sábado, 22 de setembro de 2018

Penetrando a armadura dos auto-iludidos




Os humanos parecem ter uma capacidade ilimitada de racionalizar as suas crenças, não importa o quão ridículas elas sejam. Por exemplo, eles podem querer acreditar no relato da criação em Génesis, mesmo que compreendam de ciência o suficiente para reconhecerem que a história de Génesis não pode ser verdade. Assim, eles podem especular que um dia na história não é um dia literal, mas um dia de duração indeterminada, talvez um período de milhares ou milhões de anos.

Outro exemplo vem em Mateus 24, que explica que as estrelas cairão do céu após a tribulação. Aqui está o verso:

"29 Imediatamente após a tribulação daqueles dias, o sol será escurecido, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados"

Não precisas de ter grandes conhecimentos de cosmologia, para saberes que essa história é ridícula. Mas como uma pessoa determinada em acreditar nessa história, a torna digerível para uma mente moderna? Geralmente, eles argumentam com coisas que não correspondem ao que está escrito. Por exemplo, eles podem especular que esta história não está a falar de estrelas caírem na Terra - é sobre meteoros a cairem na Terra, e todos nós sabemos que isso é plausível.

Tu podes discutir por horas com um determinado auto-iludido sobre isso. Tu podes perguntar onde o texto menciona meteoros, ou verificar o grego original. Tu podes até explicar que a frase "poderes dos céus serão abalados" faz sentido se as estrelas caírem na terra, mas não se for apenas uma chuva de meteoros.

Mas será em vão. A mente do auto-iludido é formatada, mas há outra maneira de abordar o assunto. Em vez de tentares mostrar que o auto-iludido está a mudar injustificadamente o significado do texto, tu podes concordar que sua especulação é possivelmente verdadeira. Então ele deve concordar que a tua interpretação literal também é possivelmente verdadeira. Isso leva a uma pergunta: como podemos decidir qual opção está correta?

Naturalmente, nenhuma exegese mostrará que a especulação tem que ser verdadeira, então teremos que concordar que não podemos extrair um significado claro do texto. Acabamos com dois possíveis significados, o que significa que não podemos acreditar em nenhum deles e devemos permanecer com a mente aberta.

Se tu achas que é uma conclusão insatisfatória, não o é inteiramente. O auto-iludido não pode mais ter a certeza de que a Bíblia é perfeita - ele foi forçado a admitir a possibilidade de que ela possa ser falível.

Este é um pequeno passo para o homem, mas um passo gigantesco para os auto-iludidos.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Em que é que tu acreditas?




Eu não acredito em:

  • Ascensão
  • Vida após a morte
  • Deus
  • Demónios
  • Fadas
  • Homem de gengibre
  • Deus ou deuses
  • Céu
  • Inferno
  • Karma
  • Monstro do lago Ness
  • Magia
  • Milagres
  • Arrebatamento
  • Reencarnação 
  • Satanás
  • Almas
  • Espíritos
  • Reino sobrenatural
  • Formigas, cobras e burros falantes
  • Bruxas
  • Feiticeiros

Todas essas coisas são de "outro-mundo", não sabemos como elas PODERIAM EXISTIR. Eles contradizem tudo o que sabemos sobre como o mundo funciona. Mas não é por isso que eu não acredito que elas sejam reais. Eu não acredito nessas coisas por uma razão muito mais simples: NÃO HÁ PROVAS de que elas existem.

Se me trouxeres provas concretas de que qualquer uma dessas coisas existe realmente, eu mudo de ideia. 

Calma!

Então, por que é que milhões e milhões de pessoas acreditam que muitas dessas coisas existem? 
A resposta a essa pergunta é fácil também. Ou é porque são crianças e ainda não aprenderam a questionar essas coisas que são contadas por adultos, ou são adultos e ainda não aprenderam a questionar as coisas que lhes foram contadas como se fossem crianças.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Por um mundo sem *religião*




De fato, estamos convencidos de que o mundo sem religião seria melhor, mas não dizemos que a religião é a causa da violência no mundo e sim, que ela não evita essa violência e às vezes é também a causadora dessa violência. 

Se países existem onde apenas 10% das pessoas são religiosas e nesses países impera a paz, a felicidade, a melhor qualidade de vida e o grande progresso econômico, é porque fica evidenciado que não é a religião que torna as pessoas mais felizes e melhores. 


Autor: Asor Otsenre, adaptado de Ivo S. G. Reis, Irreligiosos

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Por que preocupar-se com a vida após a morte?



Quando eu rejeito a noção de uma vida após a morte, às vezes até os descrentes me repreendem e dizem que eu não posso saber, ninguém sabe, o que acontece depois da morte. Rigorosamente, eles até estão certos, mas uma vida após a morte é uma ideia tão extraordinária e com zero evidências que a suportem, que me pergunto por que as pessoas estão tão relutantes em descartá-la.


Praticamente sem excepção, essas mesmas pessoas rejeitariam a noção de que reencarnamos após a morte como um rei, ou um pedinte, ou um cão, ou uma lesma. Por que será que eles recusam essa noção? Usando a sua própria lógica, eles não sabem o que acontece depois da morte - ninguém sabe.

As pessoas recusam descartar a ideia de vida após a morte, desconfio, porque está profundamente enraizada na cultura ocidental. A ideia é realmente antiga. É anterior ao cristianismo por muitos milhares de anos. Há até algumas evidências arqueológicas de que os humanos preparavam os mortos para a vida após a morte, desde o Paleolítico Médio, há mais de 50 000 anos.

Da mesma forma, as pessoas prontamente descartam a reencarnação porque NÃO faz parte da cultura ocidental.

A reencarnação é uma ideia extraordinária. A vida após a morte é uma ideia igualmente extraordinária e não tem nenhum pedaço de evidência. Não deves perder um segundo de sono preocupando-te com qualquer uma delas.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Religião e personificação




Segundo o dicionário “personificação” se refere a “indivíduo que representa, simboliza ou faz lembrar alguma coisa abstrata”.

Em outras palavras, podemos dizer que o processo de personificação, que associa uma pessoa a um conceito abstrato ou a algo que não é humano, é a chave para o entendimento das crenças religiosas.

Uma pessoa tende a ser mais religiosa na medida exata em que vê o mundo por uma ótica personificada. Quando associa aspectos humanos a praticamente qualquer coisa.

Os deuses e espíritos nada mais são do que a atribuição de característica humanas a fenômenos da natureza, objetos, animais e principalmente conceitos abstratos.

Um deus nasce sempre que algo “se faz pessoa”.

Por que as pessoas fazem isso? Por que precisam tornar o rio, a montanha, o mar, o céu, a chuva, os animais, a morte, a alegria, a esperança ou a bondade um ser humano?

Isso é relativamente simples de explicar. Não suportamos a indiferença do mundo e por isso preferimos que coisas e conceitos sejam “gente” como nós.

Quando um conceito “se faz gente”, podemos conversar, negociar, implorar e até pretender dar ordens para ele.

Um mundo povoado por mentes humanas é infinitamente mais aceitável do que um mundo povoado por leis impessoais e por fenômenos indiferentes a nossa sorte.

Não há nenhuma crença religiosa que não possa ser traduzida em termos de personificação de algo abstrato ou não humano. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Em nome duma divindade qualquer...



A teocracia como forma disfarçada de usurpar o poder valendo-se das crendices populares.

O que se passa pela cabeça de um indivíduo quando diz que seu maior desejo é que seu povo seja governado por uma divindade metafísica? Será que alguém que faz um enunciado desses estar realmente falando sério ou será que é uma piada de mau gosto? Ou será que tal pessoa estar querendo apenas se promover, aproveitando-se da cultura popular e da ingenuidade alheia para tirar proveito?

E o que dizer quando esse desejo (insano) vem exatamente de um político em função de exercício, candidato a um cargo ainda maior? Difícil levar a sério atitudes como essas. Deve ser mesmo brincadeira...

“Deus vai governar essa nação”! “Deus deseja governar esse pais”! “O governo dos justos irá se estabelecer... Será que alguém pode definir isso por favor? Como isso se sucederá? De que forma isso será feito? Que palhaçada é essa?

Governo de justos feito por religiosos...Me parece que alguém que diz isso nunca leu a bíblia que diz ser sua fonte de regra e prática, não estudou sobre a história da igreja ou é muito cara de pau para negar os fatos ocorridos, não mora em um país onde existe uma bancada evangélica, ou vive em algum tipo de planeta onde líderes do cristianismo e de outras religiões baseado em seres metafísicos ainda não propagaram suas crendices. Justamente no meio religioso onde cada um quer puxar brasa pra própria sardinha o sujeito vem falar de governo do justos...Isso não pode ser real. É piada de mau gosto mesmo!

O sujeito faz parte de um agrupamento religioso que precisar ameaçar as pessoas com pragas e inferno, ou vender bugigangas ungidas para conseguir arrecadar dinheiro e se manter funcionando e conseguir fortuna; uma igreja que concorda que a subserviência incondicional dos fieis as lideranças religiosas faze parte dos mandamentos do senhor; uma comunidade que persegue, humilha ou tortura os que pensam diferentes ou grupos de minoria e que teve na escravidão humana sua concordância, omissão ou participação em toda história mundial e depois vem falar de governo dos justo...Como pode isso?

Como pode haver um governo de justos se a base para tal governo é justamente a utopia (negando ou demonizando a natureza humana), a ganancia, mentiras e a distorção dos fatos para manter um povo alienado?

Verifiquem nas condutas pessoais daqueles que em nome de sua própria crença religiosa defendem um “governo dos justos” e provavelmente encontrarás o oposto do conceito de justiça e retidão. Apenas interesses pessoais ou grupais serão notados.

Enquanto estudiosos, legisladores e pessoas de diferentes classes sociais tem dedicado suas vidas em todos os cantos do mundo e até vieram a serem assassinadas nos últimos milhares de anos com o objetivo de aperfeiçoar as relações sociais entre os povos e tornar o mundo um lugar melhor para se viver, tem tantos outros que estão o tempo inteiro querendo levar nações inteiras para um abismo profundo, onde em estado vegetativo e operando no modo zumbi as pessoas viveriam eternamente adorando a um ser surreal, matando e morrendo em nome dela e ainda ousam chamar isso de “governo dos justos” ou sociedade perfeita!

Que absurdo! Parece que estamos regredindo 2 mil anos atrás na história cada vez que um congressista atual deseja um governos de modo. Parece filme de ficção cientifica! Algumas pessoas parecem estar em estado eterno de transe, tendo dificuldade em diferenciar o mundo em que se vive e o mundo das fantasias de sua fé. Um sujeito desejar um governo em que o deus de sua crença sente em um trono e governe somente para si e para o seu grupo e castigue as demais crenças e etnias, é quem sabe a pior atitude infantil que um adulto crescido possa vir demonstrar.

Alguma vez, em qualquer época ou lugar da história alguém já viu deus algum, de religião alguma sentado no trono governando um povo em favor do povo? Claro que não! Quem senta no trono para julgar e oprimir o povo (e sentir-se como um deus) é justamente aqueles que criaram e mantém ainda hoje a ideia desse mesmo deus em atividade. São os que tiram sua fonte de renda e poder em cima de uma ideia enraizada no inconsciente coletivo que defendem fortemente essa ideia de teocracia, ou aqueles que tendo suas consciências cauterizadas pela repetição cotidiana do absurdo deixaram de fazer uso de suas faculdades mentais.

Será que se que se houvesse um deus poderoso, justo e soberano com todas as características surreais a ele atribuída por seus súditos, acham que ele iria pedir licença para governar ou dar jeito nesse pais? Claro que não! Iria fazer sem nossa permissão por que sua sede de justiça o impeliria a isso!

Acham que seria necessário da sete voltas no congresso e tocar 7 vezes o chifre de um carneiro para ele atender a um clamor de um povo injustiçado e sofrido? Claro que não! Nem seria necessário pedir nada nem fazer papel de trouxa. Ele saberia o que fazer.

Acham que se houvesse mesmo um “deus de responsa” ele iria deixar que acontecesse toda essa “cachorrada” que vemos bem embaixo dos seus narizes todos os dias utilizando-se do seu nome? Claro que não! Até um deus de mármore frio, nos confins gelado universo já teria se “derretido” com o fervor incessante daqueles que clamam por eles todos os dias enquanto servem de massa de manobra e fonte de riqueza e poder para os que vendem a ideia de um deus irado.

E se por acaso se deus realmente sentasse num trono para governar, acha que seria em seu favor ou em favor de seu grupo? Claro que não seu bobo! Vai crescer bebezinho! O que te faz pensar que um deus adotado pelo seu povo mas que fora plagiado de outras culturas e subdividido em várias oligarquias ao longo dos séculos iria servir de marionete justamente pra você e os desejos medíocres do seu grupo? Antes de propagar a ideia de um deus justo, veja no dicionário primeiramente o sentido da palavra justiça e verás que atitudes egocêntricas e infantis não combinam com esse termo.

Não esqueça que se houvesse a materialização de um ser realmente justo e poderoso, o primeiro ato dele seria o de por uns pingos nos “is”, em todas as religiões, inclusive na sua. Ele sendo justo não teria favoritismo a ninguém, cortando pelas raízes os desejos infantis e egoístas que cada um apresenta em particular em suas orações.

Se houvesse um deus justo, você que defende seu grupinho de fé ideal seria o primeiro a levar um “pé na bunda” ou um “sacode pra vida”. Seus dízimos e suas ofertas seriam vomitados diante dele e suas bajulações diárias nas orações e louvores com o intuito de receber favores preferenciais ou de se esquivar de suas responsabilidades pessoais e sociais seria uma ofensa imperdoável a sua santidade. Você iria tomar uma bronca tão grande por essa ideia besta de se achar escolhido...ira ficar no “cantinho da disciplina” por um bom tempo!

Nos mundo dos humanos “pecadores”, quem tenta subornar um juiz justo leva cadeia na hora! No mundo de fantasia dos “santos” as pessoas acham que com 10% de seus rendimentos e com falsas bajulações podem corromper aquele que dizem ser santos dos santos, reis dos reis e senhor dos senhores. É muita loucura pra uma mesma fé! Quem mais profana a ideia dos sagrados são os próprios “servos de deus”!

Numa hora dessas, se um deus justo sentasse no trono para governar, uma das medidas emergenciais seria a de desfazer as ilusões e mentiras que a própria crença religiosa criou e se isso fosse mesmo possível, se realmente um deus qualquer chegasse para despertasse um povo, esse deus já não iria mais prestar, pois só presta aquele deus que diante de toda nossa insanidade não diz nada e deixa seus súditos fugirem da realidade o tempo inteiro como adultos que serão para sempre pessoas infantis.

Nesse estado de eterna criancice, qualquer deus para ser realmente bom, tem de ser cego, mudo e surdo, por que se falar e dizer o que realmente deseja já deixará de ser bom...

No desejo de um governo teocrático, as mais obscuras e profanas intenções podem estar escondidas. As piores crueldades já cometidas pelo homem para com o homem e para com a natureza em geral aconteceram justamente no período em que “deus” governava e ditava a “leis” aos seus servos. Existem várias formas de governo, e a teocracia foi quem sabe a pior de todas elas.

Numa monarquia por exemplo, um rei senta num trono e governa. Na dinastia uma sucessão de pessoas da mesma família ocupam as funções de poder. Na república temos um presidente que assume o país. E na teocracia teríamos o que? Um trono vazio onde as pessoas irão apresentar seus problemas e obterem o silencio como resposta? Será que irão pagar 10% de seu faturamento mensal para não serem amaldiçoadas ou mortas de forma cruel por esse governante fantástico? Será que irão resolver todos os problemas sociais na base de ritos litúrgicos, línguas estranhas e profecias?

QUE PALHAÇADA! 
Isso não existe! Em nação algum ou em povo algum que adotou a teocracia como forma de governo nunca foi visto deus algum governando, antes sim na maioria dos casos um montão de crápulas se escondendo atrás das “leis divinas” para se manterem no poder em nome da fé. E afinal, o que exatamente é essa tal da lei divina? Alguém já viu pessoalmente deus algum ditando ou escrevendo essas leis? Claro que não! Isso também não existe! Cada religião tem seu conceito de lei divina. Dentro das religiões cada denominação religiosa que surge também tem seu conceito próprio de lei divina e todas elas se atacam, se aniquilam, se odeiam e se destroem entre si...

Qualquer um pode criar a lei ou doutrina que quiser e dizer que isso é uma lei divina e a depender de quem disse e em que lugar do globo a pessoa esteja inserido, essa “lei” será mantida, sacralizada, seguida e tornada como patrimônio cultural ou religioso de um povo. Ou poderá também ser eliminada e esquecida se não for proveitosa para a classe dominante. Praticamente, quase que toda “lei divina radical” tem como função principal imbecilizar um povo, tornando-os vítimas de um próprio conceito doentio onde conceitos mentais servirão de guardas para policiar cada movimento do indivíduo, prendendo-os, julgando-os e condenando-os automaticamente. Sistema que software eficiente, não acham?

Outro fato interessante sobre essa tal de lei divina é que apesar de afirmarem categoricamente que deus não muda nunca, que ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, podemos encontrar por exemplo em algumas das leis levíticas que dizem ter sido ditadas por ele, incitações ao estupro, a violência sexual, a escravidão, a torturas, ao genocídios e tantas outros atos desumanos. E quando perguntamos aos fiéis adoradores desse deus por que isso estar escrito como sendo uma lei divina eles logo respondem: “mas isso era no passado...era assim que eles entendiam a vontade de deus antes...”

Como assim? pra um deus que não muda nunca, ele parece mudar de acordo com o local época em que ele foi introduzido em certas culturas, provando assim que “as leis divinas” não passam de uma invenção local para atender a determinados anseios e carências populares, ou para tornar mais fácil a domesticação de um povo conquistado.

Mantem os infiéis! Essa é uma das principais leis divinas desde os tempos bíblicos, passando depois para o cristianismo e agora adotada como bandeira por alguns grupos mulçumanos. Lembrando que infiel é sempre aquele que desconhece ou discorda do deus que estar sendo apresentado no momento.

Até quando viveremos assim? Até quando teremos na infantilidade nossa base de reino ideal? Até quando iremos nos apegar a seres do imaginário coletivo esperando soluções reais para as relações humanas? Até quando desejarmos...

Cada um pode em si mesmo encontrar essa resposta, “resetar” seu sistema operacional e sair da ficção e buscar soluções reais para problemas reais. Ou pode também passar a vida inteira terceirizando responsabilidades.

É normal que até os 12 anos de idade uma criança comum acredite em certas fantasias, e se passar dessa fase acreditando nas mesmas coisas de crianças irão chama-las de retardadas. Agora um adulto passar a vida inteira tentando trazer pra vida real algo que só acontece em contos de fadas, isso ninguém acha anormal e quem questiona é duramente penalizado. A realidade é tão dura de ser encara por alguns, que jogar uma ancora no reino das fantasias é a melhor solução que encontram para nunca mais acordarem desse sono.

Um brinde aos que conseguiram emergir do oceano da ignorância mesmo estando.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 16 de setembro de 2018

Guerras das ciências



E AGORA AS NOTÍCIAS!

Trinta cientistas foram feridos ontem por um homem-bomba na Royal Society, em Londres. 
O bombista correu para o palco durante um simpósio de física, na famosa Biblioteca Wolfson. Antes que a equipa de segurança adormecida pudesse reagir, o homem-bomba gritou: "A Supersimetria é verdade!" e acionou um dispositivo escondido sob o paletó.

Isso aconteceu em menos de uma semana após o físico rebelde, o Dr. Ogun Dirkie ter sido executado por injeção letal. o Dr Ogun Dirkie argumentou repetidamente que a matéria escura é composta de bariões que interagem fracamente. Dirkie recusou retratar-se da sua alegação que contradiz diretamente a política da Academia Nacional de Ciências de que a composição da matéria escura é desconhecida e inerentemente incognoscível. 

________________________________________________


Claro, nunca verás notícias como estas. E por quê? Porque a ciência resolve os conflitos com evidências e lógica, não com violência. A ciência está preocupada em descobrir o que é verdade - não para impor dogmas.

Mas a violência é endêmica num dos ramos do esforço humano. A violência e a intimidação têm sido usadas há milhares de anos para impor as visões religiosas.

O processo começa quando crianças ainda pequenas são doutrinadas numa religião sem o seu consentimento. Então, a coerção, incluindo a violência, é usada nelas para impedir que em adultos abandonem essa religião ou expressem opiniões contrárias.

Em alguns casos, desentendimentos entre grupos religiosos resultam em derramamento de sangue indiscriminado. Podemos ver isso hoje a acontecer em várias partes do mundo.

Por que os religiosos não podem comportar-se como os cientistas se comportam? Por que eles não podem discutir as suas divergências e confiar na lógica e nas evidências para resolverem as suas diferenças e chegarem a um consenso?

A resposta para isso é simples. Eles não podem fazer isso porque NÃO TÊM PROVAS. Assim, os conflitos entre religiões podem irromper em violência.

Isto é verdade para desacordos entre religiões e é igualmente verdade para divergências dentro de uma religião. O que acontece quando um membro de uma religião não acredita mais nela? As religiões têm uma escolha: dar às pessoas a liberdade de sair ou intimidá-las a permanecer.
As religiões fizeram essas escolhas e, embora todas continuem a doutrinar as crianças, a maioria, no século XXI, optou por permitir a liberdade de expressão e a liberdade de consciência.

Apenas uma grande religião hoje procura proibir essas liberdades com violência judicial, e essa religião é o islamismo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 15 de setembro de 2018

Aos meus novos amigos



Às vezes, as pessoas enviam-me pedidos de amizade, porque acham que podem aprender algo comigo. Eu dou-lhes as boas vindas e espero que não fiquem desapontadas.

Às vezes, as pessoas enviam-me pedidos de amizade, porque acham que podem ensinar-me alguma coisa. Eu dou-lhes as boas vindas e espero que não fiquem desapontadas.

Mas, se pretendes ensinar-me, espero que também aprendas algo no processo. Espero que aprendas que acreditar em algo não o torna verdadeiro, não importa quão certo tu estejas, que explicar COMO tu sabes, é tão importante quanto explicar o QUE tu sabes e que toda experiência de ensino também é uma experiência de aprendizagem.

As maiores mentes são, frequentemente, as mentes mais abertas. 
Bem vindo!


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O argumento que os muçulmanos & cristãos concordam (e que ambos estão errados)



Um muçulmano recentemente me disse por que ele acredita que deus existe. Ele usou um argumento muito comum que também é usado pelos cristãos, por isso achei que vale a pena dar uma refutação completa. 

Vamos então a ele...

-------------------------------------------------------------------------------------------------------

É bom ver que já pensaste nisso um pouquinho mas não pensaste muito nisso.
Posso dizer isso com confiança porque o teu argumento usa falácias lógicas comuns e pelo menos uma suposição que é mais provável que esteja errada. Uma vez que elimines esses erros, o teu argumento desaparece.

Argumentaste: " será que esse universo pode nascer do nada sem uma fonte?"

Em primeiro lugar, não sabemos se o Universo veio do nada. Há motivos muito bons para acreditar que o universo começou a expandir-se há cerca de 13.8 mil milhões de anos atrás. Mas não sabemos o que desencadeou a expansão, nem sabemos o que existia antes da expansão (no entanto, não há motivos para acreditar que o nada existiu antes da expansão). Isto é uma suposição injustificada.

Argumentaste: " Eu acredito que a energia que começou tudo, e é tudo, é Deus."

Ok mas isso é só uma crença. Tu não sabes se é verdade, tu nem sequer sabes se Deus existe para começo de tudo. Então esse é o teu segundo problema: tu apenas assumes o que aconteceu e quem foi o responsável, mas não há motivos alguns para acreditar que os seus pressupostos são verdadeiros. Primeiro precisas provar que deus existe antes que faça sentido sequer sugerir isso. Assumindo o que estás tentando provar (que deus existe) é a falácia do raciocínio circular e isso torna o teu argumento inválido.

Essencialmente, o teu argumento é: "não consigo ver de forma alguma que o universo que vemos hoje, poderia ter chegado a existir sem um poder sobrenatural, por isso, um poder sobrenatural deve existir." 

Este é um exemplo do argumento da falácia da ignorância. Só porque tu não consegues ver uma maneira que isso poderia ter acontecido, não significa que um poder sobrenatural existe ou esteve envolvido.

Tu não sabes tudo, e mesmo que ninguém que viva hoje saiba como o universo poderia ter surgido, não quer dizer que ninguém jamais saberá. Tu sabes todas as explicações que a ciência alguma vez irá propor para isso em, digamos, nos próximos 10 000 anos? Não, claro que não, e é por isso que o teu argumento é inválido.

O teu argumento já está morto mas deste ainda mais um erro, por isso vou mencioná-lo  para completar a refutação. Como muçulmano, tu acreditas num deus que primeiro foi introduzido ao mundo por Abraão. Este é apenas um dos milhares de deuses que os homens têm adorado. Este deus poderia ter se revelado a Abraão ou pode apenas ser um dos milhares de deuses fictícios que os homens criaram. Tu podes provar que o deus de Abraão não foi inventado? Acho que não podes, mas sente-te à vontade para tentares.

Então, mesmo que um poder sobrenatural fosse o responsável, tu não sabes qual o poder sobrenatural que foi o responsável. Poderia até ter sido um deus que nunca se revelou à humanidade e poderia ser que todos os deuses humanos fossem inventados pelos humanos. Tu estás apenas assumindo que se um deus estivesse envolvido, foi o deus de Abraão. Tal suposição é apenas uma opinião sem qualquer fundamento.

Com tal combinação de falácias e suposições injustificadas, o teu argumento é completamente inútil. Se é por isso que acreditas que o teu deus existe, sugiro que deixes de acreditar nisso, porque acreditar em coisas por más razões, não é definitivamente inteligente.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A bíblia e a Terra plana





A Bíblia suporta a noção primitiva de uma terra plana. No sexto século, um monge cristão chamado Cosmas escreveu um livro intitulado Topographia Christiana, descrevendo a estrutura do mundo físico. Baseando seus pontos de vista na Bíblia, Cosmas disse que a Terra é plana e cercada por quatro mares. [1]

A profecia de Apocalipse 1: 7 foi a base para a sua conclusão. Afirma que quando Cristo voltar, “todo olho o verá”. Cosmas argumentou que, se a Terra fosse redonda, as pessoas do outro lado não veriam a segunda vinda de Cristo. [2]

Suporte adicional para a idéia de uma terra plana está contido nos versículos que mencionam os “quatro cantos da terra” (por exemplo, Isaías 11:12; Apocalipse 7: 1) e os “confins da terra” (por exemplo, Jeremias 16: 19; Atos 13:47).

Por causa de tais ensinos da Bíblia, a maioria dos pais da igreja primitiva achava que a Terra é plana. [3] De fato, a visão do mundo contida no livro de Cosmas foi aceita por vários séculos como doutrina cristã ortodoxa [1]. Mesmo no século XV, quando Cristóvão Colombo propôs navegar a oeste da Espanha para alcançar as Índias Orientais, a noção bíblica de uma Terra plana era uma importante fonte de oposição a ele.

Quanto à questão de o que mantém a terra plana no lugar, a Bíblia indica que a resposta é “pilares”. Os pilares da terra são mencionados em vários versos no Antigo Testamento (I Samuel 2: 8; Salmos 75: 3; Jó 9: 6). Esses versículos refletem a crença dos antigos hebreus de que a terra repousa sobre pilares. [4]

Referências:
1 White, Andrew D. Uma História da Guerra da Ciência com a Teologia na Cristandade , vol. II (Nova Iorque: D. Appleton e Cia., 1910), pp. 67, 68.
2 “Os fantasmas”, Ingersoll, vol. Eu, pp. 301, 302
3 Draper, John W., História do Conflito entre Religião e Ciência.
4 A Nova Bíblia Inglesa com os Apócrifos , Oxford Study Edition (Nova York: Oxford University Press, 1976) (americanhumanist.org)


Texto de Asor Otsenre