quarta-feira, 10 de maio de 2017

Segurando um tigre pela cauda



As religiões são fraudes do tipo pirâmide que, em alguns casos, persistem por bem mais de 100 gerações. Os já falecidos que há muito tempo as inventaram, nunca poderiam ter sonhado como elas se espalhariam pelo mundo e mudariam a história humana.

Nem poderiam ter imaginado como as religiões deixariam a divisão, a morte e a destruição no seu rasto. As religiões tocam em profundos centros emocionais da nossa psique que podem nos levar tanto a amar como a odiar, a criar e a destruir.

Nossa espécie atingiu um estágio em que já somos muito maduros para necessitar de religiões, mas ainda muito imaturos para sermos confiáveis com elas.

Estamos a segurar um tigre pela cauda, e devemos deixá-lo ir embora.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 9 de maio de 2017

Se deus fosse real, os ateus precisariam de apologistas



Se deus fosse real, não precisaria de apologistas para explicar por que é tão difícil encontrá-lo, ou por que um deus amoroso planeou tanta dor e sofrimento para nós. Não precisaríamos de apologistas para explicar por que diferentes pessoas vêem deus de forma tão desigual, assim como as escrituras não precisariam de hermenêutica para fazer sentido.

Se deus fosse real, seria TÃO ÓBVIO, que os biólogos precisariam de apologistas para explicar por que toda a evidência aponta para o criacionismo. Os ateus precisariam de apologistas para explicar por que os piedosos desfrutam de longas vidas e abundantes benefícios, enquanto os não-crentes não conseguem nada. Os ateus precisariam de apologistas para explicar como aprendemos tanto sobre o universo, a partir de um livro escrito milhares de anos atrás.

Mas não é assim. Todas as evidências refutam o criacionismo. São necessários apologistas humanos para defender o deus todo-poderoso, porque ele não pode se defender e as escrituras parecem exatamente o que são - as reflexões dum povo supersticioso da Idade do Ferro.

Se tu acreditas em deus, nada faz sentido sem invocar a magia. Se tu não acreditas, tudo faz sentido e nenhuma magia é necessária.

Tu precisas de magia para acreditar em mentiras, mas não para encontrar a realidade.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A diferença entre xadrez e religião




Quando derrubas alguém no xadrez, o teu oponente oferecerá invariavelmente a sua mão e o felicitará. Muitas vezes, os jogadores mais qualificados, ponderam a sua derrota e tentam aprender com ela.

Quando tu dás um xeque-mate a um crente num debate, ele raramente oferecerá a sua mão para te felicitar. O que acontece é que ele vai mudar instantaneamente de assunto e esquecer que o debate já aconteceu. E se pressionado, o mais certo é ele negar que tu ganhaste, apesar das evidências de ter o seu rei desaparecido.

Os crentes deveriam aprender muito com os jogadores de xadrez.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 7 de maio de 2017

Deus...



Falar de Deus é falar de coisa nenhuma. Cada um cria um deus para si, alguns fazem-se deuses de si próprios, outros precisam dos deuses dos outros por serem incapazes de serem deuses de si mesmo. Por isso usam os deuses que os outros criam como seus.

Crer nos outros antes de crer em nós, é a amputação dos sentidos.

Esperar que o deus dos outros nos salve é um acto de cobardia e falta de coragem em darmos um passo em nosso favor. "Deus" é o lado desconhecido do nosso cérebro, capaz de coisas que a outra parte acha impossível, "Deus" só existe na cabeça de cada um de nós e como tal não pode ser perfeito.

É o lado por explorar do nosso cérebro que quando é explorado mostra que não há "Deus" nenhum, nem na nossa cabeça.



É verdade, existem deuses



Existem deuses. Não Deus, mas deuses. Há mesmo muitos. E um deles conhece cada um de nós melhor do que qualquer ser humano nos conhece, mesmo melhor do que os nossos irmãos, os nossos pais, o nosso melhor amigo ou nosso/a amante mais íntimo. Esse Deus sabe realmente o que pensamos sobre tudo: os nossos desejos, as nossas paixões, os nossos medos e os segredos mais escondidos que nunca revelamos a ninguém.

Conhecemos os nossos deuses também. Nós os conhecemos tão bem como eles nos conhecem. E essa proximidade é o que torna os deuses tão tranquilizadores e reconfortantes. Não poderia ser doutra maneira e nem poderia ser mais óbvio.

Muitas pessoas gostam de acreditar que o seu Deus está no comando, mas não é realmente bem assim. Pense nisso mais como os parceiros de dança onde nós lideramos e eles nos seguem. Nós estamos num passo perfeito na maioria das vezes, mas, ocasionalmente, um de nós coloca um pé mal.

Estamos tão perto dos deuses simplesmente porque eles são parte de nós. Eles residem nas nossas mentes. Eles nasceram lá, eles moram lá e, quando morremos, eles morrerão connosco.

Os deuses recebem nomes diferentes em diferentes culturas. Seja como for, em vez do nome que tu dás ao teu deus, eu prefiro usar o termo: alter ego.




Traduzido e adaptado de Bill Flavell


sábado, 6 de maio de 2017

Islão, Maomé e o Corão




O islão é edificado a partir dos seus antecessores judeu e cristão, selecionando um pedaço aqui e um fragmento ali, tendo como consequência que se um cair, tudo se desmorona parcialmente. De igual modo, a sua narrativa fundadora ocorre numa área surpreendentemente pequena e relata factos extremamente enfadonhos acerca de disputas locais. Quase toda a tradição é oral, e é toda árabe. Na verdade muitas autoridades concordam que o Corão só é inteligível naquela língua, ela própria sujeita a inúmeras inflexões idiomáticas e regionais. A julgar pelas aparências, isto deixar-nos-ia com a conclusão absurda e potencialmente perigosa de que deus foi monoglota.

Porém, quando examinado, o islão não é muito mais que um conjunto de plágios bastante óbvios e mal organizados, retirados de livros e tradições anteriores à medida que a ocasião parecia exigir.
Faz imensas reivindicações para si, invoca a submissão ou "rendição" prostrada como uma máxima para todos os seguidores e exige deferência e respeito aos não crentes.

Quanto a Maomé, se bem que saibamos que uma pessoa chamada Maomé existiu quase de certeza numa franja do tempo e espaço relativamente pequena, temos o mesmo problema que em todos os casos anteriores. Os relatos que descrevem os seus actos e palavras foram reunidos muitos anos depois e estão irremediavelmente  corrompidos até à incoerência por interesse pessoal, rumor e analfabetismo.

O profeta morreu no ano 632 do nosso calendário aproximado, o primeiro relato da sua vida foi escrito cento e vinte anos mais tarde por Ibn Ishaq, mas o original perdeu-se e pode apenas ser consultado através da sua forma reformulada, da autoria de Ibn Hisham, que morreu em 834. Contribuindo para este rumor e falta de clareza, não existe qualquer relato de como os seguidores do profeta reuniram o Corão nem como os seus diversos adágios se tornaram codificados.

Algumas autoridades muçulmanas afirmam que durante o primeiro califado de Abu Bakr, imediatamente após a morte de Maomé, surgiu a preocupação de que as suas palavras transmitidas oralmente pudessem ser esquecidas. Tinham sido mortos tantos soldados muçulmanos em batalhas que o número daqueles que tinham o Corão bem guardado na memória tornara-se perigosamente pequeno. Assim, foi decidido reunir todas as testemunhas vivas, juntamente com "folhas de papel, pedras, folhas de palmeira, omoplatas, costelas e tiras de couro", onde os adágios foram escritos, e entregá-los a Zaid ibn Thabit, um dos antigos secretários do profeta, para um cotejo autorizado. Feito isto, os crentes ficaram com uma coisa que se assemelhava a uma versão autorizada.

A ser verdade, isto situaria o Corão numa data mais próxima da vida de Maomé. No entanto, depressa descobrimos que não há certeza nem consenso relativamente à verdade da história. Mais histórias existem de como os textos foram reunidos, alguns depois declarados verdadeiros e outros apócrifos, sendo esses mandado destruir.

A situação é ainda mais frágil e deplorável quando chegamos aos hadith, ou aquela vasta literatura secundária gerada por via oral que, supostamente, transmite as palavras e os actos de Maomé, a história da compilação do Corão e as palavras dos "companheiros do profeta".

Muitos dos hadith não passam de versículos da Tora e dos Evangelhos, fragmentos de adágios de rabinos, antigas máximas persas, trechos de filosofia grega, provérbios indianos e até reproduções praticamente literais da "Oração do Senhor".


Texto de Christopher Hitchens, in "deus não é grande".

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mais estranho do que podemos imaginar





Se assumirmos por um momento que existe apenas um universo e o universo é tudo o que existe, existem duas possibilidades:

1) tudo sempre existiu ou 
2) tudo veio a existir a partir do nada. 

Ambas as opções são extraordinárias e difíceis de acreditar.

Como poderia tudo nunca começar a existir? Eu não faço ideia.
Como o nada poderia existir e tornar-se tudo? Eu não faço ideia.

As pessoas às vezes dizem que o Big Bang significa que o universo começou a existir, mas isso não é necessariamente verdadeiro. É verdade que o universo, como o entendemos hoje, começou a existir. O que existia antes do início do Big Bang, a ciência ainda não nos pode dizer. Portanto, não podemos ter certeza de que o Big Bang foi um evento de criação, pois poderia ter sido apenas um evento de transformação.

Mas, talvez haja uma terceira opção. Talvez o universo não exista e nunca tenha existido. Talvez o universo não seja realmente feito de partículas e forças, mas é feito de informação. Pense nisso como equações. Imagina que não temos nada, e poderíamos igualmente dizer que temos -100% e + 100% e ainda não temos nada.

Se formos parte dos 100% positivos, parece que as coisas sempre existem, mas tudo o que percebemos, sejam partículas, massa, movimento e assim por diante poderiam ser apenas uma interpretação de equações complexas.

