sábado, 19 de maio de 2018

A Doação de Constantino ou como uma mentira torna poderosa uma igreja.




Um dos documentos forjados que mais rendibilidade têm dado à Igreja Católica é o decreto de 30 de Março de 315, Constitutum Constantini ou Privilegium Sanctae Romanae Ecclisae, a famosa Doação de Constantino, como ficou conhecida. Neste documento, que foi apresentado como tendo sido redigido pelo próprio Constantino, além de se relatar o seu processo de conversão, por ação do papa Silvestre, o imperado declara que:

"na medida em que o nosso poder imperial é tanto mais terreno, decretamos que a sua santíssima igreja romana será venerada e referenciada e que a sagrada sede do bem-aventurado Pedro será gloriosamente exaltada e passará a usufruir de uma glória superior ao nosso Império e ao seu trono terrestre. [...] A dita sede regerá as quatro principais de Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Jerusalém, assim como todas as Igrejas de Deus em toda a parte. [...] Finalmente, devemos saber que doamos a Silvestre, papa universal, o nosso palácio, bem assim como todas as províncias, palácios e distritos não só da cidade de Roma e de Itália, como de todas as regiões de Ocidente."

Trata-se duma criminosa falsificação, feita a mando do papa Estêvão II (752-757), e por este utilizada para forçar a aliança militar do rei franco Pepino e de seu filho Carlos Magno com a igreja para combater os Lombardos que ameaçavam as riquezas e o poder do papado romano. Após a derrota dos Lombardos, o rei Pepino, convencido de que Estêvão II era o sucessor de São Pedro e do imperador Constantino, devolveu à igreja Católica todas as terras que por direito lhe pertenciam, graças à Doação de Constantino.

Mediante esta vigarice, a igreja Católica acumulou um património e um poder de tal modo imensos, que ainda hoje vive dos rendimentos que lhe proporcionou esse enorme e infame delito, origem do Estado da Igreja. O texto mais antigo que se conhece da referida Doação figura nos manuscritos das Decretales pseudoisidorianas (c. 850), mas só se tornou público no século XI, quando já era universalmente reconhecido como autêntico um documento que raríssimas pessoas tinham efetivamente visto.

O papa Leão IX (1049-1054), nos seus escritos, cita amplas passagens da falsa Doação para justificar o primado do bispo de Roma, mas só com o papa Gregório VII (1073-1085) se transformou na base fundamental do direito canónico. Os papas posteriores, como Urbano II (1088-1099), Inocêncio III (1198-1216), Gregório IX (1227-1241) ou Alexandre VI (1492-1503), serviram-se amplamente desse documento para se impor aos príncipes, anexar territórios, etc...

Um curiosidade histórica relativa a este monumental engodo, que tanto prejudicou os reis europeus, foi protagonizada por Otão III (983-1002) que, num documento datado de 1001 e dirigido ao papa Silvestre, considera a referida Doação como falsa e nula, o que não impediu que continuasse a produzir os seus efeitos. Neste documento, Otão III, depois de repudiar a corrupção e as malversações que haviam caracterizado os papas, escreve: 

"Distorceram as leis pontificais e humilharam a igreja romana, e papas houve que chegaram ao ponto de reclamar a maior parte do nosso império. Não se interrrogavam porque o tinham perdido por sua própria culpa, nem se preocupavam com o que haviam delapidado com as suas loucuras, estavam apenas interessados, depois de terem dispersado aos quatro ventos as suas próprias possessões, em descaregar as culpas do acontecido sobre o nosso próprio império e em reclamar a propriedade alheia, isto é, a nossa e a do nosso império. São mentiras por eles inventadas [ab iilis ipsis inventa], nomeadamente pelo diácono João, também conhecido por Dedo-cortado, que redigiu um documento com letras de ouro e forjou uma enorme mentira cobrindo-a com o nome de Constantino, o Grande. "

A impostura foi finalmente detetada em 1440 por Laurenzio Valla, cónego de Latrão e secretário pontifício que, ao analisar o texto e ao recensear todos os seus elementos estilísticos e históricos, incluindo os anacronismos, concluiu tratar-se duma falsificação. No entanto, o medo de vir a ser executado pelo papa coibiu Valla de proceder à publicitação da sua descoberta que só foi conhecida em 1519, o mesmo ano em que Martinho Lutero, e não se trata duma coincidência, começou a sua luta contra a igreja, ao criticar duramente o vergonhoso negócio pontifício das indulgências. A igreja Católica, claro está, continou a garantir com empenho a autenticidade da Doação de Constantino e só quando, em pleno século XIX, os dirigentes das nações europeias sacudiram a tutela do Vaticano, a igreja reconheceu finalmente que se tratava, de facto, de um documento forjado.

Seja como for, em virtude de uma espécie de norma moral cristã,cuja origem e teor nos são totalmente desconhecidos, aigreja Católica, apesar de ter fundado o seu Estado e o seu poder temporal sobre a referida mentira e a subsequente série de expoliações, nunca manifestou até hoje o menor indício de estar arrependida, nem esboçou qualquer gesto para devolver o seu património ilícito aos seus legítimos proprietários.Muito pelo contrário, a hierarquia católica, exatamente como na época de Outão III, continua a exigir da sociedade civil que esta financie a sua péssima gestão.


Texto de MENTIRAS FUNDAMENTAIS DA IGREJA CATÓLICA, de Pepe Rodriguez

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A origem de deus


  
Donde veio Deus? Ele é eterno como afirmam os religiosos ou tem uma origem desconhecida em algum ponto do passado ?

Seria esta uma questão acima da compreensão humana ou uma investigação minuciosa revelaria sua origem? Seria Deus um ser real ou apenas mais um mito criado pelo Homem?

Crentes, preparem os vossos cérebros e vamos a elas !!

A Natureza Humana

Para se entender a origem de Deus, faz-se necessário, primeiramente, compreender a própria natureza humana. Todos os seres vivos, entre eles o Homem, tem como imperativos a preservação da vida e a perpetuação dos genes.
Cada organismo possui características que lhe permite sobreviver em seu ambiente. Entre diversas ferramentas de sobrevivência, uns desenvolveram venenos, outros camuflagem, outros ainda asas e garras.

O ser humano desenvolveu a RAZÃO (Faculdade Cognitiva), a mais eficiente ferramenta, a que lhe permite ADAPTAR-SE ao meio ambiente. A razão humana sediada no CÉREBRO, é totalmente dependente dos sensores de estado.

Os sentidos: 
- Visão
- Audição
- Olfacto
- Paladar
- Tato 

 INFORMAM o Estado do Ambiente; 

As sensações de:
- Fome
- Sede
- Calor
- Frio , etc 
INFORMAM o estado do organismo. 

A partir do confronto dessas INFOMAÇÕES, o CORTÉX CEREBRAL efectua "simulações" do próprio e outros organismos em ambientes mentais com o fim de testar POSSIBILIDADES e tomar acções instantâneas, ou programá-las com, até, anos de antecedência, para a sua sobrevivência. Tais simulações são commumente conhecidas como:
- Pensamentos
- Imaginação
- Sonhos
- Pesadelos
Além da capacidade de SIMULAR, o Homem possui SENTIMENTOS que são IMPRESSÕES guardadas no CÉREBRO, como se fossem CÓPIAS VIRTUAIS.
Para a preservação da vida, a mais importante impressão é o MEDO [Este é o gérmen da religião], cuja sensação é a DOR. Com base nele, o Homem e demais animais, antecipam a DOR e decidem praticamente tudo o que se refere à SOBREVIVÊNCIA.

A Origem de Deus

(Sem Limites)

Aparentemente, a mente humana SIMULOU todo o tipo de seres e ambientes com o fim de se preparar para um confronto futuro com quaisquer TIPOS DE AMEAÇA. Formulou "lugares prazeirosos e invisíveis" [Paraíso], mas curiosamente, visíveis nas SIMULAÇÕES {operações do Construto mental}, infringindo ( violando ) os LIMITES:
- Físicos
- Racionais
- Lógicos
- Morais
- Éticos e 
- Perversos (em algumas circunstâncias), 

castigando e ordenando o MASSACRE DE MULTIDÕES (característica intríseca do cristianismo e do islão), ou extremamente misericordiosos (islão e cristianismo persuadindo com lugares fantasticamente agradáveis) como pais amorosos, prometendo:
- Perdão
- Riqueza
- Vida Eterna.
Ora, semelhantes a assassinos passionais MATANDO e CONDENANDO ao Fogo Eterno quem não corresponde ao seu AMOR DOENTIO (deus ALLAH/JEOVÁ = psicopata Polivalente), ora parecidos a compreensivos maridos que perdoam a esposa do adultério.

Impotentes para evitar uma TRAGÉDIA alheia, mas capazes de CONSTRUIR PLANETAS e até o UNIVERSO para o seu próprio (BELO) PRAZER (típico de crentes que criam os seus deuses).

Por mais grandiosos que sejam, os deuses e os seus ambientes, sempre obedecem às leis das simulações mentais:

- Céu e Inferno = são campos de provas
- Deuses e Demónios = são organismos predadores...

O Cortex Cerebral põe o seu próprio organismo neste campo de batalha e busca formas de sobrevivência.

O problema é que fugir ou destruir seres dessa magnitude, é IMPOSSÍVEL, então, as únicas alternativas possíveis são APAZIGUÁ-LOS (oferendas e obediência), ou faze-los confrontarem-se:
- Bem X Mal
- Deus X Satanás
- Anjos X Demónios

...na esperança de que venha um aniquilar o outro. Como as informações processadas no cérebro, sejam elas REAIS ou SIMULADAS, têm a mesma natureza --- CONEXÕES NEURAIS:
- Imaginação
- Realidade 
...se CONFUNDEM nas mentes desprecavidas (crentes ignorantes por natureza ( ? )).

Desta forma o Homem [ { ( Criou DEUS ) } ] e:
- Anjos
- Demónios 
- e o MUNDO ESPIRITUAL

 passando a adorá-lo, temê-los e ensiná-los às posteridades através das RELIGIÕES.

Como naturalmente, a imaginação precede à análise, o MUNDO IMAGINÁRIO (primeiras explicações sobre os fenómenos do Universo) se antecipou, em muito, à compreensão do mundo real, ESCRAVIZANDO grande parte da humanidade durante milénios até aos dias de hoje.

Embora se tenha o conhecimento científico como uma eficiente ferramenta de libertação, a sua árdua assimilação faz com que poucas pessoas tenham disposição para se dedicar a ele a fim de entender o seu MUNDO IMAGINÁRIO.

A Medidas de Todas as Coisas

É importante notar que a origem das entidades e ambientes espirituais, está nas informações colhidas pelos SENTIDOS e SENSAÇÕES humanas sobre o mundo real, principalmente pelo sentido da VISÃO.

As asas dos anjos são como dos POMBOS ou ÁGUIAS. Deus tem braços, boca como seres humanos e, inclusive no livro judaico-cristão, é considerado PADRÃO de imagem para a criação do Homem.

Para o Homem, não há ser mais destrutivo e ameaçador que ELE MESMO (o Homem que criou deus). Por isso, os deuses mais assustadores são formulados com CARACTERÍSTICAS HUMANAS (corpo espiritual, razão, razão e sentimento), alguns com partes de animais mais aterrorizadores. O deus Anúbis do egípcios, por exemplo, tem corpo humano com cabeça de CHACAL. A INVISIBILIDADE dos deuses é baseada nas características do AR que, embora invisível, é sentido e indispensável para a Vida Orgânica.

Muitas referências bíblicas afirmam que Deus é feito de ar (espírito, pneuma).

Já os ambientes sobrenaturais como:
- Paraíso
- Inferno
...se baseiam em:
- Jardins
- Céu
- Fogo
- Enxofre
- Luz
- Escuridão 

...etc, todos encontrados na natureza.

Essa imaginação limitada por figuras naturais conhecidas, ocorrem porque não há uma REALIDADE transcedental que venha a ser informada ao Homem além daquilo que os seus sentidos e sensações possam coletar do Mundo Real, pois o Homem é a medida de todas as coisas. (Protágoras, 487-420 aC).

Reflexão

O tempo e a experiência de vida, a aquisição de informações mais apuradas, tendo como referências o mundo real e os fatos, faz alguns adiquirirem a capacidade de discernirem o REAL do IMAGINÁRIO para o alívio da sua consciência.
A [sugestão cultural] acerca dum mundo sobrenatural, encaminha o ser humano a PENSAR que o imaginário é real, ainda que na tenra infância, fase da vida na qual não há experiência, consciência e razão suficientes para refutar o improvável. Na fase adulta (como exemplo os crentes), se não houver um grande EXERCÍCIO MENTAL, para averiguar todos os Sofismas que PROTEGEM as crenças em seres espirituais - incluíndo Deus, cuja origem é a IMAGINAÇÃO HUMANA - eles atormentarão a mente dos que crêem com:
- Pomessas
- Ameaças 
até no fim da sua existência.

Por : Hegas Alberto Santana Santana
Com : Santiago Luis

Eu já fui um ateu...




Aposto que todo ateu já ouviu cristãos alegando que eles já foram ateus. Quando ouço isso, sempre pergunto por que é que eles eram ateus e invariavelmente descobri que eles não eram realmente ateus - eram apenas cristãos preguiçosos. Em vez de orar/ir à igreja, eles preferiam beber/sexo/drogas/pornografia/jogos de azar ou outras atividades ímpias.

Então eu pergunto por que é que eles mudaram de ideia e sempre me deram uma razão emocional: eles tiveram uma experiência de algum tipo e descobriram Jesus. O que eu nunca ouço é: "eu encontrei o argumento ontológico/cosmológico/teleológico ..." [ou qualquer outra coisa].

Bem, na minha opinião, se tu fosses um ateu por nenhuma razão lógica, serias um mau ateu e se és agora um cristão sem nenhuma razão lógica, és um mau cristão.

Se a lógica te leva ao ateísmo, então certamente permanecerás ateu porque não importa o quanto sua vida mude, a lógica teimosamente permanecerá a mesma. A beleza da lógica é que ela não depende de como tu te sentes hoje.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 15 de maio de 2018

Ateísmo




"O ateísmo me libertou dos grilhões das religiões,
Me libertou de pastores, padres e madres.
O ateísmo me libertou do medo do inferno,
E de um falso céu aprazível e terno.

O ateísmo me trouxe liberdade,
Já não acredito em tudo cegamente
Aprendi sobre tudo a questionar
E separar as mentiras das verdades. 

O ateísmo me deu nova visão
A crença cedeu lugar para a razão
Já não tenho receio de dizer no que não creio
E quando religiosos em seus devaneios
Tentam me empurrar seu deus goela abaixo
Não me rebaixo , digo logo:
"Sua ladainha não me comove
Se teu deus existe
Simplesmente então, me prove!" 


De: Racionalistacetico

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A verdade sobre o dízimo




Dízimo não é prática cristã

1- Dízimo era COMIDA na Lei ( Levítico 27:30-32 ).
Só é dinheiro quando levar comida era impossível. Este dinheiro era revertido para aquilo que desejava o seu coração.
Carne, vinho, bebida alcoólica ou qualquer coisa que se queira comer. Porém, sem se esquecer dos Levitas ( Deuteronómio 14:24-27 ).

2- Dízimo era uma prática de igualdade social para SUSTENTAR OS LEVITAS, pois eles FICARAM SEM PARTE na "terra prometida" ( Deuteronómio 14:27; Números 18:21 ).

3- Além dos levitas só as:
- viúvas
- pobres
- estrangeiros
podiam RECEBER O ALIMENTO ( Deuteronómio 26:12 ).

4- Só os SACERDOTES LEVITAS podiam manusear e receber o dízimo do Templo ( 1 Crónicas 15:2 ).

Se você não for um hebreu da tribo de Levi e sacerdote do Templo ( não é qualquer levita, é ser SACERDOTE LEVITA ), você não pode RECEBER o dízimo.

5- O mandamento era, LEVAR O DÍZIMO à Casa do Tesouro ( Malaquias 3:10 ).
CASA DO TESOURO era uma ante-sala, que ficava no Templo, em Jerusalém, perto do altar.

Portanto, o dízimo era para ser entregue, lá no Templo em Israel, para um sacerdote levita. Para ele distribuir aos:

- órfãos
- viúvas
- pobres
- e estrangeiros

Nunca, jamais, o dízimo foi para:

a) Pagar salário do pastor
b) Comprar carro ou avião para o pastor
c) Doar apenas meio quilo de arroz ou meio litro de óleo aos seus seguidores e terceiros.

Quem diz isso ( e faz ) é MENTIROSO.

O ( suposto ) pastor não é, e jamais será, sacerdote Levita. Dizer que é levita porque se sente levita, é como a ideologia do género:

"Mulher não nasce mulher tornando-se mulher.

É ABSURDO !!!

Então como aceitar alguém que não é hebreu e dizer que é levita ?!?
E quem disse que uma igreja da esquina é Casa do Tesouro ?!?
A Casa do Tesouro é UMA SÓ, e está em Jerusalém.


Texto de Egas Santana
Ateu africano - 2018

É um mundo mesmo louco!



Imagine um mundo em que, quando nasces, alguém joga os dados, daqueles com 10 lados, para ti. Digamos que o teu dado fica a mostrar o número 8. E vamos imaginar que todos no mundo tenham também dados de 10 faces jogados para eles.

Neste mundo imaginário, tu consideras o número 8 como sendo muito especial. Isso afetará a forma como tu te vestes, como vives, com quem fazes amizades, para que escola vais, o que te é ensinado, os teus valores morais e muitas das tuas crenças sobre o mundo. A todo mundo que lhe saiu o número 8, será como tu. Todos que lhe calharam um número diferente, serão diferentes. Tu podes crescer desprezando aqueles que jogaram números diferentes. Tu podes até mesmo odiá-los e tentar persuadi-los de que deveriam ter tentado ter um 8, assim como te calhou. Tu podes até ficar tão zangado com o número que a eles lhes calhou, que podes até tentar matá-los ou fazer guerras contra eles.

Que mundo louco assim seria. Todos os tipos de coisas sobre a tua vida seriam determinados pelo acaso de uma face dum dado. As pessoas se juntariam em grupinhos mais ou menos hostis, determinados pelo número que lhes saiu. A grande variedade de crenças diferentes que são determinadas pelos dados significa que a maioria das pessoas necessariamente acredita em muitas coisas que não podem ser verdadeiras, e pode até ser prejudicial, antiético ou ridículo.

Tu podes ser grato por o nosso mundo não ser assim.
Mas ele é! Excepto que o lançamento dos dados não te dá um número, dá-te um deus e uma religião.

Em teoria, todos poderiam decidir ignorar os dados lançados e encontrar o seu próprio caminho no mundo. Mas, na prática, a tradição dos dados está tão profundamente arraigada que pouquíssimas pessoas têm a coragem, a independência mental e a persistência de se rebelarem.

É por isso que temos um mundo mesmo louco e o porquê de ser tão difícil de o mudar.

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 12 de maio de 2018

Salvação cristã: um projeto total, parcial ou mal interpretado?




Se o homem é salvo pela morte de um cristo, por que tantos apetrechos para que a salvação se concretize?

Se jesus é o caminho, a igreja é o pedágio!

O que se faz necessário para que uma pessoa possa ser salva? Quais os critérios para a salvação do homem? A igreja promove a salvação ou a oferta de salvação é quem faz sobreviver a igreja nos moldes em que foi montada? Segundo a bíblia, se esse tipo de salvação fosse possível, os cristãos estariam inseridos nela ou seriam afetados negativamente pela mesma? Por que e para quem a salvação bíblica por meio de um messias foi prometida? Vejamos o que a crença cristã diz a respeito contrapondo com a lógica dos fatos.

Céus, paraíso, anjos, pecado, condenação, nascimento virginal, ressurreição, expiação de pecados por meio de um sacrifício... De onde vem tudo isso? A salvação cristã é uma ideia original ou é plágio de vários mitos religiosos de culturas diferentes? Com qual propósito tudo isso foi inventado? Pelo qual proposito tudo isso se mantém? Por que tantas contradições e pontos de vistas auto anulatórios sobre um mesmo ponto de vista? Se realmente a salvação é um benefício final que o homem possa alcançar, por que deus deixa que ela seja comercializada por pessoas que se portam em certos casos como contrabandistas e mercenários? Por que não abrir um “balcão” de negócios e ofertar ele mesmo esse produto tão cobiçado sem passar pela mão de cambistas e exploradores? Um produto tão sério sendo comercializado por tanta gente de conduta duvidosa...ai tem coisa!

Então, o que realmente precisamos fazer para irmos aos céus morar com o deus? Aceitar jesus como salvador? Crer que a bíblia é sagrada e divinamente inspirada? Se afiliar a uma igreja? Dar o dízimo regularmente para manutenção da “casa de deus”? Ser capacho de líder religioso? Se borrar de medo cada vez que um “ungido” usar de sua “autoridade” ministerial para te coagir a fazer o que não queres? Ofertar diariamente nas igrejas cada vez que passam com aquela varinha com uma bolsa de pano? Participar de todo tipo de campanhas e “desafios” na igreja, todas essas envolvendo grandes somas de dinheiro para que algum propósito seja feito em sua vida ou na “obra do senhor”? Comprar todo tipo de bugiganga, coisas fúteis e lixo ungido?

Qual dessas dez opções você acha que é necessária para conduzir alguém as mansões celestiais apresentadas por aqueles que vivem exatamente de fazer promessas fantásticas e incoerentes com a própria crença ou com o próprio livro que dizem ser sagrado? Do ponto de vista cristão, para a maioria das igrejas todos concordam ainda que de modo indireto, que todas essas exigências sejam necessárias pra que deus deixe você morar para sempre no paraíso celestial feito para pessoas boazinhas e obedientes.

Entre todas essas exigências que fazem parte do “pacote da salvação”, ser capacho de líder religioso é a que tem peso maior para que você possa ser aceito por deus nas mansões celestiais. Numa escala de 1 a 10, ela tem peso de número 9. Todas as demais citações juntas somadas tem apenas peso 1. Alguns dos líderes religiosos chegam a dizer abertamente que por serem “ungidos do senhor”, tem autoridade total sobre a vida dos fiéis e inclusive sobre a vontade do próprio deus, pois podem mandar ele tirar do livro da vida o nome de algum “rebelde”, ou seja, de qualquer pessoa que ainda procure manter sua lucidez dentro da “casa de deus”.

Para justificar tais argumentos, usam a passagem de Êxodo 32:32 em que numa ocasião Moisés pediu para que deus riscasse o próprio nome do livro da vida. Se o ungido tem o poder de mandar riscar o próprio nome desse livro onde consta a relação dos convidados ao paraíso, imagine se não pode mandar apagar o nome de outros...A maioria dos que frequentam ou já frequentaram igrejas de linha pentecostal por exemplo, já devem ter ouvido mais de um zilhão de vezes essa expressão vociferada por alguém vestido um terno, por detrás de uma tribuna, cheio de ódio ou más intenções, mas que se achava superior ao próprio deus ao usar tais palavras.

Fora todo esse tipo de exigência, ainda existem outras coisas que são acrescidos a essas que acabam fazendo com que o crente deixe de subir no dia do arrebatamento. Eis as principais causas, que segundo muitos líderes evangélicos, muitos crentes não irão subir naquele “grande dia”: cortar o cabelo, se depilar, usar roupas curtas, usar maquiagem ou qualquer adorno para beleza exterior(mulheres). Ser bonito ou atraente, usar ou desenhar a barba, praticar esportes (homens). Beber qualquer bebida alcoólica, refringente ou café (depende da igreja). Não comer carne de porco, sangue de animais, ou qualquer comida que tenha sido feita em ritual pagão (ou por um pagão). Não guardas os dias santos e feriados instituídos pela igreja, desconsiderar qualquer tradição cristã, por mais sem sentido e sem propósito que essa pareça ser, se masturbar, ver programas televisivos, participar de cultos de outras religiões, participar de cultos da mesma fé mas com placa de outra igreja, transar de luz acesa, ver o corpo nu do conjugue durante o sexo, ter um união estável não oficializada por um cartório ainda que seja verdadeira e respeitável. Estudar sobre a origem e evolução do homem, bem como a origem da própria crença também estão entre as principais causas quem podem te fazer ficar no dia do arrebatamento.

Viu que lista extensa? Ai pra justificar eles dizem: “o sangue de jesus é quem nos limpa de todo o pecado”! Ou então: “é pela graça e pela fé que somos salvos”. Mas esse sangue, essa graça e essa fé só alcançam quem se insere nos parágrafos 3 e 7 desse texto, entende? Um sangue, uma graça e uma fé que pagam tudo, mas ao mesmo tempo não paga nada. Lembrando que a obediência cega as lideranças eclesiástica continua sendo a principal motivo para que alguém possa ser salvo, tanto é que todas as igrejas, quase que de modo unânime afirmam e alto e bom som: “FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO”! Tanto é que se alguém aceitar a jesus e não se afiliar a uma igreja também não vale nada. Tem de pagar pedágio mensal e ser objeto de uso para uma hierarquia inteira de “ungidos”.

Então, vamos deixar a pergunta mais intrigante e concisa: é a graça, a fé, o sangue de jesus, a obediência cega aos “ungidos”, a igreja ou uma lista enorme de podes e não podes que conduzirá o homem aos céus?

Para não ficarmos rodando em círculos, vamos tentar entender essa questão segundo o ponto de vista de quem a princípio escreveu esse “livro sagrado”, por que escreveu e para quem escreveu. Vamos fazer um resumo dos trechos mais importante, encurtando a história bíblica como se fosse um flash dos principais acontecimentos. Vamos lá:

“Era uma vez um deus perfeito, que não faz nada imperfeito, que após uma rebelião nos céus organizada pelo seu principal assistente de elevado poder, estava entediado e resolveu criar seres inferiores para se comunicar ou subjugar. Apesar de sua perfeição, deixou brechas propositais no seu paraíso fantástico recém criado para que sua criação perfeita viesse a ser seduzida pelo anjo rebelde, cair e ser punida com duras penas. A dor, sofrimento e morte eram as principais. Ele fez o homem, quem sabe para compensar a frustação que sofrera com o seu assistente que o traiu, quem sabe em parceria com esse mesmo anjo para que ambos pudessem ter algo realmente interessante para fazer e compensar o tédio que havia nos céus, onde somente seres fantásticos e perfeitos ficavam dia e noite cantando sua gloria e dizendo o quanto ele é lindo sem parar, eternamente (esse tédio causa revolta mesmo, aff!).

Logo após a criação e a “queda” do homem, toda terra se encheu de maldade, e deus teve a brilhante ideia de acabar com toda sua criação, matando todos os seres viventes, incluindo animais e plantas que nada tinham a ver com esse pecado além de milhões (ou bilhões) de seres humanos que já povoavam o planeta, deixando apenas 8 pessoas num barco à deriva largados a própria sorte para recomeçar o povoamento do globo outra vez. Entre milhões ou bilhões de pessoas, naquela ocasião ele “salvou” apenas 8 deles, pelo seu infinito amor, bondade e misericórdia (aleluia!).

Depois desse deus perfeito que só faz coisas perfeitas destruir a humanidade imperfeita, traçou um outro plano perfeito para promover mais uma vez a salvação para a humanidade dessa vez por meio da linhagem de seu servo Abraão até chegar a um messias prometido. Vale lembrar que ao longo de toda a história bíblica, o modo como esse “povo escolhido” pregava a salvação e o reino de deus aqui na terra era usando o terror e o ódio aos povos vizinhos.

Guerras desnecessárias, matanças, incêndios, invasões de propriedade, destruição ou posse ilegal do patrimônio alheio, estupros de vulneráveis, recepção, captura e comercio de escravos e mistificação de objetos. Era desse modo que eles “evangelizavam” os povos vizinhos. Era desse modo e por meio dessa santa linhagem que os planos perfeitos de deus estavam sendo estabelecidos aqui na terra para prover outra vez salvação para o homem imperfeito criado por um deus perfeito.

Há centenas de “belíssimas” historias bíblicas, protagonizadas pelos “heróis da fé” em que comprovam que o terror era o método mais adotado pelo “povo de deus” no passado para “converter” o homem a deus. De modo semelhante o “reino de deus” tem sido pregado pelos cristãos ao longo de dois mil anos até os dias atuais. Ameaças de inferno e maldiçoes precedem qualquer mensagem de boas novas a todos quanto o deus cristão é oferecido.

Para finalizar essa linda história de amor e compaixão pela frágil e confusa raça humana, deus engravidou a uma virgem por meio de uma pomba, gerando a ele mesmo, para que ele mesmo fosse morto numa cruz, derramar seu próprio sangue num madeiro para que toda humanidade fosse salva, para depois permitir que líderes religiosos do ocidente se apossassem dessa ideia, anulando seu sacrifício e vendendo a salvação somente a quem eles querem, persuadindo deus a mandar para o inferno bilhões de pessoas em todo o mundo que um dia não tenha “aceitado a jesus”. Fim da história”!

História linda não é? Todos já ouviram essa história, só que de modo aumentado e detalhado. Fiz apenas um apanhado rápido para que fosse possível entender os perfeitos planos de deus para a salvação do homem segundo a visão cristã.

Toda essa fantasia só se é possível manter por causa de dois fatores importantes: as pessoas desconhecem a própria bíblia que dizem ser o livro de conduta de suas vidas e desconhecem a própria história secular. Se conhecessem esses dois fatores o cristianismo quem sabe jamais teria surgido ou teria sido extintos nos primórdios do seu nascimento, do mesmo modo em que praticamente foram extintos quase que por completo nos primeiros locais a serem considerados cristãos a princípio sendo substituído por outro tipo de crença.

Os cristãos desconhecem ou preferem ignorar o fato que se realmente há um messias na bíblia, ele foi prometido aos judeus e não aos cristãos e que se realmente ele sentasse em um trono para julgar, os cristãos seriam os primeiros a serem julgados pela pluralidade de deuses que veneram ainda que de forma disfarçado, além de preservarem sem saber no cristianismo quase todos os ritos das religiões consideradas como pagas na época pelo “povo de deus”.

Outro fato que não conhecem também, é que se há um messias, jesus, o messias venerado pelos cristãos, não se enquadra nesse perfil, ou seja, jesus não é o messias prometido se quisermos levar em conta o que a própria bíblia diz ao seu respeito. Ele foi apenas um revolucionário comum, odiado pelo seu próprio povo caso realmente tenha existido. Nem sua linhagem nem o seu “nascimento virginal” conferem com aquilo que fora dito a respeito do salvador de israel.

Além de tudo isso, se fecham ao fato de que se tudo isso for verdade e a bíblia inteira estiver certa, não há bondade, nem justiça e nem amor algum nesse deus, apenas ódio e irracionalidade. Nenhum dos seus atributos surreais seriam válidos e toda a humanidade correria sérios riscos nas mãos deles, considerando que ele afogou milhões de pessoas no passado e por 40 anos judiou no deserto o povo que ele próprio prometera salvar. Matou quase todos no deserto e os fez girar em círculos por 40 anos, sem falar que por motivo não entendidos, ele sempre toma partido em um dos lados e sem motivos específicos afirmar amar totalmente a um e aborrecer a outra pessoal. O pior de tudo é ficar neutro as barbaridades que fazem em seu nome sem se incomodar.

Se a salvação do homem depender do estado de seu humor e do seu senso de justiça, estamos todos perdidos! Os povos que criaram a bíblia não esperam a salvação como os cristão esperam, nem estão contando com um paraíso fantástico cheios de seres eternamente cantantes. Aguardam uma salvação terrena, onde irão poder subjugar todas as nações do mundo enquanto dirigem o globo com seu gerente oficial o todo poderoso messias.

Perceberam que todos os que são “cria” desse deus de Abraão conservam esse tipo de pensamento egoísta onde muitos tem de se ferrar para outro ser abençoado? Cada um se apossa dessa vaga ideia de deus para usar como arma de ataque e defesa, ou para se encherem dos piores sentimentos que alguém possa nutrir, que são o ódio, o orgulho, a soberba, a ganancia a inveja e a falta de compaixão.

A ideia da salvação cristã com toda sua incoerência só subsiste por que ela é lucrativa! A propaganda mais duradoura e que rende mais lucro para os cofres de qualquer igreja que se diga cristã á a propaganda da volta de jesus! Nenhum publicitário conseguiu lucrar tanto por um período tão prologando com tão pouco investimento quanto os que vendem a salvação estão lucrando! Sem ela e as ameaças que a acompanham, não haveria igreja, tradições e nenhum rito em volta dessa figura chamada jesus. Se houve um jesus que falou realmente algo proveitoso para o homem pouco importa. Importa ameaçar os incautos para encher igrejas e aumentar os lucros. Esse modelo de cristianismos subsiste pela coação psicológica, e não exatamente por que as pessoas amam a deus.

Do mesmo modo que uma criancinha faz “caquinha” e procura ocultar ou terceirar a culpa, a humanidade tem feito “caquinha” constantemente e tem procurado se esquivar de suas reponsabilidade criando deuses, demônios e qualquer tipo de ser real ou mitológico que possa levar suas culpas

A salvação que mais precisamos mesmo é a salvação da ignorância. Precisamos sermos salvos de nós mesmos! Precisamos salvar uns ao outros. Precisamos amadurecer o suficiente para assumirmos reponsabilidade pelo nosso sucesso ou fracasso e bem como entender o efeito de nossas ações ou da falta dela.

Pela criação e manutenção dos deuses e de suas recompensas e castigos temos nos levantado uns contra os outros para guerras, mortes e improdutividade. Se existe um céu e seres fantásticos morando lá, a humanidade seria superior a eles se um dia resolvesse abandonar crenças que nos tornam seres infantis, mimados e irresponsável.

A salvação que mais nos importa no momento é recobrarmos nossa sanidade. Depois dessa conquista entenderemos a realidade como ela é poderemos dar um passo além como individuo, como povo e como espécie. Salve-se dos que com ameaças e castigos tentam te subjugar a todo custo. Você troca apenas de senhor mas não deixa de ser escravo quando a força que te move é o retinir dos chicotes. Comece a ser salvo aqui e agora.

O pior pecado que cometemos é o deixar que pessoas confusas ou mal intencionadas conduzam o destino de nossas curta vidas aqui na terra. Essa é a maior de todas as condenações que podemos imputar a nós mesmo!

Saúde e sanidade a todos! 


Antônio Ferreira Bispo é graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O ateísmo e as crenças



Compreende-se a hostilidade dos crentes ao ateísmo, e é difícil aceitá-la contra os ateus, tal como é intolerável que os ateus visem, em vez das crenças, os crentes, sabendo que estes são as primeiras vítimas.

São três as imputações mais comuns dos crentes aos ateus, salvo os muçulmanos, que logo pensam na decapitação, todas no sentido de fazerem a catarse freudiana dos medos, dúvidas e terrores do inferno que povoa as suas mentes:

1 - A presumida superioridade moral e intelectual ateia, sem que exista ou seja referida;

2 - A alusão reiterada a facínoras ateus, Stalin, Mao, Pol Pot e outros, omitindo o cristão Hitler que em «A minha Luta» citava o Génesis deleitado com a violência de Cristo na agressão aos Fariseus, alusões que procuram confundir, e absolver o episcopado cristão, católico e luterano, incluindo o Papa, da cumplicidade com o nazismo e o fascismo;

3 - A afirmação de que há, entre os cristãos, pessoas boas, generosas e beneméritas, como se algum dia os ateus tivessem duvidado ou deixado de admitir a maldade de numerosos ateus.

Há, nas várias religiões, hierarcas merecedores de consideração e respeito pela craveira moral, intelectual e cívica. Há grandes personalidades e pessoas generosas entre os crentes. Ninguém é perfeito.

Mas isso não faz virgem a mãe de Jesus, infalíveis os Papas ou imaculada a conceção de Maria (fertilização in vitro?), nem transforma a superstição com os milagres, aparições e exorcismos, com que a ICAR ganha a vida e extasia os fiéis, em verdades.

Os atributos dos crentes bondosos não tornam verdadeiras as religiões, não expurgam a violência e a crueldade dos livros sagrados nem transubstanciam em corpo e sangue de Cristo o pão e o vinho, sob o efeito de palavras rituais e sinais cabalísticos.

JC deixou a doutrina que justificou a Inquisição, o Índex, a contrarreforma, o genocídio dos ameríndios, dos índios e de todos os que fossem avessos à conversão. Eis a verdade. A ICAR foi o que é hoje o Islão e só se humanizou graças à repressão política sobre o seu clero. E a cumplicidade nazi/fascista da ICAR? Não há sistemas mais totalitários do que uma teocracia. Não há religião que não se encoste ao poder quando, de todo, não pode ser ela a detê-lo. Será por acaso que eram católicos Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet, Hitler e Pétain e cristãos os coronéis gregos?

Por que motivo a ICAR excomungou a democracia, o socialismo, o livre pensamento, o liberalismo, o comunismo e a maçonaria e nunca excomungou o nazismo? JP2 reiterou a excomunhão ao comunismo, já depois da queda do muro de Berlim, mas nunca o fez contra o nazismo e o fascismo. E recusou reconhecer o Estado de Israel até 1993!

Por que motivo preparou o Vaticano a fuga de Adolf Eichmann e outros próceres nazis para os livrar do julgamento de Nuremberga? Que fez JP2* quando os hútus católicos do Ruanda massacraram centenas de milhares de Tutsis com a participação ativa do clero no genocídio? Ficou silencioso e cúmplice. Este crime foi recente, não aconteceu na Idade Média.

Eis a razão:
Os judeus das trancinhas à Dama das Camélias cabeceiam o Muro das Lamentações e bendizem o assassinato de islamitas, passagens dos Evangelhos explicam a proteção de Pio XII a Adolf Eichmann com o genocídio contra os deicidas judeus, e os surahs do Corão abençoam o massacre de judeus e cristãos (por esta ordem).

Yavé abençoa a guerra e os guerreiros e promete a destruição total dos palestinianos – a «guerra santa» segundo a expressão do livro de Josué. Jesus mandou «ir e evangelizar», justificando o proselitismo e os horrores de que parcialmente JP2 pediu perdão. Maomé o mais rude e incivilizado recomenda a jihad.

Os ateus são os inimigos comuns a erradicar pela demência mística dos monoteísmos.

* JP2 = João Paulo II


Texto de Carlos Esperança

quinta-feira, 10 de maio de 2018

A certeza da macroevolução



Eu sempre fico surpreendido quando algumas pessoas religiosas (elas sempre parecem ser crentes) pensem que a microevolução é possível, mas a macroevolução já não.

Isto é simples. Qualquer um que aceite a microevolução, só precisa reconhecer que a macroevolução é microevolução na forma CUMULATIVA (mudanças evolutivas ocorrem em organismos que são a soma total de todas as mudanças evolutivas anteriores).

Uma vez que tu percebas isto, só precisas adicionar as gerações suficientes para que mudanças evolutivas muito substanciais ocorram. (Tu também podes atirar fortes pressões de seleção para acelerar o processo.)

É como contares até mil milhões, depois de teres um processo para adicionares 1 ao número que tinhas antes, basta reservares o tempo suficiente e chegas ao número mil milhões.

A macroevolução não é impossível, É UMA CERTEZA, havendo o tempo suficiente.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 8 de maio de 2018

O imperador Constantino e a aliança com a Igreja Católica




Com a abdicação simultânea de Diocleciano e de Maximiano a 1 de Maio de 305, abrindo uma crise interna no império Romano, deu-se a grande oportunidade para o futuro das Igrejas cristãs. A subida ao poder, como augustos, de Constâncio Cloro e de Galério, resultou num enfraquecimento geral do Estado. Ocupados em guerras intestinas que opunham entre si os diferentes imperadores, não havia tempo para continuar com as campanhas de extermínio contra os cristãos, iniciadas por Diocleciano. Assim, em Abril de 311, Galério assinou um édito que conferia o estatuto ao cristianismo de religio licita (religião lícita). Um ano depois, Constantino, deu ordem para que fossem restituídos às igrejas os bens confiscados e lhes fosse entregue uma contribuição do tesouro imperial.

Mas o imperador Constantino não se limitou a ser apenas generoso. Por essa altura, deu-se uma disputa intestina feroz na Igreja do Norte de África que opunham duas fações cristãs - a Igreja dos santos comandada pelo Maiorino (depois por Donato), e a Igreja Católica chefiada pelo Mensúrio (e depois por Ceciliano). Os primeiros diziam que os Católicos eram os traditores (traidores), acusando de se terem aliado aos perseguidores romanos enquanto estes haviam resistido, não entregando os textos sagrados como Mensúrio havia feito, como preferiram ser mártires a ser apóstatas. A partir de 313 o confronto entre as duas fações tornou-se insanável e o cisma instalou-se entre as duas igrejas.

Lembro que disputas e guerras entre fações cristãs era algo banal nos primeiros séculos. No início do séc. III, o Bispo Hipólito de Roma citava 32 seitas cristãs em luta umas com as outras, e em finais do séc. IV, o Bispo Filastro de Bréscia referia-se a 128 seitas e 28 heresias. As comunidades cristãs sempre em guerra umas contra as outras, tentando cada uma impor a sua própria doutrina aos restantes seguidores de Jesus, e todas hostilizando os judeus, davam um espetáculo deplorável e nunca visto no contexto religioso da Antiguidade. Foi com Constantino que a fação Católica acabou por se impor. Lembro que atualmente a situação é ainda pior, pois o cristianismo está dividido em várias grandes religiões e em centenas de seitas de todos os tamanhos e dimensões, cada uma reivindicando o título e verdadeira e autêntica seguidora de Jesus.

Voltando à luta intestina entre a igreja dos santos e a igreja Católica, o imperador Constantino fez mais que marginalizar a igreja de Donato ao entregar à igreja de Ceciliano avultados bens. O imperador já tinha um projeto político ambicioso destinado a adaptar a realidade eclesial às suas necessidades pessoais e imperiais, e a transformar duradouramente as relações entre as igrejas cristãs, dando grandes poderes à Igreja Católica.

O imperador Constantino, logo desde o início, achou-se por direito questionar as decisões conciliares que lhe não era favoráveis, tal como o de convocar ele próprio os concílios gerais dos bispos. Este desprezo e mesmo insulto com que tratava a hierarquia católica, nunca levantou qualquer protesto por parte da mesma. E a razão é simples, devia-se à generosidade das suas doações tal como no trato real que dispensava aos bispos convocados para os seus concílios. E foi assim que o imperador comprou vontades, apoios, decretos conciliares à medida e até uma igreja inteira, a católica, cujo hierarcas depressa amealharam uma riqueza e um poder ilimitados, o famoso Patrimonium Petri (Património de Pedro).

Foi pelos anos de 315-316 que Constantino começou a cristianizar as leis do seu império, dando proteção aos mais desprotegidos e, ao mesmo tempo, tornando mais rigoroso o direito matrimonial (ramo do direito que continua a ser até hoje uma das grandes obsessões do clero católico). Foi em 318 que reconheceu oficialmente a jurisdição episcopal, foi em 321 que autorizou as igrejas a receber heranças, em 320 ou 321 declarou o domingo dia de festa, efeméride que fora até então festejada como o dia do Sol, e entretanto, foi dando grandes ajudas para a construção de dezenas de igrejas luxuosas financiadas com dinheiros públicos, etc.

Esta ligação entre o imperador e a Igreja Católica tornou-se tão íntima que os bispos passaram a assumir funções que até então era exclusivas do Estado. A exemplo, em julgamentos, o testemunho dum bispo tinha mais força do que o dos cidadãos distintos (honoratiores) e era inatacável! Mais, foi reconhecida aos bispos jurisdição própria em causas civis (audientia episcopalis), o que significava que quem tivesse um litígio se podia dirigir ao bispo que cuja sentença seria considerada "santa e venerável", por decreto de Constantino. O bispo tinha o poder de sentenciar, mesmo contra o desejo expresso duma das partes e a sua decisão era inapelável, limitando-se o Estado a executar a dita.

Claro que o imperador nunca deixou de controlar os assuntos eclesiásticos. Quando surgiu a disputa do arianismo, Constantino apoiado pelo seu conselheiro, o Bispo Ósio de Córdova, convocou para Niceia uma assembleia geral dos bispos, e tendo como ordem do dia a discussão da doutrina de Ario. Esta assembleia aconteceu em 325 e estiveram cerca de 300 bispos. O concílio empreendeu a elaboração dum símbolo onde ficasse definida a cristologia ortodoxa. Aos títulos de "Deus de Deus, luz de luz" foi acrescentado o de "consubstancial ao Pai" (homoousis). Este inesperado acrescento, certamente sugerido por Ósio de Córdova, acabou por ser aceite na sequência do especial empenhamento de Constantino, pois os padres conciliares não podiam recusar o que quer que fosse ao imperador.

Quando chegou o momento de firmar o texto assim redigido, o imperador deixou claro que os clérigos que o negassem a fazê-lo seriam imediatamente desterrados pelas autoridades imperiais. Apenas Ario e os seus partidários egípcios, demasiado comprometidos com essa fórmula condenada, resistiram a essa chantagem, sendo imediatamente recambiados para longínquas localidades das províncias danubianas. Por amor à unidade, por respeito ao imperador, ou por simples cobardia, os presentes e mesmo aqueles que consideravam o homoousios como uma fórmula herética, aceitaram vincular-se à decisão tomada.

Foi a 19 de Junho de 325 que o concílio foi encerrado, com grande banquete oferecido pelo imperador, em honra dos bispos assistentes, tão grande que muitos deles chegaram a pensar se já não estariam no reino de Deus. O imperador, durante o banquete, fez um discurso em que exortou os bispos à unidade, à modéstia e ao zelo missionário, além de ter presenteado pessoalmente cada um deles com cartas em que se ordenava aos funcionários imperiais que distribuíssem todos os anos trigo aos pobres e aos clérigos das diversas igrejas. E assim partiram os bispos reconfortados, entusiasmados e ainda mais submissos do que nunca. Constantino havia-os conquistado definitivamente para a sua causa e estava satisfeito com o concílio. A unidade das Igrejas católicas finalmente uma expressão visível, restando aos cismáticos a possibilidade de se lhe juntarem em condições humilhantes enquanto que as personnae non gratae que se negaram a subscrever a profissão de fé, iam já a caminho do exílio. Tudo isso era, em grande parte, obra sua, o que lhe dava a possibilidade de intervir diretamente nas questões eclesiásticas.

Só depois é que os bispos mais perspicazes se aperceberam que, ao aceitarem tão facilmente às imposições de Constantino, tinham trocado a livre iniciativa que detinham pelo logro da cooperação com o Estado. É facto que depois de terminado o concílio, os bispos Eusébio de Nicodemia, Máris de Calcedónia e Teógnis de Niceia disseram publicamente que tinham aceitado as imposições do imperador por o temer e que desejavam retratarem-se. De Constantino receberam guia de marcha para a Gália, e a exigência que as igrejas de Nicodemia e de Niceia elegessem novos bispos, o que foi prontamente obedecido. O bispo de Teodoro de Laodiceia, na Síria, suspeito de querer imitar os seus pares rebeldes, recebeu uma carta brutal do imperador em que era convidado a meditar na triste sina de Eusébio e Teógnis, o que o fez calar-se. E foi assim que a partir de Outubro de 325 que Constantino, passou a policiar a fé no interior do corpo episcopal. Foram bastantes os bispos que se assustaram e a falarem entre si estas apreensões.

Para a história fica a vergonhosa memória dum concílio (de Niceia) em que uma caterva de bispos cobardes e vendidos à vontade arbitrária do imperador Constantino deixou que este definisse e impusesse alguns dos dogmas fundamentais da Igreja Católica, como a consubstancialidade entre Pai e o Filho e o credo trinitário. Constantino foi constituído em teólogo por sua exclusiva graça, com o seu capricho definiu para sempre o que os católicos deviam crer a respeito de Jesus. E, no entanto, o credo que rezam todos os católicos não procede duma qualquer inspiração que o espírito santo tenha iluminado os bispos co concílio, mas da santa coação exercida pelo brutal imperador romano sobre esses homens que Jesus teria desprezado. O exemplo do nazareno dando a vida pelas suas ideias devia parecer uma ingenuidade detestável a uns bispos que não hesitaram em renegar a sua fé e consciência em troca de poderem continuar a encher a pança.

Com uma hierarquia eclesial tão servil, foi fácil para o imperador servir-se a seu bel-prazer da Igreja Católica, seja para manter unido o império no quadro duma religião única, como para uso e abuso da sua megalomania pessoal. Constantino auto designava-se "bispo para os assuntos exterior" (episkopos tôn extos) da igreja; fez-se apelidar de "salvador designado por Deus" e "enviado do Senhor", ou seja, apóstolo; ordenou que lhe fossem prestadas honras de representante de Cristo (vicarios Christi); exigiu ser tratado de "nossa divindade" (nostrum numem) a seguir ao sacritissimus que, mais tarde, seria usado por alguns imperadores cristãos; quis que o eu palácio fosse considerado um templo (domus divina) e a sua residência privada considerada um sacrum cubiculum. E quando morreu, Constantino foi inumado como se tivesse sido o décimo terceiro apóstolo. Em resumo, Constantino fez com a Igreja Católica e as suas crenças, tudo o que lhe deu na gana, comportou-se como seu amo enquanto os bispos engoliam em seco e aceitavam... e foram enriquecendo à medida que o seu poder se fortalecia.

Mais, esse imperador que amedrontava a igreja, era tido por "chefe amado de Deus", "bispo da grei, nomeado por Deus" ou "exemplo de uma vida de temor a Deus, que ilumina toda a Humanidade", foi, na verdade, um personagem que frequentava cultos pagãos, homem cruel e sanguinário, responsável por massacres de populações inteiras, organizador de jogos de circo onde feras e ursos famintos despedaçavam às centenas de inimigos seus, um pai que degolou o seu próprio filho, Crispo, um marido que estrangulou a sua própria esposa, um parente que assassinou o sogro e o cunhado...em duas palavras, um autêntico princeps christianus (príncipe cristão). A sua mãe que a igreja converteu em "Santa Helena", passava por uma princesa britânica, quando for uma taberneira pagã com estabelecimento nos Balcãs, concubina de Constâncio Cloro, pai de Constantino. Aliás, Constantino era conhecido pelo filho da concubina.

Como é óbvio, um homem tão fascinante, poderoso e mau como foi esse imperador, não podia morrer sem fazer à história um cruel manguito, era-lhe impossível "ascender aos céus" não sem antes se rir dos bispos que tratara como títeres e da igreja Católica que ele fizera entrar na história. Daí que quando ficou doente, começou por ir a banhos quentes em Constantinopla e às relíquias de Luciano, patrono e protetor do arianismo, que fora discípulo do próprio Ario. Só por último, recebeu na sua quinta, Archyrona de Nicodemia, as águas de batismo, apesar de ter desejado recebe-las nas margens do Jordão, a exemplo de Jesus. Constantino veio a falecer a 22 de Maio de 337, depois de ter recebido o batismo que lhe fora administrado por outro correligionário de Luciano, de nome Eusébio. Visto assim, é evidente que o primeiro princeps christianus se despediu deste mundo como herege, pormenor que é fonte de muitos problemas para os historiadores "ortodoxos" mas que lhe foi perdoado até pelo santo Ambrósio, inimigo acérrimo do arianismo.

Foi pela mão desta personagem que a Igreja Católica começou, de facto, o seu caminho. Foi transformada numa instituição de poder, e tudo fez para se arrogar representar de forma exclusiva e ortodoxa a mensagem de Jesus, conforme se encontra consignada nos evangelhos, que ela própria escolheu e manipulou, sem nunca cuidar em lhe ser fiel.


Fontes:
Historia de las religiones, Siglo XXI, vol.5
Mentiras Fundamentais da Igreja Católica, Pepe Rodrigues