quarta-feira, 18 de julho de 2018

Será que deus inspira as nossas invenções?



Eu sou provavelmente um dos poucos ateus que frequentam a igreja regularmente. Na verdade, é muito possível que eu seja um frequentador da igreja mais ativo do que muitas pessoas chamadas religiosas. O famoso ditado “esposa feliz, vida feliz” efetivamente explica porque eu participo, ela é muito religiosa e insiste em que os meus filhos sejam expostos. Estou aqui para garantir que entendi os acontecimentos atuais para explicar de maneira eficaz as alternativas para os meus filhos. A minha esposa, por sua vez, apoia os meus esforços para ampliar a compreensão científica e cultural das crianças (até agora elas tem tido cerca de 90% ou mais, nos testes em matemática e ciências). As crianças mais velhas já leram Dawkins e Hawking. O facto de terem uma ampla exposição a várias visões de mundo, leva a que surjam algumas perguntas interessantes por parte das crianças. No carro, a caminho de casa vindo da igreja, no domingo passado, meu filho (11 anos) parecia confuso com algo que ele aprendeu na escola dominical (chocante, certo?)

“Pai?” Perguntou ele do banco de trás, “O meu professor terminou a lição de hoje louvando a Deus por todas as coisas que ele nos deu: remédios, internet, aviões e outras invenções que ele disse ajudarem a espalhar a palavra de Deus, ajudando a tornar mais fácil, os missionários a chegar ao seu povo. ”

"Ok, essa é uma maneira de ver as coisas. Qual é a tua pergunta? ”, respondi eu.

“Se Deus é real e inspira inventores ou cientistas a descobrir coisas novas como a medicina ou algo assim, por que ele esperaria centenas de milhares de anos para fazer isso? Quero dizer, os humanos existem há muito tempo e poderiam ter usado os antibióticos já à 100 000 anos atrás, certo?

Mas que pergunta perfeita: por que um pai e criador benevolente e amoroso, iria esperar tanto tempo para “inspirar” a humanidade em coisas vitais para a nossa sobrevivência contínua e conforto vitalício?

Hebreus 4:13 diz: “Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.”.

Que ideia linda. Deus, o grande criador dos céus e da terra, vê e conhece a todos. Nada é "escondido dele" como o versículo diz. 

Usando essa lógica (como a professora da escola dominical fez), pode-se supor que, em 1546, quando Girolamo Fracastoro propôs, pela primeira vez, as ideias fundamentais que acabariam se tornando na Teoria Microbiana da Doença, Deus o abençoou com esse conhecimento. As pessoas que pensam dessa maneira, devem assumir que Deus já sabia sobre os microorganismos, porque os criou. Vírus e bactérias de todos os tipos, são os frutos de seus trabalhos criativos divinos, certo? Se tu fosses um crente, terias que responder "sim". Mesmo os poucos fundamentalistas que afirmam que Satanás criou todas as coisas negativas na Terra, teriam que reconhecer que um Deus todo-poderoso, todo sabedoria, compreende a menor das complexidades desses organismos "malignos". 
No entanto, ele esperou até hoje...

Marcos 1:34 diz de Jesus: “e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demónios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.”.

Outra ideia linda. Aqui nós temos Jesus (Deus em forma humana para a maioria dos cristãos) curando os enfermos. Eu gosto de imaginá-lo colocando as suas mãos sobre as suas cabeças perturbadas, dizendo alguma oração, e "voilá"... curado. 

É dito que este verso aconteceu cerca de 1 500 anos antes que as primeiras ideias, que mais tarde se formaram na Teoria Microbiana da Doença, fossem "inspiradas". Isso significa que, se esta fosse uma história verdadeira, Jesus sentou-se no chão, cara a cara com dezenas de pessoas doentes ou perturbadas, curando-as com palavras mágicas, sabendo o tempo todo que as suas doenças não tinham nada a ver com demónios. Ele, se quisermos acreditar na sua divindade, deveria saber que a "Criança Doente A" tinha paralisia cerebral e não um “demónio” no corpo, e que a "Mulher Doente B" estava a morrer de gripe e não sendo afligida “por uma maldade”. No entanto, esse nosso “salvador” preferiu não nos dizer nada disso, e, pelo contrário, ele continuou a sua magia como se também tivesse assumido que o diabo, ou alguma outra força mitológica, era o culpado.

O atual Presidente e Profeta da Igreja SUD (Mórmon) gosta de contar uma história da sua antiga carreira como cirurgião cardíaco. Em meados da década de 1960, ele foi questionado várias vezes por um homem de Utah, por um pedido de ajuda com um problema cardíaco que a medicina ainda não tinha encontrado uma solução para tratar. Esse homem disse ao Nelson que Deus o havia orientado a procurar a ajuda dele e que, com fé, Nelson saberia o que fazer. Então o jovem médico concordou em realizar uma cirurgia exploratória de coração aberto. Depois de cortar o homem, Nelson relembra: “Então, na minha mente, havia linhas pontilhadas mostradas neste anel que contém aquela válvula tricúspide: 'Faça uma dobra aqui, uma dobra ali.' Não foi perfeito, mas o paciente desfrutou dum ótimo resultado”. Esse procedimento tornou-se posteriormente o padrão internacional para esse tipo de problema.

Outras formas de cirurgia de coração aberto, foram realizadas desde 1801. Foram 160 anos antes da cirurgia "Jesus Take the Wheel" de Nelson. Estima-se que mais de um milhão de pessoas no mundo desenvolvido, morreram de problemas cardíacos semelhantes durante esses anos. Mais de um milhão de mortes antes que Deus decidisse inspirar um cirurgião, um cirurgião entre milhares de outras pessoas que devemos supor serem igualmente "dignas" desse conhecimento. 
 No entanto, ele esperou até hoje...

Aceitar a proposição de que a invenção e a inovação de qualquer coisa útil, são simplesmente inspirações de Deus em seres humanos dignos, é ignorar as tremendas quantidades de mortes e sofrimento mergulhadas em camadas como rochas sedimentares sob essas descobertas. Todas as vidas salvas pela penicilina, estão no cimo de milhões de outras pessoas ao longo da história humana, deixadas por “Deus” para morrer de morte dolorosa e evitável. Que tipo de criador sociopata e instável reteria propositadamente informações vitais aos seus “filhos”?

Provavelmente um que, na verdade, não existe.

Traduzido de Adam Harrison

O Universo e a sua causa





Eu não estava ciente que já haviam demonstrado que o universo tinha tido uma causa. Afinal, a pergunta não é se o universo tem uma causa, mas qual é ela. Essa pergunta pode ir para qualquer lado.

Afinal, se formos igualar "universo"="o que teve inicio com o Big Bang", então existem muitas respostas possíveis, incluindo a resposta dada por Lawrence Krauss. Note que a resposta de Krauss não responde "por que existe algo e não nada", mas responde o porque o que existe assume a configuração que vemos, sendo que essa configuração é o que "teve inicio com o Big Bang".

Outra possibilidade é simplesmente que o universo não teve uma causa, seja porque ele é eterno, ou seja porque ele tem uma origem a-causal.


Fonte: Asor (via Haeckeliano)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Os mitos de um homem são a religião de outro homem




Todos nós conhecemos alguns mitos. Existem milhares deles e eles compartilham algumas características que os tornam fáceis de identificar. Por exemplo, eles podem se representar como criaturas sobrenaturais com muitas cabeças ou que lançam fogo por onde respiram ou como animais que podem falar. Eles podem ser como pessoas mágicas que poderiam fazer coisas impossíveis de acontecerem apenas recitando algumas palavras ou como pessoas que podem voar ou flutuar até as nuvens.

Alguns grandes mitos até contam como o universo foi feito a partir de um óvulo, ou de partes do corpo dum inimigo derrotado, ou por um ser mágico que o criou.

Sendo um adulto, tu não acreditas que nenhum desses mitos sejam verdadeiros, eles são apenas estórias divertidas, bem imaginadas e fantásticas. A menos, claro, que eles façam parte da tua religião.

E então, tu acreditas em cada palavra.


Autor desconhecido

Estorinhas bíblicas - O Juíz Eúde contra o Rei Eglom.



Esse é um capítulo curto, mas muito interessante do livro de Juízes. O livro de Juízes conta as aventuras dos campeões israelitas que Yahweh sumonava para livrar seu povo quando era castigado por outras nações.

Mas deixem-me explicar como funcionava o esquema do deus dos israelitas: ele prometeu ao seu lacaio Abraão, um dos patriarcas dos israelitas, que daria aos descendentes dele a terra onde habitavam outras nações e povos, chamados de cananeus. É claro que levou quase 5 séculos para dar tempo de os descendentes de Abraão se multiplicarem e formarem um exército para conquistar Canaã. Mas quando conseguiram, deus mostrou que continua o mesmo troll que era no Jardim do Éden e fez o seguinte:

“Estas, pois, são as nações que o SENHOR deixou ficar, para por elas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaã. Tão-somente para que as gerações dos filhos de Israel delas soubessem (para lhes ensinar a guerra), pelo menos os que dantes não sabiam delas.” (Juízes 3:1,2)

Basicamente, deus deixou que ficassem algumas nações vivendo lá nos cantinhos para que de vez em quando eles pusessem os israelitas a prova.

