provérbios, juntamente com os escritos no livro de Eclesiastes foram roubados dos ensinamentos do egípcio Ptah-Hotep. 28. 
  • Muitos dos escritos no livro judaico de Josué foram roubados das Cartas de El Amarna 29 
  • O livro judaico de juízes é composto de material roubado: História de Aqhat, Diário de Wen-Amon, Almanaque Gezer 30 
  • Os livros judaicos de Samuel e Reis contem material roubado de: As Profecias Mari, Estela da Messa, O Escrito de Karatepe, Os Anais de Salmanasar III, O Obelisco Negro de Salmaneser III, Os Anais de Tiglate-Pileser III, The Annals of Sargon II, O Escrito de Siloé, O Escrito Yavne-Yam, As Cartas Lachlish, O Arad Ostraca, Os Anais de Senaquerib, Os Anais de Nabucodonosor II.

Mais material roubado nos livros bíblicos de Esdras e Neemias de:
  • O Cilindro de Ciro, 31
  • O judeu Mordecai foi roubado do Deus babilónico Marduque 32
  • A judia Ester e o livro judaico de Ester foi roubado de Ishtar, também conhecida como Astaroth, Astarte, Afrodite, Ísis, Ashtar. 33
  • A judia Virgem Maria “Rainha do Céu” também foi roubado de Astaroth
  • O judeu João Baptista foi roubado de Anup, que batizou Hórus. Ambos perderam as cabeças. 34
  • O judeu Judas foi roubado de Set. 35
  • O judeu Mateus foi roubado de Thoth 36
  • O judeu Tomás foi roubado de Tammuz 37
  • “Como Jesus, o deus grego Hermes também foi envolvido em roupas de panos e colocado numa manjedoura, assim como foi também Dionísio.” 38 


Referências:
1 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg © 2000 páginas 3-24
2 Ibid, páginas 11-13
3 Ibid, página 14
4 Ibid, página 17
5 Ibid, páginas 43-44
6 Ibid, página 55
7 Ibid, páginas 56-57
8 Ibid, página 9
9 Ibid, páginas 68-69
10 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions por T. W. Doane © 1882, capítulo VIII “Samson and his Exploits” páginas 62-76 11 101 Myths of the Bible, página 144
12 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions, página 51
13 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold por Acharya S. ©1999
página 244
14101 Myths of the Bible páginas 254-255 15101 Myths of the Bible páginas 258-62 16101 Myths of the Bible páginas 103-104
17101 Myths of the Bible páginas 103-104 páginas 101, 102
18 Bible Myths And Their Parallels in Other Religions página 39
19 Old Testament Parallels: Laws and Stories from the Ancient Near East by Victor H. Matthews and Don C. Benjamin 1991 páginas 235-240
20 101 Myths of the Bible páginas 135-137
21 101 Myths of the Bible página 138
22 101 Myths of the Bible página 175-179
23 101 Myths of the Bible páginas 180-181; Old Testament Parallels páginas 41-45
24 101 Myths of the Bible página 206
25 Old Testament Parallels páginas 62-67
26 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions páginas 90-91
27 Old Testament Parallels páginas 201-211
28 Old Testament Parallels páginas 184-188
29 Old Testament Parallels páginas 77-80
30 Old Testament Parallels páginas 85-105
31 Old Testament Parallels páginas 109-143
32 101 Myths of the Bible página 292
33 101 Myths of the Bible páginas 292-293
34 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 177
35 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
36 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
37 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 172
38 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 191

Outras Referências:
Popular Dictionary of Assyrian and Babylonian Terminology por F. C. Norton ©2003



domingo, 23 de junho de 2019

Um deus ignorante



A escravatura hoje é crime. Lógico, não é? As igrejas cristãs condenam essa prática horrível. Mas quando os portugueses e outros a praticavam, há séculos, não era. Os padres diziam que não era crime. Até estava na Bíblia!

Então o deus dos cristãos não sabia que a escravatura era crime e só aprendeu recentemente?

O deus só aprendeu quando os homens aprenderam. É lógico, porque o deus é uma invenção dos homens.
Se o deus, inteligência infinita, bondade infinita, existisse, tinha proibido a escravatura desde o início. E teria ensinado a praticar higiene, desinfeção, antibióticos, eletricidade, matemática, química, física, hidráulica, cosmologia, navegação, impressão, direitos humanos, eu sei lá as coisas maravilhosas que um deus sábio podia ter ensinado à humanidade, milhares de anos antes que os seres humanos as descobrissem sozinhos.

Em vez disso, o que está na Bíblia são ideias tão ignorantes como as do povo primitivo que escreveu o livro. O mundo feito em seis dias, a terra plana, proibição de comer porco e marisco, as mulheres menstruadas são impuras, burros falantes, bruxas, demónios e mortos que ressuscitam.

O deus antigo era tão ignorante como o povo que o adorava. Lógico: tinha sido imaginado por eles.


Fonte: Carlos Cabanita

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Servindo a deus ou a um padrão comportamental?



Um livro sagrado original, um deus original, vários “grupos escolhidos” e uma eterna briga pelo direito de registro da “patente sagrada” e filiação original!

Bíblia debaixo do braço para ir à igreja ou empoeirada em cima de uma estante sem quase nunca ter lido? 
Ok, confere! 
Véu na cabeça antes de orar ou usando dentro da igreja para que não se mostre desnuda diante de deus? 
Ok, confere! 
Sábado guardado de um pôr do sol a outro entre sexta e sábado? Ok, confere! Panfletos com versículos da bíblia entregues nos fins de semana para arrependimento dos “pecadores”? 
Ok, confere! 
Aquisições de bugigangas ungidas pra dar sorte? Ok, confere! Penitencias pagas à rainha dos céus e a todos os santos? 
Ok, confere! 
Orações nos montes, jejuns, ofertas e dízimos tudo em dias para se prevenir do migrador e devorador? 
Ok, confere! 
Abstenção de bebidas alcoólicas, carne de porco, mariscos e uma infinidade de outras comidas proibidas por deus? 
Ok, confere! 
Checando...Pronto! 
Seu kit de santidade estar atualizado! Só permanecer assim a vida toda esperar um pouco mais para ir morar nos céus...

Seria cômico se não fosse trágico! Cada igreja vende o seu kit próprio de salvação ou pacotes no que diz respeito ao quesito “servir a deus” por preços e condições variadas e todas elas entre si, lutarão até os últimos recursos para transformar a você e a todos quantos sejam possíveis em clientes fiéis, consumidores desses kits e defensores dessas ideias, atraindo assim mais seguidores para esse ou aquele nível de conduta ou pensamento, tentando padronizar e domesticar o homem, que por natureza foi feito para estar em constante evolução em todos os sentidos.

Toda agremiação religiosa diz ter recebido de deus a missão de espalhar a “verdade” ao mundo e combater as “mentiras” que as outras agremiações ou pessoas propagam e a desmascarar as artimanhas do diabo que luta para tragar a alma do homem do “caminho verdadeiro” apontado por tal igreja. Todas elas dizem aos seus membros que estes são escolhidos por deus para determinado propósito, enquanto as outras não, e que terão de comprar delas o mesmo kit de padronização se quiser ir para os céus.

Uma batalha infinita tem início todos os dias dentro e fora desses grupos com o instituto de te padronizar, te rotular e ter o controle de sua vida entre esses que dizem ser os mensageiros de deus, e os mais variados efeitos dessa luta poderão ser vistos diariamente na vida de cada um desses que são domesticados por esse ou aquele sistema de crenças. Somente castigos severos e ameaças em nome do sagrado e do profano para anestesiar o homem, esse ser em evolução constante com sede da verdade e do conhecimento. A igreja sabe muito bem como fazer.

“Quando as perguntas começarem a surgir e os questionamentos começarem a florescer, use de sua “autoridade religiosa” meu filho! Humilhe o questionado em público, ameace o herege com pragas, crie boicotes individuais ou em massas para os “filhos do diabo”, enquadre aquela pessoa que resiste ao que você diz, isole-a, e a faça parecer ridícula e demoníaca pois só assim poderá manter funcionando esse grupo que você criou ou que te dei para você dirigir, filho meu!” Essa parece ser a mensagem secreta e individual que a maioria dos líderes religiosos parecem receber de “deus” quando são “chamados para sua obra”, para abrir uma nova igreja ou um novo ministério.

Assim, muitos por esse “chamado divino”, tem conduzido o “rebanho do senhor” e cada um fazendo do seu próprio jeito, criando suas próprias normas, seus próprios conjuntos de regras e dizendo:” estamos servindo a deus... E todos dizem ter razão!

Todos os que entram nesses seguimentos, não percebem que estão apenas seguindo padrões comportamentais do grupo já estabelecidos previamente e não vontade de deus algum, pois entre as linhas que dizem servir a determinado deus, quase todas elas são antagônicas, contraditórias e auto anulatórias entre si, concordando apenas no fato de que os súditos sejam ovelhas mudas, proibidas de questionar, imbuídas apenas de obedecer ao líder e fazer o rebanho crescer. Fora isso, todas elas travarão batalhas terríveis para dizer que estão servindo a deus e que se você não estiver do lado desse ou daquele seguimento, estará lutando contra o próprio deus! Que loucura...

Por intuição ou por orientação, muito desses líderes sabem que desde os mais remotos tempos, uma preocupação colossal e angustiante paira sobre a maioria dos homens em praticamente todas as culturas que tem nos seres metafísicos uma das “pernas” que sustenta tal sociedade. Essa preocupação na maioria dos casos é sobre estar ou não servindo e agradando aquela divindade enraizada na cultura popular.

Nos povos alcançados pela crença no deus mesopotâmico denominado como é o caso do deus de Abrãao por exemplo, essa preocupação tem sido mais latente, pois quem não estiver servindo a deus corretamente sofrerá severas penas, incluindo a pena de morte. Em toda história bíblica do passado esses fatos estão registrados pra quem quiser ver, bem como na história secular, onde o islamismo, judaísmo e cristianismo tem sido apresentado por imposição ou por opção tem sido de igual modo implantado quase que totalmente pela força tal sistema de crenças.

Há uma crença demonstrada de modo explícito entre os seguidores dessas três crenças e de praticamente todas as milhares de ramificações que dessas derivaram, que entre milhares de pessoas servindo a esse deus, se tiver alguém entre o povo servindo-o de modo errado, a ira desse deus todo poderoso e furioso (e ao mesmo tempo piedoso e justo) virá não apenas sobre o infame “herege”, mas sobre toda uma cidade, estado ou nação onde ele estiver inserido.

Eles assumem desse modo ainda que sem perceber que apenas 1 pessoa servindo a deus de modo “errado” invalida as ações de mais 1 milhão de pessoas que estão fazendo as coisas de modo certo diante de deus.

Não te é estranho isso? Uma gota de leite em um balde de café não é capaz de alterar o sabor do balde inteiro, mas apenas uma única pessoa “errada” em um “oceano” de tantas outras pessoas santas e que não esteja dentro dos padrões estabelecidos de como servir a deus por determinado agrupamento, será capaz de trazer os mais variados tipos de agouros divinos para esse grupo.

O velho testamento estar recheado de histórias assim. Então mata-se, apedreja-se, persegue-se, exclui ou faz boicotes àqueles que estão trazendo tais consequências desastrosas. Na idade média, a igreja católica costumava atribuir qualquer surto de doença, calamidades ou fenômenos da natureza a uma pessoas ou grupos “pagãos” que estavam desagradando a deus e de acordo com esta mesma igreja eram eles que estavam deixando deus irado e trazendo consequências terríveis.

A peste negra? Culpa dos infiéis! 
A gripe espanhola? Culpa dos hereges! 
Varíola, rubéola, carbúnculo, sarampo? Maldições por que servimos a deus de forma errada! 
Terremotos, furacões e maremotos? Sinais da ira divina e da volta de jesus que virá julgar esses esse povo pecador! 
A nós não! Nós somos as pessoas certas, no grupo certo, servindo a deus de modo certo e por isso estamos salvos, aleluia!

