sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Por que é que existem crentes?



Um amigo muçulmano recentemente me marcou neste comentário:

"O problema para o ateísmo começa quando se pede aos seus proponentes para que eles forneçam evidências de que Deus não existe."

O problema com aquele comentário é que a maioria dos ateus não afirma que Deus não existe, e como tal, os ateus não têm a obrigação de fornecer evidências para algo que não reivindicam.

Os crentes afirmam que há um ou mais deuses, mas não conseguiram até hoje arranjar uma única prova de que isso é verdade. Ninguém deve acreditar em alegações extraordinárias para as quais não há provas. Obviamente! 
Isso explica por que existem ateus.

Mas isso não explica porque existem crentes...


Texto de Bill Flavell

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Inspirações da Bíblia




“Estruturalmente, Génesis 1-11 apresenta uma fascinante visão sobre como a Bíblia evoluiu de uma colecção de mitos politeístas e lendas de várias culturas em uma conta monoteísta mais coerente da história de Israel.” – 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg 2000; Página 3


Em resumo, todos os personagens na Bíblia foram roubados de religiões pagãs gentias e substituídos por personagens judaicos:


  •  Monoteísmo judaico foi roubado do egípcio Akhenaton
  •  A criação judaica foi roubado da criação egípcia.
  •  O uso que o Senhor judaica da palavra para criar foi roubado do
    Egípcios (o judeu Iavé substitui Ptah).
  •  “Haja Luz” foi roubado do Épico Theban da criação.
  •  O “firmamento no meio das águas” foi roubado da criação egípcia.
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  •  Eva vinda da costela de Adão foi roubada do épico de Enki e Ninhursag:
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  • “Meu irmão, que te dói?
    Minha costela me dói”
    ANET, Ninti cujo nome significa
    “Senhora do Rib”, curou costela de Enki.
  •  Punição e perda da imortalidade de Adão e Eva foram roubados da história mesopotâmica de Adapa (o judeu Iavé substitui o sumério Enki).
  •  Os judeus Caim, Abel e Seth foram roubados de Osíris, Set e Hórus.
  •  O conflito entre Caim e Abel foi roubado de Set e Osíris, e conforme a história se passa, é mais tarde com base nos sumérios Dumuzi e Enkimdu.
  •  O judeu Sansão foi roubado de Heracles: A remoção de seus olhos é baseada em Édipo, e a derrubada dos pilares foi roubada do conto egípcio sobre Re-Herakhte.
  •  A história judaica de Jacob e a escada foi roubada dos rituais funerários egípcios para o rei falecido: Glórias a ti, Escada de Deus, Salve, oh Escada de Set. Suba, oh Escada de Deus, suba, oh Escada de Set, suba, oh Escada de Hórus, sobre o qual Osíris foi o céu.” A Escada egípcia consiste dos corpos de duas divindades egípcias sobre a qual Osíris ascende aos céus, foi substituída por uma escada com vários seres sobrenaturais, anjos a subir e descer entre a Terra e o céu.”
  •  O judeu Moisés foi roubado de vários Deuses e reis, a depender da fase de sua vida: Sargon (o nascimento e abandono no rio, serem resgatados pela realeza etc.)
  •  As andanças no deserto foram baseados na Deus-Sol Baco, como visto nos Hinos de Orfeu.
  •  A passagem Hebraica de “40 anos no deserto”, afirmada no livro judaico de Êxodo. As subsequentes “40 dias e 40 noites” andanças no deserto do judeu nazareno foram roubadas: “a luta de Set e Hórus no deserto durou quarenta dias, como comemorado nos quarenta dias da Quaresma egípcia, durante os quais Set, como o poder de seca e esterilidade, fez guerra contra Hórus na água e germinação do grão enterrado… Esses quarenta dias foram estendidos para 40 anos, e confessadamente assim pelos judeus.”
  •  O judeu Josué foi roubado das Divindades egípcias Shu e Nun.
  •  A judia Débora foi roubada da Deusa egípcia Neith.
  •  O judeu Noé foi roubado do sumério Ziusudra.
  • O deus judeu fictício Iavé na história de Noé substituiu o deus sumério Enlil, também conhecido como Baal e Belzebu.
  •  O filho judeu de Noé, Kham, foi roubado de Belus.
  •  O judeu Nimrod foi roubado do Faraó egípcio Sesóstris.
  •  O judeu Abraão foi roubado do Rei Hariscandra dos Sankhayana-Sutras Hindus.
  •  O judeu Isaac foi roubado de Rohita, filho do Rei Hariscandra. Nessa história, o deus judeu fictício Iavé substituiu o deus hindu Varuna.
  •  O personagem judeu Daniel foi roubado do egípcio Neferti.
  •  O judeu Jonas e a baleia; Jonas foi roubado do personagem Hindu “Saktideva” encontrado na Somadeva Bhatta.
  •  As “Doze Tribos de Israel”, assim como os doze discípulos de Cristo são baseadas nos doze signos do zodíaco.
  • O judeu Ló e sua esposa foram roubados dos gregos Orfeu e Eurídice.
    Nessa história, o deus judeu Iavé substitui o deus grego Hádes
  •  Os judeus Jacó e Esaú foram roubados de Hórus e Set.
  •  A judia Rebeca foi roubada da Deusa egípcia Ísis.
  •  O judeu José com os onze irmãos foram roubados do egípcio Psammetichus.
  •  A história de José e a esposa de Potifar foi roubada dos egípcios Anúbis e Bata.
  •  “As Dez Pragas” contra o Egipto foram roubadas e muito exageradas e alteradas do Papiro de Ipuwer.
  •  Os dez mandamentos foram roubados do Código de Hammurabi.
  •  O judeu Iavé substitui o Deus-Sol sumério Shamash, também conhecido como Azazel.
  •  O judeu Davi a matar o filisteu Golias foi roubado de Thor a jogar o martelo em Hrungnir, atingindo-o na testa.
  • O judeu Jó foi roubado do ugarítico Keret, e o judeu Iavé substitui o Deus “El”.
  •  O judeu “Jó”, foi roubado de uma história escrita no idioma ugarítico (escrita cuneiforme), escrita por volta de 1400 aC por “Ilimilku, o Escriba”. Este épico envolve “Keret” e o Deus “El”, e NÃO Jó e Jeová. Tragédias familiares de Keret e doenças são comparáveis com a história de Jó. No conto original, “Satan” nunca sequer entrou em cena. Aqui, o judeu Jeová substitui El.
Ao criar Deuses opostos, um “bom” e outro “mal”, os judeus têm sido capazes 
de manipular o mundo além da imaginação.

  • O livro judaico de Provérbios, juntamente com os escritos no livro de Eclesiastes foram roubados dos ensinamentos do egípcio Ptah-Hotep. 28. 
  • Muitos dos escritos no livro judaico de Josué foram roubados das Cartas de El Amarna 29 
  • O livro judaico de juízes é composto de material roubado: História de Aqhat, Diário de Wen-Amon, Almanaque Gezer 30 
  • Os livros judaicos de Samuel e Reis contem material roubado de: As Profecias Mari, Estela da Messa, O Escrito de Karatepe, Os Anais de Salmanasar III, O Obelisco Negro de Salmaneser III, Os Anais de Tiglate-Pileser III, The Annals of Sargon II, O Escrito de Siloé, O Escrito Yavne-Yam, As Cartas Lachlish, O Arad Ostraca, Os Anais de Senaquerib, Os Anais de Nabucodonosor II.

Mais material roubado nos livros bíblicos de Esdras e Neemias de:
  • O Cilindro de Ciro, 31
  • O judeu Mordecai foi roubado do Deus babilónico Marduque 32
  • A judia Ester e o livro judaico de Ester foi roubado de Ishtar, também conhecida como Astaroth, Astarte, Afrodite, Ísis, Ashtar. 33
  • A judia Virgem Maria “Rainha do Céu” também foi roubado de Astaroth
  • O judeu João Baptista foi roubado de Anup, que batizou Hórus. Ambos perderam as cabeças. 34
  • O judeu Judas foi roubado de Set. 35
  • O judeu Mateus foi roubado de Thoth 36
  • O judeu Tomás foi roubado de Tammuz 37
  • “Como Jesus, o deus grego Hermes também foi envolvido em roupas de panos e colocado numa manjedoura, assim como foi também Dionísio.” 38 


Referências:
1 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg © 2000 páginas 3-24
2 Ibid, páginas 11-13
3 Ibid, página 14
4 Ibid, página 17
5 Ibid, páginas 43-44
6 Ibid, página 55
7 Ibid, páginas 56-57
8 Ibid, página 9
9 Ibid, páginas 68-69
10 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions por T. W. Doane © 1882, capítulo VIII “Samson and his Exploits” páginas 62-76 11 101 Myths of the Bible, página 144
12 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions, página 51
13 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold por Acharya S. ©1999
página 244
14101 Myths of the Bible páginas 254-255 15101 Myths of the Bible páginas 258-62 16101 Myths of the Bible páginas 103-104
17101 Myths of the Bible páginas 103-104 páginas 101, 102
18 Bible Myths And Their Parallels in Other Religions página 39
19 Old Testament Parallels: Laws and Stories from the Ancient Near East by Victor H. Matthews and Don C. Benjamin 1991 páginas 235-240
20 101 Myths of the Bible páginas 135-137
21 101 Myths of the Bible página 138
22 101 Myths of the Bible página 175-179
23 101 Myths of the Bible páginas 180-181; Old Testament Parallels páginas 41-45
24 101 Myths of the Bible página 206
25 Old Testament Parallels páginas 62-67
26 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions páginas 90-91
27 Old Testament Parallels páginas 201-211
28 Old Testament Parallels páginas 184-188
29 Old Testament Parallels páginas 77-80
30 Old Testament Parallels páginas 85-105
31 Old Testament Parallels páginas 109-143
32 101 Myths of the Bible página 292
33 101 Myths of the Bible páginas 292-293
34 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 177
35 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
36 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
37 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 172
38 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 191

Outras Referências:
Popular Dictionary of Assyrian and Babylonian Terminology por F. C. Norton ©2003



domingo, 23 de junho de 2019

Um deus ignorante



A escravatura hoje é crime. Lógico, não é? As igrejas cristãs condenam essa prática horrível. Mas quando os portugueses e outros a praticavam, há séculos, não era. Os padres diziam que não era crime. Até estava na Bíblia!

Então o deus dos cristãos não sabia que a escravatura era crime e só aprendeu recentemente?

O deus só aprendeu quando os homens aprenderam. É lógico, porque o deus é uma invenção dos homens.
Se o deus, inteligência infinita, bondade infinita, existisse, tinha proibido a escravatura desde o início. E teria ensinado a praticar higiene, desinfeção, antibióticos, eletricidade, matemática, química, física, hidráulica, cosmologia, navegação, impressão, direitos humanos, eu sei lá as coisas maravilhosas que um deus sábio podia ter ensinado à humanidade, milhares de anos antes que os seres humanos as descobrissem sozinhos.

Em vez disso, o que está na Bíblia são ideias tão ignorantes como as do povo primitivo que escreveu o livro. O mundo feito em seis dias, a terra plana, proibição de comer porco e marisco, as mulheres menstruadas são impuras, burros falantes, bruxas, demónios e mortos que ressuscitam.

O deus antigo era tão ignorante como o povo que o adorava. Lógico: tinha sido imaginado por eles.


Fonte: Carlos Cabanita

quarta-feira, 5 de junho de 2019

O nosso planeta é incrível




Há muitas coisas neste mundo que me deixam admirado. Coisas que são tão extraordinárias ou tão difíceis de compreender, que parecem simplesmente inacreditáveis. Por exemplo, as missões Apollo que enviaram 12 homens para caminhar na Lua usando um computador com menos poder de processamento do que aquele que eu tenho na minha máquina de lavar louça.

Ou o Airbus A380, um enorme tubo feito duma liga de alumínio que pode carregar 850 passageiros, a 13500 Km  de altura e a 85% da velocidade do som.

Ou contemplando o tamanho e a idade do Universo, com o seu incrível número de galáxias e estrelas.

Ou o fato de que milhares de milhões de meus companheiros humanos, de longe as espécies mais inteligentes do planeta, que acreditam sinceramente que falam com um ser invisível que tudo assiste sobre o que fazem, que criou todo o universo e a vida na terra em questão de poucos dias e está preocupado com a necessidade dos homens cortarem os seus prepúcios dados por este amigo imaginário a que chama de Deus.

E esta pode ser a coisa mais incrível de todas.


Texto de Bill Flavell

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Por que os criacionistas contam mentiras



Quando os seus adversários deturpam constantemente a sua posição, é provável que haja uma razão. E, no caso dos criacionistas, a razão é bem simples, eles não têm provas para suas próprias crenças enquanto a evolução tem toneladas de provas. Então, o que sobra para eles? Dizer mentiras é o que lhes resta.

A imagem mostra uma típica mentira criacionista. Ela insinua que os chimpanzés evoluíram para humanos. Note que há milhões de chimpanzés e milhões de humanos e a pergunta que fazem é a de por que não há as milhões das formas intermédias?

Só que a Teoria da evolução não diz que os chimpanzés evoluíram para os humanos, mas diz que os chimpanzés e os humanos tiveram um ancestral comum há 6/8 milhões de anos atrás. Há muitos chimpanzés e muitos humanos, pois ambos são espécies sobreviventes desse ancestral comum.

São poucas as espécies intermédias, pois foram extintas entre 40 000 a 8 000 000 anos atrás e apenas restou uma pequena proporção dessas criaturas na forma fóssil. Além disso, haviam pequenas populações dessas espécies em comparação com o número de humanos e chimpanzés modernos.

Quando acreditas em mentiras, podes ter que usar mentiras para defender as tuas crenças, mas sabes que estás a dar essas mentiras, né?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sobre ser céptico



Se alguém me dissesse, online, que poderia voar, eu não acreditaria nessa pessoa. Tudo o que sei sobre aerodinâmica e fisiologia humana, me levaria à conclusão que essa afirmação é impossível. Mas eu não iria negar a sua reivindicação.

Talvez haja coisas que eu não saiba sobre aerodinâmica e fisiologia humana. Talvez essa pessoa tenha um tipo de corpo extremo e habilidades geneticamente adquiridas que tornariam o vôo mais viável. Talvez ela defina voar um pouco diferente da forma como eu defino. Por exemplo, ela pode querer dizer que poderia planar de um penhasco e aterrar com segurança, talvez com a ajuda de roupas especiais.

O fato é que, apesar da sua alegação altamente extraordinária, eu não sei que ela não pode voar. Nesse caso, eu não acreditaria nela, mas eu não lhe diria que está a mentir, também. Eu pediria para ela me demonstrasse que a afirmação dela é verdadeira. Depois disso, a minha crença dependeria de sua disposição e capacidade de mostrar que a sua afirmação é verdadeira. A minha abordagem é ser céptico e racional, porque essa é a melhor defesa contra acreditar em coisas que não são verdadeiras.

Na verdade, as pessoas acreditam prontamente em alegações ainda mais extraordinárias do que essa. Milhares de milhões de pessoas acreditam que existe um ser inteligente que não é feito de matéria ou energia - é feito de nada. E eles acreditam nesse ser que pode fazer qualquer coisa, até mesmo coisas que pensamos serem impossíveis, de acordo com as leis naturais que compreendemos bem.

A alegação da existência do super-ser invisível é MUITO mais extraordinária do que a alegação de se ser capaz de voar. Afinal, sabemos que pássaros e alguns mamíferos podem voar, mas não temos conhecimento de seres poderosos e inteligentes que são imateriais.

Tu podes pedir àqueles que fazem essa alegação, para demonstrarem que é verdade. Mas eles não podem. Em vez disso, eles pedem-te para acreditares com base na fé - por outras palavras, apenas acreditar.

Por mais extraordinária que seja a alegação do super-ser invisível, não podemos dizer que seja impossível. Nós não sabemos tudo. Mas é muito mais inacreditável do que a alegação de que uma pessoa pode voar, e nenhum de nós acreditaria nessa alegação sem uma demonstração.

Se tu podes ser céptico e racional sobre uma alegação absurda, por que não podes ser céptico e racional sobre todas elas?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 7 de outubro de 2018

O buraco em forma de deus



Alguns religiosos consolam-se com a ideia de que todos os seres humanos têm um "buraco em forma de deus" no seu coração / alma / vida / cérebro.

A ideia é que deus criou-nos e projectou-nos com um buraco em forma de deus, na esperança de que sentiríamos a necessidade dele nas nossas vidas e o buscaríamos.

Essa ideia remonta pelo menos a Pascal, mas foi alimentada recentemente pela disciplina da neuroteologia. Esta é uma disciplina científica relativamente nova, que estuda o que realmente está a acontecer no cérebro durante as experiências religiosas. Com certeza, a neuroteologia descobre que nossos cérebros são capazes de experiências numinosas, sejamos nós religiosos ou não. Quer acreditemos num deus ou não.

Se olharmos para fora da neuroteologia, encontramos evidências do buraco em forma de deus da antropologia. Com certeza, onde quer que vás no mundo, encontrarás pessoas com convicções religiosas. Isso vale para as nações mais avançadas tecnologicamente e para as pequenas comunidades que vivem na selva brasileira. Na verdade, existem algumas excepções, mas é verdade que as crenças religiosas são quase omnipresentes.

Os religiosos, frequentemente, vêem esses factos como evidência de que deus existe, e que nós fomos feitos para buscar deus.

Mas será essa uma conclusão razoável?

Vamos começar com neuroteologia. É justo dizer que a neuroteologia conclui que todos nós, ou quase todos nós, somos capazes de ter experiências religiosas. Essas experiências são profundamente emocionais. Elas podem provocar mudanças na vida. As pessoas, frequentemente, descrevem sentimentos de união com o universo ou com deus - elas perdem o sentido do "eu" e sentem que se tornam parte de algo maior - talvez até algo infinito ou eterno.

Mas aqui está o interessante - há muitas maneiras de desencadear essas experiências. Meditação, campos magnéticos, drogas ou pensar num deus. Até a epilepsia pode fazê-lo. Os cristãos podem fazer isso, pensando em Jesus; Os muçulmanos podem fazer isso, pensando em Allah; Os hindus podem fazê-lo, pensando em Vishnu ou em muitos outros deuses. Isso exclui a possibilidade de que um deus, agindo de fora de ti, esteja a fazer com que tu tenhas esses sentimentos. Isso mostra que algo dentro de ti - o teu cérebro, esteja a causá-los.

Então, o buraco em forma de deus revela-se maleável. Ele pode mudar de forma: de um buraco onde Jesus se encaixa perfeitamente, para um que se ajusta confortavelmente a Vishnu, Allah ou Odin. De facto, o buraco é perfeitamente ajustável a qualquer deus em que acredites - tu até podes inventar um deus, que ele vai-se encaixar!

Será que deus fez intencionalmente este buraco que muda de forma, para se ajustar a si mesmo e a outros deuses, também? Será que ele decidiu fazê-lo de modo a se encaixar em quaisquer deuses inexistentes que os humanos possam sonhar? Ou será que estamos, simplesmente, a olhar para uma aptidão que os cérebros humanos desenvolveram por algum motivo?

É verdade, ainda não sabemos exactamente por que essa aptidão evoluiu, ou se é apenas um subproduto acidental de outras aptidões que realmente precisamos.

Mas uma coisa é evidente, o buraco em forma de deus, certamente não é indício da obra de deus, a menos que deus tenha um senso de humor verdadeiramente diabólico!


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 30 de setembro de 2018

Como a nossa imaginação veio nos dominar




A evolução de uma imaginação sofisticada nos proto-humanos, mudou tudo. A capacidade de imaginar o que poderia acontecer nos próximos segundos ou minutos, juntava-se à capacidade de imaginar o que poderia acontecer ao longo de anos ou mesmo de décadas. Desde imagens passageiras dum futuro próximo até a capacidade de construir modelos mentais estáveis ​​dum futuro distante, e incorporar tudo o que fora aprendido anteriormente. 

Sem essa capacidade, não teríamos desenvolvido um planeamento de médio e longo prazos, soluções de problemas complexos, matemáticas e ciências. A linguagem, a arte, a poesia e a narração de histórias podem ter existido, mas teriam ficado empobrecidas ou raquíticas. A imaginação é um dos três pilares da civilização humana moderna, juntamente com inteligência abstrata e inteligência emocional.

Como sabemos, a evolução não trata de procurar a perfeição - trata-se de adaptação. É sobre a seleção de variações que melhoram o sucesso reprodutivo e, às vezes, as variações não são ao acaso, mas intencionais. Pensa na evolução bem sucedida da busca de luz pelas mariposas, que resultou em incontáveis ​​milhões de mariposas auto-imolando-se em chamas bruxuleantes.

Tal e qual como com uma imaginação sofisticada. Permitiu-nos saber que as nossas vidas terminariam e nos permitiu imaginar seres poderosos para nos ajudar a explicar o mundo e nos defender dos seus perigos - em última análise, da própria morte. Acontece que nossa imaginação era tão boa e a nossa necessidade de compreensão e proteção tão grande, que nos convencemos de que os nossos protetores imaginários eram reais.

Os deuses tornaram-se para os humanos o que são as chamas das velas - elas nos atraem, mas trazem-nos perigos e a morte. Nós matamos-nos em disputas sobre os nossos deuses, matamos e torturamos pessoas que os negam, sacrificamos crianças para eles e sacrificamos-nos a eles.

É verdade que os deuses inspiraram grandeza em tempos como nos das pirâmides ou no das grandes catedrais, mas a que preço pagámos em vidas humanas.

A simples verdade é que os deuses imaginários não alimentarão nem pagarão pela educação dos teus filhos. Eles não te ajudarão a tomar boas decisões e não permitirão que tu vivas para sempre. Mesmo que os teus deuses não te inspirem a odiar ou matar pessoas, eles ainda podem marcar-te como alvo de uma outra pessoa. E eles provavelmente custam o teu precioso tempo em igrejas ou em mesquitas, além de dinheiro em dízimos e ofertas.

A linha base é esta: no momento em que os humanos estão procurando por mais estrelas e descobrindo os segredos mais profundos da natureza, os deuses imaginários são um investimento terrível. Investe na tua família, na tua comunidade e na humanidade.

Usa a tua fantástica imaginação para nos erguermos, não para nos arrastar para baixo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 29 de setembro de 2018

A moral



A moral é a resposta para as questões e reflexões que se baseiam em duas coisas: o ato e a consequência. Moral é o conjunto de regras usadas como diretrizes para se tomar decisões em contextos de conflito entre a minha vontade e a dos outros.

Ela só existe quando há uma sociedade, quando há outra pessoa se relacionando comigo: um ermitão não tem necessidade alguma de qualquer conjunto de regras, porque não há conflito nenhum entre ele e os outros.

A moral varia de uma sociedade para outra, porque o vetor de problemas que cada uma tem que resolver, é distinto entre si.

Esta pluralidade, claro, não é dizer que não possa existir intersecções entre diversas morais: o problema do assassinato, por exemplo, é constante em todas as sociedades e, por isso, faz-se necessário uma moral sobre ele (comumente, negativa).

Ademais, outro ponto para se afirmar que a moral é social é o fato que nenhum indivíduo define a moral da sua sociedade. Esta é criada por forças históricas e culturais muito além de qualquer ser humano. Considere os papéis de gênero, uma moral importantíssima que regula as relações entre os dois sexos: não se pode apontar nenhum homem ou mulher que os tenha instituído, embora, claramente, seja algo socialmente criado.

Não, a moral nao provém dos entes sobrenaturais das religiões.

Texto de Asor Otsenre, adaptado de Bruno Sales, Gabriel Pires e Johnny Jonathan via Quora.pt

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Servindo a deus ou a um padrão comportamental?



Um livro sagrado original, um deus original, vários “grupos escolhidos” e uma eterna briga pelo direito de registro da “patente sagrada” e filiação original!

Bíblia debaixo do braço para ir à igreja ou empoeirada em cima de uma estante sem quase nunca ter lido? 
Ok, confere! 
Véu na cabeça antes de orar ou usando dentro da igreja para que não se mostre desnuda diante de deus? 
Ok, confere! 
Sábado guardado de um pôr do sol a outro entre sexta e sábado? Ok, confere! Panfletos com versículos da bíblia entregues nos fins de semana para arrependimento dos “pecadores”? 
Ok, confere! 
Aquisições de bugigangas ungidas pra dar sorte? Ok, confere! Penitencias pagas à rainha dos céus e a todos os santos? 
Ok, confere! 
Orações nos montes, jejuns, ofertas e dízimos tudo em dias para se prevenir do migrador e devorador? 
Ok, confere! 
Abstenção de bebidas alcoólicas, carne de porco, mariscos e uma infinidade de outras comidas proibidas por deus? 
Ok, confere! 
Checando...Pronto! 
Seu kit de santidade estar atualizado! Só permanecer assim a vida toda esperar um pouco mais para ir morar nos céus...

Seria cômico se não fosse trágico! Cada igreja vende o seu kit próprio de salvação ou pacotes no que diz respeito ao quesito “servir a deus” por preços e condições variadas e todas elas entre si, lutarão até os últimos recursos para transformar a você e a todos quantos sejam possíveis em clientes fiéis, consumidores desses kits e defensores dessas ideias, atraindo assim mais seguidores para esse ou aquele nível de conduta ou pensamento, tentando padronizar e domesticar o homem, que por natureza foi feito para estar em constante evolução em todos os sentidos.

Toda agremiação religiosa diz ter recebido de deus a missão de espalhar a “verdade” ao mundo e combater as “mentiras” que as outras agremiações ou pessoas propagam e a desmascarar as artimanhas do diabo que luta para tragar a alma do homem do “caminho verdadeiro” apontado por tal igreja. Todas elas dizem aos seus membros que estes são escolhidos por deus para determinado propósito, enquanto as outras não, e que terão de comprar delas o mesmo kit de padronização se quiser ir para os céus.

Uma batalha infinita tem início todos os dias dentro e fora desses grupos com o instituto de te padronizar, te rotular e ter o controle de sua vida entre esses que dizem ser os mensageiros de deus, e os mais variados efeitos dessa luta poderão ser vistos diariamente na vida de cada um desses que são domesticados por esse ou aquele sistema de crenças. Somente castigos severos e ameaças em nome do sagrado e do profano para anestesiar o homem, esse ser em evolução constante com sede da verdade e do conhecimento. A igreja sabe muito bem como fazer.

“Quando as perguntas começarem a surgir e os questionamentos começarem a florescer, use de sua “autoridade religiosa” meu filho! Humilhe o questionado em público, ameace o herege com pragas, crie boicotes individuais ou em massas para os “filhos do diabo”, enquadre aquela pessoa que resiste ao que você diz, isole-a, e a faça parecer ridícula e demoníaca pois só assim poderá manter funcionando esse grupo que você criou ou que te dei para você dirigir, filho meu!” Essa parece ser a mensagem secreta e individual que a maioria dos líderes religiosos parecem receber de “deus” quando são “chamados para sua obra”, para abrir uma nova igreja ou um novo ministério.

Assim, muitos por esse “chamado divino”, tem conduzido o “rebanho do senhor” e cada um fazendo do seu próprio jeito, criando suas próprias normas, seus próprios conjuntos de regras e dizendo:” estamos servindo a deus... E todos dizem ter razão!

Todos os que entram nesses seguimentos, não percebem que estão apenas seguindo padrões comportamentais do grupo já estabelecidos previamente e não vontade de deus algum, pois entre as linhas que dizem servir a determinado deus, quase todas elas são antagônicas, contraditórias e auto anulatórias entre si, concordando apenas no fato de que os súditos sejam ovelhas mudas, proibidas de questionar, imbuídas apenas de obedecer ao líder e fazer o rebanho crescer. Fora isso, todas elas travarão batalhas terríveis para dizer que estão servindo a deus e que se você não estiver do lado desse ou daquele seguimento, estará lutando contra o próprio deus! Que loucura...

Por intuição ou por orientação, muito desses líderes sabem que desde os mais remotos tempos, uma preocupação colossal e angustiante paira sobre a maioria dos homens em praticamente todas as culturas que tem nos seres metafísicos uma das “pernas” que sustenta tal sociedade. Essa preocupação na maioria dos casos é sobre estar ou não servindo e agradando aquela divindade enraizada na cultura popular.

Nos povos alcançados pela crença no deus mesopotâmico denominado como é o caso do deus de Abrãao por exemplo, essa preocupação tem sido mais latente, pois quem não estiver servindo a deus corretamente sofrerá severas penas, incluindo a pena de morte. Em toda história bíblica do passado esses fatos estão registrados pra quem quiser ver, bem como na história secular, onde o islamismo, judaísmo e cristianismo tem sido apresentado por imposição ou por opção tem sido de igual modo implantado quase que totalmente pela força tal sistema de crenças.

Há uma crença demonstrada de modo explícito entre os seguidores dessas três crenças e de praticamente todas as milhares de ramificações que dessas derivaram, que entre milhares de pessoas servindo a esse deus, se tiver alguém entre o povo servindo-o de modo errado, a ira desse deus todo poderoso e furioso (e ao mesmo tempo piedoso e justo) virá não apenas sobre o infame “herege”, mas sobre toda uma cidade, estado ou nação onde ele estiver inserido.

Eles assumem desse modo ainda que sem perceber que apenas 1 pessoa servindo a deus de modo “errado” invalida as ações de mais 1 milhão de pessoas que estão fazendo as coisas de modo certo diante de deus.

Não te é estranho isso? Uma gota de leite em um balde de café não é capaz de alterar o sabor do balde inteiro, mas apenas uma única pessoa “errada” em um “oceano” de tantas outras pessoas santas e que não esteja dentro dos padrões estabelecidos de como servir a deus por determinado agrupamento, será capaz de trazer os mais variados tipos de agouros divinos para esse grupo.

O velho testamento estar recheado de histórias assim. Então mata-se, apedreja-se, persegue-se, exclui ou faz boicotes àqueles que estão trazendo tais consequências desastrosas. Na idade média, a igreja católica costumava atribuir qualquer surto de doença, calamidades ou fenômenos da natureza a uma pessoas ou grupos “pagãos” que estavam desagradando a deus e de acordo com esta mesma igreja eram eles que estavam deixando deus irado e trazendo consequências terríveis.

A peste negra? Culpa dos infiéis! 
A gripe espanhola? Culpa dos hereges! 
Varíola, rubéola, carbúnculo, sarampo? Maldições por que servimos a deus de forma errada! 
Terremotos, furacões e maremotos? Sinais da ira divina e da volta de jesus que virá julgar esses esse povo pecador! 
A nós não! Nós somos as pessoas certas, no grupo certo, servindo a deus de modo certo e por isso estamos salvos, aleluia!

Então...Morte aos infiéis! Morte aos ciganos! Morte aos judeus! Morte aos mulçumanos! Morte as bruxas! Morte as rezadeiras! Morte aos celtas, aos vândalos, aos bárbaros, a todos os que não comem do corpo e do sangue de cristo! Morte, morte, morte...Morte aos incircuncisos (ah não, isso foi no velho testamento)! Em nome do deus da vida vamos matar a todos e conquistar essa terra para o nosso deus!

Não te é estranho esse fato? Por que um único pecador é capaz de desvirtuar toda uma congregação de justos? Que tipo de deus justo é esse que pune toda uma população por causa de uma simples pessoa que estar “fora da caixinha”? Que tipo de justiça é essa? Nem no mundo dos mortais encontramos juízes que hajam assim o tempo inteiro sem amadurecer e sem viver eternamente e ter tempo para se arrepender de feitos tão maldosos! A grande verdade como dito logo acima é que tudo isso não passa de padrões de comportamento! Nenhum religioso dentro de uma comunidade religiosa, sob a égide de uma bandeira ou símbolo sagrado segue a deus nenhum! TODOS eles seguem apenas padrões de comportamentos pré estabelecidos e para não serem perturbados por questionamentos que possam surgir, querem converter a todos a esse mesmo ponto de vista! Praticamente TODOS eles querem padronizar os outros ao seu próprio entendimento de servir a deus e assim começam as guerras desnecessárias e seus derivados que afetam todo o globo.

Judeus versus mulçumanos! Protestantes versus católicos! Congregação A versus congregação B...Todos preparando missionários para converter “pecadores” e a ensinar o modo correto de servir a deus. Todos matando e morrendo pela mesma causa. Todos condenando ou invalidando os ritos litúrgicos uns dos outros. Todos tem um inferno preparado para os “não salvos” e para todos da religião alheia!

Do alto de sua inércia, aquele dizem ser o pai de todos nada faz para mudar isso....

Se realmente existe uma possibilidade de alguém servir a ideia do sagrado, essa possibilidade estaria fora dos currais religiosos, livres dos interesses espúrios e egoístas dos criadores e mantenedores de tais agremiações, e estaria bem distante da padronização oficial que todos recebem ao nascer em um lar religioso ou quando se associam a tais agremiações depois de um certo tempo.

Se existe alguma divindade justa e bondosa realmente, a única maneira de agradá-la seria servindo-nos uns aos outros, ajudando-nos uns aos outros para um estado maior de ser, e não reduzindo aos homens a um estado vegetativo de “dependência divina” quando na verdade estão formatando pessoas para serem dependentes de sistemas de crenças dizendo a essas que estarão servindo a determinado deus. Esse comportamento é tão prejudicial quanto os que criam e sustentam os mercados de entorpecentes.

Não é feio e nem vergonhoso deixar de pertencer a um “grupo de fé”! Feio e vergonhoso é tornar o mundo diariamente um lugar pior de se viver em nome de um deus imaginário, enquanto enriquecem e mantem no poder opressor, aqueles que vivem da ignorância das massas. Isso sim é feio, vergonhoso e ridículo.

A maior independência que alguém pode adquirir não é a independência financeira, dos pais, dos conjugues ou dos filhos. É a independência de nossa consciência escravizada a maior de todas as conquistas pela qual devemos lutar.

Não é da aceitação da crença pela crença ou da ausência da crença pela crença que encontraremos essa liberdade de consciência. Ela será um processo contínuo e duradouro, capaz de construir e reconstruir as próprias verdades quantas vezes for necessária. Capaz de analisar a verdade do outro e reter o que é bom, se realmente houver algo de bom. A nossa capacidade manter a sanidade por uma maior tempo possível será nossa “baliza” nessa prazerosa jornada.

Abaixo as verdades inquestionáveis! Não aos abusos cometidos em nome da fé! Um salve aos que por meio de sua “heresia” tem combatido os efeitos nefastos das padronizações oficiais que todo homem estar destinado a ter.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.