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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O meu tipo de apologista




Eu tenho que ser honesto, eu tenho um problema com os apologistas religiosos.

Os apologistas acreditam em todo um panteão de seres invisíveis benevolentes e malévolos. Eles acreditam que os seres invisíveis e malévolos devotam as suas vidas inteiras ao uso de seus consideráveis ​​poderes mágicos para infligir calamidades a milhares de milhões de seres humanos desafortunados, que são impotentes para fazer o que quer que seja, para além de suplicar aos seres benevolentes que os protejam dos malévolos.

Eles acreditam em tudo isso, e muito mais, sem o mínimo de evidências de que qualquer um desses seres realmente existe.

Isso certamente já seria suficiente mau, mas os apologistas têm o atrevimento de criticar duramente as pessoas que reclamam por evidências sólidas, antes de acreditarem em alegações extraordinárias. Ou seja, são doidos que condenam os sensatos, por estes não serem tão doidos quanto os doidos gostariam que eles fossem.

Os apologistas receberão o meu respeito no dia em que verdadeiramente se tornarem apologistas(*). Este será o dia em que eles realmente dizem "Desculpa". Desculpa, não consigo tirar essas ideias da minha cabeça. Desculpa, eu adoro acreditar nessas coisas, apesar de não haver razão racional e razoável para acreditar nelas. Desculpa, eu não deveria tentar encontrar maneiras desonestas de fazer as minhas crenças parecerem menos ridículas. Desculpa, eu não te deveria atacar por seres sensato. Lamento profundamente.

Este seria o tipo de apologista(*) que eu poderia suportar.


(*) Jogo de palavras na língua inglesa em que cruza as definições de "apologist", como defensor de algo controverso como uma crença religiosa e "apologist", aquele que pede desculpas.

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 15 de setembro de 2018

Aos meus novos amigos



Às vezes, as pessoas enviam-me pedidos de amizade, porque acham que podem aprender algo comigo. Eu dou-lhes as boas vindas e espero que não fiquem desapontadas.

Às vezes, as pessoas enviam-me pedidos de amizade, porque acham que podem ensinar-me alguma coisa. Eu dou-lhes as boas vindas e espero que não fiquem desapontadas.

Mas, se pretendes ensinar-me, espero que também aprendas algo no processo. Espero que aprendas que acreditar em algo não o torna verdadeiro, não importa quão certo tu estejas, que explicar COMO tu sabes, é tão importante quanto explicar o QUE tu sabes e que toda experiência de ensino também é uma experiência de aprendizagem.

As maiores mentes são, frequentemente, as mentes mais abertas. 
Bem vindo!


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Para quem acha que eu não respeito os crentes...




Respeito os crentes, sim. 
Não respeitar os crentes seria estar a fazer algo para impedir de acreditarem no que querem acreditar. Ou seja, se eu lutasse por leis que impedissem a expressão pessoal ou o direito à crença.
Ou se eu lhes infligisse alguma penalização física para os impedir de acreditar ou para retaliar o facto de acreditarem em algo.
Mas não.
Eu respeito o direito de cada qual acreditar no que quiser, por muito idiota que seja aquilo em que acredita.
Não só respeito esse direito como defendo esse direito.
Mas não tenho de respeitar as coisas estúpidas em que as pessoas acreditam.

Há quem acredite que se devem mutilar genitalmente as crianças (circuncidação ou ablação do clitóris). É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que há raças ou etnias que são inferiores e outras que são superiores. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que quem não acredita nas mesmas coisas que ele, deve ser morto. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que durante um período de tempo que considera "sagrado" as outras pessoas têm de alterar os seus hábitos de vida e fazer apenas aquilo que lhes é permitido por aqueles que cumprem esse período de tempo que acreditam ser "sagrado. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que as mulheres são inferiores aos homens e deve obedecer-lhes cegamente. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que existem seres mágicos e invisíveis com os quais é possível falar em pensamento e que se devem convencer as outras pessoas que isso é verdade, apenas de não se poder demonstrar que é verdade. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Eu apenas sei que os crentes acreditam numa mentira e exerço o meu direito de o dizer.
Acreditam em idiotices e estão no seu direito de o fazer.
E eu, que sei que acreditam em idiotices, estou no meu direito de o dizer.


Texto de Rui Batista

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O conflito das visões do mundo



A visão de mundo do crente começa com a premissa de que existe um domínio no qual seres invisíveis agem, seres que podem ser malévolos ou benévolos. Existe um panteão inteiro de tais seres (mesmo em religiões que são nominalmente monoteístas), e eles possuem poderes para fazer coisas que normalmente consideramos impossíveis. Por exemplo, eles podem ouvir os nossos pensamentos ou colocar pensamentos nas nossas mentes, e podem controlar o nosso comportamento, tornando-nos espectadores desamparados dos nossos próprios actos.

Alguns desses seres podem voar ou até estar em toda parte ao mesmo tempo. Alguns deles podem prever o futuro perfeitamente, portanto, eles sabem tudo o que tu farás, milhões de anos antes de tu nasceres, se for preciso. Alguns têm o poder de mover montanhas ou mesmo criar estrelas do nada. Alguns deles podem, magicamente, criar vida a partir do pó, ou fazer com que as coisas existam apenas pensando na sua existência.

Alguns desses seres observam-nos e julgam-nos, 24 horas por dia, seja o que for que estivermos a fazer...

Alguns humanos têm a capacidade de recrutar seres do reino invisível para fazer as suas jogadas. Se um desses humanos for teu inimigo, tu viverás com medo - o que fará ele? Será que ele te vai tirar a vida, ou matar os teus filhos, ou envolver-te num acidente automóvel? Tudo é possível.

Tu és capaz de supor que pensamentos sombrios como esses, seriam encontrados apenas em cérebros de esquizofrênicos paranóicos, mas estarias enganado. Este é um preço que cristãos, muçulmanos e outros, pagam diariamente.

