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segunda-feira, 18 de maio de 2020

O mal da religião



Tudo começa com o facto de, apesar de os crentes dizerem que a crença é pessoal, nunca o é, realmente.
Se só acreditassem em fantasias e deixassem que isso fosse algo puramente pessoal, tudo bem.
Mas... quem acredita convence outras pessoas a acreditar. Educa os filhos a acreditar. Ensina os filhos a exigir explicações e a duvidar em tudo o que lhes dizem, mas convencem-nos a acreditar sem provas nenhumas numa estória absolutamente ridícula.

E há quem marginalize outras pessoas com base na sua crença.

E há quem considera que quem não acredita no mesmo que eles é má pessoa e que merece ser maltratado ou até morto.

E há quem se recuse a receber tratamentos médicos ou que sejam ministrados tratamentos médicos aos filhos, por razões de crença.

E há tratamentos especiais e privilegiados para certas crenças.

E há quem se aproveite da crença alheia para lhes extorquir dinheiro.

E há quem queira que se travem certos avanços da ciência por causa das coisas em que acredita.

E há quem queira que mitologia seja tratada com a mesma reverência e valor que a ciência.

E há quem ache que esta vida não tem valor, porque haverá uma muito melhor depois, e não faz nada para fazer deste mundo um mundo melhor.

Há até quem mate os filhos porque acha que este mundo é muito mau e que eles estarão melhor no "outro mundo", junto ao amiguinho imaginário deles.

São apenas alguns dos problemas associados ao "simples" facto de se acreditar num deus.
NÃO! A crença não é incólume. A crença não é inofensiva.
Quando a religião dominava o mundo, vivemos aquilo a que se chama hoje "Idade das Trevas".
Enquanto as pessoas continuarem a acreditar em fantasias e a viver como se a fantasia fosse real, em vez de enfrentar a realidade e fazer deste mundo e desta vida (que é a única que temos a certeza que é real), o mundo vai continuar a avançar a passo de caracol.
Acreditar em deus pode dar alento, pode ajudar a enfrentar as agruras da vida. Mas é do mesmo modo que a bebida ajuda a "enfrentar" a realidade.
Um crente diz que se sente feliz por acreditar em deus e que se considera melhor que um ateu por causa disso. Do mesmo modo que um bêbado se sente mais feliz que um sóbrio e que um toxicodependente se sente eufórico quando tem o cérebro anestesiado pela droga.


Texto de Rui Batista
Imagem: Suicídio coletivo de Jonestown

domingo, 19 de abril de 2020

Como seria um mundo sem deus



Já fiz várias vezes aos crentes uma pergunta que, dada a actual situação, se tornou ainda mais pertinente:

Como descreveriam um mundo em que, segundo aquilo em que acreditam, deus não existisse?

São raros, caríssimos, os que me respondem a esta pergunta.
Muitas vezes tenho de os incentivar a que respondam, dando exemplos de como poderia ser esse mundo mas, mesmo assim, usualmente recusam-se.
Os exemplos que apresento, são:

Um mundo em que as pessoas estariam envolvidas em guerras por motivos mesquinhos?
Respondem que sim.

Um mundo em que as pessoas morressem em acidentes estúpidos?
Respondem que sim.

Um mundo em que houvessem doenças, violência, fome, e no qual as pessoas morressem devido a isso, independentemente de serem inteligentes ou ignorantes, pobre ou ricas, famosas ou desconhecidas?
Também respondem que sim.

Um mundo em que houvessem injustiças e no qual pessoas boas por vezes sofressem devido a essas injustiças e pessoas más escapassem impunes a essas injustiças?
Também respondem que sim.

Um mundo em que catástrofes naturais matasse milhares de pessoas quando ocorriam, sem que se pudesse fazer nada para o evitar?
Mais uma vez, respondem que sim.

Portanto, um mundo onde deus não existe é exactamente igual ao mundo em que vivemos!!

Nesta altura, ficam sem resposta. Alguns ainda tentam dizer que não e procuram encontrar argumentos para justificar o seu “não”, mas o máximo que conseguem é “Mas deus irá fazer justiça para com aqueles que foram maus e recompensar os que foram bons, depois de morrerem.”

Fantástico!!! Deus, se existisse, apenas actua após a morte. Durante a vida, tudo decorre da forma que seria de esperar decorrer num mundo em que deus não existe.

A actual situação é a clara demonstração de que deus não existe e que o mundo é aquilo que é, sem qualquer deus.

Mas os crentes, para evitarem cair nas consequências de uma dissonância cognitiva, fazem como os Três Macacos Sábios mas, no caso dos crentes, demonstrando muito pouca sageza:

- Fecham os olhos às evidências.
- Fecham os ouvidos a quem lhes apresenta os factos.
- Fecham a boca, porque não têm argumentos.

E, quando abrem a boca, é para dizer algum disparate que, em vez de demonstrar a validade da sua crença, apenas a expõe mais ao ridículo.
Infelizmente, esta ignorância não mostra sinais de diminuir e nem com demonstrações avassaladoras e trágicas, como o é esta pandemia, os crentes irão deixar de se agarrar às fantasias mitológicas com que foram infectados.

A crença religiosa é o vírus mais insidioso e persistente que alguma vez existiu.
E a única cura seria a educação, a cultura, a inteligência.
Mas é mais fácil ser-se ignorante.


Texto de Rui Batista

10 coisas que sabemos sobre deuses



1. Os seres humanos inventam deuses e religiões. 
2. Não há evidência de que existam deuses. 
3. Nenhuma religião jamais se mostrou ser verdadeira.  
4. Deuses e religiões evoluem com o tempo. 
5. A doutrinação infantil pode tornar as pessoas confiantes de que absurdos são verdades. 
6. As crenças em deus vêm das famílias. 
7. Em todos os testes rigorosos, as orações sempre falham. 
8. A imaginação humana pode tornar deuses inventados parecerem reais. 
9. Os humanos podem achar deuses inexistentes extremamente confortantes. 
10. A crença em deus vem da emoção, não da razão. 

BÓNUS 
11. Os crentes em deus justificam a sua crença na fé, mas a fé não tem como distinguir a verdade do absurdo. 

Há boas evidências de que todas essas afirmações são verdadeiras. Então, podemos resumir isso facilmente: Tudo o que sabemos lança dúvidas sobre a existência de deuses. 
Nada do que sabemos sugere que eles são reais. 


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Inventando estórias



Como não sabíamos o que provocava os terremotos, alguém inventou uma estória. Eles disseram que era Poseídon batendo no chão com seu tridente e milhões de pessoas acreditaram. Mas eles estavam errados. Após um estudo cuidadoso, descobrimos que os terremotos são causados ​​por movimentos de grandes placas flutuando sobre o núcleo derretido da Terra.

Como não sabíamos o que provocava os trovões, alguém inventou uma estória. Eles disseram que era Thor batendo na bigorna com o seu martelo e milhões de pessoas acreditaram. Mas eles estavam errados. Após um estudo cuidadoso, descobrimos que o trovão é o movimento supersónico do ar causado pelos raios.

Hoje, não sabemos por que há algo em vez de nada, então alguém inventou uma estória. Eles disseram que um homem invisível fez isso tudo e milhões de pessoas acreditaram. São pessoas que não aprenderam com os erros anteriores. Pessoas que pensam que as estórias são verdadeiras até que se provem estarem errado. Pessoas para quem ter uma qualquer resposta é mais importante do que ter a resposta correta.

Pessoas sensatas têm uma abordagem diferente. Elas dizem que vamos estudar isso e tentar descobrir a resposta correta. E, até encontrarmos a resposta correta, devemos ser totalmente honestos e admitirmos que ainda não sabemos por que há algo em vez de nada.

Não vamos errar novamente. Inventar estórias não tem um bom histórico.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 28 de dezembro de 2019

Como as religiões podem ser respeitadas



Todos têm o direito de acreditar no que quiserem até porque é um direito humano. Mas as religiões só terão o meu respeito quando mudarem de atitude. Quando elas aceitarem que se deve:

* Recusar a acreditar que qualquer coisa que não possa ser demonstrada com segurança seja verdadeira.
* Ser céptico em relação às escrituras até que elas possam ser demonstradas verdadeiras.
* Incentivar o debate aberto e o desafio.
* Mudar prontamente as suas crenças à luz de novas evidências.
* Rejeitar oficialmente a fé como uma razão para acreditar.
* Não intimidar ou assustar as crianças a aceitar crenças religiosas.
* Continuar a abraçar familiares e vizinhos que abandonam as suas crenças.

Até que façam essas mudanças, continuarei pensando nelas como grupos de mentes fechadas que acreditarão em qualquer coisa, por mais ridícula que seja e que sobrevivam forçando crenças absurdas sobre as crianças.

Se a sua religião não segue as minhas regras acima sugeridas, pergunte-se por que não o faz? Do que tem medo? Da verdade?


Texto de Bill Flavell

domingo, 8 de dezembro de 2019

O argumento mais popular do mundo para Deus, demolido.



Da minha experiência ao argumentar com crentes, concluo que a esmagadora maioria deles justifica a sua crença com um e apenas um argumento: o argumento "de onde as coisas vêm". 
O argumento é o seguinte:

P1: X existe (onde X é o Universo, a primeira célula viva, todos os seres vivos, seres humanos ou o que for).

P2: Não podemos explicar como X poderia vir a existir por processos naturais.

ASSIM SENDO
C1: X deve ter surgido através de um agente sobrenatural. Vou chamar esse agente sobrenatural de deus.

CONCLUO
C2: Meu deus existe. "

Este argumento tem vários problemas que o tornam inválido, mas qual é a maneira mais simples de refutar este argumento?

A primeira premissa (P1) é verdadeira, todos podemos concordar que o Universo ou a vida existe. Para o bem desta refutação, vamos assumir que a segunda premissa (P2) também é verdadeira.

O problema surge quando chegamos à conclusão (C1). O fato de não podermos explicar hoje como surgiu a primeira célula viva não significa que nunca iremos. Podemos descobrir como isso aconteceu sem um agente sobrenatural a qualquer momento, no futuro. Mesmo se NUNCA descobrirmos como isso aconteceu, isso não significa que X foi causado por um agente sobrenatural, pode ser algo que será para sempre difícil demais para nós descobrirmos. 
Essa última frase é importante, se houver dúvida, leia-a novamente.

Consequentemente, este argumento falha porque a conclusão não segue das premissas, é um non sequitur. No entanto, existe uma maneira pela qual os crentes poderiam corrigir esse argumento. Eles poderiam mudar P2 para:

P2: É IMPOSSÍVEL X passar a existir por processos naturais.

Mas então o problema é mostrar que P2 é verdadeiro. Como poderias mostrar algo que existe, e é feito dos blocos de construção dos quais todas as coisas naturais são feitas (protões, eletrões, átomos, etc.), não poderiam ter surgido por processos naturais? Irias precisar descartar todos os processos naturais possíveis e, para isso, compreenderias todos os processos naturais possíveis. Tu precisarias de um conhecimento abrangente, não apenas da física como é hoje, mas de toda a física que ainda temos que descobrir! É absurdo reivindicar tal conhecimento.

Alguns crentes acreditam que resolvem o problema da "impossibilidade" com um caso especial do argumento "de onde as coisas vieram". Eles apontam para o caso especial de "de onde veio o universo?" Eles dizem que é impossível obter algo do nada e isso DEVE ter acontecido para o universo existir. É verdade que nunca vimos algo surgir do nada no nosso Universo e a própria ideia viola as leis da física, tanto quanto as conhecemos.

Mas o universo veio do nada? Não temos motivos para acreditar que sim. A melhor evidência que temos até agora é que o universo veio de algo muito pequeno, muito quente e muito denso, o que significa que o desenvolvimento do universo foi um evento de transformação, não um evento de criação. Portanto, o universo não é um exemplo de algo que vem do nada.

Se os crentes não conseguem mostrar um exemplo de algo que é IMPOSSÍVEL explicar usando processos naturais, o argumento deles é absolutamente falho. E até agora, eles não conseguem. Leitores cuidadosos podem perceber outras razões pelas quais esse argumento não vale nada, deixarei para tu explorares.

Podes-te perguntar por que é que os crentes, aos milhares de milhões, se contentam em usar esse argumento terrível? Eu acho que a resposta é bem simples: os crentes não usam argumentos para acreditar em deuses, eles usam argumentos para racionalizar a sua crença nos deuses. Mesmo quando convences um crente de que esse argumento cheira mal, ele provavelmente continuará acreditando nele.

A crença nos deuses não é um resultado de lógica, é um resultado do desejo, impulsionado pela cultura. É por isso que temos tantos deuses, tantas religiões e sem bons argumentos para nenhum deles.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 3 de novembro de 2019

Nem todas crenças são iguais (ou tem igual valor)



Nem todas as crenças têm o mesmo valor. Se todas crenças tivessem igual valor, então a crença que elas não têm, teria o mesmo valor do que a crença que elas têm!

Nem todas crenças são verdadeiras. É verdade que eu comi ovos hoje ao pequeno almoço, mas não é verdade que eu comi frango. Quer eu deseje ter comido frango ou não, não tem qualquer diferença naquilo que é ou não verdade.

Nem todas crenças são úteis no seu valor. Métodos estatísticos, por exemplo, têm insuficiências. Tem seus limites e erros, mas ainda assim nós conseguimos tirar valor prático deles. O mesmo é verdade acerca da maior parte de coisas do campo académico: embora a informação obtida seja valiosa, elas não contém TODA a verdade, ou até somente aquilo que é correcto.

Nem todas crenças tem "sólida fundação evidencial". Crenças que foram testadas por evidências e experimentos são superiores neste aspecto.

Nem todas crenças têm valor na sociedade. A utilidade de uma crença na sociedade pode ser medida pelo como ela confere benefícios a um maior número à custa de uma ou mais possível minoria.

Nem todas as crenças têm valor a nós mesmos. Há crenças erróneas que nós temos acerca de nós mesmos ou acerca de outros, que são potencialmente perigosas à nossa psique e/ou a relações interpessoais.

Há aqueles que crêem nas explicações científicas, pelas várias razões, inclusive algumas das frisadas acima. Mas crer nas explicações científicas e nas religiosas não é a mesma coisa.

A ciência é um processo gradual, sim, é verdade, mas é um poderoso processo que leva observações empíricas sobre o mundo, combina-as com explicações sistemáticas e depois refina ou joga fora tais explicações quando contradizem as evidências. Palpites educados são chamados de “hipóteses”, explicações muito bem fundamentadas são “teorias” e ocasionalmente, algo se torna uma "lei".

A crença ou fé religiosa, por outro lado, é um animal diferente. Ela, por definição, exige ao crente que aceite algo sem uma razão. Nos tempos antigos, a fé começou como uma série de crenças para explicar o mundo natural. Religiões organizadas dão um passo além disso, pois elas defendem um dogma específico como sendo a verdade.

A religião moderna navega um dilema: geralmente, uma crença religiosa é específica o suficiente para que a ciência possa refutá-la (colocando a religião em risco) ou o suficientemente vaga para que seja infalsificável, o que significa que não pode ser desmentida nem sequer hipoteticamente e, portanto, não é "conhecimento" num sentido de valor.
As religiões modernas mais bem sucedidas, devem ser flexíveis o suficiente para manter pessoas educadas, mas estruturadas o suficiente para preencher papéis sociais de valor.

Fundamentalistas religiosos que se recusam a ser flexíveis, continuam a demonizar a ciência e, propositadamente, espalhando ignorância. Isso tem sido e continua a ser uma fonte de tremendo sofrimento humano.

Se a crença religiosa mais moderada é boa ou ruim, e se as religiões moderadas são sustentáveis ​​a longo prazo, é uma questão para outro dia. Mesmo se alguém fosse tomar o ponto de vista optimista, a fé ainda é limitada pelo conhecimento, mas não é uma fonte de conhecimento. Ela não pode gerar previsões testáveis.

Se a fé é boa, é para propósitos muito diferentes da investigação científica. O seu valor não é igual à ciência. 


Adaptado de campustimes.org; ZACHARY TAYLOR: Not All “Beliefs” Are Made Equal
e Quora; Vários: Isn’t the belief that all beliefs have equal value absurd Why

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sobre ser céptico



Se alguém me dissesse, online, que poderia voar, eu não acreditaria nessa pessoa. Tudo o que sei sobre aerodinâmica e fisiologia humana, me levaria à conclusão que essa afirmação é impossível. Mas eu não iria negar a sua reivindicação.

Talvez haja coisas que eu não saiba sobre aerodinâmica e fisiologia humana. Talvez essa pessoa tenha um tipo de corpo extremo e habilidades geneticamente adquiridas que tornariam o vôo mais viável. Talvez ela defina voar um pouco diferente da forma como eu defino. Por exemplo, ela pode querer dizer que poderia planar de um penhasco e aterrar com segurança, talvez com a ajuda de roupas especiais.

O fato é que, apesar da sua alegação altamente extraordinária, eu não sei que ela não pode voar. Nesse caso, eu não acreditaria nela, mas eu não lhe diria que está a mentir, também. Eu pediria para ela me demonstrasse que a afirmação dela é verdadeira. Depois disso, a minha crença dependeria de sua disposição e capacidade de mostrar que a sua afirmação é verdadeira. A minha abordagem é ser céptico e racional, porque essa é a melhor defesa contra acreditar em coisas que não são verdadeiras.

Na verdade, as pessoas acreditam prontamente em alegações ainda mais extraordinárias do que essa. Milhares de milhões de pessoas acreditam que existe um ser inteligente que não é feito de matéria ou energia - é feito de nada. E eles acreditam nesse ser que pode fazer qualquer coisa, até mesmo coisas que pensamos serem impossíveis, de acordo com as leis naturais que compreendemos bem.

A alegação da existência do super-ser invisível é MUITO mais extraordinária do que a alegação de se ser capaz de voar. Afinal, sabemos que pássaros e alguns mamíferos podem voar, mas não temos conhecimento de seres poderosos e inteligentes que são imateriais.

Tu podes pedir àqueles que fazem essa alegação, para demonstrarem que é verdade. Mas eles não podem. Em vez disso, eles pedem-te para acreditares com base na fé - por outras palavras, apenas acreditar.

Por mais extraordinária que seja a alegação do super-ser invisível, não podemos dizer que seja impossível. Nós não sabemos tudo. Mas é muito mais inacreditável do que a alegação de que uma pessoa pode voar, e nenhum de nós acreditaria nessa alegação sem uma demonstração.

Se tu podes ser céptico e racional sobre uma alegação absurda, por que não podes ser céptico e racional sobre todas elas?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Servindo a deus ou a um padrão comportamental?



Um livro sagrado original, um deus original, vários “grupos escolhidos” e uma eterna briga pelo direito de registro da “patente sagrada” e filiação original!

Bíblia debaixo do braço para ir à igreja ou empoeirada em cima de uma estante sem quase nunca ter lido? 
Ok, confere! 
Véu na cabeça antes de orar ou usando dentro da igreja para que não se mostre desnuda diante de deus? 
Ok, confere! 
Sábado guardado de um pôr do sol a outro entre sexta e sábado? Ok, confere! Panfletos com versículos da bíblia entregues nos fins de semana para arrependimento dos “pecadores”? 
Ok, confere! 
Aquisições de bugigangas ungidas pra dar sorte? Ok, confere! Penitencias pagas à rainha dos céus e a todos os santos? 
Ok, confere! 
Orações nos montes, jejuns, ofertas e dízimos tudo em dias para se prevenir do migrador e devorador? 
Ok, confere! 
Abstenção de bebidas alcoólicas, carne de porco, mariscos e uma infinidade de outras comidas proibidas por deus? 
Ok, confere! 
Checando...Pronto! 
Seu kit de santidade estar atualizado! Só permanecer assim a vida toda esperar um pouco mais para ir morar nos céus...

Seria cômico se não fosse trágico! Cada igreja vende o seu kit próprio de salvação ou pacotes no que diz respeito ao quesito “servir a deus” por preços e condições variadas e todas elas entre si, lutarão até os últimos recursos para transformar a você e a todos quantos sejam possíveis em clientes fiéis, consumidores desses kits e defensores dessas ideias, atraindo assim mais seguidores para esse ou aquele nível de conduta ou pensamento, tentando padronizar e domesticar o homem, que por natureza foi feito para estar em constante evolução em todos os sentidos.

Toda agremiação religiosa diz ter recebido de deus a missão de espalhar a “verdade” ao mundo e combater as “mentiras” que as outras agremiações ou pessoas propagam e a desmascarar as artimanhas do diabo que luta para tragar a alma do homem do “caminho verdadeiro” apontado por tal igreja. Todas elas dizem aos seus membros que estes são escolhidos por deus para determinado propósito, enquanto as outras não, e que terão de comprar delas o mesmo kit de padronização se quiser ir para os céus.

Uma batalha infinita tem início todos os dias dentro e fora desses grupos com o instituto de te padronizar, te rotular e ter o controle de sua vida entre esses que dizem ser os mensageiros de deus, e os mais variados efeitos dessa luta poderão ser vistos diariamente na vida de cada um desses que são domesticados por esse ou aquele sistema de crenças. Somente castigos severos e ameaças em nome do sagrado e do profano para anestesiar o homem, esse ser em evolução constante com sede da verdade e do conhecimento. A igreja sabe muito bem como fazer.

“Quando as perguntas começarem a surgir e os questionamentos começarem a florescer, use de sua “autoridade religiosa” meu filho! Humilhe o questionado em público, ameace o herege com pragas, crie boicotes individuais ou em massas para os “filhos do diabo”, enquadre aquela pessoa que resiste ao que você diz, isole-a, e a faça parecer ridícula e demoníaca pois só assim poderá manter funcionando esse grupo que você criou ou que te dei para você dirigir, filho meu!” Essa parece ser a mensagem secreta e individual que a maioria dos líderes religiosos parecem receber de “deus” quando são “chamados para sua obra”, para abrir uma nova igreja ou um novo ministério.

Assim, muitos por esse “chamado divino”, tem conduzido o “rebanho do senhor” e cada um fazendo do seu próprio jeito, criando suas próprias normas, seus próprios conjuntos de regras e dizendo:” estamos servindo a deus... E todos dizem ter razão!

Todos os que entram nesses seguimentos, não percebem que estão apenas seguindo padrões comportamentais do grupo já estabelecidos previamente e não vontade de deus algum, pois entre as linhas que dizem servir a determinado deus, quase todas elas são antagônicas, contraditórias e auto anulatórias entre si, concordando apenas no fato de que os súditos sejam ovelhas mudas, proibidas de questionar, imbuídas apenas de obedecer ao líder e fazer o rebanho crescer. Fora isso, todas elas travarão batalhas terríveis para dizer que estão servindo a deus e que se você não estiver do lado desse ou daquele seguimento, estará lutando contra o próprio deus! Que loucura...

Por intuição ou por orientação, muito desses líderes sabem que desde os mais remotos tempos, uma preocupação colossal e angustiante paira sobre a maioria dos homens em praticamente todas as culturas que tem nos seres metafísicos uma das “pernas” que sustenta tal sociedade. Essa preocupação na maioria dos casos é sobre estar ou não servindo e agradando aquela divindade enraizada na cultura popular.

Nos povos alcançados pela crença no deus mesopotâmico denominado como é o caso do deus de Abrãao por exemplo, essa preocupação tem sido mais latente, pois quem não estiver servindo a deus corretamente sofrerá severas penas, incluindo a pena de morte. Em toda história bíblica do passado esses fatos estão registrados pra quem quiser ver, bem como na história secular, onde o islamismo, judaísmo e cristianismo tem sido apresentado por imposição ou por opção tem sido de igual modo implantado quase que totalmente pela força tal sistema de crenças.

Há uma crença demonstrada de modo explícito entre os seguidores dessas três crenças e de praticamente todas as milhares de ramificações que dessas derivaram, que entre milhares de pessoas servindo a esse deus, se tiver alguém entre o povo servindo-o de modo errado, a ira desse deus todo poderoso e furioso (e ao mesmo tempo piedoso e justo) virá não apenas sobre o infame “herege”, mas sobre toda uma cidade, estado ou nação onde ele estiver inserido.

Eles assumem desse modo ainda que sem perceber que apenas 1 pessoa servindo a deus de modo “errado” invalida as ações de mais 1 milhão de pessoas que estão fazendo as coisas de modo certo diante de deus.

Não te é estranho isso? Uma gota de leite em um balde de café não é capaz de alterar o sabor do balde inteiro, mas apenas uma única pessoa “errada” em um “oceano” de tantas outras pessoas santas e que não esteja dentro dos padrões estabelecidos de como servir a deus por determinado agrupamento, será capaz de trazer os mais variados tipos de agouros divinos para esse grupo.

O velho testamento estar recheado de histórias assim. Então mata-se, apedreja-se, persegue-se, exclui ou faz boicotes àqueles que estão trazendo tais consequências desastrosas. Na idade média, a igreja católica costumava atribuir qualquer surto de doença, calamidades ou fenômenos da natureza a uma pessoas ou grupos “pagãos” que estavam desagradando a deus e de acordo com esta mesma igreja eram eles que estavam deixando deus irado e trazendo consequências terríveis.

A peste negra? Culpa dos infiéis! 
A gripe espanhola? Culpa dos hereges! 
Varíola, rubéola, carbúnculo, sarampo? Maldições por que servimos a deus de forma errada! 
Terremotos, furacões e maremotos? Sinais da ira divina e da volta de jesus que virá julgar esses esse povo pecador! 
A nós não! Nós somos as pessoas certas, no grupo certo, servindo a deus de modo certo e por isso estamos salvos, aleluia!

Então...Morte aos infiéis! Morte aos ciganos! Morte aos judeus! Morte aos mulçumanos! Morte as bruxas! Morte as rezadeiras! Morte aos celtas, aos vândalos, aos bárbaros, a todos os que não comem do corpo e do sangue de cristo! Morte, morte, morte...Morte aos incircuncisos (ah não, isso foi no velho testamento)! Em nome do deus da vida vamos matar a todos e conquistar essa terra para o nosso deus!

Não te é estranho esse fato? Por que um único pecador é capaz de desvirtuar toda uma congregação de justos? Que tipo de deus justo é esse que pune toda uma população por causa de uma simples pessoa que estar “fora da caixinha”? Que tipo de justiça é essa? Nem no mundo dos mortais encontramos juízes que hajam assim o tempo inteiro sem amadurecer e sem viver eternamente e ter tempo para se arrepender de feitos tão maldosos! A grande verdade como dito logo acima é que tudo isso não passa de padrões de comportamento! Nenhum religioso dentro de uma comunidade religiosa, sob a égide de uma bandeira ou símbolo sagrado segue a deus nenhum! TODOS eles seguem apenas padrões de comportamentos pré estabelecidos e para não serem perturbados por questionamentos que possam surgir, querem converter a todos a esse mesmo ponto de vista! Praticamente TODOS eles querem padronizar os outros ao seu próprio entendimento de servir a deus e assim começam as guerras desnecessárias e seus derivados que afetam todo o globo.

Judeus versus mulçumanos! Protestantes versus católicos! Congregação A versus congregação B...Todos preparando missionários para converter “pecadores” e a ensinar o modo correto de servir a deus. Todos matando e morrendo pela mesma causa. Todos condenando ou invalidando os ritos litúrgicos uns dos outros. Todos tem um inferno preparado para os “não salvos” e para todos da religião alheia!

Do alto de sua inércia, aquele dizem ser o pai de todos nada faz para mudar isso....

Se realmente existe uma possibilidade de alguém servir a ideia do sagrado, essa possibilidade estaria fora dos currais religiosos, livres dos interesses espúrios e egoístas dos criadores e mantenedores de tais agremiações, e estaria bem distante da padronização oficial que todos recebem ao nascer em um lar religioso ou quando se associam a tais agremiações depois de um certo tempo.

Se existe alguma divindade justa e bondosa realmente, a única maneira de agradá-la seria servindo-nos uns aos outros, ajudando-nos uns aos outros para um estado maior de ser, e não reduzindo aos homens a um estado vegetativo de “dependência divina” quando na verdade estão formatando pessoas para serem dependentes de sistemas de crenças dizendo a essas que estarão servindo a determinado deus. Esse comportamento é tão prejudicial quanto os que criam e sustentam os mercados de entorpecentes.

Não é feio e nem vergonhoso deixar de pertencer a um “grupo de fé”! Feio e vergonhoso é tornar o mundo diariamente um lugar pior de se viver em nome de um deus imaginário, enquanto enriquecem e mantem no poder opressor, aqueles que vivem da ignorância das massas. Isso sim é feio, vergonhoso e ridículo.

A maior independência que alguém pode adquirir não é a independência financeira, dos pais, dos conjugues ou dos filhos. É a independência de nossa consciência escravizada a maior de todas as conquistas pela qual devemos lutar.

Não é da aceitação da crença pela crença ou da ausência da crença pela crença que encontraremos essa liberdade de consciência. Ela será um processo contínuo e duradouro, capaz de construir e reconstruir as próprias verdades quantas vezes for necessária. Capaz de analisar a verdade do outro e reter o que é bom, se realmente houver algo de bom. A nossa capacidade manter a sanidade por uma maior tempo possível será nossa “baliza” nessa prazerosa jornada.

Abaixo as verdades inquestionáveis! Não aos abusos cometidos em nome da fé! Um salve aos que por meio de sua “heresia” tem combatido os efeitos nefastos das padronizações oficiais que todo homem estar destinado a ter.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sábado, 22 de setembro de 2018

Penetrando a armadura dos auto-iludidos




Os humanos parecem ter uma capacidade ilimitada de racionalizar as suas crenças, não importa o quão ridículas elas sejam. Por exemplo, eles podem querer acreditar no relato da criação em Génesis, mesmo que compreendam de ciência o suficiente para reconhecerem que a história de Génesis não pode ser verdade. Assim, eles podem especular que um dia na história não é um dia literal, mas um dia de duração indeterminada, talvez um período de milhares ou milhões de anos.

Outro exemplo vem em Mateus 24, que explica que as estrelas cairão do céu após a tribulação. Aqui está o verso:

"29 Imediatamente após a tribulação daqueles dias, o sol será escurecido, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados"

Não precisas de ter grandes conhecimentos de cosmologia, para saberes que essa história é ridícula. Mas como uma pessoa determinada em acreditar nessa história, a torna digerível para uma mente moderna? Geralmente, eles argumentam com coisas que não correspondem ao que está escrito. Por exemplo, eles podem especular que esta história não está a falar de estrelas caírem na Terra - é sobre meteoros a cairem na Terra, e todos nós sabemos que isso é plausível.

Tu podes discutir por horas com um determinado auto-iludido sobre isso. Tu podes perguntar onde o texto menciona meteoros, ou verificar o grego original. Tu podes até explicar que a frase "poderes dos céus serão abalados" faz sentido se as estrelas caírem na terra, mas não se for apenas uma chuva de meteoros.

Mas será em vão. A mente do auto-iludido é formatada, mas há outra maneira de abordar o assunto. Em vez de tentares mostrar que o auto-iludido está a mudar injustificadamente o significado do texto, tu podes concordar que sua especulação é possivelmente verdadeira. Então ele deve concordar que a tua interpretação literal também é possivelmente verdadeira. Isso leva a uma pergunta: como podemos decidir qual opção está correta?

Naturalmente, nenhuma exegese mostrará que a especulação tem que ser verdadeira, então teremos que concordar que não podemos extrair um significado claro do texto. Acabamos com dois possíveis significados, o que significa que não podemos acreditar em nenhum deles e devemos permanecer com a mente aberta.

Se tu achas que é uma conclusão insatisfatória, não o é inteiramente. O auto-iludido não pode mais ter a certeza de que a Bíblia é perfeita - ele foi forçado a admitir a possibilidade de que ela possa ser falível.

Este é um pequeno passo para o homem, mas um passo gigantesco para os auto-iludidos.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Religião e personificação




Segundo o dicionário “personificação” se refere a “indivíduo que representa, simboliza ou faz lembrar alguma coisa abstrata”.

Em outras palavras, podemos dizer que o processo de personificação, que associa uma pessoa a um conceito abstrato ou a algo que não é humano, é a chave para o entendimento das crenças religiosas.

Uma pessoa tende a ser mais religiosa na medida exata em que vê o mundo por uma ótica personificada. Quando associa aspectos humanos a praticamente qualquer coisa.

Os deuses e espíritos nada mais são do que a atribuição de característica humanas a fenômenos da natureza, objetos, animais e principalmente conceitos abstratos.

Um deus nasce sempre que algo “se faz pessoa”.

Por que as pessoas fazem isso? Por que precisam tornar o rio, a montanha, o mar, o céu, a chuva, os animais, a morte, a alegria, a esperança ou a bondade um ser humano?

Isso é relativamente simples de explicar. Não suportamos a indiferença do mundo e por isso preferimos que coisas e conceitos sejam “gente” como nós.

Quando um conceito “se faz gente”, podemos conversar, negociar, implorar e até pretender dar ordens para ele.

Um mundo povoado por mentes humanas é infinitamente mais aceitável do que um mundo povoado por leis impessoais e por fenômenos indiferentes a nossa sorte.

Não há nenhuma crença religiosa que não possa ser traduzida em termos de personificação de algo abstrato ou não humano. 


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O argumento que os muçulmanos & cristãos concordam (e que ambos estão errados)



Um muçulmano recentemente me disse por que ele acredita que deus existe. Ele usou um argumento muito comum que também é usado pelos cristãos, por isso achei que vale a pena dar uma refutação completa. 

Vamos então a ele...

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É bom ver que já pensaste nisso um pouquinho mas não pensaste muito nisso.
Posso dizer isso com confiança porque o teu argumento usa falácias lógicas comuns e pelo menos uma suposição que é mais provável que esteja errada. Uma vez que elimines esses erros, o teu argumento desaparece.

Argumentaste: " será que esse universo pode nascer do nada sem uma fonte?"

Em primeiro lugar, não sabemos se o Universo veio do nada. Há motivos muito bons para acreditar que o universo começou a expandir-se há cerca de 13.8 mil milhões de anos atrás. Mas não sabemos o que desencadeou a expansão, nem sabemos o que existia antes da expansão (no entanto, não há motivos para acreditar que o nada existiu antes da expansão). Isto é uma suposição injustificada.

Argumentaste: " Eu acredito que a energia que começou tudo, e é tudo, é Deus."

Ok mas isso é só uma crença. Tu não sabes se é verdade, tu nem sequer sabes se Deus existe para começo de tudo. Então esse é o teu segundo problema: tu apenas assumes o que aconteceu e quem foi o responsável, mas não há motivos alguns para acreditar que os seus pressupostos são verdadeiros. Primeiro precisas provar que deus existe antes que faça sentido sequer sugerir isso. Assumindo o que estás tentando provar (que deus existe) é a falácia do raciocínio circular e isso torna o teu argumento inválido.

Essencialmente, o teu argumento é: "não consigo ver de forma alguma que o universo que vemos hoje, poderia ter chegado a existir sem um poder sobrenatural, por isso, um poder sobrenatural deve existir." 

Este é um exemplo do argumento da falácia da ignorância. Só porque tu não consegues ver uma maneira que isso poderia ter acontecido, não significa que um poder sobrenatural existe ou esteve envolvido.

Tu não sabes tudo, e mesmo que ninguém que viva hoje saiba como o universo poderia ter surgido, não quer dizer que ninguém jamais saberá. Tu sabes todas as explicações que a ciência alguma vez irá propor para isso em, digamos, nos próximos 10 000 anos? Não, claro que não, e é por isso que o teu argumento é inválido.

O teu argumento já está morto mas deste ainda mais um erro, por isso vou mencioná-lo  para completar a refutação. Como muçulmano, tu acreditas num deus que primeiro foi introduzido ao mundo por Abraão. Este é apenas um dos milhares de deuses que os homens têm adorado. Este deus poderia ter se revelado a Abraão ou pode apenas ser um dos milhares de deuses fictícios que os homens criaram. Tu podes provar que o deus de Abraão não foi inventado? Acho que não podes, mas sente-te à vontade para tentares.

Então, mesmo que um poder sobrenatural fosse o responsável, tu não sabes qual o poder sobrenatural que foi o responsável. Poderia até ter sido um deus que nunca se revelou à humanidade e poderia ser que todos os deuses humanos fossem inventados pelos humanos. Tu estás apenas assumindo que se um deus estivesse envolvido, foi o deus de Abraão. Tal suposição é apenas uma opinião sem qualquer fundamento.

Com tal combinação de falácias e suposições injustificadas, o teu argumento é completamente inútil. Se é por isso que acreditas que o teu deus existe, sugiro que deixes de acreditar nisso, porque acreditar em coisas por más razões, não é definitivamente inteligente.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Para quem acha que eu não respeito os crentes...




Respeito os crentes, sim. 
Não respeitar os crentes seria estar a fazer algo para impedir de acreditarem no que querem acreditar. Ou seja, se eu lutasse por leis que impedissem a expressão pessoal ou o direito à crença.
Ou se eu lhes infligisse alguma penalização física para os impedir de acreditar ou para retaliar o facto de acreditarem em algo.
Mas não.
Eu respeito o direito de cada qual acreditar no que quiser, por muito idiota que seja aquilo em que acredita.
Não só respeito esse direito como defendo esse direito.
Mas não tenho de respeitar as coisas estúpidas em que as pessoas acreditam.

Há quem acredite que se devem mutilar genitalmente as crianças (circuncidação ou ablação do clitóris). É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que há raças ou etnias que são inferiores e outras que são superiores. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que quem não acredita nas mesmas coisas que ele, deve ser morto. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que durante um período de tempo que considera "sagrado" as outras pessoas têm de alterar os seus hábitos de vida e fazer apenas aquilo que lhes é permitido por aqueles que cumprem esse período de tempo que acreditam ser "sagrado. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que as mulheres são inferiores aos homens e deve obedecer-lhes cegamente. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que existem seres mágicos e invisíveis com os quais é possível falar em pensamento e que se devem convencer as outras pessoas que isso é verdade, apenas de não se poder demonstrar que é verdade. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Eu apenas sei que os crentes acreditam numa mentira e exerço o meu direito de o dizer.
Acreditam em idiotices e estão no seu direito de o fazer.
E eu, que sei que acreditam em idiotices, estou no meu direito de o dizer.


Texto de Rui Batista

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A religião NÃO É inofensiva



E é por isso que se deve fazer algo para acabar com ela.


Este texto foi feito em resposta a crentes que, de uma forma recorrente, me perguntam porque é que os ateus (nem todos) mostram ser activos contra a religião, em vez de terem uma atitude passiva face a algo que "não acreditam sequer que existe".

Se os crentes só acreditassem em fantasias e deixassem que isso fosse algo puramente pessoal, tudo bem. Mas... quem acredita convence outras pessoas a acreditar. Educa os filhos a acreditar. Ensina os filhos a exigir explicações e a duvidar em tudo o que lhes dizem, mas convencem-nos a acreditar sem provas nenhumas numa estória absolutamente ridícula.

E há quem marginalize outras pessoas com base na sua crença.

E há quem considera que quem não acredita no mesmo que eles é má pessoa e que merece ser maltratado ou até morto.

E há quem se recuse a receber tratamentos médicos ou que sejam ministrados tratamentos médicos aos filhos, por razões de crença.

E há tratamentos especiais e privilegiados para certas crenças.

E há quem queira que se travem certos avanços da ciência por causa das coisas em que acredita.

E há quem queira que mitologia seja tratada com a mesma reverência e valor que a ciência.

E há quem ache que esta vida não tem valor, porque haverá uma muito melhor depois, e não faz nada para fazer deste mundo um mundo melhor.

Há até quem mate os filhos porque acha que este mundo é muito mau e que eles estarão melhor no "outro mundo", junto ao amiguinho imaginário deles.

São apenas alguns dos problemas associados ao "simples" facto de se acreditar num deus.

NÃO! A crença não é incólume. A crença não é inofensiva.
Quando a religião dominava o mundo, vivemos aquilo a que se chama hoje "Idade das Trevas".

Enquanto as pessoas continuarem a acreditar em fantasias e a viver como se a fantasia fosse real, em vez de enfrentar a realidade e fazer deste mundo e desta vida (que é a única que temos a certeza que é real), o mundo vai continuar a avançar a passo de caracol.

Acreditar em deus pode dar alento, pode ajudar a enfrentar as agruras da vida. Mas é do mesmo modo que a bebida ajuda a "enfrentar" a realidade.
Um crente diz que se sente feliz por acreditar em deus e que se considera melhor que um ateu por causa disso. Do mesmo modo que um bêbado se sente mais feliz que um sóbrio e que um toxicodependente se sente eufórico quando tem o cérebro anestesiado pela droga.

E este tipo de "demência aceite socialmente" merece (e talvez até exija) que se lute contra ele.

Texto de Rui Batista