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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Existem profecias?



Todas as supostas profecias são escritas em textos compostos em tons divinatório, com palavras vagas, obscuras e inconcretas, aludindo a conceitos abstratos, generalistas sem qualquer informação detalhada.
E que requerem doses massivas de interpretação e imaginação para serem remotamente relacionadas com algum evento.

Se uma profecia disser que:

"No dia X, do ano Y, uma pessoa de nome Z, irá fazer ESPECIFICAMENTE a acção ABC."

E se for escrita ANTES do facto acontecer e se esse facto realmente acontecer, então, isso realmente é uma profecia.

Mas se uma "profecia" diz que...

"E no fim dos tempos, muitas pragas surgirão, muitas guerras se travarão e nações irmãs destruir-se-ão"

..isso NÃO É UMA PROFECIA!!

"No fim dos tempos" não é uma data específica. Pode-se interpretar como se desejar.

"Muitas pragas surgirão"... É só escolher... Peste de Atenas (século 5 a.E.C), Praga de Justiniano (século 4), Peste Negra (século 14), Grande praga de Londres (século 17), Grande Peste de Marselha (século 18), a "Terceira Pandemia (1855), etc...

"Muitas guerras se travarão"... Mmmmmm, pois... Em que época da história da humanidade não se travaram guerras?!?!

"Nações irmãs destruir-se-ão"... pois, usualmente as guerras são entre países vizinhos. Ou que têm relações políticas e económicas entre si. É uma questão de interpretar o que se quer dizer com "irmãs".

Portanto, os crentes apenas querem acreditar que são profecias porque querem justificar o livro de mitologia em que foram formatados a acreditar.

Apresentem-me uma "profecia" com nomes, com datas precisas, com descrições detalhadas de um evento, e que foi realmente escrita antes de um evento que realmente aconteceu conforme descrito, e eu aceitarei que é uma profecia.


Texto de Rui Batista

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Estorinhas bíblicas - O profeta Ezequiel



Eu adoro as estorinhas bíblicas.

Hoje vamos aumentar um pouco mais o nosso conhecimento sobre Yahweh e um de seus profetas mais destacados: Ezequiel.

Conforme narra o livro que leva seu nome, Ezequiel era um sacerdote judeu que viveu durante o século 6 AEC, exatamente na época em que Nabucodonosor, o soberano do Império Babilônico havia conquistado o Reino de Judá, obrigando o rei a se submeter a seu controle e levando cativos vários nobres e sacerdotes judeus, entre eles, Ezequiel.

Pois estava lá Ezequiel tentando extrair o melhor da droga de vida de um cativo judeu em país estrangeiro, quando ele foi convocado para profetizar contra os judeus. Acontece que durante o exílio, rolava entre os judeus esse papo de que apesar de Jerusalém agora ser uma província babilônica e o rei de Judá ser uma p***nha do Nabucodonosor, que o povo iria se revoltar, lutar contra os babilônios e reconquistar sua glória anterior. Igualzinho torcedor de time que foi rebaixado para a série B.

Tá, então estavam lá os judeus todos reunidos nos seus barzinhos e rodas de conversa comentando que nunca Yahweh iria premitir que uma nação estrangeira pisasse no seu povo especial. Sim, porque no judaísmo, existe essa crença imbecil de que os descendentes de Jacó, um dos filhos de Isaque, e neto de Abraão, são uma espécie de "povo escolhido", "propriedade especial" e "nação santa". Pensa que eu estou brincando? Está lá na p***a da Bíblia hebraica, em Deuteronômio 14:2. Não, não foi Hitler quem inventou essa ideia burra de "povo escolhido", "povo especial", "nós somos tão fodões", e outras imbecilidades nacionalistas. A diferença é que enquanto a doutrina nazista foi exposta como uma grande pilha fumegante de fezes, os judeus até hoje continuam afirmando serem povo escolhido e usam essa crença para expulsar gente de terras que eles creem que pertencem a eles por causa de uma promessa feita por uma divindade em sonhos a um antepassado deles que vivia no deserto a mais de 3800 anos atrás. Sim, isso soa tão imbecil para mim quanto para quem lê essa m***as, mas religiões tem o poder de desligar o sentido do olfato, que impede sentir o cheiro dessa disenteria que os judeus pregam a tantos séculos e que os cristãos pegaram emprestado e esqueceram de devolver (1 Pedro 2:9).

OK, voltando aos tempos de Ezequiel. Pois bem, enquanto estavam pipocando profetas e supostos profestas dizendo que deus iria lutar por seu povo e retornar Jerusalém à sua glória anterior, Yahweh tinha outro plano na sua cabeça perturbada. Acontece que ele estava p**o, mas muito p**o com seu povo escolhido por eles serem uns tremendos babacas e queimarem bichos e incenso para outros deuses ao invés de queimar exclusivamente para ele. Sim, porque Yahweh é ciumento pra c*****o e não gosta de dividir nem o cheiro das coisas. A-ha, você deve estar pensando que essa é uma hipérbole que eu inventei, não é, meu caro leitor? Pois leia isso aqui: Êxodo 30:31-33. "E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro de semelhante composição; santo é, e será santo para vós. O HOMEM QUE COMPUSER UM PERFUME COMO ESTE, OU DELE PUSER SOBRE UM ESTRANHO, SERÁ EXTIRPADO DO SEU POVO. E também Êxodo 30: 37,38: Porém o incenso que fareis conforme essa composição, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor.

O HOMEM QUE FIZER TAL COMO ESTE PARA CHEIRAR, SERÁ EXTIRPADO DO SEU POVO.

É isso mesmo, Yahweh não gosta de dividir nem o cheiro de incenso e azeite, quanto mais a carne queimada , a gordura e o cheiro do sangue dos bichinhos que ele manda matar e queimar para ele TODOS OS DIAS, como uma espécie de multa para que os pecados do povo fossem perdoados.

Imagina só que um deus tão paranoico e fanático por odor de sangue, carne e gordura queimadas, estava zangado com seu povo e agora esse povo estava falando que deus estava de boas novamente com eles? Para esclarecer esse mal-entendido e avisar o povão que ele ainda estava putasso, Yahweh convocou Ezequiel para avisar o povo que era para eles baixarem a bolinha que a batata deles ainda estava assando. Então lá se foi Ezequiel profetizar a mensagens que deus queria transmitir ao povo.

Certo, por onde vamos começar? Bem, lendo o livros de Êxodo, em que deus convocou Moisés para avisar o Faraó sobre suas intenções, além de um arbusto pegando fogo, ele usou uns truquezinhos bem maneiros, tipo, bastões virando serpentes, mas foram as dez pragas que mostraram todo o poder de "persuasão" de Yahweh: transformou o Nilo em sangue, fez o Egito ficar escuro por 3 dias e até matou os primogênitos só para mostrar que ele não estava mais para conversa. Que tipo de sinal o deus fodão dos judeus iria mandar por meio de seu profeta para avisar o povo de suas má conduta? Será que ele iria provocar hemorróidas nas pessoas ou talvez conclamar um monte de serpentes venenosas para afligir o povo, ou quem sabe causar um fenômeno atmosférico de grandes proporções?

Que tal uma maquete bem mal-feita de Jerusalém...
...

Não, não é piada, ele mandou o profeta Ezequiel fazer uma maquetinha improvisada de Jerusalém. Ao invés de fazer uma daquelas maquetes da hora que a gente vê nos museus ou mesmo nas feiras de ciências de colegial, Ezequiel pegou um tijolo, escreveu "Jerusalém" no tijolo e... é isso! (Ezequiel 4:1)

... (eu vou voltar a usar esse três pontinhos mais adiante, vocês vão ver)

Daí depois de fazer essa "magnífica" maquete representando Jerusalém, deus mandou Ezequiel brincar de fazer cerco a ela. Não, sem brincadeira, ou melhor dizendo, com brincadeira, ele mandou o profeta brincar de Forte Apache com o Jerusalém (Ezequiel 4:2,3).

Agora imaginem que vocês são judeus, e aparece esse cara chamado Ezequiel dizendo que é profeta de deus, e daí que para transmitir a mensagem de que Jerusalém seria sitiada pelos babilônios, ele começa a simular "Clash of Clans" (aquele joguinho de smartphone) no chão, em volta de um tijolo escrito "Jerusalém". Imagine o profeta agachado lá no chão e colocando um monte de miniaturas representando armas de cerco, tropas, barracas e trincheiras ao redor...

Uhhh... Yahweh, isso certamente vai mostrar a eles que você está falando SÉRIO!!!

E não apenas isso, como se já não bastasse o fato de Ezequiel ser uma piada pronta por ficar agachado no chão brincando de soldadinhos, Yahweh ainda mandou ele apontar o dedo para o tijolo e falar contra ele! (Ezequiel 4:7).

Algumas pessoas pensam que Yahweh deve ter sérios problemas psiquiátricos, ou então não tem a menor noção de como funciona a psique humana. Sério Yahweh? Sua estratégia para mandar uma mensagem ao povo dizendo para eles que Jerusalém iria ser enrrabada pelos babilônios novamente é mandar um cara brincar com uma maquetinha feita nas coxas?

Depois de ter que sofrer essa humilhação pública, Yahweh deve ter pensado que Ezequiel ainda não estava sofrendo m***a suficiente e resolveu colocar mais m***a ainda para ele.

Como Jerusalém sofreria nas mãos dos babilônios por 40 anos, Yahweh mandou Ezequiel ficar deitado sobre o seu lado esquerdo por 390 dias e sobre seu lado direito por 40 dias, com o braço amarrado. Daí que ele deveria usar seu braço livre e apontar para o tijolinho com o dedo e exclamar mais profecias contra Jerusalém.

Acho que todos aqui concordam que isso parece bem idiota e nada intuitivo. Acontece que os profetas judeus sempre tiveram essa fama de serem doidos varridos. Em Samuel 19:24, o relato diz que o rei Saul tirou a roupa e ficou nuzinho em pelo na frente de Samuel, e que por isso o povo começou a perguntar se ele também estaria entre os profetas, porque aparentemente ser profeta significava que o cara não batia muito bem da bola.

Tá, tá, nós entendemos, que Jerusalém iria sofrer um cerco e que o seria capturada por 40 anos segundo o número de anos dos pecados dela. Mensagem recebida. Mas... Yahweh, o sádico e amante de sofrimento humano, achou que deveria representar com um pouco mais de... vivacidade, de... realismo, a aflição que o povo iria passar durante o cerco. Caso alguém aqui não esteja familiarizado com táticas de cerco, deixem-me explicar algumas coisas. Quando um exército inimigo cerca uma cidade murada, eles acampam ao redor e não deixam nada e nem ninguém entrar ou sair, para que os de dentro da muralha sofram com escassez de alimentos, medicamentos e água, e sua força física e moral decaia e eles percam poder de combate. Isso pode forçar ou a uma rendição, incitar revoltas contra o rei, ou facilitar uma invasão uma vez que os soldados estarão fracos e debilitados para resistir. Durante um cerco, já foram relatados pessoas devorando cavalos, cachorros e ratos, bebendo água de esgoto e até a própria urina, e até mesmo casos extremos envolvendo canibalismo. Enfim, um cerco é um pesadelo vivo!

Para demonstrar isso, deus mandou que durante esses 390 dias, Ezequiel preparasse e comesse apenas o equivalente a 300 gramas de pão (20 siclos) por dia, e bebesse apenas cerca de 600 ml de água por dia (sexta parte de um him). Isso já ultrapassa a fronteira do ridículo e começa a entrar no território do abusivo. Mas abusar das pessoas é apenas uma coisa que deus faz normalmente na Bíblia. Ou talvez ele estivesse se divertindo um pouco às custas de seu servo, como ele fez com Jó ou com Jonas, por exemplo!

Contudo, meus caros, Yahweh ainda estava reservando mais m***a para seu fiel profeta Ezequiel, como reconhecimento por sua obediência. Por isso, ele guardou o melhor para o final. Ezequiel 4: 12,13: "E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o ESTERCO QUE SAI DO HOMEM, diante dos olhos deles. E disse o Senhor: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre os gentios para onde os lançarei."

...

HOLY SHIT!

...

Não, você não leu errado! Deus mandou que seu fiel profeta Ezequiel cozinhasse o pão utilizando fezes humanas! Dejetos humanos! Cocô de gente! Boa sorte coletando e cozinhando a sua comida em cima de cocô numa época em que não havia água tratada, detergente, desinfetante, antibióticos... Será que ele queria matar o seu profeta de cólera ou de disenteria, ou sabe-se lá que doenças tenebrosas as fezes humanas daquela época transmitiam? Afff... Yahweh, como se não bastassem as merdas que você obriga seus servos a ouvir, dessa vez ainda quer obrigá-los a literalmente a comer seu pão em cima de uma troça? Vou refletir sobre isso da próxima vez que eu ler um comentário bem idiota e pensar "Será que esse cara andou comendo b***a?"

E lembrem-se de que Ezequiel deveria comer uma dieta pobre em nutrientes e em quantidade reduzida por mais de uma ano, fazendo com que além de ficar com o organismo debilitado, ainda estivesse exposto a doenças de transmissao oral-fecal. Deus queria matar esse cara, não é possível!Esse seria o momento perfeito para Ezequiel mandar um grande f***-se para o Yahweh. P**a m***a (literalmente), depois ainda vem achar ruim que os judeus começaram a servir outros deuses? p***a os caras estavam atrás de um deus que não os obrigasse a comer pão com fezes!!!

Mas como Ezequiel era uma ovelhinha do Senhor, ele apenas suplicou humildemente que deus o poupasse de tamanha contaminação com dejetos humanos (Ezequiel 4:14). E deus ouviu a súplica de Ezequiel e mudou de ideia! Ah que bom, pelo menos um lance de misericórdia da parte de deus e poupar Ezequiel de ter que literalmente comer em cima de excremento, né não?

- Deus: "Eita, tá bom divo! Não suporta um cocozinho não, então toma aí b***a de vaca mesmo, e bom apetite, florzinha!" (Ezequiel 4:15)

Texto de Israel Gonçalves.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Lembrando...



  • Lembrando: Não existe fé em Deus, só em pessoas que falam de Deus.

  • Lembrando: A Bíblia que você lê é uma criação da igreja católica.

  • Lembrando: Jesus não cumpriu várias das profecias sobre o Messias.

  • Lembrando: Ateus lidam com a realidade e religiosos com ficções.

  • Lembrando: O Universo é massa e energia, que são coisas eternas.

  • Lembrando: Religião é "sentimento oceânico". Não tem nada a ver com razão ou lógica.

  • Lembrando: Religião é infância, agnosticismo é adolescência e ateísmo é maturidade.

  • Lembrando: Tudo o que interage com a matéria é material, e o que não interage não existe.



Texto de Lauro Augusto Monteclaro César Júnior

segunda-feira, 19 de março de 2018

O Jesus mítico e impostor



Observando a crítica dos teólogos cristãos, vemos que eles pregam um exclusivismo fanático. Enquanto dizem que os deuses dos povos orientais são míticos, elevam o seu a um patamar inquestionável. Essa perspectiva exclusivista levou alguns estudiosos a considerar o Cristianismo perigoso. Se Jesus é meramente outro deus em meio a muitos outros do mundo antigo, apenas um profeta que esposou as filosofias e morais que estava em voga antes de seu tempo, por que somente ele deve ser considerado verdadeiro em vez de um mito também? E pior, o Cristianismo afirma que ele não era apenas um profeta, mas também o Deus único do Universo.

Em vista do contexto religioso e histórico em que Jesus, o Messias, foi formado, não resta dúvida que ele é o resultado psicológico de um povo vivendo numa era apocalítica. Poucas pessoas questionam se Jesus foi realmente um personagem histórico nascido entre 7 e 4 a.C., em Israel, que ele morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos.

Todavia, as razões para esses eventos levam a uma encruzilhada nas tradições religiosas. Quando se examina o Jesus do qual o Cristianismo fala, percebe-se que ele fica destituído de ambientação histórica. As profecias e o cumprimento delas na vida de Jesus, de forma distinta dos ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo, parecem verdades para o homem ocidental. Ainda assim, nos escritos de outras religiões, descobrimos crenças muito parecidas com aquelas apresentadas nos evangelhos canônicos. Algumas tradições afirmam que, nas cordilheiras do Himalaia, a partir dos 12 anos, Jesus recebeu “orientação espiritual” dos lamas tibetanos e retornou a Jerusalém logo depois de completar trinta anos. Ele, depois disso, fez milagres e profecias, mas escapou da crucifixão e retornou à Índia, onde viveu na Caxemira, e seu túmulo está lá até hoje. 

Na literatura hindu, a tradição insiste que Jesus visitou a Índia durante o reinado do rei Shalivahan. De acordo com esses relatos, Jesus disse que ele se chamava Yuz Asaf e passou a ser conhecido como Isa Masih, ou Jesus, o Messias. Encontra-se essa afirmação em escritos que, supostamente datam do ano 115 da nossa era.

Algumas lendas dizem que, depois da morte de Judas na cruz (o verdadeiro crucificado), Jesus foi a Damasco por um período de dois anos, onde ocorreu o encontro com Paulo. Afirma-se que ele pregou para o rei de Nisibis, no sudeste da Turquia. 

Outra perspectiva é que Jesus viajou para o Afeganistão onde fez milagres, enquanto outras lendas afirmam que ele e sua mãe foram para o Paquistão, fundamentando-se no Sura 23:50 do Alcorão onde está escrito que Maria foi enterrada nesse local, no cume de uma montanha. 

Alguns ditos de Jesus estariam em inscrições próximas de Caxemira, na Índia, e houve especulação de que esses ditos pudessem ser “logias” mencionadas no século II por Papias, discípulo de João. Um mito comum é que a história de Jesus, na realidade, é a história recontada de Krishna. Parte dessa crença fundamenta-se na opinião de alguns Pais da Igreja que não consideravam a religião ensinada por Jesus como nova e única. 

O primeiro historiador da igreja, Eusébio de Cesareia, escreveu: “A religião de Jesus Cristo não é nova nem estranha”. E Agostinho de Hipona alega: “Isso, em nossa época, é a religião cristã, não que não fosse conhecida em tempos antigos, mas recebeu esse nome recentemente”. Em acréscimo a isso, de acordo com o Hinduísmo, Krishna, o oitavo avatar ou manifestação do deus Vishnu, possui mais de cem pontos de comparação com a vida de Jesus. 

Mas, se isso for verdade, então a maioria das crenças essenciais cristãs sobre Jesus terá de ser abandonada, se aceitarmos a anterioridade de 900 anos dos fatos sobre Krishna. Em vista destes fatos, parece que o Cristianismo está em uma situação difícil, sendo apenas uma religião fundamentada em traços de outras religiões da Antiguidade. Há um importante contraste, entretanto, entre a religião de Krishna e a Bíblia: a primeira tem uma ênfase panteísta, ao passo que a última afirma haver uma distinção entre Deus e o mundo; a perspectiva do Hinduísmo é filosófica e ética, enquanto a perspectiva cristã pretende ser histórica. 

Para mim, não faz a menor diferença se ele nunca existiu, mas notem que a historicidade de Jesus é essencial para a “salvação eterna” prometida para o cristão, e esse é o ponto psicológico da aceitação do mito cristão. Apesar da enorme “coincidência” ente os ensinamentos de Jesus e Buda (que viveu 500 antes), o último ensinamento da senda óctupla do Budismo é a “concentração correta” - a intensificação do fator mental presente em todo estado de consciência, uma tentativa deliberada para elevar a mente ou a consciência a um nível mais purificado -, mas Jesus nunca ensinou esse tipo de meditação, antes o objetivo dele não era para que lutássemos para alcançar um estado de supraconsciência, mas sim que o conheçamos e o sigamos, numa clara demonstração de persuasão para a dominação. 

O texto bíblico relata-nos que Jesus era o Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo (um plágio do deus Mitra). A segunda vinda de Jesus, minha última consideração, é visto como o juiz vindouro que virá buscar sua igreja para si mesmo na ressurreição e, conforme meu entendimento das Escrituras, quando ele vier estabelecerá o reino prometido a Davi e a Israel. Na primeira parte de sua segunda vinda, ele resgata sua noiva; e, na parte final, ele vem para julgar e reinar sobre a Terra. Como as várias religiões do mundo têm posições contraditórias em relação à natureza de Deus, ao pecado, à salvação e às outras crenças, todas elas (inclusive o Cristianismo) não podem estar corretas sobre o que é verdade. 

A lei básica da Lógica é chamada de a lei da não contradição. Duas proposições opostas uma à outra não podem ser as duas verdadeiras ao mesmo tempo. Não posso tomar algo por verdade, se isso já não for verdade; posso descobrir que algo é ou não verdade e aceitar ou rejeitar essa verdade. Aquilo que aceitamos como verdade sobre a “palavra de deus” exclui todas as outras possibilidades sobre a afirmação da verdade que criamos. 

Quando colocamos várias religiões lado a lado, descobrimos um número excessivo de perspectivas contraditórias, uma em oposição à outra. Não é possível que todas elas sejam verdadeiras, mas Jesus afirmou “que ele era a verdade, o caminho e a vida”, e que ninguém vem ao Pai exceto por intermédio dele. Essa perspectiva é estreita e exclusiva. 

O Cristianismo, conforme tradicionalmente se acreditou por dois mil anos, é perigoso, destrutivo e aviltante. Acreditar que Jesus é o único Salvador do mundo, que ele é Deus em carne e que é necessário crer nele para ter a vida eterna, é um ponto de vista prejudicial. O Cristianismo, no entanto, nunca foi aceito unanimemente e, tampouco, essa abordagem será bem-sucedida no futuro.

quarta-feira, 14 de março de 2018

O "amor cristão", o prazer na desgraça alheia e o cumprimento das profecias bíblicas




“Por ti venceremos os nossos inimigos; pelo teu nome pisaremos os que se levantam contra nós” (salmos 44.5). “Em Deus faremos proezas; porque ele é que pisará os nossos inimigos” (salmos 60.12).

Essas são apenas duas das milhares de referências bíblicas onde se demonstra as causas principais pelas quais muitas pessoas veneram ao deus bíblico e o chamam de bom: por que ele sempre castiga, mata ou manda matar os nossos “inimigos”. Nessa linha de raciocínio, deus é bom por que faz o mal a quem nos irritou e não exatamente por que usa seus poderes sobrenaturais para benefícios a todos de modo coletivo.

Prestem atenção que as passagens bíblicas mais apreciadas por todos os servos desse deus são exatamente aquelas em que relatam que ele matou um montão de gente inocente ou indefesa para mostrar que ele era o bã-bã-bã da história. Se perguntássemos então para a maioria dos tais se deus é bom por que faz o bem, eles diriam: “não, deus é bom por que matou nossos inimigos e nos salvou de nossos inimigos! Os que escreveram a maioria dos salmos tinham essa mesma mentalidade, de se referir a justiça e bondade de deus de acordo com suas maldades cometidas aos “pagãos”.

Se ainda perguntarmos a muitos cristãos: “por que você acha que deus é verdadeiro, justo e fiel”? A maioria deles responderão de prontidão, de forma automática, sem nem pestanejar: “por que sua palavra estar se cumprindo! Fome, pestes, guerras, terremotos, violências...Tudo estar se acontecendo conforme as escrituras por isso ele é verdadeiro e fiel e nós o amamos amos por isso”!

Será então que ele não poderia ser fiel, justo e verdadeiro por fazer o bem a todos ou em pelo menos tentar proteger as pessoas que mesmo dentro de suas casas são abusadas moral, sexual ou financeiramente todos os dias? A sua fidelidade só funciona no modo vingativo para matar e destruir? Para proteger e guardar quem realmente se faz necessário seu poder para nada serve!

Por que os versículos bíblicos mais preferidos do “povo de deus” são sempre aqueles em que relatem a desgraça alheia? Por que desastres humanos ou naturais de grandes proporções estão sempre associados ao cumprimento de profecias bíblicas ou métodos didáticos que deus usa para ensinar sobre sua magnitude? Será que esse deus precisa ter noções de pedagogias numa escola de humanos “pecadores” para se dar conta que seu método de ensino é ultrapassado, ineficaz e gera exatamente o oposto do que se esperar de uma divindade inteligente?

Parece ser uma sina triste de quase todos os que servem cegamente ao deus de Abraão ou utilizam-se sempre de passagens dos livros ditos sagrados para demonstrar o quanto o seu deus é poderoso e verdadeiro quando pune os infiéis, mesmo que essa “infidelidade” tenha sido cometida milhares de anos atrás pelos parentes distantes dos que agora estão sendo punidos.

Judeus, cristãos e mulçumanos, apesar de assumirem para si a mesma “paternidade divina” regozijam-se com a desgraça alheia um dos outros, sendo que tais desgraças na maioria dos casos são provocadas por eles mesmos para dizerem que é o juízo de deus sobre os infiéis.

Percebem? A desgraça alheia, carnificinas e atitudes de truculências estão sempre associados a bondade, a justiça, ao amor de deus e a veracidade de sua existência. Esse tipo de crença milenar estar tão enraizado na mente dos ocidentais, que pouquíssimas pessoas notam isso, e os poucos que a percebem não ousam nem se questionar na própria mente com receio de cometer algum tipo de blasfêmia e ser lançado no inferno por um “pecado” cometido apenas por pensamento.

Lembrem-se que esse deus tem preferencias e habilidades muitos estranhas. Sua onisciência serve apenas para vasculhar mentes “hereges”, colocar doenças terminais em algumas pessoas que falou mal dele, afundar navios ou provocar acidentes fatais em indivíduo só por que pensou coisas ruins a cerca dele, mas essa mesma onipotência falha quando criancinhas estão sendo estupradas dentro de sua casa ou em milhares de outros lugares por esse mundão á fora!

Vale notar também que os “ungidos do senhor” e toda casta sacerdotal romana tem foro privilegiado para serem julgados somente pelo próprio deus em pessoa com 99,9% serem inocentados por maior que sejam os crimes cometidos usando o nome dele. Estão nessa mesma lista de possíveis inocentes no julgamento estupradores, homicidas e todo tipo de gente ruim que aprontou todas e mais algumas, e antes de morrer levantou uma de suas mãos e aceitou a jesus como salvador, enquanto aos hereges só lhes resta o inferno eterno, mesmo que esse venha ser uma pessoa de conduta ilibada e um cidadão exemplar em todos os sentidos. Morte aos inimigos de deus! É que proclama qualquer um que se apossa do “livro sagrado”!

Como o conceito de deus é totalmente vago, qualquer um que estar de posse de uma bíblia ou aprendeu a rezar pelo menos o pai nosso, pode considerar qualquer um como sendo seu inimigo, direcionar tais passagens bíblicas a esse inimigo recém criado e confiar piamente que será atendido por esse mesmo deus no que diz respeito aos seus desejos egoístas.

O verdadeiro conceito de “deus por um, e deus contra todos” é expressado em passagens bíblicas como essas citadas a cima. Vale lembrar que ora é deus quem declara quem são seus inimigos, derramando sobre os tais uma ira descomunal e em outras ocasiões é o “seu povo” que define quem são estes cuja ira de deus deve ser derramada.

Para os crentes atuais por exemplo, qualquer um pode ser tornar inimigo de deus. Pode ser aquele que se recusa a ir a uma liturgia cristã, uma pessoa que não aceitou receber um panfleto informativo em dias de “evangelização” ou até mesmo uma pessoa de outra igreja que afirma também servir ao mesmo deus mas tem ritos litúrgicos diferentes! Quanto mais ignorante (burro), arrogante (agressivo), presunçoso, estupido, ganancioso ou quanto menos sobre a história da própria fé um fiel conhecer, maior será a relação de inimigos que diariamente ele estará apresentando ao senhor para ser eliminado ou castigado.

Nos rituais de culto, as cantigas, as profecias, e as pregações de qualquer pessoa que deseje ter destaque no mundo gospel deve sempre a de enfatizar a destruição e desgraça de outras pessoas. “Sabor de mel”, “Apocalipse”, “Beijinho no ombro (perdão, pelo teor do conteúdo quase sempre confundo essa música como sendo do meio gospel)”, são as mais pedidas, por que todos os que as catam ou as ouvem, se imaginam triunfante, no pódio, enquanto os “inimigos” assistem de modo invejoso sua vitória ou enquanto o “vitorioso” assiste todos os seus inimigos serem punidos pelo próprio deus de alguma forma (é muita unção irmão...).

Qualquer música ou pregação que tente expressar o que realmente poderia ser o evangelho, não vende, não decola, não faz sucesso, não promove nem o cantor, nem a igreja nem o ministério! Tem que ter sangue, desgraça, miséria, deus quebrando tudo, pisando tudo, castigando tudo e dando vitória aos crentes (somente aquele crente que na ocasião estar com os dízimos em dias e “toma posse” dessa benção enquanto cantam ou ouvem essas músicas que incentivam a agressividade e inflação de ego).

Como dito acima, as passagens bíblicas mais apreciadas por quase todos os cristãos são exatamente aquelas em que diz que deus matou muita gente sem que as pessoas nem pudessem reagir.

Eles jubilam, falam em línguas estranhas, marcham no poder e profetizam quando ouvem dizer que deus destruiu faraó e seus cavaleiros no mar vermelho! Que Josué tomou a Jericó e matou todo mundo! Que um menino de 15 anos chamado Davi arrancou a cabeça de um homem adulto! Que duas ursas comeu (matou) 42 crianças só por que chamou um profeta de careca! Que deus matou 185 mil soldados de Senaqueribe de uma só vez em uma noite quando esse sitiava a cidade santa! Que Herodes morreu comido de bicho! Que os judeus vão tudo “se ferrar” no futuro por que rejeitaram a jesus...

É tanta desgraça que celebram, que as vezes fica difícil entender se estão num ritual com o intuito de alcançar um ser de luz, se são partes de algum grupo terrorista disfarçado, ou se estão cultuando o demônio...Se deus é paz, luz e vida, por que a maioria dos ritos litúrgicos destinados a ele tem de celebrar a morte e a desgraça alheia? Por que as maiores profecias são exatamente referente a desgraças de outras pessoas? Que coisa estranha...

Nesses atos de culto, deus é retratado como se fosse uma adolescente irresponsável de 13 anos, cujos pais dera de presente em seu aniversário um fuzil AK 47 e milhares de munições, e permitiu que ele fizesse o que bem entendesse com esse “brinquedo”, e como se estivesse em um jogo de realidade virtual, deus sai atirando em qualquer um que julgue ser seu inimigo como se não soubesse distinguir o real do não real.

Para quase todas as pessoas que se valem da bíblia como livro máster, o inimigo de deus é sempre o outro que nos aborrece. O que usa naquele momento se considera como sendo o amigo de deus e todos os demais se tornam inimigos seus e de deus também. Esse parece ser o critério de raciocínio dos que fazem uso desse livro “sagrado”.

É como se esse livro fosse um tipo de amuleto mágico, que dar poderes místicos a quem o possui e pode ser usado contra qualquer um indistintamente, semelhante a um feitiço que retorna ao próprio feiticeiro quando outra pessoa se apossa também do livro. Judeus, cristãos e mulçumanos fazem uso do mesmo livro, nem que sejam de forma parcial para se atacarem e lançarem maldições uns contra os outros, sem falar das centenas de novas unidades de culto evangélico que surgem todos os dias. Todos eles se valem das desgraças alheias para dizer: “ a profecia desse livro estar se cumprindo, deus é fiel”.

Afinal, como pode haver inimigos de deus, sendo que segundo a própria bíblia deus é o pai de todos nós e criador de todas as coisas vivas e não vivas? Não seriam irmãos desse modo, todos os povos do mundo sem discriminação, mesmo que não viessem a fazer uso de uma bíblia, e não seria ele mesmo o pai de todos essas pessoas? Que tipo de pai põe os próprios filhos uns contra os outros dentro de uma casa fechada (nosso planeta) sem opção de escape, até todos se aniquilem por completo? Isso é um pai ou um monstro? Que tipo de pai conta segredinhos isolados para os seus filhos, dizendo gostar mais de um que de outro, relatando o mal que intenta fazer contra o outro, sendo que faz a mesma coisa as escondidas com todos os outros, prometendo a todos eles a posse total de toda sua herança? Um pai que age assim é mesmo muito suspeito!

O “povo de deus” vive a tanto tempo ameaçando uns aos outros em nome desse deus ou sendo ameaçado pelo “próprio deus” e seus representantes, que nem param para pensar que um dos maiores prazer que parecem comungar é o de fazer propagandas terroristas a cerca desse deus, retratando-o em seus discursos como sendo um vilão devido as suas ações de ira irracional e violência brutal contra pessoas indefesas, mas que em sua fraca concepção de justiça acreditam estar venerando-o como se este fosse um herói.

Afinal, deus é herói ou vilão? Ele é bom ou é mau? Há momentos em que a maldade da criatura e do criador se fundem tanto que fica difícil definir quem é quem! Cenas de terror onde o próprio deus fora o roteirista ou ator principal em atos desse frágil teatro da vida humana são sempre retratados como se fosse uma odisseia lírica, um ato de heroísmo e bravura, como se fosse algo louvável de se relatar! Tudo isso por dois motivos: medo de também ser atacado por esse ser de caráter duvidoso, ou intenção de corrompê-lo para que ele mude fique do lado do adorador e possa ser usado agora como arma de ataque ou de defesa.

Como prova física desse tipo de pensamento doentio, recentemente nas redes sociais, o que não para de aparecer esses dias são versículos bíblicos falando sobre a destruição da Síria, e o quanto esse deus seria verdadeiro por estar cumprindo sua profecia.

As pessoas que usam tais versículos como forma de intimidação ou desejo de se sobrepor as “pessoas sem deus” deveriam se envergonhar de atitudes como essas, pois só demonstram regozijo pela truculência praticada por um deus “todo poderoso”, contra um povo que ele afirma ter tido problema quase 3 mil anos atrás. Se a prova de que deus é verdadeiro e poderoso é por que “sua palavra” se cumpre, então por que ele não usou a boca desses mesmos profetas para profetizar coisas boas? Uma profecia é uma visão de um futuro ou é um tipo de “macumba” proferida por pessoas mal resolvidas e cheias de ódio no coração?

Se esse povo da Síria desagradou de alguma forma esse deus no passado, por que ele não usou o perdão para proferir palavras de benesses a favor desse povo? Por que guardar raiva por 3 mil anos para lanças sobre povos que moram nessa mesma cidade hoje e que a grande maioria deles não são nem parentes direto desse povo, já que por diversas vezes há quase 3 mil anos, esse mesmo deus quase extinguiu por completo essa mesma nação?

Que fúria doida é essa? Mesmo tendo encarnado em sua forma humana e morrido na cruz como salvador para salvar a todos e depois de ensinar o perdão, por que ele ainda mantem de pé somente as palavras de maldição sobre povos que o irritaram antes da “nova aliança”? Quanta maluquice! A fim de aprontar todo tipo de mal sem ser penalizado, escravizar outras pessoas ou se acharem superiores, as pessoas criam e mantem funcionando todo tipo de aberração real e irreal, inclusive a ideia de um deus com características auto anulatórias, que não condiz com as características surreais a ele atribuída.

Quando o homem parar e olhar para si mesmo, e enxergar o outro como parte de si ou como parte de um todo para o bom funcionamento da sociedade e ascensão de nossa condição humana, somente nesse ponto vão parar de ficar inventando criaturas imaginarias para se safarem de suas responsabilidades, ou manipular os “mais fracos” (fraco mesmo é quem já percebeu a verdade, continua vivendo e ensinando mentiras).

Se o prazer desse deus é lançar maldições sobre um povo e se esnobar por que é de alguma forma superior a nós, ele não merece nenhum respeito. Se o prazer de seus seguidores é contar o quanto esse deus é fiel pelas maldades que ele tem feito, deveriam então retirar dos seus atributos surreais palavras como amor e justiça, ou então assumirem publicamente que veneram as trevas e não a luz.

Pessoas doentes, egoístas, irresponsáveis produzem deuses com qualidades semelhantes! Questionar fundamentos como esses não é pecado, antes sim é um passo para liberta-se da escravidão e pela razão e responsabilidade individual construirmos um mundo cada vez mais justo, onde os deuses não sirvam de subterfugio para pessoas sem caráter, infantil ou adestradas. Se é pela fé que todos esses males tem sido promovido, é pela razão que traremos a luz.

Saúde e sanidade a todos!

Texto escrito em 11/3/18 por Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Desmontando a bíblia - A profecia da virgem (Is 7:14)



Como já redatei nos capítulos antecedentes, histórias em que os salvadores nascem de uma virgem são comuníssimas em variadas mitologias anteriores ao Cristianismo, por conseguinte não é uma doutrina excluisavamente cristã. E como tenho também demonstrado, o cristianismo é uma espécie de sincretismo entre o judaísmo e as antigas Religiões de Mistérios. O problema desse sincretismo é que histórias de virgens que concebiam de Deus não faziam parte da literatura hebraica. Mas como sempre, os cristãos arcaicos arranjaram um jeito.

Argumentarei, a seguir, que esta profecia de Isaías, considerada pelos cristãos dogmáticos como uma das maiores provas do nascimento virginal e da divindade de Jesus, é, ao contrário, uma das maiores mentiras sobre Jesus. O versículo básico dessa profecia de Isaías (Isaías 7,14) é este: “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel [= Deus conosco]”, passagem essa que Mateus quis ver cumprida no suposto nascimento virginal de Jesus (ver Mateus 1,23).

Esclareço, com o teólogo e ex-padre católico Franz Griese (GRIESE, 1957, p. 237-240), que essa profecia não se refere a Jesus, nem à sua mãe, mas ao próprio Isaías, que se casou com uma jovem (“almah” na versão original hebraica de Isaías), e não com uma virgem (como na tradução errada da versão grega dos Setenta de Isaías), da qual teve um filho, cujo nome, Maer-Salal-Has-Baz (que significa “Pronto-saque-próxima-pilhagem”), foi dado pelo próprio Javé (cf. Isaías 8,3), também chamado pelo profeta Isaías de Emanuel (= Deus conosco) (cf. Isaías 8,8 e 8,10). 
Além disso, a tradução de Mateus, “... e o chamarão com o nome de Emanuel” (Mateus 1,23), está totalmente errada, pois, no texto grego mais antigo de Isaías, como se encontra no Códice Sinaítico, a frase correta é esta: “kai kalesei to onoma Immanuel”, que siginifica: “E Emanuel [=Javé] por-lhe-á o nome”, com a forma verbal (kalesei) na 3ª pessoa do singular, e não na 3ª pessoa do plural (kalesousin), como erroneamente foi alterado e traduzido por Mateus, para provar que a referida profecia se referia a Jesus, nascido de um parto virginal e, por isso, chamado de Emanuel (= Deus conosco), invertendo assim completamente o sentido do texto grego original de Isaías. Esse é, portanto, um exemplo clássico de texto bíblico mal traduzido e alterado para contemplar interesses cristãos.

Mateus, para defender o mito do nascimento virginal de Jesus, bem como o mito de sua divindade (Deus encarnado, Deus conosco), traduziu erroneamente a famosa profecia do profeta Isaías (Isaías 7,14): “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel".
Eis a passagem de Mateus em que ele traduz e comenta erroneamente esse texto de Isaías:
"Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa: “Deus está conosco.” (Mateus 1,22-23)"

Na Bíblia de Jerusalém, o versículo de Isaías (Isaías 7,14) é este: “Eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho e por-lhe-á o nome de Emanuel". Nessa versão da Bíblia de Jerusalém, não aparece mais a palavra “virgem” da versão grega de Isaías (o texto dos Setenta), a qual já é uma tradução errada da versão original hebraica “almah”, que significa “moça”, “jovem”, “donzela”, o que significa dizer que o texto hebraico de Isaías não usa a palavra “virgem”, mas a palavra “almah”, que significa simplesmente “uma jovem”, sem nenhuma implicação de virgindade. Os dogmas do nascimento virginal de Jesus e da sua divindade (Deus conosco) são, portanto, produtos desta tradução errada do termo “almah”, bem como dos outros erros cometidos por Mateus. A igreja católica também se rendeu a está verdade, razão pela qual a edição Paulina também usa "jovem" em vez de "virgem".

Mas não pensem que os cristãos vão aceitar isso de bandeja. Boa parte dos cristãos já se aperceberam disso e o argumento de "ouro" pra essa situação é que o texto de Isaías admite duplo cumprimento, e desse aspecto quero me ocupar nesse post.

É do consenso dos estudiosos da bíblia que os escritos de Mateus tinham como destinatário os judeus, com a intenção de demonstrar que Jesus era o messias por eles esperado, razão pela qual, é o evangelho que mais usa a fórmula "pra que se cumprisse". Vê-se claramente a preocupação do evangelista de ver cumpridas em Jesus as antigas profecias, coisa que ele falha miseravelmente em demonstrar. Vê-se que Mateus não apela ao duplo sentido da profecia, ele apenas recita a profecia pra mostrar que Jesus cumpriu, sendo que o contexto era totalmente diferente. Pra que se considere uma profecia com duplo sentido, o próprio texto ou alguma outra parte do tannach deveria retratar desta possibilidade, mas isto nunca aconteceu.

Porquê buscar duplos sentidos em profecias quando existiam profecias que sempre foram consideradas messiânicas e Jesus nem cumpriu as tais?
Quer convencer os judeus que Jesus é o messias com uma profecia que os próprios judeus nunca consideraram messiânica? E depois querem apelar à falácia do duplo sentido, coisa que nenhum judeu em sã consciência concorda?
Uma profecia para o consolo de Acaz terá duplo sentido com o Jesus? O texto garante isso ou Mateus com rudeza recita o texto ainda por cima adulterando "jovem" pra "virgem"?
E também, o tannach deixa bem claro que o messias seria descendente de David, e sabe-se que a descendência(na tradição judaica) foi sempre de pai pra filho. Portanto o messias teria de ter um pai[ humano] pra que fosse considerado descendente de David. A profecia de Isaías nada tem a ver com o messias, ainda que insistirmos tradução de "almah" pra virgem. 

Tenhamos em conta que o cristianismo já existia com essa doutrina do nascimento virginal, só depois foi procurar texto no tannach pra sua justificação.


Texto de Gil Yossef


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Assumir pela fé...



Se és cristão, há muito coisa que tens que assumir apenas pela fé: 
- Jesus nasceu de uma virgem? 
- Jesus morreu e ressuscitou? 
- Jesus subiu ao céu? 
- Jesus está vivo hoje? 

Tu não tens como saber se essas coisas, além de muitas mais, são verdadeiras. Mas se definires o teu limite de crença suficientemente baixo, podes acreditar nisso tudo pela fé. No entanto, existem dois fatos, (um do Antigo Testamento e um do Novo) que deve acabar com a tua crença se usares de alguma racionalidade. Vamos vê-los.

A CRIAÇÃO É ERRADA

Se deus criou o universo, nenhum humano poderia ter testemunhado esse acontecimento. A bíblia explica como deus criou o universo. Assim, a estória da criação foi nos dada por deus ou os humanos a inventaram. Se nos fosse dada por deus, devemos esperar que seja verdade. Se não é verdade, podemos ter certeza de que a estória foi criada por seres humanos.

Se ignorarmos o fato perturbador de que a bíblia tem duas estórias de criação diferentes (Génesis 1 vs Génesis 2) e se apenas se procurar por tópicos comuns entre eles, vemos que a Terra e as plantas foram criadas antes das estrelas. Hoje sabemos que isso não pode ser verdade. Os elementos que formaram a Terra e as plantas foram criados nas estrelas que queimaram por alguns milhares de milhões de anos e depois explodiram como supernovas. Só então apareceram os elementos químicos mais pesados ​que foram necessários para a construção do planeta. As estrelas foram formadas muitos milhares de milhões de anos antes da Terra.

Há muitos outros erros na estória da criação, mas APENAS UM é suficiente para que possamos saber que não é verdade. Logo, esta estória foi INVENTADA por homens.

Tu podes passar por cima deste erro e aceitar a estória da criação como um mito. Ok, então aceitas que a bíblia contém mitos antigos, mas onde é que os mitos terminam e onde a história real começa? Quais as partes da estória da criação são mitos e quais são as reais? É a escala temporal um mito? O processo de criação é um mito? É o criador um mito? É 100% mito? Como podes saber?

Vai além da criação e irás enfrentar o mesmo problema por toda a bíblia. Tu precisas te reconciliar para tomar decisões arbitrárias e baseadas na fé, sobre o que é verdadeiro e o que é mito. A tua religião torna-se num conjunto de decisões infundadas e arbitrárias sobre o que tu escolheste para acreditar e o que rejeitas. 
Esta é uma base sólida para uma visão de mundo? 
Não. Sinceramente, é um absurdo. 

JESUS ​​NÃO REGRESSOU

De acordo com a Bíblia, Jesus prometeu várias vezes aos seus seguidores que retornaria na vida de alguns desses presentes:

Mateus 16:28 Em verdade, eu digo a você: Há alguns aqui em pé, que não devem provar da morte, até que vejam o filho do homem que vem em seu reino.

(Ver também Mateus 24:34, Lucas 21:32; Marcos 13:30)

Claramente, isso não aconteceu, então Jesus mentiu ou ele nunca fez essa promessa. Dado o papel teológico desempenhado por Jesus, é inconcebível que ele tenha mentido, logo ele nunca fez essa promessa. Eu explicar-te-ei: todos esses versículos que se referem à próxima vinda iminente, foram inventados. Mais uma vez, isso deixa-te a perguntar o que mais foi feito? Mas não há como responder essa pergunta. Tu ficas sem um chão para ficares de pé.

Começa com um limiar de crença baixo e tu podes acreditar na bíblia pela fé. Mas encontrar duas coisas que não podem ser verdadeiras, fazem duvidar de tudo. Elas espetaram dois alfinetes no teu balão de fé e vão fazer com que ele se esvazie, até que não haja mais nada.

Se és um cristão, pense nisso em 2018. Tenta ser lógico e tenta ser honesto contigo mesmo. Se tu fizeres isso, podes olhar para o ano de 2017 como o teu último ano como cristão.

Seja lá o que fizeres, desejo a todos os meus amigos do Facebook, religiosos ou não, um ano novo maravilhoso e racional.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O livro de Daniel nem é profético, nem fala sobre Jesus, o Cristo




Muitos crentes cristãos são enganados por teólogos e pastores ( e outros inocentes) de que o Livro de Daniel é profético, que fala sobre Jesus Cristo e suas profecias se cumpriram. 
Os teólogos e pastores aldrabam aos crentes de que o livro foi escrito por Daniel, e que o tal Daniel viveu na corte de Nabucodonosor e profetizou sobre Jesus Cristo, mas isso é mentira. Os gregos e romanos roubaram os manuscritos hebraicos e aramaicos e tentaram manipular os escritos que nada tem a ver com Jesus Cristo. E nem sequer o livro foi escrito a 750 anos antes de Cristo. Senhores e senhoras cristãos curiosos e investigadores, preparem os vossos cadernos e a vossa Bíblia e façam o devido acompanhamento o que será descrito abaixo e lendo a vossa bíblia. 
Doa a quem doer mas eis as verdades desse livro que nada tem a ver com Jesus Cristo. Acompanhem com a vossa Bíblia. 

DANIEL 

O Livro de Daniel divide-se em duas partes distintas: capítulos 1-6, onde narra a vida de Daniel na corte da Babilónia e capítulo 7-12 que contém << quatro visões >> sobre a derrocada dos reinos terrestres e a implantação final do reino de deus. O livro termina com capítulos 13-14 ( apenas na versão grega) que relatam as histórias de Suzana, dos sacerdotes de Bel e do Dragão. 
A situação histórica coloca o Daniel no reinado de Antíoco IV Epifánio, que determinou o extermínio da religião judaica e a consecutiva helenização da Palestina. 
O autor do livro de Daniel, provavelmente um Assideu ( de Hassidim == Piedoso, zeloso pela lei) 1 Macabeus 2:42. 
Este Assideu, escritor do livro de Daniel, serve-se de histórias antigas, segundo o GÉNERO HADÁGICO então em voga ( ver capítulos 1-6 e, na versão grega 13-14), para inculcar esperança e fé aos judeus perseguidos por Antíoco Epifánio. 
Assim, como deus protegeu Daniel e os seus companheiros de todos os perigos ( segundo o género hadágico desse Assideu escritor do livro de Daniel), assim acontecerá com os judeus que forem fiéis às Leis e as tradições religiosas. O autor do livro de Daniel não tem em vista descrever fatos históricos, mas histórias moralizadoras ( capítulos 1-6), que na realidade poderiam ter um fundo ou núcleo histórico ( capítulos 7-12) mas de segunda importância. Os dados internos do livro, linguísticos, histórico e teológico obriga aos exegetas a datar o livro por altura da morte do rei Antíoco Epifánio ( 164-165 aC). 
Quanto a Daniel capítulos 1 à 6 são estórias segundo o género hadágico ( não é real, apenas fictícias para servirem de catequese aos judeus da época de Antíoco que ocuparam Israel). 
Começarei por Daniel 9:2: as 70 semanas não foram profecias referentes sobre Jesus Cristo, é desdobramento de Jeremias 25:11 e Jeremias 29:10. O que os religiosos chamam de profecia, não passa duma espécie de << palpites >> e é usada por necessidade teológica no qual está incluído a numerologia, uma espécie de atletismo matemático ( contorcionismo ideológico arbitrário) que se supõe um cumprimento, uma afirmação, ano, dia, tempo acerca de um específico evento supostamente pré-especulado. 
No Livro de Daniel fala de setenta semanas. Daniel 9:24, mas isso é um método de interpretação conhecido por PESHER. Portanto, o ungido não foi Jesus Cristo como os teólogos andam a aldrabar os crentes. Daniel 9:25-26 , mas sim foi Ciro. Isaias 45:1. 
Irei colocar aqui os versículos importantes. 
Daniel 7:3 == >> Esses animais simbolizavam os quatros reinos referidos no capítulo 2. Daniel 7:4 ==>> O leão representava o império babilónico, que arrancadas suas asas, perdeu a força. 
Daniel 7:5 ==>> O urso, referia o império dos Medos. As tres costelas representam as tres principais conquistas dos reis Medos. 
Daniel 7:6 ==>> A pantera: A monarquia persa, cujo quatro reis ( Ciro, Assuero, Artaxerxes, Dario) a que o autor do livro de Daniel se refere, são simbolizados pelas quatro asas. Daniel 7:7 - 8 == >> Segundo a mentalidade bíblica e oriental, o chifre simboliza o poder ( 1 Reis 22:11). O chifre mais pequeno simboliza Antíoco IV Epifánio ( 175 - 163). Sobre a sua atitude arrogante Daniel 11:36 , 1 Macabeus 1:24. 
Daniel 7:9 ==> O ancião é deus. A cor branca e as rodas de fogo que transportam o trono simbolizam a santidade. O ancião ( deus) senta-se no tribunal para julgar ( condenar) os 4 animais ( os 4 impérios). A transcendência de deus acentua-se através destas imagens ( Ezequiel 1:1), em conformidade com a espiritualidade judaica pós-exílio. 
Daniel 7:10 ==>> Sobre os livros da vida, Malaquias 3 : 16, Salmos 139:16. 
Daniel 7:13 ==>> O Filho do Homem está descrito em contraste com os 4 animais. O Filho do Homem representa o reino messiânico ( reino de Paz) [ v 18 e 22 ]. 
Daniel 7:18 ==>> Os santos de deus rodeiam o Ancião e condenam os 4 reinos juntamente com o juiz supremo. Esta maneira de pensar é própria dos Apocalipses da época ( Henoc 45:3 e Henoc 90:2). 
Daniel 7:23 - 25 == >> O reino de Alexandre Magno. O último rei a levantar-se e a fazer guerra é Antioco IV. Ele trabalhou por acabar com a Lei e com as festas sagradas, incluindo o sábado ( 1 Macabeus 1:41 - 64). Apenas durante algum tempo. Lit : << um ano, dois anos e metade de um ano >>. Estes três anos e meio são metade de sete, que é o número da perfeição. Estes três anos e meio simbolizam um período de maldade ( 8:14, 9:27, 12:7). Daniel 8:1 ==>> foi escrito em hebreu, pouco tempo depois da profanação do Templo ( ver versículo 12). 
Daniel 8:2 ==>> Porta de Ulai. Era uma porta da cidade de Susa que dava para o rio Ulai. Daniel 8:3 ==>> O carneiro simbolizava o império Medo-Persa. O chifre mais alto são os persas que se tornaram célebres após a sua libertação do domínio Medo. 
Daniel 8:5 == >> O bode novo representa o poderio grego com Alexandre Magno. 
Daniel 8:8 ==>> Antíoco Epifânio que conquistou a << nação gloriosa >>, isto é, a Palestina ( Zacarias 7:14). 
Daniel 8:9 == >> Este verso descreve a maneira simbólica a morte de Alexandre Magno e a consecutiva divisão do seu reino. 
Daniel 8:10 - 11 ==>> O exército dos céus refere-se a Israel de deus ( 12:3), aos fiéis judeus, muitos dos quais foram martirizados por Antíoco. O chefe deste exército é o próprio Jeová ( versículo 11). 
Daniel 8:12 ==>> A iniquidade ( Lit. a abominação da desolação) foi a profanação do altar do Templo de Jerusalém, levada a efeito por Antíoco, que mandou ali colocar a estátua de Zeus do Olimpo. 
Daniel 8:13 ==>> A expressão << quanto tempo >> ou << até quando >> é típica nas perguntas sobre o fim das desgraças ( Salmos 6:4, 13:1, 79:5, 89:47, 90:13). 
Daniel 8:14 ==>> O número 2300 não coincide com o de capítulo 7:25. O número indica um longo período de tempo de desgraça. 
Daniel 8:19 ==>> A ira de deus ( 11:36, Isaías 10:25, 26:20, 1 Macabeus 1:64). 
Daniel 8:21 ==>> Javan: A Grécia; por isso todos os povos helénicos. A palavra rei aqui tem o sentido de reino. O primeiro rei: Alexandre da Macedónia. 
Daniel 8:23 ==>> Infiéis: Todos os que prevaricaram. O rei Antíoco Epifánio. 
Daniel 8:25 ==>> Antíoco morreu sem intervenção humana, isto é, fora da guerra, mas martirizado pelos insucessos dos seus exércitos ( 1 Macabeus 6:8-16, II Macabeus 9:1). Na estátua de Daniel 2:34, a pedra que tudo destruiu também, não foi arrojada por qualquer mão humana. É uma figura literária para designar a acção direta de deus de Israel. 
Daniel 9:1==>> A história desconhece a existência de um Dário Medo. E Dário não era filho de Xerxes, mas seu pai. A cronologia e os nomes servem apenas como pano de fundo para expor a finalidade religiosa. Tenha-se em conta também a incerteza de muitos dados históricos profanos. 
Daniel 9:2 ==>> Jeremias fala de computo de 70 anos ( número simbólico) para a restauração de Jerusalém: os anos passaram mas a restauração não é perfeita. Daí surge outra façanha de que se trata de 70 semanas de anos, divididos em 49, 434 e 7 anos ( versículos 24-26). Estes 490 anos devem referir-se ao tempo da morte de Antíoco IV. Daniel 9:5==>> Esta confissão de Daniel, aliás muito extensa, é semelhante à de Baruque 1:2 ( 1 Reis 8:47 - 54 ). É uma manta de retalhos feita de imensas passagens bíblicas, segundo o género literário bíblico do tempo, patente também na literatura de Qumrân. Daniel 9:24 ==>> Segundo o 2 Crônicas 35:22 - 23 e Êxodo 1:1-2, a profecia de Jeremias realizou-se com o decreto de Ciro em 538 que libertava os exilados. O autor do livro de Daniel encontra-se novamente em tempos de perseguição e aplica sua hermenêutica aos 70 anos de Jeremias desdobrando-os em 70 semanas de anos. Trata-se do método interpretativo Pesher, tão comum na literatura de Qumrân. O Santo dos santos: a consagração de Judas Macabeus, a restauração do Santo dos santos ( lugar) no Templo de Jerusalém. 
Daniel 9:25 ==>> O chefe ungido é Ciro ( Isaías 45:1 ) 
Daniel 9:26 ==>> O Ungido exterminado foi o sumo sacerdote Onias III ( 171 aC ). O chefe invasor é mais uma vez Antíoco IV que destruiu o Templo em 179 e 167 aC. 
Daniel 9:27 ==>> Antíoco IV, na sua obra anti-judaica, foi seguido por muitos judeus renegados que abraçaram a helenização ( 1 Macabeus 1:11-14). A abominação da desolação é uma aproximação linguística com o ba'al shamêm ( o deus Baal dos Céus, o Zeus Olimpo 8:12, 11:31, 12:11). 
Daniel 11 :4 ==>> Refere-se a Alexandre Magno e à divisão do seu reino entre os seus generais. 
Daniel 11:5 ==>> Do Egito: Ptolomeu I Soter ( 323 - 285), fundador da dinastia dos Ptolomeus. Um dos generais: Seleuco I Nicator, que se tornou independente, fundou a dinastia dos Seleucidas e o reino grego-sírio, por volta do ano 321 aC. 
Daniel 11:6 ==>> Berenice, filha de Ptolomeu II, esposa de Antíoco. Repudiada por este, fora assassinada pela primeira mulher do mesmo. 
Daniel 11:7 ==>> O irmão de Berenice, Ptolomeu III Evergetes ( 246 - 221), como vingança, invadiu a Síria e venceu Seleuco II Callinicus ( 246 - 227). 
Daniel 11:10 ==>> Seleuco III Soter ( 227 - 223) e Antioco III, o grande ( 223 - 187), foram os filhos de Seleuco II Callinicus. 
Daniel 11:11 ==>> Ptolomeu IV Filopator ( 221 - 223) venceu completamente Antíoco III em Rafia, na Palestina, ( 217 aC). 
Daniel 11:13 ==>> Antioco III, depois da batalha de Rafia -- passados que foram 14 anos --- voltou-se de novo contra Egito. 
Daniel 11:15 ==>> trata-se de Sidon ( 198 aC). 
Daniel 11:16 ==>> Antíoco III, ocupou a Judeia. 
Daniel 11:17 ==>> Antíoco fez pazes com Ptolomeu V do Egito, na condição de este desposar Cleópatra, sua filha, na expectativa de vir a governar o Egito. Ela porém tomou partido do esposo. 
Daniel 11:18 ==>> As ilhas do Mediterrâneo: e não só elas, mas também as coisas da Ásia Menor e Macedônia. O magistrado é Cipião, que derrotou Antíoco na Batalha de Magnésia, em 190 aC. 
Daniel 11:19 ==>> Tenta despojar o templo de Bel em Elam, de suas preciosidades, para pagar o tributo aos romanos, mas foi mal sucedido porque foi assassinado pelos próprios soldados em 187. 
Daniel 11:20 ==>> Seleuco IV, o qual enviou Heliodoro, seu ministro, à cidade de Jerusalém com o fim de pilhar o tesouro do Templo. Morreu assassinado por este, passados doze anos de reinado. 
Daniel 11:21 ==>> Antíoco IV Epifánio, manhoso e hipócrita. 
Daniel 11:22 ==>> As forças egípcias. O sumo-sacerdote Onias III assassinado pelo tirano em 171. 
Daniel 11:24 ==>> Antíoco IV invade inesperadamente a Palestina. 
Daniel 11:25 ==>> Ptolomeu VI que será traído pelos mais íntimos amigos, por ocasião da campanha contra o Egito, movida por Filometor. 
Daniel 11: 27 ==>> Antíoco e Filometor, aliados mas pouco confiantes um no outro. 
Daniel 11:28 ==>> O povo da aliança, que suportará a pilhagem do Templo ( 169 - 167). Neste ano o povo judeu revoltar-se-á, conduzido por chefes Macabeus. 
Daniel 11:29 ==>> Terceira expedição de Antíoco ao Egito. 
Daniel 11:30 == >> Kitim refere-se à ilha de Chipre e por extensão toda a Bacia Mediterrânea, incluindo Roma, que envia a sua frota no intuito de obrigar Antíoco a abandonar o Egito. O autor do livro de Daniel deve pensar em Números 24:24. Os que abandonam a Aliança são os judeus apóstatas, que em união com Antíoco, se dispuseram contra o povo de deus. 
Daniel 11:31 ==>> O Templo, que era, na realidade uma fortaleza. 
Daniel 11:34 ==>> Judas Macabeu conseguiu algumas vitórias, e por isso muitos judeus apóstatas, temendo-o, voltaram-se para ele e em seguida o abandonaram novamente. Daniel 11:37 ==>> Antíoco despreza os deuses sírios e presta culto a Júpiter Capitolino, enviando dádivas para o templo de Roma e promovendo o culto dos mesmos na Síria e Judeia. O << deus querido >> das mulheres é Adonis Tamuz. 
Daniel 11:40 ==>> Quarta expedição ao Egito e fim de Antíoco e da perseguição. Territórios: As nações por onde passam. 
Daniel 11:44 ==>> Revolta dos Partos a Oriente e dos arménios a Norte. Antioco morre na volta da sua expedição contra os partos e arménios, numa cidade persa, no ano 164 aC. Daniel 12:2 ==>> O escritor de Daniel anuncia a libertação de Israel após os horrores levados a efeito por Antíoco Epifánio. Fala da ressurreição nacional em linguagem figurada em Daniel 12:1-6 e 13. 
E por fim o escritor do livro de Daniel fala em Daniel 12:7 ==>> Sobre a expressão << um tempo...>> 7:25 e 12:7. Os três anos e meio perfazem 1150 dias ( 8:4). No versículo 11 um glossador achou que este tempo era curto e por isso alongou-o para 1290 e para 1335 dias. 

Resumo 

O livro de Daniel não tem nada a ver com Jesus Cristo. É um livro escrito por um assideu no ano 167 -168 falando sobre as questões espirituais e patrióticas de Israel no tempo de Antíoco quando ocupou a Palestina, criou a personagem Daniel usando personagens reais como Nabuconodosor e criou sua estória segundo o género hadágico para inculcar esperança ao povo que sofria sob o domínio de Antíoco. Com linguagem simbólica, criou uma espécie de encorajamento sobre a Paz na sua terra. 
Nada sobre Jesus.


Pesquisa e texto por: Hegas Alberto Santana Santana