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domingo, 10 de novembro de 2019

Como a omnisciência mostra que deus foi inventado por homens



Se tu acreditas que Deus é omnisciente, ou seja, que ele sabe tudo do passado, presente e futuro, não acho que tenhas pensado bem sobre isso.

Um deus omnisciente não pode decidir o que fazer. Ele sempre sabe o que fará e é impotente para fazer qualquer outra coisa. Ele nem sequer PENSA em fazer outra coisa, ele conhece todos os pensamentos que jamais terá e não consegue pensar em mais nada.

Se tu pedires a um deus omnisciente para que te ajude, ele tem o poder, mas ele não pode DECIDIR ajudar-te, ele apenas sabe se o fará ou não. De fato, esse deus nada pode decidir.

Esse deus pode ter um grande poder, mas ele não tem controle sobre como ele usa seu poder. Ele é como um computador percorrendo o programa escrito por um programador. Deus DEVE fazer o que ele sabe que fará. Ele nunca pode mudar de ideia. Se Deus mudar de ideia uma única vez, ele não é mais omnisciente. Pior ainda, ele nunca foi.

Os crentes podem argumentar que tudo isso acontece porque Deus tem um plano. Ok, mas então há um problema com esse argumento também. Se Deus planeou seu plano, ele não pode ter sido omnisciente ANTES de planear seu plano. Então, quando os crentes dizem que Deus nunca muda, eles estão errados, ele nem sempre era omnisciente.

Omnisciência cria problemas insuperáveis ​​para os conceitos populares de Deus:

1. Se Deus é omnisciente, ele não pode tomar decisões hoje nem pode mudar de ideia.

2. Se Deus sempre foi omnisciente, ele não pode ter planeado seu próprio plano.

3. Deus não pode ter sido eterno no passado e sempre omnisciente, porque isso significaria que nenhum ser poderia existir antes de Deus para criar um Deus completo com omnisciência. Portanto, um deus sempre omnisciente não pode ter existido eternamente.

4. Um deus omnisciente precisa apenas seguir as instruções. Os crentes gostam de pensar que Deus é ultra-inteligente, mas um deus que segue as instruções não precisa de inteligência, pois o ser que criou o plano teria feito todo o trabalho pesado ao conceber as leis da lógica e da física e criar o plano para a vida. Deus só precisa fazer o que lhe foi dito. Um deus que não pode tomar decisões não precisa de inteligência, ele só precisa seguir as instruções já planeadas e não mudar nada. Para um deus assim, a inteligência seria uma ameaça para o seguir do plano, basta ser obediente, a característica ideal para um deus omnisciente.

Portanto, se realmente queres um deus imutável e omnisciente, és forçado a aceitar um deus impotente que não pode tomar uma única decisão, que não criou o seu próprio plano, que não é eterno, que foi criado por outro ser e o mais provável é que seja mais estúpido que inteligente.

De onde, então, surgiu essa ideia da omnisciência? Há apenas uma resposta sensata, foi inventada pelos homens. Logo depois que eles inventaram Deus.


Texto de Bill Flavell

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Deus é um idiota



No outro dia publiquei um texto com o título "A evolução de Deus". Acabava acusando deus de ser um idiota. Alguns cristãos sentiram-se ofendidos e repreenderam-me por isso. 

Aqui está a minha resposta. 
"Dizem-nos que deus é omnipresente e omnisciente, então ele é infalível. Dizem que ele é omnipotente, então, não há nada não contraditório que ele não possa fazer. Dizem que ele ama os humanos, dizem mesmo que o seu amor por nós é infinito e incondicional.

Apesar de ter essas características, ele optou por ficar a assistir, por muitas décadas, a cerca de um milhão de crianças morrerem de malária, anualmente. Ele sabia que isso estava a acontecer? Sim. Ele poderia ter evitado essas mortes? Sim. Mas ele não o fez, apenas ficou a assistir.

O mesmo acontece com inúmeros desastres naturais, incluindo terremotos, tsunamis, inundações, erupções vulcânicas, pragas e fomes. Milhões de pessoas, que deus ama incondicionalmente, morrem com frequência mortes horríveis e deus apenas observa e não faz nada.

Nenhum de nós permitiria que nosso filho sofresse assim, se pudéssemos evitar, mas deus permite que isso aconteça.

Na verdade, é pior que isso. Todas essas coisas que nos matam, são criações de deus - deus criou mosquitos que se alimentam de sangue humano e criou o vírus do plasmódio que nos dá a malária. TUDO que nos prejudica foi criado por deus.

E quanto ao parasita loa loa filariose? Ele entra no olho humano e põe ovos. Quando as larvas eclodem, elas começam a comer o olho por dentro. Isso afeta mais crianças do que adultos. Deus fez esse parasita para nós.

O que chamarias a um pai que fez um brinquedo para o seu filho, sendo que ele sabia que esse brinquedo mataria a criança? No mínimo, tu o chamarias de idiota. E isso é o mínimo que poderíamos chamar a deus, que é infinitamente pior do que esse pai hipotético. Na verdade, a palavra idiota é muito branda para descrever deus."

O ponto real aqui, é claro, é destacar a contradição entre um deus infinitamente amoroso, as suas "criações" intencionalmente perigosas, e como ele falha ao cuidar de seus filhos. 

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Os superpoderes dos deuses antigos




Se olharmos para a história do homem e da sua relação com os deuses, percebe-se que a maioria das divindades não era omnipotente, apenas tinham alguns superpoderes, como por exemplo, controlar o tempo, criar seres vivos, comunicar à distância, escapar à morte, entre outros poderes. Entretanto, algumas dessas aptidões que durante tantos milénios eram consideradas atributos exclusivos dos deuses, hoje fazem parte do nosso quotidiano como atributos banais.

Hoje, não só nos deslocamos como comunicamos de forma global com uma facilidade tal que faria inveja aos deuses gregos, africanos, ameríndeos ou hindus. Há em África um povo que acredita no deus Chukwu que desejava fazer o homem imortal, mas esse deus teria de ensinar os humanos o modo de atingir esse feito. Segundo reza a lenda, Chukwu enviou um cão pra ensinar os humanos que quando morressem, deveriam espalhar-se cinzas sobre o cadáver para que o corpo ressuscitasse, mas o cão cansou-se na viagem e perdeu-se. Então, Chukwu enviou uma ovelha para difundir a mensagem, mas as ovelhas como não são propriamente uns bichos inteligentes, trocou as instruções de cansada que ficou com a viagem, e disse aos humanos que deviam ser enterrados. E, segundo essa lenda, está encontrada a razão de nós continuarmos a morrer. Uma pena que Chukwu não conhecesse os poderes banais que temos hoje em dia, pois assim teria enviado um tweet ou feito uma publicação no Facebook em vez de usar cães fracos ou ovelhas lerdas.

Quando olhamos para todas esses povos agrícolas da idade do bronze, nota-se uma completa falta de interesse no que toca ao tema da metafísica ou pelo tema que tantos crentes hoje em dia se matam, a vida depois da morte. Apenas se preocupavam com ninharias, assuntos corriqueiros do dia a dia como uma boa produção agrícola, ou com uma boa chuvada nas épocas certas. Por isso, os deuses do antigo testamento não prometem o paraíso ou o inferno depois da morte, apenas prometem chuva a horas para que os hebreus possam se alimentar devidamente, desde que se portem bem ao não adorarem um outro deus rival (do deus único), tal como esta em Deuteronómio 11:13-17.

Realmente, como as coisas mudaram tanto desde esses tempos de tão pouco conhecimento. Hoje, os cientistas arrasam por completo esses deuses hebreus do antigo testamento. Inventaram fertilizantes e pesticidas e alteraram geneticamente as colheitas que tem resultado em produções agrícolas que arrasam os melhores anos agrícolas desses povos antigos. Como se não chegasse, o árido Estado de Israel já não tem que se preocupar com a falta de água ou de chuva, devido à enorme estação de dessalinização construída no Mediterrâneo, de onde vem toda a água potável que necessitam. 


Baseado na obra Homo Deus

sexta-feira, 6 de abril de 2018

E o que deus tem a ver com isso?




Um deus poderoso, cheio de qualidades fantásticas, mas que não se responsabiliza pelo mau que cometem usando seu nome!

No mundo imperfeito de homens “pecadores” as sociedades se organizam e criam leis para que haja harmonia entre as pessoas e a convivência pacifica entre indivíduos que compartilham do mesmo ambiente possa ser cada vez mais possível. Um dos recursos mais utilizados é a punição de indivíduos que infringem essas mesmas regras de convivência causando prejuízos a outras pessoas.

Responsabilizar outros por atos que cometemos faz com que a anarquia venha imperar e voltemos a viver na lei da selva, onde o mais forte sempre leva a vantagem sobre os demais. As injustiças permitidas ou cometidas por aqueles que estão no poder tem sido as principais causas de revoltas em todos os movimentos sociais que se tem registro. De certa forma, esses tipos de abusos tem servido de alavanca para que um sistema definhe e uma nova era venha a surgir na maioria dos casos.

Muitos também dos que hoje conseguiram se libertar dos “caminhos do senhor”, só o fizeram depois de uma guinada para cima que deu em suas vidas, após constatarem na furada que se meteram, enquanto serviam de tapetes para outros limpar os pés ou de banquinho para gente mal intencionada sentar. Foi preciso ser feito de trouxa por anos a fio para que a “fixa viesse cair”, tomar vergonha na cara e mudar para melhor o rumo de suas vidas.

Concordamos que quanto maior for a representatividade social de uma pessoa, mais ilibado terá de ser o seu nível de conduta e mais cobrado este será do povo que o segue e que a permissividade cometida ou praticada por este no que diz respeito ao afrouxamento de leis desencadeia uma série de eventos colaterais catastrófico podendo inclusive destronar o maior mandatário de um povo.

O caos que vem de baixo é bem mais fácil de conter do que o caos que vem de cima, daqueles que criam ou executam as leis. Um fora da lei pobre, iletrado, sem amigos poderosos e sem dinheiro para se defender será sempre um “bandido” que pode ser silenciado pela força física ou coação pessoal. Já um fora da lei culto, com amigos também cultos e poderosos ou com muito dinheiro para se defender será sempre um “doutor” por maior que seja as irregularidades que esse venha cometer e por maior que seja os efeitos colaterais dessas irregularidades cometidas. Essa realidade passa despercebida por muitos de nós, mas o atentar para esse detalhe, faz com que as peças mude no “tabuleiro da vida”.

Então nos perguntamos: a quem devemos recorrer quando as estruturas sociais começam a apodrecer a partir de cima? Nem sempre é fácil encontrar uma solução imediata que seja sensata e venha resolver por completo esse tipo de problema, considerando que a maioria de nós ainda não absorvemos o conceito de sociedade, e estamos preocupados apenas em levar vantagens sobre os outros. Para defendermos nossos conceitos ou projetos egocêntricos cometemos ou permitimos que sejam cometidos os mais diversos tipos de injustiças. Pensamos sempre que desde que “eu ou o meu grupo” estejamos bem, o resto do mundo que se dane! É mais ou menos isso que expressamos ainda que de forma silenciosa.

Esse comportamento é fortemente expressado pelo modo como nos relacionamos com os deuses. Confiando que deus irá nos abençoar se o defendermos a todo o custo, mesmo quando o conceito de divindade estar totalmente equivocado, os fiéis irão continuar defendendo-o, não por que o ame realmente (até por que é impossível expressar amor nesse tipo de relação), mas o fazem pela corrupção, pelo medo, pela ganancia e pela soberba.

