terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Inventando estórias



Como não sabíamos o que provocava os terremotos, alguém inventou uma estória. Eles disseram que era Poseídon batendo no chão com seu tridente e milhões de pessoas acreditaram. Mas eles estavam errados. Após um estudo cuidadoso, descobrimos que os terremotos são causados ​​por movimentos de grandes placas flutuando sobre o núcleo derretido da Terra.

Como não sabíamos o que provocava os trovões, alguém inventou uma estória. Eles disseram que era Thor batendo na bigorna com o seu martelo e milhões de pessoas acreditaram. Mas eles estavam errados. Após um estudo cuidadoso, descobrimos que o trovão é o movimento supersónico do ar causado pelos raios.

Hoje, não sabemos por que há algo em vez de nada, então alguém inventou uma estória. Eles disseram que um homem invisível fez isso tudo e milhões de pessoas acreditaram. São pessoas que não aprenderam com os erros anteriores. Pessoas que pensam que as estórias são verdadeiras até que se provem estarem errado. Pessoas para quem ter uma qualquer resposta é mais importante do que ter a resposta correta.

Pessoas sensatas têm uma abordagem diferente. Elas dizem que vamos estudar isso e tentar descobrir a resposta correta. E, até encontrarmos a resposta correta, devemos ser totalmente honestos e admitirmos que ainda não sabemos por que há algo em vez de nada.

Não vamos errar novamente. Inventar estórias não tem um bom histórico.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 18 de janeiro de 2020

Como sabemos que os deuses são imaginários



Em todo o mundo e através do tempo, os seres humanos amaram e adoraram milhares de deuses. Mas, se um deus fosse real e todos os restantes falsos, nós saberíamos. Considere três possíveis benefícios de acreditar num deus:

1) ORAÇÃO
Os crentes em deuses falsos estariam constantemente reclamando que as suas orações nunca são respondidas, enquanto os crentes num deus verdadeiro estariam deliciados com a sua incrível taxa de sucesso.

2) COMUNHÃO
Os que acreditam num deus falso, lamentam o fato de nunca sentirem a presença do seu deus, enquanto que os que crêem num deus verdadeiro conversam com o seu deus diariamente e têm a certeza disso.

3) ORIENTAÇÃO
Os que acreditam num deus falso pedem conselhos ao seu deus, mas ainda assim tomam muitas decisões más, enquanto que os que acreditam num deus verdadeiro percebem que o seu deus habilmente os guia através dos obstáculos da vida.

Seria assim óbvio quais deuses eram verdadeiros e óbvio quais os outros que não são. Mas, aqui está a coisa interessante: não é óbvio! 
Todos os religiosos relatam esses benefícios a qualquer deus que eles adorem. Parece que todos os deuses funcionam igualmente bem!

Temos que concluir que, ou existem milhares de deuses verdadeiros ou então não existem. Mas como os deuses são tão diferentes e são tão contraditórios de várias maneiras, é impossível que todos os deuses sejam reais. Portanto, podemos descartar a opção de que todos os deuses são verdadeiros e nos resta apenas uma opção: nenhum é verdadeiro.

O fato de todos os deuses trabalharem igualmente bem é uma evidência clara de que todos são igualmente imaginários. Os benefícios relatados de orações respondidas, comunhão e orientação, podem ser nada mais que imaginação com uma grande dose de viés de confirmação.

Existe alguma outra conclusão razoável?


Texto de Bill Flavell

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Foi deus quem me criou?



Se achas que foi deus quem me criou, sugiro que te perguntes que idade tinha eu quando deus me criou.

Por exemplo: deus fez-me ao um ano de idade e, depois disso, deixou os processos biológicos normais me desenvolvendo até onde eu estou hoje?

Não, isso não faz sentido. Se a biologia faz tudo desde o segundo em que eu cheguei ao um ano de idade, por que não poderia fazer tudo no segundo antes de eu ter esse ano de idade? Se rastreares isso de volta atrás, um segundo de cada vez, não encontrarás um momento em que a biologia possa lidar desse momento para a frente, mas não desse momento para o anterior.

