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terça-feira, 21 de agosto de 2018

O amor de deus é realmente incondicional?



Análise superficial das condições para você ser amado por deus

Comentários sobre a visão da Teologia da Prosperidade a cerca desse “amor”


Sem perceber, praticamente todos os grupos religiosos que dizem servir ao deus judaico-cristão, vivem em uma espécie de eterna guerra fria uns contra os outros desde quando oficialmente adotaram esse modelo de deus como ser supremo para venerá-lo e servi-lo.

A guerra fria acontece somente quando os seguidores são um pouco mais civilizados, usando argumentos verbais para se digladiarem, pois quando o respeito pela vida nada mais vale, a guerra é abertamente declarada, na pura intenção de se classificarem como escolhidos de deus, ovelhas de seu aprisco.

Nessa imensa “certeza” que eles tem de que serão amados exclusivamente por esse deus, por precaução eliminam ou põe tropeços diante dos “inimigos” para que de repente esse deus não venha mudar de lado, tornando-se inimigo ao invés de um potencial aliado.

Num passado de quase 5 mil anos atrás também era assim. Antes do israelitas tomarem “emprestado” esse deus das regiões onde habitaram, deus “estava” onde a arca ou qualquer outro símbolo sagrado estava, e quem os controlavam, controlavam também essa ideia de deus. Como esse deus não muda e informações de sobrevivência são passado sorrateiramente pela genética dos seres, melhor criar condições para que o amor incondicional desse deus não seja desviado de ti.

Como os EUA e URSS no pós guerra secretamente desenvolveram armas potencialmente perigosas, sistemas de inteligência e monitoramento sofisticados no intuito de espionar, se defender ou subjugar o um ao outro, os vários grupos religiosos derivados da crença no deus de Abraão tem feito a mesmíssima coisa, se “armando” até os dentes com o intuito de subjugar seus “inimigos” e atrair a atenção de deus para o seu lado, tornando-o objeto particular de uso, ou um deus pessoal, pronto a realizar qualquer desejo egoísta e autodestrutivo de seus súditos.

Deixar que deus “escape” para outra igreja, outra linha teológica ou até mesmo outra religião é sinal de derrota! Se faz necessário o tempo inteiro criar condições para atrair público pagante e submisso bem como manter deus ao lado deste grupo.

Grite, pule, rode, caia, fale em “língua estranhas”, suborne-o por meio de dízimos, ofertas e campanhas, se entregue totalmente a ele, seja “pau mandado” de líder religioso se preciso, mas não deixe esse deus ir para outra igreja, para as “linhas inimigas”. Sua proteção, sua vida de prosperidade e até sua salvação futura dependem disso! Crie as condições perfeitas para que esse amor incondicional não se vá.

Como as antigas potencias do pós guerra, do mesmo modo as “potencias de cristo” e servos do deus mesopotâmico espionam uns aos outros, além de tratados históricos, filosóficos, teológicos e científicos para subtrair somente o que apoia sua linha de raciocínio e refutam todo o restante enquanto monitoram cada um dos fieis para premiar os que são totalmente subordinados e perseguir, maltratar, humilhar, torturar e até matar os questionadores e os que não conseguem se ajustar a esse reino de fantasias que a cada dia ganha novos gráficos no seu projeto original.

Como dito, todo esse esforço gigantesco tem apenas um proposito: dizer quem é o mais queridinho do papai, o grupo escolhido que vai morar nos céus ou viver eternamente com ele num paraíso seja lá onde for. Todos inventam textos, pretextos e apetrechos para dizerem para si mesmos e para todos demais que são melhores que qualquer um. Deus, na sua infinita inércia e no ponto mais alto e oculto do seu esconderijo secreto jamais fará nada para impedir (ou apoiar) tal corrida armamentista e deixará que seus filhinhos se resolvam do jeito que puderem, inclusive na bala ou na espada para obterem o colinho do papai. Quem quiser que se lixe! Ele apenas olha, contempla, anota tudo para no dia do juízo retribuir cada um “segundo as suas obras”.

Estes grupos religiosos que se dividiram ao longo dos séculos, criaram ou subtraíram de outros povos a ideia desse deus multifacetado, bem como estão constantemente acrescentando novas qualidades e atributos metafísicos a esse ser misterioso. Só que quanto mais mexem na ideia central dessa divindade, mas patética e contraditória se tornam todas as justificativas e argumentos que fazem esse ser continuar existindo no imaginário coletivo. Sem perceber criam características monstruosas e as atribuem ao personagem qual dizem ser um ser de luz.

No quesito de criar novas qualidades e atributos ao deus bíblico, os grupos cristãos parecem ser os campeões na criatividade para moldar aparências, criar preceitos, forjar doutrinas e impor regulamentações para a classe dos homens, anjos e até demônios, tudo isso baseado em interesses pessoais, qual disfarçadamente chamam essas ações de “vontade de deus”.

Todos os dias, dezenas de novas igrejas são abertas onde o cristianismo tem chegado, cada uma vendendo um tipo de ideia, de ritos litúrgicos, de “podes-e-mão-podes, além de linhas teológicas que se opõem e se aniquilam entre si. E quase todas elas continuam dizendo: “deus te ama de modo incondicional!” Ou ainda: “por que deus amou o mundo de tal maneira...” Somente para atrair público pagante e submisso, praticamente todas as igrejas cristãs dizem que deus ama a humanidade sem limites e sem restrições, mas basta entrar em uma dessas igrejas e você vai ver quais são as condições para que o amor incondicional desse deus venha ser realmente válido.

Assim, criam condições para que “aconteça” um amor que dizem ser incondicional. Na maioria dos casos, quando acabar seu dinheiro ou sua subserviência cega as lideranças não for mais a mesmas, o mínimo que você poderá receber é um grande pé na bunda, ser excomungado, expulso ou retratado como um coisa ruim, um filho das trevas!

Em outros casos, para pagarem de inocente, os líderes religiosos quando querem ser livrar de ti por saber demais ou discordar dos abusos praticados por eles, estes põe todo o grupo religioso contra você por meio de calunias e falsas acusações para que sua vida se torne um inferno e você seja “gentilmente” forçado a sair da igreja, para depois eles mesmos dizerem que você não aguentou as provações ou sucumbiu as tentações do diabo. Para manter a imagem de santos e a posição de lideranças que ocupam bem como suas fontes de renda, alguns líderes religiosos são capazes de fazer coisas que nem os piores dos crápulas humanas teriam a criatividade de executar.

Na idade média por exemplo, o amor de deus era tão incondicional que dava aos chefões da máfia religiosa da época, o direito de prender, torturar e executar qualquer pessoa ou ser vivo na face da terra, principalmente os que não aceitavam de forma “pacifica” esse “amor incondicional” ou os que questionavam a autoridade da “santa igreja”.

É muito amor envolvido, chega a da vontade de chorar, não é? A história da igreja parece um lindo conto de fadas, onde só “coisas boas” acontecem no trajeto de expansão dessa multinacional cuja logomarca principal é a cruz e o peixe...

Na tentativa de agradar aquele que parece estar eternamente aborrecido, os grupos cristãos criaram várias linhas teológicas para demonstrarem esse amor incondicional que deus tem pela humanidade. As principais destas linhas são: a teologia da prosperidade, a da pobreza, a do sofrimento, a da salvação pela fé e a da obediência cega aos líderes religiosos. Todas essas linhas teológicas ensinam o homem a criar condições para que o amor de deus “aconteça” apesar de insistirem dizendo que deus ama a todos os homens sem restrições alguma.

Na TEOLOGIA DA PROSPERIDADE por exemplo, ensinam-se que deus é rico, poderoso, dono do universo e que uma das formas de provar que ele estar na vida dos seus servos é sendo igualmente próspero, rico e abençoado, não importando na maioria das vezes o modo como essa “prosperidade” vai chegar até você. Muitos desses líderes e seguidores chegam a usar a própria bíblia para justificar seu nível duvidoso de conduta, mostrando que Jacó era “esperto” e se não for por meio da trapaça e da má fé, nunca conseguirão nada na vida.

Você conhece alguém capaz de “dar nó em pingo d’agua” para “se dar bem na vida” sem sentir culpa ou remorso algum e ainda assim continuar dizendo ser uma pessoa boa e cheia de deus? Possivelmente essa pessoa teve sua mente cauterizada por essa linha de pensamento. Possivelmente seja o resultado da ganancia própria com vontade de “terceirizar cagadas” como é comum no meio dos que tem nos seres metafísicos sua válvula de escape. Possivelmente seja apenas um dos mistérios de deus para demonstrar seu infinito amor na vida de seus servos. Deus misterioso, servos igualmente misteriosos...seria justificável se não tivesse uma tendência hipócrita.

Os adeptos dessa linha de pensamento costumam fazer das igrejas grandes cassinos, casas de apostas, lugar de suborno, levando os féis a crerem que quanto mais apostarem na “casa de deus”, mais receberão em dobro seus investimentos. Quem nada tem, nada aposta, nada ganha e desse modo não serão alcançados pelo amor infinito desse deus.

Empresas e famílias inteiras tem sido levadas a falência nesse jogo de apostas infinitas e sem retorno, onde o único ganhador de todas as rodadas é somente o dono da igreja, aquele que registrou o CNPJ da igreja em cartório. Todos os demais terão de se confortar vendo o seu ungido ser “abençoado”. Isso pelo menos já é alguma coisa para a maioria destes, pois é uma prova que realmente deus existe e que abençoa quem trabalha de forma “voluntária” em sua obra.

Quanta inocência! Tadinhos...se parassem para somar 2+2 iriam perceber que a ostentação e as “bênçãos” que seus líderes usufruem é pelo resultado coletivo dos esforços dos membros e não o sinal de nenhum tipo beatitudes celestial.

Resumindo, essa vasta e complexa linha teológica, nesse modo de pensar, o amor incondicional de deus é exatamente do tamanho dos valores que você possa colocar na fogueira santa, na campanha disso, ou nas correntes daquilo, além dos costumeiros 10% mensais, pois esse valor é o mínimo que alguém poderia ofertar para que sua casa, sua empresa e sua família não venham ser invadidos pelo devorador, migrador e cortador.

Como se deus fosse um grande chefe miliciano duma gangue das trevas, não é você quem estar fazendo um favor a ele pagando esses “míseros” 10%. É ele quem estar te fazendo um grande favor em te proteger por um valor tão baixo (tá ligado?). Os 10% é apenas uma proteção básica para você não perder o que tem, já que para se tornar rico, abençoado, ou pelo menos ter o “espírito de deus” em sua vida, você deve aderir as demais campanhas que os representantes desse deus fazem quase que diariamente.

Nessa linha de pensar deus e o diabo fizeram o seguinte pacto: se você ofertar menos que 10% deus autoriza o diabo ferrar com você. Se você ofertar + que 10% o diabo “permite” que deus te faça prosperar. Assim você será sempre vítima dos acordos sinistros desses dois “sócios” que estarão em seu encalce até o dia de sua morte. Sorte que ateus, céticos e pessoas que não frequentam essas casas de negócios espúrios estão livre desse pacto das trevas entre deus e o diabo.

Vale lembrar que as doações feitas em campanhas para os líderes religiosos e seus familiares irem anualmente para Jerusalém com todas as despesas pagas por você e para construções de novos locais de arrecadações (templos) são as que deus mais se agradam. Só que esse tipo de “benção” é somente para líderes iniciantes, em início de carreira e seus mais féis súditos, coisa de amador ainda.

Para mostrar seu imenso poder e riqueza, o objetivo maior de deus na vida de seus ungidos e para provar que ele abençoa quem se envolve “voluntariamente” em sua obra, ele deseja torna-los prefeitos de grandes cidades, políticos de renomes e até donos de emissoras de TV! Viu que deus bom?

Mas por enquanto, até que seus servos se acostumem com uma vida de luxo e fortuna que deus intentar dar somente aos seus representantes, fazer com que os ungido de deus viagem de graça anualmente ao redor do mundo, já é um grande passo para que o amor incondicional de deus se derrame sobre você. Não esqueça: líder feliz= igual a deus feliz!

No próximo texto veremos o amor incondicional de deus segundo a teologia da pobreza. Não percam. Aprendam como ser pobre para ser salvo (caso a tentativa de ser rico ofertando tudo dê errado!).


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

terça-feira, 31 de julho de 2018

A inutilidade da teologia




O que a teologia já disse que teve qualquer valor para alguém? Quando a teologia disse algo que foi demonstrado como verdadeiro e que não seja óbvio?

Tenho ouvido os teólogos, lido o que escrevem, debatido com eles. Nunca ouvi algum deles dizer algo que tivesse alguma utilidade, qualquer coisa que não fosse trivialmente óbvio ou categoricamente errado.

Se todas as realizações dos cientistas forem apagadas do mapa no futuro, não haverá médicos, e sim xamãs; não haverá meio de transporte mais rápido que o cavalo; não haverá computadores, nem livros impressos e, muito menos, agricultura além das culturas de subsistência.

Se todas as realizações dos teólogos forem apagadas do mapa no futuro, alguém perceberia a mínima diferença? 


Fonte: Richard Dawkins

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que a Ciência diz sobre deus




Alguns teólogos e religiosos dizem que a ciência nada pode falar sobre Deus, já que a ciência estuda o mundo natural e Deus faz parte do mundo sobrenatural. Há problemas com tal separação. Primeiro, se Deus é uma entidade completamente sobrenatural, não tem como ele interferir na vida dos seres humanos, que residem no mundo natural. Mas quando Deus atende uma prece e salva uma vida, há uma intervenção direta no mundo natural, que é passível de investigação pela ciência. Aliás, uma pergunta extremamente válida é justamente de que maneira Deus atua, por exemplo, nas partículas de um tumor para reduzir seu tamanho? Em segundo lugar, essa separação é totalmente arbitrária. Por que a realidade é, obrigatoriamente, separada em duas? Não podemos pré-definir o que é a realidade, não podemos forçar a realidade a encaixar com nossas crenças. São as nossas crenças que devem ser adaptadas de acordo com as evidências da realidade. Ciência é justamente a maneira de interrogar como a realidade funciona.

Na história da humanidade, acreditamos em diversos deuses diferentes. À medida que o nosso conhecimento sobre o funcionamento do Universo foi aumentando, o papel de Deus (ou deuses) nas explicações foi diminuindo. Porém, muitas pessoas acreditam, pelo menos, em uma forma de criacionismo.

Antes de Charles Darwin publicar A Origem das Espécies, dominava a crença de que Deus tinha criado as espécies de forma independente. O teólogo William Palley fez a seguinte analogia: assim como a complexidade do design de um relógio nos leva à conclusão de que ele possui um criador, o mesmo pode ser dito em relação ao olho humano, por exemplo. Palley argumentou que "todas as manifestações de um design que existem no relógio existem também nas obras da natureza..."Para Palley, Deus tem função similar de um relojeiro; Deus é o criador inteligente da complexidade observada na natureza. No entanto, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace mostraram que, na realidade, não há nenhum criador; a complexidade observada é explicada pela seleção natural. Diferente de um relojoeiro, que projeta suas engrenagens e molas imaginando o resultado final, a seleção natural é um processo cego, inconsciente e automático. A seleção natural, como cunhou Richard Dawkins, é o relojoeiro cego. A Teoria da Evolução mostra que partindo de uma forma de vida bem básica, como uma molécula auto-replicadora, é possível atingir a complexidade de um indivíduo humano.

O criacionismo de Palley, o que eu chamo de criacionismo biológico, já deveria ter caído em total desuso. A Evolução é suportada por uma convergência de evidências de sete diferentes áreas da biologia e não possui nenhuma evidência contrária. Religiosos (principalmente criacionistas, nesse caso) repetem que a evolução é "apenas uma teoria". Evolução é uma teoria, assim como a gravidade. Espero que as pessoas não se joguem de prédios afirmando que a gravidade é "apenas uma teoria". A Evolução é uma das teorias cientificas mais testadas e corroboradas; a evolução é tão verdade quanto, por exemplo, a afirmação de que a Terra orbita o sol. Alguns religiosos afirmam aceitar a evolução, mas dizem que ela foi guiada por Deus. Mas isso não é a teoria da evolução; é uma adaptação errada da ciência para encaixar crenças pessoais. No entanto, ainda há lacunas no conhecimento para a hipótese de Deus como explicação. A evolução não explica a origem da vida, um problema da química ainda sem solução, e ainda há o criacionismo cosmológico, onde Deus criou o universo.

Em qualquer tipo de criacionismo, a explicação que Deus criou o universo e/ou a vida não é satisfatória, já que postula-se uma entidade mais complexa (Deus) do que aquelas que desejamos explicar. Deus, de acordo com diferentes religiões, é uma entidade que comunica-se com um vasto número de pessoas em todos os idiomas possíveis, intervem simultaneamente na vida de várias pessoas, etc. O que eu quero dizer é: se a complexidade do olho humano precisa de explicação, a complexidade de Deus também; se o universo e/ou os seres vivos foram criados por Deus, quem criou Deus? A usual resposta que religiosos fornecem para essa pergunta é que Deus sempre existiu e não foi criado. Para dizer isso não é necessário postular Deus, basta dizer que o universo (ou a vida) sempre existiu e não foi criado.

Uma das mais interessantes idéias que aprendi na ciência pode estar relacionada com a criação do universo. Espaco vazio, isto é espaço sem matéria, não é totalmente vazio. Diversas partículas e anti-partículas são criadas "do nada", elas se chocam e deixam de existir. Tudo isso ocorre muito rapidamente. Esse fenômeno, chamado de flutuação quântica, foi observado independentemente em diferentes experimentos. A hipótese é que, em determinadas condições, esse conjunto de partículas "virtuais" poderiam aparecer do nada, mas não desaparecer, permitindo a criação de um ou até mais universos. Como explicam os físicos Hawking e Mlodinow no livro O Grande Projeto: "flutuações quânticas levam a criação de minúsculos universos a partir do nada. Uns poucos desses atingem tamanho crítico, e então se expandem de um modo inflacionário, formando galáxias, estrelas e, ao menos em um caso, seres como nós." O cosmólogo Lawrence Krauss publicou em 2012 o livro A Universe From Nothing dedicado a esse assunto, onde ele deixa claro que "na gravidade quântica, universos podem, e na verdade sempre irão, aparecer do nada."

Teólogos, religiosos e crentes de uma maneira geral insistem em repetir que a ciência não refuta a existência de Deus. Isso está tecnicamente correto: a ciência não refuta a existência de Deus, mas também não refuta a existência de papai noel, dragões e unicórnios. Hipóteses que lidam com a existência de alguma coisa são irrefutáveis: é impossível encontrar evidências de que algo não existe.

É importante ressaltar que, mesmo não havendo respostas definitivas para algumas perguntas, não quer dizer que Deus seja a resposta, ou que qualquer outra resposta esteja correta. Qualquer que seja a explicação, ela precisa ser suportada por evidências. E, pelo menos até agora, a ciência não encontrou nenhuma evidência para a existência de Deus; a ciência não só não inclui Deus nas suas explicações, como tem feito enorme progresso sem recorrer a nenhuma entidade sobrenatural. Para ciência, Deus é desnecessário, além de muito improvável. Como explica o cosmólogo Sean Carrol em Why (Almost All) Cosmologist are Atheists, "de todas maneiras na qual Deus foi considerado uma hipótese útil, há explicações alternativas que não requerem nada fora de uma descrição completamente formal e materialista."
Concluo que adicionar Deus só torna as coisas mais complicadas, e essa hipótese deve ser rejeitada pelo rigor científico".


Por Felipe Nogueira Barbara de Oliveira

Para ler mais:

1 - Richard Dawkins. O Relojoeiro Cego. A teoria da evolução contra o desígnio divino. 1986
2 - Richard Dawkins. O Maior Espetáculo da Terra. As evidências da evolução. 2010.
3 - Richard Dawkins. Deus, um Delírio. 2006
4 - Stephen Hawking & Leonard Mlodinow. O Grande Projeto. 2010
5 - Lawrence M. Krauss. A Universe From Nothing. Why There Is Something Rather Than Nothing. 2012
6 - Victor J. Stenger. God The Failed Hypothesis. How Science Shows God Does Not Exist. 2008
7 - Victor J. Stenger. The Fallacy of Fine-Tunning. Why The Universe Is Not Designed For Us. 2011
8 - Michael Shermer. Why Darwin Matters. The Case Against Intelligent Design. 2007
9 - Michael Shermer. Nothing is Negligible. Why There is something Rather than Nothing. Skeptic Magazine. Vol 17. No 3. 2012.
10 - Sean Carrol. Why (Almost All) Cosmologists are Atheists. 2005

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ora, é só mais uma teoria...



Você já deve ter ouvido esse tipo de colocação vinda de crentes. A Evolução? Há, é só uma teoria. A Relatividade? É apenas uma teoria. O Big Bang? Trata-se de uma teoria, só isso. E assim por diante.

Certa vez discutindo isso com um crente me ocorreu perguntar o seguinte: Uma vez que uma teoria for COMPROVADA ela seria “promovida” ao quê, exatamente? Não obtive resposta.

Mas a resposta existe e é bem simples. Seria uma REVELAÇÃO. De preferência uma passagem da Bíblia tirada covenientemente do contexto.

Aí sim, pode ser levada à sério. Uma revelação é uma verdade por si mesma e não admite contestação.

Em resumo: Um conjunto de proposições apresentada por vários gênios das ciências e que foi corroborada pelos mais sofisticados métodos de aferição, é só uma TEORIA.

Já um texto da Idade do Bronze e interpretado por um pastor que estudou teologia por correspondência é uma REVELAÇÃO e, portanto, deve ser considerada verdade. 


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Há comportamentos sexuais contranatura?




Como podemos distinguir o que é biologicamente determinado do que as pessoas tentam meramente justificar através de mitos biológicos? Uma boa regra é: "a biologia permite, a cultura proíbe." A biologia está disposta a tolerar um espectro muito alargado de possibilidades. É a cultura que obriga as pessoas a tornarem reais determinadas possibilidades ao mesmo tempo que proíbe outras. A biologia permite que as mulheres tenham filhos - algumas culturas obrigam as mulheres a efetivarem esta possibilidade. A biologia permite que os homens tenham relações entre si - algumas culturas proíbem-nos de concretizar essa possibilidade.

A cultura tende a afirmar que apenas proíbe o que não é natural. No entanto, de uma perspetiva biológica, nada há que não seja natural. O que for possível também é, por definição, natural. Um comportamento verdadeiramente contranatura, que vá contra as leis da natureza, não pode existir, por isso não necessitaria de qualquer proibição. Nenhuma cultura se deu ao trabalho de proibir os homens de fazerem fotossíntese, as mulheres de correrem mais depressa que a velocidade da luz ou os eletrões negativamente carregados de serem atraídos uns pelos outros.

Na verdade, os nossos conceitos de "natural" e de "não natural" não provêm da biologia, mas da teologia cristã. O significado teológico de "natural" é "de acordo com as intenções de Deus, criador da Natureza". Os teólogos cristãos argumentam que Deus criou o corpo humano com a intenção de que cada membro e órgão servisse determinado propósito. Se usarmos os nossos membros e órgãos para o propósito pretendido por Deus, então trata-se de uma atividade natural. 
Contudo, a evolução não tem um propósito. Os órgãos não evoluíram com um propósito e a forma como são usados está em constante alteração. Não existe um único órgão no corpo humano que só faça o trabalho que o seu protótipo fez quando surgiu, há centenas de milhões de anos. Os órgãos evoluem para executarem determinada função, mas a partir do momento em que existem, podem ser adaptados a outros usos. As bocas, por exemplo, surgiram porque os organismos multicelulares mais antigos precisavam duma forma de introduzir nutrientes nos seus corpos. Ainda usamos as bocas para esse fim, mas também as usamos para beijar, falar e, se formos o Rambo, para arrancar as cavilhas de granadas. Será algumas destas utilizações não natural apenas porque os nossos antepassados, semelhantes a vermes, de há 600 milhões de anos não faziam essas coisas com as suas bocas?

Da mesma forma, as asas não apareceram de súbito em toda a sua glória aerodinâmica. Evoluíram a partir de órgãos que serviam outro propósito. De acordo com uma teoria, as asas dos insetos evoluíram há milhões de anos a partir de protuberâncias no corpo de insetos sem asas. Os insetos com saliências tinham uma superfície maior do que os insetos sem elas e isso permitia-lhes absorver mais luz solar  e, assim, manterem-se mais quentes. Num lento processo evolutivo, estes painéis solares ficaram maiores. A mesma estrutura, que era boa para uma absorção solar máxima - muita superfície, pouco peso -, por coincidência também conferia aos insetos alguma apoio quando estes pulavam e saltitavam.. Os que tinham proteburâncias maiores podiam pular e saltitar para mais longe. Alguns insetos começaram a usá-las para deslizar, e a partir daí foi um pequeno passo para as asas capazes de lançar um inseto no ar. Da próxima vez que um mosquito lhe zumbir ao ouvido, acuse-o de comportamento não natural. Se fosse bem-comportado, e se contentasse com o que Deus lhe deu, usaria as suas asas apenas como painéis solares.

O mesmo tipo de multifunções aplica-se aos nossos órgãos e comportamentos sexuais. O sexo evoluiu, inicialmente, para a procriação e os rituais de corte como forma de avaliar a boa forma de um potencial parceiro. No entanto, muitos animais usam as duas coisas para uma multiplicidade de propósitos sociais, que têm pouco a ver com a criação de pequenas cópias de si mesmos. Os chimpanzés, por exemplo, usam o sexo para cimentar alianças políticas, estabelecer intimidade e aliviar tensões. Será que isso não é natural?


Extrato do livro Sapiens: História breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari

domingo, 21 de janeiro de 2018

Teologia




As várias "...logias" são áreas de estudo com objectos de estudo específicos e bem definidos.

Por exemplo, a neurologia estudo o sistema nervoso. O sistema nervoso é algo real, palpável. Sabemos que existe e podemos estudá-lo, testá-lo, executar experiências com ele, tirar conclusões baseadas em observação, etc.

A antropologia estudo a Homem ou da Humanidade. O modo como evoluiu no passado, como evolui no presente, como interage, etc. O objeto de estudo da antropologia é o Homem, e matéria de estudo não falta. Matéria real, palpável, testável, etc.

A zoologia estuda os animais. Mais uma vez, material de estudo não falta. Material real, palpável, testável, etc.

E a TEOLOGIA? Estuda o quê?
Se disserem que estuda as religiões e o modo como o homem cria ou reage perante o conceito religioso, não é mais que filosofia, sociologia, antropologia e até mesmo neurologia, dependo de qual a vertente que se estuda. Portanto, se formos por esse lado, a teologia não vale por si só como uma área de estudo por direito próprio porque não passa de uma vertente de outras áreas. Então a teologia estuda o quê? Deus?
Mas, deus é real? Palpável? É testável?
Se não o é, então a teologia não tem um objecto de estudo concreto. Apenas é um conceito concreto, mas sem existência real comprovável.
Se deus só pode ser "provado" filosoficamente ou não passa de um conceito, entramos no ramo da filosofia pura ou até mesmo na neurologia (por se tratar de um caso comparável à esquizofrenia).

Sempre que alguém me vem falar de teologia, não deixo a pessoa continuar até que me explique muito bem qual o seu objecto e área de estudo. Normalmente a conversa não avança mais porque começam a patinar.

Portanto, ter um curso de teologia é o equivalente a ter um mestrado em fadas ou um doutoramento em unicórnios.


Texto de Rui Batista.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Concílio de Niceia e os Evangelhos



O Concílio

Voltemos ao ano de 325 da nossa era. Naquele tempo foi realizado o Concílio de Niceia, a atual cidade de Iznik na província da Anatólia, a parte asiática da Turquia em tempos designada Ásia Menor. Este foi o primeiro de dois concílios realizados na cidade, o segundo ocorreu em 787.

O primeiro concílio foi convocado pelo Imperador Flavius Valerius Constantinus (285-337), ou Constantino, filho de Constâncio I. Constantino, de quem se diz ser o primeiro imperador cristão, assumiu o poder aquando da morte do pai, em 306, e logo passou a ser a autoridade máxima, inicialmente, na Bretanha, na Gália e na Hispânia.

Aos poucos, assumiu o controlo total do Império Romano. Alguns anos antes, ainda no reinado de Domício Aureliano (270-275), os regentes romanos abandonaram a unidade religiosa que se verificou até à renúncia, por esse imperador, em 274, aos seus direitos divinos, próprios de tal governo. Constantino, porém, sempre almejou relançar essa unidade religiosa e viu no cristianismo, que então ganhava força e influência, uma oportunidade para alcançar esse objetivo.

Muitos são hoje os historiadores que analisaram o seu governo e que se manifestam unânimes em dizer que a sua conversão não foi tão completa quanto se supôs, pois Constantino não abdicou da sua posição como sumo-sacerdote do culto ao “Sol Invictus”, representação do deus persa Mitra, e só foi batizado no leito da morte. De facto, alguns elementos deste culto seriam depois absorvidos pelo cristianismo, como a comemoração do Natal no dia 25 de Dezembro.

Assim, o interesse principal de Constantino no cristianismo seria mesmo o do seu uso para fortalecimento da sua própria monarquia. O Imperador tinha um certo conhecimento da doutrina cristã e observou, durante o ano de 303, as perseguições impostas por Diocleciano. Tinha a noção dos cristãos, embora sendo uma minoria, chegarem a, no máximo, 10% da população do império e estarem concentrados nos grandes centros urbanos, principalmente em territórios inimigos.

Foi então que, em 325, convocou mais de 300 bispos para o Concílio de Niceia. O imperador, sempre de olho na unidade religiosa como um fator que o ajudaria a manter o poder, tinha a plena noção da existência de cisões no âmago da nova religião. O concílio deveria, portanto, cimentar de uma vez por todas os seus poderes. Entre os participantes constavam bispos orientais, que, como era costume, estavam em maioria. Entre eles contavam-se pelo menos três arcebispos – Arcebispo de Alexandria, Eustáquio de Antioquia e Macário de Jerusalém -, além das presenças de Eusébio de Nicomédia e de Eusébio de Cesareia. Representando o Ocidente estavam Marcus de Calábria (Itália), Cecilian de Cartago (África), Hosius de Córdova (Espanha), Nicasius de Dijon (França) e Domnus de Estridão (pelos territórios do Danúbio).

Os debates começaram. Entre os vários pontos discutidos na ocasião, estavam a questão ariana, que negava a equivalência entre Jesus e Deus, colocando Cristo como um homem e não como uma divindade; a celebração da Páscoa; o cisma de Milécio, fundador da Igreja dos Mártires; o batismo de hereges e o estatuto dos prisioneiros na perseguição realizada sob o comando de Licínio, o imperador romano destronado e condenado à morte pelo próprio Constantino.

A escolha dos Evangelhos canónicos

Foi durante este mesmo concílio que foram reveladas as versões da escolha dos Evangelhos canónicos. No arranque do cristianismo, havia o absurdo número de 315 textos! A versão oficial de como foi feita a sua escolha está registada em alguns documentos. Porém, mesmo que se trate de versões históricas, quando alguém as lê sente como era difícil ser-se prático e direto naqueles dias, sem que se deixasse o fanatismo ganhar força sobre as decisões a tomar.

Vejamos como terá acontecido. Na difícil missão de escolher quais seriam os textos “inspirados por Deus”, os bispos teriam espalhado os diversos textos no chão e reuniram-se para rezar. Nessa altura, durante a cerimónia, os quatro Evangelhos que hoje conhecemos (Mateus, Marcos, Lucas e João) levantaram-se por sim mesmos e foram depositar-se no altar.

Outra versão: todos os textos foram deixados sobre o altar e apenas os não inspirados - os apócrifos – caíram por si mesmos ao chão. Uma terceira versão fala da mesma passagem pela oração, o momento no qual o Espírito Santo entrou no recinto sob a forma de uma pomba e atravessou uma janela sem que esta se quebrasse. Em seguida, segredou-lhes ao ouvido os Evangelhos canónicos.

Misteriosamente, a Igreja escolheu quatro textos que, fechados em si mesmos, comportam diversas contradições. Mas parece simplesmente desconsiderar tal detalhe e insiste em manter o seu cânone neles baseado. A julgar pela explicação dos religiosos da época, é de crer que nem eles saberiam explicar-se de maneira convincente. Veja-se a declaração que Ireneu, bispo de Lyon, aventou para explicar a seleção:

“O Evangelho é a coluna da Igreja; a Igreja está espalhada por todo o mundo; o mundo tem quatro regiões; convém, portanto, que haja também quatro Evangelhos. O Evangelho é o sopro do vento divino da vida para os homens, e, pois, como há quatro ventos cardeais, daí a necessidade de quatro Evangelhos. […] O Verbo criador do Universo reina e brilha sobre os querubins, os querubins têm quatro formas, eis porque o Verbo nos obsequiou com quatro Evangelhos.”

Mas há registos históricos que mostram que nem tudo foi inspirado por Deus nesta escolha. Há, por exemplo, um texto que fala de um tal bispo Flávio, morto, durante os debates, vítima dos ferimentos causados pelos pontapés desferidos por um tal bispo Diodoro, ocorrido no Concílio de Trento, considerado o mais longo da história da Igreja. Isto entre outros incidentes registados. A autora Lorraine Boetner cita, na sua obra Catolicismo Romano:

“O Papa Gregório, o Grande, declarou que, primeiro, Macabeus, um livro apócrifo, não é canónico. O cardeal Ximenes, na sua Bíblia poliglota, exatamente antes do Concílio de Trento, exclui os apócrifos e a sua obra foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se estavam errados, onde fica a infabilidade do papa como mestre da doutrina?”

Obviamente, os concílios, longe de serem palco para uma unidade de opiniões, eram um campo de batalha de ideias e, por vezes, de socos e pontapés, semelhantes aos debates vistos no livro e no filme O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Porém, ao contrário do que se lê em O Código da Vinci, de Dan Brown, no houve nenhum tipo de concurso para a escolha dos Evangelhos, mas sim debates acalorados e por vezes confusos, cujo objetivo era mesmo o de diferenciar os textos entre os inúmeros oriundos de escolas gnósticas.

Lembremo-nos disto: falamos de uma época de grande conflito de interesses de ambos os lados, tanto da parte do imperador, que pretendia a unidade religiosa, quanto da dos próprios cristãos, cansados de perseguições e desejosos de dar à sua religião uma melhor e mais sólida estrutura.


In Os Arquivos Secretos do Vaticano, de Sérgio Pereira Couto

domingo, 7 de janeiro de 2018

Será que deus está do lado de fora do Universo?




Às vezes, os teólogos afirmam que deus existe fora do nosso Universo. Não tenho a certeza de haver apoio bíblico para tal reivindicação. A bíblia parece sugerir que deus está bem dentro do nosso universo: seja mesmo na atmosfera da Terra, e de tempos em tempos caminhando ao nosso lado em terra firme. Mas não nos vamos esquivar sobre como os teólogos poderiam saber disso, pensemos no que significa estar fora do universo.

Se o Universo tiver um limite, ele será criado pela velocidade da luz (299,792,458 metros por segundo).
Para estares fora do Universo, tu tens de estar mais longe do ponto inicial do Big Bang do que a luz poderia viajar nos 13,8 mil milhões de anos desde então. Se tu estivesses APENAS fora do universo, tu terias que estar viajando à velocidade da luz e AFASTADO do universo para permanecer nessa mesma posição relativa. Se tu estivesses mais longe, mas não viajando à velocidade da luz, seria apenas uma questão de tempo antes de seres engolido pelo Universo.

Isso levanta outra questão. Se deus está fora do Universo, como é que ele se comunica com as pessoas dentro do Universo? Tanto quanto eu posso saber (eu posso estar enganado), isso exigiria que deus violasse a velocidade da luz. Mas Einstein disse que isso não pode ser feito e tudo o que aprendemos desde então, o confirmou.

Para que um deus fora do universo comunique comigo, ele precisaria de uma maneira de enviar mensagens...
(1) que pudessem viajar mais rápido do que a velocidade da luz; 
(2) que meu cérebro molecular orgânico poderia receber e entender; 
(3) que não pudessem ser detectados pelos nossos detectores de sinal mais sensíveis (caso contrário, teríamos descoberto já o canal que deus usa), e 
(4) para eu falar com deus, meu cérebro deve ser capaz de codificar e transmitir esses mensagens de alta velocidade.

Então, para que deus esteja fora do universo e que consiga comunicar comigo, não só ele teria que violar o limite absoluto da velocidade da luz, mas também eu!

Deus é muito difícil de ser encontrado, mas, se ele estiver fora do Universo, ele seria impossível de ser encontrado. Os crentes talvez devam repensar toda essa ideia!

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 18 de novembro de 2017

Por que deus prefereria estar morto




Vamos fazer um exercício mental. Imagina que és Deus, imagina que tu és o deus hebreu conhecido como Elohim, Javé, Jeová ou simplesmente Deus.

Num esforço para te tornar o único deus "verdadeiro" e, portanto, o grandioso, os teus criadores tornaram-te super inteligente, omnisciente, omnipotente, eterno e imutável.

Na verdade, eles tinham que te tornar eterno pois não queriam que outras religiões alegassem que o deus delas te tinham criado. E eles tiveram que te tornar super inteligente, pois de que outra maneira tu poderias ter criado seres humanos e tudo o mais no universo?

Mas eles escolheram tornar-te omnisciente, omnipotente e imutável. E é aí que os problemas começaram. Omnipotente significa que tu podes fazer qualquer coisa que te seja logicamente possível fazer. Agora imagine seres omnisciente.

Omnisciente significa que tu conheces tudo do passado, presente e futuro. Isso significa que tu sabes tudo o que farás e cada decisão que tu farás para sempre tal como sabes tudo o que acontecerá no universo para todo o sempre.

Mas isso também significa que há coisas que tu não podes fazer. Tu não podes mudar de ideias. Tu não podes tomar uma decisão (todas as decisões que tu vais fazer são já predeterminadas, então só precisas fazer exatamente o que tu sabes que farias). Então tu nunca podes ter um pensamento original ou criativo.

Tu não podes aprender nada (pois tu já sabes tudo) e tu nunca poderás te surpreender (o que provavelmente significa que tu nunca poderás encontrar uma piada engraçada, pois já conheces o final de cada piada).

Ser omnisciente significa que tu não podes sequer ter livre arbítrio. Alguns podem dizer: "Não é assim, Deus criou o seu plano e exerceu a sua vontade livre naquele momento". Mas Deus não pode ter criado o seu plano , já que é impossível. Se ele criasse o seu plano, haveria um tempo antes de o criar quando ele não era ainda omnisciente. Mas Deus é imutável, então ele teve sempre de ter sido omnisciente!

Agora pensa nisto. Como será a tua vida como Deus? Totalmente e completamente chata. Todos nós podemos aguentar com o tédio por uns tempos, mas eu sinto pena por Deus por ter que suportar o tédio máximo pelo infinito.

Se tu estivesses 100% aborrecido e não pudesses fazer nada sobre esse problema, tu poderias pensar em acabar com tudo. Tu poderias pensar que estarias melhor morto. Mas tu não podes suicidar-te, és eterno! 
E, de qualquer forma, tu só podes te matar se isso estiver no plano divino.

Nos seus esforços para criar um deus absolutamente grande, aqueles que criaram e modificaram as características do deus hebraico, estragaram tudo. Eles criaram um deus totalmente impotente e criaram um deus que, se ele fosse real, ele desejaria que não existisse.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 4 de junho de 2017

A construção da verdade por meio de decretos, parte I




A teologia cristã levou cinco séculos para estabelecer uma série de “verdades” dogmáticas. A quase totalidade do que os cristãos crêem hoje não eram nem ao menos conhecidas nos primeiros tempos da religião.

A maioria das verdades teológicas foram decididas por meio de acesos debates, controvérsias, ameaças, prisões de opositores e imposição pura e simples de uma versão que agradava alguém poderoso em determinado momento.

É como se todo o nosso conhecimento de física ou química não viesse de experimentos ou conclusões racionais e sim de debates esotéricos, conchavos, ofertas de cargos e ameaças de retaliações contra opositores na Câmara e no Senado. Será possível que alguém de fato levaria à sério e ensinaria nas escolas uma suposta verdade construída por meio de decretos?



Texto de Lauro Augusto Monteclaro César Júnior



quarta-feira, 5 de abril de 2017

Por que as “provas” da existência de Deus não convencem os ateus?



Penso que pouca gente se dá ao trabalho de pesquisar um fato simples sobre os debates entre cépticos, agnósticos, ateus e os religiosos. Trata-se do fato de que por mais que o debate se desenvolva, as “provas” da existência de Deus jamais convencem ninguém que já não esteja antes convencido? Por que é que isso ocorre?

Tenho uma teoria para explicar isso. Em geral as “provas da existência de Deus” apresentadas por teólogos acabam sempre por levar a questão para o terreno das abstrações.

É o caso das mais famosas delas, como o “Argumento Ontológico” de Santo Anselmo, as “Cinco Vias” de São Tomas de Aquino, os “Argumentos Cosmológicos” e assim por diante.

Seria interessante desenvolver esse raciocínio para todas elas, mas isso implicaria num estudo muito mais complexo do que eu pretendo. Então vamos tentar resumir a questão a partir de um dos argumentos que constam nas “Cinco Vias” de São Tomás de Aquino.

Na Suma Teológica podemos ler o seguinte:

“Por cinco vias pode-se provar a existência de Deus. A primeira e mais manifesta é a procedente do movimento; pois, é certo e verificado pelos sentidos, que alguns seres são movidos neste mundo. Ora, todo o movido por outro o é. [...] Se, portanto, o motor também se move, é necessário seja movido por outro, e este por outro. Ora, não se pode assim proceder até ao infinito, porque não haveria nenhum primeiro motor e, por consequência, outro qualquer; pois, os motores segundos não movem, senão movidos pelo primeiro, como não move o báculo sem ser movido pela mão. Logo, é necessário chegar a um primeiro motor, de nenhum outro movido, ao qual todos dão o nome de Deus”.

Em geral, quando um argumento como esse é apresentado, há um intenso debate sobre as diferenças entre os conceitos de movimento para Aristóteles e para Newton. Em seguida examina-se longamente a questão da regressão ao infinito, examinam-se as leis da física relativista, da física quântica, do Big-Bang e por aí vai.

Mas parece ficar de lado o ponto mais importante de todos contido no texto: “Logo, é necessário chegar a um primeiro motor, de nenhum outro movido, ao qual todos dão o nome de Deus”.

Ou seja, essa frase deve ser analisada em duas partes, a saber:

1 - “É necessário chegar a um primeiro motor, de nenhum outro movido” e;

2 - “ao qual todos dão o nome de Deus”.

Devemos notar que independentemente da análise de toda a argumentação, que pode ou não avalizar a primeira afirmação, tudo vai depender no final da afirmação 2, ou seja, do “consenso” de que um conceito abstracto como um “primeiro motor, de nenhum outro movido” é o que “todos dão o nome de Deus”.

Em resumo. Não importa se o argumento em si é válido ou não. Só será uma “prova da existência de Deus” caso a pessoa se inclua entre aqueles que a essa abstração “dão o nome de Deus”. Se não for assim, e esse é o caso dos céticos, agnósticos e ateus, basta que dêem a abstração resultante um outro nome, como por exemplo, “Leis Naturais”, “Lei Moral”, ou simplesmente “Nada”.

Esse é o motivo porque nenhuma prova desse tipo convence ninguém que já não esteja convencido de antemão.



Fonte de autor desconhecido


segunda-feira, 27 de março de 2017

Teologia vs Ciência



A teologia estuda essencialmente questões simples: - se Deus existe e qual é a sua natureza? 
Apesar disso e vários milhares de anos de intenso esforço, a teologia não chegou a nenhum consenso sobre qualquer destas simples questões. Não houve progressos alguns.

Por que são estas perguntas assim simples? Porque se Deus existisse, seriam absurdamente óbvias. Se Deus está em todo o lado, podia-se comunicar com cada ser humano e fazer mudanças pontuais tanto na seta do tempo ou nas leis da natureza, milhões ou milhares de milhões de vezes por dia em resposta aos nossos pedidos de ajuda. As evidência para sua existência seriam omnipresentes! A noção de desconhecer Deus seria tão absurda quanto desconhecer a gravidade. Deus seria parte da natureza do nosso mundo.

A ciência estuda as questões mais difíceis conhecidas pelo homem, como a natureza da matéria ou as origens do universo. A ciência investiga coisas muito pequenas de se verem ou mesmo grandes demais para se compreender. A ciência pode investigar eventos que ocorreram muito antes de quaisquer seres humanos terem existido ou mesmo antes de qualquer vida ter existido. Apesar desses enormes desafios, em menos de 500 anos a ciência transformou a nossa compreensão em relação a milhares de perguntas profundas que mantiveram nossos antepassados ​​na ignorância por centenas de milhares de anos.

A teologia permitiu que a ignorância se dissimulasse como conhecimento. A ciência foi a chave que destrancou o universo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell