Mostrar mensagens com a etiqueta Inquisição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inquisição. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Uma confissão minha



Eu tenho uma confissão a fazer.

Fui criado como cristão e aos 13 anos descobri que o cristianismo era uma estória, e não havia razão alguma para acreditar que ela fosse verdadeira. Mas aqueles poucos anos como cristão queimaram algo no meu cérebro que levou quase cinquenta anos para apagar.

Durante a maior parte da minha vida, parecia haver algo de bom e justo em ser um cristão. Esse pensamento impediu-me de criticar o cristianismo com demasiada severidade, embora eu não acreditasse que o Deus cristão fosse real e achei que a teologia cristã era um bocado parva. Por todos esses anos, concentrei-me em falar sobre Deus, mas não sobre o cristianismo.

No fundo, senti que havia algo traiçoeiro e desonroso ao dizer a verdade sincera sobre o cristianismo.

Apenas nos últimos anos tenho sido capaz de articular o que a razão tem me contado desde que eu tinha 13 anos. Para aqueles que passaram 50 anos como cristãos, eu tenho uma pequena ideia de quão difícil deve ser para vocês todos dizerem o que realmente acreditam.

A verdade é que o cristianismo nos deu as Cruzadas com o massacre sangrento dos inocentes, a Inquisição com a terrível tortura de dezenas de milhares e a caça às bruxas com a queima até a morte e o afogamento de homens e mulheres inocentes. Até hoje, vemos crianças sendo torturadas para libertar demónios imaginários, pessoas idosas sendo queimadas como bruxas e gays sendo chutados e espancadas até a morte.

Agora, finalmente, estou livre para dizer tudo isso. O cristianismo não tem base de facto. É uma religião vil, baseada no sacrifício humano que causou as mortes brutais de mais de um milhão de seres humanos e continua a matar pessoas inocentes.

Não há nada de justo em ser um cristão. E não há nada de desonroso em dizer a verdade sobre isso.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 12 de junho de 2018

A tradição Judaico-Cristã



Foi à procura do verdadeiro significado dessa tal tradição tão portuguesa que é a «judaico-cristã», que fui descobrir (in «Diário da História de Portugal», de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra) alguns relatos de acusações e prisões feitas pela Santa Inquisição em Portugal, entre os anos de 1553 a 1557, tudo devidamente registado.

As acusações e o clima de terror e de medo que deixam adivinhar na sociedade portuguesa da época, revelarão também, certamente, essa mesma «tradição judaico-cristã».

Eis alguns desses relatos:

- 20 de Setembro de 1553: António Correia denunciou Duarte Fernandes por não comer toucinho:
- 12 de Janeiro de 1554: Diogo Antunes, estudante dos jesuítas, disse que foi a casa de um calceteiro e que este tinha na parede uma estampa com um santinho com teias de aranha;
- 23 de Janeiro de 1554: Compareceu Gomes de Leão, que denunciou o licenciado António Gonçalves, que disse que gostava mais de forcas que de crucifixos;
- 6 de Junho de 1554: Compareceu Paula Gomes que denunciou o marido Pedro Gonçalves, que disse que não sabia se havia Cristo;
- 18 de Junho de 1554: Compareceu o ourives Pedro Rodrigues por ter dito que certas mulheres iam à romaria da Senhora da Luz menos por devoção do que por poucas vergonhas;
- 31 de Janeiro de 1555: Compareceu Baltazar Gomes, ourives, que denunciou um flamengo que não tirou o barrete quando passava diante da cruz;
- 9 de Março de 1555: O padre Luís Neto, capelão da Sé, acusou um inglês chamado Ricardo, que disse que o Papa canonizava os santos por dinheiro;
- 9 de Setembro de 1555: João de Paris, relojoeiro francês, denunciou o inglês Marcos, mestre da Nau, que disse que não era preciso rezar aos santos, bastava fazê-lo a Deus;
- 17 de Setembro de 1556: Graça Dória denunciou Mécia Vaz por dizer que no mundo só há nascer e morrer;
- 21 de Janeiro de 1556: André Pires, padre de Sarzedas, denunciou António Rodrigues por ter dito que Nossa Senhora era judia;
- 16 de Fevereiro de 1556: O jesuíta João Dício acusou o flamengo Reiner, lapidador de pedras, por ter dito que era mais virtuosa a vida dos casados que a dos religiosos;
- 26 de Março de 1556: Ascenso Fernandes, denunciou Pedro de Loreto, carpinteiro francês, por comer carne à sexta-feira;
- 22 e Abril de 1556: Francisco Gonçalves denunciou Rodrigues Álvares, escrivão, por vestir aos sábados pelote, calça preta, boas botas e roupão esverdeado, com pesponto de seda e alamares, ao passo que nos dias santos traz só gabão de mangas curtas;
- 10 de Julho de 1556: Fernando Afonso denunciou dois hereges de Ponte de Lima, que disseram que a hóstia era apenas pão; 
- 4 de Agosto de 1556: Francisco Dias denunciou a mulher, dizendo que era judia;
- 11 de Janeiro de 1557: Gonçalo Pereira denunciou o mouro Cosme, de Sesimbra, por ter dito que Nossa Senhora não era virgem;
- 30 de Abril de 1557: Manuel Borges denunciou António Gonçalves por ter dito que dormir com uma mulher não era mal nenhum;
- 4 de Agosto de 1557: O licenciado Garcia Mendes de Abreu acusou um cristão-novo de dizer sobre a virgindade de Nossa Senhora o seguinte: «como é que se pode tirar a gema ao ovo sem o quebrar?»;
- 29 de Setembro de 1557: Compareceu Gomes de Abreu e disse o seguinte: «quando há dois anos a nau S. Bento vinha da Índia e naufragou, deram à costa do Natal e o denunciante disse “preze a Deus que me leve a terra de cristão para eu morrer lá”. E isto foi ouvido por Garcia de Cáceres, mercador de pedreiras, que respondeu: “para morrer, tanto faz cá como lá”».

Não há dúvida: a tradição é uma coisa muito bonita. A tradição «judaico-cristã» principalmente... 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O ateísmo e as crenças



Compreende-se a hostilidade dos crentes ao ateísmo, e é difícil aceitá-la contra os ateus, tal como é intolerável que os ateus visem, em vez das crenças, os crentes, sabendo que estes são as primeiras vítimas.

São três as imputações mais comuns dos crentes aos ateus, salvo os muçulmanos, que logo pensam na decapitação, todas no sentido de fazerem a catarse freudiana dos medos, dúvidas e terrores do inferno que povoa as suas mentes:

1 - A presumida superioridade moral e intelectual ateia, sem que exista ou seja referida;

2 - A alusão reiterada a facínoras ateus, Stalin, Mao, Pol Pot e outros, omitindo o cristão Hitler que em «A minha Luta» citava o Génesis deleitado com a violência de Cristo na agressão aos Fariseus, alusões que procuram confundir, e absolver o episcopado cristão, católico e luterano, incluindo o Papa, da cumplicidade com o nazismo e o fascismo;

3 - A afirmação de que há, entre os cristãos, pessoas boas, generosas e beneméritas, como se algum dia os ateus tivessem duvidado ou deixado de admitir a maldade de numerosos ateus.

Há, nas várias religiões, hierarcas merecedores de consideração e respeito pela craveira moral, intelectual e cívica. Há grandes personalidades e pessoas generosas entre os crentes. Ninguém é perfeito.

Mas isso não faz virgem a mãe de Jesus, infalíveis os Papas ou imaculada a conceção de Maria (fertilização in vitro?), nem transforma a superstição com os milagres, aparições e exorcismos, com que a ICAR ganha a vida e extasia os fiéis, em verdades.

Os atributos dos crentes bondosos não tornam verdadeiras as religiões, não expurgam a violência e a crueldade dos livros sagrados nem transubstanciam em corpo e sangue de Cristo o pão e o vinho, sob o efeito de palavras rituais e sinais cabalísticos.

JC deixou a doutrina que justificou a Inquisição, o Índex, a contrarreforma, o genocídio dos ameríndios, dos índios e de todos os que fossem avessos à conversão. Eis a verdade. A ICAR foi o que é hoje o Islão e só se humanizou graças à repressão política sobre o seu clero. E a cumplicidade nazi/fascista da ICAR? Não há sistemas mais totalitários do que uma teocracia. Não há religião que não se encoste ao poder quando, de todo, não pode ser ela a detê-lo. Será por acaso que eram católicos Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet, Hitler e Pétain e cristãos os coronéis gregos?

Por que motivo a ICAR excomungou a democracia, o socialismo, o livre pensamento, o liberalismo, o comunismo e a maçonaria e nunca excomungou o nazismo? JP2 reiterou a excomunhão ao comunismo, já depois da queda do muro de Berlim, mas nunca o fez contra o nazismo e o fascismo. E recusou reconhecer o Estado de Israel até 1993!

Por que motivo preparou o Vaticano a fuga de Adolf Eichmann e outros próceres nazis para os livrar do julgamento de Nuremberga? Que fez JP2* quando os hútus católicos do Ruanda massacraram centenas de milhares de Tutsis com a participação ativa do clero no genocídio? Ficou silencioso e cúmplice. Este crime foi recente, não aconteceu na Idade Média.

Eis a razão:
Os judeus das trancinhas à Dama das Camélias cabeceiam o Muro das Lamentações e bendizem o assassinato de islamitas, passagens dos Evangelhos explicam a proteção de Pio XII a Adolf Eichmann com o genocídio contra os deicidas judeus, e os surahs do Corão abençoam o massacre de judeus e cristãos (por esta ordem).

Yavé abençoa a guerra e os guerreiros e promete a destruição total dos palestinianos – a «guerra santa» segundo a expressão do livro de Josué. Jesus mandou «ir e evangelizar», justificando o proselitismo e os horrores de que parcialmente JP2 pediu perdão. Maomé o mais rude e incivilizado recomenda a jihad.

Os ateus são os inimigos comuns a erradicar pela demência mística dos monoteísmos.

* JP2 = João Paulo II


Texto de Carlos Esperança

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Heresias e vítimas hereges



Para que haja lugar a uma heresia, deve haver um sistema autoritário de dogmas, ou seja, que concorde com as leis que a igreja considere verdadeiras.
O primeiro uso conhecido do conceito de heresia num contexto legal aconteceu no ano de 380 EC, no chamado Édito de Tessalónica, imposto pelo imperador romano Teodósio a 27 de Fevereiro de 380.


Cerca de 5 anos após a oficialização do lado criminoso da heresia pelo imperador, foi executado o primeiro herege cristão, um bispo hispânico de nome Prisciliano (340 - 385), fundador do priscilianismo. O réu foi executado por oficiais romanos.
Priscilianismo não era mais que uma doutrina que incentivava a igreja a largar a opulência e a riqueza, condenava a escravidão, dava importância e liberdade às mulheres, e até abria as portas dos templos para elas assumirem papéis activos.


O último herege executado por força duma sentença católica, foi Cayetano Ripoll (1778 - 1826), professor espanhol enforcado depois de ter sido acusado de não acreditar nos dogmas católicos.
Foi a última vítima da Inquisição espanhola.





Fonte: Os Arquivos Secretos do Vaticano, de Sérgio Pereira Couto