Sim, porque a Bíblia é um livro cheio de m***a!

. . .

Faça uma pergunta bem simples a um crente: “Crente, é certo colocar deus a prova?” O crente, previsivelmente vai dizer que não se deve colocar deus a prova. Então mostre para ele Isaías 7:10-13:

"De novo falou o Senhor com Acaz, dizendo: Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal; pede-o ou em baixo nas profundezas ou em cima nas alturas. Acaz, porém, respondeu: Não o pedirei NEM POREI À PROVA o Senhor. Então disse Isaías: Ouvi agora, ó casa de Davi: Pouco vos é afadigardes os homens, que ainda afadigareis também ao meu Deus?"

Acontece que Deuteronômio 6:18 diz que não se deve colocar deus à prova: "Não ponham à prova o Senhor, o seu Deus, como fizeram em Massá." Mas aí o profeta Isaías manda o rei Acaz colocá-lo à prova. Acaz fica confuso se isso é uma prova (provaception) já que deus prova as pessoas o tempo inteiro na Bíblia, e se nega a violar o mandamento de deus. Isaías então, falando como profeta, diz para Acaz: que a resposta está errada e ainda fica indignado por Acaz se recusar a colocar deus a prova.

E Acaz provavelmente mandou um f***-se mental para Isaías...

Afinal, até Jesus citou esse verso para Satanás para não colocar deus à prova (Lucas 4:12). Mas e se ele tivesse lido o Velho Testamento até o final? Tipo... até Malaquias?

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, E DEPOIS FAZEI PROVA DE MIM nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes." (Malaquias 3:10)

Melhorou? Não? Viu que patético? Essa é a Bíblia que tanta gente defende!

. . .

Voltando. Então, deus decidiu provar os israelitas (Juízes 3:4). E eles falharam. Que tipo de pecado eles cometeram para Yahweh se zangar com eles? Assassinato? Roubo? Sequestro? Ouvir discos da Xuxa? Nada disso, os israelitas começaram a fazer uma coisa muito mais abominável e hedionda aos olhos de Yahweh:

"Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus, dos heteus, e amorreus, e perizeus, e heveus, e jebuseus, TOMARAM DE SUAS FILHAS PARA SI POR MULHERES, E DERAM AS SUAS FILHAS AOS FILHOS DELES; E SERVIRAM AOS SEUS DEUSES. E os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, e se esqueceram do Senhor seu Deus; e serviram aos baalins e a Astarote." (Juízes 3:5-7)

Resumindo: os pecados dos israelitas foram basicamente tolerância étnica e religiosa. Seus monstros!

E qual foi o castigo de Yahweh por esse terrível pecado chamado miscigenação? Ora, sendo o deus justo e benevolente que é, ele vendeu os israelitas para o rei da Mesopotâmia, Cusã-Rizataim.

Antes de fazerem gracinhas como o nome do cara, fiquem sabendo que a Mesopotâmia era uma região do Oriente Médio que fica nas bacias dos rios Tigre e Eufrates, na região que atualmente abrange Iraque, Síria e Kuwait. Então ele era um rei poderoso de um território imenso não é?

Quando um cético lê esses trechos da Bíblia, ele coça sua barbicha, aperta seus olhos, torce os lábios e faz um "Huuuuuuum!" bem audível e longo, porque isso soa bem bullshit...

. . .

O livro de Juízes segue a seguinte formulinha:

- Israelitas começam a se esquecer do seu deus e servir outros deuses;
- Deus fica p**o e entrega os israelitas para serem escravizados por outras nações;
- O povo sofre por anos e começa a pedir ajuda a deus dizendo que estão arrependidos;
- Deus invoca um herói chamado Juiz para libertar o povo do opressor;
- O Juiz liberta o povo e eles finalmente tem paz por alguns anos até se desviarem de seu deus novamente;
- E começa tudo outra vez.
Sério, o livro de Juízes tem um enredo apenas um pouco mais avançado que uma estorinha dos 3 porquinhos. Quer ver? Sabe o Cusã-Rizataim, o tal "Rei da Mesopotâmia". Pois é, na realidade, se trata de uma região chamada Aram-Naharaim. Apesar desse nome parecer grito de guerra de insurgente, na verdade trata-se de uma região ao norte do vale dos rios Tigre e Eufrates, e ocorre 5 vezes no Velho Testamento. A Septuaginta grega (uma versão em grego do VT) traduziu esse nome como Mesopotâmia (mesos = entre e Potamos = rio), mas essa tradução não é consistente, porque vocês já sabem que a região da Mesopotâmia era enorme e Aram-Naharaim era uma região dentro da Mesopotâmia. Aram-Naharaim é a região onde habitavam os arameus, que falavam o idioma aramaico.

Cusã-Rizataim deveria ser um rei arameu, mas o nome dele é Cusã, que apesar de soar parecido com c**ão, na verdade significa simplesmente um descendente de Cus (ou Kush). Cus era um dos filhos de Noé (Gênesis 10:6). Então antes antes que você faça eu já vou fazer logo para encerrar o assunto: Bem, se Abraham em português é Abraão e quase todos os nomes hebraicos terminados na sílaba "am" são pronunciados "ão" em português, então o nome Kushan-Rish'atayim não deveria ser traduzido "Cusão-Rizataim" para manter o mesmo padrão? Pois é! Mas acho que eles aplicaram a mesma regra que usaram quando traduziram o nome do personagem de Star Wars em inglês "Count Dooku" para "Conde Dookan": Bom senso! Os caras da distribuidora pensaram nas famílias que iriam assistir "O Ataque dos Clones" e ouvindo os Jedis chamando o cara de Conde do c*!

É, mas conforme eu falei, o livro de Juízes é tipo de um conto de fadas judeu, então eles inventaram esse nome de rei para o cara para dizer que ele é do mal. Rish'atayim significa "maldade em dobro" em hebraico. Pfffffff... Ai caramba, esses escribas às vezes não tem vergonha! Isso parece nome de vilão dos Ursinhos Carinhosos:

"Vejam amigos, o terrível e cruel Maldade em Dobro usou seu raio de produzir maus pensamentos naquela criança, fazendo ela mexer na gaveta de cuecas do pai e roubar uma revista com capa da Vera Fisher. Agora ele vai levar a revista escondido para a escola e mostrar para os amigos. Ursinhos carinhosos, temos que impedir essa grande maldade. Rápido, para o urso-móvel!"

Concluindo essa jornada léxica, no final das contas, o tal Cusã-Rizataim é mesmo um c**ão.

. . .

Então seguindo a fórmula de episódio de Pokemón, os israelitas foram escravizados por 8 anos até clamarem a deus e pedirem perdão e deus mandar o Juíz Otniel para livrá-los. O Juiz vence o rei malvado, os israelitas são libertos e vivem 40 anos (sempre você 40) de paz até eles começarem a servir outros deuses e começar tudo de novo.

E foi exatamente isso que aconteceu...

Então foi a vez do Rei Eglom de Moabe começar a bolinar os israelitas.

Eglom, não parece nome de gordo?

Então os israelitas passaram 18 anos servindo como escravos de Eglom até que clamaram a deus por perdão e livramento e deus sumonou o Juíz Eúde. A Bíblia diz que ele era canhoto porque esse detalhe vai ser importante mais tarde. Os israelitas tinham que enviar tributos ao Rei, e quem iria apresentar o tributo seria Eúde, que tinha um plano para cometer um regicídio.

Qual era o plano brilhante de Eúde? Esconder uma espada curta na coxa direita. E daí? Ora, uma pessoa destra coloca a espada na coxa esquerda, e Eúde, sendo canhoto, coloca na coxa direita. Não viu o brilhantismo do plano? Então olha só: quando os guardas forem revistar as pessoas que querem ver o rei, eles apalpam a coxa esquerda para saber se o sujeito está armado, e nunca, jamais iriam desconfiar que existem canhotos no mundo e revistar a coxa direita. Viram agora? Para o plano de Eúde funcionar precisava de duas coisas:

- Ninguém desconfiar que alguém no mundo iria guardar uma espada na coxa direita (absurdo)!
- Contar que os guardas do rei seriam um bando de cretinos que só revistavam o lado esquerdo da coxa das pessoas.

Se você não conseguiu ver a genialidade desse plano e pensou na verdade é muito idiota, acertou!

É um plano idiota que só funcionaria por causa do poder do protagonismo bíblico de Eúde, e só! É claro que os céticos iriam pegar no pé dos religiosos por isso e portanto tentaram consertar esse roteiro com uma nota de rodapé dizendo que na verdade o juiz Eúde escondeu a espada curta no lado INTERNO de sua coxa direita. Ou seja, os guardas não iriam pensar em revistar o lado interno da coxa de outro homem, sob o risco imenso de tocarem sem querer no bilau de um cara e viraram gays. Basicamente, era melhor arriscar a vida do rei do que arriscarem virar boiola. Sim, religiosos acham que é isso que faz a pessoa virar gay.

Então vocês que são ateus escolham aí qual a explicação mais ridícula para vocês. Eu dou risada das duas. Tanto a explicação da canhotice quanto da homofobia.

Prosseguindo, estava lá o Rei Eglom recebendo os tributos trazidos por Eúde e seus homens, e quando terminaram, Eúde disse que queria dizer uma coisa para o rei, mas que era segredo, uma revelação da parte de deus, e que ele queria ficar a sós com o rei e que era para ele mandar os guardas irem pastar um pouquinho. O Rei Eglom que, de fato, segundo a Bíblia era muito gordo (Juízes 3:17), mas também muito burro, muito muito, muito burro (igual vilão do He-Man), dispensou seus guardas e ficou a sós com esse líder guerreiro do povo que ele estava escravizando a 18 anos e que queria ver ele morto. Eglom deve ter batido palminhas de excitação. Eu imagino que se fizessem uma adaptação dessa estoria para o cinema, o Eúde poderia ser o David Spade, e o Eglom seria o Jack Black (O Chris Farley seria melhor, se estivesse vivo), porque essa coisa toda parece mais com uma comédia.

Enfim, o relato diz que Eglom estava sentado no seu quartinho de verão particular, Eúde chegou perto dele e créu!

Crééééééééú! Crééééééééu! (Lembram dessa m***a?)

Para a surpresa de ninguém (exceto de Eglom), ele sacou sua espadinha e enfiou ela no meio das pregas da barriga do gordão. A espada entrou com cabo e tudo e se perdeu dentro das gorduras abundantes do rei moabita (não estou brincando, procura lá em Juízes 3:22).

"E saiu-lhe o excremento!" Diz a Bíblia. 

. . .

OK, como se interpreta isso? Tipo, as fezes saíram pelo buraco da espada ou ele cagou de tanta dor? Quando eu era crente esse era um dos tópicos de debate nos grupinhos de estudo: Por onde saíram os excrementos do rei Eglom?

. . .

E Eúde saiu calmamente pela porta, trancou-a e saiu andando e assobiando com as mãos nos bolsos e olhando para cima. Quando os servos entraram e viram que o rei não se encontrava e que a porta do seu quartinho de verão estava trancada, os idiotas, como todo capanga de vilão de desenho animado, pensaram em uma explicação bem idiota: "Talvez ele esteja fazendo cocô!" (Juízes 3:24)

Affff... Biblia!

(pensando bem eles podem ter sentido o cheiro dos excrementos que saíram na hora que Eúde espetou a barriga do infeliz)

Depois que Eúde saiu do palácio do rei, ele arrumou uma trombeta, soprou para sinalizar os israelitas para atacarem e eles vieram descendo dos montes com tudo e mataram 10.000 soldados moabitas, ganharam a guerra e se livraram da escravidão, daí de volta ao palácio do rei Randor, o Gorpo tentou fazer uma mágica que não deu certo, o Mentor acabou ficando bravo com ele e todos no palácio riram e fim do episódio.

A diferença dessa estorinha bíblica de Eúde e de um episódio do He-man, é que nessa estorinha do Juiz israelita, não aprendemos nenhuma lição que preste. 

Texto de Israel Gonçalves

Ps.: E todos os leitores dessas estorinhas ainda perdem cerca de 10 a 20 pontos de Q.I.

domingo, 15 de julho de 2018

Desvantagens de ser ateu




Modo sarcástico ON!!!

Desvantagens de ser ateu:

1. Ter de ficar com 100% do que ganha em vez de ter de ficar apenas com 90%. 
2. Não ter de ir a missa toda semana, e ter de usar esse tempo livre para fazer coisas mais interessantes. 
3. Não ter de se ajoelhar e contar seus podres para alguém pior, o que seria sempre um bom exercício físico e um desabafo.
4. Ter de fazer amor sem a alegria de saber que se está a ser observado. 
5. Se o casamento não der certo ter a possibilidade de tentar outra vez, sem culpa, o que dá muito trabalho e stress. 
6. Ao invés de rezar esperando obter algo gratuitamente, ter de se esforçar mais e conseguir as coisas! 
7. Como não se preocupa com vidas passadas ou futuras, ter de viver melhor esta. 
8. Poder ser bom e justo por opção e não por ter sido ameaçado por deuses e padres, não podendo assim passar a culpa ou responsabilidade a terceiros. 
9. Poder ter de trabalhar ao sábado, sem ter a desculpa de ser algo que é contra a sua religião. 
10. Só poder fazer jejum na dieta ou para fazer exame de sangue. 
11. Ter de seguir as leis de hoje e não as escritas há milhares de anos por peregrinos do deserto. 
12. Não poder acreditar em maçã do pecado, cobra que fala, mar que se abre, virgem que dá a luz, anjo que traz recado, morto que ressuscita, mandamentos, reizinhos que levam presentes, estrelinha que mostra o caminho, livro de lendas antigas e mal traduzidas, purgatório, inferno, diabo, pecado, Terra com 6 mil anos de idade, universo feito em 6 dias, santos falsos, milagres, dilúvio, arca, papa que é eleito pelos homens mas se torna santidade, igreja que protege pedófilos, gente que funda uma igreja e se torna bispo, penitência, flagelo, terço, abstinências sem sentido, dogmas tolos, deus que tudo sabe mas que não fala com ninguém, baptismo, crisma, comunhão, santo graal, crucifixo, água benta, hóstia, imagem de santa que aparece em vidros, Jesus que aparece na torrada, estatueta de santo que chora, gente histérica que reza aos gritos e nem na ideia absurda de 3 deuses que são um só mas são 3. 
13. Ter de confiar livremente na ciência, nas leis da natureza, em teorias baseadas por fatos comprováveis e que não dependem de fé cega em fatos, leis, lendas e textos milenares, de origem duvidosa e superados pela evolução da humanidade.

Modo sarcástico OFF!!!

Texto de Rui Batista

sábado, 14 de julho de 2018

Corão científico?



Um dos argumentos mais populares para o Islão é o que podemos chamar de “Argumento da Precisão Científica”. Os apologistas muçulmanos afirmam que o Alcorão contém inúmeros afirmações científicas que não poderiam ser conhecidas por Maomé sem revelação divina e que foram verificadas apenas séculos mais tarde.

Contudo, a verdade é que o Alcorão é um desastre científico. O livro sagrado dos muçulmanos afirma que o sêmen é formado entre a espinha dorsal e as costelas (Alcorão 86:6-7), que a terra é plana (Alcorão 88:20), que existem sete terras (Alcorão 65:12), que o Sol e a Lua perseguem um ao outro em torno da terra (Alcorão 36:38-40), que os embriões humanos são coágulos de sangue (Alcorão 22:5), que o céu cairia sobre a terra se Allah não o segurasse (Alcorão 22:65), que as estrelas são mísseis que Allah usa para atirar nos demônios que tentam se esgueirar para o céu (Alcorão 37:6-10 e 67:5).

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Perfil do ateu e do crente



O perfil de um ateu (e vou generalizar, assumindo um ateu que o é por ter concluído que não existem divindades, e não meramente um "ateu modinha", que o é só para ser do contra e ser diferente) é o que uma pessoa que analisa tudo logicamente e que não aceita uma ideia ou uma afirmação sem que existam bases coerentes e sólidas para ser aceite. E, no caso do ateísmo, aplica esse "modus operandi" à questão das divindades.

O perfil de um religioso é bem mais complexo. Há muitas razões para a pessoa ser crente.
Pode resultar de uma influência familiar desde a mais tenra infância, numa altura em que o cérebro imaturo é incapaz de distinguir entre a fantasia e a realidade (o motivo mais usual).
Pode resultar da necessidade de obter respostas simples para as questões que se tem, respostas essas que não requerem estudo e que são inquestionáveis.
Pode resultar de uma sensação de revelação após uma situação traumática.
Pode resultar de uma incapacidade de distinguir casualidade com causalidade associada a uma necessidade de sentir que existe um propósito superior na vida.
Etc...

No entanto, algo que é comum a todo o tipo de crente é a capacidade de se auto-autorizar a lidar com a crença de um modo especial, em que as regras lógicas do raciocínio analítico são suspensas para poder preservar a crença.

A relação com uma suposta doença mental seria a de o crente ter a capacidade de se auto-sugestionar ao ponto de agir como um esquizofrénico, acreditando que realmente existe uma entidade invisível que é impossível de provar (porque não existe), falando com ela telepaticamente e acreditando obter respostas.


É como uma criança com amigos imaginários. Só que o crente convence-se MESMO que esse amigo imaginário é real e, pior que isso, tenta convencer outros de que é real.
E, ao ser apoiado por uma comunidade de outros crentes que acreditam na mesma coisa, sente-se ainda mais suportado nessa ideia.


Para suportar essa ideia, aceita (desligando o raciocínio analítico, através daquilo a que chama de "fé") as ideias mais mirabolantes que lhe são acessórias (os dogmas religiosos).
Quando confrontado com factos e provas, entra usualmente em negação, um dos processos que resultam das dissonâncias cognitivas associadas à dissecação da crença. Outras vezes entra mesmo em conflito directo.


São tudo processos mentais, psicológicos. Não tenho conhecimentos de psicologia e neurologia para poder dizer se esta patologia pode ser considerada uma "doença" do foro mental.
Mas é, pelo menos, um processo de entorpecimento, de alienação voluntária e de negação aos processos normais de raciocínio.



Texto de Rui Batista

Falácia dos milagres



As pessoas religiosas tendem a afirmar que vários acontecimentos extraordinários das supostas maravilhas da nossa Terra ou do Universo ou vários "milagres" que eles citam contam como evidência ou prova da existência de Deus.

A falácia lógica é que mesmo se tais coisas notáveis ​​pudessem ser causadas apenas por algo mais poderoso que nós, elas poderiam ser feitas por algum mágico cósmico e certamente por um 'demonio poderoso' que pode ser muito mais poderoso que nós, e ser mortal ao inves de imortal e nem mesmo ser ilimitado em poder.

Nós, seres humanos, não seríamos capazes de dizer se alguma entidade produtora de milagres (ou criação) era verdadeiramente Deus ou apenas um demonio poderoso e talvez mentalmente enganador, nos enganando.

Assim, nenhuma quantidade de milagres ou acontecimentos notáveis ​​pode logicamente indicar a existência de Deus tal como nenhum número de truques mágicos provar a existência de Deus ou mesmo implicar que os mágicos sejam imortais!

Assim, Deus nunca pode ser conclusivamente declarado existir por quaisquer fenômenos ou quaisquer ações, por mais notáveis ​​que esses fenômenos ou ações possam parecer às pessoas.


Texto de Asor, fonte: God Fallacies

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O conflito das visões do mundo



A visão de mundo do crente começa com a premissa de que existe um domínio no qual seres invisíveis agem, seres que podem ser malévolos ou benévolos. Existe um panteão inteiro de tais seres (mesmo em religiões que são nominalmente monoteístas), e eles possuem poderes para fazer coisas que normalmente consideramos impossíveis. Por exemplo, eles podem ouvir os nossos pensamentos ou colocar pensamentos nas nossas mentes, e podem controlar o nosso comportamento, tornando-nos espectadores desamparados dos nossos próprios actos.

Alguns desses seres podem voar ou até estar em toda parte ao mesmo tempo. Alguns deles podem prever o futuro perfeitamente, portanto, eles sabem tudo o que tu farás, milhões de anos antes de tu nasceres, se for preciso. Alguns têm o poder de mover montanhas ou mesmo criar estrelas do nada. Alguns deles podem, magicamente, criar vida a partir do pó, ou fazer com que as coisas existam apenas pensando na sua existência.

Alguns desses seres observam-nos e julgam-nos, 24 horas por dia, seja o que for que estivermos a fazer...

Alguns humanos têm a capacidade de recrutar seres do reino invisível para fazer as suas jogadas. Se um desses humanos for teu inimigo, tu viverás com medo - o que fará ele? Será que ele te vai tirar a vida, ou matar os teus filhos, ou envolver-te num acidente automóvel? Tudo é possível.

Tu és capaz de supor que pensamentos sombrios como esses, seriam encontrados apenas em cérebros de esquizofrênicos paranóicos, mas estarias enganado. Este é um preço que cristãos, muçulmanos e outros, pagam diariamente.

Não há nenhuma evidência de que qualquer uma dessas criaturas realmente existe, mas há outra coisa que torna essa visão do mundo ainda mais preocupante. É comum os afectados acreditarem que ouvem ou lêem mensagens desses seres invisíveis.

Às vezes essas mensagens são inócuas, mas às vezes não são. Às vezes, essas mensagens resultam em danos à pessoa ou a seus filhos. Nos casos mais notórios, a pessoa pode acreditar que deve atacar outras pessoas ou até matá-las.

Essa visão do mundo é perpetuada através de estórias, passadas de pais para filhos. Muitos pais sentem a obrigação de fazer com que os seus filhos acreditem nessas estórias, usando qualquer meio que seja necessário.

Em resumo, a visão do mundo do crente, é acreditar por toda a vida nas estórias que lhe foram contadas quando era criança, independentemente de serem absurdas, imorais e não haver provas que realmente aconteceram.

Como ateu, a minha visão do mundo é muito mais simples. Começa com a premissa de que eu deveria tentar acreditar apenas em coisas que são verdadeiras, portanto, eu sou um cético. Eu exijo provas sólidas e lógica válida, antes de acreditar em alguma coisa importante. Isso significa que muitas vezes tenho que me contentar com a incerteza e estar preparado para mudar de ideia quando novas descobertas são feitas.

Como consequência, não acredito que o panteão dos personagens invisíveis seja real. Eu não ouço vozes na minha cabeça e não perco o sono, perguntando-me se seres voadores malévolos estão a conspirar para arruinar a minha vida.

Eu não tenho que forçar os meus filhos a acreditar em estórias incríveis, em vez disso, eu encorajo-os a aprender o máximo que puderem, a fazer perguntas e a contestar cada afirmação que ouvirem - incluindo qualquer alegação que eu possa fazer.

Há quem diga que todas as visões do mundo são igualmente válidas, mas não são. Algumas estão enraizadas no nosso passado ignorante e supersticioso, e são francamente ridículas. E algumas não são.


PS.: Nem todos os crentes acreditam em todos os aspectos da visão do mundo que descrevi aqui, mas alguns acreditam.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Os superpoderes dos deuses antigos




Se olharmos para a história do homem e da sua relação com os deuses, percebe-se que a maioria das divindades não era omnipotente, apenas tinham alguns superpoderes, como por exemplo, controlar o tempo, criar seres vivos, comunicar à distância, escapar à morte, entre outros poderes. Entretanto, algumas dessas aptidões que durante tantos milénios eram consideradas atributos exclusivos dos deuses, hoje fazem parte do nosso quotidiano como atributos banais.

Hoje, não só nos deslocamos como comunicamos de forma global com uma facilidade tal que faria inveja aos deuses gregos, africanos, ameríndeos ou hindus. Há em África um povo que acredita no deus Chukwu que desejava fazer o homem imortal, mas esse deus teria de ensinar os humanos o modo de atingir esse feito. Segundo reza a lenda, Chukwu enviou um cão pra ensinar os humanos que quando morressem, deveriam espalhar-se cinzas sobre o cadáver para que o corpo ressuscitasse, mas o cão cansou-se na viagem e perdeu-se. Então, Chukwu enviou uma ovelha para difundir a mensagem, mas as ovelhas como não são propriamente uns bichos inteligentes, trocou as instruções de cansada que ficou com a viagem, e disse aos humanos que deviam ser enterrados. E, segundo essa lenda, está encontrada a razão de nós continuarmos a morrer. Uma pena que Chukwu não conhecesse os poderes banais que temos hoje em dia, pois assim teria enviado um tweet ou feito uma publicação no Facebook em vez de usar cães fracos ou ovelhas lerdas.

Quando olhamos para todas esses povos agrícolas da idade do bronze, nota-se uma completa falta de interesse no que toca ao tema da metafísica ou pelo tema que tantos crentes hoje em dia se matam, a vida depois da morte. Apenas se preocupavam com ninharias, assuntos corriqueiros do dia a dia como uma boa produção agrícola, ou com uma boa chuvada nas épocas certas. Por isso, os deuses do antigo testamento não prometem o paraíso ou o inferno depois da morte, apenas prometem chuva a horas para que os hebreus possam se alimentar devidamente, desde que se portem bem ao não adorarem um outro deus rival (do deus único), tal como esta em Deuteronómio 11:13-17.

Realmente, como as coisas mudaram tanto desde esses tempos de tão pouco conhecimento. Hoje, os cientistas arrasam por completo esses deuses hebreus do antigo testamento. Inventaram fertilizantes e pesticidas e alteraram geneticamente as colheitas que tem resultado em produções agrícolas que arrasam os melhores anos agrícolas desses povos antigos. Como se não chegasse, o árido Estado de Israel já não tem que se preocupar com a falta de água ou de chuva, devido à enorme estação de dessalinização construída no Mediterrâneo, de onde vem toda a água potável que necessitam. 


Baseado na obra Homo Deus