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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Os tributos eclesiásticos da fabricação da culpa à oferta de salvação!



Como numa transação comercial, a lei da oferta e da procura foram previamente planejas para remissão de seus “pecados”

Do nascimento até a morte, o cristão tem sua meta de culpas, pecados e “taxas moratórias” a pagar a um ser do mundo metafísico do coletivo imaginário popular. Segundo os que regem o “santo império da fé”, ninguém pode deixar esse mundo sem antes quitar as dívidas adquiridas desde o nascimento com esse ser. Deus e o diabo brigaram milhares de séculos atrás, mas quem paga a conta por isso é você. Isso parece até o efeito cascata de uma má gestão pública causada por um gestor ruim em países subdesenvolvidos.

Não seria redundante mostrar que as “taxas tributárias sobre o pecado” que os indivíduos pagam em países subdesenvolvidos, são semelhantes as pesadíssimas cargas de impostos cobradas pelo governantes nesses mesmos países. Em ambos os casos, os tributados dispõem de péssimos serviços prestados pelos gestores, enquanto observam parte do fruto de seus esforços sendo direcionados para o luxo dos que os dirigem e a utilização da máquina pública para opressão e repressão dos que tentam levar o povo à lucidez.

Para recebimento e cobrança dessas infinitas taxas tributárias sobre o pecado dos homens, estabeleceu-se por conta própria um instituição denominada de “a igreja do senhor”. Aliás, ela mesma se auto intitulou intermediadora (cambista), e ela mesma quem definiu as normativas de pagamento e valores dos tributos de acordo com raça, cor e poder aquisitivo dos subordinados.

Negros, povos colonizados, pobres e analfabetos sempre foram os mais tributados por essa instituição mundialmente atuante. Se você é rico ou tem amigos poderosos na base do clero por exemplo, você poderá até ser canonizado e venerado como santo depois de morto, mesmo se em vida fostes uma má pessoa, um líder de uma organização criminosa, um genocida ou um grande manipulador. Não te assustes se na base dos grandes governos cristãos e nos que controlam as mídias audiovisuais vires as mesmas coisas. São apenas ossos do oficio desse sistema tributário.

Desde Constantino, os que criam as “leis de deus” e as “leis dos homens” bem como aqueles que as tornam conhecidas entre os povos, quase sempre andaram de mãos dadas ou tem os mesmos interesses. Você sempre será culpado por algum crime que nunca cometeu ou será penalizado pelo seu comodismo, mas se reagires aos tributos e a forma de governo imposta, sua pena será ainda maior. Ore e agradeça a deus por tudo, “pois em tudo dai graças. Esse é o mandamento divino”...

O pecado, segundo a “santa igreja”, é o tributo final das cobranças impostas ao homens de acordo com essa instituição credora. O pecado gera a morte. Por causa do pecado do homem para com deus toda a natureza padece. Desastres ecológicos e epidemias com milhares de mortes tem sido um modo desse deus soberano aplacar um pouco a sua ira e não nos exterminar de uma vez por todas. Devemos agradecer esse ato corretivo de misericórdia, segundo pensamento medieval ainda presente.

Como um pai desequilibrado que só vive sob efeito do álcool, ele estar vendo tudo o tempo inteiro mas nada faz. De repente, ele perde a paciência, vem e espanca todo mundo com sua ira descomunal e só para de bater quando o clero se reúne para pedir misericórdia e ofertar os tributos arrecadados em seu nome.

Penitencias, orações, dízimos, ofertas, compra de produtos ungidos e obediência cega aos líderes da igreja são os meios mais comuns que a igreja estabeleceu para quitação do tributo do pecado do homem para com deus e para aplacar sua ira. Além das coisas que a própria igreja já instituiu como pecado, ela não importa que uma pessoa isolada ou um grupo inteiro de pessoas venham “fabricar” ainda mais outras modalidades de pensamentos e ações que levem o homem a se considerar um mísero pecador. Para a santa igreja, quanto mais culpa mais lucro, mais domínio!

Beneditinos, franciscanos, puritanos, protestantes, sabatistas, calvinistas, luteranos, anabatistas, evangélicos e tantos outros segmentos, são apenas maneiras diferentes de produzir mais culpa aos homens e desse modo gerar mais tributos para a “casa de deus” e gerar mais pessoas submissas aos “cobradores de impostos da fé”.

Se você vai se culpar por tomar um refrigerante, assistir TV, ver o corpo nu de seu próprio conjugue, ter falado um palavrão, ter comido carne de porco ou por ter esquecido de guardar um dia santo, isso não importa! Importa mesmo é que você diga para si mesmo todos os dias, diga para todo mundo, diga aos quatro ventos que você é um miserável pecador e que precisa da graça de deus para ser salvo! A graça de só vem por intermédio da igreja.

Desse modo, tu serás agraciado pois a santa igreja, em suas várias modalidades de seguimentos irá dizer: “estamos aqui para te ajudar”! Por esse ou por aquele valor, por esse ou por aquele serviço voluntário, por essa ou por aquela penitencia, te reconciliaremos a deus e tu serás puro outra vez!

Deus em seu infinito silencio e complacência dirá amém a tudo que seus representantes intentar fazer em seu nome. Ele, assim como a santa igreja só irá se enfurecer contra ti quando questionares a ideia de pecado e as indulgencias cobradas pela igreja.

Então pequem! Pequem mais! Pequem mesmo! Pequem muito... A igreja agradece! Se queres a atenção de seu líder religioso, crie ou gere culpa para si mesmo e para tantos outros possíveis! A igreja entraria em falência se não fosse pelos seus “pecados”. Para o bem da própria igreja que tu amas tanto, não se libertes dos teus sentimento de culpa inseridos pela ideia de pecado e sejas um eterno miserável e pobre pecador, e diga isso com toda a força do seu ser.

Para cada 20 novas pessoas que confessam isso publicamente um novo obreiro, sacerdote ou “ungido” é consagrado e um novo projeto de templo é iniciado. Se tu é do tipo que apoias mais a construção de igrejas do que de escolas em nosso país, continue “pecando” e peque muito, só assim mais igrejas tomarão o espaços de instituições realmente prestativas e tu jamais irá precisar de raciocinar nada, pois até isso os “ungidos do senhor” farão por ti. Se entenderes bem como funciona o sistema e não fores capaz de se rebelar contra ele, também te consagração a uma das várias modalidade de cargos disponíveis no futuro, após atingires sua cota de “pecado”.

A igreja precisa de “pecadores” para sobreviver, de pessoas que vivam atoladas em sentimentos baixos, se culpando por todo tipo de idiotices que fizeram ou deixaram de fazer. Gente honesta, direita e que não precisam da ideia de deus para fazer o que é certo e justo sempre deram prejuízos a igreja. Gente de boa índole que não esteja ligado a uma instituição religiosa é uma afronta a igreja. Um projeto do anticristo, pois somente “em deus” o homem pode fazer o bem! Assim professa a velha bancada dos vendedores de indulgencia.

Pessoas que promovem o caos, sempre foram os maiores aliados dos “homens de deus”. Não é à toa que as pessoas que se tornam celebridades instantâneas em qualquer instituição religiosas, não são aquelas que tem uma história bonita de honra para contar, mas são exatamente as que mais aprontaram na sociedade, que irão receber atenção especial de toda igreja. Gente equilibrada e igreja nunca foi uma combinação boa! Quanto mais macabra e hedionda for a história de uma pessoa, maior será sua receptividade na “casa de deus”, principalmente no meio evangélico pentecostal. Eles te farão de macaquinho adestrado de circo, e irão te conduzir de evento em evento, de cruzada em cruzada, de vigília em vigília, falando de sua “conversão” e arrecadando fundos para o “reino de deus”. Aleluia!

Quem sabe, não há nada mais delicioso aos ouvidos da maioria dos líderes religiosos do que a expressão: “pequei, preciso confessar”. Já por sua vez a expressão: “aprendi o suficiente para conduzir minha vida sozinho” deixa quase todos os líderes religiosos cristãos com a síndrome do ninho vazio. Por isso inventaram a expressão: “fora da igreja não há salvação”...

A ideia de pecado gera dependência e lucratividade para todo um sistema. Toda a hierarquia eclesiástica depende do seu pecado para sobreviver. Todo o poder e majestade que a esses homens foram atribuídos, dependem justamente da culpa que você carrega desnecessariamente ou do estilo de vida louco que uma pessoa “cheia de deus” possa levar quando se deixa “ser usada pelo diabo”.

A lucidez e a disciplina levam à falência qualquer sistema religioso predador. Quase todos eles o são! A auto-suficiência dos homens é o maior pesadelo de qualquer sistema que tenha a ignorância dos homens como o maior serviço a ser explorado.

Esse modelo de prestação de serviços fornecido por boa parte dos grupos religiosos cristãos, assemelhasse a algumas empresas que vendem produtos sem garantias e com defeitos, sabendo que o cliente logo vai comprar outro, ou como prestadoras de serviços que vendem planos sabendo que o cliente jamais irão usar. Seu pecado e sua culpa, são símbolos de lucro, poder e domínio...Cada “pecado” cometido por ti faz valer o “preço das ações” na “bolsa de valores” da igreja qual você faz parte

Como já dito, o cristianismo é tão bom para esse tipo de pensamento que qualquer igreja ou segmento pode criar sua própria cota de pecados fornecer aos congregados e a forma de remissão para eles. Até depois da morte, no purgatório, alguns indivíduos ainda continuarão fornecendo receitas aos cofres da santa igreja.

Pensem bem: tem coisa mais lucrativa no mundo do que o comércio da ingenuidade? Oh coisa boa! Uma fonte infinita de lucros que faz com que até depois de morto o indivíduo gere “comissão” para o “atravessador”.

Nenhuma empresa de MMN superou até agora os sistemas de arrecadações de lucros gerados para os “pais fundadores” da santa “ig-empresa”. Nenhuma durou tanto tempo atuando e fornecendo serviços até no post mortem! Nenhuma usou a mesma propaganda por tanto tempo (a volta de jesus). Nenhuma se mete tanto em sua vida pessoal e familiar quanto essa.

Acredito que toda empresa de MMN que já surgiu, teve como base os sistemas religiosos cristãos atuante desde o século 3 de nossa era. A ideia de pecado é o carro chefe dessa grande multinacional. As empresas de MMN mais lucrativas de hoje vendem ração alimentar, cosméticos, ou produtos que trazem benefícios a saúde dos usuários para se manterem funcionando. A santa igreja te vende a ideia do pecado e oferece a remissão para os mesmo e bate a lucratividade de todas essas empresas juntas. Para o modelo católico de ser por exemplo, a tributação sobre o pecado começa na fecundação de um embrião. Uma linha de pensamento desse segmento concorda que temos em nosso DNA, a herança do pecado de Adão e Eva e por isso somos amaldiçoados desde a concepção, tendo assim de tributar a igreja de alguma forma para sermos livres desse pecado.

Outra linha acredita que é no ato sexual natural entre homem e mulher que começa nosso pecado e que o único homem nascido sem pecado no mundo fora aquele em que não houve sexo natural para conceber, cuja mãe fora engravidada por uma pomba. Relação homem-mulher é pecado. Relação com uma pomba imaginária não! Vá entender...

Outra linha do cristianismo defende que no ato do nascimento quando uma criança ao ser concebido por meio do parto natural, ela tem contato com o clitóris da mãe ao ser expulso pelas contrações musculares da região pélvica. Se for menino, o pecado é ainda maior, pois quando ao sair do ventre, o pênis do bebê roça (tem contato) a vulva de sua genitora, tornando assim esse pequeno ser instantaneamente um pecador. Esse também é uma outra forma de entendimento sobre o PECADO NATURAL segundo uma linha do cristianismo.

Com o desenvolvimento da medicina e a concepção do feto por meio do parto à cesariana, a igreja iria perder um grande público pagante no futuro e não iriam poder cobrar taxas tributarias sobre o pecado desses, já que esses ficaram isento do contato com a vagina da mãe e assim livres do pecado natural.

Logo pensaram numa outra ideia! Definiram que não estaria o pecado natural somente no contato do feto com o clitóris da própria mãe, mas o simples fato instintivo de um recém-nascido mamar os primeiros goles do leito materno em sua genitora iria constituir também uma forma de pecado natural, já que os seios femininos (bem como todo o corpo de uma mulher) quase sempre fora na concepção cristã, o caminho para a perdição dos homens. Como resultado dessa visão deturpada do passado, até hoje apenas os mamilos femininos são censurados quando mostrados em público, os dos homens não.

Desse modo, entendendo desse novo ângulo o “pecado natural do homem”, a criação de deus seria perfeita, mas logo nos primeiros segundos de vida ao se alimentar, o ser o humano se contaminaria pelo pecado e a igreja estaria ali para livrar de tão grandiosa culpa os recém nascidos, fornecendo inicialmente o batismos para remissão de pecados.

Que maravilha não é? Tudo foi providenciado tão perfeitamente que até parece que foi a própria igreja quem criou tudo isso... Só parece mesmo, ainda bem! Que bom que tudo já foi planejado para que nenhum homem “se perca”.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 29 de julho de 2018

O que realmente deus fez em sua vida?



Quando pessoas vazias e confusas querem te convencer de que é você quem estar no caminho errado! Pecador, revoltado e sem rumo é o seu conceito!

É verdade que o simples fato de alguém levantar a mão e “aceitar a jesus”, transforma a vida desta pessoa tornando-a melhor que as demais que ainda não o fizeram dando a esse o direito de ir morar nos céus por esse simples ato? Quem foi que disse isso? Quem garante isso? Foi sua crença pessoal quem disse isso ou o seu grupo? Somente a sua fé estar certa? A de outros nada vale? Mas tudo não é fé, e toda fé não deve ser respeitada? Como só então a sua ou seu grupo estar certo? Será que a salvação do homem seria algo tão banal assim para ser validada com esse simples gesto, num lugar onde interesse comercial sobre põe o interesse pelo bem estar do indivíduo? Que tipo de deus confiaria um bem tão precioso para ser comercializada por pessoas de atitudes tão incoerentes com a própria crença?

No desespero, muitos dirão então: Eu creio assim! A minha bíblia diz assim! O meu líder religioso me ensinou assim e pronto, é o que importa! Nesse caso só seu ponto de vista importa? Baseado em que? Na sua infantilidade? No seu egocentrismo? Ou no seu medo de encarar as coisas como elas realmente são? 

Respostas assim, surgem de forma automática na boca daqueles que nunca se quer questionaram os argumentos da própria crença e que mesmo passando a fazer parte uma igreja que surgiu há apenas duas semanas atrás com ensinamentos totalmente antagônicos ao próprio livro que diz ser a mais pura verdade, passam a tratar uns aos outros como se essa “verdade” que acreditam, existisse mesmo antes da fundação do mundo, como se mesmo antes do “haja luz”, a primeira frase que deus disse foi “haja tal igreja”! Será que aceitar jesus ou frequentar uma igreja de forma constante, realmente pode transformar a vida de uma pessoa? Será que jesus ou a igreja realmente podem mudar o caráter das pessoas? Se assim o é, por que tanta podridão em todos os sentidos caminham lado a lado com a história da igreja desde a sua fundação? Por que as maiores barbaridades no “colegiado dos santos” são cometidos justamente pela “nata celestial”, pelos “queridinhos do senhor”, pelos cabeças do rebanho e por aqueles que se dizem ser mais cheios de deus? O poder de deus e o sangue de jesus não são capazes de transformar a vida de tais pessoas? Ou a bondade e a maldade do homem não dependem exclusivamente desse ou daquele deus? Será que ter bom caráter, ser honesto e ter auto controle só se é possível aos frequentadores de igrejas? Quem foi que disse isso? Baseado em que disseram isso? Nas próprias crendices e dogmas inventadas por eles mesmos, ou em alguma autoridade que possa ser mensurada por todos os homens em qualquer época e local?

Vale lembrar que para isso cada agrupamento cristão tem seu próprio padrão de santidade e barganhas que são ofertados por diferente valores a salvação dos fiéis. Você nunca, em canto nenhum do mundo verá duas igrejas vendendo o pacote da salvação numa mesma embalagem, com o mesmo peso ou pelo mesmo valor. O grau de cultura (ou falta dela), de ganancia e arrogância dos líder local é quem determina os termos do contrato para que uma pessoa venha ser salvo, mesmo está sendo cristã, duma mesma igreja, de uma mesmo ministério, numa mesmo período de tempo.

Será que todos as pessoas que estão fora de uma igreja são realmente pecadores e precisam de salvação? Quem realmente precisa ser salvo e de que? Será que precisamos ser salvos de algum tipo de pecado e do diabo, ou será que precisamos ser salvos de nossa própria infantilidade e daqueles que fazem da ignorância alheia sua própria fonte de lucratividade e poder?

Pense você por um instante: estatisticamente falando, quantas indivíduos você conhece que realmente mereciam serem chamadas de servos de alguma divindade realmente justa e pura, pelo nível de conduta desta? Consegue contar nas pontas dos dedos esse número de “salvos”? Quantas delas, apesar de já estarem até 4 décadas num mesmo ambiente “se purificando” em processo de santificação, ainda são dominadas pelos sentimentos mais baixos que uma pessoa pode ter? E a fé em deus pra que serve? E o sangue de jesus que purifica o homem serve pra que? Seria essa fé e esse título de “cidadão dos céus”, apenas um modo ostentação barata?

Muitos dirão numa situação dessas, que perfeito mesmo só jesus, e que todos nós somos pecadores. Nesses casos, eles estão assumindo que para nada servem seus métodos de santificação ou que esse sangue purificador não tem efeito algum. Outros ainda dirão aquela outra frase chula e irritante: “é por que ele entrou na igreja, mas a igreja não entrou nele”! Me poupem com tanta baboseira! Estudar o comportamento humano segundo as várias abordagens científicas para obter respostas e mudanças de direcionamento, sairia bem mais barato e efetivo do que pagar 10% eternamente de seus rendimentos para permanecer fazendo ou estando em algo que assumidamente não funciona!

Pense em outra situação: por que na grande maioria dos casos que vemos no dia a dia, são exatamente pessoas desonestas, atribuladas, descontroladas, oprimidas, paranoicas, parasitas ou/e sem rumo algum na vida, que operam no modo zumbi e que desejam convencer aos outros em redor que estas são pecadoras perdidas e que precisam da salvação?

Nesses casos, mais uma vez pergunto: quem realmente estar precisando ser salvo? Será que a salvação é o codinome que todo fiel usa para se referir a própria igreja que frequenta, considerando o fato de que quase todos eles falam com desdém da religião e da igreja alheia como se a sua fosse a única verdadeira ou a mais certa de todas?

...Uma mentira contada todos os dias e repetida inúmeras vezes por centenas de pessoas, faz com que muitos passem a vê-la como sendo uma verdade inquestionável! A mentira mais prejudicial que acreditamos, quem sabe seja aquela que contamos a nós mesmos sobre algo que não somos e estamos longe de alcançar, justamente por que retratamos nos outros o que possivelmente não aceitamos e não enxergamos em nós mesmos, e os “defeitos” que precisamos concertar para sermos aquilo que afirmamos ser.

Chamar outros de pecadores perdidos e considerar-se salvo só por que aceitou a jesus ou frequenta uma igreja, é sem dúvida uma das maiores mentiras que o homem religioso já inventou para acalentar a si mesmo e criar um certo conforto, tão sólido quando um castelo de areia. Por esse motivo, cria-se tantos mimimi quanto a questão do “respeita minha fé” quando estes mesmo não se respeitam as dos outros. Todos os dias vemos situações como essas, em que pessoas tentam convencer a elas mesmas e as demais ao seu redor, das ilusões criadas e mantidas em seu grupo religioso que lhe conforta o ego e as deixam mais seguras, como se essas ilusões fossem verdades absolutas. Quanto mais pessoas repetindo a mesma fala, menos chance de haver questionamentos principalmente se os questionamentos são respondidos com represálias e humilhações em público aos questionadores.

Questionamentos provocam confusões mentais a todos que se alimentam de falsas esperanças e isso dói bastante. Desiludir alguém pode ser perigoso. Pode gerar sentimentos de raiva, iras, ataques verbais e físicos, e até tentativas de homicídios por parte daqueles que dizem estar cheios de deus ou que foi desiludido.

Uma pessoa desiludida é uma pessoa sem rumo, sem nada a perder por isso pode ter comportamentos inesperados. A ilusão de ser quem não é, de ter o que não tem e de afirmar que possui ou evidentemente não tem, é a ancora que boa parte das pessoas comuns usam para fixar seus barquinhos nesse vasto oceano de incertezas. Elas acham perigosas soltar as amarras que as prendem e se depararem com uma infinidade de novas possibilidades que a vida nos reserva. Um título de servo de deus e cidadãos dos servos é o suficiente para manterem ancoradas onde estão.

Assim, praticamente quase todos nós no dia a dia, já nos deparamos com situações desagraveis, que poderíamos termos reagidos, mas para não sermos indelicados, e a fim de não render conversa com pessoas que possivelmente poderiam armar barraco em público pelo nível de baixeza que possuem, preferimos fazer de conta que estamos aceitando de bom grado certas mensagens de coação psicológica e situações “insalubres” vindas de pessoas “ungidas”, “inspiradas” e “usadas por deus” para transmitir uma mensagem de “salvação” aos “pecadores”.

No ônibus, no metrô, na escola, no trabalho, na vizinhança...quase todos nós já nos deparamos com alguma pessoa “cheia de deus”, “transformada”, “convertida” e toda convicta, afirmando aos 4 cantos do mundo que agora é uma nova criatura, tentando converter a todos ao seu redor quanto a essa sua nova convicção. Na maioria dos casos, essa tal pessoa não teve transformação alguma, e apesar de anos ou décadas frequentando uma ou várias igreja, participando de todos os ritos, pagando todos os votos, contribuindo com as campanhas e sendo dizimista fiel, não há nada no bom sentido que venha ser diferente de uma pessoa comum, mas ela tenta convencer a todos que é melhor que os demais.

Pior ainda é quando tal sujeito mesmo com tanto tempo de igreja, continua sendo um mentiroso, fofoqueiro, trambiqueiro, caloteiro, adultero, traiçoeiro, caluniador e por não saber como controlar a própria raiva, inveja, ódio e ganancia, vive atolado até o pescoço em problemas pessoais que um “pecador comum” jamais iria passar, e mesmo assim essa tal pessoa continua se dizendo um ser iluminado, condenando a tudo e a todos, rogando pragas a quem discordar que ele é um santo, enquanto afirma já ter uma passagem comprada direto para o paraíso celestial.

O egoísmo nos prega muitas peças, e a necessidade de querer mostrar que somos melhores que os outros, faz com que uma mente ainda não amadurecida passe a afirmar coisas absurdas como se esta fosse uma verdade universal inquestionável! Isso é demonstrado principalmente, quando pessoas assim, com esse nível de mentalidade, que se dizem ser cheias de deus e que dizem viver na verdade, se incomodam, querem sufocar ou converter a todo custo outras pessoas que vivem na “mentira”. A verdade destes é tão “verdadeira” que uma simples pergunta poderia desmontar todo um agrupamento de fieis. Por esse motivo melhor atacar primeiro...

Se uma pessoa é do tipo que acha que somente “nos pés de jesus” alguem pode se “endireitar”, esta pessoa pode estar redondamente enganado. Aconselho que pare, pense, olhe o mundo ao seu redor, e veja que o mundo funciona normalmente mesmo nos lugares onde a “salvação em cristo” ainda não chegou, e que em certos casos, muitos lugares se tornaram melhores de se viver quando esse conceito passou a cair em desuso e as pessoas passaram a se responsabilizar mais pelos seus atos, ao invés de terceirizá-los. Algumas pessoas só irão realmente deixarem de ser infantis quando pararem de transferirem suas obrigações e decisões pessoais para seres do imaginário coletivo e as mentiras que contam a si mesmo todos os dias forem substituídas por verdades desconfortáveis, porem construtivas e libertadoras. Qualquer pessoa que precise de jesus, de uma igreja, ou de qualquer divindade ou agrupamento para fazer o que é certo, deve estar sob constante vigilância, pois pode ser uma pessoa passível de causar sérios danos a si mesma e no ambiente em que vivem, pois basta saber que não estão sendo monitoradas com aqueles que partilham da mesma crença que já começam revelar quem realmente são.

Caráter, respeito, honestidade e disciplina não dependem exclusivamente de aceitar a jesus ou morar em uma igreja. Ou você tem ou não tem! O que passar disso possa ser que seja apenas uma distorção da realidade em favor próprio a fim de alimentar um ego carente e confuso. Leituras, pesquisas constantes e conversas com pessoas que pensam fora da caixinha podem ajudar amenizar tal situação.

Saúde e sanidade a todos 

Texto da autoria de Antônio Ferreira, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Pela culpa te aprisionam, por histórias inventadas te conduzem e se um dia despertares, te condenarão



Um dia te contaram que pelos seus pecados um justo, um ser imortal morreu para te salvar! Te salvar das próprias ameaças que ele mesmo dirigiu a você. Te fizeram sentir culpa por atos que você nunca cometeu, a sentir nojo e vergonha de si mesmo, de sua sexualidade, e a reprimir os próprios instintos de sobrevivência e reprodução comuns a todo ser vivo.

Te disseram que tudo que acontece no universo é plano de um ser superior que tem todo controle e poder das coisas em suas mãos e que nada pode frustrar os seus planos. Ao mesmo tempo te disseram que devido a uma rebelião iniciada no reino celestial há milhares de anos pelo auxiliar mais importante do ser que tudo controla, todo o universo padece, e mesmo assim, ele estar no controle de tudo e que se você não o adorar, cedo ou tarde ele vai te matar e te lançar num tormento sem fim junto com esse “anjo mau” que iniciou toda rebelião.

Histórias como essas, todas elas tiveram sua origem e proposito ocasionais. Foram feitas para determinado povo, em determinada cultura, numa determinada época, para um determinado fim. Os oportunistas viram nisso uma ferramenta de controle. Seria apenas um história comum, como a Odisseia e tantos outros contos populares se alguns não tivessem mistificado o assunto e colocado um valor superior ao que realmente deveria. Contar histórias é uma das características que definem a nossa espécie, seja para o bem ou para o mal.

O ato de contar história sempre foi em quase todas as culturas do passado e do presente, um meio para que pudéssemos conceber novos mundos e sermos inseridos neles. Tantos acontecimentos reais quantos fictícios podem se internalizados na mente do ouvinte por um bom contado de histórias. No reino animal, o garanhão consegue copular ou fertilizar as fêmeas pelo uso da força e porte físico. No reino dos homens um bom contador de história consegue o mesmo apenas com a “lábia”. Há sempre quem goste de iludir e quem goste de ser iludido. Quando alguns não podem dar o céu, a lua e as estrelas a fêmea que intenta seduzir, podem fazer tudo isso criando reinos encantados fictícios e fazendo com que as tais se sintam princesas nesse mesmo conto. Não importa se é real. Tudo se torna real ao que se deixa iludir ou de quem estar profundamente carente de afeto.

A linha que separa o real do imaginário nem sempre pode ser vista por todo os olhos. Grandes sociedades secretas, corporações, sistemas políticos e religiosos se valem muito bem desses preceitos, permitindo ou conduzindo as pessoas como gado, como objeto de lucro, poder ou prazer enquanto as fazem acreditar que há um ser superior controlando tudo. De fora fica mais fácil de observar e controlar essas coisas.

Você praticamente nunca vai ver um traficante consumindo a própria droga, do mesmo modo que é muito raro ver um líder de um dos segmentos acima fazendo o que manda os outros fazerem. O antagonismo é o companheiro de quase todos eles. Enquanto pregam ao público o desapego pelas “coisas do mundo” constroem impérios financeiros para si e seus familiares. Enquanto demonizam sua sexualidade, as escondidas muitos deles tem a luxúria, os vícios e orgias sexuais como hobby cotidiano. A lista de antagonismo é gigantesca. Sentem prazer em saber que vocês sofrem com a culpa que eles mesmo inventaram.

O ser inconsciente ao ouvir uma narração envolvente, pouco discernirá entre o real e o imaginário. Irá apenas reproduzir em si ou para os outros o conteúdo internalizado. Esse reflexo se dará na sociedade qual ele estar inserido, quando julga ser algum tipo de valor ou virtude as ideias acerca do surreal que lhe fora introduzido.

Os maiores mitos e arquétipos que servem como referencias sociais tomaram corpo quando por meio de uma boa narrativa alguém os fez surgir. Uma criança que joga pedras ao longo do caminho numa estrada de chão por exemplo é algo normal e corriqueiro. Dizer que com essa pedra um menino matou um gigante de 3 metros cria instantaneamente um mito. Acrescente a essa narração uma pitada de misticismo, e diga que era o próprio deus guiando a mão do menino e você constrói um “herói da fé”.

Diga que essa mesma pedra atirada pelo garoto, era o próprio deus que derruba gigantes e destrói muralhas e você será capaz de arrancar glorias e aleluias se estiver num rito religioso. Diga ainda nesse ambiente as mesmas coisas com um tom de voz compassada e detalhada e trejeitos corporais que acompanhem sua fala e você irá pôr uma congregação inteira em estado de transe hipnótico, falando em línguas, tendo visões, revelações e todo tipo de “unção do espírito” que aqueles que se julgam pentecostais afirmam possuir. Um fato é apenas um fato! O modo como internalizamos ou externalizamos esse fato é que faz toda diferença. A fala ainda continua sendo o principal meio para fazer com que mundos imaginários possam surgir do nada e fazer com que algumas pessoas se insiram neles, que tenham suas vidas dirigidas por essas ideias e que farão de tudo para inserir tantas outras nessa linha de raciocínio.

Nesse novo mundo construído por meio do falar e do ouvir, tudo pode ser construído e absolvido. Desde valores morais e mitos a serem venerados, a todo tipo de sentimento que possam elevar ou diminuir a autoestima das pessoas, tornando-as livres ou escravas de suas próprias concepções.

Os líderes religiosos do passado quem sabe tenham tropeçado nesse fato sem nem se darem conta disso. Os líderes religiosos do presente em sua grande maioria sabem muito bem o que estão fazendo e usam esses recursos para construção de impérios pessoais como se estivessem prestando serviços a alguém superior a eles. A politicagem (normalmente confundida com política) vive exatamente da criação de mundos fictícios em campanhas eleitorais, para depois trazer de volta as pessoas ao mundo real logo após o fechamento das urnas e contagens dos votos.

Os líderes religiosos de todas as culturas sempre gozaram de privilégios extraordinários que outras pessoas não dispõem, simplesmente pelo ofício que ocupam. A confiança do público tem sido até então o maior de todos eles. Pela cega fé que tem sido depositada nas palavras daqueles que dizem intermediar o contato entre os homens e o mundo metafísico ao longo dos séculos, muitos conceitos sociais que servem como um entrave a evolução de nossa espécie tem sido difícil de mudar graças a “autoridade da igreja”.

O exército precisa de armamento pesados, estratégias de guerras e uma boa liderança para conquistar territórios. Policiais na maioria dos casos precisam usar a força física para conter cidadoes que perturbam a ordem social. Juristas e advogados precisam se valer de leis escritas para fazer cumprir os direitos e obrigações dos cidadãos. Comerciantes precisam enfrentar toda burocracia do estado, oscilações de mercado além de estarem atento as lei da oferta e da procuram para manterem seus negócios funcionando, produzindo bens ou serviços úteis a toda uma sociedade. Um líder religioso pode obter tudo isso, além de poder, dinheiro e autoridade simplesmente dizendo: “deus me falou que” ...

Mesmo que aquilo que ele diga seja contraditório ao estilo de vida que segue ou que seja contraditório a todo tipo de logica, razão ou princípios científicos. Mesmo que os “usuários” de seus serviços passem 50 anos no mesmo ambiente fazendo as mesmas coisas sem obter resultado algum. Ainda assim eles de certo modo continuam tendo credibilidade por que desde o berço muitas pessoas crescem sendo ensinadas a serem sujeitas a tais pessoas e jamais questionarem sua “autoridade” ou a veracidade do que eles dizem, bem como a maioria delas ficam terminantemente proibidas de denunciar qualquer tipo de atitude imoral que esses venham apresentar. “A mão de deus pesa contra todos os que se levantam contra os ungidos do senhor...” Essa é sem dúvida a maior de todas as mentiras mantida entre estes e que aprisionam as pessoas em suas próprias duvidas e medos.

Iludir-se, quem sabe seja a maior de todas as virtudes de uma mente ainda não evoluída. Quem sabe a falta de ilusão seja a maior de todas as penitencias que alguns tenham de suportar numa sociedade que vive á base de contos de fadas.

Não há poder extraordinário algum naqueles que dizem representar essa ou aquela divindade, esse ou aquele deus, a não ser o poder da persuasão! Todo poder emana do povo, para o povo, para o bem ou para o mal do próprio povo, por meio das ideias principais que unem os indivíduos duma mesma sociedade!

Da confiança em que as pessoas depositam nas palavras dos que dizem ser representantes dos deuses é que estes acreditam possuir poderes especiais. Perdendo-se a crença nos deuses, todos esses homens “ungidos”, que antes conseguiam meter medo em suas ovelhas por meio de ameaças e conjurações místicas, os tais podem passar até ser interpretado como mentirosos, ridículos, salafrários e manipuladores exatamente por aqueles que um dia se borraram de medo e respeito diante deste. O jogo vira toda vez que o conhecimento ocupa o lugar da ignorância. De escravo temeroso e obediente o sujeito passa a ser senhor e dono do próprio destino e até comandar aqueles que antes lhes escravizavam.

Do mesmo modo que um simples interruptor elétrico é o limiar entre a luz e as trevas numa casa fechada a noite, o recobrar da própria consciência é o interruptor que faz clarear os caminhos de uma pessoa, sem que para isso seja necessário guias cegos, ou pessoas comuns que querem ser tratados como se fossem divindades. FIAT LUX! Essa expressão latina deveria ser internalizada em cada um de nós todas as vezes que nos acharmos na escuridão que a ignorância e o temor exagerado por seres que só existem no imaginário coletivo nos trazem! “Homens de deus”, “ungidos do senhor”, “heróis da fé” e qualquer outro título místico ou eclesiástico que almejem dar, independente da cultura ou religião, são apenas pessoas comuns, mortais, perecíveis e sujeitas a todo tipo de corrupção iguais a quaisquer humano.

Na grande maioria dos casos desde os mais antigos tempos, a corrupção faz parte do ofício destes, quando ensinam aos homens que estes podem ter privilégios acima de outros se fizerem algum tipo de devoção a uma divindade. A mesma divindade que de nada, absolutamente nada precisaria dos seus súditos, eles dizem que elas precisam ser aliciada ou subornada para poder agir em favor de alguém, na maioria dos casos trazendo prejuízos a outros. O que é isso senão um ato de corrupção? A não ser que queiram chamar isso de “uma mistura de mal com atraso, com doses de psicopatia”. O termo também vale!

Assim, julgando ser intermediadores da bondade, tais sacerdotes estimulam os piores sentimentos nos seres humanos, como a inveja, a preguiça, a ganancia e a soberba, pois indiretamente estão ensinando aos homens a serem corruptos, que a divindade também é corrupta e que é mais recompensador subornar uma divindade para se dar bem na vida do que trabalhar, ser honesto ou manter o princípio da coletividade e altruísmo. Que coisa feia! Deveriam se envergonhar dessa atitude, no entanto sentem orgulho disso!

Quem sabe nos próximos 200 anos da história da humanidade nos dicionários a serem impresssos, o termo líder religioso deixe de significar “aquele que intermedia o contado com as divindades” para “aquele que ensinavam os homens a fazer barganhas com deuses imaginários”!

Para que isso aconteça vários “galileus”, várias “joanas d’arcs” e vários outros “loucos”, “hereges” e “filhos da perdição” terão de pagar com suas próprias vidas e carreiras, mas é um preço que vale a pena pagar. Melhor viver uma vida plena e ser morto aos 40, do que viver 100 anos vegetando ou operando no modo zumbi...

Até que isso aconteça “Napoleão” ainda terá que tomar muitas vezes a coroa das mãos do papa e se auto proclamar imperador. “Um pequeno gesto para o homem, um grande passo para a humanidade”! Essa deveria ser a legenda embaixo do quadro do pintor francês Jacques Louis David que retratou a majestosa cena da coroação de Bonaparte quando desprezou a “autoridade divina” que esse mero mortal jugava ter sobre todo tipo de vida que se move nessa terra ao se interpor em todo tipo de relação humana.

Desde uma simples bactéria até o maior de todos os animais, homens como esses (os sacerdotes) decidiam quem morria ou quem vivia, bem como destinos de nações inteiras. Essa cena de desprezo á pessoas comuns que se acham divinas terá de se repetir dezenas de vezes ainda para que o império das trevas venha ruir e as relações entre os povos possam melhorar. Várias espécies só puderam povoar o planeta quando os dinossauros foram extintos. Enquanto os houver representantes das divindades agindo como lagartos gigantes, nossa evolução sofrera fortes atrasos.

Onde mais podemos ver os efeitos das “histórias que nos contaram” e os reflexos das relações homem-deus? No segundo texto continuaremos esse assunto.

Texto escrito por Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 1 de julho de 2018

As figuras mais importantes da mitologia cristã




Quando eu tinha 7 anos e comecei a assistir às aulas de religião e moral, dadas na escola nas quais era obrigatório assistir, fiz uma pergunta à minha mãe: "Mãe as mulheres quando se casam ficam virgens?" 
Ela apesar de achar a minha pergunta estranha, respondeu: "Não, filhota. Perdem a virgindade logo a seguir à boda, na noite de núpcias". 
Com esta informação dada pela minha mãe, eu no dia seguinte cheguei à aula e disse: É impossível a Maria ser virgem, porque logo a seguir à boda, as mulheres perdem a virgindade. A professora de religião e moral disse-me: "Suzana, já não precisas de assistir mais a estas aulas, porque te dou positiva". 
Parece que a minha lógica não agradou nada à professora.

Portanto, a história do nascimento virginal e da sagrada família, tem mais buracos que um coador, dois dos evangelistas não relatam sequer esse famoso evento. E no concílio mais sangrento de sempre, realizado no convento de Santa Maria de Éfeso, no ano 451, onde foram os bispos católicos armados pois sabiam que ia haver sangue. O tema em debate era: A theotokos. Tokos é a palavra grega que significa mãe. Portanto, a theotokos seria a mãe de deus. Os gregos não aceitavam isso, diziam que Maria era a Christokos, mãe de Cristo, ou seja, apenas da parte humana de Jesus e não da parte espiritual. Correu imenso sangue, porque quase todos os gregos foram assassinados. 
Foi o primeiro grande cisma da igreja cristã onde católicos e ortodoxos se separaram e nunca mais voltaram sequer a reunir-se. João Paulo II no ano 2000, pediu perdão aos ortodoxos pela cruzadas, e apenas ao ortodoxos, pois os cruzados invadiram Constantinopla e mataram todos os que se tinham refugiado nas igrejas, nem respeitando os lugares sagrados.

Mas vamos agora ao tema em questão, a figura feminina mais importante da mitologia cristã, é sem sombra de dúvida Eva. Foi por causa dela que os dois foram expulsos do paraíso, é por causa dela que o pecado existe e é por causa dela que se morre. E é por causa dela que deus, em forma humana, desceu à terra para libertar os homens do pecado, mas não as mulheres pois parece que o castigo de Eva ainda se mantém: "terás os filhos com dor, e eles nascerão impuros e com o pecado de Eva às costas". 
Para libertar os filhos da mulher do pecado, é necessário o baptismo. E só os padres o podem fazer. Ou seja, sem Eva, toda a mitologia cristã cai como um baralho de cartas. Ele não seria preciso para nada pois todas as crianças nasceriam sem pecado (já Pelágio de Bretanha dizia isso no seu famoso dogma teológico que ficou conhecido como pelagianismo, tendo sido considerado um anátema e posto no Index do Vaticano como um dogma herético).

A figura masculina mais importante é o Diabo, o Tentador, o que fez cair Eva e Adão. Aquele a quem os cristãos podem culpar de todos os males, reais ou imaginários. Nunca se culpa deus pelo pecado ainda existir, apesar de ter vindo à terra para o eliminar e que parece ter falhado nesse propósito. É sempre bom ter alguém que possa carregar com os pecados dos outros e esse alguém é o diabo. Cristo nunca carrega com os males da humanidade. Jesus é apenas a face do do cristianismo, quem leva os pecados do homem é sempre o diabo. Por isso é que ainda hoje se acredita que o diabo possui os crentes e apenas os crentes. Porque são eles que acreditam e defendem essa prática, a de que para tirar o demónio do corpo é necessário um exorcismo.


Texto de Suzana Poças

sexta-feira, 6 de abril de 2018

E o que deus tem a ver com isso?




Um deus poderoso, cheio de qualidades fantásticas, mas que não se responsabiliza pelo mau que cometem usando seu nome!

No mundo imperfeito de homens “pecadores” as sociedades se organizam e criam leis para que haja harmonia entre as pessoas e a convivência pacifica entre indivíduos que compartilham do mesmo ambiente possa ser cada vez mais possível. Um dos recursos mais utilizados é a punição de indivíduos que infringem essas mesmas regras de convivência causando prejuízos a outras pessoas.

Responsabilizar outros por atos que cometemos faz com que a anarquia venha imperar e voltemos a viver na lei da selva, onde o mais forte sempre leva a vantagem sobre os demais. As injustiças permitidas ou cometidas por aqueles que estão no poder tem sido as principais causas de revoltas em todos os movimentos sociais que se tem registro. De certa forma, esses tipos de abusos tem servido de alavanca para que um sistema definhe e uma nova era venha a surgir na maioria dos casos.

Muitos também dos que hoje conseguiram se libertar dos “caminhos do senhor”, só o fizeram depois de uma guinada para cima que deu em suas vidas, após constatarem na furada que se meteram, enquanto serviam de tapetes para outros limpar os pés ou de banquinho para gente mal intencionada sentar. Foi preciso ser feito de trouxa por anos a fio para que a “fixa viesse cair”, tomar vergonha na cara e mudar para melhor o rumo de suas vidas.

Concordamos que quanto maior for a representatividade social de uma pessoa, mais ilibado terá de ser o seu nível de conduta e mais cobrado este será do povo que o segue e que a permissividade cometida ou praticada por este no que diz respeito ao afrouxamento de leis desencadeia uma série de eventos colaterais catastrófico podendo inclusive destronar o maior mandatário de um povo.

O caos que vem de baixo é bem mais fácil de conter do que o caos que vem de cima, daqueles que criam ou executam as leis. Um fora da lei pobre, iletrado, sem amigos poderosos e sem dinheiro para se defender será sempre um “bandido” que pode ser silenciado pela força física ou coação pessoal. Já um fora da lei culto, com amigos também cultos e poderosos ou com muito dinheiro para se defender será sempre um “doutor” por maior que seja as irregularidades que esse venha cometer e por maior que seja os efeitos colaterais dessas irregularidades cometidas. Essa realidade passa despercebida por muitos de nós, mas o atentar para esse detalhe, faz com que as peças mude no “tabuleiro da vida”.

Então nos perguntamos: a quem devemos recorrer quando as estruturas sociais começam a apodrecer a partir de cima? Nem sempre é fácil encontrar uma solução imediata que seja sensata e venha resolver por completo esse tipo de problema, considerando que a maioria de nós ainda não absorvemos o conceito de sociedade, e estamos preocupados apenas em levar vantagens sobre os outros. Para defendermos nossos conceitos ou projetos egocêntricos cometemos ou permitimos que sejam cometidos os mais diversos tipos de injustiças. Pensamos sempre que desde que “eu ou o meu grupo” estejamos bem, o resto do mundo que se dane! É mais ou menos isso que expressamos ainda que de forma silenciosa.

Esse comportamento é fortemente expressado pelo modo como nos relacionamos com os deuses. Confiando que deus irá nos abençoar se o defendermos a todo o custo, mesmo quando o conceito de divindade estar totalmente equivocado, os fiéis irão continuar defendendo-o, não por que o ame realmente (até por que é impossível expressar amor nesse tipo de relação), mas o fazem pela corrupção, pelo medo, pela ganancia e pela soberba.

Adotam para si divindades com conceitos e qualidades oriundos de deuses de várias épocas e culturas diferentes, para torná-lo ainda mais poderoso e depois isenta-o de qualquer responsabilidade que era de sua competência, atribuindo sempre ao seu arqui-inimigo todas as mazelas do mundo. Esse deus sempre servirá de escudo ou como arma de ataque, só depende a quem ele seja dirigido.

Um deus com vários poderes, várias facetas e várias qualidades, menos a principal delas: a responsabilidade! Isso mesmo! Deuses obsoletos, irresponsáveis, insensíveis, mudos, surdos, cegos e aleijados, por mais que tentem provar o contrário, tudo que dizem a respeito deles não passa de um misto de medo, ganancia, ignorância e irracionalidade.

Eles não se responsabilizam por nada de ruim que seus fiéis venham cometer em seu nome. O deus cristão por exemplo, tudo que de bom acontece no mundo é atribuído a esse deus e o que de mal acontece atribui-se ao diabo, sendo que a esse mesmo deus foi atribuído todo o poder, honra, domínio e glória e que nada acontece sem o seu consentimento.

Como pode isso então? Como pode o mal ser atribuído ao oposto de deus, sendo que tudo já foi planejado pelo próprio deus? A confusão reina numa hora dessas, e enterrar o intelecto é o que todos foram ensinados a fazer com receio de blasfemar contra o espirito santo. Jamais pense sobre deus e seus atributos, você pode estar pecando...Desde o Éden que o conhecimento é o maior inimigo de deus, e não o diabo!

Desde o momento em que uma pessoa passa a fazer parte de um grupo religioso, fica terminantemente proibido comentar sobre qualquer tipo de injustiças vistas ou praticadas em seu grupo, principalmente se essas for cometidas pelo líder maior da organização. Todos os que fazem parte desses agrupamentos sabem que pior do que sofrer abusos e humilhações nessas instituições é ser proibido de comentar sobre estes ou de apontar seus abusadores para outras pessoas de dentro ou fora do grupo. Punições severas estão reservadas a qualquer um que ouse delatar comportamentos extravagantes, maliciosos, indecorosos ou pervertidos dos “homens de deus”, de seus comparsas ou de qualquer um que tenha um dízimo alto ou faça parte da “cúpula sagrada”.

“Entregue nas mão de deus”! “Deus estar vendo tudo”! “Deus vai agir”! “Não faça nada”... 
Pessoas passam anos a fio sofrendo, se martirizando e esperando uma providencia que nunca virá, uma justiça divina que nunca será possível, e uma reparação de erro que só aconteceria se for na base da chantagem. No máximo eles te promovem a alguma coisa na igreja só para te silenciar e inflar seu ego, ou mudam aquele que te causou prejuízo para outra localidade para cometer os mesmos delitos lá também. O manicômio seria o lugar mais provável para aqueles que esperam a “justiça de deus”, por abusos cometidos em sua casa ou que tenham sido praticados usando o seu nome.

Agora a pior, a mais estúpida, a mais irritante, a mais idiota e irracional frase que um pessoa religiosa costuma dizer para defender a inutilidade da onipotência do seu deus sob os abusos cometidos dentro de uma organização religiosa é esta: “e o que deus tem a ver com isso?” Essa frase é como se fosse o tiro de misericórdia dado por aquele que te torturou, quebrou todos os seus ossos, derramou todo o seu sangue, e antes que você dê o último suspiro ele vem te “ajudar” a morrer mais rápido.

Há? Como? O que? ...Em que mundo você estar? Como assim, o que deus tem a ver com isso? Claro que deus tem tudo a ver com isso! Esqueceu que quando convidam alguém para vir “aceitar a jesus” a primeira coisa que dizem é que a partir daquele dia é jesus quem vai guiar, proteger e guardar aquela pessoa até o dia de sua vinda? Esqueceu que foi confiando nesse tipo de conversa fiada que muitas pessoas foram iludidas a permanecerem ali até então? Esqueceu que dizem que é esse mesmo deus quem vai tomar conta desses indivíduos e de toda sua família? Como agora perguntar, o que deus tem a ver com isso quando misérias acontecem a todo instante bem embaixo do nariz dele?

Tudo que acontece com as pessoas dentro de uma das casas de deus é de responsabilidade de deus, ora! Se ele existe e tem todos os poderes surreais a ele atribuídos, ele tem sim tem tudo a ver com isso! A menos que ele seja um irresponsável, que não seja onipotente, onisciente, onipresente, justo, eterno e santo! A menos que sua justiça seja pior que a praticada pelos humanos “pecadores”. A menos que ele não se importe com nada e nem ninguém. A menos que ele nem exista, e a maioria das igrejas não passem de arapucas para atrair e prender pessoas desavisadas, carentes ou desonestas, utilizando-se do medo, ganancia e ignorância delas.

Somente se ele não existisse ou não fosse nada do que a ele se atribui poderíamos isentar deus de suas responsabilidades quanto a proteger seus súditos dentro e fora dos aposentos de sua casa. Sem falar que ele deve proteger não somente os que lhe rendem culto, mas toda humanidade já que se declara senhor de todo o mundo.

Em nossa sociedade “pecadora”, se uma criança é molestada em uma escola, diretores professores ou qualquer um que tenha facilitado ou participado do ato, bem como acobertado os fatos, será duramente responsabilizado por isso. Nas igrejas costumam-se abafar os casos, muda-se de paróquia ou de cidade o que cometeu tal ilicitude, aconselha-se aos que sofrem a entregar tudo “nas mãos do senhor”, põe-se a culpa no diabo, inocenta o malfeitor e depois para salvar o pervertido os fiéis vem com a frase mais idiota do mundo, que parece ser a cereja de um bolo envenenado: “deus não tem nada a ver com isso, viu?”.

Diariamente comunidades dominadas por bandidos e milícias sofrem pagando tributos se quiserem sem manter “em paz”. Tais criminosos fazem ameaças, usam de extorsão, exigem um percentual do que a comunidade produz ou faz vários outros tipos de ameaças para não se voltar contra a própria população que os sustentam. Por mais que consigam extorquir ainda é pouco, querem sempre mais, e mais e mais...nunca estão satisfeitos. Quando delatados e entregues as autoridades constituídas de humanos “pecadores”, tais meliantes tem a devida punição instituída em lei.

O mesmo tipo de extorsão, ameaças de morte e inferno eterno tem acontecido nos últimos 1700 anos nos ritos cristãos, nesse modelo de igreja adotado por Roma e ninguém se dar conta disso. Cruzadas para se apropriar de terras alheias com milhares de mortos, vendas de indulgencia, perseguição a ciência, cultos disfarçados e obediência irrestritas a bispos, papas, padres, pastores e derivados que em certos casos agem como se fossem líderes do crime organizado, tentando cada um deles estabelecer o controle total da vida dos fiéis na região em que atuam. Tudo isso acontecendo embaixo dos “olhos de deus”, usando seu, sua marca, seus “poderes”. E ainda perguntam: “o que deus tem a ver com isso”? Afff...

Nas ultimas 5 décadas um modelo de chantagem emocional tem se acentuado com as igrejas de estilo pentecostal que crescem usando a bíblia como se fosse uma metralhadora para intimidar os não crentes, e “manter na linha” dos que já foram arrebanhados. Usam a bíblia o tempo inteiro para coagir as pessoas aos mais diversos atos desde controlar cada passo de suas vidas até extorquir até o último centavo delas. “E o que deus tem a ver com isso”?

O crescente número de igrejas da “prosperidade”, que além de ameaçar constantemente quem se recusa a contribuir, consagra qualquer tipo de objeto casual ou até mesmo lixo e vendem aos fiéis de forma disfarçada nos cultos, dizendo que quem comprar será abençoado e quem não o fizer não o será, ou será amaldiçoado. Tais modelos de crença ameaçam as pessoas com doenças terminais, desemprego, desunião na família, perca de conjugues, possessão demoníaca, morte física e inferno eterno, caso tais pessoas não venham contribuir “voluntariamente” para a “casa de deus”. “E o que deus tem a ver com isso”?

Cada líder dessas denominações que foram empossados tem uma meta financeira ou territorial a cumprir com seus superiores, e para atingi-las não medem esforço. Um “vale tudo” é o meio adotado por eles para não serem rebaixados em suas funções ministeriais ou perca total de mandato. As únicas coisas que não vale entre eles é esclarecer o povo das idiotices que estão sendo conduzidos a cometerem.

As mesmas práticas de ameaças utilizadas por traficantes e milicianos são efetuadas de certa forma em tais modelos de igrejas, a única diferença é que ao invés de usarem um revolver para intimidar, eles utilizam a bíblia, e ao invés de ameaça-las entregando-as nas mãos de outras milícias, tais líderes religiosos ameaçam entrega-las ao diabo, dizendo que deus não irá protege-los caso eles não contribuam. “E o que deus tem a ver com isso”?

Outra diferença é que milicianos e traficantes são cassados pela justiça por tais atos, enquanto que líderes religiosos que usam esse mesmo método para enriquecimento ilícito recebem incentivos fiscais, apoio das autoridades civis, cargos públicos e até tem participações em uma “bancada evangélica” no congresso! Quando esse assunto é colocado em pauta por gente não alienada, logo vem aquela sagrada pergunta dos que tiveram adestramento de papagaio: “E o que deus tem a ver com isso”?


Texto de Antônio Ferreira Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sábado, 17 de março de 2018

Por que gostamos de nos iludir? (Parte 1)



A manutenção de ilusões nos ritos religiosos como "válvula de escape"


Ficamos deslumbrados quando assistimos a um show de mágica bem executado. Mesmo sabendo que tudo aquilo não é real, que todas as encenações são meros truques bem elaborados pelo mágico, ficamos totalmente maravilhados com o que vemos. Gostamos disso e até pagamos para que o efeito das ilusões provocadas nos traga algum tipo de prazer. De certo modo nosso cérebro não é capaz de distinguir o real do não real. Por isso precisamos fazer uso constante de lógica e da razão identificarmos o real do imaginário.

A criação, aceitação ou manutenção de ilusões fazem parte daquilo que somos até certo ponto, até que o encarar da realidade dos fatos deixe de ser um martírio, algo que nos incomoda e passe a ser algo natural ou prazeroso. A ilusões que criamos ou mantemos são confortáveis para a alma, mas de certo modo podem trazer prejuízos ao corpo ou ao convívio em sociedade, servindo de travas, paredes e muros para a evolução conjunta da raça humana.

Líderes políticos e religiosos mal intencionados não conseguiriam ser quem são ou fazer o que fazem se não fosse pelo fato de que boa parte dos indivíduos de uma sociedade preferem viver antagônicos a realidade dos fatos, nutrindo-se diariamente de fantasias prometidas por aqueles que sabem exatamente o que dizer para manter o povo enfeitiçado. Bajular líderes políticos, religiosos e celebridades ou cultuar seres místicos são os meios mais ensináveis e aprendíveis que muitos adotam, achando que vão se dar bem na vida ou ter sucesso com pouco ou nenhum esforço. Ascenda uma vela a um santo de barro ou faça uma oração a um deus imaginário e tudo se resolve! É o que dizem direta ou indiretamente o tempo inteiro.

Muitos de nós desejamos jamais conhecer os “bastidores da vida”, o modo como alguns “truques de mágicas” são realizados por aqueles que os executam. A grande maioria de nós poderá nutrir uma ira descomunal se por acaso alguém de modo intencional vier a revelar como a vida, as sociedades e os sistemas políticos, religiosos, educacionais e militares funcionam realmente. Alguns mudaram de fase e cresceram exatamente quando flagraram seus pais colocando presentes debaixo da arvore natalina naquela noite mágica cultuada por todos. Para outros porém, esse foi o pior dia de suas vidas pois descobriram que o bom velhinho não existe, e por isso desejam que outras ocasiões como essas jamais aconteçam outra vez, por isso “dormem” o tempo inteiro, para que outras ilusões não venham a se desfazer quando você “acorda no meio da noite”. Para tais pessoas é como se a própria vida deixasse de fazer sentido quando descobre os “segredos dos mágicos”, ou seja, o modo como realmente as coisas são orquestradas. Melhor acreditar que deus e o diabo vivem em eterna dualidade te protegendo ou te perseguindo, e que todo bem ou mal que acontece no mundo são frutos dessas batalhas infinitas do que encarar a dura realidade de que para cada ação existe uma reação, e a falta de reação em determinados casos produzem várias outras reações diferentes.

Filósofos e pensadores liberais, tem sido desde os primórdios das primeiras civilizações os maiores “inimigos do estado”, para os que cujo trono ainda subsiste pela ignorância alheia. Um desses filósofos do passado foi convidado a tomar cicuta, um tipo de veneno extraído de uma planta, por ser acusado de “corromper” os jovens com sua forma diferente de ver o mundo. Regimes democráticos quando são derrubados e substituídos por ditaduras, a primeira coisa a ser feito é executar, prender ou censurar filósofos, sociólogos, jornalistas ou qualquer pessoa que de modo escrito ou verbal venha trazer de volta a racionalidade do povo iludido por uma propaganda enganosa. Somos atraídos por um discurso bem feito e um propaganda bem montada. Não é à toa, que os políticos que mais conseguem se manter em seus cargos por muito mais tempo mesmo não valendo um tostão são exatamente os que controlam ou influenciam meios de comunicação massiva.

Outros indivíduos porém, alimentam-se diariamente do prazer de descobrir, pesquisar, argumentar, construir, descontruir ou desapegar se for necessário de conceitos já formados e inculcado na mente das pessoas, fazendo com que os tais venham a agir de modo robótico o tempo inteiro. Um conhecido cantor brasileiro dizia preferir ser uma metamorfose sem rumo, do que ter uma opinião pronta sobre tudo. Muitas poucas pessoas seguem essa linha de raciocínio.

Tais indivíduos não aquietam-se enquanto não conseguem desvendar os mistérios que envolve uma encenação de um bom “ilusionista” e mesmo assim sua vida não deixará de fazer sentido. Uma grande minoria de nós põe cada vez mais sentido a própria vida desvendando os mistérios do mundo. Para outra grande maioria, manter-se iludido é fundamental para que os tais tenham uma vida normal, livre de perturbações.

Um arqueólogo por exemplo, fica sem fôlego de tanta alegria quando encontra traços de uma civilização que antes era considerada como sendo apenas uma lenda, do mesmo modo que um paleontólogo fica a ponto de explodir de emoção quando encontra uma simples ossada de um animal desconhecido ou um fóssil qualquer de milhões de anos atrás, mesmo sabendo que tal descoberta pode fazer abalar toda a estrutura da qual sua pesquisa foi montada ou até mesmo linhas de pensamento qual a própria biologia em si se baseia. Para tais pessoas, não há problema nenhum em recomeçar do zero se for preciso. Essa é a alegria da vida! Descobrir a realidade e refazer constantemente seus conceitos torna a vida de tais pessoas cada vez mais interessante. 

As religiões por sua vez criam mundo fictícios, com personagens e locais que só existem na cabeça de quem os criou, com padrões morais e espirituais inacessíveis, avessos a própria biologia humana e faz com que as pessoas acreditem que tais ilusões sejam reais, sem falar que quase sempre transformam heróis em vilões, vilões em heróis e a grosso modo os “heróis da fé”, são quase sempre pessoas de caráter ou conduta duvidosa, transformados em ungidos e homens de deus por pessoas iguais a eles ou que sofrem da “síndrome do papagaio” e cuja reputação de tais personagens jamais devem ser questionadas pelos membros, mesmo quando suas ações desfizerem do próprio conceito de fé e justiça pregado por eles mesmos.

Tais indivíduos inseridos nesses sistemas religiosos passam a viver a vida baseado apenas em duas preocupações vitais: agradar a deus e fugir do diabo. O mais frustrante para os que vivem assim é notar, que segundo a própria bíblia, deus é um cara muito aborrecido, de personalidade explosiva, mal resolvido, que se irrita com qualquer coisa, e que de fato é impossível prever com exatidão até que ponto podemos estar agradando-o ou desagradando-o, se levarmos em conta os exemplos citados no próprio “livro sagrado” de como ele recompensava seus servos. A uns eles abençoava mesmo sendo mal, trapaceiro e ganancioso. A outros ele mesmo afirma ter matado, mesmo fazendo o que fora exigido que fosse feito ou por que tiveram dúvidas em certos momentos da caminhada de servidão. Provoque desordens sociais e seja sanguinário e seja louvado como foi Davi e Josué. Procure a ordem social coletiva e o bem de todos e seja punido como foi Coré, Datã e Abirão! É muita confusão...

O conceito de bom e mau é tão confuso quanto o próprio conceito de deus o é na maioria das vezes. Com dinheiro, amizades corrompidas e um bom contador de histórias, o vilão vira mocinho rapidinho em qualquer agrupamento que venere esse deus mesopotâmico quando a história for repassada ao público.
Sendo assim, no nível de mentalidade mantida nos agrupamento religiosos, toda vez que não estamos agradando a deus, é por que automaticamente já estamos sendo usados pelo diabo e passível das punições previstas pela bíblia, pela denominação religiosa qual o indivíduo estar inserido e principalmente pelo grau de arrogância, inveja, ganancia ou ignorância do líder que lhe preside.

Deus nessas casas praticamente nada faz, apenas assiste tudo! Deixa apenas que seus representantes deem vasão as suas maldades ou criatividades e recebe o louvor por isso. Há inclusive dezenas de pregações e cânticos entre esses grupos religiosos afirmando que se ele fizer algo ele é deus e se nada fizer continua sendo deus do mesmo jeito! Muito bom ser deus assim! Qualquer um poderia impetrar para si tais atributos e não faria diferença algum e poderia também ser chamado de deus, já que a inercia parece ser o princípio de sua personalidade.

O fato de um fiel não saber ao certo qual a verdadeira vontade desse deus ou como fugir de suas punições ensinadas por esses grupos, já é por si só uma tortura infinita para as almas dos que ainda em vida se lançam em infernos mentais, preocupando-se até a exaustão em servi-lo e não ser enganado pelo mal. Não se iluda: os dois mil anos de história da igreja provam que para ser considerado santo ou pecador depende mais do seu poder financeiro, de sua influência social e seu grau de submissão as lideranças, do que propriamente por suas ações pessoais.

Não queime seus neurônios se culpando por pecados que nunca cometeu ou se punindo a si mesmo com pesadas penitencias e sacrifícios corporais no intuito de ser considerado santo ou “gente boa” pela igreja. Homicidas, prostitutas, ditadores e genocidas conseguem esses títulos bem mais fáceis que você, inclusive podem ter seus nomes inscritos nos círculos de heróis da fé, de santos canonizados, ou serem enterrados no vaticano ou em qualquer terra santa mesmo passando uma vida inteira cometendo coisas que a igreja condena. Seja honesto, ande em retidão e mantenha elevado padrões morais por ser bom para você mesmo, e não na intenção de ser apreciado pelos que dizem ser representantes dos deus. A maioria deles só dirão algo positivo ao seu respeito se de certa forma puder tirar proveito de ti, caso contrário, você não passará de um “filho cão”, “herege”, “pessoa sem deus” e um “condenado ao inferno” se não se submeteres a ele. Seu grau de justiça ou moralidade não significa nada para eles. Seus recursos sim!

Nessas relações de corrupção, não há méritos e nem conquistas e sim negócios! Você o teme, o reverencia, oferece seus recursos, seu corpo ou seu tempo útil para ele fazer uso e eles te chamam de santo, ungido do senhor ou homem de deus. Você impõe limite e respeito nessa relação e tudo muda!

Toda relação com os deuses por sí só já é uma relação de corrupção, pois pessoas comuns desejam levar vantagens sobre os demais por oferecer sacrifícios aos deuses e seus representantes. Os líderes religiosos costumam manter o mesmo critério em suas relações pessoais também. Você vale o que tem a oferecer. A história que se preocupam com sua alma é apenas outra ilusão vendida por eles.

A cereja do bolo dos que vivem nessa vida louca, preocupados em agradar aos deuses consiste em saber que praticamente toda igreja condena ou rejeita o rito de culto alheio, fazendo com que seus fiéis sejam criaturas eternamente confusas, pois vivem a questionar se estão ou não fazendo o certo de modo certo já que outras pessoas fazem diferente e também dizem estar servindo ao mesmo deus, ou tornando tais pessoas arrogantes o bastantes para julgarem a si mesmas escolhidas e destinadas a um paraíso fictício enquanto todas as demais pessoas no mundo receberão o castigo eterno só por terem se juntado a um grupinho de pessoas de mente medíocre e atribulada, que cumprem determinado rito religioso julgando ser esse o mais certo de todos. Esse modelo de crença, quando não torna o indivíduo paranoico o deixa arrogante, ou os dois ao mesmo tempo.

Nos recintos produzido pela cega fé, é proibido evoluir, mudar de fase, avançar ou querer saber além daquilo que a hierarquia de “ungidos” e gurus dizem ser a verdade absoluta e universal. É proibido olhar por trás das cortinas para ver como tudo acontece. Pessoas de vários segmentos religiosos cristãos por exemplo pagam entre 10 a 30% mensalmente de tudo quanto ganham para serem iludidas e permanecerem na ilusão que são melhores que os outros e vão para um lugar melhor ou que serão ricas sem trabalhar e que terão uma boa saúde mesmo tendo uma vida sedentária e sem educação alimentar apropriada.

Todo o conceito de verdade nesses grupos vem “mastigado” pelos líderes e dado aos fiéis como sendo um pão quentinho que desce dos céus. Mais de 1500 anos de história sobre a idades das trevas produzidas no ocidente justamente por aqueles que diziam ser os guia de acesso aos seres de luz não foi o suficiente para fazer com que nossa sociedade adotasse uma outra postura referente aos líderes religiosos que proíbem o uso da razão, da lógica e do bom senso. A submissão cega a tais pessoas ainda é moeda de troca para ascender em alguns níveis sociais.

Pessoas que dependem desses sistemas para se auto afirmarem, se deixam convencer que são miseráveis pecadoras destinadas a perdição e que homens iguais a eles mesmos (ou em certos casos piores ainda), podem intermediar essa redenção com jesus cristo, um tipo de homem-deus fruto da junção de personalidades de deuses de várias crenças diferentes e que por meio de rituais inúteis e linhas de pensamentos que se contradizem o tempo inteiro podem alcançar perdão de pecados que nunca cometeram.

O que essas pessoas mais temem é de conhecer a realidade e de saberem que elas mesmas são responsáveis por seus destinos e não os deuses. Transferir nossas responsabilidades a seres do imaginário coletivo é uma forma que pessoas não evoluídas encontram para não conduzirem a própria vida e não serem responsáveis por suas ações. Assim, se tornam agressivas ou possessivas cada vez que tem os pés molhados na praia, cujas águas levam ao oceano da verdade e do conhecimento. É bem mais fácil dizer a si mesmas “deus estar no controle de minha vida” do que dizer “sou responsável por minhas ações, meu fracasso ou meu sucesso”! 

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Texto escrito em 28/1/18

*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.