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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Servindo a deus ou a um padrão comportamental?



Um livro sagrado original, um deus original, vários “grupos escolhidos” e uma eterna briga pelo direito de registro da “patente sagrada” e filiação original!

Bíblia debaixo do braço para ir à igreja ou empoeirada em cima de uma estante sem quase nunca ter lido? 
Ok, confere! 
Véu na cabeça antes de orar ou usando dentro da igreja para que não se mostre desnuda diante de deus? 
Ok, confere! 
Sábado guardado de um pôr do sol a outro entre sexta e sábado? Ok, confere! Panfletos com versículos da bíblia entregues nos fins de semana para arrependimento dos “pecadores”? 
Ok, confere! 
Aquisições de bugigangas ungidas pra dar sorte? Ok, confere! Penitencias pagas à rainha dos céus e a todos os santos? 
Ok, confere! 
Orações nos montes, jejuns, ofertas e dízimos tudo em dias para se prevenir do migrador e devorador? 
Ok, confere! 
Abstenção de bebidas alcoólicas, carne de porco, mariscos e uma infinidade de outras comidas proibidas por deus? 
Ok, confere! 
Checando...Pronto! 
Seu kit de santidade estar atualizado! Só permanecer assim a vida toda esperar um pouco mais para ir morar nos céus...

Seria cômico se não fosse trágico! Cada igreja vende o seu kit próprio de salvação ou pacotes no que diz respeito ao quesito “servir a deus” por preços e condições variadas e todas elas entre si, lutarão até os últimos recursos para transformar a você e a todos quantos sejam possíveis em clientes fiéis, consumidores desses kits e defensores dessas ideias, atraindo assim mais seguidores para esse ou aquele nível de conduta ou pensamento, tentando padronizar e domesticar o homem, que por natureza foi feito para estar em constante evolução em todos os sentidos.

Toda agremiação religiosa diz ter recebido de deus a missão de espalhar a “verdade” ao mundo e combater as “mentiras” que as outras agremiações ou pessoas propagam e a desmascarar as artimanhas do diabo que luta para tragar a alma do homem do “caminho verdadeiro” apontado por tal igreja. Todas elas dizem aos seus membros que estes são escolhidos por deus para determinado propósito, enquanto as outras não, e que terão de comprar delas o mesmo kit de padronização se quiser ir para os céus.

Uma batalha infinita tem início todos os dias dentro e fora desses grupos com o instituto de te padronizar, te rotular e ter o controle de sua vida entre esses que dizem ser os mensageiros de deus, e os mais variados efeitos dessa luta poderão ser vistos diariamente na vida de cada um desses que são domesticados por esse ou aquele sistema de crenças. Somente castigos severos e ameaças em nome do sagrado e do profano para anestesiar o homem, esse ser em evolução constante com sede da verdade e do conhecimento. A igreja sabe muito bem como fazer.

“Quando as perguntas começarem a surgir e os questionamentos começarem a florescer, use de sua “autoridade religiosa” meu filho! Humilhe o questionado em público, ameace o herege com pragas, crie boicotes individuais ou em massas para os “filhos do diabo”, enquadre aquela pessoa que resiste ao que você diz, isole-a, e a faça parecer ridícula e demoníaca pois só assim poderá manter funcionando esse grupo que você criou ou que te dei para você dirigir, filho meu!” Essa parece ser a mensagem secreta e individual que a maioria dos líderes religiosos parecem receber de “deus” quando são “chamados para sua obra”, para abrir uma nova igreja ou um novo ministério.

Assim, muitos por esse “chamado divino”, tem conduzido o “rebanho do senhor” e cada um fazendo do seu próprio jeito, criando suas próprias normas, seus próprios conjuntos de regras e dizendo:” estamos servindo a deus... E todos dizem ter razão!

Todos os que entram nesses seguimentos, não percebem que estão apenas seguindo padrões comportamentais do grupo já estabelecidos previamente e não vontade de deus algum, pois entre as linhas que dizem servir a determinado deus, quase todas elas são antagônicas, contraditórias e auto anulatórias entre si, concordando apenas no fato de que os súditos sejam ovelhas mudas, proibidas de questionar, imbuídas apenas de obedecer ao líder e fazer o rebanho crescer. Fora isso, todas elas travarão batalhas terríveis para dizer que estão servindo a deus e que se você não estiver do lado desse ou daquele seguimento, estará lutando contra o próprio deus! Que loucura...

Por intuição ou por orientação, muito desses líderes sabem que desde os mais remotos tempos, uma preocupação colossal e angustiante paira sobre a maioria dos homens em praticamente todas as culturas que tem nos seres metafísicos uma das “pernas” que sustenta tal sociedade. Essa preocupação na maioria dos casos é sobre estar ou não servindo e agradando aquela divindade enraizada na cultura popular.

Nos povos alcançados pela crença no deus mesopotâmico denominado como é o caso do deus de Abrãao por exemplo, essa preocupação tem sido mais latente, pois quem não estiver servindo a deus corretamente sofrerá severas penas, incluindo a pena de morte. Em toda história bíblica do passado esses fatos estão registrados pra quem quiser ver, bem como na história secular, onde o islamismo, judaísmo e cristianismo tem sido apresentado por imposição ou por opção tem sido de igual modo implantado quase que totalmente pela força tal sistema de crenças.

Há uma crença demonstrada de modo explícito entre os seguidores dessas três crenças e de praticamente todas as milhares de ramificações que dessas derivaram, que entre milhares de pessoas servindo a esse deus, se tiver alguém entre o povo servindo-o de modo errado, a ira desse deus todo poderoso e furioso (e ao mesmo tempo piedoso e justo) virá não apenas sobre o infame “herege”, mas sobre toda uma cidade, estado ou nação onde ele estiver inserido.

Eles assumem desse modo ainda que sem perceber que apenas 1 pessoa servindo a deus de modo “errado” invalida as ações de mais 1 milhão de pessoas que estão fazendo as coisas de modo certo diante de deus.

Não te é estranho isso? Uma gota de leite em um balde de café não é capaz de alterar o sabor do balde inteiro, mas apenas uma única pessoa “errada” em um “oceano” de tantas outras pessoas santas e que não esteja dentro dos padrões estabelecidos de como servir a deus por determinado agrupamento, será capaz de trazer os mais variados tipos de agouros divinos para esse grupo.

O velho testamento estar recheado de histórias assim. Então mata-se, apedreja-se, persegue-se, exclui ou faz boicotes àqueles que estão trazendo tais consequências desastrosas. Na idade média, a igreja católica costumava atribuir qualquer surto de doença, calamidades ou fenômenos da natureza a uma pessoas ou grupos “pagãos” que estavam desagradando a deus e de acordo com esta mesma igreja eram eles que estavam deixando deus irado e trazendo consequências terríveis.

A peste negra? Culpa dos infiéis! 
A gripe espanhola? Culpa dos hereges! 
Varíola, rubéola, carbúnculo, sarampo? Maldições por que servimos a deus de forma errada! 
Terremotos, furacões e maremotos? Sinais da ira divina e da volta de jesus que virá julgar esses esse povo pecador! 
A nós não! Nós somos as pessoas certas, no grupo certo, servindo a deus de modo certo e por isso estamos salvos, aleluia!

Então...Morte aos infiéis! Morte aos ciganos! Morte aos judeus! Morte aos mulçumanos! Morte as bruxas! Morte as rezadeiras! Morte aos celtas, aos vândalos, aos bárbaros, a todos os que não comem do corpo e do sangue de cristo! Morte, morte, morte...Morte aos incircuncisos (ah não, isso foi no velho testamento)! Em nome do deus da vida vamos matar a todos e conquistar essa terra para o nosso deus!

Não te é estranho esse fato? Por que um único pecador é capaz de desvirtuar toda uma congregação de justos? Que tipo de deus justo é esse que pune toda uma população por causa de uma simples pessoa que estar “fora da caixinha”? Que tipo de justiça é essa? Nem no mundo dos mortais encontramos juízes que hajam assim o tempo inteiro sem amadurecer e sem viver eternamente e ter tempo para se arrepender de feitos tão maldosos! A grande verdade como dito logo acima é que tudo isso não passa de padrões de comportamento! Nenhum religioso dentro de uma comunidade religiosa, sob a égide de uma bandeira ou símbolo sagrado segue a deus nenhum! TODOS eles seguem apenas padrões de comportamentos pré estabelecidos e para não serem perturbados por questionamentos que possam surgir, querem converter a todos a esse mesmo ponto de vista! Praticamente TODOS eles querem padronizar os outros ao seu próprio entendimento de servir a deus e assim começam as guerras desnecessárias e seus derivados que afetam todo o globo.

Judeus versus mulçumanos! Protestantes versus católicos! Congregação A versus congregação B...Todos preparando missionários para converter “pecadores” e a ensinar o modo correto de servir a deus. Todos matando e morrendo pela mesma causa. Todos condenando ou invalidando os ritos litúrgicos uns dos outros. Todos tem um inferno preparado para os “não salvos” e para todos da religião alheia!

Do alto de sua inércia, aquele dizem ser o pai de todos nada faz para mudar isso....

Se realmente existe uma possibilidade de alguém servir a ideia do sagrado, essa possibilidade estaria fora dos currais religiosos, livres dos interesses espúrios e egoístas dos criadores e mantenedores de tais agremiações, e estaria bem distante da padronização oficial que todos recebem ao nascer em um lar religioso ou quando se associam a tais agremiações depois de um certo tempo.

Se existe alguma divindade justa e bondosa realmente, a única maneira de agradá-la seria servindo-nos uns aos outros, ajudando-nos uns aos outros para um estado maior de ser, e não reduzindo aos homens a um estado vegetativo de “dependência divina” quando na verdade estão formatando pessoas para serem dependentes de sistemas de crenças dizendo a essas que estarão servindo a determinado deus. Esse comportamento é tão prejudicial quanto os que criam e sustentam os mercados de entorpecentes.

Não é feio e nem vergonhoso deixar de pertencer a um “grupo de fé”! Feio e vergonhoso é tornar o mundo diariamente um lugar pior de se viver em nome de um deus imaginário, enquanto enriquecem e mantem no poder opressor, aqueles que vivem da ignorância das massas. Isso sim é feio, vergonhoso e ridículo.

A maior independência que alguém pode adquirir não é a independência financeira, dos pais, dos conjugues ou dos filhos. É a independência de nossa consciência escravizada a maior de todas as conquistas pela qual devemos lutar.

Não é da aceitação da crença pela crença ou da ausência da crença pela crença que encontraremos essa liberdade de consciência. Ela será um processo contínuo e duradouro, capaz de construir e reconstruir as próprias verdades quantas vezes for necessária. Capaz de analisar a verdade do outro e reter o que é bom, se realmente houver algo de bom. A nossa capacidade manter a sanidade por uma maior tempo possível será nossa “baliza” nessa prazerosa jornada.

Abaixo as verdades inquestionáveis! Não aos abusos cometidos em nome da fé! Um salve aos que por meio de sua “heresia” tem combatido os efeitos nefastos das padronizações oficiais que todo homem estar destinado a ter.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 2 de setembro de 2018

Ateísmo e humildade



Descobrir que os deuses não existem, para quem teve que fazer a descoberta contra a corrente familiar e por vezes a cultura em que está mergulhado, é, na minha opinião, um passo em frente. Mas é, mais que um ponto de chegada, o princípio de um caminho.