Eventualmente, poderia-se voltar ao ponto em que o esperma e o óvulo eram entidades separadas. Elas se juntam e o óvulo se divide em duas células unidas. Deus fez com que o óvulo fertilizado se dividisse? Deus também é desnecessário aqui. Este é um processo biológico que ocorre em todos os seres vivos, desde bactérias, passando por formigas até aos seres humanos.

Deus decidiu que o esperma fertilizaria qual óvulo? Também não há necessidade de deus aqui. O ambiente do útero e as estatísticas determinam o resultado da corrida para fertilizar um óvulo. Nas clínicas de fertilidade que utilizam o processo de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI), um embriologista toma essa decisão, e não são necessários poderes semelhantes aos de deus.

Deus então criou o esperma ou o óvulo? Não, pois sabemos que estes são feitos por processos puramente biológicos naturais.

Então, quando as pessoas religiosas argumentam que deus me criou, o que elas querem dizer? Não há lacunas no processo que exijam uma intervenção divina. Talvez elas apenas queiram dizer que deus projetou os processos biológicos? Nesse caso, deus não me criou, a biologia me criou.

E, se os crentes desejam argumentar que deus projetou os processos, eles precisam de provar isso. O que é um grande problema pois essas pessoas não conseguem provar que existe qualquer deus.

Sem um deus, não pode haver processos criados por deus. E disso tenho a certeza.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 28 de dezembro de 2019

Como as religiões podem ser respeitadas



Todos têm o direito de acreditar no que quiserem até porque é um direito humano. Mas as religiões só terão o meu respeito quando mudarem de atitude. Quando elas aceitarem que se deve:

* Recusar a acreditar que qualquer coisa que não possa ser demonstrada com segurança seja verdadeira.
* Ser céptico em relação às escrituras até que elas possam ser demonstradas verdadeiras.
* Incentivar o debate aberto e o desafio.
* Mudar prontamente as suas crenças à luz de novas evidências.
* Rejeitar oficialmente a fé como uma razão para acreditar.
* Não intimidar ou assustar as crianças a aceitar crenças religiosas.
* Continuar a abraçar familiares e vizinhos que abandonam as suas crenças.

Até que façam essas mudanças, continuarei pensando nelas como grupos de mentes fechadas que acreditarão em qualquer coisa, por mais ridícula que seja e que sobrevivam forçando crenças absurdas sobre as crianças.

Se a sua religião não segue as minhas regras acima sugeridas, pergunte-se por que não o faz? Do que tem medo? Da verdade?


Texto de Bill Flavell

domingo, 15 de dezembro de 2019



1. FÉ 
Permite contradizer especialistas comprovados, mesmo que tu NÃO SAIBAS NADA sobre o tema.

2. FÉ  
Quebra as correntes da LÓGICA CLÁSSICA, para que tudo seja lógico, se tu assim quiseres! 

3. FÉ 
Dá-te o poder de ter a certeza de que uma crença é verdadeira, mesmo quando os outros sabem que é totalmente ridícula. 

4. FÉ 
Remove TODAS AS DÚVIDAS sobre uma crença, mesmo quando não há nenhuma evidência para ela. 

5. FÉ 
Torna a evidência contrária COMPLETAMENTE INVISÍVEL, para que não precises pensar sobre isso. 

6. FÉ 
Supera a resposta de CONSTRANGIMENTO que inibe pessoas normais de falarem idiotices. 

7. FÉ 
É epistemologia para IDIOTAS. (Não tentes em casa.)



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Por que é que ignoras o abuso infantil?



Se a sua religião é verdadeira, deverias acreditar que os seguidores de outras religiões que doutrinam os seus filhos, os estão enchendo de mentiras. Mentiras horríveis, vis e estúpidas.

Como é que podes ficar sentado e deixar que isso aconteça? Por que é que não estás protestando contra esse terrível abuso infantil que afetará essas crianças por toda a vida e até pela vida após a morte? Por que é que não estás a fazer tudo o que está ao teu alcance para salvar aquelas pobres crianças?

Eu sei por que é que lavas as tuas mãos e ignoras tudo isso. Eu sei.

É porque a tua religião também não é verdadeira. Se és livre para alimentar os teus filhos com mentiras horríveis, vis e estúpidas, também deves permitir que outras pessoas façam o mesmo com os seus filhos. É uma conspiração de silêncio.

Essa é a verdade não dita, não é?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 8 de dezembro de 2019

O argumento mais popular do mundo para Deus, demolido.



Da minha experiência ao argumentar com crentes, concluo que a esmagadora maioria deles justifica a sua crença com um e apenas um argumento: o argumento "de onde as coisas vêm". 
O argumento é o seguinte:

P1: X existe (onde X é o Universo, a primeira célula viva, todos os seres vivos, seres humanos ou o que for).

P2: Não podemos explicar como X poderia vir a existir por processos naturais.

ASSIM SENDO
C1: X deve ter surgido através de um agente sobrenatural. Vou chamar esse agente sobrenatural de deus.

CONCLUO
C2: Meu deus existe. "

Este argumento tem vários problemas que o tornam inválido, mas qual é a maneira mais simples de refutar este argumento?

A primeira premissa (P1) é verdadeira, todos podemos concordar que o Universo ou a vida existe. Para o bem desta refutação, vamos assumir que a segunda premissa (P2) também é verdadeira.

O problema surge quando chegamos à conclusão (C1). O fato de não podermos explicar hoje como surgiu a primeira célula viva não significa que nunca iremos. Podemos descobrir como isso aconteceu sem um agente sobrenatural a qualquer momento, no futuro. Mesmo se NUNCA descobrirmos como isso aconteceu, isso não significa que X foi causado por um agente sobrenatural, pode ser algo que será para sempre difícil demais para nós descobrirmos. 
Essa última frase é importante, se houver dúvida, leia-a novamente.

Consequentemente, este argumento falha porque a conclusão não segue das premissas, é um non sequitur. No entanto, existe uma maneira pela qual os crentes poderiam corrigir esse argumento. Eles poderiam mudar P2 para:

P2: É IMPOSSÍVEL X passar a existir por processos naturais.

Mas então o problema é mostrar que P2 é verdadeiro. Como poderias mostrar algo que existe, e é feito dos blocos de construção dos quais todas as coisas naturais são feitas (protões, eletrões, átomos, etc.), não poderiam ter surgido por processos naturais? Irias precisar descartar todos os processos naturais possíveis e, para isso, compreenderias todos os processos naturais possíveis. Tu precisarias de um conhecimento abrangente, não apenas da física como é hoje, mas de toda a física que ainda temos que descobrir! É absurdo reivindicar tal conhecimento.

Alguns crentes acreditam que resolvem o problema da "impossibilidade" com um caso especial do argumento "de onde as coisas vieram". Eles apontam para o caso especial de "de onde veio o universo?" Eles dizem que é impossível obter algo do nada e isso DEVE ter acontecido para o universo existir. É verdade que nunca vimos algo surgir do nada no nosso Universo e a própria ideia viola as leis da física, tanto quanto as conhecemos.

Mas o universo veio do nada? Não temos motivos para acreditar que sim. A melhor evidência que temos até agora é que o universo veio de algo muito pequeno, muito quente e muito denso, o que significa que o desenvolvimento do universo foi um evento de transformação, não um evento de criação. Portanto, o universo não é um exemplo de algo que vem do nada.

Se os crentes não conseguem mostrar um exemplo de algo que é IMPOSSÍVEL explicar usando processos naturais, o argumento deles é absolutamente falho. E até agora, eles não conseguem. Leitores cuidadosos podem perceber outras razões pelas quais esse argumento não vale nada, deixarei para tu explorares.

Podes-te perguntar por que é que os crentes, aos milhares de milhões, se contentam em usar esse argumento terrível? Eu acho que a resposta é bem simples: os crentes não usam argumentos para acreditar em deuses, eles usam argumentos para racionalizar a sua crença nos deuses. Mesmo quando convences um crente de que esse argumento cheira mal, ele provavelmente continuará acreditando nele.

A crença nos deuses não é um resultado de lógica, é um resultado do desejo, impulsionado pela cultura. É por isso que temos tantos deuses, tantas religiões e sem bons argumentos para nenhum deles.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Não conseguimos entender deus...



As pessoas religiosas costumam dizer que deus está além do nosso entendimento, mas como elas poderiam saber disso? Nossa capacidade de entender aumenta com o tempo. De fato, desde o advento da ciência, ela aumentou aproximadamente de forma exponencial com o surgimento da inteligência artificial e dos computadores quânticos, a taxa de crescimento de nosso entendimento parece destinada a acelerar de forma imparável. 

Então, quando as pessoas religiosas dizem que deus está além do nosso entendimento, elas estão dizendo que existe um limite de complexidade além do qual os humanos nunca podem ir? Como é que elas poderiam saber disso? Como elas poderiam saber o que entenderemos daqui a mil anos? Obviamente, eles não podem saber. 

O que eles realmente querem dizer quando dizem que deus está além do nosso entendimento é que não podemos entender deus, porque deus não faz sentido.


Traduzido de Bill Flavell

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A relação entre a inteligência e os ateus



Na realidade, não é uma falácia.
Estudos independentes efectuados ao longo de várias dezenas de anos, demonstraram que existe uma tendência, mesmo que marginal, para que as pessoas mais inteligentes demonstrem uma maior propensão para o ateísmo e aquelas que tiverem menos acesso a informação ou são naturalmente menos inteligentes, demonstram uma maior propensão para a crença.

Reparem que não disse que as pessoas são mais inteligentes por serem ateias.
O que se verificou é que as pessoas mais inteligentes tendem a ser ateias.
Portanto, não confundam a direcção da relação.
E sim, existem vários tipos de inteligência.

Há a inteligência erudita, que se baseia em informação e capacidade de cruzamento e processamento dessa informação através de operações racionalmente lógicas.
Os crentes demonstram pouca desta inteligência. Posso concluir isso porque não demonstram capacidade de realizar operações racionalmente lógicas. Se fossem capazes de o fazer, não seriam crentes.

Há a inteligência interpessoal que é associada à capacidade de nos identificarmos com os sentimentos e motivações das outras pessoas. Uma espécie de relação empática.

Há a inteligência intrapessoal que é um entendimento de nós mesmos, do que sentimos e o que desejamos.

Há a inteligência social que tem a ver com a nossa capacidade de viver em comunidade, de avaliar as situações e coordenar as nossas acções para um bem comum e também a percepção de uma consciência global de uma sociedade.

Há a inteligência espacial que tem a ver com a capacidade de orientação e visualização tridimensional.

Há a inteligência existencial que está relacionada com questões profundas acerca do sentido da vida, da morte, de porque estamos aqui, etc. No caso desta inteligência, os crentes têm-na dominada por fantasias e mitologia.

E há outras inteligências, como a naturalista, a musical, a linguística, a corporal-cinestésica, a matemática, etc.

Portanto, eu sei que cada pessoa é inteligente à sua maneira e há vários tipos de inteligência.


Texto de Rui Batista

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Deuses como moda




A caixote do lixo da história está repleto de deuses descartados. Os deuses sobrevivem por algumas centenas ou alguns milhares de anos, mas os homens cansam-se deles e inventam novos deuses, ou mudam subtilmente os antigos deuses até ficarem irreconhecíveis.

Todos os deuses populares começam os seus anos de veneração nas mentes de um pequeno grupo de pessoas e, através de vários meios, expandem o seu alcance e se tornam aceites por grandes grupos de pessoas.

Às vezes os conquistadores impõem os seus deuses preferidos aos povos conquistados. Ou os missionários convertem as pessoas, talvez com a ajuda de incentivos como escolas, hospitais ou empregos.

Quando as pessoas se convertem, geralmente começando com os mais jovens, elas crescem amando e confiando nos seus novos deuses tanto quanto faziam com os antigos. E os velhos deuses são esquecidos. Os velhos deuses perdem o respeito e podem até se tornar alvo de piadas e brincadeiras irônicas.

As pessoas gostam de pensar que os seus deuses são reais e as suas crenças são verdadeiras, mas o processo de espalhar a crença nos deuses não tem nada em comum com a forma como descobrimos as verdades - tem muito mais em comum com a moda, uma moda bastante lenta, mas uma moda.

Realmente, um deus é uma moda temporária - não uma verdade eterna.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell