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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Jeová, o deus hipotético




Jeová, o deus de Abraão, é hipotético. Ele é uma possível explicação para o universo e para a vida na Terra. Mas existem muitas mais explicações possíveis. Algumas são naturais e não requerem deuses. E também existem muitas explicações sobrenaturais diferentes, incluindo um número desconhecido de deuses que ainda nem sequer conhecemos.

Os crentes de Jeová devem ser capazes de resolver isso, basta-lhes produzir evidências que mostrem, para além de qualquer dúvida, que Jeová foi o responsável, e assim, o trabalho está feito. Infelizmente, em mais de 3 000 anos, nenhuma evidência foi encontrada. Nada de nada.

Pior ainda, as descrições na bíblia de como o universo e a vida foram criadas, são completamente contraditórias por uma grande quantidade de evidências físicas. Quem escreveu aquilo na bíblia, entendeu tudo errado. A hipótese de Jeová é comprovadamente falsa, portanto devemos descartá-la.

Infelizmente, mais de três mil milhões de judeus, cristãos e muçulmanos não se importam com as evidências, a mãe deles disse que o Senhor fez aquilo tudo e isso é o suficiente para eles. Enfim...


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Quando os judeus tinham crença noutros deuses




A Bíblia está repleta de referências a outras divindades além de Yahweh: os profetas não negaram a existência desses deuses, eles simplesmente não achavam que os judeus deveriam adorá-los.

Existe apenas um Deus, de acordo com o dogma religioso judaico. Não existe outro. Tendemos a supor que nossos antepassados ​​devotadamente acreditavam no mesmo. Mas a verdade é que a Bíblia também mostra, repetidas vezes, que esse não era o sistema de crença predominante entre os antigos israelitas.

Os diferentes escribas que escreveram a maior parte do cânon bíblico acreditavam que o mundo incorpóreo era povoado por uma multidão de deuses, mas que os hebreus não deviam adorar nenhuma dessas outras divindades, apenas Yahweh. Isto é explicitamente declarado no segundo Mandamento: "Não terás outros deuses além de mim" (Êxodo 20: 3).

O versículo "Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti?"(Êxodo 15:11), é ainda mais explícito sobre outros deuses que existem junto com Yahweh.

Entre os livros da Bíblia, encontramos referências a muitos outros deuses, às vezes com referências explícitas aos milagres realizados por eles. Esses deuses geralmente são membros do panteão dos deuses semitas ocidentais, aqueles adorados por pessoas que falam línguas intimamente relacionadas ao hebraico.

Sem dúvida o mais importante desses deuses foi Ba'al ("mestre"), que é mencionado cerca de 90 vezes na Bíblia. Ba'al era um título honorífico do deus Hadad, da mesma maneira que "Adonai" ("meu mestre") é um título honorífico para o Senhor.



Obviamente, Ba'al não é o único deus do panteão semítico ocidental a ser mencionado na Bíblia. O pai de Ba'al, Dagon, o deus da colheita, também aparece, novamente em histórias destinadas a mostrar a superioridade de Yahweh sobre ele.

Em 1 Samuel, capítulo 5, somos informados de que, depois que os filisteus capturaram a Arca da Aliança, eles a levaram ao Templo de Dagon em Ashdod. Mas isso resultou na destruição milagrosa de sua estátua de culto. Yahweh vence novamente.

O pai de Dagon era El, o chefe do panteão semita ocidental. O nome Israel mostra que El era originalmente o deus tutelar de Israel (está bem ali no nome!), Mas com o tempo, Yahweh tomou o lugar de El: “Quando o Altíssimo (El Elyon) dividiu a herança entre as nações, quando separou os filhos de Adão, estabeleceu os limites do povo de acordo com o número dos filhos de Israel. Pois a porção do Senhor (Yahweh) é o seu povo; Jacó é a herança de sua herança”(Deuteronômio 32: 8-9).

Neste texto antigo, podemos ver que El e Yahweh ainda eram vistos como duas divindades separadas, com Yahweh subordinado a El. Mas, com o passar do tempo, El e Yahweh se combinaram: as duas divindades começaram a ser vistas como a mesma.

Em Êxodo 6:3, Deus diz a Moisés: "Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, pelo nome de Deus Todo-Poderoso (El Elyon), mas pelo meu nome Jeová não lhes era conhecido". Assim, os antigos só conheciam Deus como El, mas, com o passar do tempo, descobriram que El era apenas outro nome de Javé.

El tinha um consorte, a deusa Asherah, e quando Yahweh tomou o lugar de El, Asherah se tornou consorte de Yahweh. É-nos dito que a Asherah foi adorada no templo mais antigo de Jerusalém - não explicitamente, mas nos disseram definitivamente que os símbolos dela foram removidos do templo, então eles precisavam estar lá em primeiro lugar (1 Reis 15:13 e 2 Reis 23:14).

Foi apenas no final do período do Primeiro Templo, durante o reinado do rei Josias (a segunda metade do século 7 a.C.) que os objetos de culto de Asherah foram retirados do templo de maneira bastante dramática. Há várias referências às reformas monoteístas de Josias, como: "Josias despedaçou as colunas sagradas, derrubou os postes sagrados e cobriu os locais com ossos humanos." (2 Reis 23:14, Nova Versão Internacional)

Na verdade, El era o pai de muitos deuses além de Dagon, vários dos quais foram explicitamente mencionados na Bíblia.

Mot, a personificação da morte, é descrito em várias passagens como uma divindade. Diz-se que em Jó 18:13 ele tem um filho, e em Habacuque 2:5 nos dizem que ele abre bem a boca e engole almas.

Outro filho de El era o próprio mar, chamado Yam (a palavra ugarit e hebraica para "mar"), embora a Bíblia chame o deus "Raabe". Por exemplo, Jó 26:12 diz que Deus "divide o mar com seu poder, e pelo seu entendimento ele fere Raabe." Lendas de um deus da tempestade, como Ba'al, derrotando o mar são muito comuns no antigo Oriente Próximo.

O sol e a lua, o amanhecer e o anoitecer, assim como outros fenômenos naturais, também foram deificados nas antigas religiões semíticas do Ocidente e provavelmente no antigo Israel também, embora isso seja menos aparente na Bíblia.

É provável que Beit Shemesh tenha sido um centro de adoração ao sol, já que o nome do lugar significa literalmente "Casa do Sol". Jericó provavelmente foi em algum momento um centro para a adoração à lua. O nome da cidade em hebraico é "Yerikho"; e a palavra hebraica para lua é Yarekh, que outras línguas semíticas ocidentais usam como o nome do deus da lua.

A Bíblia se refere ao sol e à lua, é claro, geralmente mostrando que Deus tem total controle sobre eles, como é quando ele os pára no céu (Josué 10:13), mas não se refere a eles explicitamente como divindades personificadas.

No entanto, os antigos hebreus os adoravam claramente, como os outros semitas ocidentais. Ezequiel (8:16) relata ter visto pessoas adorando o sol no templo. Podemos inferir isso porque a Bíblia condena especificamente sua adoração, e somos informados de que Josias tomou medidas para impedir o culto no final do período do Primeiro Templo, na segunda metade do século VII AEC. Essas ações incluíam a remoção de objetos de culto do próprio templo (2 Reis 23:11).

A Bíblia também conta que os antigos hebreus adoravam um deus chamado Moloch, que estava associado aos amonitas e ao sacrifício de crianças. Este culto também foi marcado por Josias na mesma reforma (por exemplo, 2 Reis 23:10).

Os livros históricos da Bíblia foram escritos por um grupo “adeptos de Yahweh” e, portanto, são profundamente críticos da adoração de outros deuses em Judá. Ainda assim, é claro pela descrição deles que o politeísmo era a norma no período do Primeiro Templo. Foi somente durante a reforma do rei Josiah que o "único partido de Yahweh" realmente assumiu o controle e começou a tirar outros deuses da mente da Judeia.

Mas note que eles não alegaram que outros deuses não existiam. Eles apenas declararam que sua adoração era proibida por Yahweh, ou como diz Êxodo 34:14: "Pois não adorarás outro deus: porque o Senhor, cujo nome é ciumento, é um Deus ciumento".

Aparentemente, foi apenas durante o exílio babilônico (cerca de 586 aC a 500 aC) e o período seguinte do Segundo Templo (500 aC a 70 dC), que o judaísmo progrediu da crença de que Yahweh é o único deus que deveria ser adorado, à crença que ele é o único deus que existe. Ou seja, nasceu o monoteísmo.


