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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O crente inteligente não é um mito




Há-os, de facto.
Todavia, trata-se de pessoas com algumas peculiaridades no que se refere à sua capacidade intelectual.
São pessoas com a capacidade inata e/ou adquirida de realizar raciocínios lógicos e intelectualmente complexos.
Muitos desses crentes inteligentes são, inclusivamente, pessoas que pesquisam informação em livros ou na internet.

E conseguem expor argumentos que são, aparentemente, bastante racionais. Mas...

A capacidade de realizar raciocínios lógicos e intelectualmente complexos faz-se acompanhar da capacidade de suspender esses raciocínios para uma área particular, aceitando que existe uma circunstância em que a racionalidade e a lógica podem ser ignoradas por completo.
Concedem a si próprios a possibilidade de estabelecer um critério de excepção quando se trata da sua crença.
No que respeita à sua crença, consideram válido que se suspenda, flexione ou até que se inverta a lógica.
E as pesquisas que fazem, em livros e na internet, são alvo de filtragem criteriosa para poderem fazer "cherry picking" das partes que lhes interessam para tentar justificar, de forma pseudo-racional, a sua crença.
Se não conseguirem dissecar partes aproveitáveis para defender a sua crença, não têm pejo nenhum em interpretar tendenciosamente ou mesmo distorcer a informação a seu favor.
E, no que concerne à apresentação de argumentos, nunca apresentam argumentos seus. Afinal, são inteligentes mas só até certo ponto. Limitam-se a apresentar argumentos arcaicos e requentados que já foram refutados inúmeras vezes.
Quando são refutados de novo, entram em modo negacionista e tentam apresentar desculpas pontuais para remendar o argumento.
É, normalmente, nesta altura em que começam a meter os pés pelas mãos porque não conseguem defender aquilo que foi inventado por outros e cuja estrutura intelectualmente desonesta já foi desmontada várias vezes.

Por fim, os crentes inteligentes são particularmente perigosos para a humanidade porque são figuras de respeito perante os outros crentes menos inteligentes que os admiram e consideram que, pelo facto de eles aparentarem ser inteligentes, servem para justificar a validade da crença de ambos.

Portanto, em resumo, há crentes inteligentes.
E são minimamente inteligentes para tentarem racionalizar a sua crença.
Não não o suficiente para conseguirem sustentar a tentativa de racionalização da sua crença.
E, definitivamente, não suficientemente inteligentes para perceberem que acreditam numa mentira.

Texto de Rui Batista

segunda-feira, 18 de maio de 2020

O mal da religião



Tudo começa com o facto de, apesar de os crentes dizerem que a crença é pessoal, nunca o é, realmente.
Se só acreditassem em fantasias e deixassem que isso fosse algo puramente pessoal, tudo bem.
Mas... quem acredita convence outras pessoas a acreditar. Educa os filhos a acreditar. Ensina os filhos a exigir explicações e a duvidar em tudo o que lhes dizem, mas convencem-nos a acreditar sem provas nenhumas numa estória absolutamente ridícula.

E há quem marginalize outras pessoas com base na sua crença.

E há quem considera que quem não acredita no mesmo que eles é má pessoa e que merece ser maltratado ou até morto.

E há quem se recuse a receber tratamentos médicos ou que sejam ministrados tratamentos médicos aos filhos, por razões de crença.

E há tratamentos especiais e privilegiados para certas crenças.

E há quem se aproveite da crença alheia para lhes extorquir dinheiro.

E há quem queira que se travem certos avanços da ciência por causa das coisas em que acredita.

E há quem queira que mitologia seja tratada com a mesma reverência e valor que a ciência.

E há quem ache que esta vida não tem valor, porque haverá uma muito melhor depois, e não faz nada para fazer deste mundo um mundo melhor.

Há até quem mate os filhos porque acha que este mundo é muito mau e que eles estarão melhor no "outro mundo", junto ao amiguinho imaginário deles.

São apenas alguns dos problemas associados ao "simples" facto de se acreditar num deus.
NÃO! A crença não é incólume. A crença não é inofensiva.
Quando a religião dominava o mundo, vivemos aquilo a que se chama hoje "Idade das Trevas".
Enquanto as pessoas continuarem a acreditar em fantasias e a viver como se a fantasia fosse real, em vez de enfrentar a realidade e fazer deste mundo e desta vida (que é a única que temos a certeza que é real), o mundo vai continuar a avançar a passo de caracol.
Acreditar em deus pode dar alento, pode ajudar a enfrentar as agruras da vida. Mas é do mesmo modo que a bebida ajuda a "enfrentar" a realidade.
Um crente diz que se sente feliz por acreditar em deus e que se considera melhor que um ateu por causa disso. Do mesmo modo que um bêbado se sente mais feliz que um sóbrio e que um toxicodependente se sente eufórico quando tem o cérebro anestesiado pela droga.


Texto de Rui Batista
Imagem: Suicídio coletivo de Jonestown

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Jeová, o deus hipotético




Jeová, o deus de Abraão, é hipotético. Ele é uma possível explicação para o universo e para a vida na Terra. Mas existem muitas mais explicações possíveis. Algumas são naturais e não requerem deuses. E também existem muitas explicações sobrenaturais diferentes, incluindo um número desconhecido de deuses que ainda nem sequer conhecemos.

Os crentes de Jeová devem ser capazes de resolver isso, basta-lhes produzir evidências que mostrem, para além de qualquer dúvida, que Jeová foi o responsável, e assim, o trabalho está feito. Infelizmente, em mais de 3 000 anos, nenhuma evidência foi encontrada. Nada de nada.

Pior ainda, as descrições na bíblia de como o universo e a vida foram criadas, são completamente contraditórias por uma grande quantidade de evidências físicas. Quem escreveu aquilo na bíblia, entendeu tudo errado. A hipótese de Jeová é comprovadamente falsa, portanto devemos descartá-la.

Infelizmente, mais de três mil milhões de judeus, cristãos e muçulmanos não se importam com as evidências, a mãe deles disse que o Senhor fez aquilo tudo e isso é o suficiente para eles. Enfim...


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 19 de abril de 2020

Como seria um mundo sem deus



Já fiz várias vezes aos crentes uma pergunta que, dada a actual situação, se tornou ainda mais pertinente:

Como descreveriam um mundo em que, segundo aquilo em que acreditam, deus não existisse?

São raros, caríssimos, os que me respondem a esta pergunta.
Muitas vezes tenho de os incentivar a que respondam, dando exemplos de como poderia ser esse mundo mas, mesmo assim, usualmente recusam-se.
Os exemplos que apresento, são:

Um mundo em que as pessoas estariam envolvidas em guerras por motivos mesquinhos?
Respondem que sim.

Um mundo em que as pessoas morressem em acidentes estúpidos?
Respondem que sim.

Um mundo em que houvessem doenças, violência, fome, e no qual as pessoas morressem devido a isso, independentemente de serem inteligentes ou ignorantes, pobre ou ricas, famosas ou desconhecidas?
Também respondem que sim.

Um mundo em que houvessem injustiças e no qual pessoas boas por vezes sofressem devido a essas injustiças e pessoas más escapassem impunes a essas injustiças?
Também respondem que sim.

Um mundo em que catástrofes naturais matasse milhares de pessoas quando ocorriam, sem que se pudesse fazer nada para o evitar?
Mais uma vez, respondem que sim.

Portanto, um mundo onde deus não existe é exactamente igual ao mundo em que vivemos!!

Nesta altura, ficam sem resposta. Alguns ainda tentam dizer que não e procuram encontrar argumentos para justificar o seu “não”, mas o máximo que conseguem é “Mas deus irá fazer justiça para com aqueles que foram maus e recompensar os que foram bons, depois de morrerem.”

Fantástico!!! Deus, se existisse, apenas actua após a morte. Durante a vida, tudo decorre da forma que seria de esperar decorrer num mundo em que deus não existe.

A actual situação é a clara demonstração de que deus não existe e que o mundo é aquilo que é, sem qualquer deus.

Mas os crentes, para evitarem cair nas consequências de uma dissonância cognitiva, fazem como os Três Macacos Sábios mas, no caso dos crentes, demonstrando muito pouca sageza:

- Fecham os olhos às evidências.
- Fecham os ouvidos a quem lhes apresenta os factos.
- Fecham a boca, porque não têm argumentos.

E, quando abrem a boca, é para dizer algum disparate que, em vez de demonstrar a validade da sua crença, apenas a expõe mais ao ridículo.
Infelizmente, esta ignorância não mostra sinais de diminuir e nem com demonstrações avassaladoras e trágicas, como o é esta pandemia, os crentes irão deixar de se agarrar às fantasias mitológicas com que foram infectados.

A crença religiosa é o vírus mais insidioso e persistente que alguma vez existiu.
E a única cura seria a educação, a cultura, a inteligência.
Mas é mais fácil ser-se ignorante.


Texto de Rui Batista

quarta-feira, 18 de março de 2020

Um deus estúpido ou pessoas estúpidas?



Agora, os crentes estão a aparecer para tentar explicar por que é que o seu deus do amor enviou o vírus COVID-19 para matar tantos de nós, destruir as nossas economias e causar dificuldades imensuráveis ​​para milhões de pessoas. Uma dessas pessoas disse-me que Deus fez isso para "nos acordar do nosso sono espiritual e moral".

Um vírus é uma boa maneira de nos despertar? 

Pessoas perfeitamente racionais poderiam facilmente concluir que o COVID-19 é um novo vírus zoonótico ao qual não temos imunidade, semelhante a outros que vimos no passado, só que este, por acaso, é mais infeccioso do que a maioria.

É este vírus o que um deus omnipotente e extraordinariamente inteligente realmente poderia fazer para tornar as pessoas espiritualmente mais observadoras? 
E que tal demonstrar que ele próprio existe e não é uma ilusão em massa criada através da doutrinação humana de crianças? Isso sim, seria sensato. Matar aleatoriamente centenas de milhares de pessoas (talvez mesmo milhões quando tudo isto acabar) não é, certamente.

Essa abordagem do vírus é insensível e totalmente estúpida, porque não só não alcançará o objetivo declarado, como até pode levar as pessoas a abandonar a sua crença em Deus.

Temos então um deus estúpido ou pessoas estúpidas que não conseguem pensar em perguntas simples como esta?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Fé é esperança




Os crentes religiosos fingem que a fé é um caminho para o conhecimento. 
Mas não é! 

A fé não tem um mecanismo para determinar quais ideias são verdadeiras e quais são falsas, é 100% inútil. Isso é tão óbvio que até os religiosos sabem disso. Eles sabem que duas pessoas podem acreditar em coisas contraditórias pela fé. E isso significa que a fé não pode ser um caminho para chegar à verdade.

Dizer que acredito em X por fé é tão absurdo quanto dizer que acredito em Z por lançamento de uma moeda ao ar. Então, o que crentes querem dizer quando falam sobre fé? Eu acho que eles querem dizer que significa "esperança" e que essa esperança os leva a acreditar.

Vejam esta afirmação:

"Eu tenho fé que Deus existe."

Isso não faz sentido se eles quiserem significar que a fé os leva a concluir que é VERDADEIRO que deus existe. Isso é simplesmente estúpido. Mas se substituir "tenho fé" por "esperança", já faz sentido:

"Espero que Deus exista."

Em vez de "tenho fé que Jesus me ama", eles querem dizer que "espero que Jesus me ame".

Na minha experiência, podes sempre transformar uma declaração de fé numa declaração sensata, substituindo cada instância de "fé" por "esperança".

Afinal, em última análise, as pessoas religiosas não têm conhecimento, elas apenas têm crença e esperança. E isso é tudo o que eles têm.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 8 de dezembro de 2019

O argumento mais popular do mundo para Deus, demolido.



Da minha experiência ao argumentar com crentes, concluo que a esmagadora maioria deles justifica a sua crença com um e apenas um argumento: o argumento "de onde as coisas vêm". 
O argumento é o seguinte:

P1: X existe (onde X é o Universo, a primeira célula viva, todos os seres vivos, seres humanos ou o que for).

P2: Não podemos explicar como X poderia vir a existir por processos naturais.

ASSIM SENDO
C1: X deve ter surgido através de um agente sobrenatural. Vou chamar esse agente sobrenatural de deus.

CONCLUO
C2: Meu deus existe. "

Este argumento tem vários problemas que o tornam inválido, mas qual é a maneira mais simples de refutar este argumento?

A primeira premissa (P1) é verdadeira, todos podemos concordar que o Universo ou a vida existe. Para o bem desta refutação, vamos assumir que a segunda premissa (P2) também é verdadeira.

O problema surge quando chegamos à conclusão (C1). O fato de não podermos explicar hoje como surgiu a primeira célula viva não significa que nunca iremos. Podemos descobrir como isso aconteceu sem um agente sobrenatural a qualquer momento, no futuro. Mesmo se NUNCA descobrirmos como isso aconteceu, isso não significa que X foi causado por um agente sobrenatural, pode ser algo que será para sempre difícil demais para nós descobrirmos. 
Essa última frase é importante, se houver dúvida, leia-a novamente.

Consequentemente, este argumento falha porque a conclusão não segue das premissas, é um non sequitur. No entanto, existe uma maneira pela qual os crentes poderiam corrigir esse argumento. Eles poderiam mudar P2 para:

P2: É IMPOSSÍVEL X passar a existir por processos naturais.

Mas então o problema é mostrar que P2 é verdadeiro. Como poderias mostrar algo que existe, e é feito dos blocos de construção dos quais todas as coisas naturais são feitas (protões, eletrões, átomos, etc.), não poderiam ter surgido por processos naturais? Irias precisar descartar todos os processos naturais possíveis e, para isso, compreenderias todos os processos naturais possíveis. Tu precisarias de um conhecimento abrangente, não apenas da física como é hoje, mas de toda a física que ainda temos que descobrir! É absurdo reivindicar tal conhecimento.

Alguns crentes acreditam que resolvem o problema da "impossibilidade" com um caso especial do argumento "de onde as coisas vieram". Eles apontam para o caso especial de "de onde veio o universo?" Eles dizem que é impossível obter algo do nada e isso DEVE ter acontecido para o universo existir. É verdade que nunca vimos algo surgir do nada no nosso Universo e a própria ideia viola as leis da física, tanto quanto as conhecemos.

Mas o universo veio do nada? Não temos motivos para acreditar que sim. A melhor evidência que temos até agora é que o universo veio de algo muito pequeno, muito quente e muito denso, o que significa que o desenvolvimento do universo foi um evento de transformação, não um evento de criação. Portanto, o universo não é um exemplo de algo que vem do nada.

Se os crentes não conseguem mostrar um exemplo de algo que é IMPOSSÍVEL explicar usando processos naturais, o argumento deles é absolutamente falho. E até agora, eles não conseguem. Leitores cuidadosos podem perceber outras razões pelas quais esse argumento não vale nada, deixarei para tu explorares.

Podes-te perguntar por que é que os crentes, aos milhares de milhões, se contentam em usar esse argumento terrível? Eu acho que a resposta é bem simples: os crentes não usam argumentos para acreditar em deuses, eles usam argumentos para racionalizar a sua crença nos deuses. Mesmo quando convences um crente de que esse argumento cheira mal, ele provavelmente continuará acreditando nele.

A crença nos deuses não é um resultado de lógica, é um resultado do desejo, impulsionado pela cultura. É por isso que temos tantos deuses, tantas religiões e sem bons argumentos para nenhum deles.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Não conseguimos entender deus...



As pessoas religiosas costumam dizer que deus está além do nosso entendimento, mas como elas poderiam saber disso? Nossa capacidade de entender aumenta com o tempo. De fato, desde o advento da ciência, ela aumentou aproximadamente de forma exponencial com o surgimento da inteligência artificial e dos computadores quânticos, a taxa de crescimento de nosso entendimento parece destinada a acelerar de forma imparável. 

Então, quando as pessoas religiosas dizem que deus está além do nosso entendimento, elas estão dizendo que existe um limite de complexidade além do qual os humanos nunca podem ir? Como é que elas poderiam saber disso? Como elas poderiam saber o que entenderemos daqui a mil anos? Obviamente, eles não podem saber. 

O que eles realmente querem dizer quando dizem que deus está além do nosso entendimento é que não podemos entender deus, porque deus não faz sentido.


Traduzido de Bill Flavell

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Por que é que existem crentes?



Um amigo muçulmano recentemente me marcou neste comentário:

"O problema para o ateísmo começa quando se pede aos seus proponentes para que eles forneçam evidências de que Deus não existe."

O problema com aquele comentário é que a maioria dos ateus não afirma que Deus não existe, e como tal, os ateus não têm a obrigação de fornecer evidências para algo que não reivindicam.

Os crentes afirmam que há um ou mais deuses, mas não conseguiram até hoje arranjar uma única prova de que isso é verdade. Ninguém deve acreditar em alegações extraordinárias para as quais não há provas. Obviamente! 
Isso explica por que existem ateus.

Mas isso não explica porque existem crentes...


Texto de Bill Flavell

quarta-feira, 5 de junho de 2019

O nosso planeta é incrível




Há muitas coisas neste mundo que me deixam admirado. Coisas que são tão extraordinárias ou tão difíceis de compreender, que parecem simplesmente inacreditáveis. Por exemplo, as missões Apollo que enviaram 12 homens para caminhar na Lua usando um computador com menos poder de processamento do que aquele que eu tenho na minha máquina de lavar louça.

Ou o Airbus A380, um enorme tubo feito duma liga de alumínio que pode carregar 850 passageiros, a 13500 Km  de altura e a 85% da velocidade do som.

Ou contemplando o tamanho e a idade do Universo, com o seu incrível número de galáxias e estrelas.

Ou o fato de que milhares de milhões de meus companheiros humanos, de longe as espécies mais inteligentes do planeta, que acreditam sinceramente que falam com um ser invisível que tudo assiste sobre o que fazem, que criou todo o universo e a vida na terra em questão de poucos dias e está preocupado com a necessidade dos homens cortarem os seus prepúcios dados por este amigo imaginário a que chama de Deus.

E esta pode ser a coisa mais incrível de todas.


Texto de Bill Flavell

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O poder mortal da fé!



O meu amigo do Facebook, Olatunde Olayinka Ayinde, um médico da Nigéria, recentemente publicou alguns exemplos de tragédias causadas por pacientes que confiam na fé e que recusam tratamento médico. Ele convidou também outras pessoas para adicionarem exemplos semelhantes nos comentários.

Eu li cerca de 100 ou mais comentários, mas foi muito angustiante para ler os restantes. Para aqueles que dizem que a fé é inofensiva, eis a evidência de que não é, e pelo contrário, pode ser mortal para os pacientes e para crianças cujas vidas dependem de decisões tomadas pela fé de adultos.

Acredita nas coisas com fé, se quiseres, mas seja claro, tu não podes ter confiança de que uma crença religiosa seja verdadeira. A fé é acreditar sem provas e a verdadeira razão pela qual as pessoas acreditam nas coisas sem evidências, é que não há provas. Portanto, as crenças religiosas são sempre menos prováveis ​​de serem verdadeiras que as crenças que são apoiadas por evidências robustas.

Se tu tomas decisões médicas com base na fé, estás a colocar a tua vida em risco. Seja muito claro sobre isto. E mesmo se estás preparado para isso por ti, não o tenhas JAMAIS essa decisão pelos teus filhos.

Eu copiei alguns comentários e deixei-os abaixo. São tragédias quotidianas que não chegaram às manchetes dos jornais. A maioria desses comentários são contribuições de médicos. Não posso verificar se todas eles são verdadeiros, mas são consistentes com as histórias verificadas que li em vários outros países africanos. Podes estar conhecedor de outras histórias semelhantes com a tua própria experiência. Eu pergunto-me se tu consegues lê-los até o fim...

_________________

"A criança estava com febre e estava septicémico. Os pais e o pastor ficavam orando e derramando azeite. Finalmente, a criança foi levada para o hospital, já branco como um lençol. O sangue parecia água com um leve toque de vermelho. Morreu poucas horas depois."

"Quando um casal de testemunhas de Jeová brigou... 
O bebé precisava de uma transfusão de sangue urgente. O pai havia dado o consentimento, mas a mãe recusou. Sabes como é que é quando chamam a polícia para cima de alguém... A mãe chamou 5 anciãos da igreja para cima de mim, eles estavam lá para explicar por que razão o bebé não precisava da transfusão e entregarem-me algumas cópias das revistas "Despertai!".
O bebé morreu dois dias depois... 
O pai pediu à mãe para não se incomodar em voltar para casa. Ela que fosse para qualquer lugar que quisesse com o cadáver da criança.

"Mulher grávida com um diagnóstico de placenta praevia... Tinha sido aconselhada sobre a necessidade de CS(?). Ela foi para uma casa de oração onde ela entregou a sua menina depois de várias manobras.
O sangramento persistiu e ela foi trazida de volta para mim, já com uma laceração cervical que estava fora deste mundo. Ela continuou implorando por favor, para eu a ajudar, na sua cama agonizante. E que ela se sentia muito arrependida por não me ter ouvido.
Eu gostaria de poder ter ajudado... 
Ela morreu poucos minutos depois. "

"Quando o teu paciente precisa duma cesariana de emergência, mas insiste em esperar que o seu pastor venha e que coloque as mãos sobre ela antes que ela seja levada para a cirurgia... 
O bebé morreu."

"Hipertensivo a sair completamente das drogas, dizendo que a fé o curou. Vários meses depois, o seu rim morreu, aguda, crônico em insuficiência renal, estágios 1,2,3 em progressão rápida, ele precisava dum transplante renal urgente. Ele dizia que eram os seus inimigos. Chorava na frente dos visitantes como um bebé".

"HIV positivo em medicação, contagem viral muito baixa, bastante estável, parou de tomar remédios, pediu relatório médico para (pastor) TB Joshua, não lhe foi dado, deixou de acompanhado, 'curado' pelo TB Joshua, casou-se, esposa infectada e dois filhos, vieram com (síndrome de) Kaposi, e então morreu ".

"Paciente que foi à casa de orações com pequenos inchaços no seio para "curar ". Ficou pior após várias visitas a outras casas, e finalmente chegou ao Hospital com massa fúngica. Morreu poucas semanas depois."

"Quando o seu paciente com doença renal terminal, recusa uma transfusão de sangue para que ele possa fazer diálise porque ele é uma" testemunha"...
Morre de forma lenta e dolorosa. Aqueles que estavam de plantão durante esse período, também sofreram porque eles continuavam nos chamando com múltiplas queixas devido ao agravamento da sua uremia."

"Uma senhora veio com um estágio inicial de cancro da mama. Ela foi aconselhada, incluindo que modalidades de tratamento. Ela rejeitou o diagnóstico em nome de Jesus, apesar de dizer aos colegas do pastor para prevalecerem sobre ela. Ela até fez uma "aposta" comigo em que ela regressaria curada.
Ela voltou, mas não curada, mas em estágio final da doença. Ela perdeu a "aposta". Ela perdeu a vida".


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O que há de mágico em filiar-se a uma igreja?



Tanto alvoroço por nada...

Quando pessoas comuns se acham especiais só por que vivem repetindo a mesma história para si mesmas todos os dias.

Todos nós nesse imenso país cristão, de vasta pluralidade de denominações religiosas em que quase todas elas dizendo ser a única e verdadeira, provavelmente já presenciamos ou fomos vítimas inúmeras vezes de “assédio religioso” por santarrões chatos ou por pessoas simples e honestas que foram convencidas de que estão no lugar certo, fazendo a coisa certa enquanto todas as demais pessoas no mundo estão erradas e serão punidas e irão para o inferno se não se juntarem ao grupo que elas defendem.

Mesmo que alguns destes não queiram afirmar verbalmente, eles deixam transparecer que acham melhores e superiores as demais pessoas no mundo só por fazerem de uma irmandade religiosa, e passam sentir pena ou asco daqueles que ainda não fazem parte do grupo dos “salvos e remidos” que vão morar nos céus.

Com base em que eles criaram tal convicção? Apenas na repetição diária de frases de efeitos repassada por gerações pois são tão humanos e mortais quanto quaisquer pessoa.

Na verdade, alguns desses indivíduos é que são dignos de pena pelo papel ridículo que estão fazendo, se achando superiores aos demais só por confessarem verbalmente uma fé sem obras ou condutas morais coerentes à mesma, ou por se deixarem explorar moral e financeiramente por alguns líderes que descaradamente não escondem mais suas nefastas intenções.

Mesmo assim, por arrogância, estupidez ou ignorância, esses indivíduos olham para as “pessoas do mundo” e dizem: “misericórdia jesus, salva eles e põe na sua santa casa para te adorar”! Ou: “abra os olhos destes senhor, que vivem no mundo do engano!”. Ou pior ainda: “ai de vós pecadores...para vós estar reservado o fogo do inferno se não se arrependerem...!”

Afinal, qual é a mágica que faz com que uma pessoa comum, com as mesmas qualidade e defeitos humanos que as demais pessoas ao redor, se ache melhor que as outras só por que é um frequentador assíduo de uma igreja? Alguém já viu algum desses que se dizem especiais sair voando por ai ou realizando feitos incríveis? Será que já viram algum destes com uma cueca por cima das calças e com identidade secreta salvando pessoas indefesas? Que habilidades reais faz com que tais pessoas se sintam especiais em relação aos demais?

Alguns dirão que é a fé na divindade quem dá esse apoio. Ok, então eu pergunto: se a fé em deus é suficiente para validar esse “poder” que eles adquirem, por que praticamente toda igreja fica tentando converter membros de uma outra igreja para si já quer servem ao mesmo deus, ou por que ficam desclassificando os rituais das demais, já que a fé em uma divindade é quem torna tudo válido? Nesses casos, o que vale ou salva o indivíduo que se acha o tal, é a fé em deus ou a fé nos ritos litúrgicos daquele segmento? Será que só vale a fé do próprio indivíduo? As outras “fezes” não vale não? O que todos eles deixem transparecer ainda que ocultamente é que quem salva é a placa da igreja e não a divindade que cultuam.

Essa lógica de que um frequentador de igreja é melhor do outras pessoas não se sustenta pois por mais que uma pessoa que frequenta essa ou aquela igreja, não importa o tempo que seja, se sua construção de caráter não for atemporal ao grupo ou a fé que ele prega, de nada adianta esse vínculo religioso. Se esse indivíduo é do tipo que precisa da ideia de deus para fazer o que é certo, ele é apenas um hipócrita, um mau caráter disfarçado! Se antes ele era um “um pobre perdido pecador”, agora ele será a mesma coisa, só que com a convicção interna que é um santo, coisa que o torna pior ainda!

Outro fato nesses meios de convívio, é que parece aumentar o número de pessoas que terceirizam suas responsabilidades para o diabo, podendo tornar a “casa de deus” um dos piores lugares para se viver no mundo, ou um lugar onde o indivíduo jamais poderá crescer como pessoa nem evoluir como ser humano já que nunca é responsável por seus próprios atos, atrasando por sua vez seu desenvolvimento e o da própria espécie. Eles mentem pra todo mundo que jesus cura, transforma, liberta e dar novo rumo a vida do homem. Isso é uma grande enganação! Se isso fosse verdade não veríamos tantas barbaridades dentro das igrejas acontecendo todos os dias, e em certos casos com um número mais elevado que fora da igreja se compararmos por número de habitantes, faixa de escolaridade e poder de liderança ou aquisitivo dos envolvidos.

A briga por territórios e pela comercialização de objetos ungidos em alguns locais, estar crescendo mais que a demanda do tráfico para manter seus serviços e produtos em rotatividade. O número de homicídios ou mortes encomendadas tem aumentado muito entre os “ungidos do senhor” na briga pelos bolsos dos fiéis, e nesses casos vale até infanticídio para promover o “reino de deus”. Casos de escanda-los sexuais nem se fala. Quase que cotidianamente os mais diversos canais de comunicações tem exposto a podridão que rola solta entre os que se dizem escolhidos, ungidos, lavados, redimidos, bichinhos de Jacó com todas as credenciais que os tornam “superiores” a todas as criaturas viventes da face da terra.

Então, com toda essa transformação que “deus faz” quando alguém vira um frequentador de igreja, seja sincero e respondam: Tem estuprador fora das igrejas? Sim, tem! E dentro das igrejas? Claro que tem também! E na maioria dos casos tem partido daqueles que afirmam ser o “anjo da igreja”. Muitos dirão: “ah, mais uma pessoa dessa não era um verdadeiro servo de deus, era um farsante”! Será mesmo? Então a maioria dos “heróis da fé” também eram!

A mesma boca que professa que essa ou aquela pessoa é um ungido de deus só por que a pessoa fala em línguas, sapateia, roda no mistério ou tem uma boa oratória será a mesma que irá terceirizar a culpa de tal sujeito ou negar que esse era realmente um profeta!!!

Me digam ainda: Tem pedofilia acontecendo fora da “casa de deus”? Óbvio que tem! E dentro delas? Xiiiii...é um dos assuntos mais antigos, mais comentados e onde menos se toma providências em quase todo o mundo cristão. A coisa mais vergonhosa e abominável que um ser humano possa imputar a outro, e tudo isso acontece debaixo dos “narizes de deus”. Ele não faz nada por que seus olhos estão voltados apenas para punir gays, pessoas adultas e decididas que sabem o que querem da vida, enquanto crianças indefesas, sem opção de escolha nas mãos dos que juraram protege-las, ele não se importa.

Será que tem gente adultera, caloteira, mentirosa, fofoqueira, barraqueira, escandalosa, ciumenta, mal resolvida e “recalcada” fora dos locais onde se reúne “o povo escolhido por deus”? Sim, claro e ninguém nega isso! Alguns desses são tudo isso, e na maioria dos casos assumem que são. E no local onde os “santos” se reúnem, será que tem também esse tipo de gente? Rapaz…tem de montão! Talvez na mesma proporção em relação aos que estão fora, mas quando fazem tudo isso não são eles que estão agindo: “é o diabo”! E para ser redimirem diante da igreja basta fazer drama, simular arrependimento, confessar que foi usado pelo inimigo e beijar os pés do ungido que tudo se resolve, se estiver com os dízimos em dias, claro! Caso contrário poderá ser penalizado como gente comum mesmo. O dizimo é sagrado! Principalmente para ocultar desvio de caráter e conduta! Pague suas mensalidades em dias, e a depender do local em que tu estás, você poderá ter quantas caras desejar!

Então, se todas as qualidades e defeitos humanos que as pessoas tem fora da “casa de deus” também tem dentro desta, será que isso não seria uma prova de que igreja, jesus ou santo nenhum muda caráter de ninguém? Não seria uma prova que caráter e respeito não são produtos comprados ou vendidos e sim produzidos internamente de acordo com o grau de consciência de cada um?

Então alguém vai dizer: mas a igreja salva as pessoas das drogas...Mentira! Algumas pessoas bondosas dentro de algumas igrejas é que são capazes de por meio de esforço e paciência ajudar pessoas a se livrarem das drogas e outros vícios.

Outros dirão: mas a igreja pode evitar as drogas! Sim, isto é verdade! Mas é verdade também que a literatura, a música, o teatro, os esporte, a dança, as artes marciais e qualquer outro tipo de arte podem evitar também o envolvimento de indivíduos com as drogas e outros males através de diversas atividades ocupacionais. Também num passado bem próximo, um enxada, um foice, uma estrovenga ou várias outras ferramentas agropecuárias também foram suficientes para livrar várias pessoas das drogas por meio de atividades produtivas que ensinavam a auto suficiência do homem, tirando os recursos que precisam para viver do próprio solo.

Na comparação acima, a vantagem mais interessante é que seu professor de música, de arte, de dança ou qualquer outra habilidade acima citada, jamais ira te cobrar 10% eternamente de todo o seu rendimento por algo que te ensinou apenas uma vez (ou alguns anos), não irá te encher de sentimento de culpas por pecados que você nunca cometeu para que você sempre precise dos “serviços” deste, e além do mais ele irá te incentivar a alçar voos cada vez maiores, inclusive terá plena certeza que te ensinou o bastante para você, se quiser ser maior que ele mesmo num futuro próximo.

E numa igreja? O cara te ensina algo apenas uma única vez e repete aquela mesma história por décadas seguidas até o dia em que você ou ele morrer; vai te cobrar eternamente respeito, atenção e devoção por ter te mostrado a “salvação”; vai exigir um percentual de tudo que você ganhe, mesmo sendo de áreas de sua vida que ele nunca te ensinou ou influenciou; provavelmente vai ficar enciumado toda vez que você quiser “beber agua de outra fonte” ou querer avançar um pouco mais no conhecimento geral; e com certeza vai te humilhar, rogar pragas e te ameaçar com fogo ou inferno caso você o desobedeça, deixe seus ensinamentos ou pare de pagar o dizimo.

Será que a maioria dos locais onde as pessoas se reúnem para invocar a ideia do sagrado deveria realmente ser chamada de “casa de deus”? A maioria delas estaria mais para casa da discórdia, da mentira, do engano e da opressão pelo modo como conduzem seus membros ou manipulam a ideia do divino.

A ideia do sagrado deveria ser algo muito mais grandioso do que prender pessoas em 4 paredes, se achando que é dono delas, e exigir das tais subserviência irrestrita. Do mesmo modo, um frequentador assíduo de tais lugares deveria ser uma pessoa iluminada, desprovida desse sentimento de soberba em que se expressa depreciando todos ao seu redor para se achar importante.

Caráter, honra, respeito e dignidade são coisas muito caras para serem encontradas no meio de pessoas que na maioria dos casos agem de forma tão barata! Ou você os tem ou não os tem! Se você os tem é por que herdou ou aprendeu com pessoas igualmente boas, ou por que decidiu de repente corrigir os rumos de sua vida a partir de determinado ponto.

Se você não os tem e não desenvolveu ainda essa consciência, fique sabendo que igreja, jesus ou santo nenhum os fará ter! Apenas 10 minutos de vergonha na cara, respeito e autoconsciência são mais eficientes que décadas inteira se escondendo atrás de uma máscara! Jesus ou igreja alguma põe caráter em quem não tem!

Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 26 de agosto de 2018

Deus é pior do que a sarna



Os homens, à força de ouvirem que Deus existe, tornam-se crentes e, à medida que o repetem a si próprios, fazem-se beatos.

Deus é uma infeliz criação, difícil de aperfeiçoar. Enquanto as máquinas se melhoram, a partir da dúvida sobre a sua perfeição, Deus só pode piorar porque os clérigos garantem que é infinitamente bom e não admitem a discussão.

Com tal mercadoria minam-se as bases da civilização, perturba-se a paz, impede-se a solidariedade humana.

Deus não é apenas uma criatura pior do que o seu criador – o Homem –, e um troglodita incapaz de se regenerar, é o princípio do mal, o acicate de todos os ódios e crueldades.

Na base do racismo e da xenofobia está Deus na despótica inexistência, no seu demente primitivismo, um ser misógino e delinquente, manejado por fios invisíveis tecidos pelas religiões, através de prestidigitadores profissionais, os clérigos.

Deus e o Diabo são irmãos gémeos, filhos do medo dos homens, explorados em favor do clero.

As peregrinações são atos de insensatez coletiva em direção a locais onde os homens inventaram marcas de Deus, centros de exploração da fé e da superstição, locais de recetação onde se esbulham os crentes, para maior glória dos parasitas de Deus.

Se Deus existisse, os crentes ficariam satisfeitos por serem os únicos com direito a uma assoalhada no Céu e para gozarem o ócio eterno na companhia da fauna celeste. Assim, vivem cheios de azedume, com vergonha da sua estultícia, ávidos de converter os outros aos seus próprios erros e fazer deles infelizes, à sua semelhança.

Um mundo sem Deus, ou com muitos, seria certamente mais pacífico, mas a loucura das religiões monoteístas quer fazer do Planeta um antro de fanáticos, de um único Deus, uma perigosa quimera que ensandece os homens, os assusta e imbeciliza.

Deus é um déspota imprevisível com lacaios que não o discutem nem o deixam discutir.


Texto de Carlos Esperança

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Um livro dito sagrado, uma crença, uma paranóia e um desejo enorme de adoecer pessoas



Quem será que realmente precisa ser salvo e liberto? A triste realidade de alguns cegos que se acham guias eleitos.

Medo do inferno; desejo de curas milagrosas para enfermidades físicas; vontade de ficar rico sem trabalhar por meio de “apostas santas”; interesses políticos partidários com intuito de formar currais eleitorais num recinto onde as pessoas são quase que forçadas a obedecerem cegamente seus líderes; necessidades de conseguir parceiros para relações afetivas; tradições familiares; modismo passageiro; necessidade profunda de esconder falso caráter; desilusões na vida e conflito existenciais...

São vários os motivos que podem levar uma pessoa a procurar uma igreja para se filiar. A permanência ou não nestes locais dependerá de uma série de outros fatores tais como nível cultural e de honestidade na convivência interna entre os membros deste grupo, além do nível de inocência e ignorância que uma pessoa possa ter ou simular ter a respeito de si mesma e da linha de crença qual se filiou.

Os que buscam a justiça, a verdade, e o caminho da paz entre os homens por exemplo, logo perceberão que na maioria dos casos, esses recintos provavelmente seria um dos últimos lugares onde essas virtudes seriam encontradas. Toda história da igreja em si mesma é uma história de sangue, injustiças, manipulações de fatos históricos e coações psicológicas para manter “unido” aquilo que chamam de igreja do senhor. A fogueira, a forca, torturas, boicotes e perseguições sem fins será sempre a recompensa para aqueles que tentam questionar os fundamentos pelos quais a dita igreja do deus vivo prevalece.

As pessoas que mais sofrem nesses recintos, são exatamente as pessoas bem intencionadas, cujos sentimentos e boas intenções de praticar o amor verdadeiro, de viver em paz com todos e não apenas com os que fazem parte de tal grupo, ou desejavam viver e um ambiente respeitável. Estas serão sempre as que as mais prejudicadas, por que não poderão questionar, estarão proibidas de comentar sobre as injustiças que acontecem dentro destes recintos e poderão inclusive serem desmentidas e desmoralizadas por muita gente do próprio grupo caso queiram levar adiante tais “levantes do diabo”.

Tais opositores da justiça para manterem a auto imagem do grupo, sacrificam a honra e todas as virtudes que uma pessoa de mente sã venha possuir. Alguns sabem que fazendo isso estarão fazendo um favor ao líder religioso e serão recompensados com cargos e paparicos sem fins. Outros acham que deixando vazar as barbáries que muitas vezes acontece na “casa de deus” serão duramente punidos por esse mesmo deus, “pois melhor seria que amarrassem uma pedra ao próprio pescoço e se lançassem ao mar do que causar um escândalo na casa do senhor” (trecho da própria bíblia). A grande questão é? Se deus é pai de todos, criador de tudo e fonte de todo amor incondicional, por que as igrejas criam nas pessoas a necessidade de filiação num recinto religioso para garantir a salvação dos fiéis? Por que uma pessoa que não estar filiada a uma igreja é considerada uma pessoa perdida e pecadora, mesmo sendo na maioria dos casos uma pessoa de caráter maior do que aquelas que vivem na “presença de deus” o tempo inteiro?

Seriam as igrejas cambistas ilegais que vendem aquilo que dizem ser gratuito por diferentes preços e condições de pagamento variados? Que ser divino em sã consciência e justiça, entregaria a líderes gananciosos, corruptos e ignorantes o poder de “financiar” algo tão precioso quanto a salvação da humanidade? Não seria este um grande ato de irresponsabilidade por parte de um ser tão justo? Se até num cartel do crime organizado tem regras e supervisão por parte do mandante, por que justamente no quesito salvação, cada um pode abrir a própria franquia (igreja) e comercializar do jeito que bem entender a salvação, bem como abusar do corpo e da mente dos fieis sem punição direta daquele que dizem ser o dono da obra? Muito estranho isso...

Dizem que ele (deus) só vai tomar providências quanto a isso no dia do juízo, quando ele mesmo vier com toda sua fúria e poder para mandar quase todo mundo pra o inferno, quando na verdade poderia ter evitado tudo isso, proibindo a manipulação do seu nome para propósitos espúrios. Outros ainda acreditam que o único modo de obter sua atenção e punição imediata é fazendo sexo anal ou sentindo atração por pessoas do mesmo sexo. Como ele é um deus de mistério, tudo o que se refere a sua pessoa, também será envolta em um grande mistério, incluindo suas prioridades e critérios de avaliações.

Desse modo, a depender do seguimento religioso, e da intenção de quem busca esses recintos, depois que uma pessoa é convencida a aceitar a jesus numa igreja, logo uma série de efeitos colaterais poderão surgir como resultado dessa nobre decisão. Esses efeitos não serão sentidos apenas por esses recém convertidos, mas todos ao redor deste poderão sentir em certos casos o dissabor dessa “conversão”.

Para alguns desses que acabaram de aceitar a jesus, um mundo que antes era lindo ou simplesmente neutro, agora é um mundo que jaz no maligno, onde tudo conspira para tragar o crente, tirá-lo dos caminhos do senhor e desviá-lo da verdade segundo os conceitos que cada igreja tem de verdade, de pecado e de justiça.

A partir do momento que uma pessoa “aceita a jesus” em uma dessas casas, o diabo passará a espreitar os “servos de deus” em cada canto, em cada esquina, em cada gesto de uma pessoa, de um animal ou de uma planta e até mesmo nos efeitos do clima, procurando um meio de tragar essas pobres criaturas que agora decidiram seguir o caminho da verdade e sair do reino das trevas. “Deus” quer manter o sujeito na igreja e o “diabo” quer desvia-lo. Coitados! Um simples gesto de levantar a mão numa igreja, faz com que o indivíduo se meta na briga de dois grandes “titãs” que começou essa disputa milhões de anos atrás no paraíso e ainda não foi finalizada por completo.

Como criaturas frágeis e mortais podem cair numa situação dessas, se metendo em intrigas milenares de duas forças antagônicas e coniventes e que se atacam e se auxiliam entre si o tempo inteiro? Nesses termos, será que convidar alguém a tomar partido em um dos lados (aceitar a jesus), não é um ato de convite ao suicídio considerando o “poder” e interesses das partes envolvidas?

Além de enfrentar os problemas do dia a dia, agora o sujeito terá de enfrentar miríades de anjos das trevas que pelos mais diversos modos procuram os “salvos do senhor” para tirá-los desse tão precioso caminho.

Se não fosse o pagamento mensal de 10% dos rendimentos dos fiéis, obediência cega as hierarquias eclesiástica, além de várias outras contribuições diárias e aquisições de bugigangas ungidas para auxiliar no combate ao demônio e seus asseclas, esses servos de deus já teriam perecidos logo nos primeiros dias de crença! Ainda bem que deus sempre auxilia seus servos, não é? Ainda bem que quem paga o dízimo em dias tem proteção, não é? Ainda bem... Se você não paga os 10% do acordo mensal, deus irá permitir que o diabo te faça de gato e sapato, e não apenas a ti, mas a todo sua família, animais e plantas, até o solo onde tu pisas será infrutífero. Tá bom ou quer mais? Esses dois não parecem ser milicianos de uma mesma facção simulando oposição entre si, para ganharem dinheiro dos dois lados de uma mesma situação? Algo a se pensar...

Ainda bem que as “pessoas sem deus” não precisam de tantas coisas para se sentirem protegidas contra essas forças infernais ou celestiais. Basta não acreditar nelas, deixarem de serem infantis ou feitas de trouxas e estarão livres de tudo isso!

“Sem deus” as pessoas terão apenas os próprios problemas para serem sanados e a própria vida para cuidar. “Com deus” uma pessoa pode passar a ver problemas onde eles não existem, a querer mudar a tudo e a todos segundo suas próprias convicções, a se meter onde não foi chamado, a querer cuidar da vida alheia enquanto a sua própria vai de mal a pior, e a se culpar por crimes que nunca cometeu como é o caso da morte do cara que dizem ter sido pendurado numa cruz para nos salvar da ira dele mesmo.

Será que é essa mesmo a intenção do evangelho? Transformar pessoas normais em gente paranoica, doente ou com mania de perseguição? Será que não há uma proposta maior nas palavras que foi atribuída àquele que dizem ter sido o messias? Será que antes de vir o reino celestial por parte de deus, as pessoas terão de pelejar o tempo inteiro si, aniquilar umas às outras ou causarem danos a si mesmas em nome desse reino? Quem desfrutará desse tal reino se os pretensos moradores estão em guerras entre eles mesmos ou já destruídos por ela? Se a afirmação de que cada grupo cristão tem de que irão morar nos céus fosse verdadeira, o paraíso seria aqui na terra sem a presença destes, e o inferno se tornaria exatamente o lugar onde todos eles iriam habitar com essa mesma mentalidade doentia. Um mesmo deus, um mesmo criador, um mesmo paraíso, milhares de interpretações diferentes e a falsidade ideológica, ignorância ou medo “comendo no centro”. Tudo isso com o um codinome de “obra de deus” para atrair pessoas egoístas, desavisadas ou bem intencionadas.

Então, com essa mudança vida, quando “jesus” entra na vida de uma pessoa, a partir de então tudo é demônio, tudo é pecado, tudo é do diabo! Saí pra lá com tanta asneira...

Para uma pessoa comum por exemplo, música é apenas música. Porem para uma pessoa que acabou de receber o “espirito santo” em sua vida por meio de um levantar de mãos em alguma igreja evangélica por ai, agora a música passa a receber duas denominações: as músicas de deus, e a música do mundo (ou música do diabo) como se deus tivesse uma playlist favorita dele e o diabo também a tivesse.

Essa diferença entre o que poderia ser uma música de deus e uma música do mundo não consiste exatamente no conteúdo da letra ou no efeito que essas podem gerar na mente dos que as escutam, antes sim para estes, a diferença consiste apenas no fato de que se uma música foi feita por uma pessoa de dentro de uma igreja, esta tornar-se-á automaticamente uma música de deus, enquanto tudo que não foi produzido por um membro de uma comunidade cristã de cunho evangélico por exemplo, será considerada quase sempre uma música do mundo.

Se nas igrejas os louvores incentivam o ódio, a intolerância, a egolatria, ou se o “louvor” inteiro é um recadinho às recalcadas e invejosas, isso não importa! É coisa de deus, e obra do pai! E se durante a execução de tal louvor der vontade de bater cabelo, falar em línguas ou rolar pelo chão feito louco, ai sim é que é perfeita, pois tem esse “louvor” a unção do espírito santo. Será que posso ouvir um amém com essa afirmação?

Para muitos dos tais que agora se tornaram “cheios de deus”, os alimentos também passam a receber classificações específicas, não pelo seu teor calórico, quantidade de proteínas, açucares, gorduras, sódios ou de vitaminas que possam estar causando males ou benefícios aos que os consomem dependendo da quantidade ingerida. Cada igreja tem uma metrificação própria para definir se uma alimento é ou não de deus, se é sagrado ou profano.

Para consumir certos alimentos por exemplo, muitos deles perguntam ao vendedor ou ao produtor se esse mesmo produto fora feito por um macumbeiro, por um homossexual, por um maçom ou por uma pessoa “sem deus”. Mediante afirmação ou negação, o produto poderá ou não ser consumido. Em certos casos é incentivada a incineração ou descarte do mesmo caso o fiel tenha sido “enganado” pelo diabo, trazendo aquela “maldição” para dentro do seu lar.

“Crente não consome nada feito por um pecador ou infiel”! É o que muitos santarrões dizem por ai... Assim fica difícil de se viver no mundo, se considerarmos que do ponto de vista deles, todos os que ainda não fazem parte exclusivamente daquele ajuntamento religioso é um pecador e infiel, mesmo dizendo crer no mesmo deus e no mesmo cristo, deixando claro então que quem salva é a placa da igreja e não propriamente a fé ou o sangue do cristo crucificado. Que doideira!

Há também os que andam procurando nomes de demônios nas embalagens de alimentos, não apenas para deixar de consumi-las, mas acima de tudo, para levá-las para o seu clube de reuniões diárias, e fazer desta embalagem comum, o motivo de uma pregação “fervorosa”, adoecendo tantas outras pessoas com essa mesma paranoia.

Nesse momento de pura unção no culto, em que o diabo estar sendo desmascarado no rótulo daquele produto alimentício, quem não entrar nesse clima febril e não assumir também que ali enxerga uma artimanha do demônio, será considerado pé frio, geladeira, desviado, e que até já perdeu a unção do espirito santo por meio de algum pecado oculto...Não basta ser paranoico apenas em si, tem de comungar a paranoia com todos também!

Para quem não sabe, “não saudar pessoas de outras fé”, também é um “mandamento divino” e que deve ser seguido à risca em várias denominações religiosas dentro e fora do cristianismo pelos mais extremistas dos mais variados agrupamentos derivados da crença do deus de Abraão. Ou seja, uma pessoa qualquer, uma amigo, um vizinho que você sempre falava ou dava pelo menos um bom dia, a partir do momento que “jesus” entrou em sua vida, você agora estar proibido de cumprimentá-lo para obedecer esse precioso mandamento.

Em certo casos, desviar-se da mesma calçada para evitar contato visual com pessoas de outra fé, também é aconselhável para que o inimigo não lance setas por meio da qual aquela pessoa te seduza, te adoeça espiritualmente ou te tire da casa de deus.

O sujeito se protege e fortalece por décadas por meio de orações, jejuns, “simpatias” e aquisições de objetos ungidos e mesmo assim, um simples cruzar na calçada com um “pecador” ou pessoa de outra fé poderá desvirtuar o tal puritano da graça de deus! Já pensou? Que unção da zorra é essa? Que se desfaz como se fosse poeira lançada ao vento? Tem muito caroço nesse angu...

Quantas amizades sadias desfeitas, quantos amigos abandonados, quantas gente lúcida e de mente equilibrada as pessoas tendem a deixar para trás depois que passam a fazer parte de certos movimentos cristãos, para andarem rodeados em certos casos de gente falsa, hipócrita, que vivem caluniando-se, alfinetando-se, querendo puxar o tapete umas das outras em troca de cargos na igreja ou pela atenção do líder religioso, para depois de tudo isso, pegar na mão do outro e dizer: “paz do senhor jesus meu querido, te amo no amor de cristo”!

Em certos casos existe mais honra e compromisso nas palavras de uma pessoa que faz parte de uma gangue de delinquentes juvenil ou em que trabalhem em um prostíbulo, do que em algumas pessoas que praticamente moram numa “congregação dos justos”, onde em nome do sagrado, tais pessoas vivem a simular o que realmente não são ou não tem. O tempo inteiro é dito aos fiéis da grande maioria dos agrupamentos religiosos: “Vocês estão proibido de amadurecer”! “Vocês tem de ser crianças a vida inteira”! “Vocês não podem passar desse nível de mentalidade para outro melhor”! “Vocês estão proibido de evoluírem” ...

Essa é a mensagem oculta que a maioria dos agrupamentos religiosos dizem todos os dias a cada pessoa que aceita a jesus. Proibir os membros de buscar conhecimento em “fontes” que não sejam as sugeridas pelo próprio líder do agrupamento isso não é coisa feita às escondidas. É dito em alto e bom som mesmo, e ai de quem ousar desobedecerem...

Desse modo, qual a vantagem de estar em um lugar que não te deixam pensar, questionar a realidade, aprender com os próprios erros, e se necessário for, cair e levantar como todo ser em processo de evolução o faz? Qual a vantagem em aceitar a jesus ou pertencer a um agrupamento que adoece as pessoas tornando-as escravas de dogmas inúteis e da própria consciência? Qual o propósito de ser capacho de líderes eclesiásticos e financiar com 10% de seus rendimentos, a estadia e o luxo daqueles que usarão tais recursos para te oprimir e te humilhar durante o tempo em que estiveres ali? Qual o proposito disso tudo?

Todo parasita só se alimentará do hospedeiro até o momento em que esse venha tomar consciência disso, ou quando em casos raros, o parasita cresceu tanto que a aniquilação deste põe em risco a vida do hospedeiro. Mesmo assim, ainda é possível por meio de medicamentos precisos anular aos poucos suas ações sobre o organismo. Certos líderes religiosos que vivem apenas da venda de indulgências e da promoção do culto ao um ser metafisico sem se importar com o lado social das pessoas de dentro e de fora do agrupamento não passam de grandes parasitas disfarçados de seres iluminados. Para o próprio bem deles e saúde de todos os seus subordinados, eles precisam ter a justaposição que merecem!

Se o pensar é vetado e o exprimir-se é motivo de punição em público ou de exposição ao ridículo de quem se expressa, esse tipo de ambiente e contra a própria vida e contra todos os padrões naturais evolutivos dos seres. Este ambiente ou esse líder é o pior de todos os parasitas. Livre-se destes! Se pela crença te oprimiram, pela falta dela poderá recompor a sua sanidade.

Não há vergonha nenhuma em admitir que estava errado ou fora enganado. Vergonha mesmo é continuar sendo feito de trouxa e ainda assim pensar que isso é uma dádiva divina, que faz parte de sua jornada para os céus, e de joelhos implorar pra manter tal condição, implorando piedade justamente aos seus opressores. Toda liberdade tem um preço e a liberdade de consciência é a mais cara de todas elas.

Deus e o diabo estarão sempre juntinhos, lado a lado, andando de mãos dadas, prontos a servir de ferramenta de controle e opressão para aqueles que por medo ou ignorância se venderam para os mercadores de almas. Num estalar de dedos, num recobrar de memória, você poderá ativar a ignição propulsora que te conduzirá a sua liberdade se assim desejares! Ela não será imediata em certos casos, mas gradativamente acontecerá. Mais poderosa que o efeito da gravidade á densidade dos corpos sobre a matéria densa, é o efeito da religião sobre a vida dos que foram proibidos de pensar.

Pensem nisso! Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.