sábado, 11 de fevereiro de 2017

Qual o sentido de criar o Homem??



Aqui está algo que eu não entendo. Se Deus quis criar criaturas para amar e que iriam amá-lo, por que é que ele criou criaturas tão emocionalmente e fisicamente fracas como são os seres humanos?

Por que não criar seres mais parecidos com ele, seres com um nível semelhante de conhecimento e inteligência para que ele pudesse ter discussões interessantes com eles? Por que não até jogar jogos de habilidade com eles e não ganhar sempre?

Deus criando os seres humanos é como eu criar uma bactéria como um companheiro de brincadeira.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

Dilema para um crente



Se você é religioso, tem fé, e é racional, isso significa que diante de alguma evidência racional que contraria a sua fé, você então a negaria?
Ou colocaria a sua fé acima da razão e assim permaneceria na sua crença?

Esse é um dilema porque se você admite ser racional, então tem que admitir que sua fé depende de você não se deparar com nenhuma evidencia racional que a contrarie.
Se você admite que colocaria sua fé acima da razão, isso implica que a razão não tem nenhuma importância para você, já que você se negaria a seguir a sua razão para preservar a sua fé.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Pior do que tu imaginavas



O cristianismo pode ser pior do que tu imaginavas. Diz-se que Deus deu o seu filho unigénito para que ele pudesse conceder à humanidade a vida eterna. Mas ele não deu seu filho. De acordo com os cristãos, ambos estão juntos agora e assim estão desde há quase dois mil anos.

Como Deus não perdeu seu filho, o que ele pretendia alcançar? Há apenas uma resposta razoável: ele queria que seu filho experimentasse o medo e a agonia de ser espancado, humilhado e crucificado. Em troca dessa brutalidade medonha, ele perdoaria os pecados que os humanos pudessem cometer para que assim pudessem ter uma eternidade de felicidade em vez de tortura.

Só que nenhuma parte disso era remotamente necessária, torturar um homem inocente era simplesmente o preço que Deus exigia para seu perdão. Este não é o pensamento de um pai amoroso. Nem sequer é o pensamento de um pai terrível. 
É o pensamento dum psicopata profundamente perturbado.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Parasitas



No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
andavam a mostrar em cima dum jumento
um aborto infeliz sem mãos, sem pés, sem braços
aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros istriões, hipócritas, devassos
exploravam assim a flor do sentimento
e o monstro arregalava os grandes olhos baços
uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos
deram esmola até mendigos quase nus
e eu, ao ver êste quadro, apóstolos romanos
Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz
que andais pelo universo há mil e tantos anos
exibindo, explorando o corpo de Jesus.

Guerra Junqueiro, PARASITAS

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Religião e futebol, tudo a ver.



A religião é um fenómeno que só faz sentido se vivido em uma comunidade de pessoas que aceitem a mesma crença. Não importa muito ao fiel se Deus é definido de um modo ou de outro ou quais outros aspectos da religião ele deve considerar. O mais importante sempre é o sentido de COMUNIDADE.

Isso lembra muito o fenómeno do futebol. Nela as pessoas se reúnem em torno de uma ideia completamente abstracta a que denominam o seu CLUBE. Não se trata de um edifício, um estádio ou outras instalações desportivas e nem mesmo dos jogadores, técnicos e dirigentes. O CLUBE tem uma “personalidade” própria independente.

As claques se entregam a todo tipo de irracionalidades. Quando se reúnem elogiam de forma exacerbada a sua equipe, denigrem a imagem de outras e parecem dispostos a tudo para defender o seu clube, até mesmo a violência e a morte.

Durante um jogo, a irracionalidade se torna ainda mais evidente. Se o juiz marca uma falta contra o clube, ele é imediatamente taxado de “ladrão”, “desonesto” e “filho da puta”. Se marca uma falta a favor do clube, é “equilibrado”, “tem autoridade” e assim por diante.

No fundo cada participante de uma claque busca apenas a aprovação dos outros e não tem nenhuma preocupação com qualquer detalhe racional. Uma crítica ao clube é uma “traição” que pode ser punida pelos demais. O clube está sempre certo e é o melhor, não importa se a realidade desmente isso.


Adaptado para o português europeu dum texto original de Lauro Augusto Monteclaro Cesar Jr

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Cegueira cristã



Eu pergunto-me se os cristãos, por acaso, pensam na sua teologia?

O cristianismo conta a história de que deus decidiu matar seu filho para perdoar o pecado dos humanos. Mas conspirar para matar o seu filho, é uma conspiração para assassinato. Isso é até um crime capital em muitos países do mundo.

Além disso, é profundamente imoral matar uma pessoa inocente para beneficiar outras pessoas. Até um psicopata ambicioso ficaria horrorizado ao pensar em matar o seu próprio filho inocente para beneficiar seus vizinhos.

Mas esses horrores nem são os piores. Segundo a essa história, deus engravidou uma jovem mulher mas não para ter um filho para amar, mas sim para ter um filho para matar.

Este é um mal indescritível que deixa todos os cristãos cegos. Por quê?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

Será que tens de ser estúpido para acreditar em deus?



Quando eu ouço os ateus a dizerem que as pessoas têm que serem estúpidas para acreditarem em Deus, eu lembro-me dos cristãos que dizem que tu não podes ter moral sem Deus.

Ambas as declarações são idiotas e a evidência disso é abundante. Há uma quantidade enorme de ateus com altos valores morais e muita gente inteligente que acredita em Deus.

Mas não há nenhuma evidência de que Deus exista e quase todas as versões de Deus mantém a crença nele num domínio mágico, caótico e num sobrenatural indetectável. Para aqueles que tomam a escritura como sendo literalmente verdadeira, a crença em Deus rapidamente se torna num absurdo. Então, como é que as pessoas inteligentes podem acreditar em coisas assim?

É mais fácil explicar isso por uma analogia. Não há dúvida de que fumar é prejudicial à nossa saúde. Há uma abundância de evidências validadas de que fumar aumenta significativamente o risco de enfisema, bronquite crónica, doenças cardíacas e muitas formas de cancro. No entanto, provavelmente todos conhecemos pessoas inteligentes que fumam.

As pessoas fumam porque as satisfaz e racionalizam a evidência dos riscos. As pessoas acreditam em Deus porque as satisfaz e racionalizam a ausência de provas e evidências contrárias.

Assim, a crença em Deus é uma preferência, assim como preferir ruivas a morenas e ninguém é obrigado a justificar suas preferências.

Na verdade, é um pouco mais subtil do que isso. O fumador inteligente está implicitamente dizendo: eu gosto de fumar e estou preparado para aceitar o risco para a minha saúde. 
E o crente inteligente está implicitamente dizendo: eu gosto de acreditar em Deus e eu aceito o risco de que minha crença não seja verdadeira.

Podes pensar que estou argumentando que as nossas preferências inconscientes impulsionam nosso comportamento e somos pouco mais do que espectadores. Há mais verdade nisso do que a maioria de nós gosta de admitir, mas há muitas evidências de que as nossas preferências podem mudar e podemos influenciar o processo.

É um fato que as pessoas inteligentes são menos propensas a acreditar em Deus (e menos propensos a fumar). Assim sendo, ser inteligente pode ajudar a assumir o controle das suas preferências e compreender o processo pode ajudar todos a assumir o controle de suas preferências

E tu não tens que ser um espectador.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Os Teofísicos



Nós todos os conhecemos e provavelmente há milhões deles no mundo. Eles acreditam em Deus, mas não são teólogos. Eles acreditam na ciência, mas não são cientistas. 

Eu os chamo de Teofísicos.

Dizem que a Física, em particular a Cosmologia do Big Bang, é a prova de que Deus existe. De alguma forma eles esquecem o facto de que apenas 7% dos 2 000 (estranhos) membros da Academia Nacional de Cientistas (os mais ilustres cientistas dos EUA), acreditam em Deus. †

Eles também esquecem o facto de que os Físicos e Astrónomos são aqueles que têm os níveis mais baixos de crença de todas as disciplinas científicas. Se a Física realmente mostrou que Deus existe, então essas são as pessoas que o deveriam saber. E elas rejeitam firmemente essa ideia.

Por que é que os Teofísicos estão tão errados?

Eles baseiam os seus argumentos na especulação, não em fatos, e assumem que as leis que governam a matéria no mundo quotidiano em que habitamos, também devem ter governado o pré-universo infinitesimal em que ainda não existia nenhuma matéria. Eles dizem isso apesar de saberem que o mundo quântico funciona de maneiras inesperadas, bizarras e contra-intuitivas.

Eles vão insistir que não havia nada, e de repente houve o Big Bang e logo de seguida havia tudo. E como algo não pode vir do nada, eles concluem que Deus deve ter criado tudo.

Mas não havia mesmo nada? Bom, nós não sabemos. Os físicos agora duvidam que exista algo como "nada". Pois parece que há sempre algo, mesmo num vácuo aparentemente vazio. Parece que a natureza do "nada", afinal... é algo.

Há outros paradoxos que devem fazer pensar os nossos ... Teofísicos. Aqui estão mais dois:

 » Em Julho de 2012, os cientistas do CERN no Large Hadron Collider, confirmaram a existência do Boson de Higgs. O campo de Higgs e sua partícula associada, o bóson, são agora conhecidos por darem massa a partículas elementares. Os modelos atuais mostram que o universo quando muito cedo, era extremamente quente, em torno de 10^32 graus Kelvin. A essa temperatura, o campo de Higgs não teria sido capaz de dar massa aos primeiros elétrons e quarks. Assim, parece que a massa do universo nos seus primeiros momentos, era exatamente ZERO.

» O universo atual contém energia negativa e positiva. Medições recentes mostraram que a quantidade energética do universo é ZERO. Lembre-se que a energia e a massa são intercambiáveis, são as duas faces da mesma moeda, então temos zero massa transformando-se num universo de energia zero.

Evidentemente que o universo é muito estranho, talvez mais estranho ainda do que podemos imaginar. Estamos agora no início de o entender, mas há uma coisa que já se pode ter certeza: se tu aplicares o mesmo pensamento que funciona para carros, futebol e churrascos, tu NUNCA o irás entender. Os homens e mulheres que se dedicam afincadamente a este problema, provavelmente irão conseguir entender, jogando fora todos os nossos preconceitos do quotidiano.

E isso nos leva de volta aos nossos Teofísicos. Essas pessoas estão aplicando a lógica de jardim de infância, aos problemas mais intratáveis e difíceis ​​da humanidade. A verdade é que eles não fazem isso para resolver esses problemas, eles fazem-no para encontrar lacunas de modo a fazer uma ligação ao seu deus de estimação. Eles são ignorantes ou desonestos. Ou as duas coisas juntas.



† Edward J. Larson e Larry Witham, Nature 394, 313 (23 de Julho de 1998) ‡ Religião e Ciência nos Estados Unidos, Pew Research Center, novembro de 2009


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

Cristianismo é uma religião grega



Um estudo mais aprofundado da filosofia do período patrístico não deixa dúvidas de que o cristianismo tem pouca relação como Antigo Testamento e tudo a ver com a mitologia e as ideias gregas.

 Jesus, o Cristo, é uma figura profundamente ESTRANHA ao Antigo Testamento, que não tem nenhum profeta se intitulando “Filho de Deus”, nenhum personagem “nascido de virgem”, e nenhum que tenha morrido e ressuscitado. 

Já a mitologia grega está coalhada de figuras assim. Perseu e Hércules eram filhos de Zeus, nasceram de virgens, estiveram no Hades e voltaram. 

O Antigo Testamento não faz referência nenhuma a Deus ser uma “trindade”. Essa, porém, era uma ideia recorrente a neoplatônicos, pitagóricos, epicuristas e estóicos. 


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O teu homem das cavernas interior



Por pelo menos 94% do tempo da existência da nossa espécie, nós fomos coletores e caçadores da Idade da Pedra. Por mais de 99,5% do nosso tempo aqui, não tínhamos nenhum método confiável para entender nosso mundo e confiávamos em deuses, magia e superstições.

Não devemos esquecer que não estamos apenas relacionados com aqueles homens e mulheres da Idade da Pedra de há 200.000 anos, nós somos ainda essas pessoas. Somos da mesma espécie, feitos do mesmo material e com o mesmo desenho. Evoluímos ligeiramente ao longo de todos esses anos, e apenas mudanças insignificantes ocorreram nos últimos 1.000 anos. Poderíamos ainda acasalar com um dos nossos antepassados da Idade da Pedra e produzir proles viáveis.

Esta perspectiva pode explicar por que, após a abordagem científica ter provado completamente a evolução, e que os deuses, magia e superstições terem sido completamente desacreditados, que 85% de nós ainda continuam a acreditar que deuses, magia e superstições são reais e valiosos. 

Mas não são.

Isso não é mais que o nosso homem das cavernas interior falando. É hora de deixá-lo ir.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell