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domingo, 21 de maio de 2017

Os ateus devem ser loucos!




Os crentes frequentemente expressam a sua incredulidade confusa de que os ateus devem acreditar que o universo e/ou os organismos auto-replicantes poderiam ter passado a existir por puro acaso. Eles consideram essa crença como uma loucura ou ignorância intencional. Ou ambas.

Bem crentes, tenho boas notícias para vocês. Vocês não precisam de se preocupar com a sanidade dos ateus porque eles NÃO acreditam que o universo e/ou os organismos auto-replicantes vieram a existir por puro acaso aleatório. Os ateus (muitos deles, pelo menos) dizem que não devemos acreditar em nada até que haja boas provas confirmatórias.

A origem do universo e a origem dos organismos auto-replicantes, são questões difíceis de serem estudadas. Elas são difíceis porque ocorreram há muito tempo (nós não estávamos lá!), e porque a passagem do tempo pode ter apagado as melhores evidências. Stephen Hawking até que explicou isso muito bem. Ele disse que poderia ser como o bêbado que procura pelas suas chaves sob um poste de luz: pode não ser ali onde ele as perdeu, mas é o único lugar onde ele tem luz para as encontrar. Só podemos considerar as evidências que temos e, agora, não temos ainda o suficiente para chegar a uma conclusão.

Assim, os ateus NÃO acreditam que o universo e/ou os organismos auto-replicantes surgiram por pura casualidade. Os ateus simplesmente dizem que não entendem como essas coisas aconteceram.

Mas os crentes menos eruditos (que, infelizmente, parecem serem a maioria deles) têm uma resposta imediata. Eles dizem que se tu não acreditas que Deus fez essas coisas, tu DEVES acreditar que aconteceu por acidente.

Não, não e não! Essa é uma falsa dicotomia. Isso é supor que há somente duas opções: ou o deus preferido do crente o fez ou foi uma hipótese aleatória. 
Mas há muitas mais explicações naturais possíveis e muitas explicações sobrenaturais possíveis. Também é possível que existam explicações naturais e sobrenaturais das quais ainda não estamos conscientes. 

Em tais situações, as pessoas racionais mantêm uma mente aberta e continuam procurando por mais evidências. O que nenhuma pessoa racional deve fazer, é acreditar em qualquer afirmação sincera de que o deus daquela família, seja o Fred, Brahma, Allah (ou o que quer que seja) o fez. 

Acreditar nessas reivindicações sem garantias é realmente loucura. 


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Bye bye deus



Os crentes muitas vezes argumentam que algo fora do nosso universo deve ter feito o nosso universo e que esse algo é Deus. Este argumento é flagrantemente perverso por razões que eu menciono com frequência, mas há algo mais a pensar sobre isto.

Os crentes também dizem que Deus sempre existiu. OK, mas ONDE Deus sempre existiu? Para existir e funcionar, ele deve ocupar seu próprio espaço/tempo. Nada pode existir em espaço nenhum e nada pode funcionar em tempo zero.

O que é que então criou o espaço/tempo que Deus ocupa? Não pode ter sido Deus, pois Deus não pode existir sem o espaço/tempo. Mas Deus tem existido sempre como nos é dito, então o espaço/tempo que ele ocupa também deve ter existido sempre.

Portanto, os crentes têm que aceitar que o tempo e o espaço podem serem eternos. O que significa que nós não precisamos de um deus para criar o nosso espaço/tempo!

Bye bye deus


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Os Teofísicos



Nós todos os conhecemos e provavelmente há milhões deles no mundo. Eles acreditam em Deus, mas não são teólogos. Eles acreditam na ciência, mas não são cientistas. 

Eu os chamo de Teofísicos.

Dizem que a Física, em particular a Cosmologia do Big Bang, é a prova de que Deus existe. De alguma forma eles esquecem o facto de que apenas 7% dos 2 000 (estranhos) membros da Academia Nacional de Cientistas (os mais ilustres cientistas dos EUA), acreditam em Deus. †

Eles também esquecem o facto de que os Físicos e Astrónomos são aqueles que têm os níveis mais baixos de crença de todas as disciplinas científicas. Se a Física realmente mostrou que Deus existe, então essas são as pessoas que o deveriam saber. E elas rejeitam firmemente essa ideia.

Por que é que os Teofísicos estão tão errados?

Eles baseiam os seus argumentos na especulação, não em fatos, e assumem que as leis que governam a matéria no mundo quotidiano em que habitamos, também devem ter governado o pré-universo infinitesimal em que ainda não existia nenhuma matéria. Eles dizem isso apesar de saberem que o mundo quântico funciona de maneiras inesperadas, bizarras e contra-intuitivas.

Eles vão insistir que não havia nada, e de repente houve o Big Bang e logo de seguida havia tudo. E como algo não pode vir do nada, eles concluem que Deus deve ter criado tudo.

Mas não havia mesmo nada? Bom, nós não sabemos. Os físicos agora duvidam que exista algo como "nada". Pois parece que há sempre algo, mesmo num vácuo aparentemente vazio. Parece que a natureza do "nada", afinal... é algo.

Há outros paradoxos que devem fazer pensar os nossos ... Teofísicos. Aqui estão mais dois:

 » Em Julho de 2012, os cientistas do CERN no Large Hadron Collider, confirmaram a existência do Boson de Higgs. O campo de Higgs e sua partícula associada, o bóson, são agora conhecidos por darem massa a partículas elementares. Os modelos atuais mostram que o universo quando muito cedo, era extremamente quente, em torno de 10^32 graus Kelvin. A essa temperatura, o campo de Higgs não teria sido capaz de dar massa aos primeiros elétrons e quarks. Assim, parece que a massa do universo nos seus primeiros momentos, era exatamente ZERO.

» O universo atual contém energia negativa e positiva. Medições recentes mostraram que a quantidade energética do universo é ZERO. Lembre-se que a energia e a massa são intercambiáveis, são as duas faces da mesma moeda, então temos zero massa transformando-se num universo de energia zero.

Evidentemente que o universo é muito estranho, talvez mais estranho ainda do que podemos imaginar. Estamos agora no início de o entender, mas há uma coisa que já se pode ter certeza: se tu aplicares o mesmo pensamento que funciona para carros, futebol e churrascos, tu NUNCA o irás entender. Os homens e mulheres que se dedicam afincadamente a este problema, provavelmente irão conseguir entender, jogando fora todos os nossos preconceitos do quotidiano.

E isso nos leva de volta aos nossos Teofísicos. Essas pessoas estão aplicando a lógica de jardim de infância, aos problemas mais intratáveis e difíceis ​​da humanidade. A verdade é que eles não fazem isso para resolver esses problemas, eles fazem-no para encontrar lacunas de modo a fazer uma ligação ao seu deus de estimação. Eles são ignorantes ou desonestos. Ou as duas coisas juntas.



† Edward J. Larson e Larry Witham, Nature 394, 313 (23 de Julho de 1998) ‡ Religião e Ciência nos Estados Unidos, Pew Research Center, novembro de 2009


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Não muito para uma vida....





Não era muito para uma vida.


 Ele não tinha uma mãe quente para abraçar. Nenhum peito para amamentar. Nenhum pai para o guiar. Sem infância. Sem amigos para conversar. Sem brinquedos para brincar. Nada para o entreter. Ninguém para amar. Sem intimidade. Nada para afirmar que ele ainda existia. Nada para ver ou ouvir, tocar ou cheirar. 

Absolutamente nada.

E ele sofreu esse tormento por um tempo longo, absolutamente inimaginável: alguns dizem que "sempre" foi. Isto é obrigado a afetá-lo. Tu não podes sofrer algo assim e continuar a ser normal.

Por alguns dias fugitivos dessa eternidade, ele fez umas coisas para se divertir. Mas eram muito fáceis. Não eram sequer um desafio para ele. Divertiu-o por uns tempos a matar algumas pessoas e lançar uns truques sobre eles, mas ele acabou ficando entediado e desistiu. Ele agora não faz nada (embora alguns acreditam que ele aparece em tostas).

Algumas pessoas andavam apavoradas com ele e passavam todo o tempo adorando-o e fazendo sacrifícios para ele. Outros simplesmente o ignoravam.

Muitos dos que estavam com medo, já não são mais incomodados por ele - alguns até mesmo o acham ridículo e contam piadas sobre ele. Ele foi usado para rebaixar essas pessoas, mas ele hoje já não o consegue. Desistiu. Ele só quer ser deixado em paz, assim como era antes de fazer todas estas coisas. Não deu certo. Provavelmente nunca deveria ter feito isso.

Não era muito para uma vida. Também não muito para uma morte. Só para ser esquecido depois de tudo o que ele tinha feito.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Tempo

O tempo (cronológico) não existe! É um conceito inventado pelos homens para que estes se consigam sincronizar uns com os outros para desempenhar tarefas. 

Obviamente que, em oposição ao conceito de ‘deus’, o conceito de tempo (cronológico) atualmente é UTIL à humanidade! Sem este conceito andaríamos todos às turras para conseguir combinar estar próximos uns dos outros em determinadas circunstâncias. 



Existem eventos que podem parecer que se repetem ou não (como o ‘nascer’ do Sol, embora NUNCA um ‘nascer’ do Sol possa ser efetivamente considerado uma repetição, porque o Sol também se move e assim, ‘nasce’ em locais diferentes todos os dias, se tomarmos em consideração o próprio Universo). 

Portanto, uma máquina do tempo é uma ilusão que o nosso próprio pensamento, a nossa própria imaginação nos leva a crer que seria possível inventar, pois achamos que, entrando nessa máquina, poderíamos “voltar” ao ‘tempo’ dos nossos avós (mas o tempo dos nossos avós não existe). 

Apenas existe o presente, e sendo assim, para todos os efeitos, não existe passado nem futuro. 

 Claro que as nossas memórias nos ajudam a guardar coisas que fizemos antes do “agora”, mas isso não quer dizer que o “antes do agora” continue a existir. Já existiu, ou melhor, já aconteceu, mas deixou de acontecer, ou melhor: MODIFICOU-SE! 

Portanto, podemos é dizer que a matéria que nos constitui modifica-se, e isso leva-nos a conseguir poder ‘medir’ as ocorrências dessa modificação se tomarmos em consideração um ou outro evento que possa ser relativo ao primeiro. 

Albert Einstein chamou a sua “magna” teoria de “Teoria da Relatividade” precisamente porque tudo é relativo. 

O “tempo” que costumamos utilizar para informarmos aos nossos amigos sobre “quantos anos temos”, é relativo às voltas que o nosso planeta dá em torno do Sol. 

Portanto, eu, que tenho 49 anos, posso afirmar que a matéria que constitui o meu corpo, e que está sempre em constante modificação (tal como tudo neste Universo), já deu 49 voltas em torno do Sol. 

Os humanos resolveram designar cada uma dessas voltas com o termo “ano”. 

Mas se alguém vivesse no planeta Marte, que, por exemplo, demora 657,45 dias (dos ‘nossos’ aqui da Terra) a dar uma volta em torno do Sol, então, ao fim de 12 anos daqui da Terra, essa “pessoa” que vivesse no planeta Marte, teria vivido apenas 6,39 “anos marcianos”. 

Vá, queres voltar então ao passado? Qual deles? Ao “passado terrestre” ou ao “passado marciano”? 

Isto a princípio pode parecer tudo muito complexo, mas isso deve-se apenas ao facto de nós humanos termos necessidade de criar conceitos que nos auxiliem a conviver com os outros seres humanos neste planeta, que depois nos esquecemos de que os nossos próprios conceitos acabam por ser pequenas prisões que nos fecham no nosso próprio entendimento para conseguirmos compreender o Universo em que vivemos. 

Provavelmente, poderás querer utilizar o termo “espaço-tempo”, pois a ciência criou e passou a utilizar esse termo para mais facilmente conseguir explicar eventos relacionados com a matéria e medi-los com um mínimo de compreensão humana. 

E porque é que é tão difícil conseguir compreender que o tempo não existe? Bem, observemos o ‘céu’ noturno. 

A luz das estrelas que vemos no ‘céu’ noturno (‘céu’ – outro termo que designa um conceito que não existe, eheh…) dizia eu: a luz das estrelas que vemos no ‘céu’ noturno já não existe tal como o vemos. Se olhares para todas as estrelas no ‘céu’, poderás estar a olhar para aquilo a que poderemos chamar de ‘passado’. 

Mas, se o tempo não existe, porque falamos em “olhar para o passado”? Porque o que existe aproxima-se mais do conceito “espaço-tempo” e não do conceito “tempo”. Ou seja, é impossível separar o conceito “tempo” do conceito de “matéria” (ou “espaço”). Por isso, matéria e “tempo” (ou espaço e “tempo”) são a mesma coisa. 

Então, “tempo” (por si só, não existe). 

Ou melhor, usando a terminologia científica, “O tempo não flui. O tempo simplesmente é.” 

Esse é o mais comum e maior engano de todos, julgar que o tempo seja algo que possua uma existência própria e independente… 
Tempo é relação, e relação não existe como coisa independente, existe apenas enquanto se relaciona… 
Logo o tempo existe apenas como resultado da dinâmica do universo se expandindo, como relação entre os eventos ocorrendo em um espaço dinâmico, não pode existir portanto nem para a frente nem para trás, apenas no instante mesmo em que se dá.