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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Jeová, o deus hipotético




Jeová, o deus de Abraão, é hipotético. Ele é uma possível explicação para o universo e para a vida na Terra. Mas existem muitas mais explicações possíveis. Algumas são naturais e não requerem deuses. E também existem muitas explicações sobrenaturais diferentes, incluindo um número desconhecido de deuses que ainda nem sequer conhecemos.

Os crentes de Jeová devem ser capazes de resolver isso, basta-lhes produzir evidências que mostrem, para além de qualquer dúvida, que Jeová foi o responsável, e assim, o trabalho está feito. Infelizmente, em mais de 3 000 anos, nenhuma evidência foi encontrada. Nada de nada.

Pior ainda, as descrições na bíblia de como o universo e a vida foram criadas, são completamente contraditórias por uma grande quantidade de evidências físicas. Quem escreveu aquilo na bíblia, entendeu tudo errado. A hipótese de Jeová é comprovadamente falsa, portanto devemos descartá-la.

Infelizmente, mais de três mil milhões de judeus, cristãos e muçulmanos não se importam com as evidências, a mãe deles disse que o Senhor fez aquilo tudo e isso é o suficiente para eles. Enfim...


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 19 de abril de 2020

10 coisas que sabemos sobre deuses



1. Os seres humanos inventam deuses e religiões. 
2. Não há evidência de que existam deuses. 
3. Nenhuma religião jamais se mostrou ser verdadeira.  
4. Deuses e religiões evoluem com o tempo. 
5. A doutrinação infantil pode tornar as pessoas confiantes de que absurdos são verdades. 
6. As crenças em deus vêm das famílias. 
7. Em todos os testes rigorosos, as orações sempre falham. 
8. A imaginação humana pode tornar deuses inventados parecerem reais. 
9. Os humanos podem achar deuses inexistentes extremamente confortantes. 
10. A crença em deus vem da emoção, não da razão. 

BÓNUS 
11. Os crentes em deus justificam a sua crença na fé, mas a fé não tem como distinguir a verdade do absurdo. 

Há boas evidências de que todas essas afirmações são verdadeiras. Então, podemos resumir isso facilmente: Tudo o que sabemos lança dúvidas sobre a existência de deuses. 
Nada do que sabemos sugere que eles são reais. 


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Por que é que existem crentes?



Um amigo muçulmano recentemente me marcou neste comentário:

"O problema para o ateísmo começa quando se pede aos seus proponentes para que eles forneçam evidências de que Deus não existe."

O problema com aquele comentário é que a maioria dos ateus não afirma que Deus não existe, e como tal, os ateus não têm a obrigação de fornecer evidências para algo que não reivindicam.

Os crentes afirmam que há um ou mais deuses, mas não conseguiram até hoje arranjar uma única prova de que isso é verdade. Ninguém deve acreditar em alegações extraordinárias para as quais não há provas. Obviamente! 
Isso explica por que existem ateus.

Mas isso não explica porque existem crentes...


Texto de Bill Flavell

domingo, 7 de outubro de 2018

O buraco em forma de deus



Alguns religiosos consolam-se com a ideia de que todos os seres humanos têm um "buraco em forma de deus" no seu coração / alma / vida / cérebro.

A ideia é que deus criou-nos e projectou-nos com um buraco em forma de deus, na esperança de que sentiríamos a necessidade dele nas nossas vidas e o buscaríamos.

Essa ideia remonta pelo menos a Pascal, mas foi alimentada recentemente pela disciplina da neuroteologia. Esta é uma disciplina científica relativamente nova, que estuda o que realmente está a acontecer no cérebro durante as experiências religiosas. Com certeza, a neuroteologia descobre que nossos cérebros são capazes de experiências numinosas, sejamos nós religiosos ou não. Quer acreditemos num deus ou não.

Se olharmos para fora da neuroteologia, encontramos evidências do buraco em forma de deus da antropologia. Com certeza, onde quer que vás no mundo, encontrarás pessoas com convicções religiosas. Isso vale para as nações mais avançadas tecnologicamente e para as pequenas comunidades que vivem na selva brasileira. Na verdade, existem algumas excepções, mas é verdade que as crenças religiosas são quase omnipresentes.

Os religiosos, frequentemente, vêem esses factos como evidência de que deus existe, e que nós fomos feitos para buscar deus.

Mas será essa uma conclusão razoável?

Vamos começar com neuroteologia. É justo dizer que a neuroteologia conclui que todos nós, ou quase todos nós, somos capazes de ter experiências religiosas. Essas experiências são profundamente emocionais. Elas podem provocar mudanças na vida. As pessoas, frequentemente, descrevem sentimentos de união com o universo ou com deus - elas perdem o sentido do "eu" e sentem que se tornam parte de algo maior - talvez até algo infinito ou eterno.

Mas aqui está o interessante - há muitas maneiras de desencadear essas experiências. Meditação, campos magnéticos, drogas ou pensar num deus. Até a epilepsia pode fazê-lo. Os cristãos podem fazer isso, pensando em Jesus; Os muçulmanos podem fazer isso, pensando em Allah; Os hindus podem fazê-lo, pensando em Vishnu ou em muitos outros deuses. Isso exclui a possibilidade de que um deus, agindo de fora de ti, esteja a fazer com que tu tenhas esses sentimentos. Isso mostra que algo dentro de ti - o teu cérebro, esteja a causá-los.

Então, o buraco em forma de deus revela-se maleável. Ele pode mudar de forma: de um buraco onde Jesus se encaixa perfeitamente, para um que se ajusta confortavelmente a Vishnu, Allah ou Odin. De facto, o buraco é perfeitamente ajustável a qualquer deus em que acredites - tu até podes inventar um deus, que ele vai-se encaixar!

Será que deus fez intencionalmente este buraco que muda de forma, para se ajustar a si mesmo e a outros deuses, também? Será que ele decidiu fazê-lo de modo a se encaixar em quaisquer deuses inexistentes que os humanos possam sonhar? Ou será que estamos, simplesmente, a olhar para uma aptidão que os cérebros humanos desenvolveram por algum motivo?

É verdade, ainda não sabemos exactamente por que essa aptidão evoluiu, ou se é apenas um subproduto acidental de outras aptidões que realmente precisamos.

Mas uma coisa é evidente, o buraco em forma de deus, certamente não é indício da obra de deus, a menos que deus tenha um senso de humor verdadeiramente diabólico!


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O meu tipo de apologista




Eu tenho que ser honesto, eu tenho um problema com os apologistas religiosos.

Os apologistas acreditam em todo um panteão de seres invisíveis benevolentes e malévolos. Eles acreditam que os seres invisíveis e malévolos devotam as suas vidas inteiras ao uso de seus consideráveis ​​poderes mágicos para infligir calamidades a milhares de milhões de seres humanos desafortunados, que são impotentes para fazer o que quer que seja, para além de suplicar aos seres benevolentes que os protejam dos malévolos.

Eles acreditam em tudo isso, e muito mais, sem o mínimo de evidências de que qualquer um desses seres realmente existe.

Isso certamente já seria suficiente mau, mas os apologistas têm o atrevimento de criticar duramente as pessoas que reclamam por evidências sólidas, antes de acreditarem em alegações extraordinárias. Ou seja, são doidos que condenam os sensatos, por estes não serem tão doidos quanto os doidos gostariam que eles fossem.

Os apologistas receberão o meu respeito no dia em que verdadeiramente se tornarem apologistas(*). Este será o dia em que eles realmente dizem "Desculpa". Desculpa, não consigo tirar essas ideias da minha cabeça. Desculpa, eu adoro acreditar nessas coisas, apesar de não haver razão racional e razoável para acreditar nelas. Desculpa, eu não deveria tentar encontrar maneiras desonestas de fazer as minhas crenças parecerem menos ridículas. Desculpa, eu não te deveria atacar por seres sensato. Lamento profundamente.

Este seria o tipo de apologista(*) que eu poderia suportar.


(*) Jogo de palavras na língua inglesa em que cruza as definições de "apologist", como defensor de algo controverso como uma crença religiosa e "apologist", aquele que pede desculpas.

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Por que preocupar-se com a vida após a morte?



Quando eu rejeito a noção de uma vida após a morte, às vezes até os descrentes me repreendem e dizem que eu não posso saber, ninguém sabe, o que acontece depois da morte. Rigorosamente, eles até estão certos, mas uma vida após a morte é uma ideia tão extraordinária e com zero evidências que a suportem, que me pergunto por que as pessoas estão tão relutantes em descartá-la.


Praticamente sem excepção, essas mesmas pessoas rejeitariam a noção de que reencarnamos após a morte como um rei, ou um pedinte, ou um cão, ou uma lesma. Por que será que eles recusam essa noção? Usando a sua própria lógica, eles não sabem o que acontece depois da morte - ninguém sabe.

As pessoas recusam descartar a ideia de vida após a morte, desconfio, porque está profundamente enraizada na cultura ocidental. A ideia é realmente antiga. É anterior ao cristianismo por muitos milhares de anos. Há até algumas evidências arqueológicas de que os humanos preparavam os mortos para a vida após a morte, desde o Paleolítico Médio, há mais de 50 000 anos.

Da mesma forma, as pessoas prontamente descartam a reencarnação porque NÃO faz parte da cultura ocidental.

A reencarnação é uma ideia extraordinária. A vida após a morte é uma ideia igualmente extraordinária e não tem nenhum pedaço de evidência. Não deves perder um segundo de sono preocupando-te com qualquer uma delas.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 16 de setembro de 2018

Guerras das ciências



E AGORA AS NOTÍCIAS!

Trinta cientistas foram feridos ontem por um homem-bomba na Royal Society, em Londres. 
O bombista correu para o palco durante um simpósio de física, na famosa Biblioteca Wolfson. Antes que a equipa de segurança adormecida pudesse reagir, o homem-bomba gritou: "A Supersimetria é verdade!" e acionou um dispositivo escondido sob o paletó.

Isso aconteceu em menos de uma semana após o físico rebelde, o Dr. Ogun Dirkie ter sido executado por injeção letal. o Dr Ogun Dirkie argumentou repetidamente que a matéria escura é composta de bariões que interagem fracamente. Dirkie recusou retratar-se da sua alegação que contradiz diretamente a política da Academia Nacional de Ciências de que a composição da matéria escura é desconhecida e inerentemente incognoscível. 

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Claro, nunca verás notícias como estas. E por quê? Porque a ciência resolve os conflitos com evidências e lógica, não com violência. A ciência está preocupada em descobrir o que é verdade - não para impor dogmas.

Mas a violência é endêmica num dos ramos do esforço humano. A violência e a intimidação têm sido usadas há milhares de anos para impor as visões religiosas.

O processo começa quando crianças ainda pequenas são doutrinadas numa religião sem o seu consentimento. Então, a coerção, incluindo a violência, é usada nelas para impedir que em adultos abandonem essa religião ou expressem opiniões contrárias.

Em alguns casos, desentendimentos entre grupos religiosos resultam em derramamento de sangue indiscriminado. Podemos ver isso hoje a acontecer em várias partes do mundo.

Por que os religiosos não podem comportar-se como os cientistas se comportam? Por que eles não podem discutir as suas divergências e confiar na lógica e nas evidências para resolverem as suas diferenças e chegarem a um consenso?

A resposta para isso é simples. Eles não podem fazer isso porque NÃO TÊM PROVAS. Assim, os conflitos entre religiões podem irromper em violência.

Isto é verdade para desacordos entre religiões e é igualmente verdade para divergências dentro de uma religião. O que acontece quando um membro de uma religião não acredita mais nela? As religiões têm uma escolha: dar às pessoas a liberdade de sair ou intimidá-las a permanecer.
As religiões fizeram essas escolhas e, embora todas continuem a doutrinar as crianças, a maioria, no século XXI, optou por permitir a liberdade de expressão e a liberdade de consciência.

Apenas uma grande religião hoje procura proibir essas liberdades com violência judicial, e essa religião é o islamismo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 25 de agosto de 2018

Lógica assimétrica



Algumas pessoas religiosas são capazes de encontrar buracos fatais na montanha de evidências para a Teoria da evolução, buracos que até os biólogos profissionais não conseguem ver. Essas pessoas acreditam que deus, não a evolução, foi o responsável pela extraordinária variedade de espécies na Terra. Obviamente, só se deus existisse poderia ser o responsável, mas estranhamente, essas pessoas não conseguem oferecer nem um único pedacinho de provas para a existência desse deus.

A lógica deles parece ser de que, apesar da VASTA QUANTIDADE de evidências que temos para a Teoria da evolução, não são suficientes para a aceitar, mas NENHUMA evidência do que quer que seja para a criação, serve perfeitamente para aceitar a hipótese de deus.

Eu tenho cunhado um nome para essa nova forma de lógica, eu a chamo de "lógica assimétrica". 
Outros têm dado nomes muito menos educados para isso.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Por que razão as religiões não se importam com a verdade...



Todas as religiões insistem que encontraram a verdade, apesar do fato de haver centenas de religiões e milhares de denominações pregando crenças contraditórias. Isto faz-me pensar: se as religiões estivessem REALMENTE preocupadas em encontrar a verdade, como esperaríamos que elas se comportassem?

Eu não esperaria ver guerras religiosas ou inter-denominacionais, como as que vimos entre muçulmanos xiitas e sunitas, católicos e protestantes, muçulmanos e hindus e outras. Obviamente, tu não descobres quem tem a verdade matando aqueles que têm opiniões diferentes.

Em vez disso, eu esperaria ver grupos de trabalho multi-confessionais em centros de ensino superior por todo o mundo, trabalhando 24 horas por dia, analisando evidências, organizando expedições arqueológicas e realizando pesquisas. Eu esperaria que esses centros de excelência tivessem descartado a maioria das religiões e denominações e trabalhassem duro para reduzir a lista das religiões remanescentes.

Finalmente, eu não esperaria que as religiões se apegassem aos dogmas que não pode ser mudados, e em vez disso, eu esperaria que as religiões mudassem prontamente as suas crenças à medida que novas evidências fossem descobertas.

Mas, no mundo real vemos as matanças, vemos dogmas rígidos e vemos os apologistas inventando malabarismos intelectuais para “explicar” contradições e aparentes absurdos. Mas não vemos tentativas sérias de descartar as falsas religiões por mútuo consentimento. Por que não?

Porque as religiões NÃO são sobre a verdade! 

A verdade não é relevante para as religiões. É por isso que as religiões confiam na fé e evitam evidências. É por isso que eles confiam na doutrinação das crianças e não na investigação de mente aberta.

As religiões não são sobre encontrar a verdade - elas são sobre defender mentiras.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A minha visão do mundo, ou a tua?



Alguns teístas lidam com a necessidade de mostrar que o seu deus existe, jogando a carta da cosmovisão. Essa é a ideia de que teístas e ateus têm maneiras diferentes de ver o mundo. Ninguém está certo e ninguém está errado, somos apenas diferentes. Mas como vemos o mundo de maneira diferente?

A minha visão do mundo é simples, tento acreditar apenas em coisas que são verdadeiras, exigindo evidências sólidas e uma lógica válida para cada afirmação. As minhas crenças seguem as evidências e posso mudar a minha mente com muita facilidade quando boas evidências são apresentadas. A verdade é que, para mim, mudar de ideia é razão para uma pequena comemoração, porque significa que aprendi alguma coisa.

Tipicamente, a visão do mundo dos teístas é muito diferente. Essa visão do mundo é focada em defender e preservar quaisquer estórias que tenham sido contadas ao teísta quando criança, independentemente de serem absurdas e de não terem evidências. É uma visão do mundo que requer fé e a necessidade de contorcionismo intelectual para evitar conclusões desconfortáveis. Os teístas podem mudar de ideia, mas o processo é frequentemente carregado de angústia, culpa e medo. Por quê? 
Porque essa cosmovisão é impulsionada por emoções profundas e não pela razão.

Eu resumiria essas diferenças assim: a minha visão do mundo exige uma honestidade intelectual implacável; a visão do mundo teísta exige engano intelectual, igualmente implacável.

Qual visão do mundo preferes?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Desmontando o argumento do livre arbítrio



As pessoas dizem-me que deus não pode se revelar para mim, pois isso tiraria o meu livre arbítrio de acreditar ou não nele, pois se ele se revelasse, eu seria forçado a acreditar.

Claro que isso não é verdade. Há evidências absolutamente claras de que a Terra é esférica, mas ainda assim, alguns milhares de pessoas escolhem acreditar que ela é plana. Há também evidências claras de que a Terra orbita o Sol, mas ainda assim, algumas pessoas escolhem acreditar que o Sol orbita a Terra. As pessoas são sempre livres para rejeitar provas ou para as interpretar de forma diferente dos outros.

Mas deus esconde-se duma forma tão efetiva que nenhum ser humano pode demonstrar que ele existe, pois deus não deixou, nem deixa, qualquer evidência que existe. De fato, sendo eu uma pessoa racional e deus escondendo-se completamente, ele realmente tira o meu livre arbítrio de acreditar nele.

Deus tornando-se indistinguível de outros milhares de deuses fictícios, ele rouba a minha liberdade de acreditar que ele existe.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Os teus sentimentos e deus



Se perguntares às pessoas por que acreditam em deus, a maioria vai-te dar uma razão derivada da lógica (no entanto, torturada e quebrada), mas uma minoria considerável ignora a lógica e confia inteiramente em seus sentimentos. A questão é: serão os sentimentos uma maneira válida de determinar o que é verdade? Uma pessoa pode dizer algo como "Eu sei que deus existe, eu sinto-o no meu coração".

Não tenho motivos para duvidar que essa pessoa realmente experimente sentimentos, mas quais são os sentimentos e que conclusões tu podes tirar deles? Existe uma extensa literatura científica sobre o assunto. Os sentimentos surgem da liberação de substâncias químicas - neuropeptídeos e neurotransmissores, no cérebro, e hormonas, na corrente sanguínea. A sensação que tens depende da mistura e quantidade de substâncias químicas liberadas e pode variar de medo agudo à total felicidade. Esses produtos químicos também enviam sinais ao teu corpo, para prepará-lo para algo que está a acontecer ou prestes a acontecer, por exemplo, para comer, correr, fazer sexo ou sentir dor.

A liberação de substâncias químicas é desencadeada pelo cérebro, especificamente pelo que o cérebro acredita que está a acontecer. Mas há um problema - o cérebro é facilmente enganado. Por exemplo, o cérebro pode acreditar que estás prestes a ter sexo e acionar todas as hormonas certas, mas, na verdade, tu estás apenas a sonhar ou a assistir aos píxeis a mudar de cor num monitor de PC!

Ou o cérebro pode acreditar que uma grande aranha está a aproximar-se e disparar hormonas de medo, apenas para descobrir que foi uma folha que caiu. É natural que toda a gente possa relatar incidentes em que fortes emoções foram desencadeadas por um falso alarme.

Na verdade, até mesmo uma suspeita pode ser suficiente para desligar o cérebro. Por exemplo, a suspeita de que o teu parceiro te traiu pode ser suficiente para criar emoções poderosas.

Há dois pontos aqui, sentimentos são desencadeados por crenças e o cérebro é facilmente enganado e levado a acreditar em coisas que não são verdadeiras.

Então, quando alguém diz que sente deus no seu coração, o que ele está mesmo a dizer é que, quando o cérebro dele acredita que deus está presente, isso desencadeia neuropeptídeos que o fazem sentir-se muito bem. Logicamente, isso é o mesmo que dizer: "Eu acredito em deus porque o meu cérebro acredita em deus". Não é um grande argumento, mas tem um atributo que o torna muito persuasivo - é um círculo vicioso de auto satisfação. Quanto mais tu acreditas, mais fortes são as emoções e quanto mais fortes são as emoções, mais tu acreditas.

Nós devemos concluir que os sentimentos não são evidências da existência de deus - eles são apenas evidência de tua crença na existência de deus. Se tu quiseres descobrir se deus existe, não olhes para dentro do teu cérebro, olha para o mundo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 22 de maio de 2018

As equações da fé




Muitos religiosos negam veementemente a acusação de que suas crenças são fundadas na fé cega. Eles admitem que a fé contribui para suas crenças, mas dizem que a fé é apenas um dos muitos factores.

Eles estão completamente enganados. Há apenas fé cega.

Vejamos as equações de fé. Crenças fundamentadas em:

Fé + 0 = fé cega
Fé + sinais = fé cega
Fé + os teus sentimentos = fé cega
Fé + falácias lógicas = fé cega
Fé + pensamento positivo = fé cega
Fé + evidência ambígua = fé cega

No entanto, existe uma maneira de escrever essas equações para chegar à fé justificada. Crenças fundamentadas em:

Fé + evidência inequívoca = fé justificada

Mas a fé está em ambos os lados da equação, por isso é anulada - é desnecessária. Se tu tens uma evidência inequívoca, não precisas de fé alguma.

Naturalmente, a fé também é anulada nas equações da fé cega. Se tu só tens razões más para acreditar, a fé não acrescenta nada à confiabilidade das tuas crenças.

Nada disso nos deve surpreender. A fé não fornece nenhum mecanismo para distinguir as ideias verdadeiras das falsas, ou ideias factíveis das ideias absurdas. Mas, se tu achas que isso significa apenas que a fé é inútil, tu estás enganado. A fé é muito pior que inútil, é perigosa. Pois a fé encoraja as pessoas a terem certeza de que suas crenças são verdadeiras. Cuidado com a pessoa que tem crenças injustificadas e está convicta que elas são verdadeiras.

Então, vamos dizê-lo claramente. Acreditar em coisas, baseado em fé cega, é muito estúpido. Os religiosos devem saber disso. Talvez seja por isso que eles fingem ter mais do que fé cega.

Mas não têm. Há apenas fé cega.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 20 de maio de 2018

O que a História nos diz sobre a ressurreição



A ressurreição de Jesus é um dos pilares do cristianismo. 
Se ela não aconteceu, o cristianismo é uma mentira. 
Se a ressurreição é inconcebível, então o cristianismo é inconcebível.

O famoso historiador e estudioso do Novo Testamento, Bart D. Ehrman, explica como a evidência histórica é avaliada tal como a confiabilidade das evidências para a ressurreição de Jesus. Se não tiveres tempo para assistir ao vídeo de 13 minutos, aqui está meu resumo de seus argumentos.

1. O que é uma boa evidência histórica?

a) Contemporânea (escrito no momento do evento por testemunhas oculares)
b) Muitas fontes independentes
c) Consistente entre as fontes
d) Fontes imparciais

2. Quais são as fontes para a ressurreição?

As únicas fontes são encontradas na Bíblia e são os evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos Lucas e João.

3. Os Evangelhos são boas evidências?

a) Nenhum dos Evangelhos é contemporâneo, nem mesmo próximo. O mais antigo (Marcos) foi escrito 35-40 anos após o evento. O mais recente (João) foi escrito 60-65 anos depois. Nenhum dos autores foram testemunhas oculares. Todos os Evangelhos são anónimos, pois os nomes foram adicionados muito depois de terem sido escritos. 

b) Existem apenas duas fontes realmente a ter em conta: Marcos e João. Mateus e Lucas são semelhantes a Marcos no vocabulário, gramática e estrutura. Além disso, proporções significativas de Mateus e Lucas são palavra-por-palavra idênticas a Marcos. Consequentemente, os estudiosos acreditam que Mateus e Lucas foram copiados de Marcos e embelezados. 

c) Os Evangelhos contêm dezenas de inconsistências (até mesmo os evangelhos copiados mostram muitas inconsistências). 

d) Os cristãos estavam empenhados em converter as pessoas à sua nova religião. Histórias de milagres teriam sido influentes (especialmente no século I, quando as pessoas aceitavam mais prontamente tais histórias do que hoje), portanto é provável que histórias de milagres tenham sido usadas para converter pessoas ao cristianismo. Em outras palavras, os contadores de histórias eram tendenciosos.

4. O maior problema de todos

Os historiadores tentam estabelecer o que mais provavelmente aconteceu no passado. Milagres são, por definição, o evento MENOS provável. O evento menos provável nunca pode ser o evento mais provável.

Se Jesus foi ressuscitado dos mortos, teria sido um milagre, que é o evento menos provável. E a única evidência que temos são os relatos evangélicos, que fracassam em todas as provas de boas evidências históricas.

5. Conclusão

Não se pode mostrar que a ressurreição tenha acontecido usando evidências históricas. Só pode ser acreditado na fé.

"Se você acredita na ressurreição, é por razões teológicas... não é e não pode ser baseado em provas históricas." --Bart Ehrman

Link para o YouTube


Traduzido e adaptado de Bill Flavell