Autoria de Elon GiladColaborador do Haaretz

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Inspirações da Bíblia




“Estruturalmente, Génesis 1-11 apresenta uma fascinante visão sobre como a Bíblia evoluiu de uma colecção de mitos politeístas e lendas de várias culturas em uma conta monoteísta mais coerente da história de Israel.” – 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg 2000; Página 3


Em resumo, todos os personagens na Bíblia foram roubados de religiões pagãs gentias e substituídos por personagens judaicos:


  •  Monoteísmo judaico foi roubado do egípcio Akhenaton
  •  A criação judaica foi roubado da criação egípcia.
  •  O uso que o Senhor judaica da palavra para criar foi roubado do
    Egípcios (o judeu Iavé substitui Ptah).
  •  “Haja Luz” foi roubado do Épico Theban da criação.
  •  O “firmamento no meio das águas” foi roubado da criação egípcia.
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  •  Eva vinda da costela de Adão foi roubada do épico de Enki e Ninhursag:
  •  Adão e Eva foram roubadas dos egípcios Geb e Nut.
  • “Meu irmão, que te dói?
    Minha costela me dói”
    ANET, Ninti cujo nome significa
    “Senhora do Rib”, curou costela de Enki.
  •  Punição e perda da imortalidade de Adão e Eva foram roubados da história mesopotâmica de Adapa (o judeu Iavé substitui o sumério Enki).
  •  Os judeus Caim, Abel e Seth foram roubados de Osíris, Set e Hórus.
  •  O conflito entre Caim e Abel foi roubado de Set e Osíris, e conforme a história se passa, é mais tarde com base nos sumérios Dumuzi e Enkimdu.
  •  O judeu Sansão foi roubado de Heracles: A remoção de seus olhos é baseada em Édipo, e a derrubada dos pilares foi roubada do conto egípcio sobre Re-Herakhte.
  •  A história judaica de Jacob e a escada foi roubada dos rituais funerários egípcios para o rei falecido: Glórias a ti, Escada de Deus, Salve, oh Escada de Set. Suba, oh Escada de Deus, suba, oh Escada de Set, suba, oh Escada de Hórus, sobre o qual Osíris foi o céu.” A Escada egípcia consiste dos corpos de duas divindades egípcias sobre a qual Osíris ascende aos céus, foi substituída por uma escada com vários seres sobrenaturais, anjos a subir e descer entre a Terra e o céu.”
  •  O judeu Moisés foi roubado de vários Deuses e reis, a depender da fase de sua vida: Sargon (o nascimento e abandono no rio, serem resgatados pela realeza etc.)
  •  As andanças no deserto foram baseados na Deus-Sol Baco, como visto nos Hinos de Orfeu.
  •  A passagem Hebraica de “40 anos no deserto”, afirmada no livro judaico de Êxodo. As subsequentes “40 dias e 40 noites” andanças no deserto do judeu nazareno foram roubadas: “a luta de Set e Hórus no deserto durou quarenta dias, como comemorado nos quarenta dias da Quaresma egípcia, durante os quais Set, como o poder de seca e esterilidade, fez guerra contra Hórus na água e germinação do grão enterrado… Esses quarenta dias foram estendidos para 40 anos, e confessadamente assim pelos judeus.”
  •  O judeu Josué foi roubado das Divindades egípcias Shu e Nun.
  •  A judia Débora foi roubada da Deusa egípcia Neith.
  •  O judeu Noé foi roubado do sumério Ziusudra.
  • O deus judeu fictício Iavé na história de Noé substituiu o deus sumério Enlil, também conhecido como Baal e Belzebu.
  •  O filho judeu de Noé, Kham, foi roubado de Belus.
  •  O judeu Nimrod foi roubado do Faraó egípcio Sesóstris.
  •  O judeu Abraão foi roubado do Rei Hariscandra dos Sankhayana-Sutras Hindus.
  •  O judeu Isaac foi roubado de Rohita, filho do Rei Hariscandra. Nessa história, o deus judeu fictício Iavé substituiu o deus hindu Varuna.
  •  O personagem judeu Daniel foi roubado do egípcio Neferti.
  •  O judeu Jonas e a baleia; Jonas foi roubado do personagem Hindu “Saktideva” encontrado na Somadeva Bhatta.
  •  As “Doze Tribos de Israel”, assim como os doze discípulos de Cristo são baseadas nos doze signos do zodíaco.
  • O judeu Ló e sua esposa foram roubados dos gregos Orfeu e Eurídice.
    Nessa história, o deus judeu Iavé substitui o deus grego Hádes
  •  Os judeus Jacó e Esaú foram roubados de Hórus e Set.
  •  A judia Rebeca foi roubada da Deusa egípcia Ísis.
  •  O judeu José com os onze irmãos foram roubados do egípcio Psammetichus.
  •  A história de José e a esposa de Potifar foi roubada dos egípcios Anúbis e Bata.
  •  “As Dez Pragas” contra o Egipto foram roubadas e muito exageradas e alteradas do Papiro de Ipuwer.
  •  Os dez mandamentos foram roubados do Código de Hammurabi.
  •  O judeu Iavé substitui o Deus-Sol sumério Shamash, também conhecido como Azazel.
  •  O judeu Davi a matar o filisteu Golias foi roubado de Thor a jogar o martelo em Hrungnir, atingindo-o na testa.
  • O judeu Jó foi roubado do ugarítico Keret, e o judeu Iavé substitui o Deus “El”.
  •  O judeu “Jó”, foi roubado de uma história escrita no idioma ugarítico (escrita cuneiforme), escrita por volta de 1400 aC por “Ilimilku, o Escriba”. Este épico envolve “Keret” e o Deus “El”, e NÃO Jó e Jeová. Tragédias familiares de Keret e doenças são comparáveis com a história de Jó. No conto original, “Satan” nunca sequer entrou em cena. Aqui, o judeu Jeová substitui El.
Ao criar Deuses opostos, um “bom” e outro “mal”, os judeus têm sido capazes 
de manipular o mundo além da imaginação.

  • O livro judaico de Provérbios, juntamente com os escritos no livro de Eclesiastes foram roubados dos ensinamentos do egípcio Ptah-Hotep. 28. 
  • Muitos dos escritos no livro judaico de Josué foram roubados das Cartas de El Amarna 29 
  • O livro judaico de juízes é composto de material roubado: História de Aqhat, Diário de Wen-Amon, Almanaque Gezer 30 
  • Os livros judaicos de Samuel e Reis contem material roubado de: As Profecias Mari, Estela da Messa, O Escrito de Karatepe, Os Anais de Salmanasar III, O Obelisco Negro de Salmaneser III, Os Anais de Tiglate-Pileser III, The Annals of Sargon II, O Escrito de Siloé, O Escrito Yavne-Yam, As Cartas Lachlish, O Arad Ostraca, Os Anais de Senaquerib, Os Anais de Nabucodonosor II.

Mais material roubado nos livros bíblicos de Esdras e Neemias de:
  • O Cilindro de Ciro, 31
  • O judeu Mordecai foi roubado do Deus babilónico Marduque 32
  • A judia Ester e o livro judaico de Ester foi roubado de Ishtar, também conhecida como Astaroth, Astarte, Afrodite, Ísis, Ashtar. 33
  • A judia Virgem Maria “Rainha do Céu” também foi roubado de Astaroth
  • O judeu João Baptista foi roubado de Anup, que batizou Hórus. Ambos perderam as cabeças. 34
  • O judeu Judas foi roubado de Set. 35
  • O judeu Mateus foi roubado de Thoth 36
  • O judeu Tomás foi roubado de Tammuz 37
  • “Como Jesus, o deus grego Hermes também foi envolvido em roupas de panos e colocado numa manjedoura, assim como foi também Dionísio.” 38 


Referências:
1 101 Myths of the Bible por Gary Greenburg © 2000 páginas 3-24
2 Ibid, páginas 11-13
3 Ibid, página 14
4 Ibid, página 17
5 Ibid, páginas 43-44
6 Ibid, página 55
7 Ibid, páginas 56-57
8 Ibid, página 9
9 Ibid, páginas 68-69
10 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions por T. W. Doane © 1882, capítulo VIII “Samson and his Exploits” páginas 62-76 11 101 Myths of the Bible, página 144
12 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions, página 51
13 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold por Acharya S. ©1999
página 244
14101 Myths of the Bible páginas 254-255 15101 Myths of the Bible páginas 258-62 16101 Myths of the Bible páginas 103-104
17101 Myths of the Bible páginas 103-104 páginas 101, 102
18 Bible Myths And Their Parallels in Other Religions página 39
19 Old Testament Parallels: Laws and Stories from the Ancient Near East by Victor H. Matthews and Don C. Benjamin 1991 páginas 235-240
20 101 Myths of the Bible páginas 135-137
21 101 Myths of the Bible página 138
22 101 Myths of the Bible página 175-179
23 101 Myths of the Bible páginas 180-181; Old Testament Parallels páginas 41-45
24 101 Myths of the Bible página 206
25 Old Testament Parallels páginas 62-67
26 Bible Myths and Their Parallels in Other Religions páginas 90-91
27 Old Testament Parallels páginas 201-211
28 Old Testament Parallels páginas 184-188
29 Old Testament Parallels páginas 77-80
30 Old Testament Parallels páginas 85-105
31 Old Testament Parallels páginas 109-143
32 101 Myths of the Bible página 292
33 101 Myths of the Bible páginas 292-293
34 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 177
35 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
36 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 171
37 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 172
38 The Christ Conspiracy: The Greatest Story Ever Sold página 191

Outras Referências:
Popular Dictionary of Assyrian and Babylonian Terminology por F. C. Norton ©2003



sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Volta quando estiveres pronto...




As pessoas muitas vezes repreendem-me por não acreditar no seu deus, Yahweh. Muitas vezes, eles citam um verso da bíblia e me encorajam a levar a sério o seu deus. 

Em resposta, eu digo: "Há duas possibilidades, ou o Senhor existe ou não. Se o Senhor foi formado (como uma multidão de outros deuses), então também a bíblia. Então, a tua primeira tarefa é mostrar que Yahweh é um deus real e vivo. 
Mostra-me que consegues fazer isso. E isso me fará acreditar. E, inevitavelmente, fará de ti um sujeito famoso e rico, porque muitas pessoas adorariam saber como fazer isso e dezenas de milhares de pessoas extremamente brilhantes, tentaram e falharam ao longo de dois mil anos. 

Claro, isso significa que as hipóteses estão contra ti, e eu não vou suster a minha respiração esperando que consigas. Até que tu tenhas sucesso, estares a publicar apelos à bíblia, são um desperdício do teu tempo tal como do meu.

Espero que entendas isso. "


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 21 de agosto de 2018

O amor de deus é realmente incondicional?



Análise superficial das condições para você ser amado por deus

Comentários sobre a visão da Teologia da Prosperidade a cerca desse “amor”


Sem perceber, praticamente todos os grupos religiosos que dizem servir ao deus judaico-cristão, vivem em uma espécie de eterna guerra fria uns contra os outros desde quando oficialmente adotaram esse modelo de deus como ser supremo para venerá-lo e servi-lo.

A guerra fria acontece somente quando os seguidores são um pouco mais civilizados, usando argumentos verbais para se digladiarem, pois quando o respeito pela vida nada mais vale, a guerra é abertamente declarada, na pura intenção de se classificarem como escolhidos de deus, ovelhas de seu aprisco.

Nessa imensa “certeza” que eles tem de que serão amados exclusivamente por esse deus, por precaução eliminam ou põe tropeços diante dos “inimigos” para que de repente esse deus não venha mudar de lado, tornando-se inimigo ao invés de um potencial aliado.

Num passado de quase 5 mil anos atrás também era assim. Antes do israelitas tomarem “emprestado” esse deus das regiões onde habitaram, deus “estava” onde a arca ou qualquer outro símbolo sagrado estava, e quem os controlavam, controlavam também essa ideia de deus. Como esse deus não muda e informações de sobrevivência são passado sorrateiramente pela genética dos seres, melhor criar condições para que o amor incondicional desse deus não seja desviado de ti.

Como os EUA e URSS no pós guerra secretamente desenvolveram armas potencialmente perigosas, sistemas de inteligência e monitoramento sofisticados no intuito de espionar, se defender ou subjugar o um ao outro, os vários grupos religiosos derivados da crença no deus de Abraão tem feito a mesmíssima coisa, se “armando” até os dentes com o intuito de subjugar seus “inimigos” e atrair a atenção de deus para o seu lado, tornando-o objeto particular de uso, ou um deus pessoal, pronto a realizar qualquer desejo egoísta e autodestrutivo de seus súditos.

Deixar que deus “escape” para outra igreja, outra linha teológica ou até mesmo outra religião é sinal de derrota! Se faz necessário o tempo inteiro criar condições para atrair público pagante e submisso bem como manter deus ao lado deste grupo.

Grite, pule, rode, caia, fale em “língua estranhas”, suborne-o por meio de dízimos, ofertas e campanhas, se entregue totalmente a ele, seja “pau mandado” de líder religioso se preciso, mas não deixe esse deus ir para outra igreja, para as “linhas inimigas”. Sua proteção, sua vida de prosperidade e até sua salvação futura dependem disso! Crie as condições perfeitas para que esse amor incondicional não se vá.

Como as antigas potencias do pós guerra, do mesmo modo as “potencias de cristo” e servos do deus mesopotâmico espionam uns aos outros, além de tratados históricos, filosóficos, teológicos e científicos para subtrair somente o que apoia sua linha de raciocínio e refutam todo o restante enquanto monitoram cada um dos fieis para premiar os que são totalmente subordinados e perseguir, maltratar, humilhar, torturar e até matar os questionadores e os que não conseguem se ajustar a esse reino de fantasias que a cada dia ganha novos gráficos no seu projeto original.

Como dito, todo esse esforço gigantesco tem apenas um proposito: dizer quem é o mais queridinho do papai, o grupo escolhido que vai morar nos céus ou viver eternamente com ele num paraíso seja lá onde for. Todos inventam textos, pretextos e apetrechos para dizerem para si mesmos e para todos demais que são melhores que qualquer um. Deus, na sua infinita inércia e no ponto mais alto e oculto do seu esconderijo secreto jamais fará nada para impedir (ou apoiar) tal corrida armamentista e deixará que seus filhinhos se resolvam do jeito que puderem, inclusive na bala ou na espada para obterem o colinho do papai. Quem quiser que se lixe! Ele apenas olha, contempla, anota tudo para no dia do juízo retribuir cada um “segundo as suas obras”.

Estes grupos religiosos que se dividiram ao longo dos séculos, criaram ou subtraíram de outros povos a ideia desse deus multifacetado, bem como estão constantemente acrescentando novas qualidades e atributos metafísicos a esse ser misterioso. Só que quanto mais mexem na ideia central dessa divindade, mas patética e contraditória se tornam todas as justificativas e argumentos que fazem esse ser continuar existindo no imaginário coletivo. Sem perceber criam características monstruosas e as atribuem ao personagem qual dizem ser um ser de luz.

No quesito de criar novas qualidades e atributos ao deus bíblico, os grupos cristãos parecem ser os campeões na criatividade para moldar aparências, criar preceitos, forjar doutrinas e impor regulamentações para a classe dos homens, anjos e até demônios, tudo isso baseado em interesses pessoais, qual disfarçadamente chamam essas ações de “vontade de deus”.

Todos os dias, dezenas de novas igrejas são abertas onde o cristianismo tem chegado, cada uma vendendo um tipo de ideia, de ritos litúrgicos, de “podes-e-mão-podes, além de linhas teológicas que se opõem e se aniquilam entre si. E quase todas elas continuam dizendo: “deus te ama de modo incondicional!” Ou ainda: “por que deus amou o mundo de tal maneira...” Somente para atrair público pagante e submisso, praticamente todas as igrejas cristãs dizem que deus ama a humanidade sem limites e sem restrições, mas basta entrar em uma dessas igrejas e você vai ver quais são as condições para que o amor incondicional desse deus venha ser realmente válido.

Assim, criam condições para que “aconteça” um amor que dizem ser incondicional. Na maioria dos casos, quando acabar seu dinheiro ou sua subserviência cega as lideranças não for mais a mesmas, o mínimo que você poderá receber é um grande pé na bunda, ser excomungado, expulso ou retratado como um coisa ruim, um filho das trevas!

Em outros casos, para pagarem de inocente, os líderes religiosos quando querem ser livrar de ti por saber demais ou discordar dos abusos praticados por eles, estes põe todo o grupo religioso contra você por meio de calunias e falsas acusações para que sua vida se torne um inferno e você seja “gentilmente” forçado a sair da igreja, para depois eles mesmos dizerem que você não aguentou as provações ou sucumbiu as tentações do diabo. Para manter a imagem de santos e a posição de lideranças que ocupam bem como suas fontes de renda, alguns líderes religiosos são capazes de fazer coisas que nem os piores dos crápulas humanas teriam a criatividade de executar.

Na idade média por exemplo, o amor de deus era tão incondicional que dava aos chefões da máfia religiosa da época, o direito de prender, torturar e executar qualquer pessoa ou ser vivo na face da terra, principalmente os que não aceitavam de forma “pacifica” esse “amor incondicional” ou os que questionavam a autoridade da “santa igreja”.

É muito amor envolvido, chega a da vontade de chorar, não é? A história da igreja parece um lindo conto de fadas, onde só “coisas boas” acontecem no trajeto de expansão dessa multinacional cuja logomarca principal é a cruz e o peixe...

Na tentativa de agradar aquele que parece estar eternamente aborrecido, os grupos cristãos criaram várias linhas teológicas para demonstrarem esse amor incondicional que deus tem pela humanidade. As principais destas linhas são: a teologia da prosperidade, a da pobreza, a do sofrimento, a da salvação pela fé e a da obediência cega aos líderes religiosos. Todas essas linhas teológicas ensinam o homem a criar condições para que o amor de deus “aconteça” apesar de insistirem dizendo que deus ama a todos os homens sem restrições alguma.

Na TEOLOGIA DA PROSPERIDADE por exemplo, ensinam-se que deus é rico, poderoso, dono do universo e que uma das formas de provar que ele estar na vida dos seus servos é sendo igualmente próspero, rico e abençoado, não importando na maioria das vezes o modo como essa “prosperidade” vai chegar até você. Muitos desses líderes e seguidores chegam a usar a própria bíblia para justificar seu nível duvidoso de conduta, mostrando que Jacó era “esperto” e se não for por meio da trapaça e da má fé, nunca conseguirão nada na vida.

Você conhece alguém capaz de “dar nó em pingo d’agua” para “se dar bem na vida” sem sentir culpa ou remorso algum e ainda assim continuar dizendo ser uma pessoa boa e cheia de deus? Possivelmente essa pessoa teve sua mente cauterizada por essa linha de pensamento. Possivelmente seja o resultado da ganancia própria com vontade de “terceirizar cagadas” como é comum no meio dos que tem nos seres metafísicos sua válvula de escape. Possivelmente seja apenas um dos mistérios de deus para demonstrar seu infinito amor na vida de seus servos. Deus misterioso, servos igualmente misteriosos...seria justificável se não tivesse uma tendência hipócrita.

Os adeptos dessa linha de pensamento costumam fazer das igrejas grandes cassinos, casas de apostas, lugar de suborno, levando os féis a crerem que quanto mais apostarem na “casa de deus”, mais receberão em dobro seus investimentos. Quem nada tem, nada aposta, nada ganha e desse modo não serão alcançados pelo amor infinito desse deus.

Empresas e famílias inteiras tem sido levadas a falência nesse jogo de apostas infinitas e sem retorno, onde o único ganhador de todas as rodadas é somente o dono da igreja, aquele que registrou o CNPJ da igreja em cartório. Todos os demais terão de se confortar vendo o seu ungido ser “abençoado”. Isso pelo menos já é alguma coisa para a maioria destes, pois é uma prova que realmente deus existe e que abençoa quem trabalha de forma “voluntária” em sua obra.

Quanta inocência! Tadinhos...se parassem para somar 2+2 iriam perceber que a ostentação e as “bênçãos” que seus líderes usufruem é pelo resultado coletivo dos esforços dos membros e não o sinal de nenhum tipo beatitudes celestial.

Resumindo, essa vasta e complexa linha teológica, nesse modo de pensar, o amor incondicional de deus é exatamente do tamanho dos valores que você possa colocar na fogueira santa, na campanha disso, ou nas correntes daquilo, além dos costumeiros 10% mensais, pois esse valor é o mínimo que alguém poderia ofertar para que sua casa, sua empresa e sua família não venham ser invadidos pelo devorador, migrador e cortador.

Como se deus fosse um grande chefe miliciano duma gangue das trevas, não é você quem estar fazendo um favor a ele pagando esses “míseros” 10%. É ele quem estar te fazendo um grande favor em te proteger por um valor tão baixo (tá ligado?). Os 10% é apenas uma proteção básica para você não perder o que tem, já que para se tornar rico, abençoado, ou pelo menos ter o “espírito de deus” em sua vida, você deve aderir as demais campanhas que os representantes desse deus fazem quase que diariamente.

Nessa linha de pensar deus e o diabo fizeram o seguinte pacto: se você ofertar menos que 10% deus autoriza o diabo ferrar com você. Se você ofertar + que 10% o diabo “permite” que deus te faça prosperar. Assim você será sempre vítima dos acordos sinistros desses dois “sócios” que estarão em seu encalce até o dia de sua morte. Sorte que ateus, céticos e pessoas que não frequentam essas casas de negócios espúrios estão livre desse pacto das trevas entre deus e o diabo.

Vale lembrar que as doações feitas em campanhas para os líderes religiosos e seus familiares irem anualmente para Jerusalém com todas as despesas pagas por você e para construções de novos locais de arrecadações (templos) são as que deus mais se agradam. Só que esse tipo de “benção” é somente para líderes iniciantes, em início de carreira e seus mais féis súditos, coisa de amador ainda.

Para mostrar seu imenso poder e riqueza, o objetivo maior de deus na vida de seus ungidos e para provar que ele abençoa quem se envolve “voluntariamente” em sua obra, ele deseja torna-los prefeitos de grandes cidades, políticos de renomes e até donos de emissoras de TV! Viu que deus bom?

Mas por enquanto, até que seus servos se acostumem com uma vida de luxo e fortuna que deus intentar dar somente aos seus representantes, fazer com que os ungido de deus viagem de graça anualmente ao redor do mundo, já é um grande passo para que o amor incondicional de deus se derrame sobre você. Não esqueça: líder feliz= igual a deus feliz!

No próximo texto veremos o amor incondicional de deus segundo a teologia da pobreza. Não percam. Aprendam como ser pobre para ser salvo (caso a tentativa de ser rico ofertando tudo dê errado!).


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O Panteão Ugarítico



Os profetas do Antigo Testamento criticam Baal, Asherah e vários outros deuses, em quase todas as páginas. A razão para isso é simples de entender; o povo de Israel adorava estes deuses junto com, e às vezes em vez de, o Senhor Deus de Israel. Essa denúncia bíblica desses deuses cananeus, recebeu um novo rosto quando os textos ugaríticos foram descobertos, pois em Ugarit esses eram os próprios deuses que eram adorados.

El era o deus principal em Ugarit. No entanto, El também é o nome de Deus usado em muitos dos Salmos para o Senhor; ou pelo menos tem sido o pressuposto entre os cristãos devotos. No entanto, quando se lê esses salmos e os textos ugaríticos, percebe-se que os atributos pelos quais o Senhor é aclamado, são os mesmos pelos quais El é aclamado. De fato, esses Salmos eram, provavelmente, hinos Ugaríticos ou Cananéias, originários de El, que foram simplesmente adotados por Israel, assim como o Hino Nacional Americano foi ajustado para uma música de Francis Scott Key. El é chamado o pai dos homens, criador e criador da criação. Esses atributos também são concedidos a Yahweh pelo Antigo Testamento.

Por exemplo, leia KTU 1. 2 I 13-32 (KTU = Keilalphabetische Texte aus Ugarit) e compare com muitos dos Salmos. Além disso, leia Sl 82: 1, 89: 6-8!).

Em 1 Reis 22: 19-22, lemos sobre o encontro do Senhor com o seu conselho celestial. Esta é a própria descrição do céu que se encontra nos textos ugaríticos. Pois nesses textos os filhos de deus são os filhos de El.

Outras divindades adoradas em Ugarit eram El Shaddai, El Elyon e El Berith. Todos esses nomes são aplicados a Yahweh pelos escritores do Antigo Testamento. O que isto significa, é que os teólogos hebreus adotaram os títulos dos deuses cananeus e os atribuíram a Javé, num esforço para eliminá-los. Se Yahweh é tudo isso, não há necessidade dos deuses cananeus existirem! Esse processo é conhecido como assimilação.

Além do deus principal em Ugarit, havia também deuses menores, demónios e deusas. Os mais importantes desses deuses menores eram Baal (conhecido de todos os leitores da Bíblia), Asherah (também conhecido pelos leitores da Bíblia), Yam (o deus do mar) e Mot (o deus da morte). O que é de grande interesse aqui, é que Yam é a palavra hebraica para mar e Mot é a palavra hebraica para a morte! Será porque os hebreus também adotaram essas ideias cananitas? Muito provavelmente foi isso que fizeram .

Uma das mais interessantes dessas divindades menores, Asherah, desempenha um papel muito importante no Antigo Testamento. Ali ela é chamada a esposa de Baal; mas ela também é conhecida como a consorte de Yahweh! Isto é, entre alguns Yahvistas, Ahserah é a contraparte feminina de Yahweh! Inscrições encontradas em Kuntillet Ajrud (datadas entre 850 e 750 aC) dizem:

Eu te abençoo pelo Senhor de Samaria,
e através de seu Asherah!

E em El Qom (do mesmo período) esta inscrição:

Uriyahu, o rei, escreveu isso.
Bendito seja Uriyahu pelo Senhor,
e seus inimigos foram conquistados
através da Asherá de Yahweh.

Que os Yahwistas adoravam Asherah até o terceiro século antes de Cristo, é bem conhecido dos Papiros Elefantinos. Assim, para muitos em Israel antigo, Yahweh, tal como Baal, tinha uma consorte. Embora condenado pelos profetas, esse aspecto da religião popular de Israel foi difícil de superar e, de fato, entre muitos nunca foi superado ". 


Fonte: Quartz Hill School of Theology

terça-feira, 26 de junho de 2018

Como a trindade foi adotada no cristianismo para transformar Jesus em deus



Divindades que se corporificam (avatar) para salvar a humanidade, imortalidade da alma, ressurreição, assim como trindades divinas, são doutrinas de origens pagãs, introduzidas gradativamente no cristianismo. Para entender o que foi o cristianismo primitivo, é necessário conhecer o significado do termo “Cristo ou Messias”. Cristo é o termo usado em português para traduzir a palavra grega Χριστός (Khristós) que significa "Ungido". O termo grego, por sua vez, é uma tradução do termo hebraico מָשִׁיחַ (Māšîaḥ), transliterado para o português como Messias. Portanto, Cristo como nome próprio ou sobrenome de Jesus (Jesus Cristo), é uma das primeiras fraudes cristãs. No mundo antigo, um rei teria que passar pelo ritual de aprovação, ministrados pelos representantes dos deuses na terra, ou seja, os sacerdotes.

Após a cerimônia religiosa, o rei tinha a sua cabeça aspergida com água ou óleo sagrado, e só então estava qualificado e consagrado rei. No antigo Israel ungiam-se os reis com o óleo sagrado (1Sa 10:1 e 1Rs 1:39). Cristianismo vem de “cristo”, significando que os primeiros cristãos eram judeus messiânicos que aguardavam a vinda de um ungido, ou melhor, de um legítimo rei de Israel, já que o país estava sendo governado por estrangeiros. O que diferenciava essa nova vertente do judaísmo do tradicional, era a crença na imortalidade da alma e na vinda do messias dos últimos dias para reunir os judeus do mundo todo em um novo Israel.

Essas crenças foram levadas para a Judeia por judeus nascidos na Babilônia, e que tiveram contatos com as religiões persas e indianas. No entanto, para eles, só havia um único e indivisível Deus (YHVH) responsável pela lei que foi dada a Moisés. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. ” Deuteronômio 6:4. O movimento messiânico surgiu no seio do judaísmo, devido às condições político-religiosas da Judeia ocupada. Ezequias de Gamala, um descendente dos Macabeus, pretendia fundar uma teocracia na Galileia, livre dos romanos e dos seus aliados na região.

Derrotado, foi crucificado por Herodes, o Grande, e Judas bar Ezequias teve que liderar as forças da resistência. No entanto, Judas foi morto durante a rebelião do senso de Quirino, então, Jesus bar Judas liderou os galileus até ser morto como mártir. Os Judeus messiânicos aguardavam dois messias. Um que seria um guerreiro descendente de Davi para reunir as doze tribos, e outro, descendente de José, para restaurar a linhagem sacerdotal araônica. Foi nesse ambiente que surgiu a quarta seita descrita por Josefo em “guerra dos judeus”. Os helenistas, autores do Novo Testamento transformaram sinagogas em igrejas, e judeus em cristãos, vítimas do seu próprio povo, e não dos romanos. Eram antissemitas que não pertenceram ao ambiente judaico, e que faziam parte da nova ordem, a dos vencedores.

Ebionitas e nazarenos, eram seitas judaico-cristãs do século II, formadas por judeus palestinos que seguiam a lei mosaica. Falavam e escreviam em hebraico. São os últimos exemplos do que era o cristianismo primitivo. Para eles, Jesus não teria nascido de uma virgem, e nem tão pouco era filho de Deus. Eles tinham Jesus como o messias, na qualidade de profeta restaurador da lei. Portando, a trindade era desconhecida no cristianismo primitivo. E não poderia ser diferente, pois esse conceito é de origem pagã. Tertuliano, cristão semipagão, viveu entre os séculos II e III, foi quem criou a filosofia que se denominou de Trindade: “Tres Personae, una substantia” (texto original em latim). A doutrina se desenvolveu gradualmente através dos séculos, e passou por muitas controvérsias.

A necessidade de interpretar os ensinamentos bíblicos para o paganismo Grego-Romano, confrontavam com o monoteísmo herdado do judaísmo. Então, os filósofos cristãos foram forçados a mudar o conceito da ruach. Originalmente, ruach era um adjetivo feminino para a “sabedoria divina”, (Sofia em grego) e não o fragmento de uma trindade. Porém, ruach ha kodesh tornou-se adjetivo masculino nos evangelhos, para designar o “espirito santo” e incluir Jesus como um deus, em uma trindade exclusivamente masculina para diferenciar das trindades pagãs, que incluíam a figura feminina.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Estorinhas bíblicas - Páscoa



Ah, a Páscoa, esse feriado onde as pessoas comem ovos de chocolate para celebrar o dia em que deus ( Jeová ) matou milhares de inocentes... 
Senta que lá vem estória, e hoje vamos ver como surgiu a Páscoa, de acordo com a tradição judaica.

Todo mundo sabe que a Bíblia conta que os judeus foram escravos no Egito. É claro que não existe nenhuma evidência arqueológica ou documental de que os eventos do livro do Êxodo tenham ocorrido da maneira como foram descritos, mas sabem como é: “se tá na Bíblia, é porque é verdade!”

O livro de Êxodo conta que os descendentes de Israel começaram a se multiplicar no Egito, até que se tornaram tão numerosos que os egípcios ficaram com medo deles. Quando assumiu um Faraó uma espécie de Donald Trump da época, viu que seu país estava ficando hebreu demais para o gosto dele, adotou o slogan “MAKE EGYPT GREAT AGAIN!”, e resolveu tomar uma atitude bem xenofóbica: colocar os hebreus como escravos para construir coisas (incluindo muralhas) e fazer eles pagarem por isso. Mas mesmo assim (igualzinho hoje em dia) quanto mais eles eram oprimidos, mais eles transavam e mais eles aumentavam em número.

Segundo a Bíblia, desde a chegada da família de Israel ao Egito, até a sua saída, foram 430 anos (Êxodo 12:40). Imagine só a situação dos israelitas de clamarem a seu deus dia e noite por um livramento, e Javé levou 400 anos para finalmente “lembrar-se” da sua promessa à Abraão. Daí deus olhou para os israelitas e finalmente viu a situação deles. “M***a, eu não devia ter cochilado tanto! Acabei de lembrar de alguma coisa importante, mas o quê mesmo? Eita p**a, o Faraó está escravizando meu povo! Isso é muito errado, o correto é que o povo de deus é que tem que oprimir e não ser oprimido!” (Êxodo 2:23-25).

Imaginem só, Moisés nasceu, foi colocado num cesto no rio Nilo, encontrado e adotado pela filha de Faraó e quando completou 40 anos, teve que fugir do Egito. Passou 40 anos vivendo em Midiã para só depois ter uma visão do tal arbusto em chamas onde Yahweh (Javé ou Jeová) falou com ele e mandou ele ir ao Egito para libertar seu povo, e passou mais 40 anos liderando os israelitas até a sua morte aos 120 anos.


Isso está cheirando a conto de fadas. Os autores dessas lendas bíblicas gostam muito do número 40, e usam a esmo para todo tipo de contagem de tempo.

As chuvas do Dilúvio duraram 40 dias e 40 noites
Moisés esteve 40 anos no Egito, 40 anos em Midiã, e no Monte 40 dias.
Israel vageou no deserto 40 anos.
Os espiões estiveram em Canaã por 40 dias.
Elias jejuou 40 dias.
Foram dados 40 dias a Nínive.
Jesus jejuou 40 dias
Jesus esteve com os seus discípulos durante 40 dias após a sua ressurreição


A impressão que dá é que os caras ficavam contando na folhinha 40 dias ou anos exatos. Pode conferir quantos eventos na Bíblia tem duração de exatos 40 dias ou 40 anos. Pelas barbas do profeta, até vários reis esperavam que seus reinados completassem 40 anos exatos para finalmente baterem as botas.

É claro que seria muita coincidência tanto 40 dias e tanto 40 anos. Primeiramente: 40 tem significado místico para o povo hebreu, e por causa disso, eles tacavam um quarentinha nas estorinhas deles toda vez que narravam um período de tempo indeterminado. Tipo assim, precisou inventar uma estória e quer dizer que foram muitos dias ou muitos anos? Bota 40 redondinho!

Então, Deus enviou as famosas Dez Pragas do Egito. Sim, deus revelou seu plano a Moisés que consistia no seguinte:

- Primeiro ele mandaria Moisés para falar ao Faraó para libertar seu povo para adorá-lo no deserto por 3 dias. Mas Javé já SABENDO que o Faraó não concordará, a não ser pelo uso da força bruta.

- Então Javé, invés de usar a força bruta contra o Faraó, vai ferir e matar O POVO EGÍPCIO (Êxodo 3:18-20).

Como deus sabe que o Faraó vai se negar a cooperar? Por causa de sua onisciência divina? Nãããããão! Ele vai deliberadamente endurecer o coração do Faraó para não deixar o povo ir embora! (Êxodo 7:3).

Sim, você que é religioso fervoroso que nunca leu a Bíblia mas a defende com cascos e dentes, o deus que você crê é um babaca tão colossal, que prefere fazer um monte de gente sofrer à toa do que usar seus grandiosos superpoderes para fazer um teletransporte em massa de israelitas ou, ao menos amolecer (invés de endurecer) o coração do Faraó para deixá-los ir pacificamente.

E mais, f***-se livre arbítrio!!!

Como se as pragas sozinhas não fossem o bastante para convencer o Faraó de que os israelitas eram uma batata quente, Javé decidiu fazer de sua última praga a sua obra-prima de sadismo e crueldade.
Esse relato de horror está descrito em Êxodo 11 e 12.

Deus chegou com Moisés e falou que a sua última praga seria tão terrível e psicopática que o Faraó literalmente expulsaria o povo hebreu do Egito e que os egípcios entregariam tudo que tem para que o povo não ficasse nem um minuto a mais. Sério! Deus fala bem assim para Moisés: “Diga ao povo, tanto aos homens como às mulheres, que peça aos seus vizinhos objetos de prata e de ouro". Imagina um israelita chegando todo cheio de marra pro seu vizinho egípcio dizendo: "Bom dia, vizinho, como passou a noite? Falando nisso, será que você não tem nada de valor tipo prata ou ouro para me dar? Sabe como é, né? Vamos sair para servir nosso deus e ele vai querer ofertas, né? E você sabe como ele fica quando está zangado, né? Eu odiaria ter que chegar de mãos vazias e dizer que eu pedi para o meu estimado vizinho e ele não quis dar nada. Que me diz, hã, HÃ?"

Eita, mas que tipo de praga horrenda seria essa que deus estava preparando? Tipo, ele já transformou águas em sangue matando peixes, daí enviou sapos que morreram às pilhas trazendo doenças, mandou insetos para trazer mais doenças, moscas trazendo doenças, doenças e mais doenças, sem falar em gafanhotos que devoraram plantações, furunculos na pele, e até escuridão. Um monte de pessoas e animais já está ou morta ou doente e sofrendo,, o que mais esse p***a louca divino tem planejado?

"Todos os primogênitos do Egito morrerão, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho da escrava que trabalha no moinho, e também todas as primeiras crias do gado."

. . .

Sim, segundo a mente doentia do deus dos israelitas, matar pessoas e animais inocentes era a resposta para um problema que ele mesmo tinha criado. Então ele vai abater todos os primeiros filhos tanto das pessoas quanto de animais. É isso vai mostrar aos egípicos o quanto você é misericordioso e bondoso (Êxodo 34:6,7).

É claro que o deus dos israelitas faz uma clara distinção entre os hebreus e os egípcios, mostrando que a vida de uma criança egípcia inocente não vale nada para Javé. E não estou inventando isso, a Bíblia diz claramente que deus é extremamente xenofóbico e adepto discriminação (Êxodo 11:7). Afinal de contas. DEUS ACIMA DE TUDO! EGÍPCIO BOM É EGIPCIO MORTO, E SE TÁ COM PENA, LEVA PRA CASA! E eu por acaso já mencionei que deus endureceu propositavelmente o coração de Faraó só para ter um pretexto para se poder usar seus poderes para matar mais pessoas? (Êxodo 11:9,10)

Então Javé passou instruções bem específicas aos israelitas para que eles matassem um cordeiro ou cabritinho para comer assado com ervas amargas e pão não fermentado. Na hora que fossem matar o animal, deveriam pegar um pouco do sangue dele e espalhar nas vigas laterais e superiores das portas das casas onde eles fossem comer. Eles deveriam comer assado, e já arrumados para partir no dia seguinte, porque naquela noite ele mataria todos os primeiros filhos das casas onde não houvesse sangue na porta, e essa noite de terror seria comemorado anualmente pelo povo israelita.

Páscoa, vem do hebraico "pessach", que significa passagem. Essa passagem que a Páscoa se refere, é a passagem de deus pelo Egito matando todos os filhos mais velhos, mas poupando os filhos dos israelitas. Daí, quando você ouvir alguém falando m***a sobre Páscoa significar libertação, pode corrigir essa ignorância mandando ele ler Êxodo 12:27: "É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios".

Portanto, a Páscoa é uma festa que celebra o genocídio de pessoas e animais, incluindo crianças inocentes, que foram sacrificadas porque deus endureceu o coração do Faraó. Qual o pecado desses primogênitos mortos? Serem de uma nacionalidade diferente. (Êxodo 12:29,30).

É, para qualquer pessoa racional, isso é uma tremenda injustiça e uma paulada no saco do bom senso. Para você defensor ferrendo da Bíblia e das atrocidades descritas nela, raciocine: você tem filhos? Ama seus filhos? Supondo que deuses existissem, como se sentiria se um deus de uma nação estrangeira matasse seu filho mais velho? Aceitaria essa m***a numa boa? E se você pensou: "Ah, mas isso é apenas uma estória com uma lição de moral, deus não matou primogênitos de verdade!" QUE LIÇÃO DE MORAL?! Lembre-se que vivemos em um planeta bizarro onde pessoas utilizam contos e lendas de povos antigos para justificar todo tipo de absurdo! Homofobia, guerras, genocídio, discriminação, estelionato, enriquecimento ilícito, mentiras, estupro, pedofilia, assassinato, ódio, discriminação, suicídio e até (pasmem) vender ovos de chocolate!!! OVOS DE CHOCOLATE, que são entregues por um COELHO MÁGICO e...
* pop *

. . .

Perdão, minha mente explodiu.

. . .

Pronto, voltando ao assunto. OK, vamos devagar agora. Páscoa! OK? Como é que uma festa para celebrar um massacre virou uma festa onde se comemora um coelho mágico que entrega ovos de chocolate? Não há uma resposta simples. Sabe-se que os povos do Oriente Médio e do Crescente Fertil já comemoravam o início da Primavera no hemisferio norte, que ocorre nessa época do ano. Sabe-se que os hebreus também seguiam essa tradição de celebrar a nova estação, e que esse mito do Êxodo foi escrito muito, mas muuuuito posterior aos eventos que ele supostamente descreve. O que os arqueólogos descobriram é que não há nenhuma evidência de uma fuga em massa de hebreus do Egito. Sequer há evidências ou qualquer registro de que tenham sido escravos em suas passagens por lá. O mais provável (e isso sim, possui alguma evidência) é que houve uma crise econômica e política no Egito e outros lugares no planeta, ocasionados por uma drástica mudança climática, que resultou entre outras coisas, em fome, conflitos internos, invasões, e... mortes, muitas mortes (que depois foram glamurizadas como uma espécie de epopéia divina no livro de Êxodo). No século 14 AEC, já existiam hebreus vivendo na região de Canaã, e eles NÃO VIERAM DO EGITO, eles já estavam lá, mas viviam como comunidades de pastores nômades nas regiões montanhosas. Segundo as pesquisas de campo do arqueólogo Israel Finkelstein (esse nome é tão judeu, que dá vontade de cantarolar Hava Nagila Hava), é categorico em afirmar que o tal Êxodo de hebreus vindos do Egito nunca existiu! (FINKELSTEIN, Israel & SILBERMAN, Neil Asher. A Bíblia não tinha razão; tradução Tuca Magalhães. São Paulo: A Girafa Editora, 2003, pg.94-95)

Tirando a parte sobrenatural (que obviamente é inventada), o relato do Êxodo foi possivelmente baseado nas fugas de vários povos estrangeiros (mas não de hebreus) do Egito que acabaram se instalando na região de Canaã e trouxeram consigo relatos das catástrofes climáticas que assolavam o Egito, ou seja, a fome, a maré vermelha, os insetos, rãs, e as subsequentes doenças e mortes, como sendo resultante de cólera divina. Certamente, devido às estiagens severas que ocorreram na região, muitos rios e lagos devem ter se secado ou seu nível baixou tanto, que os refugiados conseguiram atravessá-los a pé. Todas esses relatos fantásticos de caos, desordem, fuga e sobrevivência transmitidas oralmente, inspirou os sacerdotes judeus de séculos posteriores a imaginar uma origem divina para o povo judeu que justificasse suas crenças e consolidasse a religião judaica sobre um estandarte mais definido. Uma evidência disso é que os hebreus adoravam muitos deuses cananeus como El, Baal (que significa "Senhor"), Asherá, e que posteriormente foram todos fundidos num só e chamados apenas pelo nome Yahweh (ou Javé), que em hebraico significa "Ele é o Cara!"

É por causa dessa fuga de povos de várias nacionalidades do Vale no Nilo à procura de terras mais pacíficas e férteis, para Canaã, que hoje em dia temos essa amálgama de tradições que chamamos de Páscoa. Eles estavam comemorando o fim do inverno e o início da temporada de colheitas na região, especialmente depois de terem passado por um aperto tão grande com a crise climática.

E hoje nós celebramos isso tudo comendo chocolate em forma de ovos, porque dane-se! Chocolate é muito mais gostoso do que ervas amargas e pão sem fermento.

"Eu adoro as estorinhas bíblicas"

Escrito por Israel Gonçalves.

sábado, 9 de junho de 2018

Estorinhas bíblicas - Jó e seus 3 amigos



Chegou o momento de falar do personagem bíblico descrito no livro de Jó, cujo nome era Jó, porque os israelitas precisavam de um conto de fadas para adultos que tentasse explicar porque deus permite a maldade mesmo sendo extremamente poderoso e bondoso. É claro que como essas duas ideias não se encaixam, o resultado foi uma longa narrativa que responde essa pergunta de uma maneira que, penso eu, estariam melhor se esse livro nunca tivesse sido escrito.

Antes de começar a ler o livro de Jó, tenha em mente que se trata de uma estória que se passa no tempo dos patriarcas, portanto todo esse conceito Hippie de "felizes os pobres", que os Evangelhos pregam, ainda não havia sido inventado. A doutrina vigente na época era a da prosperidade: deus demonstrava seu favor divino através da riqueza material. Jó, sendo homem temente a deus, era podre de rico, depois ficou apenas podre...

Jó tinha 10 filhos, 7 filhos e 3 filhas. Como essa estória é inventada, o autor nem sequer se deu o trabalho de inventar números mais plausíveis. 3, 7 e 10 são números com significado místico para os judeus, e são usados em todas as estorinhas da Bíblia. Tipo, ele tinha 7000! Não eram 2000, nem 3500, nem 4872, nem 8001 ovelhas. Eram 7000 redondinhas! Sempre que o número de ovelhas ultrapassava 7000 ele sacrificava para que o número ficasse um 7000 redondo. O mesmo com seus 500 bois e 500 jumentas, e seus 3000 camelos. O cara era praticamente um desses Sheiks do petróleo na época dele.

Mas Jó não era um ricasso esnobe. Ele era íntegro, reto e temente a deus, desviando-se do mal. Ele oferecia sacrificios de carne de animais queimados para deus, porque se você conhece deus, já sabe: o cara gosta de sangue e carne e gordura de animais queimados. Isso é evidente pelo fato de ele mandar matar e queimar cidades inteiras só para ver o sangue correndo e o cheiro de carne queimando. É tipo a cocaína de deus, e ele fica p**o se ficasse muito tempo sem sentir o cheiro do churrasco (igual a um viciando de verdade).

OK, agora para não parecer que deus resolveu trolar seu servo mais fiel apenas para brincar com a vida de um ser humano, os escribas judeus criaram um personagem novo, e que por não terem criatividade para inventar um nome bem fodão, tipo "Zartuzelan, o Devorador de Cólons", ou "Shlebylakhan, o Dedo Que Tudo Coça", eles escolheram o nome mais preguiçoso imaginável: "Opositor".

Sério?! SÉRIO??? OK, escritor do livro de Jó, você tinha que pensar num nome para um opositor de deus e aí você veio com "Opositor"? Eu copiei o nome Zartuzelan de um jogo de RPG, e Shlebylakhan eu bati minha cabeça no teclado até aparecer um nome maneirinho e coloquei -khan no final! E o melhor que você conseguiu inventar foi "Opositor"? Como essa escolha de nome é bem idiota e claramente preguiçosa, os tradutores da Bíblia decidiram deixar o nome em hebraico mesmo porque soa bem sinistro para quem não fala hebraico: "Satan".

Tá, então deus teve uma conversa com o tal Opositor e sendo o deus onisciente que é, perguntou: "De onde você vem?" E Opositor respondeu: "Rodeando a terra e passeando por ela" (igualzinho o Pequeno Príncipe). Aí do nada, deus começou a gabar seu servo Jó, porque claramente ele queria despertar inveja no Satan, que com um nome tão pouco apelativo desses jamais iria conseguir servos tão leais até inventarem o Heavy Metal.

Satan (eu vou usar Satan, ao invés de Opositor porque qualquer coisa em hebraico soa bem mais épico) que aparentemente é muito esperto , falou na lata que Jó servia a deus porque deus mimava muito ele. Daí ele propôs um desafio: "Tira as coisas dele para ver como ele não vai te mandar para a p**a que p***u". Porque naquela época ainda não tinham inventado o conceito de "inferno". Já o de p**a...

Deus, que era muito benevolente, amoroso e justo, disse para o Satan-Goss que isso era inadmissível, e que ele nunca mais ousasse sequer colocar os olhos em seu fiel servo Jó, sob pena de ter seu nome mudado para Daburá. # SQN

É da p***a do motherf***ing Jeová, o Troll dos Trolls que estamos falando. E você que leu a Bíblia sabe muito bem que o Yahweh ama uma treta, de preferência uma onde morram vários inocentes. Deus viu a oportunidade de ver sangue e seus olhinhos (tanto os claros quanto os escuros) piscaram de emoção. Ele disse ao Satan: "Pode fazer o que quiser com tudo o que ele tem, mas não faça nada contra ele!" Porque o inventor dessa estória retardada inventou o personagem Satan só para isso mesmo, servir de proxy para as ações perversas partidas da mente doentia do próprio Yahweh.

Então deus, ops, quero dizer Ah-ham! Satan, usou seus poderes mágicos para prejudicar Jó.

Sabeus vieram roubaram o gado e mataram todos os servos de Jó, e somente um servo convenientemente escapou para trazer a má notícia. Fogo de Deus (A-ha, pensa que sou eu que estou dizendo? Está lá em Jó 1:16) consumiu todas as ovelhas e servos e somente um servo escapou convenientemente para contar a estória. Depois os caldeus enviaram tropas para assaltar os camelos e matar todos os servos e somente um servo(afff!) convenientemente escapou para dar a notícia. Depois veio um vendaval de quatro direções diferentes e derrubou a casa onde estavam os filhos e filhas de Jó, matando todos e... somente um servo escapou convenientemente para dar a notícia... porque quem ler esse livro no futuro distante certamente são um bando de otários que acreditam em qualquer coisa.

A propósito, essas são as únicas mortes na Bíblia atribuidas diretamente a Satan. Mas como Satan é apenas um personagem convenientemente criado para prejudicar Jó sem queimar o filme de deus, então na verdade, deus continua invicto. Graças ao livor de Jó, agora os servos de deus podem dormir mais sossegados sabendo que deus não vê problema nenhum em apostar a vida de inocentes. Se algum crente estiver lendo isso, vou dar uma dica: Não seja tão fiel quanto Jó, senão deus pode retribuir sua lealdade matando filhos e tirando seus bens em nome de alguma aposta imbecil.

Então Jó, rasgou suas roupas, raspou a cabeça e disse que como ele nasceu pelado, então morreria pelado também, e que se deus deu, ele também podia tirar, bendito seja deus, amém!

OK, Jó permaneceu fiel a deus, Satan Imperial perdeu a aposta e deus fez uma humilhante dança da vitória e o Satan fugiu e nunca mais retornou. É! Isso mesmo, até vocês que nunca leram a p*** da Bíblia, mas que assistiram aqueles desenhos bíblicos cretinos que eles produziam para crianças, sabem que a treta não parou por aí.

Falando em desenhos bíblicos, reparou que eles sempre censuravam as partes horrendas da Bíblia e as estórias ficavam sem sentido? E como as passagens horríveis da Bíblia são muitas, nunca se viu tanto corte em desenho animado até que Dragonball foi exibido na TV Globinho. Se tem duas coisas que não combinam são Rede Globo e animes. Saudades da Rede Manchete, onde eles respeitaram o direito das crianças de ver o Seiya Arrancar a orelha do Cassius ou o Ikki cavando um buraco com a mão no peito do Hyoga! É por isso que um dia ainda sonho ver um séria de anime bíblico produzido pela companhia de Shingeki no Kyojin!

Voltando à deus brincando de apostar vidas humanas com o Satan. Resumindo: CTRL+C, CTRL+V do primeiro encontro, mas só que dessa vez deus diz que pode fazer mal a Jó à vontade (sim, esse deus é tãããão maravilhoso) contanto que não o mate, porque matá-lo seria o fim de seu sofrimento e deus achou que Jó ainda não havia sofrido o suficiente.

Então Satan (deus) causou úlceras em todo o corpo de Jó. Se você nunca teve úlcera, eu vou explicar o que é essa maravilha: imagine uma espinha do tamanho de um caroço de abacate, enorme, dolorida e cheia de pús. Quem teve furúnculo na nádega sabe que é como sentar em cima de uma granada. Imagine isso por todo o seu corpo.

A esposa de Jó, que só está nessa estória para entregar uma única fala, diz a seu marido para amaldiçoar a deus e morrer, porque essa é a função principal das mulheres em estórias bíblicas: ensinar aos homens a não confiar nelas!

Daí vieram os três amigos de Jó para visitá-lo: Elifaz, Bildade e Zofar, porque o escritor achou que depois de usar o nome "opositor" para o opositor de deus e nem sequer ter se dado o trabalho de nomear a esposa de Jó, ele achou que amigo 1, amigo 2 e amigo 3 iriam dar muito na cara.

Só que ao invés de ajudarem Jó de alguma forma, ficaram lá sentados junto com ele durante sete dias sem falar uma palavra (se está na Bíblia é porque é verdade!) E quando Jó finalmente resolveu falar,resumo: ele disse que melhor seria nunca ter nascido!

Vejam bem que interessante: todo o talento que o escritor do capítulo 1 e 2 demonstra claramente não possuir, ele guarda para os 40 capítulos seguintes, onde temos uma bela demonstração de toda a capacidade lírica da cultura judaica, que se repete em outros livros, como o de Lamentações. Pense, como um cara que inventa uma introdução tão esdrúxula dos dois primeiros capítulos depois consegue tecer palavras tão profundas e significativas como essas:

"Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha; e não veja as pálpebras da alva;
Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canseira.
Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei?
Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse?
Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim." (Jó 3:9-13)

Quem já teve depressão clínica sabe que essas palavras não são nenhum exagero, e que elas foram escritas por alguém que sentiu isso. Sabem qual foi a resposta dos "amigos" de Jó a essa intensa e profunda manifestação de extrema amargura e esgosto com a vida depois de tudo o que sucedeu? (vou resumir de maneira sucinta para ficar maaaais... dinâmico!):

- Elifaz: "Você deve ter cometido algum pecado escondido e agora está sendo sendo castigado por deus. Confesse, peça perdão que ele te curará."
- Jó: "Mas... é que eu não me lembro de ter feito nada para merecer um castigo tão horrendo e injusto!"
- Bildade: (imagina ele falano coma a voz do Silas Malafaia) "Opa, opa, opa! Peraí! Está sugerindo que deus de alguma forma estaria causando mal a pessoas inocentes, que deus é... injusto? É isso?"
- Jó: (imagina ele falando com a voz do Ned Flanders): "Olha, eu sei que estou pisando num terreno perigoso, mas... e se... houver uma possibilidade bem, mas bem, beeeim piquititita desse tamanhinho assim de que deus possa ter cometido algum tipo de pequenino... sei lá... um engano? 
NÃO QUE EU ESTEJA DUVIDANDO DA BONDADE DE DEUS, JAMAIS!" Mas é que eu me esforcei tanto para agradar a deus e agora isso! Será que não existiria uma maneira de eu saber onde eu estaria pecando para eu poder corrigir esse erro e assim todos nós sairíamos ganhando, não é?"
- Zofar: "Se você é justo, porque está sendo castigado então? Que eu saiba, deus castiga os maus e favorece os justos. Se você está nessa, alguma coisa ruim você deve estar escondendo! Simples assim.
- Jó: "Eu não sou burro sabia, eu sei que deus castiga os maus e favorece os justos, mas sabe... Ta-daaaa!!! Eu sou justo!" E tem mais, vocês não são melhores que eu, porque não aconteceu nada com vocês e só comigo?

... grilos

Jó: "Ah quer saber, agora só o que eu queria era ter uma morte rápida!"

OK, a conversa começa a tomar um rumo sinistro quando Elifaz disse essa pérola:

"Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para ser justo? Eis que ele não confia nos seus santos, e nem os céus são puros aos seus olhos. Quanto mais abominável e corrupto é o homem que bebe a iniqüidade como a água?" Jó 15:14-16

Basicamente ele diz que deus é um mega-super-um milhao de teras de filhadaputisse c**ão tão arrogante, prepotente, egocêntrico e canalha que não confia nem nos seus próprios filhos e que vê maldade em tudo e todos. Bildade, ao tentar enaltecer a santidade de deus, sem querer colocou deus como sendo um imenso babaca espacial (tipo o Senhor Bazoo, aquele vilãozão dos Changemen)! (o que não deixa de estar correto, dados os fatos do próprio livro de Jó) Para um deus tão mesquinho e impiedoso, que não vê pureza nem nas estrelas do céu, quanto menos em Jó, que deve estar podre de tanta maldade.

É aí que Jó finalmente perde sua tão famosa "paciência" e diz na cara dos seus supostos "amigos!"

"Quer saber, até agora eu só ouvi um monte de m***a sair desses c*s que vocês tem no lugar da boca! Seus c***a ovos, f***s da p***a! Se fosse um de vocês cabeças de bunda que estivessem sofrendo no meu lugar, eu iria consolar vocês, mas ao invés disso ficam enfiando e tirando, enfiando e tirando o braço da p***a da minha bunda cheia de furúnculos como seu eu fosse as p**as das mulheres que pariram vocês! Olhem bem para a p**a da minha cara, e se lembrem bem da minha expressão quando eu morrer e vocês estiverem dormindo em suas caminhas confortáveis!"

E os filhos da p*** não pegaram o recado, porque Jó não sabe escolher seus amigos e continuaram cagando nos ouvidos de Jó. Jó continuou falando que era inocente e que acusá-lo não era coisa de amigo. Mas como a meta de um servo de deus é ser tão babaca quanto seu deus, então os amigos de Jó continuaram com seus discursos de lamber o c* de deus enquanto cagam no sofrimento de inocentes. Igualzinho igualzinho muitos crentes fazem nas redes sociais.

É por isso que no capítulo 31, Jó chuta o balde e diz claramente que ele é justo, não está escondendo nenhum pecado e quer cair morto ali mesmo se for mentira! Daí aparece um personagem novo chamado Eliú, que fica p**o com Jó por se declarar justo de maneira tão aberta e com os 3 amigos por terem gerado uma montanha tão imensa de matéria fecal!

E aí ele diz claramente:
"Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência. Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos. Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras." (Jó 34:35-37)

Sim meus caros, essa é a parte do livro de Jó que nunca é lida nas igrejas onde Eliú diz claramente que Jó amaldiçoou a deus. Fim da aposta, Satan ganhou! Fim da estória, pode parar de ler por aqui.

...

Ah sim, ainda falta o final da temporada desse conto obsceno.

É claro que alguns dirão que Eliú provavelmente deve ter fumado umas antes de falar: "Mas tu estás cheio do juízo do ímpio; o juízo e a justiça te sustentam. Porquanto há furor, guarda-te de que não sejas atingido pelo castigo violento, pois nem com resgate algum te livrarias dele." (Jó 36:17,18)

Hellôuuuuu, Eliúúúúú´! Jó é praticamente um Walking Dead de tão horrível que está sua condição. Ser castigado a essa altura seria chover no molhado, mas como deus é um tremendo canalha, era bem capaz de ele causar mais úlceras em Jó até que ele se tornasse uma só úlcera gigante cheia de pus, porque eu não vejo como depois de tudo isso poderia existir um castigo pior ainda depois de perder 10 filhos, toda a sua riqueza e ainda adquirir uma doença repulsiva e ainda ter que ouvir aqueles 3 Malafaias.

E além disso Eliú começa a polir o saco de deus com tanta voracidade que acho que muitos crentes tem uma ereção quando leem esse trecho. E fica mais pornográfico ainda quando deus aparece em pessoa (?) no meio de um vendaval e começa a falar com Jó, basicamente elogiando a si mesmo e rebaixando Jó por ele ser tão ignorante e estúpido. E Jó pede desculpas, porque a essa altura da narrativa nada mais faz nenhum sentido...

E o livro termina com Jó suplicando perdão de deus, dizendo que estava fora de sí. E deus, sempre um babaca e sempre um explorador, demanda 7 bezerros e 7 carneiros queimados aos 3 amigos de Jó para que sejam perdoados por terem falado que deus era um babaca e um explorador...

E aí que a mágica do cheiro de carne e gordura de animais mortos acontece. Deus ama tanto cheiro de bicho queimado, que ele fica de bom humor. Imaginem vocês, meus caros, que esse cheiro é como se fosse cocaína para deus, e ele fica num barato tão grande que a Bíblia o chama de o "altíssimo"!

Estando embriagado com o cheiro de tanto sangue sendo derramado e gordura sendo queimada deus decide devolver em dobro tudo que Jó perdeu! Yay! VIVAAAAA!!! Então ele ressucitou os filhos e servos inocentes de Jó que morreram????

Não...

...

Ele teve outros 7 filhos e 3 filhas. E f****-se os seus filhos e servos que morreram por causa de uma aposta perdida contra seu próprio lado maligno...


Texto de Israel Gonçalves