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sábado, 9 de novembro de 2019

Vamos seguir as leis de deus!



Como experimento, pensei que deveria tentar seguir a moralidade bíblica por uma semana para tentar me tornar uma pessoa melhor. Mas antes de começar, há algumas coisas que preciso esclarecer.

A bíblia permite-me possuir escravos e é bastante clara como lhes devo bater, como os vender e como os passar para os meus filhos quando eu morrer. A bíblia diz que posso comprar escravos a estranhos, mas eu moro numa cidade onde quase toda a gente é estrangeira. Isso significa que posso comprar os escravos a qualquer um ou só posso comprar a estrangeiros, como a franceses ou a alemães?

Eu tenho duas filhas solteiras. Se alguma delas for violada (estuprada) no campo, eu sei que ela terá que se casar com o seu violador (estuprador) e jamais se poderá divorciar, mas eu estava a refletir sobre a penalidade que o violador me deve pagar. A bíblia diz 50 siclos de prata, mas devemos ou não levar em consideração a inflação? E quanto é que isso seria em euros ou dólares?

Se eu compro a filha de um homem como escrava sexual, mas ela não sendo boa na cama, eu sei que posso passá-la para o meu filho. Porém, se ela também não agradar ao meu filho, sou obrigado a devolvê-la ao pai dela. Nesse caso, devo insistir em obter um reembolso total ou há algum desconto por desgaste do produto?

Por vezes, o meu filho sai para beber com os seus amigos e de vez em quando ele responde-me com maus modos. Lendo as sagradas escrituras, vejo que tenho sido muito tolerante para com ele. Da próxima vez que isso acontecer, eu o levarei para os arredores da cidade com outros homens e vamos apedrejá-lo até a morte. Obviamente, essa é a coisa mais moral a fazer.
Mas a bíblia é um pouco escassa em detalhes, não aconselha que tamanho devem ser as pedras com que o devemos apedrejar. As pedras mais pequenas fariam com que ele sofresse por mais tempo mas as maiores realizariam o trabalho mais rapidamente. Alguém me podia oferecer algum conselho sobre este assunto?

O meu vizinho é médico no hospital. Costumo vê-lo a sair de casa aos sábados para ir trabalhar. Eu sei que devo apedrejá-lo até a morte por esse ato pecaminoso, mas há poucas pedras por onde vivo. Tendo isto em conta, seria aceitável espancá-lo até a morte com um taco de beisebol?

A maioria dos sistemas jurídicos do mundo presume que as pessoas são inocentes até que se prove o contrário, mas a bíblia é o inverso pois presume que todos nós somos culpados desde o nascimento. Deveríamos pressionar os nossos governos a incorporar esse princípio bíblico nas nossas leis nacionais?

Há só um problema com este experimento. Obviamente, seguir as leis de deus iria me tornar uma pessoa melhor, mas também me tornaria num criminoso, e não posso deixar de pensar que preferiria não ser um criminoso e não seguir as leis de deus.

Chamem-me de antiquado...


Texto de Bill Flavell

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Os tributos eclesiásticos da fabricação da culpa à oferta de salvação!



Como numa transação comercial, a lei da oferta e da procura foram previamente planejas para remissão de seus “pecados”

Do nascimento até a morte, o cristão tem sua meta de culpas, pecados e “taxas moratórias” a pagar a um ser do mundo metafísico do coletivo imaginário popular. Segundo os que regem o “santo império da fé”, ninguém pode deixar esse mundo sem antes quitar as dívidas adquiridas desde o nascimento com esse ser. Deus e o diabo brigaram milhares de séculos atrás, mas quem paga a conta por isso é você. Isso parece até o efeito cascata de uma má gestão pública causada por um gestor ruim em países subdesenvolvidos.

Não seria redundante mostrar que as “taxas tributárias sobre o pecado” que os indivíduos pagam em países subdesenvolvidos, são semelhantes as pesadíssimas cargas de impostos cobradas pelo governantes nesses mesmos países. Em ambos os casos, os tributados dispõem de péssimos serviços prestados pelos gestores, enquanto observam parte do fruto de seus esforços sendo direcionados para o luxo dos que os dirigem e a utilização da máquina pública para opressão e repressão dos que tentam levar o povo à lucidez.

Para recebimento e cobrança dessas infinitas taxas tributárias sobre o pecado dos homens, estabeleceu-se por conta própria um instituição denominada de “a igreja do senhor”. Aliás, ela mesma se auto intitulou intermediadora (cambista), e ela mesma quem definiu as normativas de pagamento e valores dos tributos de acordo com raça, cor e poder aquisitivo dos subordinados.

Negros, povos colonizados, pobres e analfabetos sempre foram os mais tributados por essa instituição mundialmente atuante. Se você é rico ou tem amigos poderosos na base do clero por exemplo, você poderá até ser canonizado e venerado como santo depois de morto, mesmo se em vida fostes uma má pessoa, um líder de uma organização criminosa, um genocida ou um grande manipulador. Não te assustes se na base dos grandes governos cristãos e nos que controlam as mídias audiovisuais vires as mesmas coisas. São apenas ossos do oficio desse sistema tributário.

Desde Constantino, os que criam as “leis de deus” e as “leis dos homens” bem como aqueles que as tornam conhecidas entre os povos, quase sempre andaram de mãos dadas ou tem os mesmos interesses. Você sempre será culpado por algum crime que nunca cometeu ou será penalizado pelo seu comodismo, mas se reagires aos tributos e a forma de governo imposta, sua pena será ainda maior. Ore e agradeça a deus por tudo, “pois em tudo dai graças. Esse é o mandamento divino”...

O pecado, segundo a “santa igreja”, é o tributo final das cobranças impostas ao homens de acordo com essa instituição credora. O pecado gera a morte. Por causa do pecado do homem para com deus toda a natureza padece. Desastres ecológicos e epidemias com milhares de mortes tem sido um modo desse deus soberano aplacar um pouco a sua ira e não nos exterminar de uma vez por todas. Devemos agradecer esse ato corretivo de misericórdia, segundo pensamento medieval ainda presente.

Como um pai desequilibrado que só vive sob efeito do álcool, ele estar vendo tudo o tempo inteiro mas nada faz. De repente, ele perde a paciência, vem e espanca todo mundo com sua ira descomunal e só para de bater quando o clero se reúne para pedir misericórdia e ofertar os tributos arrecadados em seu nome.

Penitencias, orações, dízimos, ofertas, compra de produtos ungidos e obediência cega aos líderes da igreja são os meios mais comuns que a igreja estabeleceu para quitação do tributo do pecado do homem para com deus e para aplacar sua ira. Além das coisas que a própria igreja já instituiu como pecado, ela não importa que uma pessoa isolada ou um grupo inteiro de pessoas venham “fabricar” ainda mais outras modalidades de pensamentos e ações que levem o homem a se considerar um mísero pecador. Para a santa igreja, quanto mais culpa mais lucro, mais domínio!

Beneditinos, franciscanos, puritanos, protestantes, sabatistas, calvinistas, luteranos, anabatistas, evangélicos e tantos outros segmentos, são apenas maneiras diferentes de produzir mais culpa aos homens e desse modo gerar mais tributos para a “casa de deus” e gerar mais pessoas submissas aos “cobradores de impostos da fé”.

Se você vai se culpar por tomar um refrigerante, assistir TV, ver o corpo nu de seu próprio conjugue, ter falado um palavrão, ter comido carne de porco ou por ter esquecido de guardar um dia santo, isso não importa! Importa mesmo é que você diga para si mesmo todos os dias, diga para todo mundo, diga aos quatro ventos que você é um miserável pecador e que precisa da graça de deus para ser salvo! A graça de só vem por intermédio da igreja.

Desse modo, tu serás agraciado pois a santa igreja, em suas várias modalidades de seguimentos irá dizer: “estamos aqui para te ajudar”! Por esse ou por aquele valor, por esse ou por aquele serviço voluntário, por essa ou por aquela penitencia, te reconciliaremos a deus e tu serás puro outra vez!

Deus em seu infinito silencio e complacência dirá amém a tudo que seus representantes intentar fazer em seu nome. Ele, assim como a santa igreja só irá se enfurecer contra ti quando questionares a ideia de pecado e as indulgencias cobradas pela igreja.

Então pequem! Pequem mais! Pequem mesmo! Pequem muito... A igreja agradece! Se queres a atenção de seu líder religioso, crie ou gere culpa para si mesmo e para tantos outros possíveis! A igreja entraria em falência se não fosse pelos seus “pecados”. Para o bem da própria igreja que tu amas tanto, não se libertes dos teus sentimento de culpa inseridos pela ideia de pecado e sejas um eterno miserável e pobre pecador, e diga isso com toda a força do seu ser.

Para cada 20 novas pessoas que confessam isso publicamente um novo obreiro, sacerdote ou “ungido” é consagrado e um novo projeto de templo é iniciado. Se tu é do tipo que apoias mais a construção de igrejas do que de escolas em nosso país, continue “pecando” e peque muito, só assim mais igrejas tomarão o espaços de instituições realmente prestativas e tu jamais irá precisar de raciocinar nada, pois até isso os “ungidos do senhor” farão por ti. Se entenderes bem como funciona o sistema e não fores capaz de se rebelar contra ele, também te consagração a uma das várias modalidade de cargos disponíveis no futuro, após atingires sua cota de “pecado”.

A igreja precisa de “pecadores” para sobreviver, de pessoas que vivam atoladas em sentimentos baixos, se culpando por todo tipo de idiotices que fizeram ou deixaram de fazer. Gente honesta, direita e que não precisam da ideia de deus para fazer o que é certo e justo sempre deram prejuízos a igreja. Gente de boa índole que não esteja ligado a uma instituição religiosa é uma afronta a igreja. Um projeto do anticristo, pois somente “em deus” o homem pode fazer o bem! Assim professa a velha bancada dos vendedores de indulgencia.

Pessoas que promovem o caos, sempre foram os maiores aliados dos “homens de deus”. Não é à toa que as pessoas que se tornam celebridades instantâneas em qualquer instituição religiosas, não são aquelas que tem uma história bonita de honra para contar, mas são exatamente as que mais aprontaram na sociedade, que irão receber atenção especial de toda igreja. Gente equilibrada e igreja nunca foi uma combinação boa! Quanto mais macabra e hedionda for a história de uma pessoa, maior será sua receptividade na “casa de deus”, principalmente no meio evangélico pentecostal. Eles te farão de macaquinho adestrado de circo, e irão te conduzir de evento em evento, de cruzada em cruzada, de vigília em vigília, falando de sua “conversão” e arrecadando fundos para o “reino de deus”. Aleluia!

Quem sabe, não há nada mais delicioso aos ouvidos da maioria dos líderes religiosos do que a expressão: “pequei, preciso confessar”. Já por sua vez a expressão: “aprendi o suficiente para conduzir minha vida sozinho” deixa quase todos os líderes religiosos cristãos com a síndrome do ninho vazio. Por isso inventaram a expressão: “fora da igreja não há salvação”...

A ideia de pecado gera dependência e lucratividade para todo um sistema. Toda a hierarquia eclesiástica depende do seu pecado para sobreviver. Todo o poder e majestade que a esses homens foram atribuídos, dependem justamente da culpa que você carrega desnecessariamente ou do estilo de vida louco que uma pessoa “cheia de deus” possa levar quando se deixa “ser usada pelo diabo”.

A lucidez e a disciplina levam à falência qualquer sistema religioso predador. Quase todos eles o são! A auto-suficiência dos homens é o maior pesadelo de qualquer sistema que tenha a ignorância dos homens como o maior serviço a ser explorado.

Esse modelo de prestação de serviços fornecido por boa parte dos grupos religiosos cristãos, assemelhasse a algumas empresas que vendem produtos sem garantias e com defeitos, sabendo que o cliente logo vai comprar outro, ou como prestadoras de serviços que vendem planos sabendo que o cliente jamais irão usar. Seu pecado e sua culpa, são símbolos de lucro, poder e domínio...Cada “pecado” cometido por ti faz valer o “preço das ações” na “bolsa de valores” da igreja qual você faz parte

Como já dito, o cristianismo é tão bom para esse tipo de pensamento que qualquer igreja ou segmento pode criar sua própria cota de pecados fornecer aos congregados e a forma de remissão para eles. Até depois da morte, no purgatório, alguns indivíduos ainda continuarão fornecendo receitas aos cofres da santa igreja.

Pensem bem: tem coisa mais lucrativa no mundo do que o comércio da ingenuidade? Oh coisa boa! Uma fonte infinita de lucros que faz com que até depois de morto o indivíduo gere “comissão” para o “atravessador”.

Nenhuma empresa de MMN superou até agora os sistemas de arrecadações de lucros gerados para os “pais fundadores” da santa “ig-empresa”. Nenhuma durou tanto tempo atuando e fornecendo serviços até no post mortem! Nenhuma usou a mesma propaganda por tanto tempo (a volta de jesus). Nenhuma se mete tanto em sua vida pessoal e familiar quanto essa.

Acredito que toda empresa de MMN que já surgiu, teve como base os sistemas religiosos cristãos atuante desde o século 3 de nossa era. A ideia de pecado é o carro chefe dessa grande multinacional. As empresas de MMN mais lucrativas de hoje vendem ração alimentar, cosméticos, ou produtos que trazem benefícios a saúde dos usuários para se manterem funcionando. A santa igreja te vende a ideia do pecado e oferece a remissão para os mesmo e bate a lucratividade de todas essas empresas juntas. Para o modelo católico de ser por exemplo, a tributação sobre o pecado começa na fecundação de um embrião. Uma linha de pensamento desse segmento concorda que temos em nosso DNA, a herança do pecado de Adão e Eva e por isso somos amaldiçoados desde a concepção, tendo assim de tributar a igreja de alguma forma para sermos livres desse pecado.

Outra linha acredita que é no ato sexual natural entre homem e mulher que começa nosso pecado e que o único homem nascido sem pecado no mundo fora aquele em que não houve sexo natural para conceber, cuja mãe fora engravidada por uma pomba. Relação homem-mulher é pecado. Relação com uma pomba imaginária não! Vá entender...

Outra linha do cristianismo defende que no ato do nascimento quando uma criança ao ser concebido por meio do parto natural, ela tem contato com o clitóris da mãe ao ser expulso pelas contrações musculares da região pélvica. Se for menino, o pecado é ainda maior, pois quando ao sair do ventre, o pênis do bebê roça (tem contato) a vulva de sua genitora, tornando assim esse pequeno ser instantaneamente um pecador. Esse também é uma outra forma de entendimento sobre o PECADO NATURAL segundo uma linha do cristianismo.

Com o desenvolvimento da medicina e a concepção do feto por meio do parto à cesariana, a igreja iria perder um grande público pagante no futuro e não iriam poder cobrar taxas tributarias sobre o pecado desses, já que esses ficaram isento do contato com a vagina da mãe e assim livres do pecado natural.

Logo pensaram numa outra ideia! Definiram que não estaria o pecado natural somente no contato do feto com o clitóris da própria mãe, mas o simples fato instintivo de um recém-nascido mamar os primeiros goles do leito materno em sua genitora iria constituir também uma forma de pecado natural, já que os seios femininos (bem como todo o corpo de uma mulher) quase sempre fora na concepção cristã, o caminho para a perdição dos homens. Como resultado dessa visão deturpada do passado, até hoje apenas os mamilos femininos são censurados quando mostrados em público, os dos homens não.

Desse modo, entendendo desse novo ângulo o “pecado natural do homem”, a criação de deus seria perfeita, mas logo nos primeiros segundos de vida ao se alimentar, o ser o humano se contaminaria pelo pecado e a igreja estaria ali para livrar de tão grandiosa culpa os recém nascidos, fornecendo inicialmente o batismos para remissão de pecados.

Que maravilha não é? Tudo foi providenciado tão perfeitamente que até parece que foi a própria igreja quem criou tudo isso... Só parece mesmo, ainda bem! Que bom que tudo já foi planejado para que nenhum homem “se perca”.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Mulher, propriedade do homem




Em muitas sociedades, as mulheres eram, simplesmente, propriedade dos homens, a maior parte das vezes dos pais, maridos ou irmãos. O estupro, em muitos sistemas legais, entra na categoria de violação de propriedade - por outras palavras, a vítima não é a mulher violada, mas o homem a quem ela pertence. Sendo assim, o remédio legal era a transferência de propriedade - o violador tinha de pagar o dote ao pai ou ao irmão da mulher, tornando-se esta sua propriedade. A bíblia decreta: "Se um homem conhecer uma virgem que não esteja prometida, a tomar e se deitar com ela, e forem descobertos, então o homem que se deitou com ela dará ao pai da jovem mulher 50 shekels de prata e ela tornar-se-á sua esposa." (Deuteronómio 22:28-29). Os antigos hebreus achavam que se tratava de um acordo razoável.

Violar uma mulher que não pertencesse a um homem não era considerado crime, tal como apanhar uma moeda perdida numa rua movimentada não é considerado roubo. E, se um marido violasse a própria esposa, não cometeria qualquer crime. De facto, a ideia de que o marido pudesse violar a esposa era um oximoro.. Ser marido era ter controlo absoluto sobre a sexualidade da esposa. Dizer que o marido "violou"  a esposa era tão ilógico como dizer que um homem roubou a própria carteira. Tal forma de pensar não estava confinada ao antigo Médio Oriente. Em 2006, ainda existiam 53 países onde o marido não podia ser acusado de violação da esposa. Mesmo na Alemanha, as leis relativas à violação só forma alteradas em 1997 para criar uma categoria legal para a violação marital.



Trecho de Yuval Noah Harari, in Sapiens, História breve da Humanidade.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A difícil arte de conviver em sociedade, parte II



PAROLA
PARASITAS SOCIAIS MODERNOS INVOCANDO ANTIGAS LEIS DA PIRATARIA

“Quando um pirata é preso por outro, o capturado detêm o direito de Parola, este deve ser levado ao capitão do navio inimigo e não pode sofrer nenhum tipo de agressão até o fim da negociação” (http://www.dicionarioinformal.com.br/parola/- definição de parola no dicionário virtual).

Sem querer de modo algum comparar a piratas nossa corte ou magistrados em geral, ressalto que indivíduos antagônicos a ordem social e avessos a qualquer tipo de leis, desejam fazer valer as leis que protegem cidadãos e seus direitos somente quando são eles mesmos os surpreendidos cometendo crimes. Comparo os tais aos que viviam do ramo da pirataria no passado, que após serem pegos exigiam julgamento sob parola, vivendo fora como fora da lei, mas desejando ser julgado por uma que lhe favorecesse quando fosse necessário.

Tais piratas do presente vivem a causar desordem e balburdia, bem como são fonte de todo tipo de prejuízo aos demais por onde passam. Não usam antigas embarcações de madeira nem tapa olho, nem tão pouco usam perna de pau ou mãos em forma de gancho, mas vivem a apelar pela velha lei da pirataria por muitos séculos invocada entre a irmandade do crime nos sete mares. PAROLA! Dizem estes o tempo todo indiretamente toda vez que são presos ou investigados por seus delitos.

Tais piratas podem estar infiltrados na política, na religião ou em grandes corporações. Podem possuir títulos de respeito e serem tratados como verdadeiros lordes por sua aparente conduta de retidão ou podem até cometer abusos abertamente por achar que o título que portam dá direito a isso, enquanto a sociedade foi ensinada a assistir de modo servil a tal demonstrações de abuso, como faziam os povos do passado quando os bandidos dos mares chegavam em suas praias causando terror com seu poderio de fogo e capacidade de destruição.

Outros desses personagens atuais da pirataria moderna são figurinhas carimbadas da justiça, da mídia e da sociedade em geral, qual desejando se portar de modo civilizado e ordeiro concordam ainda que indiretamente que tais indivíduos façam com que as ruas de nossa cidade sejam tão perigosas quanto foram os trajetos marítimo mercantil do passado. Para não sermos retratados pela lei como possíveis infratores por resistirmos aos abusos cometidos pelos tais piratas, temos nossas liberdades cerceadas, nossas vidas ameaçadas e parte do que produzimos direcionado para manter um sistema prisional falido, onde delinquentes avessos a lei quando são apanhados não cansam de dizer: PAROLA!

A exemplo disso temos vários adolescentes infratores, alguns desses “fregueses” de policiais e de varas da infância, que quando são detidos em flagrante delito por autoridades civis ou pessoas comuns logo começam a verbalizar insultos e impropérios contra quem o está detendo. Logo dizem: “conheço meus direitos, se você tocar em mim, vai se ver com a justiça”!

Quem ensinou a esses bandidos em miniatura que eles tinham direitos resguardados na constituição, esqueceu de dizer que todos os indivíduos da sociedade também o tem, incluindo o que ele estava tentando fazer o mal no ato da detenção. Para intimidar, esse tipo de gente usa de ameaças com a velha e repetida frase de que se alguém os tocar ou insultar verbalmente vai ser punido pela justiça. Não deveria ser ao contrário? Novos piratas apelando para velhas leis da pirataria. Será que eles interpretam que a justiça apoia somente bandidos em fase de crescimento, ou será que é pelo fato de cidadãos comuns esquecerem que também tem direitos que eles agem assim?

Estelionatários, assaltantes e políticos mal intencionados que roubaram pessoas indefesas, que levaram empresas a falência ou destruíram estados e países inteiros subtraindo dos outros para si mesmo, quando são presos querem fazer valer a lei que diz respeito a propriedade privada. A lei que protege o patrimônio pessoal dos indivíduos só é considerada como válida por eles quando é pra proteger o próprio patrimônio ilegalmente adquirido que eles juntaram. Quando eles estavam subtraindo dos outros, essa lei não valia nada e sentiam-se à vontade para subtrair o quanto possível!

Meliantes reincidentes e criminosos confessos com apenas um ou dezenas de homicídios nas costas, invocam a lei da liberdade, da vida e da proteção contra torturas físicas e psicológicas quando estão sendo presos ou julgados pelos seus crimes. Essa mesma lei não teve valor algum quando estes estavam a cometer latrocínios ou executavam de modo frio e calculista a morte de outros indivíduos.

Será que existe uma lei feita apenas para resguardar bandidos? Será que as leis universais dos direitos humanos só é válida para punir pessoas com capacidade de se portar de modo servil e respeitoso? Por que enquadrar dentro dos direitos humanos indivíduos que tem apenas um corpo humano com mentalidade de monstro?

O que torna um indivíduo apto para conviver em sociedade é sua estrutura físico biológica humana ou sua capacidade de ser cidadão? Acho que se tivessem a capacidade de votar e escolher um candidato nas urnas, cães, gatos e vários animais de estimação já seriam enquadrados no quesito de leis que protegem humanos, já que socialmente alguns destes se portam de modo mais civilizados que muitos humanos.

A grande pergunta é: por que indivíduos reincidentes, frios e calculistas, que planejam com exatidão todas as suas ações maléficas sem se importar com a lei ou constituição, ou que não estão nem ai para o quanto possa causar de prejuízo individual ou coletivo, por que esses mesmos indivíduos devem ser julgados ou protegidos pelos “rigores” da leis como se fossem meros anjinhos ou pessoas indefesas, já que nunca respeitaram a lei e só agora as invocam apenas para benefício próprio?

Esperar que indivíduos que não respeitam as leis e agem de modo premeditado o tempo inteiro no intuito de causar prejuízos a outros venham se corrigir automaticamente seria o mesmo que colocar lobos famintos e cordeirinhos indefesos em uma mesma sala fechada, e exigir que todos eles se respeitassem mutuamente sem provocar danos uns aos outros só por que na porta da sala tem um aviso escrito exigindo respeito mútuo. Será que funciona?

Por que a sociedade de modo geral precisa ter um custo mensal de aproximadamente 4 mil reais por cabeça desses indivíduos, para mantê-los alimentados e protegidos em presídios com todos os seus direitos resguardados, quando os indivíduos prejudicados por eles tiveram seus direitos invalidados por tais pessoas? Por que temos de manter vivos e seguros os que pregam a morte e violência explicita o tempo inteiro, que não demonstram nem um tipo de arrependimento depois de cometerem crimes e que em qualquer saidinha concedida pela justiça em datas comemorativas aproveitam para trazer ainda mais prejuízos? Será que a vida destes valem mais que a de outros? Será que a lei que garante a liberdade de ir e vir bem como a de propriedade privada e respeito a vida só tem serventia aos que andam armados e aos bandos saem diariamente à caça?

Pior que perder um ente querido em um assalto ou em um crime premeditado por pessoas irreparáveis, é saber que você estar sendo obrigado pelo estado a pagar para que tal individuo esteja protegido e alimentado com seu dinheiro e que logo logo, em questão de dias ou meses eles estarão livres, reinseridos na sociedade para dar seguimento a sua carreira de terror.

Nosso povo precisa seriamente rever seus conceitos de aplicação da lei para com reincidentes para evitar que indivíduos até então equilibrados sejam tomados pela revolta e passem a agir de modo igual a criminosos confessos por não haver punição adequadas para os tais. O rigor de uma lei não faz com que o crime sejam evitados em sua totalidade, mas pode inibir o que estar em cima do muro a andar por caminhos sem volta, sem falar que o senso de justiça cresce entre o povo quando veem pessoas irreparáveis pagando pelos seus atos.

Pior do que ver uma família que hoje sofre privações financeiras por ter perdido o chefe da família em um assalto por um meliante sem jamais ter recebido nenhum tipo de ajuda do estado ou da família do assassino, é saber que o criminoso que cometeu tal crime estar recebendo mensalmente auxilio reclusão do governo para manter a família dele alimentada e protegida enquanto ele mesmo se aperfeiçoa ainda mais na escola do crime enquanto tira férias forçadas atrás das grades. Nesses casos os que contribuem para o equilíbrio social tem direitos inferiores aos que causam danos a sociedade. Se faz necessário com urgência rever tais valores.

Quando acabar o rum que rola solto para entreter os “marujos” que fazem inflar as velas que conduzem essa grande embarcação chamada sociedade civil organizada, pode ter certeza que um motim se aproxima e não há lei de parola que possa fazer valer os “direitos” dos piratas.

O direito de parola é invocado todos os dias em nossa sociedade pelos mais diversos segmentos. Em se tratando de pessoas que tomam decisões baseadas em conceitos puramente teológicos podem estar cometendo um grande erro e vivendo uma vida totalmente antagônica ao que eles mesmos chamam de amor e justiça divina. O “amor cristão” por exemplo, é confuso, incoerente e na maioria das vezes irracional quando diz respeito a aplicar métodos coercitivos para manter funcionando as estruturas sociais. Os evangélicos de certa forma até superam em muito essa forma estranha de “amar”. São capazes de perdoar, abraçar e colocar no púlpito de imediato para ser um pastor ou pregador um sujeito com mais de 40 homicídios nas costas, que pegou mais de 500 anos de cadeia ou que cometeu prejuízos irreparáveis a dezenas de pessoas ou famílias inteiras e agora só por que o cara levantou a mão e “aceitou a jesus”, a igreja o considera como santo líder de um rebanho, enquanto que esses mesmos irmãos “amorosos” são capazes de dizer publicamente que ateus merecem morrer de forma trágica e serem enviados direto ao inferno só por que não acreditam em deus apesar de os tais nunca terem feito mal a ninguém, e inclusive boa parte dessas “pessoas sem deus” são os responsáveis direto pelos maiores avanços científicos e tecnológicos que a humanidade já conheceu. Amor, estranho e confuso amor é o amor cristão propagado pela maioria dos religiosos. A lei que rege a pirataria agradece vossa cooperação!

Não estou incentivando com isso um retrocesso nas construções das leis que procuram de certo modo administrar para o bem o complexo convívio entre os humanos. A lei do olho no olho teve sua validade e serventia em sua época. A sociedade evolui, a mentalidade das pessoas evoluíram, e o modo de cometer crimes e se esquivar deles também é aperfeiçoado todos os dias pelos peritos nessa arte. Isso a sociedade precisar notar e se corrigir também.

É necessário decidir-se também se fazem os julgamentos dos seus indivíduos baseados em uma constituição federal válida a todos os homens de um país ou se o fazem numa bíblia ou em qualquer outro livro dito sagrado. Se basear simultaneamente nos dois vai gerar conflito e injustiças sem fim.

Cometer crimes reais e desejar ser julgado por um júri imaginário é a coisa mais sem noção que podemos admitir. Nesse aspecto, a lei de parola também é invocada diariamente por líderes religiosos corruptos, gananciosos e abusivos, quando dizem que pastor ou outro líder religioso qualquer só podem ser julgados por deus e mais ninguém e quem tocar no “ungido do senhor” morre! Os membros temerosos, imaturos e ignorantes engolem isso de modo natural sem reagirem enquanto dão 10% de tudo que produzem a eles, e se tornam subservientes incondicionais a um sujeito que o irá comandar com mão de ferro prometendo um paraíso imaginário enquanto os explora.

Esse mesmo tipo de pensamento retrógrado tem sido transmitido e implantado sorrateiramente ainda que de forma disfarçada em nossos tribunais toda vez que o “amor cristão” é invocado como lei de parola para julgar uma pessoa que “aceitou a jesus” ou se diz uma pessoa cheia de fé em deus.

Valores sociais diferentes produzem indivíduos diferentes com diferentes percepções do mundo e diferentes noções de responsabilidades para com os que o cercam. Enquanto uns acham que cada erro do mundo se corrige com uma simples bronca dada por seu genitor, patrão ou chefe de comando, um puxão de orelha, uma multa ou um pagamento de fiança sem nenhum efeito colateral, outros entendem que para cada ação existe uma reação no presente e o efeito dessa reação pode ser estendido por tempo indeterminado no futuro e outras vezes até incorrigíveis.

Um pai que teve seu filho preso por ter assassinado outra pessoa durante um assalto conclama as leis vigentes, diz a todos que seu filho agora solto já pagou pelo que fez depois de cumprir determinada pena, que a justiça já foi feita e que ninguém pode comentar nada a respeito desse feito. Já o pai que perdeu seu filho em um assalto por esse mesmo meliante sabe que justiça nenhuma trará seu filho de volta, e que no mínimo o assassino deveria ser eliminado de forma integral da sociedade caso o ato tenha sido premeditado e consciente por parte de um reincidente. Não é questão de vingança irracional, apenas questão de justiça! A falta dela é que torna os homens semelhantes a bestas.

As prisões brasileiras e de vários países cristãos estão cheias de pessoas que cresceram acreditando que um tapa de um policial, uma sentença de um juiz ou uma boa defesa de um advogado serão suficiente para os eximirem de seus atos cometidos de forma premeditada, inclusive de seus pecados diante do seu deus imaginário.

Pior que essas pessoas não lotam apenas as prisões e cadeias públicas. Elas vivem entre nós, solapando toda estrutura social, sendo comparsas inconscientes daqueles que dependem do caos para manterem suas estruturas de poder funcionando. Poderia dizer sem sombra de dúvida que boa parte dos nossos representantes políticos se tornaram exemplos máximos de como se valer das brechas da lei para cometerem crimes contra o a ordem social enquanto pagam de gente boa.

Ao permanecerem em convivência livre, os reincidentes que já conhece as brechas das leis não provocam apenas crateras que engolem as estruturas sociais, eles são também aqueles que com a força de um asteroide querem trazer algum tipo de extinção em massa enquanto sobrevivem para contar história na versão deles como sendo heróis de uma tragédia que eles mesmo causaram.

Como prova disso, podemos observar que quase todos os produtos fabricados, transportados ou consumidos que precisamos, temos de pagar em média 30% a mais do que deveríamos pagar, devido aos custos para amenizar os prejuízos de quem os produz ou os transporta por conta dos assaltos e arrombamentos constantes que acontecem nas linhas de produção, armazenamento e logística causado por esse tipo de pirataria moderna. A cada dia novos tipos de seguros são introduzidos no mercado para compensar os riscos que as “bestas sociais” tem produzido em todos os níveis. Os cidadãos civilizados e bem comportados é quem paga toda a conta! Além dos valores absurdos de impostos que pagamos sem vermos o devido retorno que merecíamos em segurança, saúde e educação, ainda temos que pagar um percentual enorme para as mais variados tipos de seguradoras se não quisermos ver parar por completo nossas engrenagens sociais. No mercado de capital livre, ninguém produz ou comercializa nada quando o risco de perca é maior que os de ganho. Ser capitalista não é ser trouxa. É oferecer um produto ou serviço útil a outra pessoa e ser remunerado por isso.

Em prisões de países com regimes mais fechados existem formas diferentes de dizer para os tais que 5 dias ou 5 anos de cadeia não fazem renascer o que fora morto em um assalto, não faz reerguer uma empresa ou país vítima de operações fraudulentas e nem faz corrigir o incorrigível. Em nosso país, há meliantes que chegam a cometer os mesmos crimes 50, 60 e até 80 vezes sem o devido enquadramento, ou políticos que desviam dinheiro público por toda uma vida, para somente serem punidos perto ou depois dos 80 anos de idade como recentemente tem sido mostrado pelos meios de comunicação. Nesses outros lugares, em certos casos eles teriam apenas 1 chance e nada mais! A questão da reincidência de indivíduos é um assunto de estrema importância para qualquer sociedade que deseja ser realmente justa com todos. A hipocrisia do “amor cristão” contribui em muito para que leis severas sejam aprovadas nos congressos.

Deus e o diabo tem sido um álibi, um auxílio e um escudo para gente sem caráter e sem valor se esconder nas sociedades cristãs. Não se pode esperar muita evolução social de um país que sai em defesa de certos indivíduos e diz em alto e bom som que um sujeito que estuprou e matou uma menina de apenas 6 anos só pode ser julgado e condenado por deus, enquanto poderíamos nós mesmo evitar que outros crimes desse tipo venham acontecer.

Nossa capacidade de evoluir ou regredir não dependem exclusivamente de uma intervenção divina como muitos acreditam. Se a lei que vale para uns vale para outros, os cidadãos de bem precisam sair também em defesa de seus direitos, com a mesma ousadia que um pequeno infrator sai quando é pego cometendo crimes. Se nos valemos de uma constituição, se faz necessário invoca-la se levamos em conta a lei de parola ou a lei de livros sagrados para manter nossa sociedade de pé. A precisão de nossas respostas refletirá no futuros que teremos.

Saúde e sanidade a todos!

Texto escrito em 7/1/18 por Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A difícil arte de conviver em sociedade, parte I



HONRA, LEI E VALORES SÓCIO-CULTURAIS

O que para alguns é extremamente vergonhoso, para outros é necessário e salutar

Depois que os grupos humanos começaram a se organizar em sociedades, as suas chances de sobrevivência aumentaram muito. Depois de aprenderem a verbalizar palavras de modo oral e escrito, expressando assim seus sentimentos e ideias, ficou mais fácil então manter unidos por mais tempo indivíduos com propósitos semelhantes. A construção da civilização só foi possível quando leis foram introduzidas para policiar os indivíduos agrupados e gerir os recursos ou a falta destes gerado pelo aglomerado de pessoas compartilhando de um mesmo território.

Apesar de milhares de anos de evolução, alguns indivíduos da atualidade parecem ter nascido como se estivessem deslocados no tempo e no espaço, vivendo em um corpo de um homem moderno com uma mentalidade de um homem das cavernas ou do período medieval. Se unem em bandos para matar, roubar, estuprar, destruir ou se apropriarem dos bens produzidos por outras pessoas como isso fosse um pleno direito destes.

A ideia de que um dano causado a apenas um membro de uma sociedade pode desencadear uma série reação maléfica em cadeia é algo que esses não levam em conta. Querem mais do que os seus bolsos possam caber, seus estômagos possam digerir, ou sua luxúria pudesse consumir ainda que viessem a viver 2 mil anos seguidos num mesmo corpo. Na natureza, os animais “irracionais” usam apenas o que precisam para consumo diário ou familiar. Alguns indivíduos de nossa sociedade tentam a todo instante direcionar todos os recursos produzido pelo grupo em função própria, sem falar dos danos colaterais que causam para conseguir o que desejam.

Alguns fazem isso de modo aberto, declarado e intencional como predadores que se juntam para aumentar suas chances de abater uma vítima, outros porém o fazem de forma sorrateiro e meticuloso, valendo-se de suas posições sociais que ocupam e ainda assim sendo chamados de vários títulos honoríficos pagando de heróis quando na verdade não passam de vilões.

Na maioria dos casos a definição de um indivíduo que pode ser considerado como um grande marginal e outro que pode ser tratado como vossa excelência não estar basicamente em suas ações de construção ou desconstrução da ordem social e sim, na função que ocupa ou em um título conquistado. A exemplo do nosso atual estado político em que vivemos é possível cometer um prejuízo enorme ou desserviço a uma sociedade inteira, ser muito bem remunerado por isso e continuar ocupando uma cadeia de comando, e cometer o mesmo ato e ser duramente penalizado por tais ações. Nesses casos o que define um “mocinho” de um “bandido” não são os atos e sim os títulos.

Diferente dos predadores convencionais que a natureza produz para dirigir um bando ou ocupar cadeias de comando nas demais espécies animais, nossa sociedade produz predadores que se destacam não pela sua capacidade física e estratégica de caça, mas pela capacidade argumentativa para construir discursos de defesas surreais ao mesmo tempo em que constroem alianças com outros indivíduos da mesma índole que também ocupam posições sociais de destaques. Se pudéssemos medir o quesito honra nas espécies animais, muitos dos indivíduos que vivem entre nós teria que ser introduzido numa posição abaixo destes.

Será que muitos interpretam a capacidade de mentir, ludibriar e articular para o mal como sendo um traço positivo de nossa evolução? Considerando que a manutenção das leis baseia-a na ideia de que indivíduos confiam em regras preestabelecidas para se manterem unidos em sociedade, não seriam esses que cultivam capacidades acima citadas um tipo de ferrugem social? Apesar de serem como ferrugens que corrói e destrói as estruturas, muitos desses se consideram com uma ponte, de cola super aderente que faz manter mais segura as estruturas sociais.

Não se pode esperar que indivíduos avessos a ordem social, escolham por si só a reparação dos danos causados a uma sociedade. Na maioria dos casos ações coercitivas de maior energia se fazem necessário para enquadrar os tais não importando sua posição social. Esperar que certos indivíduos que solapam as estruturas de uma sociedade façam juízo benéfico aos outros em suas ações, é o mesmo que entregar um piano e a Quinta Sinfonia de Beethoven a um suíno e esperar que essa bela melodia seja executada.

Muitos indivíduos ainda vivem avessos a ideia de sociedade ou pelo menos ao seu sentido, pouco ou nada fazendo para manutenção da mesma, exigindo muito sem nada dar em troca ou se aproveitando das brechas das leis, da diplomacia nas relações por pessoas civilizadas, da generosidade dos que tem boas intenções e da inércia causada por sistemas políticos e religiosos ultrapassados. Tais indivíduos agem como ancoras que servem para fazer com que grupos inteiros fiquem parados no tempo, ou até mesmo como uma alavanca de marcha ré, fazendo regredir as conquistas que por muitos esforços temos conseguido como um todo.

Conviver com milhares de indivíduo não é tarefa fácil. Viver na solidão é mais difícil ainda. O progresso da civilização acontece exatamente quando conseguimos aprimorar nossas relações por meio do verbo, e quando esse não surte efeito se faz necessário o uso das leis ou da força para que indivíduos que agem como bestas descontroladas venham ser domesticados de algum modo.

Para indivíduo civilizados um simples aviso de proibição pregado em uma porta ou um alerta por meio de sinais cognoscíveis por exemplo, já são capazes de fazer com que essa pessoa recue, mude seu comportamento, escolha outra opção ou se ponha em seu devido lugar. Outros porém, nem com a presença de um batalhão inteiro, a certeza de uma condenação judicial ou torturas físicas e psicológicas o fazem mudar de ideia ou de atitude no quesito respeitar a vida e a liberdade de outros. São como bestas indomáveis usando uma roupagem humana.

É um desafio conviver com esse tipo de gente. Indivíduos assim desencadeiam uma série de eventos que afetam os mais variados setores. Uma empresa inteira pode vir a falência e várias pessoas ficarem desempregadas por uma fraude cometida por alguém desse tipo enquanto pais ficam sem filhos e também filhos ficam sem pais todos os dias por gente assim.

Em uma cidade com 20 mil pessoas vivendo por exemplo, apenas dois ou três indivíduos que não respeita a vida ou nenhum tipo de leis estabelecidas já são capazes de manter em pleno funcionamento permanente policiais e viaturas nas ruas, advogados de acusação e defesa, juízes, promotores, corpo de bombeiros, médicos, fabricantes de armas, de entorpecentes, etc. Uma sociedade civil organizada perde muito tempo e recursos preciosos produzidos por outros cidadãos para manter funcionando as estruturas sociais que esses tentam desestabilizar.

Um falso moralismo baseado simplesmente no conceito vago de “amor cristão” ou de linhas de pensamento sem nexo por exemplo, fazem com que os rigores da não sejam aplicadas como deveria em certos casos. Preferimos em certos casos dizer que o quanto “amamos” uma pessoa jogando flores em seu caixão ou dizendo palavras bonitas eu seu funeral, vítimas de ações de meliantes, do que expressar esse mesmo amor extirpando do convívio social de uma vez por todas reincidentes confessos e conscientes que já se tornaram “clientes” dos mesmo policiais, dos mesmo juízes e dos mesmo carcereiros que nesse vai-e-vem de prender e soltar já se é conhecido quase que por completo todas as suas características físicas e psicológicas de tais indivíduos bem como onde, quando e de que modo eles costumam agir.

A sociedade cristã costuma dizer que somente deus pode matar e dar a vida a quem quer que seja, e que ninguém pode condenar outra pessoa a morte por maior que seja um crime cometido. Será que um marginal, estuprador, ou latrocina pensa do mesmo modo? Acho que não! Será que eles não condenam a morte diariamente várias pessoas? Será que eles exercem a função de policiais, juízes e deuses simultaneamente? Será que eles tem um código de lei próprio? Ou eles não são cristãos, ou eles não são sociedade! Acho que eles não merecem tanto “amor” assim. Se nenhuma vida vale mais que outra, a vida do que tira a vida de modo intencional não tem maior valor do que a vida de quem a perdeu.

Se queremos basear nossas ações de julgamento em supostos valores religiosos que podem ser interpretado de modo pessoal, me pergunto por que ainda usamos uma constituição como regra máster para dirigir todo um povo. Será que alguém conseguiria extirpar do próprio corpo um parasita lumbricoide apenas mostrando trechos da constituição para esse ser? Acredito que não! É uma questão de escolha! Ou ele te consome ou você o retira usando os meios necessários. Mostrar trechos da bíblia para carrapatos que infestam um cachorro tem tanto efeito quanto dizer para um leão faminto no meio de uma selva prestes a te devorar, que você é cristão e que só deus dá a vida e só deus pode tirar. Tente fazer isso e depois volte para contar a experiência!

Somente ações populares energéticas somadas a de magistrados que fazem uso do bom senso para fazer com que códigos de leis ultrapassados sejam corrigidos e um novo método seja usado para punir com efetividade reincidentes e “profissionais do crime”. Isso não envolve apenas o marginal que vive a bater carteira, vender entorpecentes e cometer pequenos delitos, pois em todas as classes os parasitas sociais estão a corromper as estruturas da civilização, inclusive nos três poderes que governam uma democracia. Em certos casos as leis já existem, basta só fazer funcionar!

A questão dos valores sociais aprendíveis e ensináveis é algo de extrema importância para um equilíbrio na convivência entre os povos. Algumas pessoas literalmente se transformam, quando tem a certeza de que não estão sendo vigiadas, mostrando que são pessoas de caráter duvidoso e que se não fosse pela força da lei seriam semelhantes a membros de uma alcateia. São os humanos que criam as leis para serem civilizados ou são as leis que nos tornam humanos? As leis como mecanismo de controle tem conseguido de certa forma manter nossa sociedade rumo ao processo evolutivo. O afrouxamento da mesma ou a interpretação individual delas para fins pessoais, podem promover o caos social.

Outros indivíduos porém, se não fosse pela ideia de um ser superior os vigiando o tempo inteiro, alguns assumidamente chegam a confessar que seriam o oposto do que são. Mas uma vez notamos algum tipo de lei, ainda que seja no campo da metafisica ou imaginaria como uma maneira de controlar pessoas que assumidamente confessam que agiriam como se fossem bestas descontroladas caso não fossem mantidas sob coação psicológica de um ser do inconsciente coletivo.

A promessa de castigo e recompensa difundida pelas crenças religiosas fazem com que de certa forma algumas pessoas usem máscaras o tempo inteiro. O ideal seria que as religiões incentivassem a busca pelo conhecimento próprio e melhoria nas relações com todos os povos aos invés de ficarem em ritos religiosos inúteis e desnecessários, adorando, enaltecendo e oferecendo dádivas a seres imateriais e completos que de nada precisam. Pelo menos 170 milhões de pessoas em nosso país por exemplo, passam anos e anos de suas vidas desenvolvendo técnicas de relacionamento com seres surreais que foram criados pela religião, enquanto poderiam gastar o mesmo tempo e recurso financeiro para melhorar suas relações pessoais no intuito de fortalecer o conceito de civilização. Disso depende nossa Ascenção coletiva!

Por incrível que pareça, depois de tantos anos de evolução, ainda vivemos rodeados de “monstros”. Em algumas outras ocasiões nós mesmo podemos ser comparados a eles. Para vivermos em sociedade o limite de um indivíduo começa quando o do outro termina e muitos não queram entender isso ainda e vivem apenas como se possuíssem apenas direitos sem a obrigação dos deveres. Uma greve de policiais ou um leve afrouxamento das leis é o suficiente para demonstrar o quanto ainda existe indivíduos que poderiam ser considerado como verdadeiros animais vivendo entre nós. Tais indivíduos são capazes de roubar, matar, estuprar, vandalizar ou destruir o que quer que seja se tiverem a certeza de que não serão punidos. Outros porém acreditam que entre dar um prejuízo a alguém e levar um prejuízo preferem a segunda opção.

