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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Acerca do livre arbítrio



O livre arbítrio é algo que realmente existe.
Isto significa simplesmente que cada pessoa pode fazer aquilo que bem entender.
Mas, claro está, poderão advir consequências das acções que uma pessoa levar a cabo.

Consequências físicas.
Por exemplo, se a pessoa decidir lançar-se de uma janela de um edifício alto porque acredita que consegue voar, poderá ficar gravemente ferida ou morrer.

Consequências psicológicas.
Por exemplo, se a pessoa decidir matar uma pessoa, pode ficar com graves problemas existências, medo de ser apanhada, questionar o que isso pode ter provocado às pessoas que eram próximas da pessoa que faleceu, etc.

Consequências legais.
Por exemplo, se a pessoa infringir uma lei, poderá ser imputada monetariamente, ou ser presa, ou mesmo executada.

Resumindo, por cada acção que façamos, haverá consequências. SEMPRE!
Afinal, vivemos num universo causal e todas as acções levam a que algo aconteça com base nessas acções.

Mas NENHUMA CONSEQUÊNCIA DIVINA acontecerá porque o livre arbítrio é meramente um dado adquirido, é algo que acontece naturalmente num universo causal.
Não é uma liberdade concedida por uma entidade.
Entidade essa que, para poder conceder seja o que for, teria de existir.
E essa existência nunca chegou sequer perto de ser provada ou minimamente demonstrada.

Todavia, há um aspecto interessante, caso essa entidade existisse e tivesse, de facto, concedido o livre arbítrio como uma benesse divina.
Isso implicaria que essa divindade NÃO PODIA SER OMNISCIENTE.
Porque se essa divindade fosse omnisciente, saberia o que as pessoas iam escolher ANTES DE ELAS ESCOLHEREM.
Isso significa que a decisão das pessoas, ao ser conhecida antes, estava pré-determinada que seria uma decisão específica e isso significa que a decisão não tinha sido realmente livre.

As pessoas limitar-se-iam a escolher o que estava pré-determinado (a única maneira de saber de antemão o que iria acontecer), mas teriam a ilusão de que a escolha era livre.
A única maneira de uma escolha ser TOTALMENTE LIVRE, implica que não seja possível saber de antemão o que vai ser decidido.
Portanto, o livre arbítrio (que de facto existe!!) é totalmente incompatível com a suposta capacidade de omnisciência de uma divindade.

Portanto, se deus existisse, e tivesse concedido o livre arbítrio, não podia ser omnisciente.
Se deus existisse e fosse omnisciente, não existiria verdadeiro livre arbítrio.

Mas a resposta é muito mais simples: o livre arbítrio existe porque é o estado natural de um universo regido por leis naturais e deus não existe.


Texto de Rui Batista

domingo, 12 de agosto de 2018

Será que somos feitos à imagem de deus?



Se somos feitos à imagem de deus, quais foram as características que deus esqueceu, em intencionalmente evitou, de nos incluir para não sermos perfeitos, como supostamente ele é?

Bem, os crentes irão responder invariavelmente com a questão do livre arbítrio.

Fomos criados perfeitos, mas como temos livre arbítrio, escolhemos fazer o mal.

- Isso significa que deus não tem livre arbítrio?

Sim!, responderiam os crentes.

- Então deus podia fazer o mal, se decidisse fazê-lo?

Sim!, responderiam os crentes.

- Então porque não o faz?

Porque é infinitamente bom, responderiam os crentes.

-Então deus não pode fazer o mal, porque é infinitamente bom. Está, portanto, condicionado a fazer apenas o bem, o que significa que não é omnipotente, pois há algo que ele não pode fazer.

Bem... ele podia fazer o mal, se o desejasse, mas não deseja fazer, começam a vacilar os crentes.

- Então, se não o deseja fazer, deus não pode experimentar tudo aquilo que podia ser experimentado. Portanto, deus não sabe tudo. Não sabe o que é fazer o mal.

Pois, por isso é infinitamente bom.

- Então deus não pode fazer uma coisa, porque não quer fazê-la. Mas permite o mal. Não só permite, como até sabe que ele vai acontecer, pois é omnisciente. E sabendo que o mal iria existir e que ele iria permitir, deus fez-me assim mesmo. Portanto, deus criou as circunstâncias em que o mal iria acontecer, mas na realidade ele próprio não quer fazer mal. Sou só eu, ou esta estória está uma perfeita confusão.

Deus opera de formas misteriosas... e... e... há o livre arbítrio. Pois, o livre arbítrio. E deus sabe o que faz. Arrepende-te!!! Vais arder no inferno!!!!

AHAHAHAAHAHAH

Texto por Rui Batista

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Desmontando o argumento do livre arbítrio



As pessoas dizem-me que deus não pode se revelar para mim, pois isso tiraria o meu livre arbítrio de acreditar ou não nele, pois se ele se revelasse, eu seria forçado a acreditar.

Claro que isso não é verdade. Há evidências absolutamente claras de que a Terra é esférica, mas ainda assim, alguns milhares de pessoas escolhem acreditar que ela é plana. Há também evidências claras de que a Terra orbita o Sol, mas ainda assim, algumas pessoas escolhem acreditar que o Sol orbita a Terra. As pessoas são sempre livres para rejeitar provas ou para as interpretar de forma diferente dos outros.

Mas deus esconde-se duma forma tão efetiva que nenhum ser humano pode demonstrar que ele existe, pois deus não deixou, nem deixa, qualquer evidência que existe. De fato, sendo eu uma pessoa racional e deus escondendo-se completamente, ele realmente tira o meu livre arbítrio de acreditar nele.

Deus tornando-se indistinguível de outros milhares de deuses fictícios, ele rouba a minha liberdade de acreditar que ele existe.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 1 de abril de 2018

O problema do livre arbítrio




Pelo que entendo, a opinião da neurociência está tendendo à conclusão de que os seres humanos não têm livre-arbítrio. Evidências experimentais parecem mostrar que somos robôs orgânicos conscientes com emoções. A consciência não dirige a máquina, mas sim uma consequência disso. A consciência de si, a capacidade de planear, raciocinar e contemplar o futuro, pode ser nada mais que capacidades evoluídas que a máquina pode utilizar da mesma forma que pode utilizar as habilidades de ouvir, arremessar uma pedra ou correr.

Suspeito que seja apenas uma questão de tempo e o acumular de evidências suficientes antes que essa visão se torne tão firmemente estabelecida quanto a da Relatividade Geral. Se eu estiver certo, onde isto irá deixar as religiões em geral e o cristianismo em particular?

O problema do mal sempre foi um espinho do lado do cristianismo. Simplificando, este é o problema de como reconciliar o sofrimento humano em grande escala, se houver um Deus omnibenevolente, omnisciente e omnipotente. Talvez Epicuro tenha dito isso há mais de 2 000 anos:

Deus está disposto a prevenir o mal, mas não é capaz? Então ele não é omnipotente.
Ele é capaz, mas tem não tem vontade? Então ele é malévolo.
Ele é capaz e disposto? Então de onde vem o mal?
Ele não é capaz nem disposto? Então por que chamá-lo de Deus?

A apologética mais comum para o problema do mal é apelar para o livre arbítrio. Deus deu aos seres humanos livre arbítrio mas nós abusámos, seja no Jardim do Éden,ou todos os dias desde então. Então, o sofrimento não é culpa de Deus, mas nossa culpa.

Mas uma vez que nos tornamos certos de que não temos livre-arbítrio, esta desculpa desaparece. 

O que nos resta? Deus é malévolo ou indiferente ao sofrimento humano.
Ou não há Deus para se preocupar com isso. 

Faça sua escolha.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 21 de março de 2018

Isto não é um teste!




Os cristãos dizem que a vida na Terra é apenas uma prova para ver quem fica apto para o céu. A morte de uma criança é apenas uma prova, um terremoto é um teste. O cancro, defeitos congênitos, tsunamis, vulcões, tornados, malária e o ébola, são todos testes.

Deus tem todo um arsenal de testes para nós e algumas pessoas são testadas várias vezes, mas há outras que nunca são testadas.

O que os cristãos não nos dizem é por que razão, um Deus infinitamente amoroso e omnisciente, precisa de colocar os humanos através de um sofrimento incalculável para encontrar as respostas que ele conhecia de qualquer maneira.

Há uma explicação muito mais simples que não exige apologética, nem ginástica mental nem suspensão de descrença. Nós somos apenas uns seres pequenos e frágeis numa rocha instável e indiferente, rodeada por uma atmosfera caótica que atravessa um universo hostil. Nós evoluímos juntos com uma série de outras formas de vida, muitas das quais podem nos prejudicar.

E é por isso que coisas más nos acontecem. Simples.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 9 de março de 2018

O livre arbítrio



O livre arbítrio é algo que realmente existe.
Isto significa simplesmente que cada pessoa pode fazer aquilo que bem entender. Mas, claro está, poderão advir consequências das acções que uma pessoa levar a cabo.

Consequências físicas.
Por exemplo, se a pessoa decidir lançar-se de uma janela de um edifício alto porque acredita que consegue voar, poderá ficar gravemente ferida ou morrer.

Consequências psicológicas.
Por exemplo, se a pessoa decidir matar uma pessoa, pode ficar com graves problemas existências, medo de ser apanhada, questionar o que isso pode ter provocado às pessoas que eram próximas da pessoa que faleceu, etc.

Consequências legais.
Por exemplo, se a pessoa infringir uma lei, poderá ser imputada monetariamente, ou ser presa, ou mesmo executada.

Resumindo, por cada acção que façamos, haverá consequências. SEMPRE! Afinal, vivemos num universo causístico e todas as acções levam a que algo aconteça com base nessas acções.

Mas NENHUMA CONSEQUÊNCIA DIVINA acontecerá porque o livre arbítrio é meramente um dado adquirido, é algo que acontece naturalmente num universo causístico.
Não é uma liberdade concedida por uma entidade.
Entidade essa que, para poder conceder seja o que for, teria de existir.
E essa existência nunca chegou sequer perto de ser provada ou minimamente demonstrada.

Todavia, há um aspecto interessante, caso essa entidade existisse e tivesse, de facto, concedido o livre arbítrio como uma benesse divina.
Isso implicaria que essa divindade NÃO PODIA SER OMNISCIENTE.
Porque se essa divindade fosse omnisciente, saberia o que as pessoas iam escolher ANTES DE ELAS ESCOLHEREM.

Isso significa que a decisão das pessoas, ao ser conhecida antes, estava pré-determinada que seria uma decisão específica e isso significa que a decisão não tinha sido realmente livre.
As pessoas limitar-se-iam a escolher o que estava pré-determinado (a única maneira de saber de antemão o que iria acontecer), mas teriam a ilusão de que a escolha era livre.
A única maneira de uma escolha ser TOTALMENTE LIVRE, implica que não seja possível saber de antemão o que vai ser decidido.

Portanto, o livre arbítrio (que de facto existe!!) é totalmente incompatível com a suposta capacidade de omnisciência de uma divindade.
Portanto, se deus existisse, e tivesse concedido o livre arbítrio, não podia ser omnisciente. Se deus existisse e fosse omnisciente, não existiria verdadeiro livre arbítrio.
Mas a resposta é muito mais simples: o livre arbítrio existe porque é o estado natural de um universo regido por leis naturais e deus não existe.

Texto de Rui Batista

domingo, 9 de abril de 2017

O homem não tem o livre arbítrio



1
. ― Pois, quem tem livre arbítrio faz o que quer. Ora, o homem não faz o que quer como se vê pela Escritura (Rm 7, 19): Porque eu não faço o bem que quero; mas faço o mal, que não quero. 
Logo, o homem não tem livre arbítrio.

2. Demais. ― Quem é livre pode querer e não querer, operar ou não. Ora, isso está no poder do homem, conforme a Escritura (Rm 9, 16): Não pertence ao que quer, o querer, nem ao que corre, o correr. 
Logo, o homem não tem livre arbítrio.

3. Demais. — É livre quem é causa de si, como diz Aristóteles. E não é livre o que é movido por outro. Ora, Deus move a vontade, conforme a Escritura (Pr 21, 1): O coração do rei se acha na mão do Senhor, e (Fl 2, 13): Ele o inclina para qualquer parte que quiser; e: Deus é o que opera em vós o querer e o perfazer. 
Logo, o homem não tem livre arbítrio.

4. Demais. ― Quem é livre é senhor dos seus atos. Ora, o homem não o é, como diz a Escritura (Jr 10, 23): Não é do homem o seu caminho, nem é do varão o andar e o dirigir os seus passos. 
Logo, o homem não tem livre arbítrio.

5. Demais. ― O Filósofo diz: Tal é um ser, tal é o seu fim que se propõe. Ora, não por nós mesmos, mas pela natureza, é que somos o que somos. 
Logo, vem da natureza, e não do livre arbítrio, o buscarmos um determinado fim.