Adotam para si divindades com conceitos e qualidades oriundos de deuses de várias épocas e culturas diferentes, para torná-lo ainda mais poderoso e depois isenta-o de qualquer responsabilidade que era de sua competência, atribuindo sempre ao seu arqui-inimigo todas as mazelas do mundo. Esse deus sempre servirá de escudo ou como arma de ataque, só depende a quem ele seja dirigido.

Um deus com vários poderes, várias facetas e várias qualidades, menos a principal delas: a responsabilidade! Isso mesmo! Deuses obsoletos, irresponsáveis, insensíveis, mudos, surdos, cegos e aleijados, por mais que tentem provar o contrário, tudo que dizem a respeito deles não passa de um misto de medo, ganancia, ignorância e irracionalidade.

Eles não se responsabilizam por nada de ruim que seus fiéis venham cometer em seu nome. O deus cristão por exemplo, tudo que de bom acontece no mundo é atribuído a esse deus e o que de mal acontece atribui-se ao diabo, sendo que a esse mesmo deus foi atribuído todo o poder, honra, domínio e glória e que nada acontece sem o seu consentimento.

Como pode isso então? Como pode o mal ser atribuído ao oposto de deus, sendo que tudo já foi planejado pelo próprio deus? A confusão reina numa hora dessas, e enterrar o intelecto é o que todos foram ensinados a fazer com receio de blasfemar contra o espirito santo. Jamais pense sobre deus e seus atributos, você pode estar pecando...Desde o Éden que o conhecimento é o maior inimigo de deus, e não o diabo!

Desde o momento em que uma pessoa passa a fazer parte de um grupo religioso, fica terminantemente proibido comentar sobre qualquer tipo de injustiças vistas ou praticadas em seu grupo, principalmente se essas for cometidas pelo líder maior da organização. Todos os que fazem parte desses agrupamentos sabem que pior do que sofrer abusos e humilhações nessas instituições é ser proibido de comentar sobre estes ou de apontar seus abusadores para outras pessoas de dentro ou fora do grupo. Punições severas estão reservadas a qualquer um que ouse delatar comportamentos extravagantes, maliciosos, indecorosos ou pervertidos dos “homens de deus”, de seus comparsas ou de qualquer um que tenha um dízimo alto ou faça parte da “cúpula sagrada”.

“Entregue nas mão de deus”! “Deus estar vendo tudo”! “Deus vai agir”! “Não faça nada”... 
Pessoas passam anos a fio sofrendo, se martirizando e esperando uma providencia que nunca virá, uma justiça divina que nunca será possível, e uma reparação de erro que só aconteceria se for na base da chantagem. No máximo eles te promovem a alguma coisa na igreja só para te silenciar e inflar seu ego, ou mudam aquele que te causou prejuízo para outra localidade para cometer os mesmos delitos lá também. O manicômio seria o lugar mais provável para aqueles que esperam a “justiça de deus”, por abusos cometidos em sua casa ou que tenham sido praticados usando o seu nome.

Agora a pior, a mais estúpida, a mais irritante, a mais idiota e irracional frase que um pessoa religiosa costuma dizer para defender a inutilidade da onipotência do seu deus sob os abusos cometidos dentro de uma organização religiosa é esta: “e o que deus tem a ver com isso?” Essa frase é como se fosse o tiro de misericórdia dado por aquele que te torturou, quebrou todos os seus ossos, derramou todo o seu sangue, e antes que você dê o último suspiro ele vem te “ajudar” a morrer mais rápido.

Há? Como? O que? ...Em que mundo você estar? Como assim, o que deus tem a ver com isso? Claro que deus tem tudo a ver com isso! Esqueceu que quando convidam alguém para vir “aceitar a jesus” a primeira coisa que dizem é que a partir daquele dia é jesus quem vai guiar, proteger e guardar aquela pessoa até o dia de sua vinda? Esqueceu que foi confiando nesse tipo de conversa fiada que muitas pessoas foram iludidas a permanecerem ali até então? Esqueceu que dizem que é esse mesmo deus quem vai tomar conta desses indivíduos e de toda sua família? Como agora perguntar, o que deus tem a ver com isso quando misérias acontecem a todo instante bem embaixo do nariz dele?

Tudo que acontece com as pessoas dentro de uma das casas de deus é de responsabilidade de deus, ora! Se ele existe e tem todos os poderes surreais a ele atribuídos, ele tem sim tem tudo a ver com isso! A menos que ele seja um irresponsável, que não seja onipotente, onisciente, onipresente, justo, eterno e santo! A menos que sua justiça seja pior que a praticada pelos humanos “pecadores”. A menos que ele não se importe com nada e nem ninguém. A menos que ele nem exista, e a maioria das igrejas não passem de arapucas para atrair e prender pessoas desavisadas, carentes ou desonestas, utilizando-se do medo, ganancia e ignorância delas.

Somente se ele não existisse ou não fosse nada do que a ele se atribui poderíamos isentar deus de suas responsabilidades quanto a proteger seus súditos dentro e fora dos aposentos de sua casa. Sem falar que ele deve proteger não somente os que lhe rendem culto, mas toda humanidade já que se declara senhor de todo o mundo.

Em nossa sociedade “pecadora”, se uma criança é molestada em uma escola, diretores professores ou qualquer um que tenha facilitado ou participado do ato, bem como acobertado os fatos, será duramente responsabilizado por isso. Nas igrejas costumam-se abafar os casos, muda-se de paróquia ou de cidade o que cometeu tal ilicitude, aconselha-se aos que sofrem a entregar tudo “nas mãos do senhor”, põe-se a culpa no diabo, inocenta o malfeitor e depois para salvar o pervertido os fiéis vem com a frase mais idiota do mundo, que parece ser a cereja de um bolo envenenado: “deus não tem nada a ver com isso, viu?”.

Diariamente comunidades dominadas por bandidos e milícias sofrem pagando tributos se quiserem sem manter “em paz”. Tais criminosos fazem ameaças, usam de extorsão, exigem um percentual do que a comunidade produz ou faz vários outros tipos de ameaças para não se voltar contra a própria população que os sustentam. Por mais que consigam extorquir ainda é pouco, querem sempre mais, e mais e mais...nunca estão satisfeitos. Quando delatados e entregues as autoridades constituídas de humanos “pecadores”, tais meliantes tem a devida punição instituída em lei.

O mesmo tipo de extorsão, ameaças de morte e inferno eterno tem acontecido nos últimos 1700 anos nos ritos cristãos, nesse modelo de igreja adotado por Roma e ninguém se dar conta disso. Cruzadas para se apropriar de terras alheias com milhares de mortos, vendas de indulgencia, perseguição a ciência, cultos disfarçados e obediência irrestritas a bispos, papas, padres, pastores e derivados que em certos casos agem como se fossem líderes do crime organizado, tentando cada um deles estabelecer o controle total da vida dos fiéis na região em que atuam. Tudo isso acontecendo embaixo dos “olhos de deus”, usando seu, sua marca, seus “poderes”. E ainda perguntam: “o que deus tem a ver com isso”? Afff...

Nas ultimas 5 décadas um modelo de chantagem emocional tem se acentuado com as igrejas de estilo pentecostal que crescem usando a bíblia como se fosse uma metralhadora para intimidar os não crentes, e “manter na linha” dos que já foram arrebanhados. Usam a bíblia o tempo inteiro para coagir as pessoas aos mais diversos atos desde controlar cada passo de suas vidas até extorquir até o último centavo delas. “E o que deus tem a ver com isso”?

O crescente número de igrejas da “prosperidade”, que além de ameaçar constantemente quem se recusa a contribuir, consagra qualquer tipo de objeto casual ou até mesmo lixo e vendem aos fiéis de forma disfarçada nos cultos, dizendo que quem comprar será abençoado e quem não o fizer não o será, ou será amaldiçoado. Tais modelos de crença ameaçam as pessoas com doenças terminais, desemprego, desunião na família, perca de conjugues, possessão demoníaca, morte física e inferno eterno, caso tais pessoas não venham contribuir “voluntariamente” para a “casa de deus”. “E o que deus tem a ver com isso”?

Cada líder dessas denominações que foram empossados tem uma meta financeira ou territorial a cumprir com seus superiores, e para atingi-las não medem esforço. Um “vale tudo” é o meio adotado por eles para não serem rebaixados em suas funções ministeriais ou perca total de mandato. As únicas coisas que não vale entre eles é esclarecer o povo das idiotices que estão sendo conduzidos a cometerem.

As mesmas práticas de ameaças utilizadas por traficantes e milicianos são efetuadas de certa forma em tais modelos de igrejas, a única diferença é que ao invés de usarem um revolver para intimidar, eles utilizam a bíblia, e ao invés de ameaça-las entregando-as nas mãos de outras milícias, tais líderes religiosos ameaçam entrega-las ao diabo, dizendo que deus não irá protege-los caso eles não contribuam. “E o que deus tem a ver com isso”?

Outra diferença é que milicianos e traficantes são cassados pela justiça por tais atos, enquanto que líderes religiosos que usam esse mesmo método para enriquecimento ilícito recebem incentivos fiscais, apoio das autoridades civis, cargos públicos e até tem participações em uma “bancada evangélica” no congresso! Quando esse assunto é colocado em pauta por gente não alienada, logo vem aquela sagrada pergunta dos que tiveram adestramento de papagaio: “E o que deus tem a ver com isso”?


Texto de Antônio Ferreira Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Os paradoxos das religiões




O paradoxo da omnipotência - pode um Ser superior a quem seja atribuída a omnipotência, criar uma tarefa que ele próprio não seja capaz de cumprir?

A resposta é óbvia, aliás o próprio conceito de paradoxo já indicia a contradição. Gostaria antes aqui de abordar duas respostas típicas de crentes que alegam solucionar a questão, embora, sem o conseguir.

1) "Para deus não há impossíveis" - resposta sem lógica, pois aparentemente há a impossibilidade de criar o impossível. Contudo, devemos entender a sua resposta pois toda a religião se baseia mesmo na ausência de lógica.

2) "A pedra seria do mundo físico e deus está no metafísico. A sua omnipotência é no mundo espiritual" - aqui temos uma tentativa de usar a semântica para resolver a questão. No entanto, se repararem, no início, quando descrevi o paradoxo, fiz uma alteração e substituí "pedra" - afirmação original - por "tarefa", colocando desta forma um objectivo tanto físico como incorpóreo e, invalidando assim, esta segunda tentativa de justificação.

Todas as religiões são paradoxos, pois todas têm afirmações extraordinárias sem evidências e que mesmo assim exigem que lhes sejam reconhecida veracidade, sendo as próprias semelhantes em alguns casos por contágio cultural e outras tão díspares nas reivindicações, alegando no entanto serem todas verdadeiras.

Por incrível que pareça, a doença fatal que atinge hoje as religiões conhecida por "Ausência de provas" ou "Ónus da prova", foi criada pelas próprias religiões quando, na tentativa de se justificarem e validarem as suas pretensões extraordinárias, pediram provas de que a Terra fosse redonda, pediram provas a Copérnico e Galileu sobre o movimento dos corpos celestes e exigiram que Darwin demonstrasse in loco, a Evolução. Agora, passados cerca de 350 mil anos depois do Homo Sapiens, é este quem lhe pede provas dos seres mágicos e maravilhosos que dizem conhecer e que, até ao momento, não passam de alegações baseadas no folclore local. 
Qual o próximo passo das religiões? Que trunfo têm reservado na manga para apresentar no tribunal "inquisitivo" do conhecimento actual?


Texto de Francis Varela