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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Quando os judeus tinham crença noutros deuses




A Bíblia está repleta de referências a outras divindades além de Yahweh: os profetas não negaram a existência desses deuses, eles simplesmente não achavam que os judeus deveriam adorá-los.

Existe apenas um Deus, de acordo com o dogma religioso judaico. Não existe outro. Tendemos a supor que nossos antepassados ​​devotadamente acreditavam no mesmo. Mas a verdade é que a Bíblia também mostra, repetidas vezes, que esse não era o sistema de crença predominante entre os antigos israelitas.

Os diferentes escribas que escreveram a maior parte do cânon bíblico acreditavam que o mundo incorpóreo era povoado por uma multidão de deuses, mas que os hebreus não deviam adorar nenhuma dessas outras divindades, apenas Yahweh. Isto é explicitamente declarado no segundo Mandamento: "Não terás outros deuses além de mim" (Êxodo 20: 3).

O versículo "Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti?"(Êxodo 15:11), é ainda mais explícito sobre outros deuses que existem junto com Yahweh.

Entre os livros da Bíblia, encontramos referências a muitos outros deuses, às vezes com referências explícitas aos milagres realizados por eles. Esses deuses geralmente são membros do panteão dos deuses semitas ocidentais, aqueles adorados por pessoas que falam línguas intimamente relacionadas ao hebraico.

Sem dúvida o mais importante desses deuses foi Ba'al ("mestre"), que é mencionado cerca de 90 vezes na Bíblia. Ba'al era um título honorífico do deus Hadad, da mesma maneira que "Adonai" ("meu mestre") é um título honorífico para o Senhor.



Obviamente, Ba'al não é o único deus do panteão semítico ocidental a ser mencionado na Bíblia. O pai de Ba'al, Dagon, o deus da colheita, também aparece, novamente em histórias destinadas a mostrar a superioridade de Yahweh sobre ele.

Em 1 Samuel, capítulo 5, somos informados de que, depois que os filisteus capturaram a Arca da Aliança, eles a levaram ao Templo de Dagon em Ashdod. Mas isso resultou na destruição milagrosa de sua estátua de culto. Yahweh vence novamente.

O pai de Dagon era El, o chefe do panteão semita ocidental. O nome Israel mostra que El era originalmente o deus tutelar de Israel (está bem ali no nome!), Mas com o tempo, Yahweh tomou o lugar de El: “Quando o Altíssimo (El Elyon) dividiu a herança entre as nações, quando separou os filhos de Adão, estabeleceu os limites do povo de acordo com o número dos filhos de Israel. Pois a porção do Senhor (Yahweh) é o seu povo; Jacó é a herança de sua herança”(Deuteronômio 32: 8-9).

Neste texto antigo, podemos ver que El e Yahweh ainda eram vistos como duas divindades separadas, com Yahweh subordinado a El. Mas, com o passar do tempo, El e Yahweh se combinaram: as duas divindades começaram a ser vistas como a mesma.

Em Êxodo 6:3, Deus diz a Moisés: "Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, pelo nome de Deus Todo-Poderoso (El Elyon), mas pelo meu nome Jeová não lhes era conhecido". Assim, os antigos só conheciam Deus como El, mas, com o passar do tempo, descobriram que El era apenas outro nome de Javé.

El tinha um consorte, a deusa Asherah, e quando Yahweh tomou o lugar de El, Asherah se tornou consorte de Yahweh. É-nos dito que a Asherah foi adorada no templo mais antigo de Jerusalém - não explicitamente, mas nos disseram definitivamente que os símbolos dela foram removidos do templo, então eles precisavam estar lá em primeiro lugar (1 Reis 15:13 e 2 Reis 23:14).

Foi apenas no final do período do Primeiro Templo, durante o reinado do rei Josias (a segunda metade do século 7 a.C.) que os objetos de culto de Asherah foram retirados do templo de maneira bastante dramática. Há várias referências às reformas monoteístas de Josias, como: "Josias despedaçou as colunas sagradas, derrubou os postes sagrados e cobriu os locais com ossos humanos." (2 Reis 23:14, Nova Versão Internacional)

Na verdade, El era o pai de muitos deuses além de Dagon, vários dos quais foram explicitamente mencionados na Bíblia.

Mot, a personificação da morte, é descrito em várias passagens como uma divindade. Diz-se que em Jó 18:13 ele tem um filho, e em Habacuque 2:5 nos dizem que ele abre bem a boca e engole almas.

Outro filho de El era o próprio mar, chamado Yam (a palavra ugarit e hebraica para "mar"), embora a Bíblia chame o deus "Raabe". Por exemplo, Jó 26:12 diz que Deus "divide o mar com seu poder, e pelo seu entendimento ele fere Raabe." Lendas de um deus da tempestade, como Ba'al, derrotando o mar são muito comuns no antigo Oriente Próximo.

O sol e a lua, o amanhecer e o anoitecer, assim como outros fenômenos naturais, também foram deificados nas antigas religiões semíticas do Ocidente e provavelmente no antigo Israel também, embora isso seja menos aparente na Bíblia.

É provável que Beit Shemesh tenha sido um centro de adoração ao sol, já que o nome do lugar significa literalmente "Casa do Sol". Jericó provavelmente foi em algum momento um centro para a adoração à lua. O nome da cidade em hebraico é "Yerikho"; e a palavra hebraica para lua é Yarekh, que outras línguas semíticas ocidentais usam como o nome do deus da lua.

A Bíblia se refere ao sol e à lua, é claro, geralmente mostrando que Deus tem total controle sobre eles, como é quando ele os pára no céu (Josué 10:13), mas não se refere a eles explicitamente como divindades personificadas.

No entanto, os antigos hebreus os adoravam claramente, como os outros semitas ocidentais. Ezequiel (8:16) relata ter visto pessoas adorando o sol no templo. Podemos inferir isso porque a Bíblia condena especificamente sua adoração, e somos informados de que Josias tomou medidas para impedir o culto no final do período do Primeiro Templo, na segunda metade do século VII AEC. Essas ações incluíam a remoção de objetos de culto do próprio templo (2 Reis 23:11).

A Bíblia também conta que os antigos hebreus adoravam um deus chamado Moloch, que estava associado aos amonitas e ao sacrifício de crianças. Este culto também foi marcado por Josias na mesma reforma (por exemplo, 2 Reis 23:10).

Os livros históricos da Bíblia foram escritos por um grupo “adeptos de Yahweh” e, portanto, são profundamente críticos da adoração de outros deuses em Judá. Ainda assim, é claro pela descrição deles que o politeísmo era a norma no período do Primeiro Templo. Foi somente durante a reforma do rei Josiah que o "único partido de Yahweh" realmente assumiu o controle e começou a tirar outros deuses da mente da Judeia.

Mas note que eles não alegaram que outros deuses não existiam. Eles apenas declararam que sua adoração era proibida por Yahweh, ou como diz Êxodo 34:14: "Pois não adorarás outro deus: porque o Senhor, cujo nome é ciumento, é um Deus ciumento".

Aparentemente, foi apenas durante o exílio babilônico (cerca de 586 aC a 500 aC) e o período seguinte do Segundo Templo (500 aC a 70 dC), que o judaísmo progrediu da crença de que Yahweh é o único deus que deveria ser adorado, à crença que ele é o único deus que existe. Ou seja, nasceu o monoteísmo.


Autoria de Elon Gilad, Colaborador do Haaretz

terça-feira, 3 de julho de 2018

Matadouros judaicos




No início,a teologia, a mitologia e a liturgia de religiões como o Judaísmo, o Cristianismo e o Hinduísmo centravam-se nas relações entre os humanos, as plantas domesticadas e os animais de criação.

Por exemplo, o Judaísmo bíblico que vigorou até o ano 70 AEC, quando os romanos destruíram o templo de Jerusalém, era dirigido a camponeses e pastores. A maior parte dos seus mandamentos estava relacionada com a agricultura e a vida na aldeia e as suas principais celebrações eram as festas por altura das colheitas. Hoje, as pessoas pensam no templo de Jerusalém como uma grande sinagoga onde os sacerdotes envergando túnicas brancas de um branco imaculado, acolhiam os peregrinos devotos, na qual coros entoavam salmos e o perfume do incenso se espalhava pelo ar.

Na verdade, era mais uma espécie de cruzamento entre um matadouro e uma churrasqueira. Os peregrinos não chegavam de mãos vazias. Traziam com eles filas infindáveis de ovelhas, cabras, galinhas e outros animais, que eram sacrificados no altar divino e posteriormente cozinhados e comidos. Os coros de salmistas mal se ouviam no meio dos mugidos e balidos de bezerros e cabritos. Os sacerdotes com as vestes manchadas de sangue degolavam as vítimas, recolhiam o sangue a jorrar para recipientes e aspergiam-no sobre o altar. O odor a incenso misturava-se com o cheiro de sangue coagulado e da carne assada enquanto enxames de moscas zumbiam um pouco por todo o lado (ver, como exemplo, Números 28, Deuteronómio 12 e I Samuel 2). 

Uma moderna família judaica que festeje um feriado religioso com um churrasco no quintal está muito mais perto do espírito dos templos bíblicos do que uma família ortodoxa que passe o tempo a estudar as escrituras numa sinagoga.


Excerto de Homo Deus, de Yuval Noah Harari

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Estorinhas bíblicas - O profeta Ezequiel



Eu adoro as estorinhas bíblicas.

Hoje vamos aumentar um pouco mais o nosso conhecimento sobre Yahweh e um de seus profetas mais destacados: Ezequiel.

Conforme narra o livro que leva seu nome, Ezequiel era um sacerdote judeu que viveu durante o século 6 AEC, exatamente na época em que Nabucodonosor, o soberano do Império Babilônico havia conquistado o Reino de Judá, obrigando o rei a se submeter a seu controle e levando cativos vários nobres e sacerdotes judeus, entre eles, Ezequiel.

Pois estava lá Ezequiel tentando extrair o melhor da droga de vida de um cativo judeu em país estrangeiro, quando ele foi convocado para profetizar contra os judeus. Acontece que durante o exílio, rolava entre os judeus esse papo de que apesar de Jerusalém agora ser uma província babilônica e o rei de Judá ser uma p***nha do Nabucodonosor, que o povo iria se revoltar, lutar contra os babilônios e reconquistar sua glória anterior. Igualzinho torcedor de time que foi rebaixado para a série B.

Tá, então estavam lá os judeus todos reunidos nos seus barzinhos e rodas de conversa comentando que nunca Yahweh iria premitir que uma nação estrangeira pisasse no seu povo especial. Sim, porque no judaísmo, existe essa crença imbecil de que os descendentes de Jacó, um dos filhos de Isaque, e neto de Abraão, são uma espécie de "povo escolhido", "propriedade especial" e "nação santa". Pensa que eu estou brincando? Está lá na p***a da Bíblia hebraica, em Deuteronômio 14:2. Não, não foi Hitler quem inventou essa ideia burra de "povo escolhido", "povo especial", "nós somos tão fodões", e outras imbecilidades nacionalistas. A diferença é que enquanto a doutrina nazista foi exposta como uma grande pilha fumegante de fezes, os judeus até hoje continuam afirmando serem povo escolhido e usam essa crença para expulsar gente de terras que eles creem que pertencem a eles por causa de uma promessa feita por uma divindade em sonhos a um antepassado deles que vivia no deserto a mais de 3800 anos atrás. Sim, isso soa tão imbecil para mim quanto para quem lê essa m***as, mas religiões tem o poder de desligar o sentido do olfato, que impede sentir o cheiro dessa disenteria que os judeus pregam a tantos séculos e que os cristãos pegaram emprestado e esqueceram de devolver (1 Pedro 2:9).

OK, voltando aos tempos de Ezequiel. Pois bem, enquanto estavam pipocando profetas e supostos profestas dizendo que deus iria lutar por seu povo e retornar Jerusalém à sua glória anterior, Yahweh tinha outro plano na sua cabeça perturbada. Acontece que ele estava p**o, mas muito p**o com seu povo escolhido por eles serem uns tremendos babacas e queimarem bichos e incenso para outros deuses ao invés de queimar exclusivamente para ele. Sim, porque Yahweh é ciumento pra c*****o e não gosta de dividir nem o cheiro das coisas. A-ha, você deve estar pensando que essa é uma hipérbole que eu inventei, não é, meu caro leitor? Pois leia isso aqui: Êxodo 30:31-33. "E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro de semelhante composição; santo é, e será santo para vós. O HOMEM QUE COMPUSER UM PERFUME COMO ESTE, OU DELE PUSER SOBRE UM ESTRANHO, SERÁ EXTIRPADO DO SEU POVO. E também Êxodo 30: 37,38: Porém o incenso que fareis conforme essa composição, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor.

O HOMEM QUE FIZER TAL COMO ESTE PARA CHEIRAR, SERÁ EXTIRPADO DO SEU POVO.

É isso mesmo, Yahweh não gosta de dividir nem o cheiro de incenso e azeite, quanto mais a carne queimada , a gordura e o cheiro do sangue dos bichinhos que ele manda matar e queimar para ele TODOS OS DIAS, como uma espécie de multa para que os pecados do povo fossem perdoados.

Imagina só que um deus tão paranoico e fanático por odor de sangue, carne e gordura queimadas, estava zangado com seu povo e agora esse povo estava falando que deus estava de boas novamente com eles? Para esclarecer esse mal-entendido e avisar o povão que ele ainda estava putasso, Yahweh convocou Ezequiel para avisar o povo que era para eles baixarem a bolinha que a batata deles ainda estava assando. Então lá se foi Ezequiel profetizar a mensagens que deus queria transmitir ao povo.

Certo, por onde vamos começar? Bem, lendo o livros de Êxodo, em que deus convocou Moisés para avisar o Faraó sobre suas intenções, além de um arbusto pegando fogo, ele usou uns truquezinhos bem maneiros, tipo, bastões virando serpentes, mas foram as dez pragas que mostraram todo o poder de "persuasão" de Yahweh: transformou o Nilo em sangue, fez o Egito ficar escuro por 3 dias e até matou os primogênitos só para mostrar que ele não estava mais para conversa. Que tipo de sinal o deus fodão dos judeus iria mandar por meio de seu profeta para avisar o povo de suas má conduta? Será que ele iria provocar hemorróidas nas pessoas ou talvez conclamar um monte de serpentes venenosas para afligir o povo, ou quem sabe causar um fenômeno atmosférico de grandes proporções?

Que tal uma maquete bem mal-feita de Jerusalém...
...

Não, não é piada, ele mandou o profeta Ezequiel fazer uma maquetinha improvisada de Jerusalém. Ao invés de fazer uma daquelas maquetes da hora que a gente vê nos museus ou mesmo nas feiras de ciências de colegial, Ezequiel pegou um tijolo, escreveu "Jerusalém" no tijolo e... é isso! (Ezequiel 4:1)

... (eu vou voltar a usar esse três pontinhos mais adiante, vocês vão ver)

Daí depois de fazer essa "magnífica" maquete representando Jerusalém, deus mandou Ezequiel brincar de fazer cerco a ela. Não, sem brincadeira, ou melhor dizendo, com brincadeira, ele mandou o profeta brincar de Forte Apache com o Jerusalém (Ezequiel 4:2,3).

Agora imaginem que vocês são judeus, e aparece esse cara chamado Ezequiel dizendo que é profeta de deus, e daí que para transmitir a mensagem de que Jerusalém seria sitiada pelos babilônios, ele começa a simular "Clash of Clans" (aquele joguinho de smartphone) no chão, em volta de um tijolo escrito "Jerusalém". Imagine o profeta agachado lá no chão e colocando um monte de miniaturas representando armas de cerco, tropas, barracas e trincheiras ao redor...

Uhhh... Yahweh, isso certamente vai mostrar a eles que você está falando SÉRIO!!!

E não apenas isso, como se já não bastasse o fato de Ezequiel ser uma piada pronta por ficar agachado no chão brincando de soldadinhos, Yahweh ainda mandou ele apontar o dedo para o tijolo e falar contra ele! (Ezequiel 4:7).

Algumas pessoas pensam que Yahweh deve ter sérios problemas psiquiátricos, ou então não tem a menor noção de como funciona a psique humana. Sério Yahweh? Sua estratégia para mandar uma mensagem ao povo dizendo para eles que Jerusalém iria ser enrrabada pelos babilônios novamente é mandar um cara brincar com uma maquetinha feita nas coxas?

Depois de ter que sofrer essa humilhação pública, Yahweh deve ter pensado que Ezequiel ainda não estava sofrendo m***a suficiente e resolveu colocar mais m***a ainda para ele.

Como Jerusalém sofreria nas mãos dos babilônios por 40 anos, Yahweh mandou Ezequiel ficar deitado sobre o seu lado esquerdo por 390 dias e sobre seu lado direito por 40 dias, com o braço amarrado. Daí que ele deveria usar seu braço livre e apontar para o tijolinho com o dedo e exclamar mais profecias contra Jerusalém.

Acho que todos aqui concordam que isso parece bem idiota e nada intuitivo. Acontece que os profetas judeus sempre tiveram essa fama de serem doidos varridos. Em Samuel 19:24, o relato diz que o rei Saul tirou a roupa e ficou nuzinho em pelo na frente de Samuel, e que por isso o povo começou a perguntar se ele também estaria entre os profetas, porque aparentemente ser profeta significava que o cara não batia muito bem da bola.

Tá, tá, nós entendemos, que Jerusalém iria sofrer um cerco e que o seria capturada por 40 anos segundo o número de anos dos pecados dela. Mensagem recebida. Mas... Yahweh, o sádico e amante de sofrimento humano, achou que deveria representar com um pouco mais de... vivacidade, de... realismo, a aflição que o povo iria passar durante o cerco. Caso alguém aqui não esteja familiarizado com táticas de cerco, deixem-me explicar algumas coisas. Quando um exército inimigo cerca uma cidade murada, eles acampam ao redor e não deixam nada e nem ninguém entrar ou sair, para que os de dentro da muralha sofram com escassez de alimentos, medicamentos e água, e sua força física e moral decaia e eles percam poder de combate. Isso pode forçar ou a uma rendição, incitar revoltas contra o rei, ou facilitar uma invasão uma vez que os soldados estarão fracos e debilitados para resistir. Durante um cerco, já foram relatados pessoas devorando cavalos, cachorros e ratos, bebendo água de esgoto e até a própria urina, e até mesmo casos extremos envolvendo canibalismo. Enfim, um cerco é um pesadelo vivo!

Para demonstrar isso, deus mandou que durante esses 390 dias, Ezequiel preparasse e comesse apenas o equivalente a 300 gramas de pão (20 siclos) por dia, e bebesse apenas cerca de 600 ml de água por dia (sexta parte de um him). Isso já ultrapassa a fronteira do ridículo e começa a entrar no território do abusivo. Mas abusar das pessoas é apenas uma coisa que deus faz normalmente na Bíblia. Ou talvez ele estivesse se divertindo um pouco às custas de seu servo, como ele fez com Jó ou com Jonas, por exemplo!

Contudo, meus caros, Yahweh ainda estava reservando mais m***a para seu fiel profeta Ezequiel, como reconhecimento por sua obediência. Por isso, ele guardou o melhor para o final. Ezequiel 4: 12,13: "E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o ESTERCO QUE SAI DO HOMEM, diante dos olhos deles. E disse o Senhor: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre os gentios para onde os lançarei."

...

HOLY SHIT!

...

Não, você não leu errado! Deus mandou que seu fiel profeta Ezequiel cozinhasse o pão utilizando fezes humanas! Dejetos humanos! Cocô de gente! Boa sorte coletando e cozinhando a sua comida em cima de cocô numa época em que não havia água tratada, detergente, desinfetante, antibióticos... Será que ele queria matar o seu profeta de cólera ou de disenteria, ou sabe-se lá que doenças tenebrosas as fezes humanas daquela época transmitiam? Afff... Yahweh, como se não bastassem as merdas que você obriga seus servos a ouvir, dessa vez ainda quer obrigá-los a literalmente a comer seu pão em cima de uma troça? Vou refletir sobre isso da próxima vez que eu ler um comentário bem idiota e pensar "Será que esse cara andou comendo b***a?"

E lembrem-se de que Ezequiel deveria comer uma dieta pobre em nutrientes e em quantidade reduzida por mais de uma ano, fazendo com que além de ficar com o organismo debilitado, ainda estivesse exposto a doenças de transmissao oral-fecal. Deus queria matar esse cara, não é possível!Esse seria o momento perfeito para Ezequiel mandar um grande f***-se para o Yahweh. P**a m***a (literalmente), depois ainda vem achar ruim que os judeus começaram a servir outros deuses? p***a os caras estavam atrás de um deus que não os obrigasse a comer pão com fezes!!!

Mas como Ezequiel era uma ovelhinha do Senhor, ele apenas suplicou humildemente que deus o poupasse de tamanha contaminação com dejetos humanos (Ezequiel 4:14). E deus ouviu a súplica de Ezequiel e mudou de ideia! Ah que bom, pelo menos um lance de misericórdia da parte de deus e poupar Ezequiel de ter que literalmente comer em cima de excremento, né não?

- Deus: "Eita, tá bom divo! Não suporta um cocozinho não, então toma aí b***a de vaca mesmo, e bom apetite, florzinha!" (Ezequiel 4:15)

Texto de Israel Gonçalves.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A verdade sobre o dízimo




Dízimo não é prática cristã

1- Dízimo era COMIDA na Lei ( Levítico 27:30-32 ).
Só é dinheiro quando levar comida era impossível. Este dinheiro era revertido para aquilo que desejava o seu coração.
Carne, vinho, bebida alcoólica ou qualquer coisa que se queira comer. Porém, sem se esquecer dos Levitas ( Deuteronómio 14:24-27 ).

2- Dízimo era uma prática de igualdade social para SUSTENTAR OS LEVITAS, pois eles FICARAM SEM PARTE na "terra prometida" ( Deuteronómio 14:27; Números 18:21 ).

3- Além dos levitas só as:
- viúvas
- pobres
- estrangeiros
podiam RECEBER O ALIMENTO ( Deuteronómio 26:12 ).

4- Só os SACERDOTES LEVITAS podiam manusear e receber o dízimo do Templo ( 1 Crónicas 15:2 ).

Se você não for um hebreu da tribo de Levi e sacerdote do Templo ( não é qualquer levita, é ser SACERDOTE LEVITA ), você não pode RECEBER o dízimo.

5- O mandamento era, LEVAR O DÍZIMO à Casa do Tesouro ( Malaquias 3:10 ).
CASA DO TESOURO era uma ante-sala, que ficava no Templo, em Jerusalém, perto do altar.

Portanto, o dízimo era para ser entregue, lá no Templo em Israel, para um sacerdote levita. Para ele distribuir aos:

- órfãos
- viúvas
- pobres
- e estrangeiros

Nunca, jamais, o dízimo foi para:

a) Pagar salário do pastor
b) Comprar carro ou avião para o pastor
c) Doar apenas meio quilo de arroz ou meio litro de óleo aos seus seguidores e terceiros.

Quem diz isso ( e faz ) é MENTIROSO.

O ( suposto ) pastor não é, e jamais será, sacerdote Levita. Dizer que é levita porque se sente levita, é como a ideologia do género:

"Mulher não nasce mulher tornando-se mulher.

É ABSURDO !!!

Então como aceitar alguém que não é hebreu e dizer que é levita ?!?
E quem disse que uma igreja da esquina é Casa do Tesouro ?!?
A Casa do Tesouro é UMA SÓ, e está em Jerusalém.


Texto de Egas Santana
Ateu africano - 2018

terça-feira, 1 de maio de 2018

O origem de Deus




Mais da metade dos seres humanos do planeta acredita num mesmo deus único, o Deus com maiúscula dos cristãos, judeus e islâmicos. Mas esse deus tem uma origem e uma história.

Shemá Israel. Adonai Eloheinu, Adonai Echad
("Ouve, Israel. O Senhor é nosso Deus. O Senhor é um.")

Assim começa o Shemá, a reza mais importante do judaísmo. Ao repeti-la duas vezes ao dia, os judeus professam sua fé exclusiva em Yahweh, deus único, onipotente, onisciente. Esse é o deus mais popular do mundo: entre cristãos, judeus e islâmicos, 3,6 bilhões de pessoas professam uma das versões do culto a Yahweh, mais de metade de todos os seres humanos. Qual é a origem desse Deus com maiúscula, que dominou meio mundo? E de onde surgiu essa ideia que há apenas um deus, ao contrário do que quase todos os povos acreditaram durante a História?

Segundo a Bíblia (e o Alcorão), é simples: Deus existe, e só ele. Yahweh reinou desde sempre, tendo contato direto com os primeiros homens, de Adão até Noé, quando o Dilúvio matou toda a humanidade menos sua família. Depois de Noé, seus filhos se dividiram para repovoar o mundo e os povos passaram a cultuar outros deuses, erroneamente. Há cerca de 4 mil anos, Deus se revelou a Abrão, um sumério da cidade de Ur (no atual Iraque), que mudou o nome para Abraão. Após milênios de desventuras, incluindo um período de escravidão no Egito, que termina com as sete pragas de Moisés contra os egípcios, os descendentes de Abraão conquistaram um pedaço de Canaã e fizeram dele sua pátria. Desde Abraão até hoje, os hebreus seguem o mesmo deus.

Fenícios e hebreus

Canaã era um território que correspondia às terras de Israel, Palestina, Líbano, Jordânia e Síria. Os cananeus se dividiam em pequenos reinos, como Moab, Amon e Edom, e cidades-estado, como Tiro, Sidon e Biblos - os habitantes dessas últimas ganharam dos gregos o apelido de "fenícios" e fundaram um império. Cananeus falavam línguas semíticas muito próximas, usavam o mesmo alfabeto e cultuavam mais ou menos os mesmos deuses. Cercados por todos os lados de pagãos cananeus, falando quase a mesma língua e usando o mesmo alfabeto, mesmas roupas e mesmos utensílios, viviam os hebreus, no Reino de Israel - que, no entanto, não se consideravam cananeus. Ou ao menos não se consideravam na época em que a Tanakh (o Velho Testamento) foi escrita, entre os séculos 6 e 5 a.C., contando sua origem estrangeira.

Essa migração não foi confirmada pela arqueologia. Não há evidências de uma grande colonização estrangeira na região. Não há menção egípcia ao cativeiro dos hebreus. As campanhas militares do final da Era do Bronze tinham outros protagonistas: os egípcios, que tratavam a região como seu quintal, e os povos do mar (veja mais na página 48), que a invadiram pelo norte. Em 1400 a.C., quando Josué teria conquistado Jericó, a cidade estava deserta havia 150 anos.

Em outras palavras, os hebreus não eram inimigos dos cananeus. Eles eram cananeus. "O crescente consenso entre os arqueólogos é que, no início, a maioria dos israelitas era cananeu", diz Robert Gnuse, professor de Velho Testamento na Universidade de Loyola, EUA. "Aos poucos, as pessoas que desenvolveram uma identidade israelita tenderam a viver no alto das colinas de Canaã. Já as que mantiveram a identidade canaanita habitavam as planícies."

Deus e sua esposa

A Bíblia narra a história dos hebreus como a imposição de um deus estrangeiro a pagãos canaanitas. "Graças ao relato bíblico, o monoteísmo da antiga Israel tem sido considerado uma revolução contra o pensamento religioso de seus vizinhos", diz Mark S. Smith, professor de Estudos Bíblicos na Universidade de Nova York, no livro The Origins of Biblical Monotheism (As Origens do Monoteísmo Bíblico, inédito no Brasil). "Porém, estudos mais recentes têm buscado situar a história bíblica do monoteísmo em seu contexto cultural mais amplo", isto é, o contexto do politeísmo canaanita.

Textos e artefatos encontrados em Ugarit (atual Ras Shamra, na Síria), datados dos séculos 15 a 12 a.C., indicam que os hebreus cultuavam o panteão de deuses cananeus. "As quatro camadas da sociedade humana - rei, nobres, camponeses e escravos - eram espelhadas em quatro camadas de divindades", diz o historiador canadense K. L. Noll no artigo Canaanite Religion ("Religião Cananita"). O topo do panteão era ocupado por um deus chefe, El, e por sua esposa, Asherah. Abaixo vinham os deuses cósmicos, como Baal e Anath, que controlavam a tempestade, a fertilidade e outros aspectos naturais. Na terceira camada vinham os deuses que auxiliavam na vida diária das pessoas, como Kothar-wa-Khasis, o deus da habilidade. Por fim os mensageiros, que não eram mencionados por nome.

Essa hierarquia de deuses é chamada de henoteísmo (ou monolatria). "Há uma distância muito curta entre essa noção henoteísta e a ideia monoteísta, ou seja, a de que um deus é realmente Deus e quaisquer outros seres sobrenaturais são criaturas insignificantes sob seu comando", diz Noll. "A religião da Bíblia deu esse passo." Entre os hebreus, os deuses das duas camadas intermediárias foram eliminados, restando apenas o deus-chefe e os mensageiros. "Anjo" vem do grego angelos, tradução para o hebraico malak, "mensageiro".

El, o deus-chefe cananeu, é um dos nomes de Deus na Bíblia, geralmente com um adjetivo, como El Shaddai, "deus todo poderoso" ou Elohim, "deus dos deuses". O nome Yahweh, por sua vez, não aparece em textos de outros cananeus. A primeira menção a Yahweh é em inscrições egípcias do século 14 a.C., que se referem aos "nômades de Yahweh" e o associam com pessoas que viviam em Edom - não nas terras dos hebreus, mas um pouco mais ao sul.

O Velho Testamento parece sugerir uma origem politeísta, principalmente em seus livros mais antigos (veja quadro). Existe várias passagens como "Senhor, quem é como Tu entre os deuses?" (Êxodo 15:11). Ou: "Terrível é Deus na assembleia dos santos, maior e mais tremendo que todos os que o cercam" (Salmos 89:7), que parece falar em algum tipo de panteão.

Quando o culto a Yahweh se expandiu ao norte, a religião dos hebreus começou a mudar. "Primeiro, houve uma fusão de várias divindades na figura de Yahweh, entre elas El, Asherah e Baal", diz Mark Smith. Basta ler os poemas bíblicos mais antigos para perceber essa fusão de deuses. Na Bíblia, Yahweh assume os atributos de Baal como senhor da tempestade ("A voz do Senhor despede relâmpagos", Salmos 29:7). Achados arqueológicos mostram sua fusão com El, ao assumir a esposa dele: em um templo hebreu do século 9 a.C., está escrito: "Yahweh de Samaria e sua Asherah". Em uma tumba do século 8 a.C. do reino de Judá, alguém deixou: "Yahweh e sua Asherah". Pois é, os hebreus achavam que Deus era casado.

Yahwehmania

Ao longo dos séculos, sacerdotes, profetas e monarcas reforçaram o culto exclusivista a Yahweh. Por volta de 700 a.C., definitivamente havia uma religião separada daquela praticada pelos vizinhos, com um grande foco nesse deus. Mas não era universal. "Se você entrasse numa máquina do tempo e voltasse à Palestina daquela época, veria que a maioria das pessoas era politeísta. Outras eram henoteístas. Mas elas não se definiam assim. Não se preocupavam com isso", diz Gnuse.

No entanto, um acontecimento mudaria essa história para sempre. Em 586 a.C., as muralhas de Jerusalém vieram abaixo. O rei babilônio Nabucodonosor invadiu a cidade, queimou o mítico Templo dedicado a Yahweh e mandou boa parte dos judeus para o exílio na Babilônia. "O exílio durou apenas meio século, mas teve uma força criadora impressionante", diz o historiador britânico Paul Johnson no livro História dos Judeus. "Assim como os períodos de Abraão e Moisés haviam produzido a religião de Yahweh, os anos durante e pós-exílio desenvolveram e refinaram o judaísmo." Durante o exílio, rabinos e escribas compilaram e editaram as tradições orais e os pergaminhos trazidos do templo destruído, agregando textos novos para reverenciar Yahweh e condenar o culto a outros deuses (leia quadro), dando origem ao Tanakh, o livro sagrado do judaísmo, o que deu forma definitiva à religião. Em 539, o rei persa Ciro derrotou os babilônios e permitiu a volta dos judeus para Canaã, o que foi visto como uma intervenção direta de Yahweh. Nos anos que se seguiram, os editores deram os últimos retoques no seu novo projeto de fé.

O primeiro dos dez mandamentos afirma: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3). O que era a preferência por um deus torna-se uma lei vinda do céu, escrita na pedra, e punível com morte.

Por: Eduardo Szklarz 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Ficção bíblica



1. O povo hebreu cresceu, diferenciou-se a partir da cultura de Canaã, cerca de 1200AEC. Não conquistaram violentamente os cananitas.

2. Tudo o relatado antes disso na Bíblia, é pura ficção. Os hebreus nunca estiveram no Egito e muito menos fugiram de lá. O Êxodo nunca aconteceu. A Páscoa é pura lenda. Todo o Génesis é lenda. Abraão, Sara, Isaac, José, Moisés..., apenas personagens lendárias.

3. Evoluindo da cultura cananita, os judeus ficaram fãs de um dos seus deuses, Jeová, deus da guerra, cuja esposa era Asherah. Depois começaram a ser exclusivos com Jeová e eliminaram Asherah. Mas existem menções a ela na Bíblia.

4. Os reinos poderosos de David e Salomão são exageros insanos, a partir de entidades políticas muito modestas, de umas quantas aldeolas governadas por um chefe local. Muitos povos gostam de dourar e engrandecer as suas histórias, mas os judeus estão inteiramente noutro nível.

5. Como se sabe isto? Arqueologia. Ao fim de muitos anos de busca, há consenso entre os arqueólogos de que tudo aquilo é um embuste.

6. Jeová é assim um deus tribal que foi promovido pelos hebreus a deus nacional, e depois pelos cristãos a deus cósmico. Mesmo assim, é uma pobre fantasia.

7. Saber-se a história real da Palestina, em vez da lenda, é mau para os judeus e para a sua pretensão a Israel, mas também para todas as religiões cristãs e até para o Islão, pois o Corão está quase todo assente na tradição hebraica e cristã.


Artigo completo em Patheos

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Afinal, onde e qual foi a primeira religião monoteísta?




Não raro, leio o argumento de que foram os judeus que inventaram o monoteísmo, e sendo assim, eles foram os primeiros monoteístas da história. Esquecem que os judeus, primeiro adoraram o deus El, e depois, substituíram esse deus pelo deus Yhwh (Yahveh). Além disso, no velho testamento, não faltam referências a vários deuses, tanto indiretamente como de forma direta. Ou seja, os judeus adoraram dois deuses "únicos", um de cada vez, enquanto aceitavam a existência de outros deuses.
 
Na verdade, não foi muito longe do pequeno mundo por onde os judeus passeavam os seus rebanhos, que surgiu a primeira religião monoteísta. Retiro um pequeno texto do livro Sapiens, História Breve da Humanidade que nos esclarece:

"A primeira religião monoteísta conhecida surgiu no Egipto c.1350 AEC, quando a faraó Akhenaton declarou que uma das divindades menores do panteão egípcio, o deus Aton, era, na verdade, o poder supremo que controlava o Universo. Akhenaton institucionalizou a adoração de Aton como religião oficial do império e tentou controlar a adoração de todos os outros deuses. Esta revolução religiosa, contudo, não foi bem-sucedida. Depois da sua morte, a adoração de Aton foi abandonada em prol do antigo panteão."

domingo, 3 de dezembro de 2017

Era Jeová/Yahweh um deus para todos?





Yahweh/Javé/Iavé/YHWH (Jeová) era o deus dos israelitas. Ele disse que eles eram os seus eleitos e fez uma aliança com eles que duraria para sempre. Ainda fez milagres para eles, apareceu diante deles, fez-lhes leis, aconselhou-os, ajudou-os e repreendeu-os quando necessário. Invariavelmente, se Jeová mencionou outros povos, não era porque os amava, mas sim porque ele queria que eles fossem mortos ou punidos.

Para o período de cerca 1500 AEC a cerca 450 AEC que é coberto pelo Antigo Testamento, há pouca ou nenhuma indicação de que Jeová jamais pretendeu ser mais do que o deus dos israelitas.

Então, apareceu Jesus com uma história diferente. Ele disse que ele era o deus do mundo inteiro. Ele também disse que trouxe a salvação e a vida eterna, ou a condenação eterna, para todos. E ele disse que nos ama todos.

Qual é o problema aqui? Se Jeová sempre quisesse ser o deus de todos, por que razão ele escolheu e ficou com os israelitas, como uma abelha numa panela de mel por 1500 anos? Por que razão ele esperou 1500 anos depois de se apresentar a Abraão e antes de enviar o seu filho para dar salvação a todos? Ele condenou arbitrariamente os milhões que viveram durante esse período antes de Jesus ir para a condenação (para não falar sobre os inúmeros milhões que viveram antes de Abraão)?

As pessoas têm lutado durante séculos para encontrar um raciocínio convincente para essas histórias, mas na verdade não é assim tão difícil perceber. A explicação mais simples é que Jeová era o deus local dos israelitas (emprestado e adaptado do panteão cananeu, se os historiadores da antiguidade estiverem certos). Os israelitas (judeus) não tinham intenção de compartilhar Jeová com ninguém, pois ele era O SEU protetor e legislador.

Então, um pregador judeu começou a pregar "virar a outra bochecha" e rejeitou a filosofia do olho por um olho de Jeová. Ele pregou a salvação, o céu e o inferno, coisas que Jeová não achou dignas de menção! É claro que Jesus era um judeu que pregava aos judeus, por isso não podia rejeitar o seu deus. Em vez disso, ele ou os seus seguidores fizeram uma conexão audaz: eles disseram que Jesus era nada menos, nada mais que o filho de Deus!

À medida que o cristianismo crescia, ele se distanciou do judaísmo e tornou-se uma nova religião por direito próprio e que adora Jesus, mas nunca esqueceu completamente a relíquia emprestada dos judeus conhecida como Jeová. O deus-fantasma cananeu vive hoje no coração de mais de 2,2 mil milhões de cristãos.

Essa explicação faz todo o sentido ou tens uma qualquer melhor? 


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A bíblia e as suas aberrações




Enaltecido por mais de dois mil milhões de pessoas, este é o livro mais vendido de todos os tempos. Apesar de todos os questionamentos sobre o surgimento e o desenvolvimento desta religião, o cristianismo conseguiu se sobrepor às demais, angariando um número astronómico de adeptos. 

Algumas observações precisam ser colocadas. Os seus seguidores são na grande maioria pessoas iletradas, analfabetos funcionais, e os que escapam disso são ociosos literários, pessoas que não gostam de ler, muito menos de pesquisar, ou seja, em nome de uma fé, vorazmente comem qualquer coisa que lhe derem à boca. Os poucos estudiosos, sim posso dizer poucos, apesar de não ter dados estatísticos, quando descobrem as irregularidades se omitem, por conta de interesses que sobrepõem à necessidade de revelar o que é verdadeiro. Não é preciso um estudo minucioso para detectar as tais aberrações citadas no título deste texto. O livro sagrado do judaísmo e do cristianismo, é um verdadeiro festival de gritantes incoerências. Uma religião como esta não cresceria tanto se os seus seguidores dedicassem um tempinho diário para conferir suas contradições, não com olhos de fé, mas de raciocínio lógico.

A construção desta grande colcha de retalhos, chamada bíblia, deixou expostas narrativas simplesmente absurdas. O interessante é que eu cresci no convívio íntimo com esta fé, mas um mix de um pseudo temor e reverência ao deus hebreu, o medo do inferno e a lavagem cerebral de que este deus é soberano e sabe o que faz, e que as coisas reveladas são para nós e as encobertas para ele(Jeová), me tolhiam de qualquer possibilidade de bater de frente com o sistema, o que hoje já não acontece. 
E como estou? Há uns quatro anos que encontrei a liberdade e me libertei das terríveis algemas. Às vezes me pergunto como é que eu corria os olhos sobre textos como os que seguem abaixo, e não reagia...

"Compassivo é o Senhor, e justo; sim, misericordioso é o nosso Deus" (Sal. 116:5).

"O Senhor é justo no meio dela; ele não comete iniquidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; o injusto, porém, não conhece a vergonha" (Sof. 3:5).

"E ouvi o anjo das águas dizer: Justo és tu, que és e que eras, o Santo; porque julgaste estas coisas" (Apoc. 16:5).

Quer dizer que Jeová é justo???

Dentre as muitas atrocidades bíblicas, vou me ater apenas a este texto, pois são muitos os que desconstroem esta tal justiça:

Ezequiel: 21:3-4. E dize à terra de Israel: Assim diz o Senhor: Eis que estou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio.
E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne, desde o sul até o norte.

Isto é ser justo?... Justiça injusta... Os escribas e os compiladores deste livro se deram muito mal.



Texto de Lael Santos

quinta-feira, 23 de março de 2017

Xeque-mate ao cristianismo



As primeiras pessoas a adotar Yahweh como seu deus, foram as 12 tribos de Israel por volta de 1000 AEC, ou ainda antes. Aparentemente, Yahweh falou aos profetas que estavam entre os homens dessas tribos e os inspirou a escrever sobre como ele criou o universo, a terra e toda a vida no planeta. Eles também escreveram sobre como foram guiados e ajudados por Yahweh, tal como documentaram as leis que dizem terem vindo do próprio 
Yahweh. Estas histórias podem ser encontradas no Tanakh e são o base da religião judaica.

Cerca de 1000 anos mais tarde, um Messias, agora conhecido como Jesus, é dito ter nascido. Ele foi enviado por Yahweh e uma segunda religião cresceu em torno dele: o cristianismo. Os cristãos se referiram às velhas histórias como o Velho Testamento e escreveram novas histórias sobre Jesus que chamaram de Novo Testamento. Juntos, esses testamentos formam a chamada Bíblia.

Portanto, temos um deus e duas religiões. Vamos pensar sobre isso. Se os israelitas inventaram suas histórias sobre Deus, ambas as religiões devem ser compostas. Mas, suponhamos agora: os israelitas registaram mais ou menos fielmente o que aprenderam de Deus, e se assim for, o judaísmo é a verdadeira religião adorando um deus real.

E o cristianismo? Se o judaísmo é verdadeiro, o cristianismo também pode ser verdadeiro? Eu acho que não.

Central à teologia cristã é a ideia do pecado original. Essa é a razão pela qual Jesus foi enviado a nós. Se não houve pecado original, não há papel para Jesus. No entanto, o judaísmo rejeita a noção do pecado original.

Igualmente importante para o cristianismo é a ideia da salvação através de Jesus. Somente aceitando Jesus como seu Senhor e salvador, pode o pecado ser perdoado para que tu possas entrar no céu. 
O judaísmo não aceita isso. O judaísmo diz que expiação pelo pecado é alcançada buscando o perdão de Deus através da oração e do arrependimento. De fato, o judaísmo reserva um dia de cada ano para o arrependimento, conhecido como Yom Kipur.

Para cumprir a sua missão de perdoar o pecado, o cristianismo diz que Jesus é divino e é uma parte dum Deus triúno (Deus, Jesus e o Espírito Santo). Mas o judaísmo não aceita que Jesus era divino nem que Deus tem uma natureza trina.

Existem muitas outras diferenças entre o judaísmo e o cristianismo, mas essas três diferenças teológicas fundamentais, por si só, são suficientes para concluirmos que se o judaísmo é verdadeiro, o cristianismo não pode ser.

Este é então o dilema para os cristãos: se o judaísmo foi forjado, o cristianismo não pode ser verdadeiro, mas, se o judaísmo é verdadeiro, o cristianismo também não pode ser verdadeiro. 

Então como é que fica o cristianismo? Leia a frase acima novamente. Leve o tempo que precisar.

Eu diria que isto é um xeque-mate ao cristianismo, ou não é?



Traduzido e adaptado de Bill Flavell