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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Deus e a Física



Vivemos num enorme calhau gigante e instável, calhau esse que se lança em torno de um imenso forno a energia nuclear, a 11000 Km/hora. O calhau está a girar simultaneamente no seu próprio eixo, de modo que todos estamos sujeitos a velocidades de rotação de até 1600 Km/hora. O próprio calhau possui uma fina crosta de matéria sólida repousando sobre um núcleo fundido de rocha, ferro e outros metais que estão sempre em movimento e a temperaturas de até 6000°C (mais quente que a superfície do Sol).

O calhau é rodeado por uma camada de 480 Km de altura de gases, constantemente sendo aquecidos pelo forno nuclear e resfriados ao se afastarem dele. Isso faz com que os gases se movam continuamente. A evaporação de grandes massas de água significa que os gases contêm cerca de 1,8 x 10^17 litros de água.

O surpreendente é o quão tranquilo este sistema dinâmico e enfurecido nos parece a maior parte do tempo. Mas a tranquilidade é pontuada, em intervalos, por uma enorme violência. Essa violência vem na forma de inundações, furacões, terremotos, tsunamis, vulcões e muito mais. Quando esses eventos ocorrem, alguns de nós podem perecer, às vezes milhares de nós sucumbem mesmo.

Essas mortes não são determinadas por Deus, mas pela física. Não podemos parar esses eventos mantendo nossas mãos unidas e orando: não há deuses capazes de causar esses desastres e ninguém capaz de os evitar. A Terra mata cristãos, muçulmanos, judeus, hindus e ateus com igual indiferença.

O que podemos fazer é aprender a prever quando esses horrores irão ocorrer e encontrar uma maneira de escapar deles. Com a ajuda de supercomputadores, já somos muito bons em prever o curso dos furacões e, muitas vezes, podemos dar um aviso antecipado de tsunamis. Mas há muito mais a aprender.

Enquanto vivermos neste planeta, estaremos à sua mercê. O melhor que podemos fazer é aprender o suficiente para nos mantermos seguros. Estamos por nossa conta. É muito melhor aceitar isso e trabalhar no problema do que imaginar que temos um amigo invisível que pode magicamente nos manter seguros.

O histórico deste calhau fala por si.

Texto de Bill Flavell

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Procurando terra firme...



Muitas pessoas usam uma lógica falha para concluir que o universo deve ter um criador inteligente. (Se ainda achas que essa lógica é válida, sente-te à vontade para explicar o motivo abaixo, mas ela já foi completamente refutada e arrasada, que eu nem vou perder tempo a discutir isso aqui).

Na maioria dos casos, essas mesmas pessoas também acreditam que o criador tem um elenco de amigos sobrenaturais, incluindo vários tipos de anjo, diabo, espíritos, querubins e demónios. Nenhum desses seres é necessário para a criação do universo e eles não são argumentos aconselhados pela lógica falha que leva a um criador inteligente.

O problema é que, uma vez que aceitas um criador sobrenatural, tens que aceitar um reino sobrenatural, e neste reino tudo poderia existir e qualquer coisa poderia acontecer. O sobrenatural também permite aos humanos poderes extraordinários, como serem bruxos, médiuns ou profetas.

Aceitando um reino sobrenatural, perdemos imediatamente e completamente a nossa capacidade de distinguir o factível do absurdo, pois nada é absurdo demais para esse reino e nada pode ser descartado. Estamos assim perdidos. As nossas ferramentas mais importantes, a lógica e as evidências, são impotentes e inúteis.

Mas lembra-te, chegamos aqui através de uma lógica falha. Retira essa lógica defeituosa e não há razão para acreditar num reino sobrenatural. Podemos novamente confiar na lógica e na evidência, e podemos distinguir o factível do absurdo.

Isso nos dá o nosso mundo de volta. Nós redescobrimos assim terra firme para nos apoiarmos.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sobre ser céptico



Se alguém me dissesse, online, que poderia voar, eu não acreditaria nessa pessoa. Tudo o que sei sobre aerodinâmica e fisiologia humana, me levaria à conclusão que essa afirmação é impossível. Mas eu não iria negar a sua reivindicação.

Talvez haja coisas que eu não saiba sobre aerodinâmica e fisiologia humana. Talvez essa pessoa tenha um tipo de corpo extremo e habilidades geneticamente adquiridas que tornariam o vôo mais viável. Talvez ela defina voar um pouco diferente da forma como eu defino. Por exemplo, ela pode querer dizer que poderia planar de um penhasco e aterrar com segurança, talvez com a ajuda de roupas especiais.

O fato é que, apesar da sua alegação altamente extraordinária, eu não sei que ela não pode voar. Nesse caso, eu não acreditaria nela, mas eu não lhe diria que está a mentir, também. Eu pediria para ela me demonstrasse que a afirmação dela é verdadeira. Depois disso, a minha crença dependeria de sua disposição e capacidade de mostrar que a sua afirmação é verdadeira. A minha abordagem é ser céptico e racional, porque essa é a melhor defesa contra acreditar em coisas que não são verdadeiras.

Na verdade, as pessoas acreditam prontamente em alegações ainda mais extraordinárias do que essa. Milhares de milhões de pessoas acreditam que existe um ser inteligente que não é feito de matéria ou energia - é feito de nada. E eles acreditam nesse ser que pode fazer qualquer coisa, até mesmo coisas que pensamos serem impossíveis, de acordo com as leis naturais que compreendemos bem.

A alegação da existência do super-ser invisível é MUITO mais extraordinária do que a alegação de se ser capaz de voar. Afinal, sabemos que pássaros e alguns mamíferos podem voar, mas não temos conhecimento de seres poderosos e inteligentes que são imateriais.