Tenho muitos amigos ateus, em várias partes do mundo, e alegra-me ver tantas opiniões lúcidas sobre religião. Mas muitos desses meus amigos por vezes exageram na agressividade com que se exprimem e, sobretudo, cometem alguns o erro de pensar que são mais inteligentes que os crentes. Mais de metade, seguramente, dos que hoje são ateus já foram crentes. Não tiveram uma mudança radical de intelecto. Aliás, foi com esse intelecto que conseguiram vencer um jogo difícil em que muitas das cartas que lhes davam estavam viciadas.

É normal algum ressentimento pelo sofrimento psicológico que muitos sentiram enquanto ainda eram religiosos, sobretudo os que estavam presos às seitas mais fundamentalistas. Mas é, deve ser, uma coisa passageira. Se não houver sectarismo nem fanatismo, as velhas amizades podem manter-se, os laços familiares não devem ser destruídos.

É de esperar também alguma revolta, quando os ateus presenciam a forma desavergonhada como os sacerdotes e pastores manipulam os fiéis para obterem efeitos políticos e para lhes tirarem dinheiro. Para quem tem os olhos abertos, é simplesmente aflitivo.

Mas a forma de discutir com os crentes não é o insulto, nem a piada fácil, nem a gritaria. É ajudá-los a pensar.

Como eu disse, descobrir que não há deuses é o começo da jornada. É que esse facto nos obriga a repensar uma quantidade de aspetos da nossa vida. Não havendo deuses, não há moralidade para além daquela que os seres humanos impõem a si próprios. Se queremos que coisas boas aconteçam, temos que fazê-las acontecer. A vida não é justa e não dá prémios nem castigos, apenas distribui graças e desgraças de forma totalmente cega.

A solidariedade humana é a única coisa que nos defende de ser arrastados nesse turbilhão desencontrado.

Há ateus que dizem que o ateísmo se resume à resposta negativa à questão filosófica de saber se existem deuses. Que para lá disso, não se deve ir.

É uma posição muito pouco ambiciosa. Pessoalmente, respondi a essa questão há dezenas de anos. Não haveria nada mais a discutir, para mim.

Mas a libertação da alienação religiosa, em princípio, serve para abrir caminho a um pensamento mais lúcido ou mais racional sobre uma quantidade de assuntos. É por isso que a maioria dos ateus se confessam humanistas, pois o humanismo vai além da negação dos deuses, procurando discutir e adotar uma moral secular válida para os nossos dias, com o objetivo de possibilitar a felicidade do maior número possível e também de evitar a infelicidade das minorias.

Por fim, quero fazer um aviso, sobretudo aos jovens ateus, mas na verdade a todos, porque é um aviso que faço constantemente a mim próprio: parabéns por se livrarem da religião, mas não pensem que é o único pedaço de irracionalidade que carregam entre as orelhas. Há muitas outras vacas sagradas que custa descobrir e meter no curral. O trabalho de duvidar, examinar as nossas crenças, ver se têm justificação e abandoná-las se estiverem erradas nunca tem fim. Por isso, um ateu dogmático é um absurdo.


Texto de Carlos Cabanita

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Pensando fora da caixa



Os humanos são obcecados por princípios e fins. Nós vemos vidas a começar e vemo-las a acabar. Nós vemos famílias a começar e terminar. Nós vemos relacionamentos, empregos e carreiras a começar e terminar.

Tudo o que valorizamos começa e termina, logo somos condicionados a pensar nesses termos. Mas, e se esse pensamento for apenas um efeito colateral de como vivenciamos o mundo, e não como o mundo realmente é?

Humanos e abelhas vêem diferentes partes do espectro eletromagnético. Humanos e abelhas vivem no mesmo mundo, mas parece muito diferente para cada um de nós. Se as abelhas pudessem pensar, elas não se preocupariam com as questões que nos interessam.

Imagina como um átomo vê o mundo. Primeiro, é parte de um rio, depois, de uma nuvem, depois, de uma gota de chuva, depois, de um cão e depois, da terra. Ele veria um mundo de paragens e mudanças - nunca se preocuparia com princípios e fins, acharia esses conceitos insondáveis ​​e irrelevantes.

Será o acaso do que somos e como vivemos, que leva a que nos preocupemos com questões como o começo do universo? Talvez essa pergunta seja tão artificial e irrelevante quanto perguntar "o que é o norte do Pólo Norte?" Podemos fazer a pergunta, mas ela não faz sentido e não pode ser respondida.

Talvez o universo não deva ser comparado a uma coisa viva que nasce e morre, mas a um ciclo, tal como o hidrológico - mudando constantemente de gelo para água, para vapor, para água, para gelo. .

E, talvez, eu devesse verificar exactamente que cogumelos foram espalhados na minha salada, esta noite! Não vá terem sido alucinogénicos...


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 27 de maio de 2018

Ajoelha-te e reza.




Quando as pessoas religiosas ficam sem argumentos para te convencer de que o seu deus existe, elas frequentemente recorrem à abordagem prática. Eles dirão algo como: "Se tu te ajoelhares e pedires a Jesus que ele se revele a ti, ele o fará". ou "Só podes encontrar Deus confiando nele".

Na verdade, esse método pode "funcionar", pode fazer as pessoas acreditarem que encontraram deus. Mas como é que isso funciona? As pessoas realmente encontram deus? Não parece que elas o encontram porque esse método funciona para todos os tipos de deuses diferentes. Um método que "funciona" para deuses inventados, obviamente não funciona. Então, por que parece funcionar?

Uma das terapias de fala mais bem sucedidas usadas por psicólogos clínicos nos dias de hoje, é conhecida como TCC: Terapia Cognitivo-Comportamental. Centra-se na ligação entre a cognição de uma pessoa (pensamentos e crenças) e seu comportamento. Se tu puderes alterar um desses, tu também mudarás o outro.

Por exemplo, se continuares a pensar que decepcionaste as pessoas, o teu comportamento pode mudar e fazer com que tu te retires e evites as pessoas. Um terapeuta de TCC, identificaria os pensamentos que desencadeiam esse comportamento indesejado e pediria ao paciente para praticar pensamentos opostos. Pode funcionar ao contrário também. Se os pacientes puderem forçar-se a se comportar de maneira diferente, depois de um tempo, os pensamentos negativos mudarão.

É exatamente assim que funciona o método "Fique de joelhos e reze". Se te comportares como se Jesus existisse por tempo suficiente, acabarias acreditando que Jesus existe.

Acontece que as religiões tropeçaram no TCC muito antes da psicologia. A diferença é que os psicólogos o usam para eliminar defeitos cognitivos, religiões usam-no para criá-los.


Traduzido e adaptado de Bil Flavell

domingo, 4 de março de 2018

E se os deuses falassem...




Monólogo da razão!

Estás louco? Pra início de conversa, se os deuses do imaginário coletivo falassem, eles nem sequer seriam deuses! Não seriam venerados, idolatrados, cultuados, nem saberíamos os seus nomes e eles nem teriam nenhum papel social ou no panteão dos deuses. Jamais seriam lembrados!

Quem em sã consciência serviria a um deus que ouve, fala, responde, se comunica e diz a sua vontade de forma clara e decisiva a todos, sem segredinhos duvidosos e partidarismos macabro? Ninguém, claro! É preciso estar embriagado pela insanidade coletiva para adotar deuses com essa qualidade como patrono particular e social!

Você pode sofrer várias penalidades se buscar racionalidade no monólogo praticado diariamente entre os deuses e os que os veneram. É possível cometer as maiores atrocidades e até fingirmos ser quem não somos e contarmos uma versão egoísta e diferente numa prece sozinhos num fim do dia antes de dormimos, ou numa igreja lotada para impressionar outras pessoas e os deuses não dirão nadinha. Esse silêncio é exatamente a força motriz que faz com que a crença nesse tipo de deus permaneça. Se eles falassem não seria possível esse tipo de loucura.

Para ser deus e ser venerado, tem de se permitir ser objeto particular de uso para a criatividade maléfica, preguiça, ganancia, ódio ou medo de cada um. Quem abre a boca e diz o que quer, deixa de ser deus na hora! Deuses não falam! Essa é a regra! Tem de ser maleável, volúvel, cego, surdo e acima de tudo mudo! Se falar deixa de ser deus...

Já vistes a definição de político bom? Não? Claro que já vistes! Político bom é aquele que se deixa manipular por determinado grupo, que lota os órgãos públicos com pessoas incompetentes e inúteis recebendo altos salários sem nada fazer, que contrata mais do que a receita pode pagar, que aperta a mão de todos, visita funeral, casamento, batizado, etc, mas nada faz realmente no que se refere ao que seu ofício lhe compete. Político honesto, que administra para o povo em geral e não apenas para os que lhe veneram não passa muito tempo no poder do mesmo modo que um deus falante não duraria apenas 1 dias em sua função.

Conheces alguma pessoa boa? Toda pessoa boa que você conhece possivelmente esteja morta! Artistas, pensadores, filósofos, visionários...até pessoas que amamos, todas elas estão mortas. Raramente consideramos como sendo boas pessoas vivas, a menos que ela nos sirva de algum modo, ou que tenham características semelhantes a de um “político bom” que citei no parágrafo acima. Qualquer um que tenha vontade própria, que não se deixe fazer de banquinho para subirmos, ou que não se permita ser muleta para pessoas que mais parece um encosto, se torna automaticamente uma pessoa má. Quando morre se torna boa de novo!

Imagine que situação desastrosa para os fiéis de uma religião: um deus onipotente, onisciente, onipresente, todo poderoso, justo eterno e ainda por cima COMUNICÁVEL! Nem pensar numa coisas dessas! Tudo menos isso! Um deus falante jamais...

O maior fiasco que um cidadão religioso poderia cometer seria adotar um deus falante. A base de sua fé iria se desmoronar. Seria como dar um tiro de arma de grosso calibre no próprio pé! A pior burrice do mundo que alguém poderia cometer, seria a de contratar um deus que realmente se comunicasse. Impossível! Nem pensem nisso! Pelo bem de sua religiosidade, jamais contrate um deus falante! Logo ele vai se tornar seu inimigo por mostrar um lado seu que você não quer enxergar! Fale com as flores, com o cachorrinho, com o peixinho do aquário, mas jamais com um deus justo e falante. Ele poderia arruinar a fantasia de qualquer pessoa.

Como seria possível cometer tantas besteiras se houvesse um deus comunicável e recíproco? Como seria possível enganar o povo? Como seria possível o enriquecimento ilícito usando a ideia do sagrado? Como seria possível cometer abusos de autoridade, sexuais, financeiros, assédio moral ou todo tipo de coisas sinistras que ocorrem entre 4 paredes da “casa de deus” todos os dias? Jamais! Aff! Que ideia sinistra! Só pode ser coisa de hereges! Vá de retro racionalidade! Essa mente não lhe pertence! Desapareça! Suma daqui! Me deixe aqui com minhas ilusões, enganando a mim mesmo e sendo enganado enquanto construo o mundo dos sonhos junto com tantos outros que pensam como eu e também vivem a mesma loucura! Não quero nem imaginar estar diante de um deus comunicável! Como eu iria mentir tanto sem ser punido! Jamais aceitaria algo desse tipo!

Como seria possível um deus com todas as qualidades surreais a ele atribuídas continuar sendo deus se respondesse de modo verbal a cada uma das orações a ele dirigida? Não haveria igrejas, religiões, fiéis, “ungidos” ou nenhum tipo de guerras, tragédias e nenhuma aberração seria feita em seu nome. Nada! Melhor que ele continue mudo mesmo senão nossa sociedade “civilizada” viraria um paraíso! Ele não quer isso, quer?