Então...Morte aos infiéis! Morte aos ciganos! Morte aos judeus! Morte aos mulçumanos! Morte as bruxas! Morte as rezadeiras! Morte aos celtas, aos vândalos, aos bárbaros, a todos os que não comem do corpo e do sangue de cristo! Morte, morte, morte...Morte aos incircuncisos (ah não, isso foi no velho testamento)! Em nome do deus da vida vamos matar a todos e conquistar essa terra para o nosso deus!

Não te é estranho esse fato? Por que um único pecador é capaz de desvirtuar toda uma congregação de justos? Que tipo de deus justo é esse que pune toda uma população por causa de uma simples pessoa que estar “fora da caixinha”? Que tipo de justiça é essa? Nem no mundo dos mortais encontramos juízes que hajam assim o tempo inteiro sem amadurecer e sem viver eternamente e ter tempo para se arrepender de feitos tão maldosos! A grande verdade como dito logo acima é que tudo isso não passa de padrões de comportamento! Nenhum religioso dentro de uma comunidade religiosa, sob a égide de uma bandeira ou símbolo sagrado segue a deus nenhum! TODOS eles seguem apenas padrões de comportamentos pré estabelecidos e para não serem perturbados por questionamentos que possam surgir, querem converter a todos a esse mesmo ponto de vista! Praticamente TODOS eles querem padronizar os outros ao seu próprio entendimento de servir a deus e assim começam as guerras desnecessárias e seus derivados que afetam todo o globo.

Judeus versus mulçumanos! Protestantes versus católicos! Congregação A versus congregação B...Todos preparando missionários para converter “pecadores” e a ensinar o modo correto de servir a deus. Todos matando e morrendo pela mesma causa. Todos condenando ou invalidando os ritos litúrgicos uns dos outros. Todos tem um inferno preparado para os “não salvos” e para todos da religião alheia!

Do alto de sua inércia, aquele dizem ser o pai de todos nada faz para mudar isso....

Se realmente existe uma possibilidade de alguém servir a ideia do sagrado, essa possibilidade estaria fora dos currais religiosos, livres dos interesses espúrios e egoístas dos criadores e mantenedores de tais agremiações, e estaria bem distante da padronização oficial que todos recebem ao nascer em um lar religioso ou quando se associam a tais agremiações depois de um certo tempo.

Se existe alguma divindade justa e bondosa realmente, a única maneira de agradá-la seria servindo-nos uns aos outros, ajudando-nos uns aos outros para um estado maior de ser, e não reduzindo aos homens a um estado vegetativo de “dependência divina” quando na verdade estão formatando pessoas para serem dependentes de sistemas de crenças dizendo a essas que estarão servindo a determinado deus. Esse comportamento é tão prejudicial quanto os que criam e sustentam os mercados de entorpecentes.

Não é feio e nem vergonhoso deixar de pertencer a um “grupo de fé”! Feio e vergonhoso é tornar o mundo diariamente um lugar pior de se viver em nome de um deus imaginário, enquanto enriquecem e mantem no poder opressor, aqueles que vivem da ignorância das massas. Isso sim é feio, vergonhoso e ridículo.

A maior independência que alguém pode adquirir não é a independência financeira, dos pais, dos conjugues ou dos filhos. É a independência de nossa consciência escravizada a maior de todas as conquistas pela qual devemos lutar.

Não é da aceitação da crença pela crença ou da ausência da crença pela crença que encontraremos essa liberdade de consciência. Ela será um processo contínuo e duradouro, capaz de construir e reconstruir as próprias verdades quantas vezes for necessária. Capaz de analisar a verdade do outro e reter o que é bom, se realmente houver algo de bom. A nossa capacidade manter a sanidade por uma maior tempo possível será nossa “baliza” nessa prazerosa jornada.

Abaixo as verdades inquestionáveis! Não aos abusos cometidos em nome da fé! Um salve aos que por meio de sua “heresia” tem combatido os efeitos nefastos das padronizações oficiais que todo homem estar destinado a ter.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.