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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Jeová, o deus hipotético




Jeová, o deus de Abraão, é hipotético. Ele é uma possível explicação para o universo e para a vida na Terra. Mas existem muitas mais explicações possíveis. Algumas são naturais e não requerem deuses. E também existem muitas explicações sobrenaturais diferentes, incluindo um número desconhecido de deuses que ainda nem sequer conhecemos.

Os crentes de Jeová devem ser capazes de resolver isso, basta-lhes produzir evidências que mostrem, para além de qualquer dúvida, que Jeová foi o responsável, e assim, o trabalho está feito. Infelizmente, em mais de 3 000 anos, nenhuma evidência foi encontrada. Nada de nada.

Pior ainda, as descrições na bíblia de como o universo e a vida foram criadas, são completamente contraditórias por uma grande quantidade de evidências físicas. Quem escreveu aquilo na bíblia, entendeu tudo errado. A hipótese de Jeová é comprovadamente falsa, portanto devemos descartá-la.

Infelizmente, mais de três mil milhões de judeus, cristãos e muçulmanos não se importam com as evidências, a mãe deles disse que o Senhor fez aquilo tudo e isso é o suficiente para eles. Enfim...


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Procurando terra firme...



Muitas pessoas usam uma lógica falha para concluir que o universo deve ter um criador inteligente. (Se ainda achas que essa lógica é válida, sente-te à vontade para explicar o motivo abaixo, mas ela já foi completamente refutada e arrasada, que eu nem vou perder tempo a discutir isso aqui).

Na maioria dos casos, essas mesmas pessoas também acreditam que o criador tem um elenco de amigos sobrenaturais, incluindo vários tipos de anjo, diabo, espíritos, querubins e demónios. Nenhum desses seres é necessário para a criação do universo e eles não são argumentos aconselhados pela lógica falha que leva a um criador inteligente.

O problema é que, uma vez que aceitas um criador sobrenatural, tens que aceitar um reino sobrenatural, e neste reino tudo poderia existir e qualquer coisa poderia acontecer. O sobrenatural também permite aos humanos poderes extraordinários, como serem bruxos, médiuns ou profetas.

Aceitando um reino sobrenatural, perdemos imediatamente e completamente a nossa capacidade de distinguir o factível do absurdo, pois nada é absurdo demais para esse reino e nada pode ser descartado. Estamos assim perdidos. As nossas ferramentas mais importantes, a lógica e as evidências, são impotentes e inúteis.

Mas lembra-te, chegamos aqui através de uma lógica falha. Retira essa lógica defeituosa e não há razão para acreditar num reino sobrenatural. Podemos novamente confiar na lógica e na evidência, e podemos distinguir o factível do absurdo.

Isso nos dá o nosso mundo de volta. Nós redescobrimos assim terra firme para nos apoiarmos.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Por que os criacionistas contam mentiras



Quando os seus adversários deturpam constantemente a sua posição, é provável que haja uma razão. E, no caso dos criacionistas, a razão é bem simples, eles não têm provas para suas próprias crenças enquanto a evolução tem toneladas de provas. Então, o que sobra para eles? Dizer mentiras é o que lhes resta.

A imagem mostra uma típica mentira criacionista. Ela insinua que os chimpanzés evoluíram para humanos. Note que há milhões de chimpanzés e milhões de humanos e a pergunta que fazem é a de por que não há as milhões das formas intermédias?

Só que a Teoria da evolução não diz que os chimpanzés evoluíram para os humanos, mas diz que os chimpanzés e os humanos tiveram um ancestral comum há 6/8 milhões de anos atrás. Há muitos chimpanzés e muitos humanos, pois ambos são espécies sobreviventes desse ancestral comum.

São poucas as espécies intermédias, pois foram extintas entre 40 000 a 8 000 000 anos atrás e apenas restou uma pequena proporção dessas criaturas na forma fóssil. Além disso, haviam pequenas populações dessas espécies em comparação com o número de humanos e chimpanzés modernos.

Quando acreditas em mentiras, podes ter que usar mentiras para defender as tuas crenças, mas sabes que estás a dar essas mentiras, né?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A sabedoria da bíblia



A bíblia foi inspirada pelo próprio Deus, então podemos esperar encontrar muita sabedoria dentro das suas pesadas páginas. Aqui estão algumas coisas que aprendemos com ela:

  • Manter pessoas como escravos é bom. Tal como passar os teus escravos para os teus filhos quando morreres. Também podes vender as tuas filhas como escravas com a bênção de deus.
  • Bater nos teus escravos, mesmo que os mates, também é bom, desde que eles vivam por alguns dias depois da tareia. É justo, afinal de contas, eles são tua propriedade.
  • Violar (estuprar) uma garota virgem é um crime. Mas não é um crime contra a vítima, é um crime contra o pai dela, porque o valor que ela pode ter, será diminuído se ela deixar de ser virgem.
  • A melhor maneira de punir um homem que viola (estupra) uma garota solteira é fazer com que ele pague a compensação ao pai, obrigá-lo a casar com a moça e jamais permitir que ele se divorcie dela. Isso irá ensiná-lo.
  • Uma noiva que não é virgem na sua noite de núpcias, deve ser apedrejada até a morte. Obviamente.
  • A Terra foi criada antes das estrelas. Estrelas são luzes numa cúpula cobrindo a Terra. A cúpula tem água acima dela com janelas que se abrem para permitir que ela chova. Chupa essa, ciência!

Estas são coisas que aprendemos da bíblia... mas tivemos que as desaprender. E há muito, mesmo muito mais de onde estas coisas vieram.

A sabedoria da bíblia é difícil de encontrar, mas valores morais apavorantes e coisas absolutamente sem sentido, são fáceis de encontrar.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Seis coisas erradas sobre deus...



É uma pena que não possas obter um Doutoramento inventando deuses. Aqueles que fizeram isso no passado, nem sempre fizeram um bom trabalho. É que, depois de muita pesquisa, destilei as seis principais coisas que os hebreus erraram com deus.

1 - Faça o seu deus consistente com as coisas que vemos ao nosso redor. Por exemplo, se vemos sofrimento que é desnecessário, devemos inventar um deus malévolo que gosta de ver o sofrimento em vez dum deus de amor infinito.

2- Se deus vai ficar surpreso e irritado com os eventos que acontecem na Terra, faça esse deus um pouco estúpido e definitivamente não omnisciente.

3- Não invente um deus que responda às orações se as orações só forem respondidas na mesma proporção do acaso.

4- Seja honesto sobre a atenção dada aos detalhes. Se ele criou criaturas usando partes de outras criaturas que nem sempre funcionam nessa nova criatura ou que funcionam mal, diga-o. Por exemplo, o nervo laríngeo recorrente na girafa conecta o cérebro à laringe a poucos centímetros de distância, mas viaja desnecessariamente pelo coração, dando-lhe um comprimento total de cerca de 4 metros. É melhor dizer que os seus designs são bons nalgumas partes e desleixados noutras partes.

5- Deves evitar o exagero também. Se levou 9 mil milhões de anos para criar a Terra, não finja que o seu deus conseguiu faze-la em apenas 6 dias!

6- Deves te certificar de que o teu deus é consistente - não digas à boca cheia que ele é perfeito e que depois venhas dizer que no seu primeiro trabalho em criar humanos foi tão horrível que ele matou todos eles e começou de novo.

Os gregos fizeram um trabalho bem melhor do que os hebreus. Os seus deuses tinham personalidades e não eram mais santos do que tu. Eles eram caprichosos e encantados em fazer truques com humanos. 

Prontos, é mais assim que deves inventar deuses.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 25 de agosto de 2018

Lógica assimétrica



Algumas pessoas religiosas são capazes de encontrar buracos fatais na montanha de evidências para a Teoria da evolução, buracos que até os biólogos profissionais não conseguem ver. Essas pessoas acreditam que deus, não a evolução, foi o responsável pela extraordinária variedade de espécies na Terra. Obviamente, só se deus existisse poderia ser o responsável, mas estranhamente, essas pessoas não conseguem oferecer nem um único pedacinho de provas para a existência desse deus.

A lógica deles parece ser de que, apesar da VASTA QUANTIDADE de evidências que temos para a Teoria da evolução, não são suficientes para a aceitar, mas NENHUMA evidência do que quer que seja para a criação, serve perfeitamente para aceitar a hipótese de deus.

Eu tenho cunhado um nome para essa nova forma de lógica, eu a chamo de "lógica assimétrica". 
Outros têm dado nomes muito menos educados para isso.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 4 de agosto de 2018

O criacionismo é uma crença perigosa


Há quem confunda convicções e crenças e ignore que quem possui convicções fortes se mantém aberto ao contraditório, e quem perfilha crenças enjeita o que as possa abalar.

As crenças não exigem reflexão, basta-lhes a tradição e o ritual. As convicções obrigam à ponderação e à firme vigilância da realidade, que muda com os avanços da ciência.

Não há convicções que resistam aos factos ou que não sejam abaladas pela ciência, e as crenças resistem às evidências e recusam mudanças. A crença é a certeza sem provas, a obstinação que, perante a realidade que a contraria, lamenta que a realidade se engane.

O criacionismo é uma dessas crenças perfilhadas por quem pensa que a Idade do Bronze produziu verdades imutáveis transmitidas por um deus criado pelas comunidades tribais, dessa época, à imagem e semelhança dos seus patriarcas.

As pessoas de convicções firmes propõem as opiniões pela persuasão, as que perfilham crenças impõem-nas pela força. As primeiras são didáticas, as segundas são fanáticas. Umas sugerem, e veem adversários em quem diverge; outras recitam, e veem inimigos em quem discorda; num caso, há divergências; no outro, heresias.

As crenças conduzem ao proselitismo e são veículos de verdades únicas e imutáveis. As convicções são sugestões a debater, e suscetíveis de reavaliação.

As convicções baseiam-se na ciência e exigem método e objeto; as crenças prescindem do contraditório e não o toleram, dispensam o método, e o objetivo é a perpetuação.

Hoje vivemos num mundo que se deve à ciência, e que arrisca a sobrevivência por causa das crenças.

Pensar é mais difícil do que acreditar.


Texto de Carlos Esperança

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A inteligência é um produto da evolução




Uma afirmação comum entre espiritualistas e crentes é a de que “só uma inteligência pode criar outra inteligência”.

Essa afirmação simplesmente “revoga” a Teoria da Evolução. Sugere que qualquer atividade biológica complexa só pode ser originária de outra do mesmo nível de complexidade.

Isso não passa do velho argumento do relógio do bondoso teólogo William Paley, já refutado inúmeras vezes pelos evolucionistas.

Se a inteligência tem de ter “origem divina” e não pode ser fruto da Seleção Natural, então nenhuma outra propriedade dos organismos biológicos poderia prescindir de uma “criação” especial por Deus.

Em outras palavras, afirmações desse tipo são apenas uma forma de voltar ao bom e velho criacionismo de maneira disfarçada. 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

És um darwinista?



Quando alguém me chama de darwinista, eles revelam muito sobre si mesmos, mas não muito sobre mim.

As pessoas, como eu, que consideram a evolução como a melhor explicação para a variedade de formas de vida atualmente bem como das formas de vida extintas, reconhecem a grande contribuição que Charles Darwin fez para a biologia. Darwin não foi o primeiro a meditar sobre a possibilidade de evolução, mas ele foi o primeiro a reunir uma quantidade substancial de evidências e usá-las para construir uma boa hipótese, o primeiro a propor um mecanismo viável para a evolução -- a seleção natural, e o primeiro a juntar tudo numa única teoria da diversidade biológica.

Darwin publicou apenas dois livros sobre este assunto, "On the Origin of Species by Means of Natural Selection" em 1859 e "The Descent of Man" 12 anos depois, mas o seu esforço de pesquisa de 20 anos foi o gatilho para outros continuarem o seu trabalho.

A teoria evolutiva como a conhecemos hoje, tem sido desenvolvida há mais de 150 anos por biólogos, geneticistas, paleontólogos, médicos, físicos, matemáticos e muito mais, muitas vezes trabalhando em equipes multidisciplinares e, entre eles, produzindo mais de meio milhão de documentos científicos e milhares de livros. O trabalho meticuloso de Darwin inspirou este tsunami de pesquisas, mas apenas uma semente do trabalho de Darwin é encontrado na teoria evolutiva hoje. Se Darwin pudesse ser trazido de volta à vida, ele teria de fazer um curso em biologia evolutiva!

A teoria evolutiva não é o darwinismo, as pessoas que trabalham nas pesquisas não são darwinistas, não existe tal coisa de darwinismo. Chamar a teoria evolutiva de darwinismo e como chamar o modelo padrão de física de democritosismo (Demócrito). É um absurdo.

Então porque é que os criacionistas usam este termo tão livremente? Não sei, mas posso adivinhar. Se o trabalho de Darwin for comparado a uma pequena pedra, a Teoria da Evolução seria o monte Evereste. Então, os criacionistas preferem fazer referência à pedra do que reconhecer toda a montanha. E eles preferem se referir ao homem que pesquisou tentilhões sozinho nas ilhas Galápagos do que reconhecer as dezenas de milhares de cientistas profissionais que trabalham em equipes multidisciplinares usando tecnologia de ponta e produzem milhares de documentos revistos pelos seus pares que são publicados nas revistas científicas principais .

Os criacionistas preferem a caricatura de um cientista louco ao fato de um ramo incrivelmente bem apoiado da ciência em que toda a biologia depende.

Darwin não inventou o darwinismo -- os criacionistas o inventaram.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que a Ciência diz sobre deus




Alguns teólogos e religiosos dizem que a ciência nada pode falar sobre Deus, já que a ciência estuda o mundo natural e Deus faz parte do mundo sobrenatural. Há problemas com tal separação. Primeiro, se Deus é uma entidade completamente sobrenatural, não tem como ele interferir na vida dos seres humanos, que residem no mundo natural. Mas quando Deus atende uma prece e salva uma vida, há uma intervenção direta no mundo natural, que é passível de investigação pela ciência. Aliás, uma pergunta extremamente válida é justamente de que maneira Deus atua, por exemplo, nas partículas de um tumor para reduzir seu tamanho? Em segundo lugar, essa separação é totalmente arbitrária. Por que a realidade é, obrigatoriamente, separada em duas? Não podemos pré-definir o que é a realidade, não podemos forçar a realidade a encaixar com nossas crenças. São as nossas crenças que devem ser adaptadas de acordo com as evidências da realidade. Ciência é justamente a maneira de interrogar como a realidade funciona.

Na história da humanidade, acreditamos em diversos deuses diferentes. À medida que o nosso conhecimento sobre o funcionamento do Universo foi aumentando, o papel de Deus (ou deuses) nas explicações foi diminuindo. Porém, muitas pessoas acreditam, pelo menos, em uma forma de criacionismo.

Antes de Charles Darwin publicar A Origem das Espécies, dominava a crença de que Deus tinha criado as espécies de forma independente. O teólogo William Palley fez a seguinte analogia: assim como a complexidade do design de um relógio nos leva à conclusão de que ele possui um criador, o mesmo pode ser dito em relação ao olho humano, por exemplo. Palley argumentou que "todas as manifestações de um design que existem no relógio existem também nas obras da natureza..."Para Palley, Deus tem função similar de um relojeiro; Deus é o criador inteligente da complexidade observada na natureza. No entanto, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace mostraram que, na realidade, não há nenhum criador; a complexidade observada é explicada pela seleção natural. Diferente de um relojoeiro, que projeta suas engrenagens e molas imaginando o resultado final, a seleção natural é um processo cego, inconsciente e automático. A seleção natural, como cunhou Richard Dawkins, é o relojoeiro cego. A Teoria da Evolução mostra que partindo de uma forma de vida bem básica, como uma molécula auto-replicadora, é possível atingir a complexidade de um indivíduo humano.

O criacionismo de Palley, o que eu chamo de criacionismo biológico, já deveria ter caído em total desuso. A Evolução é suportada por uma convergência de evidências de sete diferentes áreas da biologia e não possui nenhuma evidência contrária. Religiosos (principalmente criacionistas, nesse caso) repetem que a evolução é "apenas uma teoria". Evolução é uma teoria, assim como a gravidade. Espero que as pessoas não se joguem de prédios afirmando que a gravidade é "apenas uma teoria". A Evolução é uma das teorias cientificas mais testadas e corroboradas; a evolução é tão verdade quanto, por exemplo, a afirmação de que a Terra orbita o sol. Alguns religiosos afirmam aceitar a evolução, mas dizem que ela foi guiada por Deus. Mas isso não é a teoria da evolução; é uma adaptação errada da ciência para encaixar crenças pessoais. No entanto, ainda há lacunas no conhecimento para a hipótese de Deus como explicação. A evolução não explica a origem da vida, um problema da química ainda sem solução, e ainda há o criacionismo cosmológico, onde Deus criou o universo.

Em qualquer tipo de criacionismo, a explicação que Deus criou o universo e/ou a vida não é satisfatória, já que postula-se uma entidade mais complexa (Deus) do que aquelas que desejamos explicar. Deus, de acordo com diferentes religiões, é uma entidade que comunica-se com um vasto número de pessoas em todos os idiomas possíveis, intervem simultaneamente na vida de várias pessoas, etc. O que eu quero dizer é: se a complexidade do olho humano precisa de explicação, a complexidade de Deus também; se o universo e/ou os seres vivos foram criados por Deus, quem criou Deus? A usual resposta que religiosos fornecem para essa pergunta é que Deus sempre existiu e não foi criado. Para dizer isso não é necessário postular Deus, basta dizer que o universo (ou a vida) sempre existiu e não foi criado.

Uma das mais interessantes idéias que aprendi na ciência pode estar relacionada com a criação do universo. Espaco vazio, isto é espaço sem matéria, não é totalmente vazio. Diversas partículas e anti-partículas são criadas "do nada", elas se chocam e deixam de existir. Tudo isso ocorre muito rapidamente. Esse fenômeno, chamado de flutuação quântica, foi observado independentemente em diferentes experimentos. A hipótese é que, em determinadas condições, esse conjunto de partículas "virtuais" poderiam aparecer do nada, mas não desaparecer, permitindo a criação de um ou até mais universos. Como explicam os físicos Hawking e Mlodinow no livro O Grande Projeto: "flutuações quânticas levam a criação de minúsculos universos a partir do nada. Uns poucos desses atingem tamanho crítico, e então se expandem de um modo inflacionário, formando galáxias, estrelas e, ao menos em um caso, seres como nós." O cosmólogo Lawrence Krauss publicou em 2012 o livro A Universe From Nothing dedicado a esse assunto, onde ele deixa claro que "na gravidade quântica, universos podem, e na verdade sempre irão, aparecer do nada."

Teólogos, religiosos e crentes de uma maneira geral insistem em repetir que a ciência não refuta a existência de Deus. Isso está tecnicamente correto: a ciência não refuta a existência de Deus, mas também não refuta a existência de papai noel, dragões e unicórnios. Hipóteses que lidam com a existência de alguma coisa são irrefutáveis: é impossível encontrar evidências de que algo não existe.

É importante ressaltar que, mesmo não havendo respostas definitivas para algumas perguntas, não quer dizer que Deus seja a resposta, ou que qualquer outra resposta esteja correta. Qualquer que seja a explicação, ela precisa ser suportada por evidências. E, pelo menos até agora, a ciência não encontrou nenhuma evidência para a existência de Deus; a ciência não só não inclui Deus nas suas explicações, como tem feito enorme progresso sem recorrer a nenhuma entidade sobrenatural. Para ciência, Deus é desnecessário, além de muito improvável. Como explica o cosmólogo Sean Carrol em Why (Almost All) Cosmologist are Atheists, "de todas maneiras na qual Deus foi considerado uma hipótese útil, há explicações alternativas que não requerem nada fora de uma descrição completamente formal e materialista."
Concluo que adicionar Deus só torna as coisas mais complicadas, e essa hipótese deve ser rejeitada pelo rigor científico".


Por Felipe Nogueira Barbara de Oliveira

Para ler mais:

1 - Richard Dawkins. O Relojoeiro Cego. A teoria da evolução contra o desígnio divino. 1986
2 - Richard Dawkins. O Maior Espetáculo da Terra. As evidências da evolução. 2010.
3 - Richard Dawkins. Deus, um Delírio. 2006
4 - Stephen Hawking & Leonard Mlodinow. O Grande Projeto. 2010
5 - Lawrence M. Krauss. A Universe From Nothing. Why There Is Something Rather Than Nothing. 2012
6 - Victor J. Stenger. God The Failed Hypothesis. How Science Shows God Does Not Exist. 2008
7 - Victor J. Stenger. The Fallacy of Fine-Tunning. Why The Universe Is Not Designed For Us. 2011
8 - Michael Shermer. Why Darwin Matters. The Case Against Intelligent Design. 2007
9 - Michael Shermer. Nothing is Negligible. Why There is something Rather than Nothing. Skeptic Magazine. Vol 17. No 3. 2012.
10 - Sean Carrol. Why (Almost All) Cosmologists are Atheists. 2005