Não há nenhuma evidência de que qualquer uma dessas criaturas realmente existe, mas há outra coisa que torna essa visão do mundo ainda mais preocupante. É comum os afectados acreditarem que ouvem ou lêem mensagens desses seres invisíveis.

Às vezes essas mensagens são inócuas, mas às vezes não são. Às vezes, essas mensagens resultam em danos à pessoa ou a seus filhos. Nos casos mais notórios, a pessoa pode acreditar que deve atacar outras pessoas ou até matá-las.

Essa visão do mundo é perpetuada através de estórias, passadas de pais para filhos. Muitos pais sentem a obrigação de fazer com que os seus filhos acreditem nessas estórias, usando qualquer meio que seja necessário.

Em resumo, a visão do mundo do crente, é acreditar por toda a vida nas estórias que lhe foram contadas quando era criança, independentemente de serem absurdas, imorais e não haver provas que realmente aconteceram.

Como ateu, a minha visão do mundo é muito mais simples. Começa com a premissa de que eu deveria tentar acreditar apenas em coisas que são verdadeiras, portanto, eu sou um cético. Eu exijo provas sólidas e lógica válida, antes de acreditar em alguma coisa importante. Isso significa que muitas vezes tenho que me contentar com a incerteza e estar preparado para mudar de ideia quando novas descobertas são feitas.

Como consequência, não acredito que o panteão dos personagens invisíveis seja real. Eu não ouço vozes na minha cabeça e não perco o sono, perguntando-me se seres voadores malévolos estão a conspirar para arruinar a minha vida.

Eu não tenho que forçar os meus filhos a acreditar em estórias incríveis, em vez disso, eu encorajo-os a aprender o máximo que puderem, a fazer perguntas e a contestar cada afirmação que ouvirem - incluindo qualquer alegação que eu possa fazer.

Há quem diga que todas as visões do mundo são igualmente válidas, mas não são. Algumas estão enraizadas no nosso passado ignorante e supersticioso, e são francamente ridículas. E algumas não são.


PS.: Nem todos os crentes acreditam em todos os aspectos da visão do mundo que descrevi aqui, mas alguns acreditam.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 7 de julho de 2018

Três, não impossíveis, ideias.





1) O universo poderia ser parte do cérebro de uma entidade superinteligente, com as galáxias atuando como os seus "neurónios". 

2) Os átomos podem ser micro-universos conscientes que inteligentemente controlam seu momento angular, as órbitas dos eletrões podiam ser os seus níveis de energia e as suas relações com outros átomos. 

3) Um ser inteligente, infinitamente poderoso, feito de absolutamente nada, que esteja simultaneamente presente em todos os lugares do universo, poderia existir, poderia sempre ter existido e jamais existiria. (E tem uma compulsão compulsiva por prepúcios e masturbação.) 

Estas ideias não são impossíveis, mas não significa que sejam verdadeiras. O meu conselho é: não acredite em nenhuma delas até que possamos ter certeza de que são verdadeiras.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A minha visão do mundo, ou a tua?



Alguns teístas lidam com a necessidade de mostrar que o seu deus existe, jogando a carta da cosmovisão. Essa é a ideia de que teístas e ateus têm maneiras diferentes de ver o mundo. Ninguém está certo e ninguém está errado, somos apenas diferentes. Mas como vemos o mundo de maneira diferente?

A minha visão do mundo é simples, tento acreditar apenas em coisas que são verdadeiras, exigindo evidências sólidas e uma lógica válida para cada afirmação. As minhas crenças seguem as evidências e posso mudar a minha mente com muita facilidade quando boas evidências são apresentadas. A verdade é que, para mim, mudar de ideia é razão para uma pequena comemoração, porque significa que aprendi alguma coisa.

Tipicamente, a visão do mundo dos teístas é muito diferente. Essa visão do mundo é focada em defender e preservar quaisquer estórias que tenham sido contadas ao teísta quando criança, independentemente de serem absurdas e de não terem evidências. É uma visão do mundo que requer fé e a necessidade de contorcionismo intelectual para evitar conclusões desconfortáveis. Os teístas podem mudar de ideia, mas o processo é frequentemente carregado de angústia, culpa e medo. Por quê? 
Porque essa cosmovisão é impulsionada por emoções profundas e não pela razão.

Eu resumiria essas diferenças assim: a minha visão do mundo exige uma honestidade intelectual implacável; a visão do mundo teísta exige engano intelectual, igualmente implacável.

Qual visão do mundo preferes?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Desmontando o argumento do livre arbítrio



As pessoas dizem-me que deus não pode se revelar para mim, pois isso tiraria o meu livre arbítrio de acreditar ou não nele, pois se ele se revelasse, eu seria forçado a acreditar.

Claro que isso não é verdade. Há evidências absolutamente claras de que a Terra é esférica, mas ainda assim, alguns milhares de pessoas escolhem acreditar que ela é plana. Há também evidências claras de que a Terra orbita o Sol, mas ainda assim, algumas pessoas escolhem acreditar que o Sol orbita a Terra. As pessoas são sempre livres para rejeitar provas ou para as interpretar de forma diferente dos outros.

Mas deus esconde-se duma forma tão efetiva que nenhum ser humano pode demonstrar que ele existe, pois deus não deixou, nem deixa, qualquer evidência que existe. De fato, sendo eu uma pessoa racional e deus escondendo-se completamente, ele realmente tira o meu livre arbítrio de acreditar nele.

Deus tornando-se indistinguível de outros milhares de deuses fictícios, ele rouba a minha liberdade de acreditar que ele existe.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Os ateus acreditam em "nada"?



Por que razão os crentes costumam pensar que os ateus acreditam em nada e que nada defendem? Eles não poderiam estar mais errados. Eu defendo apenas as coisas que são verdadeiras.

Defendo direitos iguais, igualdade de oportunidades e não discriminação em razão de raça, género, orientação sexual, crenças religiosas, idade, deficiência e muito mais.

Eu acredito em tratar os meus companheiros humanos com respeito e preservando a sua dignidade. Eu gosto de ajudar as pessoas onde eu razoavelmente posso, e não gosto de prejudicar pessoas. Até me esforço para evitar de incomodar as pessoas, para que ninguém me encontre ouvindo música alta de modo a que perturbe os meus vizinhos, ou me metendo na frente das filas ou estacionando num local reservado a pessoas com deficiência. Mas também me poderás ver parando o meu carro para deixar outros carros passarem quando o trânsito for compacto.

Eu acredito que é importante ser tolerante com as diferenças de estilos de vida, códigos de vestimenta e assim por diante, desde que ninguém esteja sendo prejudicado.

Acredito que devemos cuidar do planeta e transmiti-lo aos nossos filhos na melhor condição possível e sustentável.

Em vez de dominar os animais como a bíblia ensina, acredito que temos o dever de cuidar dos animais.

Eu defendo a investigação racional e uma abordagem baseada em evidências para a medicina, educação e formulação de políticas governamentais - na verdade, para tudo. E eu poderia continuar...

Em vez de nada defender, eu posso representar mais do que a maioria das pessoas religiosas. Todos os ateus são diferentes, mas acho que muitos deles compartilham meus valores.

E eu gostaria que mais pessoas religiosas o também assim fossem


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Se você perguntar, pode desmontar!



Poderosa o suficiente para criar universos inteiros, sensíveis o bastante para se dissolverem diante de simples perguntas. A controversa personalidade das divindades cristãs.

Filho: Mamãe porque as pessoas estão de joelhos chorando e falando com a imagem de um homem pendurado numa cruz?
Mãe: Aquele é o filho de Deus, o todo poderoso, o próprio deus em pessoa que desceu dos céus para perdoar nossos pecados e nos livrar da condenação!
Filho: Se ele é todo poderoso por que estar preso e todo machucado em uma cruz? E quem vai nos condenar de que?
Mãe: Por que pessoas malvadas fizeram isso com ele meu filho! Ele quem se deixou capturar e ser torturado por que tinha de morrer por nossos pecados, mas ele reviveu ao terceiro dia! Quem vai nos condenar...bom, isso não sei ao certo, acho que é deus, o pai dele se pecarmos!
Filho: O que é pecado? Como ele pode nos condenar se ele mesmo queria que fôssemos salvos da condenação? Ele também não podia vencer esse tal de pecado com seus poderes já que ele pode tudo? Se ele reviveu dos mortos por que ainda estar ali pregado naquela cruz?
Mãe: Menino, fique calado! Estamos numa igreja! Essas coisas não se perguntam, apenas se acredita! Todos fazemos isso, veja quanta gente fazendo a mesma coisa! Ninguém pergunta nada, apenas faz o que todo mundo faz, entende? Deus pode nos castigar se perguntarmos muito sobre o que não entendemos a cerca dele, por isso temos de acreditar e não perguntar! O que o pregador ou esse livro de capa preta diz não questionamos, apenas obedecemos! Tem sido assim há séculos!
Filho: Não mamãe! Não estou entendo! Qual o propósito disso tudo? Por que somos proibidos de perguntar? Por que ele nos castiga se perguntarmos sobre ele já que ele nos ama? Ele não deveria estar feliz por eu estar interessado em conhece-lo melhor? O que eu fiz para ser castigado por ele? O papai ou professor da escola não me castiga quando pergunto coisas que ainda não entendo... É errado perguntar sobre deus?
Mãe: Cale essa boca menino! Você estar me envergonhando! As pessoas já estão começando a olhar pra mim, fique calado! Um dia você vai entender os profundos mistérios da fé...

Será que vai mesmo...? 
Se é uma coisa que ninguém nunca entendeu de verdade, é como funciona as divindades, seus atributos, seu estado de humor e sua base julgamento para decidir quem deve ser abençoado ou quem deve ser punido se levarmos em conta os vários exemplos descritos no próprio livro qual os seguidores afirmam ser a fonte da maior verdade de todos os tempos.

Todos fingem entender de verdade, mas estão apenas mentindo a si mesmos, pois o medo de ser antiquado, ou sofrer represálias pelos mais diversos segmentos sociais faz com que muita gente finja entender tudo que se é dito sobre as divindades e seus controversos gostos e atributos. Quanto mais confuso for um fiel religioso, de igual modo será o retrato desse deus que ele representa.

Aposto que a maioria dos que leram o diálogo acima entre mãe e filho já passou pela mesma situação desse garotinho quando foi a igreja a primeira vez ou quando foi sugerido que rezasse para uma estatueta representando um santo, ou quando fora ensinado a orar ao deus invisível.

Um tapa na boca, um beliscão, um puxão de orelha ou uma repreensão dura na frente de outras pessoas foram os “aplicativos” usados para iniciar um processo de programação mental que duraria por toda uma vida.

Para uma pequeníssima parte dos que hoje conseguiram se livrar desse nível de consciência autodestrutiva e autodepreciativa, se não fosse alguns “acidentes de percurso” que fizeram com que os tais pudessem tomar coragem e expor tudo que pensam ou sentem sobre as incoerências dos vários sistemas de crenças da fé cristã e seu derivados, os mesmo ainda estariam lá.

Se existe males que vem para bem, sofrer decepções nesses agrupamentos é o maior deles. É uma excelente oportunidade para alguém se corrigir e tomar o rumo da própria vida mais uma vez! Tomar vergonha na cara é o principal passo para se reerguer após constatar por conta própria a “utilidade” desses sistemas de crenças, a “eficácia” dos deuses representados, e a “honestidade” de várias das lideranças que representam esses seres perfeitos.

Os que tiveram a sorte de “zerar” o sistema operacional e fazer uma nova programação, sabe que a promessa de “um dia você entenderá” nunca funcionou realmente, mas devido ao medo de repressão pública constante para os que não “entendiam os assuntos sagrados”, ou em troca de uma convivência pacifica resolveram estar calados ou fazer de conta que estavam entendendo os mistérios da fé anunciadas nos círculos onde o deus judaico cristão é cultuado.

Se não fosse por ameaças, o próprio deus hoje cultuado pelos cristãos não teria tantos seguidores como atualmente conseguira. As dez pragas emanadas por ele sobre o Egito foi apenas o começo para que ele viesse estabelecer um ritual de culto e servidão baseado no medo e grave ameaça a todos quantos esse modelo de fé se espalhar. A construção do deus filho é apenas um paliativo para suavizar a má imagem do deus pai.

Já se perguntaram sobre o que seria da fé cristã e de outras linhas de crença que dizem seguir o deus de Abraão, se fosse permitido que seus membros fizessem perguntas simples sobre os princípios da própria fé e sobre os principais personagens do presente e do passado, bem como a origem do próprio ser cultuado que diz estar acima de tudo?

Certamente esse modelo de rito litúrgico e essas variedades de ramificações da mesma crença teriam morrido antes mesmo de nascer. Seria como um aborto, que não dava para prever ao certo seu futuro, apenas fazer uma probabilidade baseado na história pessoal de seus genitores, e do ambiente em que esses vivem. Fora isso, só especulação.

Muitas “seitas” religiosas e de linhas cristãs sofreram “aborto” espontâneo ou intencional logo que foram criadas por lideranças políticas e religiosas, que visaram nas linhas de crenças que ainda hoje se propagam uma facilidade maior de controle das massas. Bem mais fácil seria para lideranças políticas manipular uma população que apenas acredita no que se diz como se é visto até os dias de hoje, do que dominar linhas de pensamentos com tendências filosóficas, a exemplo dos agnósticos do primeiro século da era cristã. Por esse e outros motivos essa linha que hora seguimos ganhou mais espaço. Alguns preferem acreditar que foram os planos de deus que fez com que tal linha prevalecesse(risos).

Se não fosse pela imposição forçada dos líderes políticos e religiosos e a proibição de questionamentos dentro dos círculos de servidão dessa fé, haveria acontecido um desmantelamento das principais estruturas que regem esse modelo de crença. O mesmo provavelmente aconteceria com praticamente todos esses ramos de crenças que dizem seguir o antigo deus da mesopotâmia adotado por cristãos, judeus e mulçumanos. Medo, terror e ameaças de excomunhão social são as ferramentas usadas para manter vivas esse tipo de crença, doutrinada desde os berço por essas três religiões que dizem seguir a esse deus.

Diferente de outras linhas de pensamentos e filosofias já criadas pela humanidade, a fé crista pode entrar em colapso se for permitido o questionamento livre sem repressões sociais atuais e promessas de castigo vindouro.

Métodos filosóficos comuns, desde os mais antigos tempos permitem que seus “usuários” se questionem, questionem os outros ao seu redor, questionem o mundo inteiro se preciso for, e se necessário pode ser descontruído toda uma linha de raciocínio para se adequar a outra caso perceba-se a inconveniência dos fatos.

A filosofia procura sempre compreender o homem e sua relação com outras pessoas e com o mundo. O pensamento religioso cria seres fictícios, valoriza os que procuram se relacionar com tais seres e seus representantes, e despreza ou persegue qualquer um que não se enquadre em tal perfil ou que venha a resistir suas imposições.

A filosofia não teme a questionamentos, pois considera que o questionar é a ferramenta principal para elevar a essência do indivíduo, e esse por sua vez poderá influenciar toda uma sociedade do presente ou do futuro.

O pensamento religioso enaltecer o crer obedecer cegamente ainda que sejam comandos auto destrutivos e condena a liberdade de expressão e o pensamento livre dos envolvidos nesse sistema de crença. Questionar é vergonhoso, querer saber detalhes é um pecado grave! Tais ações podem condena suas relações sociais do presente e compromete seu futuro!

Na bíblia, há dezenas de exemplos de pessoas que foram mortas ou amaldiçoadas simplesmente por questionarem uma ordenança ou liderança divina. Esse método de repressão é usado até hoje vários líderes religiosos para intimidar, extorquir e manipular os que ainda vivem nesse baixo nível de consciência.

Por outro lado, métodos científicos podem ser constatado por qualquer pessoa que seja capaz o suficiente para experimentá-los. Cada vez que novos aparatos científicos são inventados para examinarmos o macro ou o micro cosmos, cientistas se despem de seus antigos conceitos para recomeçar do zero e se necessário for, criar um novo caminho, um novo método de pesquisa, um novo ponto de abordagem e não veem problema nenhum em assumirem que estavam errados em seus conceitos, antes sim, sentem-se jubilosos pelas novas conquistas. Para a ciência, admitir que estava errado é uma conquista. Para a religião é uma vergonha.

A humanidade tem uma dívida enorme com tais indivíduos que trocam os apelos de uma vida comum por uma vida pacata e solitária em constantes pesquisas que contribuem constantemente para a evolução de nossa espécie.

A antropologia, a sociologia, a química, a física, a engenharia...todos são capazes de admitirem erros e reverem seus conceitos, mudarem o rumo de suas pesquisas ou pelo menos os métodos aplicáveis para consultas. Já os métodos aplicados pelos religiosos continuam os mesmos: obediência cega aos líderes religiosos, proibição de questionamentos sobre dúvidas relacionadas a própria crença, e maximização do medo ou da ganancia dos fiéis para obter mais lucros ou fidelidade de público.

A fé cristã não é uma ciência exata, mas se comporta como se fosse. O objeto de culto, apesar de invisível e imensurável, pode adquirir o formato e as proporções que cada líder político ou religioso desejar ou que cada fiel movido pelo medo, ganancia ou ignorância vier a conceber.

Quem questiona as divindades de um povo ou o meio pelas quais elas agem, pode estar fazendo ruir toda uma base sobre a qual determinada sociedade fora montada. Os deuses, caso tivessem os atributos quais a igreja afirmam ter, jamais se irritariam com nenhum tipo de pergunta ou suspeita que os fiéis pudessem ter ou fazer ao seu respeito, antes sim, laços de afeições verdadeiras poderiam surgir entre o que pergunta e o que responde.

Quem fica irritado com os questionamentos acerca das divindades, são acima de tudo aqueles que dependem exatamente de tal crença para continuarem sendo o que são, ganhando o que ganham, ou fazendo o que fazem! Deuses verdadeiramente poderosos e seguros de si, jamais se irritariam com perguntas feitas por meros mortais ao seu respeito. Só seres idiotas, estúpidos e desconfiados dos próprios poderes poderia punir seres indefesos e confusos tentando buscar a verdade. A estupidez e a ganancia de um líder reflete exatamente o retrato do deus que ele representa.

Se a religião não fosse um meio pelo quais autoridades políticas e religiosas obtém lucro e influência sobre o povo, qualquer divindade seria desprezada e esquecida! Tão verdade isso é, que na maioria dos casos boa parte dos líderes políticos e religiosos vivem exatamente o oposto daquilo que dizem ser sagrado, daquilo que dizem agradar aos deuses. Boa parte deles não vivem uma vírgula do que pregam ou dizem acreditar, mas obrigam o povo a seguir, por que sabem que a fé serve também como anestésico natural para retardar possíveis reações populares coletivas e individuais. Quanto mais fé em deus e mais devoto um indivíduo for, menos incomodo essa pessoa será para os que tem planos avessos as suas falas.

Deus, e seus derivados podem ser usados para os fins mais variados possíveis, principalmente para manter uma população em estado constante de letargia e servidão. É ferramenta de controle mais eficiente já inventada por aqueles que controlam e produzem as guerras, que geram problemas para depois venderem a solução. A vinda de jesus por exemplo, é a propaganda mais lucrativa e duradoura que se tem feito no ocidente nos últimos 2 mil anos. Nenhuma campanha publicitária tem faturado tanto nem permanecido no ar por tanto tempo assim, mesmo sem obter os resultados oferecidos. A propaganda da volta de jesus por outro lado pode tornar rico qualquer indivíduo que resolva abrir uma franquia desse tipo de negócios, mesmo sendo um iletrado, ou de procedência moral duvidosa.

Para uma sociedade que diz ser a bíblia e o deus representado nela ser a mais pura verdade do universo, o maior crime que um indivíduo pode cometer é procurar saber mais e mais sobre esse mesmo deus.

Livros de histórias e outros métodos científicos não são apoiados pelos que comercializam a fé como aparato de pesquisa para conhecer sobre a origem da própria crença. Se quiseres conhecer mais sobre deus, dobre seu joelho e fale sozinho a vida inteira e depois faça cara de contente para mostrar aos outros que foi atendido. Leia somente versículos isolados da bíblia sugerida pelo seu grupo e diga entender tudo para ser aceito publicamente pelo grupo qual decidiu fazer parte, e jamais pergunte nada sobre o que você tem dúvida a quem quer que seja, principalmente a professores de filosofia, sociologia, antropologia e biologia. A santa igreja agradece! Você pode fazer o castelo de sonhos de muita gente ruir se tiveres intuito de mostrar as coisas como realmente elas são.

Toda vez que você quiser saber sobre deus usando métodos convencionais, você vai receber um tapa na boca, um beliscão, ou um puxão de orelha. Pode vir de qualquer direção, você nunca sabe. Esteja preparado para isso.

A sociedade cristã pode até te perdoar por ser um genocida, estuprador ou um eterno parasita social, mas provavelmente nunca irão te perdoar se levares a fundo ideia de querer saber a origem de sua própria crença e dos deuses quais você cultua. É o mesmo que assinar sua sentença de morte ou exclusão social. Na maioria dos casos vale a pena, desde que o sujeito tenha coragem de rastejar se preciso for, a depender de muletas.

Ninguém pode abraçar o novo segurando o velho! Há crianças crescidas esperando um presente do bom velhinho por ter sido uma boa pessoa. Há outras porém que não precisam do reconhecimento coletivo para se sentirem seguras e amadas. Você decide se cresce ou se estagna onde estar. Certos tipos de presente, só você pode dar a você mesmo! A libertação de sua consciência é uma delas.

Saúde e sanidade a todos.



Texto escrito em 21/1/2018,
Por Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sendo tocado por deus...




Alguns dos crentes mais convencidos são aqueles que estão completamente seguros de que deus se revelou para eles. Tais pessoas geralmente dizem que falam com deus todos os dias e, às vezes, dizem que deus transformou as suas vidas. Eu suspeito que essas pessoas amam deus tão profundamente quanto outras pessoas amam os seus pais, irmãos, cônjuges e os melhores amigos.

Mas há uma pergunta que essas pessoas certamente não devem ter perguntado a si mesmas: se essas pessoas realmente foram tocadas pelo criador do universo, por que algumas delas mudam de ideia e abandonam as suas crenças em deus? Como isso poderia ser possível para alguém que realmente falou com deus?

Se se falar com alguns ateus, não demorará muito para encontrar alguém que admita que ele estava totalmente certo de que se comunicou com deus. Tais pessoas perdem a crença em deus. Mas como?

Na verdade, é bastante fácil responder. As pessoas perdem a crença em deus quando concluem que não falaram com deus, mas consigo mesmas. Elas percebem que ficaram enganadas pela sua imaginação.

A imaginação é uma coisa poderosa e é uma das coisas que torna os seres humanos tão inteligentes. A imaginação pode conceber deuses extraordinários, e pode até fazê-los chegar à "vida" de forma incrivelmente convincente.

Ninguém que realmente escalou o Monte Everest negaria que a montanha exista, e ninguém que realmente foi tocado por deus negaria que deus existisse. 
Mas eles negam. Porque eles não foram tocados por deus, nem tu.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 19 de novembro de 2017

A todos os crentes religiosos




Dirijo-me a todos os crentes religiosos.

E, primeiro, acho que é importante deixar bem claro o que quero dizer com "crente religioso".
Refiro-me a todas as pessoas que acreditam na existência de uma entidade superior que, apesar de ser invisível e indetectável, consideram ser a responsável por tudo o que existe, que supervisiona tudo o que existe e que tem poder ilimitado; aquilo a que designam por omnipotência, omnisciência e omnipresença.

Portanto, se acreditas na existência de tal "arquitecto universal", é a ti que este texto se destina. Ainda estou, no entanto, indeciso acerca de se devo usar a designação de "crentes" ou "crédulos". Até que se justifique, usarei a palavra "crentes", por uma questão de facilidade.
Também, sempre que me referir à divindade em que acreditam, assumirei neste texto que se trata do deus abraâmico Jeová e irei designá-lo apenas por "deus", pois a utilização do "D" (maiúsculo) é uma reverência artificial por parte dos crentes, para tentar dar um valor especial a uma divindade que é apenas uma de entre cerca de 2870 outras divindades e que teve a sorte de ter uma maior "campanha publicitária", levada a cabo - e imposta - por regimes poderosos e totalitários.

A palavra-chave, à volta da qual se vai desenvolver este texto já foi apresentada no parágrafo anterior: ACREDITAR

Vocês apenas e simplesmente ACREDITAM que deus existe.
Não conseguem provar que existe.
Não conseguem demonstrar que tem uma existência factual, para além da vossa imaginação e credulidade.
Conseguem, no entanto, inventar desculpas para não se conseguir provar que deus existe.
E fazem-no com um desespero ridículo.
Inventam argumentos (todos refutados) e apresentam interpretações vossas, influenciadas pelas superstições em que acreditam, como se fossem provas para tentar justificar o injustificável: a existência de uma divindade que foi inventada por povos ignorantes e supersticiosos que viviam no deserto, na Idade do Ferro e do Bronze, e que nem sabiam para onde o Sol ia quando se punha a Oeste, no fim do dia.

Sentem-se apoiados por uma comunidade de confrades crentes, achando que "se tantos acreditam no mesmo, tem de ser verdade". Só que:

Acreditar não é método válido para avaliar ou definirá a verdade.
Nenhum dos milhões de crentes consegue provar que deus existe e limita-se a acreditar.
Se 10 pessoas acreditam numa coisa estúpida, essa coisa continua a ser estúpida, mesmo que acreditada por 10 milhões. Não se altera a estupidez da crença. Apenas aumenta o número de idiotas que acreditam numa coisa estúpida.

Acreditar em algo e achar que basta a crença para que esse algo seja verdade, é ser-se voluntariamente ingénuo e ignorante. Mesmo que se seja céptico e inteligente para tudo o resto.
Existem crentes que são pessoas dotadas de uma grande inteligência.
Todavia, no que respeita à sua crença, abdicam voluntariamente dos critérios racionais com que pautam todos os outros aspectos da sua vida.
Suspendem a lógica para poder aceitar, sem questionar, aquilo que é inverosímil e implausível, apenas para poderem sustentar a sua crença.
Por isso é que se assiste a demonstrações ridículas de tentativas de racionalização da crença, por parte dos crentes inteligentes.
Porque são pessoas que usam a tua inteligência para tentar arranjar argumentos e justificações para sustentar aquilo em que acreditam por motivos nada inteligentes.
Os crentes mais inteligentes, nem tentam racionalizar a sua crença, porque sabem que, se o fizerem, entram em conflito directo com a lógica e serão obrigados a admitir que a crença é totalmente irracional. Portanto, para não abdicarem da crença, tratam-na como uma excepção, onde as leis da lógica e os processos racionais não podem - nem devem - intervir.

Infelizmente, a esmagadora maioria do mundo é, hoje em dia, constituída por crentes.
Porquê?
Porque é fácil e eficiente criar crentes.
Basta que um crente (usualmente um casal de crentes, ou toda uma família de crentes) comece a formatar um jovem crente quando ainda está na idade em que não sabe ainda distinguir a fantasia da realidade e não desenvolveu os mecanismos de análise crítica e racional da informação que lhe é fornecida.
Então, ensopam a criança com fantasias, crenças, dogmas, regras e ameaças, de modo a que isso faça parte da sua formação de base, criando os alicerces para um adulto que também não sabe distinguir a fantasia da realidade.
E assim, a crença em divindades propaga-se e mantém-se, como se de uma epidemia incontrolável se tratasse.
Porque, se os conceitos associados à crença de divindades fossem apenas apresentados aos indivíduos numa idade em que já conseguem pensar de uma forma racional e sabem fazer distinções entre valores reais e abstractos, poucos seriam os que levariam a sério a ideia de um deus com as características do deus abraâmico.
Ou seja, se as crianças não fossem doutrinadas na infância e os pais fossem honestos e justos, deixando os filhos escolherem por si próprios se queriam acreditar ou não, quando já tivessem capacidade para entender o que significa a crença dos pais... a crença em divindades desapareceria - ou diminuiria substancialmente - em poucas gerações.

Caros crentes...

Querem acreditar em fantasias que lhes foram ensinadas, nas quais gostam de acreditar e nas quais lhes foi ensinado a ter medo de deixar de acreditar?
Óptimo! Continuem.
Mas façam-no na intimidade do vosso lar e não tentem convencer outros das vossas fantasias.
Fantasias que NÃO CONSEGUEM PROVAR que são mais do que meras fantasias.
E, acima de tudo, NÃO AFIRMEM que as vossas fantasias são a realidade, PORQUE NÃO CONSEGUEM PROVAR QUE SÃO A REALIDADE.

