quarta-feira, 1 de março de 2017

Quando uma pequena dose não é suficiente...



Lembro-me de ler, talvez uns 30 anos atrás, sobre um homem que foi encontrado morto na sua casa. Vamos chamá-lo de Sr. X. Ele era um homem dos seus quarenta anos e foi encontrado nu na sua cama, deitado. Não havia sinais de violência, mas o seu corpo era duma cor laranja bem desagradável.

O post mortem revelou que o homem havia morrido de insuficiência hepática. O Sr. X tinha poucos amigos e apenas alguns parentes vivos distantes. Os repórteres conversaram com os vizinhos e reconstituíram as circunstâncias de sua morte.

Parecia que o Sr. X era um entusiasta dos alimentos saudáveis ​​e ele tinha lido que as cenouras eram o alimento perfeito para a saúde por causa das suas altas concentrações de vitaminas e minerais, juntamente com fibras e carboidratos baixos. Dois anos antes, ele queixava-se de se sentir apático, algo como falta de energia e motivação. Foi então que ele decidiu usar o sumo de cenoura para aumentar os seus níveis de energia.

Ele investiu numa máquina de sumos e fez seu próprio sumo de cenoura. Depois de algumas semanas, ele sentiu que não estava a melhorar, então aumentou o consumo de meio litro de sumo por dia para um litro. Ele continuou a aumentar o seu consumo até que, de acordo com um vizinho, a sua dieta consistia em cerca de três litros de cenoura diariamente, e quase nada mais.

Seu plano era encontrar a dose certa de sumo para combater a sua fadiga, mas o resultado foi que ele encontrou a dose certa para desencadear a hipervitaminose com a consequente insuficiência hepática e posterior morte.

Conto esta história porque me faz lembrar de alguns países que conheço. A diferença é que o Sr. X teve uma overdose de vitamina A, mas esses países que conheço têm overdoses de religião. O caso do Sr. X ilustra perfeitamente que se tu escolheres a cura errada para os teus problemas (ele estava quase certo de sofrer de depressão leve), tu não vais ficar melhor e ainda podes piorar.

Se a religião não ajuda em pequenas doses, não esperes que ela ajude em grandes doses.




Traduzido e adaptado de Bill Flavell


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Quais são as hipóteses?



Pouco mais de metade dos seres humanos na Terra acreditam no Deus abraâmico, cerca de 3,7 mil milhões de pessoas. Estas pessoas acreditam que o seu Deus é real e muitos deles fazem o seu melhor para ganhar os seus favores. Eles acreditam que isso é importante porque a sua VIDA ETERNA irá depender de como Deus os julgará.

Esses crentes pertencem às três religiões abraâmicas principais, são Judeus, cristãos e muçulmanos, cada um com crenças muito diferentes (os judeus são menos de 0,4% do total, por isso vou ignorá-los por agora).

Imaginemos que Deus existe, e vamos começar assumindo que os cristãos têm razão, que Deus enviou o seu filho para ser sacrificado pelos nossos pecados e temos que aceitar Jesus como o Senhor para ser salvo.

Neste caso, não há nada que Deus possa fazer para ajudar aqueles 1,6 mil milhões de muçulmanos que não aceitam Jesus como o seu Senhor. Essas pessoas nem sequer aceitam que Jesus era o filho de Deus. Claro, isso significa que eles vão passar a eternidade no inferno.

Se assumirmos que os muçulmanos estão certos, as pessoas precisarão seguir os ensinamentos do Alcorão para evitar passarem a eternidade no inferno. Assim, todos os cristãos serão devidamente condenados.

Na verdade, é muito pior do que isso. Existem duas denominações principais no Islão e várias outras menores com diferenças teológicas que levaram a disputas e ao derramamento de sangue durante séculos. Não é de todo claro que o Céu estará disponível para aqueles que escolheram a denominação errada, não importa quão bons sejam como muçulmanos.

É ainda pior para os cristãos. Existem milhares de denominações cristãs e muitas delas diferem exatamente de como alguém se qualifica para o Céu. No cenário mais optimista, apenas uma pequena proporção de cristãos chegará ao céu.

Mesmo se tiveres a sorte de ter escolhido a denominação correta, tu ainda serás julgado na tua fé (e, talvez, obras) e muitos acabarão sendo condenados. No entanto, se calculares os números, apenas uma pequena proporção de pessoas irão viajar para o Céu, mas o resto irá sofrer para sempre.

E, é claro, é possível que Abraão tenha inventado tudo isso e o seu Deus é apenas uma personagem fictícia. Se é, como tu podes ter a certeza que não há outro Deus com o seu próprio inferno terrível esperando por todos os cristãos, muçulmanos e judeus?

O verdadeiro problema é que não há absolutamente nenhuma maneira de descobrir qual religião e denominação e comportamento que te irá levar para o Céu. É uma lotaria. Tuas chances de ganhar são certamente menos de 10% ou, mais provavelmente, uma fração bem mais pequena que isso.

Então, eu pergunto-me como é que os crentes podem ser tão confiantes de que sua eternidade é assegurada quando as probabilidades são tão horrivelmente baixas?
Expliquem-me.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Quatro argumentos contra a existência da alma



1 – A existência de uma alma imaterial cria o problema de explicar como algo imaterial pode interagir com algo material. Se a Alma interage com a matéria é material também. Isso porque tudo o que interage pode ser alterado ou destruído.

2 – O princípio da conservação da energia teria de ser “burlado” nessas interações. Uma ação material gera energia, mas se algo material age sobre algo imaterial, a energia tem de simplesmente desaparecer. Se algo imaterial age sobre algo material, uma porção de energia tem de surgir do nada!

3 – A existência de uma Alma é incompatível com a Teoria da Evolução. Primeiro que não há como explicar como e porque surgiu a Alma humana a partir de um dado ponto da evolução dos primatas e não há uma explicação para a enorme evolução física do cérebro se as características humanas mais decisivas são imateriais.

4 – Não há nenhuma forma de se comprovar a existência da Alma de forma independente de nossas especulações. Ou seja, não é uma hipótese demonstrável e nem “falseável”.


Autor: 
Lauro Augusto Monteclaro César Jr

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A poderosa pulga invisível



É possível que uma pulga invisível sobrenatural tenha criado o Universo. Bom, não sabemos ao certo, mas tu poderias fazer quatro importantes perguntas sobre isso:

P1: Quantas coisas sabemos com toda a certeza que têm explicações naturais?
R1: Milhões e milhões delas.
P2: Quantas coisas, que antes se pensava que apenas tinham explicações sobrenaturais, são agora conhecidas como tendo explicações naturais?
R2: Milhares e milhares.
P3: Quantas coisas sabemos agora com toda a certeza que têm explicações sobrenaturais?
R3: Precisamente nenhuma.
P4: Quantas coisas sobrenaturais sabemos com toda a certeza que existem?
R4: Ver R3.

Esses fatos não descartam completamente a "pulga invisível", mas eles sugerem explicações naturais para coisas que ainda não entendemos mas que são muito mais prováveis do que explicações sobrenaturais. Tu podes encontrar a explicação da "pulga invisível" como sendo muito atraente, mas não deves apostar as tuas economias de toda a tua vida ou mesmo a tua vida na hipótese da "pulga invisível" como sendo a verdadeira. 

E, é claro, a mesma lógica se aplica a todas as outras explicações sobrenaturais.



Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Por que sou ateu...



Sou ateu porque não há a mais leve suspeita nem o menor indício de que Deus exista ou tenha feito alguma vez prova de vida.

Sou ateu porque duvido das afirmações sem provas e das palavras criadas e decifradas pelos que vivem à custa de um ser imaginário e fanatizam crianças desde o nascimento; porque confio na igualdade dos géneros e repudio a herança misógina herdada das tribos patriarcais que criaram Deus como explicação por defeito de todas as dúvidas e medos que os habitavam; porque repudio a explicação contraditória de um ser inventado que, sendo omnipotente não consegue, sequer, parar o sangue derramado em seu nome.

Ser ateu é a opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus atos e forma de viver, de quem respeita a vida – a sua e a dos outros –, de quem cultiva a razão e confia na ciência para elaborar modelos de racionalidade, sem necessidade de recorrer a um ser hipotético ou à esperança de outra vida para além da morte.

Ser ateu é descrer de verdades únicas e transcendentes, de um deus violento e vingativo, de uma casta que vive à custa das mentiras que os constrangimentos sociais e os hábitos de séculos transformaram em verdades.

Ser ateu é repudiar os manuais terroristas que os funcionários de Deus lhe atribuem e substituir as superstições tribais da Idade do Bronze pela herança do Iluminismo; é preferir os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos a quaisquer versículos dos livros sagrados e repudiar os sacrifícios exigidos pela perversão do clero.

Ser ateu é confiar na ciência e na sua capacidade para compreender o que não se sabe e eliminar os medos que oprimem os simples e aterrorizam os crédulos. É entender que há uma vida, única e irrepetível, que vale a pena viver sem angústias inúteis pela esperança de outro mundo, criado na infância do conhecimento e no apogeu da violência.

Ser ateu é rejeitar o júbilo divino com o sofrimento humano e evitar que a alegada fúria de um ser imaginário se converta no ódio irracional que dilacera os que acreditam em mentiras diferentes a seu respeito.

Ser ateu é, finalmente, respeitar todos os crentes, descrentes e anti crentes, enjeitar o proselitismo e combater as superstições e as crenças detonadoras do ódio e das guerras.



sábado, 18 de fevereiro de 2017

Por que é que tu acreditas em deus?



Tu és um crente, eu não sou. Vamos concentrar-nos um pouco para uma reflexão honesta.

Tu sabes que o teu deus é o deus com que cresceste a acreditar. Tu sabes que os povos acreditam igualmente e fortemente noutros deuses e noutras religiões. Mas estás convencido que tens razão pois a tua crença parece funcionar. Às vezes as tuas orações são respondidas e às vezes sentes-te perto de deus, tu até podes sentir deus falando contigo e sentires-te incrível.

Tu achas que deve haver um deus, pois de que outra forma tudo pode ser explicado, seja o universo, a vida, as leis da natureza? Então, com deus tudo faz sentido. Tu vês que com deus tudo se explica. É perfeito.

Mas há outras coisas que tu sabes que tu nem sempre pensas...

Tu sabes que outros deuses e outras religiões também funcionam. Os crentes desses deuses acham que as suas orações também são respondidas e também se sentem perto dos seus deuses e se sentem felizes. O que tu ignoras é o que isso significa. 

A menos que tu aceites que há um monte de deuses, sabes que no fundo que os outros deuses apesar de serem inexistentes, podem aparecer para responder a orações e fazer com que outros crentes se sintam incrivelmente bem. Mas tu sabes que isso significa que os humanos são capazes de criar esses sentimentos nos seus próprios cérebros.

Além disso, se o teu deus pode explicar o universo, a vida e tudo mais, então também poderiam os outros deuses explicar à sua maneira. E tu sabes, tu realmente sabes, que coisas inexplicáveis ​​PODEM vir a ter explicações perfeitamente naturais que estão apenas esperando para serem descobertas, assim como descobrimos as causas dos terremotos e raios.

Tu sabes que os seres humanos adoraram deuses por milhares de anos, e foram muitos, muitos deuses diferentes. Então sabes que muitos deuses foram INVENTADOS por seres humanos. A pergunta que tu deves fazer a ti mesmo é esta: 

É possível que TODOS os deuses foram inventados pelos humanos? 

Tu sabes a resposta a esta pergunta também. E a resposta é: SIM.

Isso não significa necessariamente que não existem deuses alguns. Mas significa que as razões pelas quais tu acreditas que o teu deus é real, não são razões válidas. São apenas desculpas para acreditares.

Será que realmente faz sentido ter crenças fortes quando tudo o que tu tens são desculpas?



Traduzido e adaptado de Bill Flavell




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A Razão é importante para um crente?



É preciso entender que para um crente fervoroso, a razão só é útil quando reforça sua fé.

Caso contrário, a razão é por ele vista apenas como um empecilho a ser ignorado para glória maior da fé.

É por isso que tentar convencer um crente de que sua fé é falsa, é completamente inútil. Só leva a sério um argumento racional quem é por sua vez racional.

O crente tem com a sua fé um compromisso superior àquele que ele tem com a sua razão.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Por que é que as religiões são cada vez mais idiotas?



As religiões costumavam ser bastante simples. Por muito tempo, as pessoas adoravam coisas reais com valor. Por exemplo: a adoração ao Sol era comum até à morte do Império Romano.

Há um sentido real no qual o Sol contribuiu para a criação e sustento da vida na Terra. Rapidamente estaríamos mortos sem ele. Se tu queres dizer "obrigado" pela vida na Terra, o Sol é algo de excelente para agradecer como muitas outras coisas.

Mas há alguns milhares de anos atrás, as religiões começaram a ficar idiotas. Começámos a adorar deuses invisíveis e indetectáveis, e de modo tão indetectável que, de fato, jurarias que eles não existem. Nós podemos somente interagir com esta nova raça de deuses nas nossas imaginações. Mas a idiotice não parou por aí.

No cristianismo, por exemplo, temos de crer que Deus queria perdoar o pecado humano e decidiu que ele poderia fazer isso apenas com um sacrifício humano. Então, ele inventou um jeito de nascer como um humano (de uma virgem, é claro) e então também arranjou uma maneira de ser morto como um sacrifício para si mesmo. Completamente idiota e absurdo!

As religiões mais modernas levaram a idiotice a um novo nível. Por exemplo, a Cientologia. Esta religião incorpora velhos clichés como humanos que tem um espírito imortal e com reencarnação, e ainda acrescenta uma nova dimensão. Ela ensina sobre Xenu, o ditador da "Confederação Galáctica", que há 75 milhões de anos trouxe mil mil milhões de pessoas para a Terra numa nave do tipo DC-8, empilhou-os em torno de vulcões e os matou com bombas de hidrogénio. Admito que até se torna difícil comentar tal absurdo monumental...

Por que não podemos apenas voltar a ser gratos ao sol que mantém o nosso planeta numa trajectória ordenada, mantém-nos aquentes e alimenta as nossas colheitas? Afinal, isso é factual e tu não precisarias intensivamente de doutrinar as crianças para garantir que as pessoas iriam acreditar nisso.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ciência e religião



Por mais que os religiosos desejem, a Ciência é (foi e sempre será) incompatível com a Religião.

- Na Religião não se admite que se ponha em dúvida as suas crenças.
- Na Ciência exige-se que se ponha em dúvida as suas Teorias.
- A Religião não prova nada do que afirma.
- A Ciência exige provas antes de afirmar o que quer que seja. E mesmo assim adopta um novo modelo, caso algum cientista descubra um outro modelo que se adeqúe ainda mais à interpretação da realidade.
- A Religião chama de falta de respeito a quem desafie os seus dogmas.
- A Ciência agradece a todos o que desafiam as suas Teorias, e porventura até as melhorem.

Um bom indicador de uma sociedade evoluída são as taxas elevadas de escolaridade (não religiosa) e baixas taxas de religiosidade.


Manuel Rodrigues

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Bye bye deus



Os crentes muitas vezes argumentam que algo fora do nosso universo deve ter feito o nosso universo e que esse algo é Deus. Este argumento é flagrantemente perverso por razões que eu menciono com frequência, mas há algo mais a pensar sobre isto.

Os crentes também dizem que Deus sempre existiu. OK, mas ONDE Deus sempre existiu? Para existir e funcionar, ele deve ocupar seu próprio espaço/tempo. Nada pode existir em espaço nenhum e nada pode funcionar em tempo zero.

O que é que então criou o espaço/tempo que Deus ocupa? Não pode ter sido Deus, pois Deus não pode existir sem o espaço/tempo. Mas Deus tem existido sempre como nos é dito, então o espaço/tempo que ele ocupa também deve ter existido sempre.

Portanto, os crentes têm que aceitar que o tempo e o espaço podem serem eternos. O que significa que nós não precisamos de um deus para criar o nosso espaço/tempo!

Bye bye deus


Traduzido e adaptado de Bill Flavell