Como exemplo dessa bestialidade causada pelo oportunismo e má interpretação da lei, um meliante juvenil de apenas 14 anos portando uma arma, se sente o rei da floresta quando consegue render 10 ou 20 pessoas em uma loja e tomar todos os seus pertences enquanto profere palavras de insultos e humilhações aos que estão rendidos. Sua sanidade é recobrada imediatamente quando alguém preparado entre os reféns consegue desarmá-lo com facilidade e subjuga-lo com rapidez. Então, esse mesmo indivíduo que antes se portava como um rei leão agora passa a se comportar como um indefeso gatinho! Toda a fúria, toda a ira, toda a capacidade argumentativa esvaiu-se deste como se fosse um pneu furado sem condições de rodar. Isso acontece todos os dias em quase todos os cantos do planeta. Policiais que o digam.

O chamado para o caos é prontamente obedecido por boa parte dos indivíduos. Desde tomar um doce de uma criança indefesa a um atentado terrorista de grandes proporções. Cada uma dessas criaturas recebem o “chamado” e se junta ao bando. Para construir, argumentar, defender e proteger o interesses sociais a resposta é mais lenta. A maioria balança conforme as ondas e pode pender para o lado que tiver mais adeptos.

A maneira mais fácil e menos dolorosa de fugir da complexa possibilidade de respostas mediante sérios e longos estudos feitos para entender o comportamento humano é dizer que tudo foi criado por deus, incluindo o mal. Mas depois ele mesmo deixou o mal para o capeta, seu assistente e parceiro de longas datas e ficou encarregado de tratar apenas com pessoas boazinhas e subservientes a todo tipo de capricho indicada pelos representantes desse mesmo deus. Outra forma inutilmente abobalhada de dar respostas para os problemas sociais é dizer que tudo que de ruim acontece nesse mundo é sinal da volta de Jesus e que nada podemos fazer para mudar isso. Nesse ponto o grau de insanidade chega a beirar o grau de bestialidade de outros acima citado.

Já moramos nas savanas, nas geleiras, nos desertos, em regiões alagadas e tivemos comportamentos diversos, ora nos protegendo, ora nos destruindo. Agora residimos em grandes centros urbanos onde os recursos básicos para nossa sobrevivência estão acumulados em pequenos estabelecimentos comerciais. Isso parece fazer aumentar a tensão nas diversas relações entre os indivíduos. O medo da escassez e do desconhecido nos acompanha sempre.

Há recursos porém em abundância no planeta capaz de suprir o dobro da população que hoje temos por mais de 200 anos seguidos. Os que controlam os veículos de comunicações desejam que pensemos de modo oposto a isso, pois os tais também administram a distribuição dos tais recursos para fins puramente comerciais e de controle das massas. A maior parte dos meios de produção e dos bens produzidos ainda é possuída e controlada por um punhado pequeno de pessoas no mundo inteiro. Isso também é um entrave que precisa ser superado para que nossa civilização prospere.

A cultura do medo, da desgraça, da miséria, do castigo-recompensa e da subserviência incondicional é amplamente difundida por meio das propagandas políticas, religiosas e comerciais, ainda que de modo indireto. Nos ensinam mantermos relações de submissão incondicionais e idolatria a pessoas iguais a nós, a encararmos todo tipo de abuso como se fosse um direito adquirido pelo abusador após passar em um concurso ou ser promovido a algum cargo como se isso fosse um estilo saudável de viver.

Enquanto não enxergamos a nós mesmos e a outros como peças igualmente importantes de um mesmo mecanismo no funcionamento das engrenagens sociais, iremos continuar paparicando, temendo ou bajulando líderes políticos e religiosos bem como “celebridades” para conseguirmos que queremos. Relações corruptas geram resultados corrompidos. Esse nível de mentalidade deve ser absolvido por aqueles que defendem os pais por meio das armas, das leis e do voto. Todos somos iguais perante a lei, esse é um dos pontos Áureos de nossa constituição. O respeito nas relações não enfraquecem as hierarquias de comando, antes sim as fortalece. Subjugar, ludibriar ou explorar o outro por uma função social ocupada é coisa de quem anda avesso a ideia de sociedade.

CONTINUA...Aguardem a parte 2 desse texto.

Texto escrito em 1/1/2018 e corrigido em 3/1/18

*Antônio F. Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Teoria Científica




No pensamento científico, os factos são superiores às ideias, pois os factos podem destruir ou falsear as ideias. É por isso que as teorias científicas se constituem a partir de hipóteses testáveis e falseáveis, havendo sempre a hipótese de que um novo facto venha a deitar abaixo toda a teoria.

De modo que as teorias científicas JAMAIS são provadas pois é impossível garantir que não irá aparecer um novo facto que venha a contradizer algumas das suas ideias que são válidas até essa altura. Algumas teorias estão tão bem corroboradas por uma quantidade tão grande de factos, que é pouco provável que se consiga conceber que as ideias sejam falseadas. Mas há sempre essa possibilidade. 

Segundo a definição moderna de teoria científica, não existe teoria científica, nem uma sequer, provada. Por exemplo, a teoria da gravidade foi já provada? A teoria da gravidade não é apenas constituída pelas evidências empíricas observadas e verificadas, contudo não teorias sem ideias que a descrevam e expliquem os fatos. A teoria da gravidade não se encontra provada ao verificar-se a evolução histórica da mesma, havendo uma grande discrepância na área ideológica.

Nunca se deve esquecer que:
- Opiniões pessoais NÃO constituem factos numa teoria científica.
- Crença NÃO constitui facto numa teoria científica.
- Uma teoria, apesar de ser falseável, NÃO é algo de duvidoso, descartável ou incorreta. 
- Uma teoria científica NÃO é uma crença, pois não é para ser acreditada.

Teorias e Leis, segundo a Ciência, são definidas por conceitos diferentes de naturezas diferentes.
- As leis são hipóteses científicas com uma enorme área de validade, exaustivamente confrontadas contra um número enorme de factos, mas continuando a serem hipóteses com um "título honorífico".
- Uma teoria científica é definida por um conceito mais alargado que usa o conceito de hipótese científica e em consequência, do conceito de lei para se estabelecer, mas não se define apenas frente aos mesmos.

Uma teoria científica NÃO É uma facto, ou que se transforma em facto! Uma teoria jamais será uma expressão perfeita da realidade, mas sim um modelo pelo qual a realidade conhecida pode ser descrita, compreendida e pelo qual a realidade ainda por conhecer pode ser estimulada a der descoberta.