E parem de arranjar desculpas para não conseguirem provar que deus existe.
Fazem uma figura ridiculamente patética quando apresentam essas desculpas.
Não conseguem provar que deus existe, porque NÃO SE PODE PROVAR A EXISTÊNCIA DE ALGO QUE NÃO EXISTE.

E fazem uma figura mais ridícula ainda quando pedem para PROVAR QUE DEUS NÃO EXISTE.
Se tivermos de considerar a possibilidade da existência de deus só porque não há provas que não existe, então temos de considerar a possibilidade da existência de TODOS OS 2870 deuses registados ao longo de toda a história da humanidade.
E também de entidades que correspondam à definição de centauros, fadas, orcs, dragões, etc... porque NÃO SE PODE PROVAR que algures no universo não haverá algo que lhes corresponda.

Claro que não se pode provar que deus não existe porque é impossível provar uma inexistência universal de algo que não seja puramente conceptual.
Por exemplo, não posso provar que não existem unicórnios. Algures no universo pode existir algo que corresponde ao que definimos como unicórnio.
No entanto, posso provar que não existem unicórnios no meu quarto. Ou posso provar que no topo da árvore que tenho aqui fora na rua, não há unicórnios.
Só é possível provar não-existências locais e em condições específicas e bem definidas.
Mas é totalmente impossível provar uma inexistência universal.
Para tal, eu teria de ter TODO o conhecimento de TUDO o que existe no universo para provar uma inexistência por "reductio ad absurdum".

Mas o facto de não poder provar que não existem unicórnios, não me leva a assumir que possam existir e a agir como eles possam existir.
Se não há provas da existência deles, assumo que não existem.
E é por isso que, quando saio de férias, levo uma máquina fotográfica mas nunca me passa pela cabeça que uma das possibilidades fotográficas que vou ter será a de poder fotografar um unicórnio. Simplesmente não contemplo essa hipótese porque, devido à total ausência de provas, assumo a não existência.
Até que me provem o contrário, claro.

O mesmo se passa com deus. Não existem provas nenhumas. Nada que se possa testar, que se possa confirmar, nada que se possa experimentar e cujo resultado seja coerente seja qual for o número de testes.
Portanto, assumo a não-existência de deus, até que me provem o contrário.

E porque digo "até que me provem o contrário"?
Porque, como expliquei acima, é impossível provar a não-existência de algo. Mesmo que esse algo não exista mesmo.
Mas quando algo existe, pode-se provar que existe.

Mas as características que apontam a deus, para justificar a impossibilidade de lhe provar a existência: é invisível, inaudível, intocável, inodoro, intestável, indetectável... correspondem à definição de algo QUE NÃO EXISTE.


Por Rui Batista

sábado, 4 de novembro de 2017

Como é que os ateus pensam?



Recentemente, um amigo crente africano, perplexo por os ateus puderem sequer existir, perguntou-me como é que os ateus pensam. E esta foi a minha resposta:

Eu não posso falar por todos os ateus, mas posso dizer-lhe como eu penso tal como muitos outros ateus que conheço. Começamos por ser céticos. Não acreditamos automaticamente nas reivindicações e afirmações que as pessoas fazem. Procuramos evidências que apoiem ​​essa reivindicação ou afirmação (ou provas que é falsa).

Quando encontramos evidências, adoptamos métodos parecidos com os da ciência para garantir que essa evidência seja válida e aponte para que a afirmação seja verdadeira e que outras possibilidades não sejam verdadeiras. É surpreendente a frequência com que os crentes oferecem evidências que seriam consistentes com várias possibilidades diferentes. Por exemplo, a evidência de que a vida existe seja consistente com a existência de um deus (qualquer deus), de muitos deuses, extra-terrestres inteligentes, panspermia, abiogénesis e provavelmente muitas outras possibilidades. A evidência que aponta para múltiplas possibilidades não é uma evidência.

O truque é encontrar evidências consistentes com a reivindicação em causa, mas NÃO consistentes com possibilidades alternativas.

Aqui é onde a evidência se encontra com a lógica. As regras da lógica estão bem estabelecidas e podem ser usadas para avaliar a evidência disponível. A lógica é complementada com uma longa lista de falácias lógicas que devem ser evitadas, portanto, verificamos se os argumentos utilizados não incluem falácias lógicas.

Muitos ateus adoptam uma abordagem secundária que é exigir mais e melhores evidências para reivindicações extraordinárias do que para reivindicações banais.

Finalmente, resistimos à tentação da certeza. Seja o que for que achamos que sabemos através de evidências, percebemos que com novas evidências pode ser desenhada uma imagem diferente. Portanto, proporcionamos a força da nossa crença à qualidade da evidência disponível e permanecemos abertos para rever as nossas crenças.

Pensamos que usar uma abordagem rigorosa como esta é racional e é a melhor defesa contra acreditar em coisas que não são verdadeiras. 
Você deveria tentar."


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 22 de outubro de 2017

Eu acredito porque....







Disseste-me que acreditas em deus porque alguém deve ter feito o Universo.

Disseste-me que acreditas em deus porque o universo funciona tão perfeitamente como se fosse um relógio. E o relógio não aparece apenas, ele precisa de um designer.

Disseste-me que acreditas em deus porque as rochas e os produtos químicos não podem tornar-se vivos de repente, eles precisam do sopro da vida, e só deus poderia providenciar isso.

Disseste-me que acreditas em deus porque nosso ADN é um código super-complexo e apenas um designer inteligente poderia criar um código complexo assim.

Mas tu mentiste. Tu não acreditas em deus por nenhum desses motivos, pois não?

Tu acreditas em deus porque alguém te disse que deus é real e tu acreditaste nele. Essa é que é a simples verdade, não é? Então tu sentiste que precisavas duma justificação para a tua crença, e tu escolheste uma.

Claro, isso não é inteligente e nem é honesto, mas é o que fazem milhões e milhões de pessoas. Então tu não precisas de te sentir mal por isso. As pessoas acreditam no deus (e na religião) que lhe foram ditas como sendo a verdade, por alguém que acreditava nelas exatamente pelo mesmo motivo.

Tu não precisas de te sentir mal, mas também não precisas continuar acreditando.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 1 de outubro de 2017

Como lidar com o sobrenatural



No momento em que aceitas que o sobrenatural existe, tu estás perdido. Esse é o momento em que tu renuncias à razão. Esse é o momento, quando aceitas que algumas coisas estão além do alcance da razão, em que tu te resignas a nunca as entender.

Pior ainda, tu não tens como saber QUAIS os eventos que podem ser atribuídos ao sobrenatural. Potencialmente, qualquer coisa que tu não entendes pode ser sobrenatural. Uma vez que tu aceites o sobrenatural, és susceptível a acreditar em qualquer história que ouças, tu abandonaste a tua capacidade de distinguir o que é viável do ridículo. Tu alcançaste um lugar onde NADA é absurdo demais para acreditar.

Com o sobrenatural, tu podes criar um mundo na tua mente em que nada é previsível, qualquer coisa pode acontecer, nada pode ser confiável, os limites do possível estão apagados. Neste mundo, habitado por poderes e seres poderosos e ameaçadores, tu és impotente, a tua única esperança é encontrar uma magia ainda mais poderosa para combater as ameaças que enfrentas. Tu criaste um mundo louco.

Felizmente, é fácil fazer com que esses horrores desapareçam. Só precisas de decidir que ao sobrenatural não é real e deixares de acreditar nele. Lembra-te, nunca foi comprovado nenhum evento sobrenatural. Existem truques, enganos e ilusões, mas sob condições controladas, eles são sempre expostos como truques.

Tu também deves perceber que existem alguns milhares de milhões de pessoas no mundo que NUNCA são afetados pelo sobrenatural. E essas pessoas só têm uma coisa em comum: elas não acreditam nele.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


sábado, 16 de setembro de 2017

Como ser um criacionista



Quinhentos anos atrás, havia apenas dois motivos para acreditar no criacionismo: 
fracas capacidades de raciocínio e a predisposição para acreditar em histórias fantásticas.

Agora, 500 anos depois, há TRÊS razões: 
fracas capacidades de raciocínio, a predisposição para acreditar em histórias fantásticas e um talento colossal para ignorar evidências que provam o contrário.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell



terça-feira, 29 de agosto de 2017

A Morte




Foi-me solicitado que dissertasse um pouco acerca do tema "morte".

É realmente um tema que surge amiúde, quando se fala com crentes e muitos deles questionam se os ateus, ao não acreditarem numa vida após a morte (não tem a ver directamente com a descrença em deus, mas está relacionado), não têm medo de morrer.

O medo da morte tem duas vertentes. A biológica e a consciente.

O receio biológico da morte é um "receio instintivo". Os seres vivos evoluíram de seres simples, mais básicos que, antes sequer de terem um sistema nervoso central ou um cérebro, simplesmente reagiam ao ambiente. Todos aqueles que reagiam de uma forma positivo, demonstraram mais probabilidades de se reproduzir e passar essa característica a futuras gerações, mesmo numa altura em que a reprodução se efectuava por osmose ou subdivisão celular.

Portanto, a reactividade a qualquer tipo de situação que nos possa ser potencialmente letal é uma característica ancestral, adquiridas por evolução. É por isso que até os mais básicos seres vivos reagem de forma a tentar evitar serem afectados por algo que pode significar o comprometimento da sua forma e situação básicas.

Mas os seres vivos superiores têm cérebro.
E o ser humano, em particular, tem um cérebro evoluído, com um córtex.
O córtex, que é uma característica particular dos humanos, foi possível porque começamos a usar o fogo e a cozinhar a comida, obtendo mais energia dessa comida cozinhada (porque as moléculas e fibras já estavam pré-dissociadas) e libertando assim mais tempo para podermos explorar e desenvolver outras aptidões, em vez de passar mais de 50% do dia a procurar e consumir mais comida.

O córtex dotou-nos com o pensamento abstracto. A capacidade de não pensar apenas em nós mas de nos colocarmos no lugar dos outros, de inquirir o porquê de certas coisas, das consequências de acções, de avançar no futuro através de construções mentais de causa-efeito e avaliação de consequências. Por isso, somos o único animal que temos a certeza que tem consciência de que irá morrer e, com isso, a consciência de que deixará de existir e de poder continuar a fazer aquilo que fazia enquanto estava vivo. (está em aberto se a consciência da morte é exclusivamente humana, parecendo que também é comum a certos tipos de primatas superiores).

E isso amedronta, porque há também a certeza de que é um processo contra o qual não podemos fazer nada. E é também por isso que se inventaram as religiões que prometem a vida eterna. Porque é muito mais fácil viver a vida com a fantasia de que após a morte as coisas não terminam, do que viver a vida com o constante receio de que inevitavelmente se irá deixar de existir.

Acreditar numa "vida após a morte" É UMA FANTASIA, pois não há qualquer prova de que tal acontece. É uma fantasia agradável, nada mais.

O ateu, que não acredita numa vida após a morte, tem a atitude mais correcta e coerente: faz nesta vida, que é a única que tem a certeza absoluta que existe, o melhor que pode, tornando a sua vida e a dos demais, o melhor possível, sem que isso entre em conflito com a tentativa dos outros fazerem a sua vida o melhor possível também.

A "eternidade" do ateu é obtida através das coisas que fará em vida e que perdurarão após a sua morte, dos filhos que deixa, e das memórias que permanecerão naqueles de quem gostava e que dele gostavam. Resumindo, o receio da morte é natural. O que é errado é viver uma fantasia que leva a que não se aproveite da melhor maneira está vida, na esperança de uma vida melhor após a morte, quando não há qualquer certeza de que essa vida após a morte exista.

Texto de Rui Batista