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terça-feira, 11 de abril de 2017

Os Físicos na história e deus.



É verdade que, por vezes, os cientistas são religiosos, ou pelo menos supersticiosos. Sir Isaac Newton, por exemplo, foi um espiritualista e alquimista bastante ridículo. Fred Hoyle, um ex-agnóstico que se apaixonou pela ideia do "desígnio", foi um astrónomo de Cambridge que inventou o termo Big Bang. Steven Hawking não é um crente, e quando foi convidado para ir a Roma conhecer o papa João Paulo II pediu que lhe mostrassem os registos do julgamento de Galilei. E fala sem embaraço da hipótese de a Física "conhecer a mente de Deus", o que parece agora tão inofensivo como uma metáfora, como por exemplo quando os Beach Boys cantam, ou eu digo, "só Deus sabe...".

Antes de Charles Darwin ter revolucionado todo o conceito das nossas origens, e Albert Einstein ter feito o mesmo em relação ao começo do Cosmos, muitos cientistas, filósofos e matemáticos adoptavam o que podia ser considerada a posição de ausência e professavam uma ou outra versão do "deísmo", que defendia que a ordem e a previsibilidade do universo pareciam, de facto, sugerir um criador, se bem que não necessariamente um criador com um papel activo nos assuntos humanos. Este compromisso era lógico e racional para o seu tempo, ...

Laplace (1749-1827) foi o brilhante cientista francês que levou o trabalho de Newton ainda mais longe e demonstrou, através de cálculos matemáticos, como as operações do sistema solar eram as de corpos a girar sistematicamente num vácuo. Mais tarde, quando começou a estudar as estrelas e as nebulosas, postulou a ideia do colapso e implosão gravitacionais, ou o que agora chamamos alegremente o "buraco negro". Num livro em cinco volumes intitulado Celestial Mechanics, ele expôs tudo isto e, como muitos homens da sua época, também estava intrigado com o planetário, um modelo articulado do sistema solar visto, pela primeira ver, de fora. Estes modelos são agora lugares-comuns, mas na época foram revolucionários e o imperador pediu para conhecer Laplace e para receber um conjunto dos livros ou (os relatos diferem) uma versão do planetário. 

Pessoalmente, desconfio que o coveiro da Revolução Francesa preferiu o brinquedo aos livros: era um homem com pressa e tinha conseguido que a igreja batizasse a sua ditadura com uma coroa. De qualquer modo, e ao seu estilo infantil, exigente e imperioso, quis saber porque é que a figura de deus não aparecia nos cálculos inovadores de Laplace. E aqui têm a resposta fantástica, sublime e ponderada. "Je n'ai pas besoin de cette hypothèse". (*) Laplace ia tornar-se marquês e talvez pudesse ter dito de forma mais modesta, "Resulta bastante bem sem essa ideia, Majestade". 
Mas declarou simplesmente que não precisava dela.


(*) "Não preciso dessa hipótese."


Christopher Hitchens in "deus não é grande".

domingo, 29 de janeiro de 2017

Decidam-se ou calem-se!



Em 1687, Isaac Newton publicou seu livro Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (em português, "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural"). Neste livro inovador, ele propôs que uma força invisível de atração age em todos os objetos com massa. Ele arranjou mesmo uma equação simples que permitiu calcular a magnitude dessa força.

Esta força invisível, afirmou, explica como os planetas no nosso sistema solar mantêm órbitas previsíveis em torno do Sol. Foi uma brilhante descoberta de Newton, mas ela foi construída sobre o trabalho anterior de Nicolau Copernicus que tinha mostrado que os planetas orbitavam o Sol (apesar da feroz oposição da igreja) e de Johannes Kepler que mostrara que os planetas percorrem órbitas elípticas em velocidades variadas.

Com essas fundações e a meticulosa recolha de evidências de Newton, suas ideias sobre a gravitação universal foram rapidamente aceites pela comunidade científica.

Já vimos muitos exemplos na ciência de ideias surpreendentes e contra-intuitivas, sendo publicadas, desafiadas e aceites depois que as evidências são completamente compreendidas. É assim que descobrimos o mundo real.

Mas existe outro mundo em que tudo acontece ao contrário. O mundo da religião não exige evidências e nem se aproxima da realidade à medida que mais evidências são descobertas. As ideias religiosas são mantidas na fé e, usando a fé, tu podes acreditar em qualquer coisa que tu desejas acreditar.

O cristianismo começou há 2 000 anos, mas não mudou de controvérsia para um acordo: passou dum único "profeta" ao caos, com cerca de 40.000 denominações que se disputam hoje. E se olhares com mais atenção, vais encontrar pessoas ao redor do mundo acreditando em milhares de deuses e dezenas de milhares de religiões.

Com as religiões, não há nenhuma reunião de mentes e nenhuma filtragem em que se remove o falso para deixar ficar o verdadeiro. E por que funciona assim? O verdadeiro problema é que existe apenas um mundo real, mas um número ilimitado de histórias imaginárias. Podemos concordar com a realidade, mas sempre vamos discutir sobre quais as histórias imaginárias que preferimos.

Se um qualquer deus é real e uma qualquer religião é verdadeira, por favor crentes, decidam-se e digam quais são verdadeiras e quais são falsas. Vocês já tiveram mais de 2.000 anos para o fazerem, são mais que horas de decidirem ou simplesmente CALAREM A BOCA.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dois livros que mudaram o mundo




 A mente mais brilhante do universo, uma mente infinita onde reside todo o conhecimento, inspirou os homens ao longo dum período de 1 000 anos para escrever um livro de cerca de 900 000 palavras. Este esforço gigantesco pretendeu revelar as verdades sobre o universo e nosso planeta que era desconhecido aos homens. Em última análise, este livro visava tornar o mundo num lugar melhor.

Em menos de dois anos, de 1686 a 1687, um homem com uma mente finita, escreveu um livro de cerca de 300.000 palavras com um objetivo muito menos ambicioso. O objetivo era ajudar-nos a entender o comportamento dos corpos em movimento.

O primeiro livro foi um fracasso abjeto. Não revelou verdades algumas sobre o cosmos. Na verdade, sabemos agora que quase tudo o que ele inspirou escrever sobre o nosso planeta e o universo, estava completamente errado. Além disso, não fez o mundo um lugar melhor. Pelo contrário, lançou as bases para vários milhares de anos de assassinatos, torturas, brutalidade e discriminação numa escala sem precedentes na história humana.

O segundo livro foi um grande sucesso. Suas proposições foram mostradas como sendo fundamentalmente corretas e foram cruciais para permitir a revolução industrial, nosso mundo moderno e nossa atual compreensão profunda e extensa do cosmos.

O livro de sucesso foi Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica de Sir Isaac Newton.

O livro do fracasso foi a Bíblia, por Deus *.


* Autoria da Bíblia ainda não verificada.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell