sábado, 6 de maio de 2017

Islão, Maomé e o Corão




O islão é edificado a partir dos seus antecessores judeu e cristão, selecionando um pedaço aqui e um fragmento ali, tendo como consequência que se um cair, tudo se desmorona parcialmente. De igual modo, a sua narrativa fundadora ocorre numa área surpreendentemente pequena e relata factos extremamente enfadonhos acerca de disputas locais. Quase toda a tradição é oral, e é toda árabe. Na verdade muitas autoridades concordam que o Corão só é inteligível naquela língua, ela própria sujeita a inúmeras inflexões idiomáticas e regionais. A julgar pelas aparências, isto deixar-nos-ia com a conclusão absurda e potencialmente perigosa de que deus foi monoglota.

Porém, quando examinado, o islão não é muito mais que um conjunto de plágios bastante óbvios e mal organizados, retirados de livros e tradições anteriores à medida que a ocasião parecia exigir.
Faz imensas reivindicações para si, invoca a submissão ou "rendição" prostrada como uma máxima para todos os seguidores e exige deferência e respeito aos não crentes.

Quanto a Maomé, se bem que saibamos que uma pessoa chamada Maomé existiu quase de certeza numa franja do tempo e espaço relativamente pequena, temos o mesmo problema que em todos os casos anteriores. Os relatos que descrevem os seus actos e palavras foram reunidos muitos anos depois e estão irremediavelmente  corrompidos até à incoerência por interesse pessoal, rumor e analfabetismo.

O profeta morreu no ano 632 do nosso calendário aproximado, o primeiro relato da sua vida foi escrito cento e vinte anos mais tarde por Ibn Ishaq, mas o original perdeu-se e pode apenas ser consultado através da sua forma reformulada, da autoria de Ibn Hisham, que morreu em 834. Contribuindo para este rumor e falta de clareza, não existe qualquer relato de como os seguidores do profeta reuniram o Corão nem como os seus diversos adágios se tornaram codificados.

Algumas autoridades muçulmanas afirmam que durante o primeiro califado de Abu Bakr, imediatamente após a morte de Maomé, surgiu a preocupação de que as suas palavras transmitidas oralmente pudessem ser esquecidas. Tinham sido mortos tantos soldados muçulmanos em batalhas que o número daqueles que tinham o Corão bem guardado na memória tornara-se perigosamente pequeno. Assim, foi decidido reunir todas as testemunhas vivas, juntamente com "folhas de papel, pedras, folhas de palmeira, omoplatas, costelas e tiras de couro", onde os adágios foram escritos, e entregá-los a Zaid ibn Thabit, um dos antigos secretários do profeta, para um cotejo autorizado. Feito isto, os crentes ficaram com uma coisa que se assemelhava a uma versão autorizada.

A ser verdade, isto situaria o Corão numa data mais próxima da vida de Maomé. No entanto, depressa descobrimos que não há certeza nem consenso relativamente à verdade da história. Mais histórias existem de como os textos foram reunidos, alguns depois declarados verdadeiros e outros apócrifos, sendo esses mandado destruir.

A situação é ainda mais frágil e deplorável quando chegamos aos hadith, ou aquela vasta literatura secundária gerada por via oral que, supostamente, transmite as palavras e os actos de Maomé, a história da compilação do Corão e as palavras dos "companheiros do profeta".

Muitos dos hadith não passam de versículos da Tora e dos Evangelhos, fragmentos de adágios de rabinos, antigas máximas persas, trechos de filosofia grega, provérbios indianos e até reproduções praticamente literais da "Oração do Senhor".


Texto de Christopher Hitchens, in "deus não é grande".

Sem comentários:

Enviar um comentário