Como poderia um padre que acaba de molestar uma criancinha no confessionário e ainda vestido na mesma batina vir celebrar a eucaristia diante de todos como se nada tivesse acontecido, e ainda em suas preces ora a deus para que salve os pequeninos da pedofilia? Como isso seria possível com um deus justo e falante? Não rola né? Para o bem de toda “santa igreja”, deus deve permanecer caladinho como tem feito nos últimos 1700 anos...imagine! Quer destruir a igreja rapaz!!! Poderíamos ser considerados como a maior fraude de todos os tempos desde que o homem aprendeu a usar a linguagem verbal caso deus viesse a falar e revelar nossos planos sinistros... Shhhh!
Silêncio! Seja como deus, fique caladinho...
Não conte nada a ninguém de como realmente as coisas tem acontecido enquanto usamos a ideia do sagrado para manipular as massas! Não fale nada sobre a história secular, nem sobre a história da igreja! Prefira a versão de que tudo estar sendo dirigido por deus, e todos irão te amar e te dar todo tipo de recompensar por isso. Eles preferem essa versão pois é a que “menos dói”!

Como poderia ser possível um “ungido” do senhor que depois de cobrar 10% de uma família para que essa venha se manter filiado a um grupo religioso para não ameaça-los com pragas no presente e inferno no futuro, criar uma estratégia para que possa encontrar a esposa desse mesmo chefe de família na igreja sozinho alegando serviço voluntário “ao senhor”, e depois de fazer a limpeza na igreja, venha lhe fazer outro tipo serviço também, limpando quem sabe suas genitálias como a criatividade e safadeza conjunta possa ordenar? 
Depois esse mesmo “ungido” junto com a esposa infiel, tentam incriminar o esposo de um pecado que eles mesmos cometeram e ainda tem a cara de pau de levantar toda a igreja para orar para que deus venha revelar que é o marido culpado e não eles quem estão infringindo as regras do matrimônio! Como isso seria possível com um deus onisciente e falante! Nem se deus pagasse em barras de ouro, essas pessoas serviriam a um deus falante! Mostrar as coisas como realmente aconteceram? 

Sai fora! O negócio é enganar, manipular, usar “autoridade divina” para intimidar o rebanho e ainda pagar de santinhos falando em línguas estranhas e profetizando como sinal de santidade e comunhão com deus! Oh coisa boa é servir a um deus mudo! Amem irmãos? Dá um glória pra Jesus aí!

Como seria possível vender bugigangas ungidas, vender música e literatura que mais parecem lixo, pedir dinheiro para construção templos, reformas desnecessária das igrejas, fazendo tudo isso em nome de um deus que de nada precisa? “Eu jamais pedi isso”! “Vão procurar um trabalho descente, bando de salafrários”! “Parem de enganar o povo usando o meu nome” ...! 
Era isso que diria um deus falante, onipotente, que tudo pode e de nada precisa!

Como seria possível esconder 52 milhões de reais em malas num apartamento fechado, dinheiro supostamente desviados de um povo sofrido, e depois ainda pagar de santinho e bom cristão em rede nacional alegando insanidade? Um deus onipresente e falante jamais permitiria que algo assim viesse acontecer, a menos que ele estivesse ocupado demais atendendo orações de crentes pentecostais que agem como idiotas, ou de falsos moralistas que estão preocupados demais com quem faz sexo anal. O número deles cresce tanto que até a onipresença de deus parece falhar para dar conta das orações de seus servos que pedem para que ele vigie o tempo todo o fi-ó-fó alheio! 
Que ocupação inútil arranjam para um ser com tantas qualidades apreciáveis! 
Péssimos gestores são grande parte dos “servos de deus”, pois usam tantas qualidades surreais de seu deus para serviços egoístas e imprestáveis!

Não dá pra matar, roubar, vender drogas, mentir, adulterar e extorquir o povo e depois contar uma versão diferente em oração a um deus falante e que tudo vê não é? 
O bom de se crer nos deuses é que podemos enganar a nós mesmos e a outros e ainda sermos recompensados financeiramente por isso, nos tornar populares e ainda fazer todo tipo de negócio com essa ilusão! Quanto maior for o tamanho dessa loucura, mais lucrativo será esse tipo de negócio, graças a inércia daquele que dizem ser a força motriz de todo o universo!

Um deus falante...tudo menos isso! Não estrague a festinha particular de mais de 4 bilhões de pessoas, por favor! 
Lembrem-se de quantos deuses já foram sepultados pela razão! 
Não queira tornar esse deus ocidental obsoleto também! Seria como tomar doce de criança!

Que malvadeza essa sua, dona sanidade! Nem pensem nisso! Pior que cuidar de uma ferida crônica ou de uma doença degenerativa é discutir a fundo sobre os atributos de deus e coloca-los lado a lado, no sentido original das palavras e sua efetividade na vida dos que os seguem! É um pecado mortal! Questionar é mais feio que matar, roubar, adulterar, se prostituir ou cometer genocídio! Tome cuidado! Não deixe isso transparecer, a menos que queira causar uma revolução social sem precedentes. Você estar pronto para isso?

Não haveria partidos políticos! Não haveria segregação religiosa e nem religião alguma! Não haveria guerras! Não haveria injustiças...
Jamais faríamos mal a um fio de cabelo de nossos semelhantes nem faríamos mal algum a natureza como um todo se existisse um deus falante.

Um deus falante…ahhhh, que sonho mais utópico! Na verdade seria o pior pesadelo que alguém que vive da ignorância alheia ou mergulhado nas próprias ilusões poderia ter.

De pedra, de barro, madeira, gesso, óleo sobre tela ou qualquer tipo de genialidade já inventada pelo homem: o deus bom é o deus mudo, surdo e cego! Se falar, ouvir e der opinião própria deixa de ser deus na hora.

Pior que assumir que deus estar morto como dizia um certo filósofo do século passado, é ter de assumir que há um deus todo poderoso, cheio de qualidades fantásticas e atributos de honraria, mas que não servem para nada! Pior ainda é admitir que ele é conivente com tudo de feio, errado, nojento e fabuloso que se pratica em seu nome...

Um brinde aos que já conseguiram se libertar dos tormentos dessa ideia e mesmo assim conseguem manter uma postura honesta e descente sem precisar de policiamento algum!

Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

A vida humana tem algum significado?



Tanto quanto sabemos, de um ponto de vista meramente científico, a vida humana não tem qualquer significado. 

Os seres humanos são o resultado de processos evolutivos cegos, que operam sem objetivo ou propósito. As nossas ações não fazem parte de um qualquer plano cósmico divino e se a Terra explodisse amanhã de manhã seria provável que o Universo continuasse o seu percurso habitual. 

Tanto quanto sabemos neste momento, a subjetividade humana não deixaria saudades. Como tal, qualquer significado que as pessoas atribuam às suas vidas não passa duma ilusão.


Yuval Noah Harari

sábado, 9 de setembro de 2017

O ateísmo é um sentimento profundo




Se você quando reza tem a leve impressão de estar falando sozinho e assim pagando um enorme mico, é porque você está para se tornar um ateu.

Se você começa a ter certas dúvidas sobre a lógica de se ajoelhar e fazer sinais bizarros diante de imagens de gesso ou madeira pregadas nas paredes ou fixadas num pedestal, é porque você está para se tornar um ateu.

Se você passa a questionar a possibilidade de cobras e jumentas falarem, de homens viverem dentro de peixes, morrerem e ressuscitarem, é porque você está para se tornar um ateu.

Mas, se você tem um sentimento profundo de que suas crenças têm algo de intrinsecamente ridículo, é porque você JÁ SE TORNOU um ateu...


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Por que sou ateu...



Sou ateu porque não há a mais leve suspeita nem o menor indício de que Deus exista ou tenha feito alguma vez prova de vida.

Sou ateu porque duvido das afirmações sem provas e das palavras criadas e decifradas pelos que vivem à custa de um ser imaginário e fanatizam crianças desde o nascimento; porque confio na igualdade dos géneros e repudio a herança misógina herdada das tribos patriarcais que criaram Deus como explicação por defeito de todas as dúvidas e medos que os habitavam; porque repudio a explicação contraditória de um ser inventado que, sendo omnipotente não consegue, sequer, parar o sangue derramado em seu nome.

Ser ateu é a opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus atos e forma de viver, de quem respeita a vida – a sua e a dos outros –, de quem cultiva a razão e confia na ciência para elaborar modelos de racionalidade, sem necessidade de recorrer a um ser hipotético ou à esperança de outra vida para além da morte.

Ser ateu é descrer de verdades únicas e transcendentes, de um deus violento e vingativo, de uma casta que vive à custa das mentiras que os constrangimentos sociais e os hábitos de séculos transformaram em verdades.

Ser ateu é repudiar os manuais terroristas que os funcionários de Deus lhe atribuem e substituir as superstições tribais da Idade do Bronze pela herança do Iluminismo; é preferir os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos a quaisquer versículos dos livros sagrados e repudiar os sacrifícios exigidos pela perversão do clero.

Ser ateu é confiar na ciência e na sua capacidade para compreender o que não se sabe e eliminar os medos que oprimem os simples e aterrorizam os crédulos. É entender que há uma vida, única e irrepetível, que vale a pena viver sem angústias inúteis pela esperança de outro mundo, criado na infância do conhecimento e no apogeu da violência.

Ser ateu é rejeitar o júbilo divino com o sofrimento humano e evitar que a alegada fúria de um ser imaginário se converta no ódio irracional que dilacera os que acreditam em mentiras diferentes a seu respeito.

Ser ateu é, finalmente, respeitar todos os crentes, descrentes e anti crentes, enjeitar o proselitismo e combater as superstições e as crenças detonadoras do ódio e das guerras.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A história está mudando...



Ao longo da história, houve momentos em que grandes mudanças ocorreram no pensamento humano. Mas elas não acontecem com frequência e nem acontecem facilmente. Há sempre pessoas que resistem ao novo pensamento, às vezes ao ponto de dar suas vidas para preservar o antigo.

Exemplos de tais mudanças são a percepção de que escravizar pessoas é imoral ou a ideia de que a Terra orbita o sol.

Essas mudanças costumam levar muitos anos, ou mesmo gerações para acontecerem, porque demora a jogar fora os antigos pensamentos e adoptar os novos. Podemos imaginar como um novo pensamento cresce e ganha força: algumas pessoas vão começar a sentir que estão do lado errado da história, pois podem ver a mudança que está a acontecer e ela é inevitável, mas eles ressentem-se, discordam dela e não querem fazer parte da mudança.
E pelo menos duas dessas mudanças, estão acontecendo agora.

A primeira é o reconhecimento de que os casais homossexuais podem e devem receber os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Esta ideia tão óbvia, foi envenenada por mais de 2 000 anos pelas religiões abraâmicas, mas a Razão é o antídoto para esse veneno e muitos países progressistas já mudaram as suas leis para dar aos casais homossexuais direitos iguais. Muitos mais países seguirão na próxima década.

A segunda mudança pode revelar-se a mais revolucionária de todas. Em vários países, os bebés hoje nascidos, irão crescer num ambiente quase livre de religião. Aqueles que se ressentem e discordam com isso, inevitavelmente irão alertar de consequências terríveis: imoralidade e padrões decrescentes. 

Mas eles estarão errados.

Os dados já nos mostram que os países mais ímpios, são socialmente mais saudáveis ​​com baixas taxas de crimes, baixas taxas de DST's e de gravidez na adolescência. Além disso, as pessoas são mais felizes e vivem mais tempo. As pessoas não precisam da religião para serem decentes: elas precisam de empatia e ser ensinadas a valorizar e respeitar os outros.

Então, se estás a começar a sentir que estás do lado errado da história, não resistas, PENSA. Olha para as evidências daqueles países que já te deixaram para trás. Pensa com o teu cérebro e não apenas com o teu coração.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 18 de dezembro de 2016

O propósito da vida



Não há razão para estarmos aqui, não há propósito, nem há necessidade de haver. Mas estamos. Estamos porque este planeta reuniu as condições necessárias para que a vida orgânica surgisse. Como estamos cá, o que devemos fazer é tentar viver a nossa vida orgânica (que é limitada) o melhor que nos for possível e tentar fazer com que a vida dos outros também o seja. Se pudermos viver bem, tornar a vida dos outros melhor e até mesmo deixar um legado bom, então esse é um excelente propósito.

O universo está-se a cagar para nós. O universo não pensa, não é consciente, não tem preocupações. O universo apenas É. Apenas "age" de acordo com leis da física, leis naturais. Portanto, nós não temos qualquer propósito que não seja aquele que queiramos dar às nossas vidas.

Por Rui Batista

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Primeiro Ministro do Cafiristão



Certa feita se reuniram muitas pessoas para debater a melhor forma de convidar o Primeiro Ministro do Cafiristão para uma solenidade a ser realizada em breve.

Depois de algumas horas de discussão, ficou claro que uma parte do grupo não acreditava sequer que exista o Cafiristão. Foram ameaçados de prisão e expulsos da sala.

A seguir iniciou-se aceso debate sobre se o Cafiristão tinha um sistema parlamentarista ou presidencialista. Logo ficou evidente que um grupo tinha certeza de que o país tinha um sistema presidencialista e, portanto, não poderia ter um Primeiro Ministro. Foram ameaçados de prisão e expulsos da sala.

Logo em seguida começou um debate, que se estendeu por várias horas, sobre se o Primeiro Ministro em questão se chamava Ali Akolá ou seu nome era outro. Ficou claro que muitos achavam que seu nome era outro e cada um propunha um. Foram todos ameaçados de prisão e expulsos da sala.

E assim o debate continua até hoje. Ninguém ainda descobriu a melhor forma de convidar o sujeito e muitos ainda continuam discordando, sendo ameaçados de prisão e expulsos da sala.

Se você acha essa estória bizarra, saiba que foi exatamente assim que se estabeleceu a doutrina religiosa em que você acredita.



domingo, 27 de novembro de 2016

Quem deve ser castigado?



Imagina que eu escrevi um programa inteligente para computador, inteligente de tal modo que poderia aprender mais e mais ao acessar o Google. Imagina que eu queria que o programa aceitasse que existe um deus, e coloquei essa ideia no código do programa.

Mas, depois de dois anos de pesquisa ininterrupta no Google, 24 horas por dia, o programa acabou por concluir que não há deus algum.

Quem seria culpado? Eu ou o programa?

Se eu julgasse necessário impor um castigo por este mau funcionamento, quem deveria ser punido, eu ou o programa?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

Reflexão sincera dum ateu



Eu sinceramente não consigo entender como é possível alguém chegar aos 15 anos de idade, morando numa área urbana, sendo alfabetizado e seguindo os estudos regulares na escola enquanto fala sozinho, profere frases dirigidas a seres invisíveis, se ajoelha, faz sinais bizarros, canta e dança na frente de estátuas de gesso ou quadros na parede.

Participa de procissões onde um grupo de pessoas anda de um lado para outro carregando imagens de barro, com velas acesas nas mãos, entoando canções e orações dirigidas a seres que de fato eles nunca viram.

Evita comidas que são saudáveis e nutritivas, se abstém de beber álcool mesmo de forma moderada, foge de estímulos sexuais normais, desenvolve ódio contra pessoas que não conhece a passa a ter medos reais de coisas imaginárias.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Argumento contra a existência de deus



Podemos imaginar um nome para tudo, absolutamente tudo, o que existe? 
É lógico que sim porque se trataria apenas de uma mera definição: Tudo o que existe, existiu ou existirá. Seja material ou espiritual, imanente ou transcendente. Podemos dar a isso o nome que quisermos como Cosmos, Universo, Conjunto de tudo o que existe ou simplesmente TUDO. Lembre-se de que nós é que estamos definindo isso, o que significa que essa definição não está sujeita a discussões. Vamos chamar essa definição de TUDO

 – TUDO obrigatoriamente inclui Deus, a menos que afirmemos categoricamente que Deus não existe. 
– Logo, Deus tem que ser PARTE de TUDO
– Mas uma PARTE não pode criar o TUDO exatamente porque é uma parte de TUDO
– Logo, só temos duas opções: 
1º Deus NÃO É parte de tudo o que existe e, portanto, não existe. 
2º Deus É parte do que existe e assim não pode ser o criador de TUDO.


terça-feira, 1 de novembro de 2016

O significado de "Significado"




Um argumento religioso recorrente é que o Mundo TEM que ter um “significado”.
Mas o que é que isso realmente significa? 
Em geral significa que o Mundo tem que ter um “propósito”. 

- Que o Universo não pode existir sem uma finalidade inteligível aos seres humanos. 
- Que as boas ações serão recompensadas e as más punidas. 
- Que os sofrimentos humanos têm uma justificativa e que os sofredores serão consolados. 
- Que a existência tem um objetivo que transcende a mera biologia. 
- Que a morte não pode ser simplesmente o fim de tudo.

O único problema é que esses são os nossos DESEJOS e não uma constatação.

O significado real do “significado” é pura e simplesmente aquilo que DESEJARÍAMOS que fosse verdade. 
É curioso que o religioso ADMITE que esses são seus DESEJOS e não algo que ele deduziu de alguma observação ou a partir de algum argumento racional. 

Mas NADA indica que o que DESEJAMOS seja REAL apenas porque desejamos que seja.

 
Texto da autoria de Lauro Augusto Monteclaro Cesar Jr.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Voar

Para o Homem se erguer do chão, 
e poder voar para o conhecimento, 
tem de se libertar da âncora da religião,
e dar total liberdade ao pensamento. 

Qual a diferença entre o idioma e a religião?

A religião e o idioma tem muito em comum. Ambos são aprendidos pela criança sem o seu consentimento. Ambos ficarão profundamente alojados dentro do seu cérebro e dificilmente serão removidos. 

Mas a linguagem é uma ferramenta vital, enquanto que a religião é um fardo inútil que apenas ensina mitos como verdades e cria barreiras e mal-entendidos entre as pessoas.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Se as orações realmente funcionassem...



Imagine que existia um ser sobrenatural que podia intervir no nosso mundo. 

Se este ser sobrenatural fez alguma coisa que afetou o nosso mundo natural, poderíamos ver o efeito, mas não veríamos a causa. Veríamos um efeito sem causa, um efeito incausado. 

Se este ser sobrenatural respondeu a mil milhões de orações por dia, cada oração respondida seria um efeito sem causa. Assim, em todo o mundo, estaríamos testemunhando mil milhões de efeitos sem causa todos os dias: chaves perdidas simplesmente apareceriam na tua mão, carros estacionados desaparecendo diante dos teus olhos para te dar um espaço livre para o teu carro, um autocarro que não se move apesar do motorista tentar que ele se mexa, para te dar tempo para entrares a bordo, a chuva que pára subitamente para não te molhares, todas as doenças a desaparecerem instantaneamente... 

Iríamos achar tudo isso extremamente inquietante porque esperamos que os efeitos tenham sempre uma causa. E esperamos isso tão seguramente como esperamos que um objeto pesado largado no ar, caia. E esperamos isso porque nós sempre vemos efeitos causados. 

Mas nunca vemos efeitos sem causa, porque eles não acontecem. Desculpem a decepção.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Matemática justifica a estupidez?




Se uma pessoa acredita em algo estúpido, será que é uma razão para tu acreditares nisso também? 
Não, obviamente isso não é motivo para tu acreditares. 
Mas, e se mil milhões de pessoas que acreditam nessa coisa estúpida, acharem que é uma razão para tu acreditares nisso também? 
Na verdade, é uma conta matemática simples: 

Não há razão x 1 000 000 000 = Não há razão

Acreditar em algo estúpido continua a ser estúpido, não importa quantas pessoas acreditam.

Traduzido do Bill Flavell

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Faz sentido este plano perfeito de deus?




Quando deus quis revelar-se à humanidade, ele tinha pelo menos duas opções: 

Por exemplo, da mesma maneira que ele fez os dez Mandamentos, ele poderia ter escrito um livro. Ao cortar os intermediários que introduziram erros humanos e preconceitos, o livro poderia ter sido perfeito e poderia ter comunicado a mensagem de Deus, sem ambiguidades, erros ou contradições. 

Não haveria nenhuma dúvida num livro perfeito dum deus perfeito. Tal livro não iria gerar dúvidas nem o ridículo, como é o caso da Bíblia em muitos escritos, e seria o bem mais sagrado da humanidade. 

Ou deus poderia ter colocado mensagens no cérebro de todos, para que todos nós soubéssemos que ele existe e o que ele quer de nós. Cada bebé iria crescer conhecendo deus sem a necessidade de instrução por parte dos pais ou de outros. 

Se ele tivesse feito qualquer uma das coisas acima, deveríamos esperar que os seres humanos não teriam tido a necessidade de inventar deuses e não teriam acontecido guerras sobre quem tem o deus verdadeiro ou sobre quem tem a leitura correta das escrituras. 

E assim todos teriam uma clara e perfeita compreensão da moralidade e, sabendo quem era deus, nós provavelmente, teríamos estado mais inclinados a segui-lo. 

E ele poderia ter feito estas coisas, não há 3 000 anos atrás, mas há 200 000 anos atrás quando nossa espécie surgiu pela primeira vez. Imaginem como seria diferente a nossa espécie após 200 000 anos a conhecer deus e saber como é ele sendo bom. Imaginem o quão avançados que poderíamos ser agora, sem estas centenas de milhares de anos de medo, ignorância e superstição. Talvez estaríamos agora navegando pelas estrelas.... 

Se deus nos tivesse dado uma informação clara, deveríamos esperar que o céu estivesse cheio e inferno deserto, tal como este mundo ser um lugar menos violento e muito melhor do que é. 

No momento em que deus criou um plano em que nos obrigou a fazer uma escolha acertada, ele tinha a obrigação de assegurar que éramos devidamente informados. Mas ele não o fez. Ele intencionalmente nos escondeu a informação e deixou a sua mensagem com homens ignorantes e supersticiosos, com pouca ou nenhuma credibilidade e sem oferecer qualquer evidência de que as suas histórias eram verdadeiras. 

Este SEMPRE foi um plano destinado a falhar. O plano de deus era tão falho e tão mal executado que nem sequer faz sentido algum. 
Realmente, há apenas uma conclusão razoável e lógica: nunca houve nenhum deus e nem havia plano algum; havia apenas homens supersticiosos que compunham histórias, assim como outros homens já o haviam feito por incontáveis ​​gerações antes. 

Agora sim, esta conclusão faz todo o sentido.

Traduzido e adaptado de Bill Flavell