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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Para quem acha que eu não respeito os crentes...




Respeito os crentes, sim. 
Não respeitar os crentes seria estar a fazer algo para impedir de acreditarem no que querem acreditar. Ou seja, se eu lutasse por leis que impedissem a expressão pessoal ou o direito à crença.
Ou se eu lhes infligisse alguma penalização física para os impedir de acreditar ou para retaliar o facto de acreditarem em algo.
Mas não.
Eu respeito o direito de cada qual acreditar no que quiser, por muito idiota que seja aquilo em que acredita.
Não só respeito esse direito como defendo esse direito.
Mas não tenho de respeitar as coisas estúpidas em que as pessoas acreditam.

Há quem acredite que se devem mutilar genitalmente as crianças (circuncidação ou ablação do clitóris). É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que há raças ou etnias que são inferiores e outras que são superiores. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que quem não acredita nas mesmas coisas que ele, deve ser morto. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que durante um período de tempo que considera "sagrado" as outras pessoas têm de alterar os seus hábitos de vida e fazer apenas aquilo que lhes é permitido por aqueles que cumprem esse período de tempo que acreditam ser "sagrado. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que as mulheres são inferiores aos homens e deve obedecer-lhes cegamente. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Há quem acredite que existem seres mágicos e invisíveis com os quais é possível falar em pensamento e que se devem convencer as outras pessoas que isso é verdade, apenas de não se poder demonstrar que é verdade. É uma crença estúpida e eu não a respeito, apesar de compreender e aceitar que há quem acredite piamente nisso.

Eu apenas sei que os crentes acreditam numa mentira e exerço o meu direito de o dizer.
Acreditam em idiotices e estão no seu direito de o fazer.
E eu, que sei que acreditam em idiotices, estou no meu direito de o dizer.


Texto de Rui Batista

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Adoradores sobre constantes ameaças



Diga não a todos que usam “livros sagrados” para te ameaçar, te explorar, te subjugar, te iludir ou te amedrontar!

Na busca pela melhoria nas relações entre os povos, muitos não percebem que o ato de submeter-se as ameaças em nome uma divindade qualquer, continuará sendo sempre um entrave ao progresso e harmonia social.

As pessoas adoram a deus por que o amam ou por que são ameaçadas por ele e por seus representantes? Existe realmente o livre arbítrio quando há somente a opção de adorá-lo e ser salvo ou não adorá-lo e ser condenado? Para que se haja um livre arbítrio é necessário que se haja uma multiplicidade de escolhas e não apenas duas que te levem ao mesmo caminho pela coação e medo.

Quem inventou tudo isso? Um ser celestial completo de tudo e que de nada precisa ou homens gananciosos com o intuito de manipulação e controle social? Por que há tantas contradições nas qualidades surreais atribuídas ao deus bíblico? Pode alguém ser mal e bom simultaneamente? Poderia ser justo e injusto ao mesmo tempo? Seria possível ser completo de tudo e criador de tudo e ao mesmo tempo vazio, carente de atenção a ponto usar todo tipo de coação para ser venerado?

No mundo moderno em que vivemos, o espaço para a tirania tem sido cada vez mais reduzido ou monitorado. As pessoas tem se unido em uma proporção bem maior que antes para que tiranos sejam enquadrados em seus devidos lugares e os “machões” que antes faziam tremer todo um vilarejo com sua fama de valente sejam reduzidos a contos folclóricos e se percam nas areias do tempo.

Muito antes mesmo da Lei Universal dos Direitos Humanos serem promulgadas, do século 17 para cá, várias colônias conquistadas por europeus e asiáticos começaram se declarar independentes de seus exploradores. O oprimido passou a rebelar-se e a ideia de que os governantes tem o direito divino de governar foi cada vez mais questionada, enfraquecendo assim as bases seculares de governos antigos, fazendo com que os povos pudessem interagir cada vez mais nos processos de construções sociais deixando de ser apenas meros fantoches do clero e da monarquia. Vários movimentos filosóficos contribuíram para incendiar tais movimentos populares e mudar a concepção do povo sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor.

Além disso, várias revoluções populares mudaram o curso da história e estamos aperfeiçoando cada vez mais, métodos para que o homem não seja oprimido pelo próprio homem e igualdade entre os povos seja algo cada vez mais palpável.

Alguns modelos de ritos religiosos ainda tem sido um entrave nesse processo da busca pela igualdade social, quando líderes gananciosos exploram seus fiéis para enriquecimento próprio além de dividirem mais uma vez as classes dos homens entre os que “servem a deus” e os que “não servem” fazendo com que as pessoas acreditem que somente por meio daquela instituição ou rito serão salvas, contribuindo com a segregação, fanatismo e ideia de menosprezo para com os que não fazem parte daquele segmento.

Enquanto uns constroem pontes lutando por interesses que beneficiarão a todos, outros constroem abismos, segregando, rotulando e classificando tudo e a todos a seu redor com os termos mais pejorativos possíveis por não crer ou não praticar determinada em crença ou rito litúrgico.

Os que constroem pontes geralmente prezam pela evolução social como um todo, por uma melhoria coletiva que gere lucro, dividendos ou benefício em comuns nos mais variados ângulos. Os que constroem abismos, geralmente o fazem em nome de uma divindade qualquer, quando na verdade estão apenas criando feudos particulares onde os vassalos irão trabalhar apenas em prol desse senhor feudal, cujo poder adquirido será para opressão dos que lhe servem. E depois dirão: “assim deus mandou, assim deus o quer, assim o farei! E quem não obedecer será castigado dessa ou daquela forma!

A diplomacia, a política (não me refiro a politicagem) e o direito tem sido as principais ferramentas utilizadas para pôr fim ou pelo menos amenizar os abusos que temos cometidos uns contra os outros nos últimos milênios. Essas ferramentas estão cada vez mais sendo aperfeiçoada por uns grupos e usado em mau intento por outros e mesmo assim estamos progredindo na busca pela igualdade e justiça social.

Hoje em nosso país por exemplo, se um homem ameaçar bater em sua companheira ou em qualquer pessoa ele pode ser severamente punido ou reprimido por meio de leis que procuram inibir ou evitar tais comportamentos.

Se um empregador humilha, agride ou assedia seus funcionários causando danos morais, físicos ou psicológicos a esse, poderá haver mais de uma instancia jurídica para punir tais abusos e fazer justiça ao que fora humilhado ou abusado.

Piadas com negros, gordos, loiras, gays, bullying e citações que possam constranger alguém também estão sendo severamente combatidas, coisa que há menos de duas décadas passava-se despercebida ou como um caso de pouca importância, pois era habitual e até certo ponto aceitável esse comportamento. Claro que em algumas situações podem haver excessos de censura quando o intuito de aparecer em público é maior que o desejo de defender a si mesmo ou a outros de tais abusos. Nesse caso o “oprimido” deseja apenas ser opressor de modo sorrateiro.

Pela nossa constituição é ilegal fazer ameaças a outrem bem como força-lo a fazer algo que este não queira ou que não tenha condições físicas ou psicológicas para executá-las. Até mesmo numa relação marital legal por exemplo, o sexo não consensual entre marido e mulher pode ser considerado estupro se um dos conjugues não estiver a fim por algum motivo.

Se nas relações pessoais estamos evoluindo, passando a considerar como impuro, imoral, ilegal, injusto e desprezível o ato de fazer ameaças, torturas e constrangimentos a outrem, por que achamos justo e até sagrado o ato de vivermos sobre constantes ameaças de um deus metafisico por meio de um “livro sagrado” e por meio de seus representantes? Qual a sacralidade de viver sob tensão para adorar uma divindade a fim não ser punido por esta?

Se um homem ameaça outro homem de morte consideramos isso um ato reprovável, digno até de prisão preventiva para evitar que um dano maior seja causado ao ameaçado, mas se deus em sua palavra ou seus representantes ameaçam alguém de morte por não lhe render louvores, ou não “aceitar jesus”, não vemos nada de errado nisso.

Por que será? Será que todos de modo inconsciente concordam que deus é apenas uma ideia construída e não um ser pessoal, por isso não se faz necessário questionar os fundamentos de suas ordens e dessas ameaças? Ou os seus adoradores são como hipócritas voluntários, coando um mosquito e engolindo um camelo, exigindo perfeição de quem não é perfeito (os homens) enquanto esconde os abusos daquele qual dizem ser a referência de toda justiça humana?

O deus bíblico é um ser justo e amoroso ou apenas um tirano ávido por incessantes louvores? Seria o deus bíblico um reflexo do próprio ego humano? O que seria ele para desejar incessantemente louvores e adoração a ponto de matar seu próprio povo quando este deixava de adorá-lo? Por que muitos, apesar de irem as ruas em protestos pedir igualdade entre os povos e condenar atos de abusos, não conseguem enxergar no modelo bíblico de deus, atos de extrema arrogância?

Como dito em outros textos, a “igreja do senhor” só tem conseguido se manter de pé bem como a ideia de deus como o ocidente fora ensinado a crer, devido as conversões foçadas pela espada durante a idade média, devido aos abusos da inquisição que ainda hoje deixou seus resquícios e devido as constantes ameaças em públicos que os representantes desse deus fazem para com aqueles que se recusam a dizer que esse é o deus justo, santo, único e verdadeiro. Até boicotes comerciais, industrias e pessoais são promovidos a fim de enquadrar os “rebeldes” segundo a visão dos que lucram com os currais da fé.

Nota-se que em países em que a maioria se dizem ser teístas ou que um “livro sagrado” seja mais importante que a própria constituição do país, os abusos do homem para com o homem ainda continua sendo demasiadamente grande em relação a outros países considerado laicos. Tudo isso resguardado debaixo das “leis de deus”, onde vários trechos mostram claramente que seus servos podem ter escravos pessoais, escravos sexuais, cometer pedofilia, abusar de outrem que não seja da mesma fé, trapacear e até matar “infiéis” e uma série de outros crimes que deixariam no chinelo até mesmo aquele que dizem ser o príncipe das trevas.

Quem sabe não sejam nos livros “satânicos” e “mundanos” que se encontrem as narrações das maiores loucuras cometidas do homem contra sua própria espécie, mas possivelmente estes fatos estejam relatados nos livros das principais religiões que tem como patriarca Abraão e seu deus.

Se perguntássemos a vários líderes do presente e do passado por que deus criou o homem e todo o ser vivos eles diriam praticamente em uma só voz, que todas as criaturas foram criadas exclusivamente para adorar ao senhor, inclusive as classes de anjos, arcanjos e querubins. Todo e qualquer ser, seja pedras, plantas e todo o ser vivo ou inerte deve adorar ao senhor, pois todos foram criados para isso. É isso que eles dizem!

O que estar errado nesse pensamento? Tudo estar errado! A citação inteira estar errada! O modo de concordar estar errado! O modelo de tirania...tudo isso não condiz com a ideia do sagrado.

O desejo incessante de ser adorado por tudo e por todos não são características de um ser completo, auto existente, auto suficiente, eterno, bondoso e fonte de todo amor. Ao contrário disso, o desejo profundo em ser o centro das atenções reflete apenas características de uma criatura vil, medíocre, paupérrima, infantil, não evoluída, com problemas de auto aceitação, de personalidade doentia e de extrema crise existencial.

Homens paupérrimos constroem divindades medíocres, inserem neles suas próprias qualidades doentias e vivem sob ameaças e dogmas que eles mesmos criaram, como se essas realmente tivessem partido daquele que dizem ser a fonte da pureza e justiça universal.

Não há nada mais louco e controverso do que isso: UM DEUS COMPLETO E TODO PODEROSO QUE DE NADA PRECISA PARA CONTINUAR EXISTINDO E QUE MESMO ASSIM AMEAÇA SUAS CRIATURAS COM DESTRUIÇÃO, MORTE E INFERNO ETERNO CASO ESSAS NÃO O ADORE CONSTANTEMENTE!

É na cabeça dos homens que as qualidades surreais dos deuses são criadas! É na crença coletiva que elas são inseridas! Qualquer qualidade dos deuses pode ser manejada para os mais diferentes propósitos e quem já estudou história da igreja por exemplo, sabe como foi criada a ideia do deus cristão e dos dogmas católicos ao longo dos séculos.

Se queremos realmente diminuir as desigualdades entre os povos e construir pontes ao invés de abismos entre os homens, ideias de que deus precisa de seu dinheiro e sua adoração para continuar existindo ou proclamando o seu reino devem passar pelo crivo da razão, da lógica e coerência.

Nós seriamos capazes de construir uma “sociedade celestial” se parássemos de terceirizar nossas responsabilidades e deixássemos de sermos trouxas, dando um percentual eterno de tudo que ganhamos para pessoas que usarão tais recursos para ser tornar cada vez mais poderosas e influentes a ponto de decidir como nos comportaremos além de influenciar nossas emoções, fazendo com que muitos se sintam um lixo se não estiverem sob a “proteção” desse deus ou de seus representantes.

Por meio de nosso silencio e falta de raciocínio alimentamos um monstro que nos encarcera, nos divide e nos põe uns contra os outros o tempo inteiro. Ache o monstro e mude, mude sua vida e seja realmente feliz aqui, agora ou em outra existência se possível.

O monstro pode ser o medo que te inculcaram desde cedo acerca da ideia desse deus. Pode ser seu próprio ego, ou pode ser a opinião dos “filhos de deus” a seu respeito, fazendo com que você se sinta um lixo, um pecador e leve um fardo desnecessário por um caminho a esmo. Em certos casos é até salutar para alguns mandar para a PQP só com um olhar, gente doente e paranoica que tenta nos contaminar com suas maluquices e com tantas ideias contraditórias acerca dessa ou daquela divindade. “Doente” malvado é todo aquele que tentar contaminar outra vez os que estão em processo de cura.

Uma das frases mais bonitas e encorajadoras que podemos dizer uns aos outros numa nova jornada é: “você pode mudar sua vida! Você pode ser o senhor do seu destino se assim você o quiser! Quase tudo pode ser mudado e refeito...

Se existe algum tipo de plano divino por um ser “divino” para a vida do homem, esse plano seria que deixemos de ser trouxa, capachos de gente mal resolvida, ignorante ou mal intencionada que te enxerga apenas como objeto de lucro e poder e usa a ideia de deus e suas ameaças para tais propósitos!

Temos apenas uma vida curta, e vivemos maior parte dela sob medo, tensão e constantes ameaças causando sérios danos a nossa saúde física e mental, tudo isso baseado na ideia de um deus carrasco e tirano, insensível aos problemas dos homens, que deseja apenas ser venerado acima de tudo.

A paz e equilíbrio que procuramos não precisa ser financiada por 10% de tudo que ganhamos nem baseado na obediência cega a pessoas que em certos casos de conduta deplorável. Ela pode estar mais perto do que você imagina. Pensem nisso!

Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antonio Ferreira, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Aprendendo moralidade



Quase todos os crentes aceitam que a humanidade aprendeu uma quantidade surpreendente sobre quase tudo nos últimos 500 anos. Mas estranhamente, poucos aceitam que aprendemos muito sobre como tratar uns aos outros.

Olhem para as evidências, eis aqui está uma lista de coisas que pensamos serem morais no passado, mas agora sabemos que não são*:

  • Manter as pessoas como escravas
  • Vender as nossas filhas
  • Apedrejar os nossos filhos até a morte
  • Matar pessoas por serem gays 
  • Bater nas nossas esposas 
  • Discriminar pessoas por causa da sua raça, sexo, idade, crenças religiosas, etc. 
  • Forçar as crianças a trabalhar 
  • Queimar mulheres acusadas de serem bruxas 

*Algumas pessoas ainda fazem essas coisas, mas a maioria delas agora sabe que não o deveria fazer.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 8 de junho de 2018

"Verdades" que prendem uma pessoa na "casa de deus"



O que seria da “igreja do senhor” se não fosse a imposição de castigos? 


Análise parcial do modelo ocidental de igreja como a conhecemos.


Em nosso país, a liberdade de expressão religiosa é um direito concedido pela nossa constituição. O mesmo direito é concedido também aos “revoltados”, aos “frustrados”, aos “hereges” e aos “desviados” de não mais fazer parte de rituais religiosos nenhum. Todos tem seus motivos de permanecer ou não na “casa de deus”.

O direito de cultuar ou não a uma divindade é concedido a ambos, porém a imposição do culto a seres metafísicos e subserviência incondicional aos seus representantes, torna-se quase uma exigência social, ainda que de modo disfarçado e o não cumprimento de tais ritos faz com que o não praticante de ritos litúrgicos ou não filiado a denominações religiosas sejam retratados de modo pejorativo, quase sempre visto como sendo uma pessoa má.

“Fulano é uma pessoa sem deus, não acredita nas divindades nem vai a igreja alguma. Tome cuidado com ele”! Aposto que a maioria de nós já ouviu milhares de vezes frases como essa.
Se afiliar a igrejas, render cultos, fazer peregrinações, visitar locais “sagrados” ou dizer palavras vãs e repetitivas é sempre associado a “pessoas do bem”. Um engano profundo pode residir nesse tipo de concepção principalmente quando o estilo de vida da pessoa não condiz com aquilo em que ela prega ou acredita.


“É deus quem conhece meu coração. Vocês não podem me julgar! Fiz isso por que o diabo me usou e sou pecador(a)...” Também já ouvimos essa frase um milhão de vezes por pessoas “cheias de deus” que são pegas “vacilando” de alguma forma, ou até mesmo cometendo crimes hediondos como estupros de vulneráveis, homicídios ou envolvidas até o pescoço no crime organizado.

A fé, tanto pode ser uma máscara para ocultar nossos intentos mais sinistros, como também pode ser um caminho pelas quais pessoas realmente integras usam-na para se chegar a fins realmente humanitários, entendendo como o conceito de servir a deus como sendo o de servirmos uns aos outros, ajudarmos uns aos outros e crescermos uns com os outros. O primeiro fator citado nesse parágrafo é o mais usual entre os “servos de deus”.

Se na matemática a ordem dos fatores não altera o produto, no conceito de fé, o interior de cada pessoa é que faz o mundo ficar pior ou melhor e não o contrário! Caráter, respeito e honestidade não se adquire em igrejas! São fruto de decisões pessoais próprias ou de uma boa base familiar ou ainda resultado do afrouxamento das leis vigentes no país qual a pessoa estar inserido.

Deus será sempre do tamanho da inveja, ganância, ignorância ou intelectualidade de cada um dos que dizem representá-lo ou segui-lo. Ele nunca foi visto nem ouvido pessoalmente, apenas representado pelos mais diversos modo, pelas mais diversas pessoas, proporcionando os mais diversos resultados. Uma arma que pode ser usada para o bem ou para o mal. O interior de cada um será refletido quase sempre no deus que professa. Deus será sempre um conceito vago, passível de qualquer tipo de interpretação, sujeito as piores intenções dos que lhe professam. Não há e nunca ouve um conceito universal quanto a ideia de deus. A igreja criou dogmas para tentar dimensiona-lo, mas quando um interpreta-o como bem entender.

O direito de sustentar os motivos pelos quais não acreditar-se nesse ou naquele deus assim como a defesa de se explicar os motivos pelos quais se acredita nestes, também devem ser respeitados, se bem que na maioria dos casos para se crer nas divindades não precisa-se de motivo algum. A fé exclui a necessidade de qualquer explicação lógica do que quer que seja. Se fosse explicável não seria fé: seria ciência, filosofia ou qualquer outro campo do saber humano. A racionalidade porém exige coerência naquilo do que se tem dito com o que se tem feito, dos resultados obtidos, bem como do processo cultural histórico e cientifico daquilo que diz ser a verdade absoluta e inquestionável de tais fatos.

Apesar disso, nossa sociedade aplaude quase que em todos os níveis a irracionalidade, cultua e enaltece a loucura. O deus cristão e as hierarquias das igrejas constituídas por exemplo, são os assuntos mais proibidos de serem questionados suas origens e aplicações práticas em nossa sociedade. Qualquer um que tome uma linha de raciocínio que não seja aquela padronizada milenarmente por aqueles que vivem desse ofício, corre sérios riscos no convívio social, desde boicotes em todos os níveis ou até ter um retrato pessoal de si mesmo feito pelos outros, como se fosse o ser mais hediondo do mundo. As heranças da inquisição nunca foram extirpada de fato do nosso convívio social.

As perguntas a seguir por exemplo, podem desencadear uma séries de punições silenciosas ou audíveis a qualquer um que intente fazer tal pergunta de modo aberto: por que se afiliar e permanecer filiado a um grupo religioso? Qual a necessidade disso? Os deuses realmente precisam se cultuados? Devemos submeter nossas vidas e personalidade a qualquer um que portando uma bíblia se diga ungido do senhor? Qual o resultado disso? ...

Faça uma pergunta dessa de modo escrito ou verbal e mesmo que uma única pessoa venha ver ou ouvir tal pergunta, um turbilhão de efeitos colaterais podem se desenrolar contra você e você pode passar a ser visto como uma pessoa má, das trevas, um candidato a terrorista, um pessoa em que não se deve confiar, mesmo que seu estilo de vida seja o de uma pessoa equilibrada e na maioria dos casos com um nível de conduta mais elevado do que os que vivem “cheios de deus”, “exalando deus” por ai. Nem prestam atenção que mais de 90% dos presídios superlotados de nosso país são compostos por cristãos, enquanto que as maiores graduações acadêmicas nas universidades de todo o mundo e os maiores benefícios tecnológicos já produzidos pela nossa espécie foram concebidos ou conquistados por “pessoas sem deus”.

As pessoas podem se afiliar e permanecer ou não em uma igreja pelos mais diversos motivos: falta de opção cultural no ambiente em que vivem, necessidade afetiva, interesses políticos, ocultar o real caráter para que possam continuar aprontando sem levantar suspeitas, “apagar” uma imagem “suja” do passado e ser considerado uma nova criatura zerando o “contador de pecados” se auto intitulando nova criatura a partir disto, etc., etc...Se o coração tem razão que a razão desconhece como dizia um grande filósofo, as razões para “servir a deus” varia de acordo com o bolso, gosto e grau cultural da cliente.

Mas o que mais faz com que alguém permaneça mesmo na maioria das unidades de agrupamento religioso cristão é a lavagem cerebral feita e repetida diariamente por meio de inúmeras ameaças e mentiras valendo-se de um livro dito sagrado e de uma suposta autoridade divina concedida a qualquer um que já tenha passado anteriormente pelos ritos de ascensão a hierarquia e saibam reproduzir de modo fiel o modelo litúrgico e comportamental que faz com que um agrupamento de pessoas comuns sejam considerados como sendo escolhidos que vão morar nos céus.

Se houvesse realmente honestidade de retórica, respeito verdadeiro aos membros, liberdade de questionamentos e possibilidade de diálogo interno e externo para se debater sobre deus, sobre a história da igreja em geral, sobre a história daquele agrupamento religioso qual o indivíduo se envolveu e a capacidade de questionar os argumentos da própria fé sem represálias, não haveria esse modelo de deus nem de igreja qual muitas pessoas acreditam piamente ser a verdadeira e o único modelo a ser seguido apesar de cada uma delas ter estilos próprio e antagônicos e todas procurarem inculcar na cabeça dos fiéis que estão seguindo a bíblia, que estão certas e as demais erradas.

Não é deus nem seu espirito quem sustentam a igreja nos moldes em que conhecemos: são as ameaças, os dogmas e proibições de questionamentos que fazem as engrenagens de tais sistemas girar. Sem chicotes e sem ameaças não haveria fiéis nem a ideia de deus como a concebemos hoje. Sem a invenção do diabo e do inferno, a igreja não lucraria tanto, nem se quer existiria de fato pois eles não teriam com que ameaçar as pessoas.

Em outras palavras se não fosse a lavagem cerebral para fins de controle das massas, “deus” nesses modelos de igreja que conhecemos, provavelmente jamais seria cultuado, lembrado ou temido. Jamais ouviria falar dos seus feitos e de seus “milagres”, nem tão pouco do seu “plano de salvação” para a humanidade. Todos os deuses que a humanidade já esqueceu e parou de cultuar também eram “poderosos” e ameaçadores até serem substituídos por um outro com roupagem diferente mas com características principais iguais. A necessidade de submissão irracional é uma delas. Nenhum deus é poderoso até que os que os representam usem de repressão pública aos insubmissos ou manipulem fatos culturais ou histórico para provar que eles o são. Todos os deuses perdem seus poderes à medida que os fiéis entendem como tudo foi esquematizado para parecer ser o que não é.

O poder de deus, sempre se expressa por meio dos seus representantes. Como dito, as ferramentas para que qualquer lavagem cerebral continue funcionando nesses ambientes são ameaças constantes de inferno, castigo, maldições, pragas, humilhações em público, excomunhão, perseguições e boicote a vida social de qualquer pessoa que ouse enfrentar os dogmas de qualquer igreja. Qualquer um pode dizer o que quiser usando um “livro sagrado” e deus dirá amem! Ele não se mexe, não se incomoda e nem faz nada. Só no dia do juízo mesmo é que dizem que ele vai julgar a todos. Até lá, quem quiser que se lixe!

É muito estranho o fato de que o lugar em que se diga ser o lugar da verdade, justiça paz e amor, só exista por meio de mentiras, distorção da realidade e ameaças de castigo. Não julgo que a igreja seja o berço da moralidade humana nem casa de deus algum. Acredito que pessoas boas, com moralidade equilibrada, respeitosas e pacificas podem refletir em qualquer ambiente em que estão seu estilo de vida, não importa que estejam usando uma bíblia, uma toga, um terno, uma farda ou uma roupa de bruxo! As poucas pessoas sensatas que já assumiram ou fizeram parte de agrupamentos religiosos foi quem fizeram locais como esses parecerem o receptáculo da verdade e justiça que alguns ainda hoje visualizam. Tais pessoas fariam o mesmo estando em qualquer outro ambiente que estivessem.

A imagem vendida pelos próprios líderes religiosos faz com que na maioria do casos os agrupamentos cristãos sejam considerados como sendo “casa de deus”. No meio de 100 pessoas, por causa de 9 ou 10 delas que realmente sejam pessoas evoluídas e amadurecidas e que realmente tenham um estilo de vida honesto e sem hipocrisia, faz com que ambientes assim ainda sejam considerado seguro para se estar, apesar dos pesares.

A igreja é um ambiente comum, repleto de pessoas comuns, mas que foram levadas a crer que são melhores que todas as demais todas as vezes que entram por aquelas portas e permanecem um pouco naquele ambiente, ou tem seus nomes como afiliados no rol de membros de tal agrupamento. Visitar igrejas não torna ninguém mais santo. Apenas mais submisso e com uma visão distorcida da realidade. Não os tornam nem mais feios nem mais bonitos.

Tais pessoas, para serem considerados como sendo pessoas cheias de deus ou “cidadãos dos céus” deveriam antes de tudo aprender a respeitar e conviver umas com as outras aqui na terra, e não subjugá-las ou convencê-las a esse ou aquele ponto de vista. A pessoa mal sabe o que comeu no ultimo café da manhã, mas acredita ser parte de uma verdade universal e inquestionável só por que “aceitou a jesus” e faz parte agora de um agrupamento religioso comum.

Vale lembrar que as pessoas deixam o rastro de sua luz e suas trevas em qualquer lugar que passam. Vale lembrar também que não somos exatamente aquilo que cada indivíduo de modo pessoal ou coletivo projeta ao nosso respeito. Pessoas “cheias de deus” por exemplo, costuma achar que qualquer pessoa que não esteja filiada a uma igreja seja necessariamente seja uma pessoa má, diabólica e pervertida. Em vários casos se tem provado pelos mais diversos meios, que o oposto disso é que tem se mostrado como verdadeiro.

Pessoas de caráter e respeito não precisam estar filiadas à entidades religiosas nenhuma para fazerem o bem apesar de nem sempre serem reconhecidas ou consideradas santas. Porém, em certos casos, gente medíocre, mesquinha, mal intencionada e de caráter duvidoso praticamente exige ser tratado como se fossem superiores, só por que se afiliaram a determinado agrupamento religioso.

“Me respeite por que sou de deus...” Diz o sujeito arrogante quando tem sua “autoridade” questionada quando tenta fazer proselitismo forçado e encontra obstáculos. Acho que muita gente já ouviu tal ameaça. “Servo de deus”, “ungido”, “missionário”, “profeta” e “cidadão” dos céus são apenas alguns dos títulos que os tais costumam estampar para exigirem tratamento especial, sem falar nas “carteiradas” que alguns tentam dar quando são pegos tentando infringir a lei. Fora isso, tem mais de uma dezena de títulos hierárquicos oferecidos nas igrejas para fazer com que gente comum, de carne e osso e “cheia de pecados” igual a qualquer outra pessoa se ache melhor do que todas as demais pessoas no mundo todo só por que “aceitaram a jesus”, permanecem filiado a uma igreja ou são portadores de títulos e funções eclesiásticas.

Jamais qualquer pessoa no mundo deve ser idolatrada ou temida por assumir ter ou não ter fé em alguma divindade nem por estar filiado a determinada igreja ou possuir títulos ou funções eclesiástica. Todos os homens são iguais perante a lei! É isso que estar escrito na maiorias das constituições ou textos importantes que defendam a paz entre os povos.

Na idade média, as pessoas que mais infringiram dor e sofrimento a humanidade bem como inibiram de certa forma nosso avanço tecnológico e cientifico, usavam deus como escudo e pretexto para cometer tais barbaridades. Se não fosse os “rebeldes”, “desviados”, “hereges” e “pessoas sem deus”, talvez a humanidade ainda estivesse mergulhado nesse período denso e monstruoso. A mesma cena se repete atualmente hoje nos países de fé islâmica. Trocou-se apenas o nome da divindade cultuada, mas o tratamento “especial” oferecido aos cidadãos é o mesmo.

Vamos então apontar as “verdades” contadas para “fidelizar” pessoas nas igrejas, contrapondo com a lógica dos fatos tendo como “baliza” e balança medidora a própria concepção cristã da crença de que deus é o criador de todas as coisas, que ele é justo, bondoso, amoroso, fiel, verdadeiro, onipotente, onipresentes, onisciente, eterno, auto existente e auto suficiente.

Suponhamos nem que seja por um minuto que tudo que se diz a respeito dos atributos de deus sejam verdades para desse modo chegarmos a uma conclusão. Não existe logica na aceitação total dos argumentos nem negação total de qualquer fato, quando se diz respeito a chegar a uma conclusão de um ponto de vista justificável. Negar tudo sem avaliar é falta de inteligência. Aceitar tudo sem questionar é burrice! Para não sermos desonestos, precisamos contrapor as “verdades” proferidas pelas lideranças para manter uma pessoa filiada a uma igreja, utilizando-se dos próprios argumentos que eles usam como sendo verdades universais, inquestionáveis e os pilares da própria fé.


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Mulher, propriedade do homem




Em muitas sociedades, as mulheres eram, simplesmente, propriedade dos homens, a maior parte das vezes dos pais, maridos ou irmãos. O estupro, em muitos sistemas legais, entra na categoria de violação de propriedade - por outras palavras, a vítima não é a mulher violada, mas o homem a quem ela pertence. Sendo assim, o remédio legal era a transferência de propriedade - o violador tinha de pagar o dote ao pai ou ao irmão da mulher, tornando-se esta sua propriedade. A bíblia decreta: "Se um homem conhecer uma virgem que não esteja prometida, a tomar e se deitar com ela, e forem descobertos, então o homem que se deitou com ela dará ao pai da jovem mulher 50 shekels de prata e ela tornar-se-á sua esposa." (Deuteronómio 22:28-29). Os antigos hebreus achavam que se tratava de um acordo razoável.

Violar uma mulher que não pertencesse a um homem não era considerado crime, tal como apanhar uma moeda perdida numa rua movimentada não é considerado roubo. E, se um marido violasse a própria esposa, não cometeria qualquer crime. De facto, a ideia de que o marido pudesse violar a esposa era um oximoro.. Ser marido era ter controlo absoluto sobre a sexualidade da esposa. Dizer que o marido "violou"  a esposa era tão ilógico como dizer que um homem roubou a própria carteira. Tal forma de pensar não estava confinada ao antigo Médio Oriente. Em 2006, ainda existiam 53 países onde o marido não podia ser acusado de violação da esposa. Mesmo na Alemanha, as leis relativas à violação só forma alteradas em 1997 para criar uma categoria legal para a violação marital.



Trecho de Yuval Noah Harari, in Sapiens, História breve da Humanidade.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Os Direitos Humanos e a religião



Ao longo dos séculos, nós ampliamos os direitos humanos, embora essa ampliação às vezes tenha sido diante duma oposição feroz de grupos religiosos. Eu criei um questionário simples para que se possa ver como a religião pode afetar as atitudes das pessoas em relação aos direitos humanos.

Por favor, responda as 10 perguntas abaixo. Conceda-se 1 ponto para cada pergunta que respondas SIM, e zero pontos se responderes NÃO. Em seguida, comente abaixo e diga-nos a sua pontuação e sua RELIGIÃO ou falta dela.

1 Devemos ser livres para mudar a nossa religião ou a não termos religião?
2 Devemos ser livres para criticar publicamente qualquer religião ou sistema de crenças?
3 Os casais homossexuais adultos devem ser livres para viver juntos abertamente?
4 Deve ser um crime ter sexo não consensual com mulheres capturadas durante uma guerra?
5 Todos deveriam ter direitos iguais, independentemente da sua religião ou falta de religião?
6 Deveria ser um crime, punível pela lei, se um homem bater na sua esposa?
7 Os homens e as mulheres têm direitos legais e iguais num divórcio?
8 Os homens e as mulheres têm direitos legais e iguais numa herança?
9 Os homens e as mulheres devem ser tratados de modo igual num tribunal de justiça?
10 Os homens e as mulheres devem ter igual acesso ao ensino primário e superior?

Suspeito que os antecedentes religiosos tenham mais efeito sobre as atitudes em relação aos direitos humanos do que idade, educação, estado financeiro ou género. É claro que, para testar essa hipótese, eu precisaria duma grande amostra e fizesse mais perguntas com teor demográfico. Assim, eu não posso testar minha hipótese, mas vou prever que a maioria dos ateus irá marcar 10 valores. Os cristãos terão uma nota média ligeiramente mais baixa do que os ateus e os muçulmanos ficarão ainda mais atrás do que os cristãos.

Para ver se estou certo, faça o teste!

Para tua informação, eu sou ateu e marquei 10.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 20 de maio de 2017

Os ateus não acreditam em nada!




Por que é que as pessoas religiosas pensam que os ateus não acreditam em nada tal como também não defendem nada? Eles não poderiam estar mais errados.

Eu acredito apenas nas coisas que são verdadeiras.

Defendo a igualdade de direitos, a igualdade de oportunidades, a não discriminação com base na raça, sexo, orientação sexual, crenças religiosas, idade, deficiências e muito mais.

Eu acredito que devo os meus companheiros humanos com respeito e preservar a sua dignidade. Eu gosto de ajudar as pessoas onde eu razoavelmente posso tal como não gosto de prejudicar pessoas. Eu mesmo tento evitar de incomodar as pessoas, tu não vais encontrar-me a colocar música em alto som que perturbe os meus vizinhos ou a tentar furar as filas. Mas tu poderás ver-me a parar o meu carro para deixar outros carros passarem quando o tráfego é imenso.

Acredito que é importante ser tolerante com as diferenças dos estilos de vida, códigos de vestimenta e assim por diante, desde que ninguém esteja sendo prejudicado.

Acredito que devemos cuidar do planeta de modo a transmiti-lo aos nossos filhos na melhor condição possível e sustentável.

Em vez de dominar animais como a Bíblia ensina, creio que temos o dever de cuidar deles.

Defendo a investigação racional e uma abordagem baseada em evidências para a medicina, para a educação e a elaboração de políticas governamentais - de fato para tudo. E eu poderia continuar...


Ao invés de nada acreditar e nada defender, acho que até acredito e defendo muita coisa, talvez mais do que as pessoas religiosas. É verdade que todos os ateus são diferentes, mas acho que muitos deles compartilham meus valores.

Gostaria que mais pessoas religiosas assim fossem.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Porquê muçulmanos, porquê?



Quando os muçulmanos emigram do seu país islâmico natal, por que é que eles escolhem ir para um país que os irá ofender constantemente? Porquê ir para um país que permite que as mulheres se vestem como elas quiserem, ou que protegem os direitos dos gays, ou que permitem que o álcool e a carne de porco sejam vendidos em todos os lugares?

Porquê ir para países onde as pessoas se riem das religiões enquanto adoram cães e gostam de os manter como seus animais de estimação? Porquê ir para países onde bater na sua esposa ou forçá-la a ter relações sexuais, são delitos e onde as mulheres têm os mesmos direitos que os homens?

Há muitos países islâmicos para onde uma família muçulmana poderia emigrar, onde eles iriam se sentir confortáveis com a cultura. Mas poucos, mesmo muito poucos muçulmanos escolhem países islâmicos. Porquê?

Ps.: Obviamente que estou me referindo aos muçulmanos que escolheram livremente emigrar, não me refiro aos refugiados que se deslocam sob coação.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A história está mudando...



Ao longo da história, houve momentos em que grandes mudanças ocorreram no pensamento humano. Mas elas não acontecem com frequência e nem acontecem facilmente. Há sempre pessoas que resistem ao novo pensamento, às vezes ao ponto de dar suas vidas para preservar o antigo.

Exemplos de tais mudanças são a percepção de que escravizar pessoas é imoral ou a ideia de que a Terra orbita o sol.

Essas mudanças costumam levar muitos anos, ou mesmo gerações para acontecerem, porque demora a jogar fora os antigos pensamentos e adoptar os novos. Podemos imaginar como um novo pensamento cresce e ganha força: algumas pessoas vão começar a sentir que estão do lado errado da história, pois podem ver a mudança que está a acontecer e ela é inevitável, mas eles ressentem-se, discordam dela e não querem fazer parte da mudança.
E pelo menos duas dessas mudanças, estão acontecendo agora.

A primeira é o reconhecimento de que os casais homossexuais podem e devem receber os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Esta ideia tão óbvia, foi envenenada por mais de 2 000 anos pelas religiões abraâmicas, mas a Razão é o antídoto para esse veneno e muitos países progressistas já mudaram as suas leis para dar aos casais homossexuais direitos iguais. Muitos mais países seguirão na próxima década.

A segunda mudança pode revelar-se a mais revolucionária de todas. Em vários países, os bebés hoje nascidos, irão crescer num ambiente quase livre de religião. Aqueles que se ressentem e discordam com isso, inevitavelmente irão alertar de consequências terríveis: imoralidade e padrões decrescentes. 

Mas eles estarão errados.

Os dados já nos mostram que os países mais ímpios, são socialmente mais saudáveis ​​com baixas taxas de crimes, baixas taxas de DST's e de gravidez na adolescência. Além disso, as pessoas são mais felizes e vivem mais tempo. As pessoas não precisam da religião para serem decentes: elas precisam de empatia e ser ensinadas a valorizar e respeitar os outros.

Então, se estás a começar a sentir que estás do lado errado da história, não resistas, PENSA. Olha para as evidências daqueles países que já te deixaram para trás. Pensa com o teu cérebro e não apenas com o teu coração.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 5 de novembro de 2016

O ateísmo não é um dogma, não é uma religião, é o estado natural do homem



A religião é o cancro da humanidade. Temos de lutar contra isto. É ela ou a humanidade. Não haverá espaço para ambos. Nós não podemos viver com este cancro. Ou é destruído ou ele nos destrói. O ateísmo é o estado natural do homem. O homem nasce ateu, ele não nasceu religioso nem espiritual. O ateísmo é inato no homem. Tudo o resto como as crenças, especialmente as religiosas, são todas adquiridas e muitas inconscientemente.

Ninguém pergunta ao filho se ele quer ser batizado. Ninguém pergunta se ele concorda em ser circuncidado, ninguém pergunta se ele quer o catecismo, e para muitas meninas ninguém lhes pergunta se elas querem usar o véu e ninguém lhes pergunta se querem ser excisadas. Então, podem rejeitar a ideia de que alguns deles têm a liberdade de crença. Isso é falso. Crentes não respeitam o pacto laico. Ele é violado desde o nascimento da criança. A criança inocente terá muito pouca chance, além de uma curiosidade discreta, de saber a verdade. De que Deus existe apenas como um delírio dos seus pais. Que as religiões não são mais do que homens organizados que oprimem as mulheres e outros homens.

Se uma criança crescer num ambiente favorável e sem ser poluído pela religião, resulta num adulto com um pensamento livre. Certamente, não seria submetida metade da humanidade (mulheres) todos os horrores que receberam desde o início do tempo por causa de religiões.

O ateísmo é inato no homem, é uma parte de seu ser. As religiões estão empenhados em submeter os seres humanos a uma primeira MUTILAÇÃO, arrebatando a força de seu ateísmo. Só por isso, elas são todas CRIMINOSOS.

As religiões investem em novos territórios, tal como os cancros. Nossa sobrevivência como seres humanos, depende da nossa capacidade para lutar como fazemos contra o cancro. As religiões são o primeiro inimigo do humanismo. Não há dúvida que elas vão combate-lo.

Secularismo propõe que façamos a paz na esfera privada. É uma farsa pura. Crentes, como demonstrado acima, não respeitam a liberdade de consciência. Eles doutrinam e forçam as crianças a seguir os seus delírios. Ao ignorar essa negação da liberdade, nós contribuímos de modo negligente com esses crimes. É nosso dever nos colocar-mos neste caminho para dizer que as crianças não pertencem a seus pais. Que as mulheres não pertencem aos homens. E, portanto, nós não confiamos nas religiões porque elas gozam de total impunidade na esfera privada.


Traduzido e adaptado de AgoraVox

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??





É uma pergunta típica dos crentes para os descrentes: 
"Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??" 

Estive numa pequena vila açoreana em viagem e percebi que havia festa religiosa nesse dia: igreja engalanada, barraquinhas espalhadas pelas ruas adjacentes à igreja, enfeites pelas ruas, bandeirinhas, coisas típicas das terrinhas portuguesas em festa. Mas o que me surpreendeu foi a difusão da missa para toda a vila através dos altifalantes. 
Toda a vila, tinha que levar com aquela ladainha sem sentido, proferida por um fulano que usa vestido. 
Toda a vila! 

"Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??" 

Quem quiser assistir à missa, simplesmente vai até à igreja e atinge o seu objetivo. Se não puder deslocar-se, ligue o rádio e sintonize a Rádio Renascença e pode ouvir a missa várias vezes aos dia. É um direito que tem, o direito de ter a sua missa. Levar a missa até essas pessoas através da difusão da mesma em altifalantes por toda a vila, é um abuso da igreja.

"Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??" 

Por que é que um muçulmano, um budista ou um outro crente de qualquer doutra religião, tem que levar com aquela ladainha na rua e até dentro de sua própria casa? Por acaso também fazem a difusão doutros rituais doutras crenças? Ou também é difundido pela vila alguma palestra sobre a descrença em deuses, sobre o ateísmo? Não! Apenas é difundido aquele ritual católico. 
Para toda a vila sem excepção. Sejam crentes daquela religião, crentes doutra ou simplesmente descrentes. 

"Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??" 

Devido a abusos como este é que os ateus não devem guardar a sua descrença só para si. Porque os crentes também não guardam a sua crença só para si! Pior, tentam impor a sua crença aos outros. Por situações como esta e semelhantes, é que os ateus devem mostrar a sua indignação, mostrar o seu ponto de vista, exigir e lutar pelo respeito merecido.

"Ateus, por que não guardam a vossa descrença só para vocês??" 

Quando vocês, crentes, guardarem a vossa crença estúpida apenas e só para vocês, aí então poderemos guardar a descrença para nós.

domingo, 7 de agosto de 2016

Respeitar crença ou o indivíduo?

Devo apenas respeito aos indivíduos e não a ideias. 

Tal como Voltaire dizia: Posso não concordar com o que diz, mas defenderei o seu direito de o dizer. 
Respeito a liberdade de cada um acreditar no que quiser, seja em coisas coerentes, seja em coisas idiotas. Mas não tenho de respeitar as ideias em que acreditam. 

É como com a política (embora em não tenha “cor” política, por isso isto é mesmo só um exemplo). Posso não concordar com certas ideologias políticas e até escarnecer delas. Mas defendo o direito de cada um poder aderir à ideologia política que desejar.