sábado, 21 de janeiro de 2017

Como os ateus vêem a atividade religiosa



Imagine uma peça de teatro em que metade dos personagens fosse retirada. Os atores remanescentes passariam a falar sozinhos e a responder a ninguém.

Imagine um jogo de futebol em que uma das equipas simplesmente saia inteira do campo.

A outra equipa ficaria jogando sozinho. Driblariam ninguém e de passe em passe, chutariam a bola numa baliza vazia.

Imagine um programa de entrevistas em que o entrevistado não comparecesse. O entrevistador passaria o programa inteiro fazendo perguntas ao ar e comentando respostas inexistentes.

Imagine uma luta de boxe em que um dos lutadores não estivesse presente. O outro lutador passaria o tempo todo gesticulando freneticamente e dando socos no ar.

Tudo isso é muito esquisito e ridículo! E é precisamente assim que os ateus vêem toda a atividade religiosa. Uma complexa coreografia em que as pessoas falam sozinhas, interagem com ninguém, se movem e gesticulam na direção de pessoas inexistentes e isso tudo é muito estranho e sem sentido!



Texto de Lauro Augusto Monteclaro César Jr

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Religião é algo profundo e irracional



Um equívoco recorrente entre intelectuais e militantes ateístas é a abordagem da religião do ponto de vista racional. Religião não é baseada na razão e sim num desejo atávico de crer em estórias e explicações fantásticas e agradáveis.

Devemos nos lembrar de a noção de que a razão é superior à fé é algo muito novo na história. Trata-se de uma mentalidade que só se desenvolveu a partir do Iluminismo e só se firmou em épocas muito recentes. 
A fé sempre foi vista como uma atitude mais virtuosa do que a razão. Na verdade o uso da razão é francamente condenado em muitos escritos religiosos antigos. Ao debater com crentes devemos ter sempre isso em conta. Eles não usam a razão para chegar a nenhuma conclusão. Eles já têm suas conclusões por uma fé profunda e incondicional e só debatem para tentar estender o que já crêem para os domínios da razão. 

Se não conseguem isso, não muda em nada suas crenças.

Hipátia de Alexandria




Hipátia de Alexandria foi feita mártir por ter sido torturada por uma multidão de cristãos, em parte porque não aderiu aos princípios rígidos do Cristianismo. Considerava-se uma neo-Platónica, pagã e seguidora das ideias de Pitágoras. Curiosamente, Hipátia foi a primeira mulher matemática na história da Humanidade de quem temos um conhecimento razoavelmente seguro e abrangente. Dizia-se que era fisicamente atraente e celibatária por opção firme. Quando perguntada por que razão era obcecada pela matemática e por que não se casava, respondia que estava casada com a verdade.

Os cristãos eram os seus rivais filosóficos mais fortes, e desencorajavam oficialmente as suas afirmações platónicas sobre a Natureza de Deus e a vida para além da morte. Num dia quente de Março do ano de 414, uma multidão de zeladores cristãos (constituídos por monges e paroquianos de Cirilo, o Arcebispo de Alexandria,) capturam-na, tiraram-lhe a roupa e esquartejaram-na com objectos pontiagudos (como cacos de cerâmica). Depois despedaçaram-lhe o corpo e queimaram os pedaços. (Suas obras foram destruídas e Cirilo foi canonizado.) Como algumas vítimas do terrorismo religioso de hoje, pode ter sido capturada meramente porque era uma pessoa conhecida do outro lado da contenda religiosa. Só depois do Renascimento é que outra mulher, Maria Agnesi, ficou conhecida pelos seus dotes matemáticos.

A morte de Hipátia desencadeou a saída de muitos académicos de Alexandria, e em grande medida, marcou o fim de séculos de progresso grego na Matemática. Durante a Idade das Trevas na Europa, Árabes e Hindus foram os únicos a desempenharem papéis fundamentais no progresso da Matemática. 

in O Livro da Matemática, de Clifford A.

Nota: entre parêntesis curvos há apontamentos de Carl Sagan.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A história está mudando...



Ao longo da história, houve momentos em que grandes mudanças ocorreram no pensamento humano. Mas elas não acontecem com frequência e nem acontecem facilmente. Há sempre pessoas que resistem ao novo pensamento, às vezes ao ponto de dar suas vidas para preservar o antigo.

Exemplos de tais mudanças são a percepção de que escravizar pessoas é imoral ou a ideia de que a Terra orbita o sol.

Essas mudanças costumam levar muitos anos, ou mesmo gerações para acontecerem, porque demora a jogar fora os antigos pensamentos e adoptar os novos. Podemos imaginar como um novo pensamento cresce e ganha força: algumas pessoas vão começar a sentir que estão do lado errado da história, pois podem ver a mudança que está a acontecer e ela é inevitável, mas eles ressentem-se, discordam dela e não querem fazer parte da mudança.
E pelo menos duas dessas mudanças, estão acontecendo agora.

A primeira é o reconhecimento de que os casais homossexuais podem e devem receber os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Esta ideia tão óbvia, foi envenenada por mais de 2 000 anos pelas religiões abraâmicas, mas a Razão é o antídoto para esse veneno e muitos países progressistas já mudaram as suas leis para dar aos casais homossexuais direitos iguais. Muitos mais países seguirão na próxima década.

A segunda mudança pode revelar-se a mais revolucionária de todas. Em vários países, os bebés hoje nascidos, irão crescer num ambiente quase livre de religião. Aqueles que se ressentem e discordam com isso, inevitavelmente irão alertar de consequências terríveis: imoralidade e padrões decrescentes. 

Mas eles estarão errados.

Os dados já nos mostram que os países mais ímpios, são socialmente mais saudáveis ​​com baixas taxas de crimes, baixas taxas de DST's e de gravidez na adolescência. Além disso, as pessoas são mais felizes e vivem mais tempo. As pessoas não precisam da religião para serem decentes: elas precisam de empatia e ser ensinadas a valorizar e respeitar os outros.

Então, se estás a começar a sentir que estás do lado errado da história, não resistas, PENSA. Olha para as evidências daqueles países que já te deixaram para trás. Pensa com o teu cérebro e não apenas com o teu coração.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 15 de janeiro de 2017

Houve mesmo pecado original na fábula bíblica?



Vamos imaginar que Eva afinal até tinha o conhecimento de que desobedecer era algo de errado. Apenas esse. Vamos então supor que Eva recusara comer a fruta da árvore do Conhecimento. E não a comera! Como seria então o seguimento da estória do Génesis?

Continuariam imortais. Então, ainda estariam vivos hoje. Eles e todos os seus filhos, netos e tataranetos. O Criador teria que aumentar infinitamente a área do jardim do Éden para que os milhões de milhões que constituiriam toda a descendência de Adão e Eva, e todos eles imortais, pudessem viver. Até quando o planeta aguentaria? Mil anos? Cinco mil anos? Dez mil anos? Um ano teria de acontecer que o planeta não serviria mais para todos eles.

E como seria a vida de toda aquela gente? Lembro que NÃO HAVIA o Conhecimento! Logo, não fariam mais que... nada fazer! Vagueariam pelo planeta sem rumo nem destino. Dormiriam e comeriam sem mais objectivos do que fazer sacrifícios ao Criador. 
Nada mais. 
Sem o conhecimento que Eva se negara a receber ao recusar comer a fruta, o que se sabia na altura que Adão e Eva foram criados, continuaria ser o mesmo. Ou seja, conheceriam os animais, saberiam cultivar e preparar a sua comida vegetariana. Sempre e eternamente vegetariana. Tal como TODOS os animais. Uma imensa manda de vegetarianos a pastarem pela Terra.

Qual seria o sentido da vida de toda essa gente? Nascer, comer, reproduzir-se e bajular o Criador eternamente, sem objectivos alguns de futuro, sem conhecimento, sem imaginação, sem ambição, sem maldade e sem bondade, sem Saber algum... Se vos passar pela imaginação um cenário duma Terra super-povoada de zumbis vegetarianos, não ficará muito longe do que deveria ser. Ou conseguem imaginar um cenário pior?

Um cenário assim não faz sentido algum. Que merda de Criador iria querer um mundo assim?? Seria uma criação completamente fracassada, um flop monumental, uma desilusão, um erro colossal que mancharia o papel do Criador supostamente perfeito. Uma criação assim nunca faria sentido algum. Não há outro modo de definir esta suposição de Criação: uma enorme estupidez.

Ora, sendo o Criador supostamente omnisciente, ele teria de saber que esta criação seria um erro colossal. Como resolver então? 
Simples: fazer com que a Eva comesse a fruta.

Por outras palavras, a estória não se inicia com o desobedecimento de Eva. Tem início com o ato teatral do Criador a disfarçar que tinha sido enganado. Porque a estória TERIA de ser assim, com a Eva a comer o fruto e não doutro modo.

Nunca houve um desobedecer de Eva, ela apenas seguiu o guião que estava traçado, desde sempre, pelo Criador.

Ah. e quanto ao pecado original não passa de conversa para boi dormir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dois livros que mudaram o mundo




 A mente mais brilhante do universo, uma mente infinita onde reside todo o conhecimento, inspirou os homens ao longo dum período de 1 000 anos para escrever um livro de cerca de 900 000 palavras. Este esforço gigantesco pretendeu revelar as verdades sobre o universo e nosso planeta que era desconhecido aos homens. Em última análise, este livro visava tornar o mundo num lugar melhor.

Em menos de dois anos, de 1686 a 1687, um homem com uma mente finita, escreveu um livro de cerca de 300.000 palavras com um objetivo muito menos ambicioso. O objetivo era ajudar-nos a entender o comportamento dos corpos em movimento.

O primeiro livro foi um fracasso abjeto. Não revelou verdades algumas sobre o cosmos. Na verdade, sabemos agora que quase tudo o que ele inspirou escrever sobre o nosso planeta e o universo, estava completamente errado. Além disso, não fez o mundo um lugar melhor. Pelo contrário, lançou as bases para vários milhares de anos de assassinatos, torturas, brutalidade e discriminação numa escala sem precedentes na história humana.

O segundo livro foi um grande sucesso. Suas proposições foram mostradas como sendo fundamentalmente corretas e foram cruciais para permitir a revolução industrial, nosso mundo moderno e nossa atual compreensão profunda e extensa do cosmos.

O livro de sucesso foi Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica de Sir Isaac Newton.

O livro do fracasso foi a Bíblia, por Deus *.


* Autoria da Bíblia ainda não verificada.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O último cristão


O cristianismo é uma loucura. Uma teologia tão bizarra e fraturante só pode ter sido criada por uma comissão.

O ensino moral do cristianismo, aparentemente do mesmo Deus imutável, varia da tirania brutal ao masoquismo.

O cristianismo repousa sobre uma série de eventos milagrosos, mas não há nenhuma evidência de que qualquer um desses eventos realmente aconteceu fora do "manual de vendas" da própria religião.

O "manual de vendas" trai as suas origens primitivas humanas pelas suas referências supersticiosas a bruxas e demónios, tal como por uma cosmologia tão amplamente errada que é simplesmente ridícula.

Por que é que milhões acreditam nessas idiotices tão óbvias? Pela mesma razão pela qual as pessoas acreditam em todas as religiões: elas foram criadas para que creiam nelas. E essas primeiras lições são difíceis de superar.

Sabemos que as religiões começam, vivem por um tempo (talvez alguns milhares de anos) e depois morrem. Elas normalmente tendem a morrer lentamente, a menos que uma nação conquistadora imponha a sua própria religião.

Em metade do mundo, o cristianismo já começou o seu declínio terminal. E isso inevitavelmente irá continuar. Mesmo nos EUA, a última fortaleza do cristianismo no mundo desenvolvido, a crença no cristianismo está em quase queda livre entre as pessoas menores de 25 anos. A esta taxa de declínio, ela não tem futuro.

Lembro-me que os dinossauros já dominaram o planeta, mas agora nenhum deles ainda é vivo. Podemos imaginar o dia, assim lá há cerca de 65 milhões de anos, quando o último dinossauro ainda vivo desenhou o seu último suspiro, levando ao fim o reinado de 160 milhões de anos dos dinossauros.

Um dia, o último cristão também terá o seu último suspiro, e o cristianismo se juntará aos dinossauros. E ninguém irá lamentar a sua morte. 

Ninguém sequer irá notar sua morte.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


domingo, 8 de janeiro de 2017

A Torre de Babel (A confusão das Línguas)




Uma estória dos compiladores do Pentateuco que fizeram essa estória de construir uma torre que chegava até ao céu, e que todo o povo falava uma língua só, é uma espécie de teoria arcaica dos sacerdotes que ensinavam aos fieis do seu deus Javé. Partiu da tradição oral para a escrita.

Ora bem, na verdade Babilónia era uma cidade e um grande centro multicultural devido a ser uma região estratégica onde vários povos de vários idiomas, passavam por lá e faziam suas trocas comercias . E também possuíam caminhos que levavam a diferentes regiões (de povos diferentes). Logicamente nos centros comerciais havia todo o tipo de pessoas falantes de várias línguas, o que era uma autentica salada de idiomas. Aliás, a palavra Babilónia provém do hebraico "Bab" que significa "confundir". 

Foi a partir desse ponto de vista que os compiladores da estória da torre da Babilónia tiveram que inventar na forma de que deus havia confundido o povo e os dispersou por meio da "confusão" (bab) de idiomas. Portanto é uma ALEGORIA para explicar os porquês de existirem vários idiomas no mundo. Não é verdade que aconteceu justamente como está escrito e os cristãos acreditam como ela está escrita. Foi de fato uma alegoria pois a Babilónia era um grande centro comercial e lá se cruzavam várias rotas comerciais o que obrigava vários comerciantes de vários idiomas a se concentrarem lá para realizarem suas trocas de produtos e logicamente havia muita confusão, (bab), de idiomas, não por causa de uma torre que seria construída para alcançar os céus como forma de encontrar deus. 

Infelizmente, muitos cristãos criam seus próprios filmes nas suas cabeças e reforçados pelos teólogos e pastores, estes permanecem sem saberem os verdadeiros significados dalguns textos bíblicos. Outros cristãos simplesmente preferem se manter na ignorância voluntária, pois por doutrinação e pré-disposição de acreditar em qualquer estória que o pastor lhe conta e a falta de capacidade de analisar os textos bíblicos, são induzidos a terem fé (somente acreditar) sem possibilidade investigar e questionar os mesmo com medo de deus não os queimar no inferno.

RESUMO: Babilónia, era um grande centro comercial e possuía várias rotas comerciais que obrigava os vários povos a viajarem para ali e realizarem suas trocas de produtos. Lógico que cada povo falava seu idioma nas suas trocas comerciais, o que criava autentica confusão (bab) de idiomas do ponto de vista panorâmico. Dessa visão panorâmica, os compiladores do Génesis aproveitaram para criar as suas estórias na sua versão mitológica sobre a existência de vários idiomas no mundo a partir da Babilónia, associando logicamente o seu deus hebraico. 

Portanto, construção literária. 


Trabalho de investigação : Egas Alberto Santana

Quando os mitos desafiam os deuses


É incontestável que os sumérios inventaram o seu panteão de deuses e o seu mito elegante que explicava a criação do mundo. Eles acreditavam que a deusa Nammu deu à luz do seu marido Anki. Eles tiveram um filho, Enlil, que então fez o mundo dos seus próprios pais.

É incontestável que os astecas inventaram o seu panteão de deuses e o seu mito da criação bastante mais belicoso. Em seu mito, o deus Ometecuhtli deu à luz a si mesmo e a quatro filhos que se envolveram numa batalha épica com o monstro marinho Cipactli. Quando o monstro foi derrotado, eles usaram o seu corpo para fazer o mundo.

É incontestável que o povo germânico tenha inventado os deuses nórdicos e o seu mito de que Odin criou o universo das partes do corpo do gigante do gelo, Ymir. Seu corpo tornou-se a Terra, o seu sangue tornou-se nos rios e nos mares, seus cabelos nas árvores e o do seu crânio formou-se os céus.

Existem dezenas de mitos de criação de todo o mundo. E eles compartilham vários recursos comuns: eles envolvem deuses e magia, e eles estão em conflito com a nossa compreensão moderna e científica de como o universo se desenvolveu. Então sabemos que são obras da imaginação, não da ciência. Nem podem ser revelação dos deuses, como as pessoas às vezes reivindicam.

Todos esses mitos foram reverenciados como verdades sagradas por milhões de pessoas ao longo de milhares de anos, mas já não debatemos se essas estórias são verdadeiras. E quando descartamos os mitos da criação, rejeitamos as personagens dessas histórias, os deuses e as outras entidades mágicas. Eles são as personagens míticas de estórias míticas.

Curiosamente, há um mito de criação que ainda mantém força. A ciência mostra inequivocamente que não pode ser verdade e contém todas as características de mito: um deus e um panteão de personagens fantásticas com profundas veias de magia que correm por toda parte.

Claro que estou a pensar no mito da criação judaica. E há um fato interessante aqui, é que apenas as pessoas que acreditam que o deus judeu é real, também acreditam que o mito da criação judaica é verdade. Isto faz-me pensar que, se acreditares num deus faz com que acredites num mito que não pode ser verdadeiro, não achas que deverias reconsiderar a tua crença nesse deus?
Eu sei que deverias.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 7 de janeiro de 2017

Os Evangelhos Canónicos



Irei dar um breve resumo tanto dos evangelhos canónicos como ainda de alguns livros que fazem parte do Novo Testamento (NT), no que respeita sobre quem os escreveu e como foram escritos.

Evangelho de Mateus

Desde o século II que se considera que o seu autor seja Levi, filho de Alfeu, um cobrador de impostos que ao converte-se, passou a chamar-se Mateus. É provável que fosse irmão de Tiago, o de Alfeu, também apóstolo. Segundo a Igreja Católica (ICAR), este evangelho foi escrito entre 50 a 60 EC, no entanto a maioria dos peritos independentes situa a redação para 75 a 80 EC.

Mas o evangelho de Mateus, na sua REDAÇÃO ATUAL, deve ter sido escrito em 90 EC, no Egipto e mais precisamente em Alexandria, onde havia uma grande população judia. Uma leitura atenta por peritos independentes, permite concluir que o autor NÃO era judeu, nem sequer foi um mero compilador.

Evangelho de Marcos

Este evangelho foi escrito por um tal de João de Jerusalém, Marcus de nome latino e aparece mencionado em Actos 12:12 e em I Pedro 5:13. Ajudante de Paulo e Barnabé, tendo-os acompanhado na primeira viagem de pregação, chateou-se com Paulo e passou a viajar com Pedro. Provavelmente, este evangelho foi escrito em Itália antes do martírio de Pedro em 64-65 EC ou 67 EC como alega a ICAR. Depois foi para o Egipto e o evangelho que nos chegou, deve ter sido escrito em 75-80 EC.

Esta versão sobre Marcos é confirmada pelo Bispo de Hierápolis, de nome Papias, do princípio do século II.

De notar que após Marcos 16:8, o texto foi cortado, não se sabendo quanto ou o quê. Quanto a Marcos 16:9 a 20 foi acrescentado por um cronista.

Evangelho de Lucas

O evangelho de Lucas tal como o Acto dos Apóstolos, foram escritos por Lucas ou Lucano, nascido em Alexandria e companheiro de Paulo. Paulo tratava-o como "seu colaborador" e "médico amado".
Este evangelho deve ter sido escrito pelo final do século I, ao contrário do que defende a ICAR que aponta para 60 EC e 61-63 EC para os Actos.

Lucas fez uma leitura atenta dos textos de Flávio Josefo para escrever tanto o evangelho como os Actos. Lucas teve problemas com a história de Jesus no que respeita ao nascimento e à sua infância, recorrendo à história do nascimento de Sansão e de Samuel, e ainda da autobiografia de Josefo.

E foi pela leitura atenta que fez das obras de Josefo, que Lucas se apropriou  de qualquer dado que servisse os seus intentos. Como se esperava que o Messias viesse de Belém, Lucas teve de mostrar isso apesar dos pais serem da Galileia. Inventou uma maneira de usar o censo romano da Judeia referido pelo Josefo, pondo José e Maria a viajar da Galileia para Belém. Não lhe interessou o facto desse censo ter sido em 6-7 EC e não durante o reinado de Herodes que morreu em 4 EC.
Tal como colocou Maria e a mãe de João Batista como primas, com vista a colocar um laço de parentesco entre Jesus e João Batista. 
De notar também a disparatada narrativa de Lucas que coloca Jesus a viajar de Betânia para Jerusalém, depois coloca-o a fazer desvios sem sentido. Basta olhar para o mapa de então, para perceber o ridículo da situação.
Lucas 19:41-44, profecia inspirada na descrição da queda de Jerusalém de Flávio Josefo.
Lucas apresenta Pilatos como desconhecedor da lei romana quando ele era o garante dela, já que se alguém se apresentasse como rei dos judeus, era delito para a pena de morte por alta traição contra César. O perfil que atribui a Pilatos é simplesmente absurdo.

Ou seja, a inspiração divina neste evangelho estava em gozo de férias.

Em Actos, a narrativa está centrada em Paulo, e dos doze, apenas Pedro tem algum relevo. Defende posições de Paulo e sataniza quem lhe faz frente, incluindo o irmão de Jesus, Tiago.

O texto mostra que o cristianismo não foi uma religião nos seus primórdios, mas um movimento ou seita judaica messiânica, encabeçada por Tiago, irmão de Jesus e executado o mais tardar em 62 EC por Anano. Facto confirmado pelos manuscritos de Qumran (Mar Morto).

Evangelho de João

A redação deste evangelho é atribuída a João, filho de Zebedeu, mas em análises de conteúdo e estrutura, afastaram essa hipótese.  Como é que um pescador de carácter violento (Boanerge > tempestuoso, filho do trovão), inculto, podia ter escrito textos tão brilhantes e intelectuais como são os textos joânicos?

Enquanto que nos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), Jesus fala como judeu, no evangelho de João, Jesus fala como um não-judeu. Como exemplo: 
- Ao referir-se à Lei de Moisés, ele diz "a vossa Lei" em vez de dizer "a nossa Lei";
- Quando diz "Todos os que vieram antes de mim foram ladrões e salteadores".

Torna-se evidente que o material foi composto por um grego cristão, tal como a primeira epístola de João (João, o Ancião) vivo ainda em 140 EC. Era da Ásia Menor e Papias de Hierápolis menciona-o.

Mas então, como é que ele teve acesso a essas recordações?

É com um discípulo direto de Jesus que viveu em Éfeso até princípios do século II, que João, o Ancião, se pode ter encontrado e recolhido as recordações. Seu nome também era João!

Eusébio comenta que em Éfeso havia os túmulos de dois Joãos. O tal João que conhecia Jesus, foi um discípulo de direto de Jesus, era sacerdote judeu e é coerente com o que está escrito no 4º evangelho. Referencias ao ritual judeu e ao culto do templo, em que ele só entra no sepulcro quando Jesus já lá não está, é duma família distinta sacerdotal judia, tinha casa em Jerusalém, foi nela que hospedou a mãe de Jesus. Desconfia-se que foi nessa casa que se deu a Última Ceia e o discípulo dilecto, enquanto dono da casa, ocupou o lugar de honra ao lado de Jesus e pode assim apoiar-se no peito do Messias, como conta o evangelho. 
Na Ceia eram afinal 14 pessoas!

Foi esse discípulo dilecto que foi para Éfeso e velho contou as suas memórias que passaram a ser o quarto evangelho.
Assim, o evangelho de João tem como base as memórias de João, o Sacerdote que apareceu inicialmente como discípulo de João Batista.

Foi composto perto de 110 EC. Em João 19:35 e 21:24, mostra que o redator do texto demarca-se de quem deu as memórias (relator dos factos).

Apocalipse ou Revelação são textos apocalípticos em voga perto de 160 AEC, usam simbologia babilónica e persa.  


Fonte: Mentiras Fundamentais da Igreja Católica, de Pepe Rodríguez.