Tu podes pedir àqueles que fazem essa alegação, para demonstrarem que é verdade. Mas eles não podem. Em vez disso, eles pedem-te para acreditares com base na fé - por outras palavras, apenas acreditar.

Por mais extraordinária que seja a alegação do super-ser invisível, não podemos dizer que seja impossível. Nós não sabemos tudo. Mas é muito mais inacreditável do que a alegação de que uma pessoa pode voar, e nenhum de nós acreditaria nessa alegação sem uma demonstração.

Se tu podes ser céptico e racional sobre uma alegação absurda, por que não podes ser céptico e racional sobre todas elas?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Em que é que tu acreditas?




Eu não acredito em:

  • Ascensão
  • Vida após a morte
  • Deus
  • Demónios
  • Fadas
  • Homem de gengibre
  • Deus ou deuses
  • Céu
  • Inferno
  • Karma
  • Monstro do lago Ness
  • Magia
  • Milagres
  • Arrebatamento
  • Reencarnação 
  • Satanás
  • Almas
  • Espíritos
  • Reino sobrenatural
  • Formigas, cobras e burros falantes
  • Bruxas
  • Feiticeiros

Todas essas coisas são de "outro-mundo", não sabemos como elas PODERIAM EXISTIR. Eles contradizem tudo o que sabemos sobre como o mundo funciona. Mas não é por isso que eu não acredito que elas sejam reais. Eu não acredito nessas coisas por uma razão muito mais simples: NÃO HÁ PROVAS de que elas existem.

Se me trouxeres provas concretas de que qualquer uma dessas coisas existe realmente, eu mudo de ideia. 

Calma!

Então, por que é que milhões e milhões de pessoas acreditam que muitas dessas coisas existem? 
A resposta a essa pergunta é fácil também. Ou é porque são crianças e ainda não aprenderam a questionar essas coisas que são contadas por adultos, ou são adultos e ainda não aprenderam a questionar as coisas que lhes foram contadas como se fossem crianças.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A religião não tem todas as respostas




Quando as pessoas dizem "A ciência não tem todas as respostas", tenho que concordar. Honestamente, nem sei qual a proporção das respostas que a ciência tem. Poderia ser 50%, 1% ou 0,0001%? Eu simplesmente não sei. 
Nem ninguém.

Mas as pessoas que dizem isso, geralmente têm outra coisa em mente. Eles, geralmente, querem dizer que existem reinos, como o sobrenatural, que a ciência não pode investigar de forma alguma e, sem a ciência, não há problema em acreditar no que tu quiseres.

Minha pergunta é: sem a ciência, como é que podes chegar a um conhecimento confiável sobre o sobrenatural? 
Eu recebo quatro respostas para essa pergunta:

1) Experiência pessoal
2) Fé
3) Revelação
4) Intuição

Todas essas respostas são formas subjetivas de determinar o que é verdadeiro (epistemologias). Todas sofrem do mesmo problema: dão respostas diferentes a pessoas diferentes. As respostas que tu recebes são influenciadas pelo teu humor, personalidade e cultura, e elas mudam com o tempo. Isso é o suficiente para saberes que esses métodos não são confiáveis, eles dão respostas, mas tu não tens como ter a certeza de que as tuas respostas estão corretas.

Pior, a maioria dessas epistemologias tem a tendência de fazer com que tenhas a resposta correta. Ter a certeza de algo que não é verdade, não apenas faz com que estejas errado, mas também pode tornar-te dogmático e perigoso.

Assim, a ciência pode não ter todas as respostas, mas as epistemologias subjetivas não têm resposta. Elas não podem, sequer, nos dizer se existe um reino sobrenatural, muito menos nos permitem investigá-lo.

Se tu realmente queres acreditar apenas em coisas que são verdadeiras, deixa à margem as epistemologias subjetivas, pois elas podem fazer-te acreditar em contos de fadas e outros absurdos. Não existe um fundamento verdadeiramente sólido quando se trata de conhecimento, mas a ciência fica infinitamente mais próxima do que qualquer outra coisa.

Neste momento, a ciência é a única coisa com credibilidade a ter em conta.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 26 de agosto de 2018

Um criador divino e a parcimónia



Por que não considero que o Universo tenha sido criado por um ente sobrenatural, cônscio-intencional, descrito como *deus*?

Por uma questão de *parcimónia* -- deus aparece simplesmente pela lacuna do nosso conhecimento quanto as origens do cosmos...por haver um mistério a desvendar.

Parcimónia é um conceito de frugalidade, economia ou precaução ao chegar a uma hipótese ou curso de ação. Seu significado pode ser traduzido por "menos é melhor". Trata-se de um princípio geral que tem aplicações desde a ciência até a filosofia e em todos os campos relacionados a elas.

Doenças, germes, não são fruto de demónios ou da fúria divina. Tempestades? Forças atmosféricas naturais impulsionados pelo Sol. 
O próprio Sol? Não, também não é um deus, mas um reactor de fusões ocorrendo espontaneamente na natureza.

Nos últimos séculos desde o vigoroso avanço do conhecimento humano, ciência e naturalismo tem marcado golos e vem obtendo uma série de triunfos. Nem sequer uma única vez, fenómeno algum que nós acabamos por entender, foi comprovado ser a ação de algo sobrenatural...

Imagine um cavalo que ganhou centenas de corridas e continua sem perder, continua crescendo em vitalidade e força. Quem não iria querer investir ou apostar nele com tal recorde de vitórias? Agora pense num cavalo rival que sempre falhou no passado miseravelmente -- tal como uma explicação recaindo na existência do sobrenatural que tem falhado como mecanismo explanatório durante todo este período...um recorde de 100% de falhanços.

Intencionando investir o seu dinheiro, em qual dos cavalos uma pessoa sensata iria investir o seu precioso dinheiro?... Penso ser clara a resposta.

Esta é a situação que nos deparamos quando confrontados com algum novo mistério, como a questão "qual a causa/origem do cosmos"... Com base no recorde, sendo parcimoniosos, temos todo motivo para esperar que, quando nós finalmente descobrirmos e validarmos a resposta, iremos encontrar o que encontramos todas as outras vezes que resolvemos um mistério: a causa/origem é natural.

Texto de Asor Otsenre

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Quão bem dormes?




Se tu pudesses provar que o cristianismo é verdadeiro, ias ser mais famoso que Jesus -- ele só disse para acreditar nele e nos ameaçou com o fogo para sempre se não acreditássemos.

Se tu pudesses provar que o islamismo é verdadeiro, ias ser mais famoso que o Maomé -- ele apenas nos disse que o Islão é verdadeiro e nos avisou para não duvidar disso.

Os pensadores lógicos entendem que se uma religião não é verdadeira, também não são as suas ameaças. Por isso, exigem a prova de que a religião é verdadeira antes de se preocuparem com as suas ameaças.

Os pensadores lógicos perguntam-se por que as religiões dependem das ameaças e doutrinam as crianças em vez de arranjarem provas sólidas para as suas afirmações sobrenaturais. E também se perguntam por que ninguém nunca provou JAMAIS uma afirmação sobrenatural.

Os pensadores lógicos dormem bem à noite. Eles não se mantém acordados por medos ou temores de demónios, bruxas, juízos de deus ou pelo calor do inferno. Deixam isso para as ovelhas -- são elas que acreditam em estórias fantásticas sem um pingo de provas e ficam acordadas preocupando-se com coisas que não existem.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


sábado, 16 de junho de 2018

Por que a Primeira Causa é uma causa perdida?



Todo efeito que observamos na natureza tem uma causa. Extrapolamos a partir desse conjunto de dados incompletos, a ideia de que é razoável supor que CADA efeito deve ter uma causa e que denominamos isso de Lei da Causalidade. É claro que não observamos todas as causas de todos os efeitos que já ocorreram, então estamos fazendo um argumento indutivo. As induções não são absolutamente certas, mas no macro-mundo que experimentamos diretamente, nunca observamos um efeito que não tivesse causa. Mas as coisas são diferentes no nível quântico, onde partículas "virtuais" (elas são reais, mas temporárias) foram observadas surgindo e desaparecendo sem serem causadas, e onde alguns eventos dependem de probabilidades e não de causas.

Cada efeito no "macro-mundo", é a causa do próximo efeito. É uma cadeia ininterrupta que se estende desde o início dos tempos, se houve um evento como um começo... 
Efeitos SÃO Causas. Causas SÃO Efeitos. Eles SÃO os mesmos. 
E, se houve um começo para o tempo, isso foi um efeito em si mesmo e, portanto, com toda probabilidade, deveria ter tido uma causa ...

Os crentes usam essas ideias para fabricar um argumento para a existência de deus da seguinte forma: 

a primeira premissa é que "tudo tem uma causa", 
a segunda premissa é que "o universo começou a existir" 
e a inferência é que "deve haver um agente causal que pré-existia o universo '.

Vamos desconstruir isso: 

é um silogismo que é definido como uma dedução. Deduções dependem da natureza INQUESTIONÁVEL das suas premissas. Como mostrei acima, a primeira premissa, "tudo tem uma causa" é uma indução evidencial não falseável. Em outras palavras, é provavelmente verdade, mas não é absolutamente certo que ela é verdadeira e não pode ser comprovada sem se observar a causa de cada efeito, o que não vai acontecer. Isso deixa a premissa questionável, em vez de inquestionável, e só sabemos que se aplica no nível macro no reino natural (por isso, em itálico, "na natureza", no primeiro parágrafo).

A segunda premissa, "o universo começou a existir" é uma afirmação puramente hipotética. Nós, sinceramente, não sabemos se é verdade ou não. Também é questionável. Não há provas de qualquer forma. Até cerca de um século atrás, todos acreditavam que o universo era eterno e estável no seu estado. Então descobriu-se que ele está se expandindo e "invertendo" a expansão para trás, deu origem à ideia do "Big Bang", o que parecia apoiar as reivindicações teístas da criação. 
Mais recentemente, o "Big Bang" foi redesignado como um período inicial de "inflação" e presume-se que a origem o precedeu. O que aconteceu "antes" do Big Bang é objeto de especulação, não de factos. A ideia do "Estado Firme" está sendo reconsiderada, juntamente com o "Universo Saltitante", o Multiverso, a Singularidade e, sim, não podemos descartar isso, a Criação. 
O ponto é que estas são apenas proposições sem apoio de observação e é improvável que obtenham apoio observacional num futuro previsível. 
Nós simplesmente NÃO SABEMOS. Mas continuaremos procurando.

No entanto, observe que alegar que o universo teve um começo serve à proposição teísta de um evento de criação e de um criador implícito. Mas, a menos que a evidência aconteça, é apenas uma falácia ad hoc - uma alegação que "apoia" outra reivindicação.

Resumindo, nenhuma das premissas confere a necessária inquestionabilidade necessária para uma dedução. Não importa, vamos dar uma olhada em sua "dedução":

            "Deve haver um agente causal que pré-existiu o universo".

'Pré-existiu o universo' faz a suposição de que há algum espaço e tempo antes da existência do universo para um criador o criar (esse é um assunto para outro artigo chamado 'Você não pode montar um guarda-roupa IKEA sem tempo para o montar!'). Uma vez que o universo é o reino natural que estudamos há séculos e que já desenvolvemos alguma compreensão, essa "oficina de criação" deve ser antinatural - é mais comumente referida como sobrenatural. De fato, os crentes atribuem tais poderes ao ocupante do reino sobrenatural que um mágico daria os seus olhos para os ter.

Agora, lembre-se de que a Lei da Causalidade, como todas as leis da física, se aplica no reino natural. Não temos ideia do que pode acontecer num reino sobrenatural ininteligível, mas não há razão para supor que as leis da física devam ser aplicadas lá. Assim, "deve haver um agente causal que pré-existiu o universo" contém uma contradição: que deve haver uma localização de espaço / tempo NÃO NATURAL que, pelo menos parcialmente, obedece às leis da física. É ao mesmo tempo antinatura e natural!

Na busca desesperada por evidências para o seu deus, apesar do fato de que ele só é conhecido por se aplicar no reino natural, os crentes alegam, sem razão, que a Lei de Causalidade também se aplica no reino sobrenatural. 
Exceto que não é bem assim. 
Eles querem uma versão diferente. Eles não querem uma cadeia de causa e efeito, causa e efeito... Eles só querem uma única causa desconectada de qualquer fenômeno anterior e querem que ela seja realizada por um Ser sem causa. Já tinhas visto um melhor exemplo da falácia alegação especial?

Como podes ver acima, há um grande problema que não sabemos a solução. No entanto, os crentes, de alguma forma, conseguem interpretar essa ignorância suprema num argumento para o seu deus! 
Embora, estranhamente, não para o deus de outra pessoa!


quinta-feira, 31 de maio de 2018

O deus das lacunas



Os crentes argumentam que não sabemos como o universo surgiu, então eles dizem que foi Deus quem o fez surgir. Mais, eles dizem que não sabemos como a vida começou, então eles acreditam que Deus fez a vida também.

Mas por que eles assumem que o mesmo agente criou o universo e a vida? Certamente, estes trabalhos serão muito diferentes? Um exige que o agente esteja fora do universo e o outro requer que o agente esteja dentro dele. Uma é a física básica numa escala de anos-luz, a outra é engenharia molecular avançada trabalhando numa escala ångström. Um trabalho requer o manuseio de uma quantidade inimaginável de energia, a outra uma quantidade minúscula.

Se insistires em concluir que a intervenção sobrenatural foi necessária, o que te dá tanta certeza de que apenas um agente estava envolvido? Certamente, deverias suspeitar que dois ou mais agentes devam estar envolvidos, ou, no mínimo, tu deverias ser honesto e admitir que não tens ideia de quantos deuses possam estar envolvidos.

Mas então, o problema com a honestidade é que ela prejudica o teu verdadeiro objetivo - fingir que quando falas com o teu deus, tu apenas estás falando contigo mesmo.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que a Ciência diz sobre deus




Alguns teólogos e religiosos dizem que a ciência nada pode falar sobre Deus, já que a ciência estuda o mundo natural e Deus faz parte do mundo sobrenatural. Há problemas com tal separação. Primeiro, se Deus é uma entidade completamente sobrenatural, não tem como ele interferir na vida dos seres humanos, que residem no mundo natural. Mas quando Deus atende uma prece e salva uma vida, há uma intervenção direta no mundo natural, que é passível de investigação pela ciência. Aliás, uma pergunta extremamente válida é justamente de que maneira Deus atua, por exemplo, nas partículas de um tumor para reduzir seu tamanho? Em segundo lugar, essa separação é totalmente arbitrária. Por que a realidade é, obrigatoriamente, separada em duas? Não podemos pré-definir o que é a realidade, não podemos forçar a realidade a encaixar com nossas crenças. São as nossas crenças que devem ser adaptadas de acordo com as evidências da realidade. Ciência é justamente a maneira de interrogar como a realidade funciona.

Na história da humanidade, acreditamos em diversos deuses diferentes. À medida que o nosso conhecimento sobre o funcionamento do Universo foi aumentando, o papel de Deus (ou deuses) nas explicações foi diminuindo. Porém, muitas pessoas acreditam, pelo menos, em uma forma de criacionismo.

Antes de Charles Darwin publicar A Origem das Espécies, dominava a crença de que Deus tinha criado as espécies de forma independente. O teólogo William Palley fez a seguinte analogia: assim como a complexidade do design de um relógio nos leva à conclusão de que ele possui um criador, o mesmo pode ser dito em relação ao olho humano, por exemplo. Palley argumentou que "todas as manifestações de um design que existem no relógio existem também nas obras da natureza..."Para Palley, Deus tem função similar de um relojeiro; Deus é o criador inteligente da complexidade observada na natureza. No entanto, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace mostraram que, na realidade, não há nenhum criador; a complexidade observada é explicada pela seleção natural. Diferente de um relojoeiro, que projeta suas engrenagens e molas imaginando o resultado final, a seleção natural é um processo cego, inconsciente e automático. A seleção natural, como cunhou Richard Dawkins, é o relojoeiro cego. A Teoria da Evolução mostra que partindo de uma forma de vida bem básica, como uma molécula auto-replicadora, é possível atingir a complexidade de um indivíduo humano.

O criacionismo de Palley, o que eu chamo de criacionismo biológico, já deveria ter caído em total desuso. A Evolução é suportada por uma convergência de evidências de sete diferentes áreas da biologia e não possui nenhuma evidência contrária. Religiosos (principalmente criacionistas, nesse caso) repetem que a evolução é "apenas uma teoria". Evolução é uma teoria, assim como a gravidade. Espero que as pessoas não se joguem de prédios afirmando que a gravidade é "apenas uma teoria". A Evolução é uma das teorias cientificas mais testadas e corroboradas; a evolução é tão verdade quanto, por exemplo, a afirmação de que a Terra orbita o sol. Alguns religiosos afirmam aceitar a evolução, mas dizem que ela foi guiada por Deus. Mas isso não é a teoria da evolução; é uma adaptação errada da ciência para encaixar crenças pessoais. No entanto, ainda há lacunas no conhecimento para a hipótese de Deus como explicação. A evolução não explica a origem da vida, um problema da química ainda sem solução, e ainda há o criacionismo cosmológico, onde Deus criou o universo.

Em qualquer tipo de criacionismo, a explicação que Deus criou o universo e/ou a vida não é satisfatória, já que postula-se uma entidade mais complexa (Deus) do que aquelas que desejamos explicar. Deus, de acordo com diferentes religiões, é uma entidade que comunica-se com um vasto número de pessoas em todos os idiomas possíveis, intervem simultaneamente na vida de várias pessoas, etc. O que eu quero dizer é: se a complexidade do olho humano precisa de explicação, a complexidade de Deus também; se o universo e/ou os seres vivos foram criados por Deus, quem criou Deus? A usual resposta que religiosos fornecem para essa pergunta é que Deus sempre existiu e não foi criado. Para dizer isso não é necessário postular Deus, basta dizer que o universo (ou a vida) sempre existiu e não foi criado.

Uma das mais interessantes idéias que aprendi na ciência pode estar relacionada com a criação do universo. Espaco vazio, isto é espaço sem matéria, não é totalmente vazio. Diversas partículas e anti-partículas são criadas "do nada", elas se chocam e deixam de existir. Tudo isso ocorre muito rapidamente. Esse fenômeno, chamado de flutuação quântica, foi observado independentemente em diferentes experimentos. A hipótese é que, em determinadas condições, esse conjunto de partículas "virtuais" poderiam aparecer do nada, mas não desaparecer, permitindo a criação de um ou até mais universos. Como explicam os físicos Hawking e Mlodinow no livro O Grande Projeto: "flutuações quânticas levam a criação de minúsculos universos a partir do nada. Uns poucos desses atingem tamanho crítico, e então se expandem de um modo inflacionário, formando galáxias, estrelas e, ao menos em um caso, seres como nós." O cosmólogo Lawrence Krauss publicou em 2012 o livro A Universe From Nothing dedicado a esse assunto, onde ele deixa claro que "na gravidade quântica, universos podem, e na verdade sempre irão, aparecer do nada."

Teólogos, religiosos e crentes de uma maneira geral insistem em repetir que a ciência não refuta a existência de Deus. Isso está tecnicamente correto: a ciência não refuta a existência de Deus, mas também não refuta a existência de papai noel, dragões e unicórnios. Hipóteses que lidam com a existência de alguma coisa são irrefutáveis: é impossível encontrar evidências de que algo não existe.

É importante ressaltar que, mesmo não havendo respostas definitivas para algumas perguntas, não quer dizer que Deus seja a resposta, ou que qualquer outra resposta esteja correta. Qualquer que seja a explicação, ela precisa ser suportada por evidências. E, pelo menos até agora, a ciência não encontrou nenhuma evidência para a existência de Deus; a ciência não só não inclui Deus nas suas explicações, como tem feito enorme progresso sem recorrer a nenhuma entidade sobrenatural. Para ciência, Deus é desnecessário, além de muito improvável. Como explica o cosmólogo Sean Carrol em Why (Almost All) Cosmologist are Atheists, "de todas maneiras na qual Deus foi considerado uma hipótese útil, há explicações alternativas que não requerem nada fora de uma descrição completamente formal e materialista."
Concluo que adicionar Deus só torna as coisas mais complicadas, e essa hipótese deve ser rejeitada pelo rigor científico".


Por Felipe Nogueira Barbara de Oliveira

Para ler mais:

1 - Richard Dawkins. O Relojoeiro Cego. A teoria da evolução contra o desígnio divino. 1986
2 - Richard Dawkins. O Maior Espetáculo da Terra. As evidências da evolução. 2010.
3 - Richard Dawkins. Deus, um Delírio. 2006
4 - Stephen Hawking & Leonard Mlodinow. O Grande Projeto. 2010
5 - Lawrence M. Krauss. A Universe From Nothing. Why There Is Something Rather Than Nothing. 2012
6 - Victor J. Stenger. God The Failed Hypothesis. How Science Shows God Does Not Exist. 2008
7 - Victor J. Stenger. The Fallacy of Fine-Tunning. Why The Universe Is Not Designed For Us. 2011
8 - Michael Shermer. Why Darwin Matters. The Case Against Intelligent Design. 2007
9 - Michael Shermer. Nothing is Negligible. Why There is something Rather than Nothing. Skeptic Magazine. Vol 17. No 3. 2012.
10 - Sean Carrol. Why (Almost All) Cosmologists are Atheists. 2005

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Superstição e Ciência




A quantidade de coisas que os humanos aprenderam nos últimos 500 anos é simplesmente impressionante. Basta pensar em algumas destas coisas:

- Não só descobrimos os átomos que compõem todas as coisas materiais no universo, mas entendemos como é que os átomos são, como eles se comportam e até já se descobriram as partículas fabulosamente pequenas das quais os átomos são feitos.

- Agora já sabemos que os nossos corpos são feitos de células extraordinariamente complexas, e sabemos como elas funcionam com detalhes primorosos, até ao nível molecular.

- Sabemos como as moléculas formam um modelo genético a partir do qual novos seres humanos podem se desenvolver. Nós podemos até mexer no arranjo de moléculas para corrigir erros que de outra forma causariam defeitos genéticos.

- Sabemos como a crosta da Terra se move e cria continentes e montanhas, e podemos descrever com alguma confiança, a história do nosso planeta ao longo de dezenas de milhões de anos.

- Sabemos do que é que as estrelas são feitas, a quantidade de massa que elas contêm e como elas nascem, vivem e morrem. Entendemos os processos pelos quais elas geram luz e calor. Sabemos até o que acontece com elas quando morrem.

