terça-feira, 16 de agosto de 2016

Invenção de deus

Numa época remota em que os ancestrais humanos lidavam no dia-a-dia com uma quantidade de eventos que podiam ser potencialmente letais (ou vantajosos), era importantíssimo “compreender” o que se passava, para poder antever ou planear as coisas. Compreender quando é que a noite surgia era fundamental para poder chegar a tempo a um abrigo. 




Compreender porque em certas alturas a noite chegava mais cedo e noutras chegava mais tarde, também era importante. 
Compreender porque é que havia água em abundância em certas alturas e locais e, noutras altura, escasseava, era de vital importância. Compreender o que seriam as “luzes” no céu que até ajudavam a encontrar caminhos e a antever certas alterações no tempo, era importante. 
Compreender porque é que comer certas coisas quando estavam duma cor provocava “coisas más” mas quando estavam doutra cor já não havia problema… etc. Como não sabia a explicação correcta para essas coisas, o Homem começou a criar histórias. Como não havia nada visível a operar esses eventos, criou o conceito de entidades invisíveis e super-poderosas que conseguiam, sem ninguém as ver, feitos extraordinários. E essas histórias eram fundamentais para a sua sobrevivência porque, ao serem histórias com personagens (ainda por cima, com personagem que tinham características bem humanas como a inveja, a ira, o sentido de protecção, etc), era fácil passar essas histórias de pais para filhos, de avós para netos. Garantia-se assim a propagação de informações importantes que ajudavam à subsistência. 
E foi assim que nasceram os deuses: da ignorância, imaginação e necessidade humana. Mas esses eram povos primitivos, que não sabiam mais do que aquilo que observavam. Hoje em dia não há desculpa para se ser estúpido e continuar a acreditar nas coisas que esses povos inventaram.

Por Rui Batista

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