Essa ideia é bizarra, mas pensa na inteligência artificial. Em breve os nossos carros serão conduzidos por computadores. Estes computadores recebem entradas elétricas e as convertem em equações e as equações representam estradas, veículos, pedestres, velocidades e assim por diante. A única coisa que existe dentro desses computadores é a informação, mas é suficiente capaz de criar um mundo tão real, que tu vais confiar nela a tua vida. Será que todo o universo inteiro funciona de forma semelhante?

Um punhado de físicos, como Seth Lloyd no MIT, estão levando esta ideia a sério e assim, talvez em cinco ou dez anos, nós poderemos saber se ela tem algum mérito. Enquanto isso, meu conselho é manter sua mente aberta.

A natureza da realidade e as origens do universo não serão apenas estranhas, elas provavelmente serão mais estranhas do que podemos imaginar.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A controversa oração do Getsêmani




Mateus: 26:39. E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

Marcos: 14:35. E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres.

Lucas: 22:42. dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.

Se Jesus e Jeová eram um; se ele era um deus encarnado; se havia nele a omnisciência e sabia que ele era o sacrifício humano, por quê esta proposta descabida num contexto onde é questionado o desfecho da missão de se martirizar pelos homens? É, no mínimo, muito estranho. 
Já li a tentativa de vários teólogos para justificar esta incoerência, mas as explicações do que seria o tal cálice nesta oração é tão estúpida quanto a mesma.


 Texto de Lael Santos

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Como é que gostas das evidências?



Quando os especialistas dizem que o Universo como o conhecemos, teve um início, os crentes concordam, felizmente, e dizem: "A ciência prova que deve haver um Deus para começar tudo!"

Quando especialistas dizem que a vida evoluiu gradualmente ao longo de vários milhões e milhões de anos, os crentes discordam e dizem: "É uma conspiração", "Não há provas" ou "Meu avô não era um macaco".

O engraçado é que há evidências muito boas para o evento Big Bang, mas há muitas, muitas mais evidências para a evolução. Então, como é que os crentes gostam das suas evidências? Eles gostam delas quando apoiam as suas ilusões. Mas já não gostam quando não as apoiam.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell



A bíblia e as suas aberrações




Enaltecido por mais de dois mil milhões de pessoas, este é o livro mais vendido de todos os tempos. Apesar de todos os questionamentos sobre o surgimento e o desenvolvimento desta religião, o cristianismo conseguiu se sobrepor às demais, angariando um número astronómico de adeptos. 

Algumas observações precisam ser colocadas. Os seus seguidores são na grande maioria pessoas iletradas, analfabetos funcionais, e os que escapam disso são ociosos literários, pessoas que não gostam de ler, muito menos de pesquisar, ou seja, em nome de uma fé, vorazmente comem qualquer coisa que lhe derem à boca. Os poucos estudiosos, sim posso dizer poucos, apesar de não ter dados estatísticos, quando descobrem as irregularidades se omitem, por conta de interesses que sobrepõem à necessidade de revelar o que é verdadeiro. Não é preciso um estudo minucioso para detectar as tais aberrações citadas no título deste texto. O livro sagrado do judaísmo e do cristianismo, é um verdadeiro festival de gritantes incoerências. Uma religião como esta não cresceria tanto se os seus seguidores dedicassem um tempinho diário para conferir suas contradições, não com olhos de fé, mas de raciocínio lógico.

A construção desta grande colcha de retalhos, chamada bíblia, deixou expostas narrativas simplesmente absurdas. O interessante é que eu cresci no convívio íntimo com esta fé, mas um mix de um pseudo temor e reverência ao deus hebreu, o medo do inferno e a lavagem cerebral de que este deus é soberano e sabe o que faz, e que as coisas reveladas são para nós e as encobertas para ele(Jeová), me tolhiam de qualquer possibilidade de bater de frente com o sistema, o que hoje já não acontece. 
E como estou? Há uns quatro anos que encontrei a liberdade e me libertei das terríveis algemas. Às vezes me pergunto como é que eu corria os olhos sobre textos como os que seguem abaixo, e não reagia...

"Compassivo é o Senhor, e justo; sim, misericordioso é o nosso Deus" (Sal. 116:5).

"O Senhor é justo no meio dela; ele não comete iniquidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; o injusto, porém, não conhece a vergonha" (Sof. 3:5).

"E ouvi o anjo das águas dizer: Justo és tu, que és e que eras, o Santo; porque julgaste estas coisas" (Apoc. 16:5).

Quer dizer que Jeová é justo???

Dentre as muitas atrocidades bíblicas, vou me ater apenas a este texto, pois são muitos os que desconstroem esta tal justiça:

Ezequiel: 21:3-4. E dize à terra de Israel: Assim diz o Senhor: Eis que estou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio.
E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne, desde o sul até o norte.

Isto é ser justo?... Justiça injusta... Os escribas e os compiladores deste livro se deram muito mal.



Texto de Lael Santos