- Entendemos a força que mantém o universo unido e mantém os planetas em órbita nos respetivos sóis e podemos calcular as órbitas com uma precisão incrível.

- Construímos dispositivos que retratam mais de 13 mil milhões de anos, bem perto do início dos tempos.

Todas estas coisas são uma pequena fração de tudo o que aprendemos, mas neste tsunami de descobertas, não encontramos uma única coisa que tenha uma explicação sobrenatural. Em vez disso, centenas de explicações estabelecidas anteriormente como sobrenaturais, foram provadas como falsas.

Temos feito isto o tempo suficiente para ver um padrão claro: não entendemos as coisas até abandonarmos as explicações sobrenaturais e aplicarmos uma abordagem científica. Se houver explicações sobrenaturais para qualquer coisa, deixe aqueles que acreditam nelas chegarem-se à frente e mostrarem que são reais.
Nós estamos esperando.
E já esperamos há muito tempo.

Enquanto isso, o conhecimento real é encontrado num rio de rápidas correntes a que chamamos de ciência. Já o sobrenatural permanece numa lagoa estagnante cada vez mais encolhida, a que chamamos de superstição.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A explicação sobrenatural




Certas pessoas, perante algo para o qual não sabem qual a explicação, apenas consideram válidas explicações coerentes e que sejam racionalmente possíveis, dentro dos limites das leis naturais. Outras pessoas consideram que, não havendo ainda uma explicação natural ou não conseguindo compreender a explicação natural, é perfeitamente aceitável - por vezes, mais aceitável ainda - uma explicação sobrenatural.

Mas não existem “explicações sobrenaturais”.

O sobrenatural não é uma explicação.
O sobrenatural é uma desculpa, quando não se consegue arranjar uma explicação.
Quando se recorre a uma “explicação sobrenatural” é a assunção de que se desistiu de tentar encontrar uma verdadeira explicação e se decidiu “varrer” a ignorância para debaixo do “tapete” de um conceito abstracto que não pode ser demonstrado.

Perante algo desconhecido, é natural o questionamento do “porquê?”, ou do “quê?”, ou do “como?”. Pesquisando, observando, experimentando, usualmente consegue-se chegar a essas respostas.
E as respostas, para serem de confiança, têm de poder ser confirmáveis e testáveis, usualmente usando os supracitados métodos de aferição: pesquisa, observação, experimentação.

Quando não se consegue chegar a nenhuma resposta, a conclusão é que NÃO SE SABE qual é a resposta. E um indivíduo honesto pára aí: NÃO SE SABE.
Eventualmente um dia, quando existirem mais dados e métodos mais avançados de aferição (sempre baseados na pesquisa, observação e experimentação), possa vir a surgir a resposta. Mas, de momento, NÃO SE SABE.

O indivíduo desonesto e covarde, para não ter de admitir que NÃO SE SABE, irá dar um passo adicional, para apresentar uma explicação.
Recorre ao sobrenatural.
Deposita a sua ignorância na “caixa de miscelânea” que serve para “explicar” tudo o que não tem explicação.
Aplica uma camada de “tinta de desculpa” ao assunto para tentar disfarçar a sua ignorância e covardia. Mas, na realidade, nunca responde a nada.
Apenas se sente feliz consigo próprio, pois conseguiu convencer-se que tem uma “explicação” para aquilo que não compreende.


Texto de Rui Batista

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Na procura do sobrenatural




Os crentes dizem que deus permanece intencionalmente escondido de nós. Se houver um criador todo-poderoso que não quer que tenhamos provas incontestáveis ​​da sua existência, não temos a oportunidade de o descobrir. Deixemos deus de lado, afinal ele estará sempre escondido de nós.

O reino sobrenatural tem vários outros jogadores, e os jogadores menores têm apenas uma fração minúscula dos poderes de deus. Talvez possamos deter um demónio, prender um anjo, agarrar um querubim ou trazer Satanás? Mas parece que também não podemos, esses seres menores parecem ser tão bons a se esconderem como deus.

Esperem aí! Há um tipo de entidade sobrenatural que está muito mais perto de casa. Uma que não pode se esconder porque faz parte de nós. E essa é a alma. Então, se queremos encontrar uma entidade sobrenatural, a alma seria o lugar certo para começar.

O problema é que não conseguimos encontrar a alma, apesar do fato de haver mais de 7 mil milhões de almas em todo o mundo (talvez muitas mais) e, apesar do fato de que, supostamente, nenhum de nós poderia sobreviver sem uma.

As pessoas que acreditam que possuem almas, têm várias ideias sobre o que é uma alma, mas a maioria concorda que é a essência imaterial de nós, a nossa personalidade, emoções, inteligência, movimentos, gostos, desgostos, memórias e assim por diante que poderiam sobreviver depois do nosso cérebro e dos corpos físicos se irem. Mas nos últimos 50 anos, a ciência criou mapas bastante completos do cérebro, e agora entendemos o que é que a maioria das partes do cérebro faz.

Além disso, podemos comparar nossos mapas cerebrais com os dados clínicos de pacientes com lesões cerebrais. Agora, podemos prever com bastante precisão quais os defeitos e deficiências que surgirão de danos em qualquer região específica do cérebro. Isso nos diz algo muito importante: todas as capacidades que se presume serem causadas pela alma imaterial são, de fato, causadas pelo cérebro material.

Nós não conseguimos detectar QUAISQUER entidades sobrenaturais, nem mesmo aquelas que se diziam estarem intimamente em nós. Se não há entidades sobrenaturais detectáveis, por que é que eu deveria acreditar que existe um reino sobrenatural? Eu não devo.

E tu também não deves.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 23 de dezembro de 2017

Quanto é que os nossos ancestrais sabiam?



O mundo natural é difícil de entender. Demorou milhares de anos para os humanos descobrirem como o investigar. O processo de investigação requer rigor, diligência e verificação constante para evitar os erros. Todas as conclusões são tentativas e nunca deixamos de tentar refiná-las e aprimorá-las.

Agora, depois de quase 1 000 anos, arrancámos já a maior parte da fruta que está pendurada na parte mais baixa da árvore do conhecimento. Novas descobertas estão se tornando cada vez mais difíceis de fazer. Agora, para descobrir algo de novo, provavelmente serão precisas equipas de pessoas brilhantes e de equipamentos que custam milhões ou mesmo milhares de milhões de euros.

Mas podemos confiar no processo de compreensão do mundo natural. Nós fizemos um progresso impressionante que nos atinge a todos, todos os dias das nossas vidas. Nosso mundo foi transformado mais do que uma vez e agora estamos à beira de descobrir como tornar as máquinas inteligentes. Esta descoberta pode revelar-se na mais importante evolucão do que aprender a cultivar, aprender a fazer ferro, aprender a fabricar e usar eletricidade, aprender a fazer máquinas que compram coisas, aprender a representar o mundo digitalmente e como se comunicar à velocidade de luz.

Por mais difícil que seja entender o mundo natural, o mundo sobrenatural é, evidentemente, ainda mais difícil de perceber. Depois de milhares de anos, ainda não podemos ter a certeza de que existe um reino sobrenatural. Não fizemos nenhum progresso. Nós não temos nem uma única proposta sobrenatural de que podemos confiar que seja verdade. O reino sobrenatural é aquele que sobrevive na nossa espécie através de milhares de milhões de crenças variadas e contraditórias, mas sem factos. Nem mesmo um único.

Todas essas coisas são bem conhecidas de todos nós, mas milhares de milhões de pessoas ainda acreditam que os seus antepassados mais ​​distantes, ganharam um conhecimento íntimo do reino sobrenatural através dos seus sonhos e anotaram tudo o que precisamos saber. Milhares de milhões acreditam que esses antepassados, que nem sequer conheciam a forma esférica da Terra, o que são as estrelas ou o que causa os terremotos, entenderam o problema infinitamente mais difícil do sobrenatural.

Sério, o que será mais provável, é que esses ancestrais ganharam o conhecimento do sobrenatural, ou que inventaram isso tudo, assim como eles inventaram o que causa os trovões?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 1 de outubro de 2017

Como lidar com o sobrenatural



No momento em que aceitas que o sobrenatural existe, tu estás perdido. Esse é o momento em que tu renuncias à razão. Esse é o momento, quando aceitas que algumas coisas estão além do alcance da razão, em que tu te resignas a nunca as entender.

Pior ainda, tu não tens como saber QUAIS os eventos que podem ser atribuídos ao sobrenatural. Potencialmente, qualquer coisa que tu não entendes pode ser sobrenatural. Uma vez que tu aceites o sobrenatural, és susceptível a acreditar em qualquer história que ouças, tu abandonaste a tua capacidade de distinguir o que é viável do ridículo. Tu alcançaste um lugar onde NADA é absurdo demais para acreditar.

Com o sobrenatural, tu podes criar um mundo na tua mente em que nada é previsível, qualquer coisa pode acontecer, nada pode ser confiável, os limites do possível estão apagados. Neste mundo, habitado por poderes e seres poderosos e ameaçadores, tu és impotente, a tua única esperança é encontrar uma magia ainda mais poderosa para combater as ameaças que enfrentas. Tu criaste um mundo louco.

Felizmente, é fácil fazer com que esses horrores desapareçam. Só precisas de decidir que ao sobrenatural não é real e deixares de acreditar nele. Lembra-te, nunca foi comprovado nenhum evento sobrenatural. Existem truques, enganos e ilusões, mas sob condições controladas, eles são sempre expostos como truques.

Tu também deves perceber que existem alguns milhares de milhões de pessoas no mundo que NUNCA são afetados pelo sobrenatural. E essas pessoas só têm uma coisa em comum: elas não acreditam nele.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


quinta-feira, 8 de junho de 2017

É oficial: deus está morto.




Os teóricos acreditam que Deus não é um objeto inanimado, mas sim um ser vivo. Mas existe algum sentido em que Deus possa estar vivo? Um ser vivo deve ter TODAS as seguintes características:

1) Uma estrutura organizada 
Como Deus é imaterial, ele não pode ter uma estrutura organizada ou outra qualquer.

2) Requer energia para sustentar a existência 
Deus não requer energia para existir, uma vez que se diz que existiu por um tempo infinito antes de existir alguma coisa, então ele deve existir independentemente de fonte de energia.

3) A capacidade de reproduzir 
Deus é dito ser o único deus e que ele já existia por um tempo infinito. Se ele tivesse a capacidade de se reproduzir, deveríamos esperar que o universo estivesse cheio de deuses tal como a sua prole com um número infinito de gerações. A natureza do infinito nos obriga a concluir que Deus não pode se reproduzir.

4) A capacidade de crescer 
Deus é dito que é imutável, então podemos concluir com segurança que ele não pode crescer. Não é nem sequer coerente dizer que uma coisa imaterial poderia crescer.

5) A capacidade de metabolizar 
Sem um corpo material, é inconcebível que Deus possa respirar ou comer, digerir e excretar, por isso temos que concluir que ele não pode metabolizar.

6) A capacidade de responder aos estímulos 
Esta característica não é testável, uma vez que não conhecemos nenhuma maneira de aplicar um estímulo a um ser imaterial indetectável. Consequentemente, não podemos dizer que Deus passe esse teste.

Para ser classificado como um ser vivo, Deus deve passar TODOS esses testes, mas achamos que Deus não consegue passar um ÚNICO deles. Se isso fosse uma prova, não poderíamos dizer que Deus conseguisse uma marca má, pois ele nem sequer pode se apresentar para a prova! 
Isso é uma falha absoluta e total.

Então, esquece isso do "Deus é Amor!" ou "Jesus vive!". Apenas frases ocas, Deus está morto. 
Oficialmente.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 21 de maio de 2017

Os ateus devem ser loucos!




Os crentes frequentemente expressam a sua incredulidade confusa de que os ateus devem acreditar que o universo e/ou os organismos auto-replicantes poderiam ter passado a existir por puro acaso. Eles consideram essa crença como uma loucura ou ignorância intencional. Ou ambas.

Bem crentes, tenho boas notícias para vocês. Vocês não precisam de se preocupar com a sanidade dos ateus porque eles NÃO acreditam que o universo e/ou os organismos auto-replicantes vieram a existir por puro acaso aleatório. Os ateus (muitos deles, pelo menos) dizem que não devemos acreditar em nada até que haja boas provas confirmatórias.

A origem do universo e a origem dos organismos auto-replicantes, são questões difíceis de serem estudadas. Elas são difíceis porque ocorreram há muito tempo (nós não estávamos lá!), e porque a passagem do tempo pode ter apagado as melhores evidências. Stephen Hawking até que explicou isso muito bem. Ele disse que poderia ser como o bêbado que procura pelas suas chaves sob um poste de luz: pode não ser ali onde ele as perdeu, mas é o único lugar onde ele tem luz para as encontrar. Só podemos considerar as evidências que temos e, agora, não temos ainda o suficiente para chegar a uma conclusão.

Assim, os ateus NÃO acreditam que o universo e/ou os organismos auto-replicantes surgiram por pura casualidade. Os ateus simplesmente dizem que não entendem como essas coisas aconteceram.

Mas os crentes menos eruditos (que, infelizmente, parecem serem a maioria deles) têm uma resposta imediata. Eles dizem que se tu não acreditas que Deus fez essas coisas, tu DEVES acreditar que aconteceu por acidente.

Não, não e não! Essa é uma falsa dicotomia. Isso é supor que há somente duas opções: ou o deus preferido do crente o fez ou foi uma hipótese aleatória. 
Mas há muitas mais explicações naturais possíveis e muitas explicações sobrenaturais possíveis. Também é possível que existam explicações naturais e sobrenaturais das quais ainda não estamos conscientes. 

Em tais situações, as pessoas racionais mantêm uma mente aberta e continuam procurando por mais evidências. O que nenhuma pessoa racional deve fazer, é acreditar em qualquer afirmação sincera de que o deus daquela família, seja o Fred, Brahma, Allah (ou o que quer que seja) o fez. 

Acreditar nessas reivindicações sem garantias é realmente loucura. 


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


sábado, 29 de abril de 2017

As criaturas de Deus provam a existência de Deus?



Meu amigo: "Herege, Deus não pode ser visto, não pode ser tocado, não está em nenhum lugar específico e não é substância ou matéria em qualquer forma, mas sabemos que Deus existe através das criaturas que ele criou".
Eu: "Tu começas por dizer coisas com as quais podemos concordar. O deus em quem tu acreditas:

- É invisível
- Não pode ser tocado
- Não está em nenhum lugar específico
- Não é feito de matéria

Tu vais notar que essas propriedades do teu deus são também as propriedades das coisas que não existem de todo.

É verdade que há coisas que existem que não podem ser vistas ou tocadas, mas não sabemos que é possível que a inteligência não esteja em nenhum lugar específico e toda a inteligência que já observámos resulta da matéria organizada de forma complexa. Como o nada poderia ter inteligência? Como o nada poderia ser organizado? Não fazemos ideia.
Ao definires o teu deus dessa maneira, tu estás a impor uma tarefa difícil. Não só o teu deus tem todas as propriedades das coisas que não existem, tem também as propriedades que devem torná-lo impossível de existir!

Isso não prova que o teu deus não existe, mas o torna em algo do qual devemos ser EXTREMAMENTE céticos, pois precisamos de evidências muito claras e inequívocas para sermos convencidos de que tal ser existe fora da ficção.
A tua evidência é que "sabemos que Deus existe através das criaturas que criou". Vamos examinar essa lógica. Sabemos que as criaturas existem, mas não sabemos como a primeira coisa auto-reprodutiva veio a existir. Quais serão as possíveis causas?

Meia dúzia de mecanismos naturais ainda não comprovados, já foram propostos. Talvez um deles seja mostrado como verdadeiro, ou talvez outro mecanismo ainda não proposto seja mostrado como verdadeiro. Nós ainda não sabemos. Teremos de esperar para descobrir.

Tu propões um mecanismo sobrenatural. Tu propões um mecanismo invisível, indetectável, feito de nada ou coisa nenhuma.
Então, ao pensar sobre a causa dos primeiros auto-replicadores, temos algumas opções para escolher. Honestamente, ainda não sabemos qual foi realmente o responsável, então em que devemos acreditar agora? 
Existe apenas uma conclusão racional: ainda não sabemos qual mecanismo foi o responsável.

Tu rejeitas a conclusão racional. Tu acreditas com total confiança que um mecanismo invisível, indetectável, feito de nada, foi o responsável e isso é uma conclusão completamente injustificada.

Há algo mais que tu deves pensar. Todos os mecanismos naturais propostos baseiam-se em processos químicos que podemos replicar e com os quais sabemos trabalhar. Teu mecanismo que propões, baseia-se num ser invisível, indetectável, feito de nada, que nós não sabemos que existe e pode até ser impossível existir.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell