terça-feira, 21 de agosto de 2018

O amor de deus é realmente incondicional?



Análise superficial das condições para você ser amado por deus

Comentários sobre a visão da Teologia da Prosperidade a cerca desse “amor”


Sem perceber, praticamente todos os grupos religiosos que dizem servir ao deus judaico-cristão, vivem em uma espécie de eterna guerra fria uns contra os outros desde quando oficialmente adotaram esse modelo de deus como ser supremo para venerá-lo e servi-lo.

A guerra fria acontece somente quando os seguidores são um pouco mais civilizados, usando argumentos verbais para se digladiarem, pois quando o respeito pela vida nada mais vale, a guerra é abertamente declarada, na pura intenção de se classificarem como escolhidos de deus, ovelhas de seu aprisco.

Nessa imensa “certeza” que eles tem de que serão amados exclusivamente por esse deus, por precaução eliminam ou põe tropeços diante dos “inimigos” para que de repente esse deus não venha mudar de lado, tornando-se inimigo ao invés de um potencial aliado.

Num passado de quase 5 mil anos atrás também era assim. Antes do israelitas tomarem “emprestado” esse deus das regiões onde habitaram, deus “estava” onde a arca ou qualquer outro símbolo sagrado estava, e quem os controlavam, controlavam também essa ideia de deus. Como esse deus não muda e informações de sobrevivência são passado sorrateiramente pela genética dos seres, melhor criar condições para que o amor incondicional desse deus não seja desviado de ti.

Como os EUA e URSS no pós guerra secretamente desenvolveram armas potencialmente perigosas, sistemas de inteligência e monitoramento sofisticados no intuito de espionar, se defender ou subjugar o um ao outro, os vários grupos religiosos derivados da crença no deus de Abraão tem feito a mesmíssima coisa, se “armando” até os dentes com o intuito de subjugar seus “inimigos” e atrair a atenção de deus para o seu lado, tornando-o objeto particular de uso, ou um deus pessoal, pronto a realizar qualquer desejo egoísta e autodestrutivo de seus súditos.

Deixar que deus “escape” para outra igreja, outra linha teológica ou até mesmo outra religião é sinal de derrota! Se faz necessário o tempo inteiro criar condições para atrair público pagante e submisso bem como manter deus ao lado deste grupo.

Grite, pule, rode, caia, fale em “língua estranhas”, suborne-o por meio de dízimos, ofertas e campanhas, se entregue totalmente a ele, seja “pau mandado” de líder religioso se preciso, mas não deixe esse deus ir para outra igreja, para as “linhas inimigas”. Sua proteção, sua vida de prosperidade e até sua salvação futura dependem disso! Crie as condições perfeitas para que esse amor incondicional não se vá.

Como as antigas potencias do pós guerra, do mesmo modo as “potencias de cristo” e servos do deus mesopotâmico espionam uns aos outros, além de tratados históricos, filosóficos, teológicos e científicos para subtrair somente o que apoia sua linha de raciocínio e refutam todo o restante enquanto monitoram cada um dos fieis para premiar os que são totalmente subordinados e perseguir, maltratar, humilhar, torturar e até matar os questionadores e os que não conseguem se ajustar a esse reino de fantasias que a cada dia ganha novos gráficos no seu projeto original.

Como dito, todo esse esforço gigantesco tem apenas um proposito: dizer quem é o mais queridinho do papai, o grupo escolhido que vai morar nos céus ou viver eternamente com ele num paraíso seja lá onde for. Todos inventam textos, pretextos e apetrechos para dizerem para si mesmos e para todos demais que são melhores que qualquer um. Deus, na sua infinita inércia e no ponto mais alto e oculto do seu esconderijo secreto jamais fará nada para impedir (ou apoiar) tal corrida armamentista e deixará que seus filhinhos se resolvam do jeito que puderem, inclusive na bala ou na espada para obterem o colinho do papai. Quem quiser que se lixe! Ele apenas olha, contempla, anota tudo para no dia do juízo retribuir cada um “segundo as suas obras”.

Estes grupos religiosos que se dividiram ao longo dos séculos, criaram ou subtraíram de outros povos a ideia desse deus multifacetado, bem como estão constantemente acrescentando novas qualidades e atributos metafísicos a esse ser misterioso. Só que quanto mais mexem na ideia central dessa divindade, mas patética e contraditória se tornam todas as justificativas e argumentos que fazem esse ser continuar existindo no imaginário coletivo. Sem perceber criam características monstruosas e as atribuem ao personagem qual dizem ser um ser de luz.

No quesito de criar novas qualidades e atributos ao deus bíblico, os grupos cristãos parecem ser os campeões na criatividade para moldar aparências, criar preceitos, forjar doutrinas e impor regulamentações para a classe dos homens, anjos e até demônios, tudo isso baseado em interesses pessoais, qual disfarçadamente chamam essas ações de “vontade de deus”.

Todos os dias, dezenas de novas igrejas são abertas onde o cristianismo tem chegado, cada uma vendendo um tipo de ideia, de ritos litúrgicos, de “podes-e-mão-podes, além de linhas teológicas que se opõem e se aniquilam entre si. E quase todas elas continuam dizendo: “deus te ama de modo incondicional!” Ou ainda: “por que deus amou o mundo de tal maneira...” Somente para atrair público pagante e submisso, praticamente todas as igrejas cristãs dizem que deus ama a humanidade sem limites e sem restrições, mas basta entrar em uma dessas igrejas e você vai ver quais são as condições para que o amor incondicional desse deus venha ser realmente válido.

Assim, criam condições para que “aconteça” um amor que dizem ser incondicional. Na maioria dos casos, quando acabar seu dinheiro ou sua subserviência cega as lideranças não for mais a mesmas, o mínimo que você poderá receber é um grande pé na bunda, ser excomungado, expulso ou retratado como um coisa ruim, um filho das trevas!

Em outros casos, para pagarem de inocente, os líderes religiosos quando querem ser livrar de ti por saber demais ou discordar dos abusos praticados por eles, estes põe todo o grupo religioso contra você por meio de calunias e falsas acusações para que sua vida se torne um inferno e você seja “gentilmente” forçado a sair da igreja, para depois eles mesmos dizerem que você não aguentou as provações ou sucumbiu as tentações do diabo. Para manter a imagem de santos e a posição de lideranças que ocupam bem como suas fontes de renda, alguns líderes religiosos são capazes de fazer coisas que nem os piores dos crápulas humanas teriam a criatividade de executar.

Na idade média por exemplo, o amor de deus era tão incondicional que dava aos chefões da máfia religiosa da época, o direito de prender, torturar e executar qualquer pessoa ou ser vivo na face da terra, principalmente os que não aceitavam de forma “pacifica” esse “amor incondicional” ou os que questionavam a autoridade da “santa igreja”.

É muito amor envolvido, chega a da vontade de chorar, não é? A história da igreja parece um lindo conto de fadas, onde só “coisas boas” acontecem no trajeto de expansão dessa multinacional cuja logomarca principal é a cruz e o peixe...

Na tentativa de agradar aquele que parece estar eternamente aborrecido, os grupos cristãos criaram várias linhas teológicas para demonstrarem esse amor incondicional que deus tem pela humanidade. As principais destas linhas são: a teologia da prosperidade, a da pobreza, a do sofrimento, a da salvação pela fé e a da obediência cega aos líderes religiosos. Todas essas linhas teológicas ensinam o homem a criar condições para que o amor de deus “aconteça” apesar de insistirem dizendo que deus ama a todos os homens sem restrições alguma.

Na TEOLOGIA DA PROSPERIDADE por exemplo, ensinam-se que deus é rico, poderoso, dono do universo e que uma das formas de provar que ele estar na vida dos seus servos é sendo igualmente próspero, rico e abençoado, não importando na maioria das vezes o modo como essa “prosperidade” vai chegar até você. Muitos desses líderes e seguidores chegam a usar a própria bíblia para justificar seu nível duvidoso de conduta, mostrando que Jacó era “esperto” e se não for por meio da trapaça e da má fé, nunca conseguirão nada na vida.

Você conhece alguém capaz de “dar nó em pingo d’agua” para “se dar bem na vida” sem sentir culpa ou remorso algum e ainda assim continuar dizendo ser uma pessoa boa e cheia de deus? Possivelmente essa pessoa teve sua mente cauterizada por essa linha de pensamento. Possivelmente seja o resultado da ganancia própria com vontade de “terceirizar cagadas” como é comum no meio dos que tem nos seres metafísicos sua válvula de escape. Possivelmente seja apenas um dos mistérios de deus para demonstrar seu infinito amor na vida de seus servos. Deus misterioso, servos igualmente misteriosos...seria justificável se não tivesse uma tendência hipócrita.

Os adeptos dessa linha de pensamento costumam fazer das igrejas grandes cassinos, casas de apostas, lugar de suborno, levando os féis a crerem que quanto mais apostarem na “casa de deus”, mais receberão em dobro seus investimentos. Quem nada tem, nada aposta, nada ganha e desse modo não serão alcançados pelo amor infinito desse deus.

Empresas e famílias inteiras tem sido levadas a falência nesse jogo de apostas infinitas e sem retorno, onde o único ganhador de todas as rodadas é somente o dono da igreja, aquele que registrou o CNPJ da igreja em cartório. Todos os demais terão de se confortar vendo o seu ungido ser “abençoado”. Isso pelo menos já é alguma coisa para a maioria destes, pois é uma prova que realmente deus existe e que abençoa quem trabalha de forma “voluntária” em sua obra.

Quanta inocência! Tadinhos...se parassem para somar 2+2 iriam perceber que a ostentação e as “bênçãos” que seus líderes usufruem é pelo resultado coletivo dos esforços dos membros e não o sinal de nenhum tipo beatitudes celestial.

Resumindo, essa vasta e complexa linha teológica, nesse modo de pensar, o amor incondicional de deus é exatamente do tamanho dos valores que você possa colocar na fogueira santa, na campanha disso, ou nas correntes daquilo, além dos costumeiros 10% mensais, pois esse valor é o mínimo que alguém poderia ofertar para que sua casa, sua empresa e sua família não venham ser invadidos pelo devorador, migrador e cortador.

Como se deus fosse um grande chefe miliciano duma gangue das trevas, não é você quem estar fazendo um favor a ele pagando esses “míseros” 10%. É ele quem estar te fazendo um grande favor em te proteger por um valor tão baixo (tá ligado?). Os 10% é apenas uma proteção básica para você não perder o que tem, já que para se tornar rico, abençoado, ou pelo menos ter o “espírito de deus” em sua vida, você deve aderir as demais campanhas que os representantes desse deus fazem quase que diariamente.

Nessa linha de pensar deus e o diabo fizeram o seguinte pacto: se você ofertar menos que 10% deus autoriza o diabo ferrar com você. Se você ofertar + que 10% o diabo “permite” que deus te faça prosperar. Assim você será sempre vítima dos acordos sinistros desses dois “sócios” que estarão em seu encalce até o dia de sua morte. Sorte que ateus, céticos e pessoas que não frequentam essas casas de negócios espúrios estão livre desse pacto das trevas entre deus e o diabo.

Vale lembrar que as doações feitas em campanhas para os líderes religiosos e seus familiares irem anualmente para Jerusalém com todas as despesas pagas por você e para construções de novos locais de arrecadações (templos) são as que deus mais se agradam. Só que esse tipo de “benção” é somente para líderes iniciantes, em início de carreira e seus mais féis súditos, coisa de amador ainda.

Para mostrar seu imenso poder e riqueza, o objetivo maior de deus na vida de seus ungidos e para provar que ele abençoa quem se envolve “voluntariamente” em sua obra, ele deseja torna-los prefeitos de grandes cidades, políticos de renomes e até donos de emissoras de TV! Viu que deus bom?

Mas por enquanto, até que seus servos se acostumem com uma vida de luxo e fortuna que deus intentar dar somente aos seus representantes, fazer com que os ungido de deus viagem de graça anualmente ao redor do mundo, já é um grande passo para que o amor incondicional de deus se derrame sobre você. Não esqueça: líder feliz= igual a deus feliz!

No próximo texto veremos o amor incondicional de deus segundo a teologia da pobreza. Não percam. Aprendam como ser pobre para ser salvo (caso a tentativa de ser rico ofertando tudo dê errado!).


Texto de Antônio F. Bispo, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Por que razão as religiões não se importam com a verdade...



Todas as religiões insistem que encontraram a verdade, apesar do fato de haver centenas de religiões e milhares de denominações pregando crenças contraditórias. Isto faz-me pensar: se as religiões estivessem REALMENTE preocupadas em encontrar a verdade, como esperaríamos que elas se comportassem?

Eu não esperaria ver guerras religiosas ou inter-denominacionais, como as que vimos entre muçulmanos xiitas e sunitas, católicos e protestantes, muçulmanos e hindus e outras. Obviamente, tu não descobres quem tem a verdade matando aqueles que têm opiniões diferentes.

Em vez disso, eu esperaria ver grupos de trabalho multi-confessionais em centros de ensino superior por todo o mundo, trabalhando 24 horas por dia, analisando evidências, organizando expedições arqueológicas e realizando pesquisas. Eu esperaria que esses centros de excelência tivessem descartado a maioria das religiões e denominações e trabalhassem duro para reduzir a lista das religiões remanescentes.

Finalmente, eu não esperaria que as religiões se apegassem aos dogmas que não pode ser mudados, e em vez disso, eu esperaria que as religiões mudassem prontamente as suas crenças à medida que novas evidências fossem descobertas.

Mas, no mundo real vemos as matanças, vemos dogmas rígidos e vemos os apologistas inventando malabarismos intelectuais para “explicar” contradições e aparentes absurdos. Mas não vemos tentativas sérias de descartar as falsas religiões por mútuo consentimento. Por que não?

Porque as religiões NÃO são sobre a verdade! 

A verdade não é relevante para as religiões. É por isso que as religiões confiam na fé e evitam evidências. É por isso que eles confiam na doutrinação das crianças e não na investigação de mente aberta.

As religiões não são sobre encontrar a verdade - elas são sobre defender mentiras.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

domingo, 19 de agosto de 2018

Ela mexeu com coisa errada, merecia morrer



Será que já foi instaurada a pena de morte no Brasil e não fomos informados?
Delinquentes, reincidentes e pequenos marginais tentando subjugar um povo.

Análise de um comportamento social doentio e negligente

Qualquer pessoa que mexe com “coisa errada” em nosso país, agora é digno de pena de morte nas mãos de pessoas inconsequentes? O que exatamente define “coisa errada” segundo o senso social comum?

Será que é somente o uso e comércio de entorpecentes que são aceitos como “coisa errada” de acordo com a concepção popular? Será que disfunção e corrupção no poder público que é a causa principal dos mais diversos males sociais também não é considerado “coisa errada”?

Será que o comércio da fé no intuito de obtenção ilegal por meio de coação psicológica para acumulação de divisas utilizando-se da ideia do sagrado também não é algo extremamente errado e que gera vários outros problemas colaterais?

Será que as alianças formadas por cleptomaníacos em diferentes níveis de poder público e privado no intuito de acobertarem-se uns aos outros também não é algo errado, vergonha e motivo de declínio da ordem civil organizada? Algo a se pensar...

Quando um jovem imaturo ou qualquer pessoa seduzida pelo uso e comércio de entorpecentes é brutamente assassinado, de certa forma a sociedade parece ser conivente com esse fato por que julga que esse seja um ato de justiça, pois considera que alguém “fez um favor” de eliminar do convívio social um “marginal”, um “ser das trevas”. Será que isso é totalmente verdade?

Enquanto isso, parte dos que são responsáveis por permitir por omissão ou por promover intencionalmente o caos para própria promoção posterior, são ovacionados, recebem altíssimos salários, alguns são chamados de vossa excelência, outros de “ungidos do senhor” e quase todos eles tem vários “parças” poderosos para se auxiliarem mutuamente quando necessário, e isso também é socialmente aceito e passa de modo desapercebido desde os mais antigos tempo.

Se todo o mau social de um povo fosse causado por um pozinho branco, uma pedra de composto químico ou uma erva cujo uso se perde nos milênios da civilização, isso seria muito fácil de resolver. Esse é um mal que poderia ser contido com um simples ato de cortar na fonte toda a produção inicial.

Acontece que na maioria dos casos, os grandes produtores ou fornecedores desses entorpecentes são de certa forma “sócios” ou “parceiros” de “gente grande” e fica bem mais fácil incriminar quem é pego com alguns gramas de pó, do quem é pego com um helicóptero cheio desse mesmo material.

Mesmo assim, o ópio mais perigoso que cultivamos e comercializamos é:

1-A fé cega em seres metafísicos quando nossas ações são desprovidas de ações benéficas equivalentes ao conceito de sagrado;

2- É a bajulação imensurável e continua de políticos, “celebridades” e autoridades em troca de benefícios pessoais ficando de joelhos para servir, idolatrar e enriquecer quem nada produz e tudo consome enquanto despreza os esforços dos que dão a vida para manter a ordem e produção social;

3- É a falta de revelia para manifestar-se no que é útil e coletivo e a produção desnecessária de manifestações em sua maioria fúteis no intuito apenas de defender causas puramente pessoais.

Entre outros, esses são os principais ópios que deveríamos combater com mais frequência. Esses ópios acima citado, aliados a hipocrisia em todos os níveis, faz com que idiotas estejam assentados em tronos enquanto sábios sejam tratados com chacotas e desdém. O ébrio e o tolo servirão sempre de mulas para os que cavalgam nas costas da ignorância social.

Para compensar essa perspectiva comumente aceita de ver o mundo, procuramos sempre um bode expiatório para levar nossos “pecados”. Enquanto isso, fica subentendido que foi dado pelas autoridades principais desse país a um grupo em particular, o poder de aplicar a pena de morte a quem julgar conveniente, principalmente em pobres e menos favorecidos e a quem são ofertados formas de “empregos alternativos”, como se fosse uma carreira invejável a seguir.

Acomodados em salas luxuosas em seus recintos super protegidos pela estrutura física do local, ou rodeados de seguranças pagos com o dinheiro do povo, os que criam ou aplicam as leis, em sua maioria não vivem a mesma realidade física de um cidadão comum, que se expõem todo dia no labor cotidiano para prover os recursos materiais necessários para suprir as necessidades dessa nação.

Duas realidades parece coexistir nesse ponto: a realidade metafísica dos que criam ou aplicam (se aproveitam) os pontos flexíveis na lei ou da lei, e os que vivem o efeito da lei ou a falta desta no seu labor diário.

E assim vamos levando a vida concordando silenciosamente que todos os que mexem com “coisa errada” (e não apenas estes) sejam sentenciados a pena de morte pelo cartel do crime...

Seja pela acomodação pessoal e social, seja pelo senso errado coletivo no conceito de fazer justiça aos que fazem “coisa errada”, vemos as mesmas cenas se repetindo rotineiramente.

Numa pequena cidade do interior ou em uma grande capital agitada, acho que todos nós já vimos quase que semanalmente a seguinte cena: uma pessoa caída ao chão, toda ensanguentada, agonizando, furada por balas ou de facas, ou quem sabe já sendo recolhido pelo IML num cenário semelhante ao de um filme de terror.

A princípio ninguém sabe se era um “bandido” ou uma inocente vítima deste. Uma suspeita coletiva começa a se instaurar de forma silenciosa. Todos querem dar palpites mas esperam que alguém tome à frente.

Durante esse instante, transeuntes se aglutinam, pessoas se cutucam, cochicham, conversam entre si e cada um dos que vão chegando fazem a mesma pergunta a um policial no local ou a outra pessoa que chegou antes, e com uma curiosidade peculiar perguntam o que aconteceu. A resposta é quase sempre a mesma apesar de não saberem realmente o que motivara tal ocorrência: “ele (a) mexia com coisa errada...” ou ainda: “pra morrer dessa forma, só podia estar mexendo com coisa errada” ...

Esse tipo de resposta parece silenciar qualquer interrogação. Uma boa parte dos amotinados se confortam com essa definição, pois em sua forma de pensar, naquele instante houve ali justiça e ao ver aquela vida se esvaindo daquele jeito pensam que a pessoa recebeu o que merecia independente se ali estava um usuário de pó que não teve como pagar a conta, ou se era uma pessoa de bem que fora confundida com um marginal.

Julgam que quem se mete com “coisa errada” deva pagar com a própria vida. Concordam indiretamente e coletivamente que traficantes, delinquentes, ou qualquer pessoa mentalmente desequilibrada tenham o direito de ceifar a vida de quem quer que seja como se os tais estivessem acima da lei. Concordam então que os tais podem sim “fazer justiça” quando e onde quiserem, da forma que desejarem.

Outras pessoas porém, sabem que ao pensar desse modo e se conformarem com esse tipo de respostas mecânicas e ações descabidas, estão entregando aos malfeitores o poder de prender, julgar, condenar e executar a todos quantos esses julguem “estar fazendo coisa errada”.

Fazer coisa errada...mais uma vez repito a questão levantada acima: o que seria exatamente isso? Que tipo de “coisa errada” dar direito a outra pessoa ceifar a vida de seus semelhantes como se fosse um supremo imperador das trevas? Que tipo “coisa errada” faz com que toda uma sociedade silencie e se acostume em ver semanal ou diariamente pessoas sendo julgadas e condenadas por um tribunal do crime? Existe um quarto poder em nossa nação e não sabemos? O legislativo, executivo e judiciário entregaram a esse quarto poder a decisão sobre quem deve morrer ou viver?

Que poder é esse? Tão forte, capaz inclusive de tornar coniventes membros de toda uma sociedade, tornando-os cumplices silenciosos daqueles que desejam ser os senhores supremo de um povo?

Será que é o poder do silencio? O afrouxamento das leis vigentes? A mal interpretação do conceito de “amor cristão”? A “blindagem jurídica” que alguns partidos políticos tem concedido aos “pobres miseráveis e coitadinhos, vítimas da sociedade”? Os direitos dos “manus”?

Algo estranho estar acontecendo...Em número bem menores no passado, os bárbaros do Norte fizeram legiões romanas inteiras ficar de joelhos quando estes queriam invadir seus territórios. Vivemos o oposto disso hoje, em que dois ou três marginais apenas, conseguem pôr em polvorosa toda a população de uma cidade, afetando todos os aspectos da vida urbana comum.

Na década de 30 e 40 por exemplo, tínhamos aqui no Nordeste, Lampião e seu bando tacando terror, mas logo receberam a paga pelo fruto do seu trabalho e foram silenciados para serem depois tidos como heróis por uns, e como sendo bandidos na visão de outros. Hoje, há pessoas que se especializam em defender aqueles que tem no ceifar da vida alheia uma diversão comum.

Quem sabe talvez nos falte a ideia de civilização, de sociedade, de seres interdependentes entre si que havia em povos “não civilizados”. Gente moderna com comportamentos antiquados (de rebanho) é o que estamos nos tornando.

Um povo que sai ás ruas constantemente para pedir democracia mas que em seu interior ainda nutrem pensamentos tribais, irá demorar décadas ou séculos para atingirem o estado harmonioso de conivência que tanto almejam. Não há democracia no individualismo nem há ordem onde a lei da selva é aceita de modo paralelo a uma constituição vigente.

As grandes nações que hoje se tornaram potencias mundiais não foram construídas no comum acordo de que pessoas comuns ou marginais exerçam o poder de polícia e juiz onde e com quem achar necessário. Como dito antes, esse fato de concordar ainda que de modo silencioso, que pessoas que “mexem com coisa errada” seja executadas por qualquer pessoa não parte apenas dos cidadãos comuns. Estes podem ser apenas o reflexo das decisões erradas ou inércia de seus governantes e vice-versa.

Mais revoltante ainda é concordar que gente de bem, crianças e indefesos venham ser vítimas de pequenos delinquentes, grandes marginais ou reincidentes, sem nada podermos fazer, enquanto vemos sair pela porta da frente sorrindo sob pagamento de fiança aqueles que deixaram várias pessoas a chorar. Não importa se a vítima foi fatal ou não, toda injustiça ou abuso contra outra pessoa deixam marcas que as vezes jamais poderão ser esquecidas.

Um homicida trancafiado por pelo menos 30 anos não poderá jamais causar outro homicídios enquanto estiver guardado. Um estelionatário que é obrigado a pagar todo o prejuízo financeiro ou moral a vítima desse engodo, não repetiria o mesmo ato duas vezes seguida. Um político corrupto obrigado a ressarcir cada centavo desviado dos cofres públicos jamais teria vontade se se reeleger ou passar até 4 décadas no poder.

Não importa a idade, todo homicida intencional deve ser isolado do convívio social por pelo menos 3 décadas e a depender da gravidade, nunca mais ser solto. Hoje, em nossa sociedade existe mais rigor para quem deu uma colher de pedreiro ou outra ferramenta para seu filho trabalhar, do que para quem deu uma arma para um menor cometer homicídios. O que estar acontecendo com nossa sociedade?

A mesma constituição que por enquanto é contra o aborto e a pena de morte em nossa nação por dizer ser a vida e a liberdade um direito de todos, peca nessa forma de aceitar que pequenos delinquentes ou marginais profissionais decidam por eles mesmos, quem deve viver ou morrer, quando esta na verdade deveria silencia-los já no primeiro ato. Para não serem vistos como cruéis, os nosso legisladores tem deixado que os marginais se anulem entre si. Só que até isso acontecer, 5, 10, 30 pessoas já foram vítimas desses com fatalidades ou prejuízos irreparáveis.

Se é pra ser instaurada a pena de morte no Brasil, que essa venha ser presidida por uma corte altamente preparada, seguindo os ritos que antecedem a execução, com direito inclusive que o “condenado” se dispersa de seus familiares ou coma uma última refeição pelo menos.

Como dito mais de uma vez, pelos fatos corriqueiramente noticiados, dar-se a entender que foi entregue de forma legal pelos que criam e executam as lei de nosso povo a um pequeno grupo armado, o direito de executar a pena de morte em nossa nação. Os critérios para tais execuções de forma alguma são baseados no direto e nas leis vigentes, mas em suas próprias leis.

Não estou interessado nesse momento, em defender a pena de morte em nossa nação. Estou apenas estou mostrando que ela já existe, e foi entregue ao cartel do crime e as pessoas com os níveis mais baixos de consciência, honra e preparo psicológico para exerce-lo.

Não quero também com essas linhas defender os “direitos dos manos”, que aos montões executam uns aos outros e brigam entre si por territórios, no intuito de comercializar os produtos e serviços por eles oferecidos. Chamo à atenção também a respeito da elegibilidade legal partidária e permanência em cargos públicos daqueles que de modo descarado e indiscreto levantam bandeira em defesa dos “pobres e coitadinhos, vítimas da sociedade”, como se apenas esses entre 200 milhões de pessoas em nossa nação, tivessem passado ou passam por algum tipo de dificuldade financeira ou na família, como se o causar prejuízos a outros fosse a única forma de compensar o “sofrimento” que passaram.

Os que defendem abertamente o direito à vida e liberdade de pessoas tidas como “vítimas da sociedade” e fazem pouco caso dos que são executados ou sofrem percas constantes causadas por esses mesmos marginais, deveriam ser enquadrados na mesma situação que eles, mesmo estando bem vestido ou não usando armamentos pesados para cometer delitos coletivos.

Chamo a atenção nesse texto para levantarmos os seguintes questionamentos acerca da violência diária que estamos expostos e sobre os seus defensores.

Se o poder de polícia e de executor de uma sentença pode ser aplicado por qualquer pessoa sem preparo psicológico ou jurídico estamos desrespeitando nossa constituição e destruindo tudo o que levamos séculos para construir.

Então nos façamos outras perguntas:

1-É cabível que uma pessoa de bem, vítima de um assalto, estupro ou grave ameaça passe a se esconder do seu malfeitor e viver constantemente com medo deste? É de concordância de todos que isso continue assim? Não deveria ser o contrário disso?
2-É cabível que uma pessoa que causou prejuízos a outra pessoa venha pagar fiança ao estado para poder ser solto? Não deveria ser a tal fiança paga em valor igual ou superior a quem sofrera o prejuízo pelo bandido ou que a família dessa vítima viesse ser ressarcida por este de alguma forma? Causar prejuízo a um indivíduo em particular e pagar fiança para ser solto ao estado é semelhante a uma pessoa que ofende e machuca outra durante todo o dia, e a noite vai orar pedindo perdão a deus pelo que fez, e não ao que sofrera os impropérios. Ou seja: não adianta nada!
3-É cabível que somente os que morrem em presídios ou em confronto com a polícia venham ser indenizados pelo estado? E os que foram mortos, ou sofreram prejuízos por esses também não deveriam ser já que a lei é para todos? É cabível que a sociedade leve nas costas o peso de toda essa injustiça? 

Pelas perguntas feitas a nós ou a outros se ascenderá a fagulha que impulsionará as respostas e busca pelas soluções. Essas por sua vez se vierem acompanhadas de ações ou pelo menos de um inconformismo profundo, uma verdadeira revolução se iniciará. É pelo comodismo dos bons que o império dos maus prevalece!

Toda revolução ou movimento social transformador tende a fracassar quando uma mudança interna ainda não ocorrera na mente dos “revolucionários”. Estes por sua vez, poderão ser apenas massa de manobra nas mão de qualquer pessoa para o fim que bem entender se não estiverem cientes dos propósitos de uma mudança.

Grandes mudanças sociais aconteceram quando a constatação de um problema veio acompanhado de um profundo desejo de mudanças e ação para inicia-las.

Um povo corrupto atrairá governantes corruptos. Um povo conivente deixará que líderes abusivos e relaxados se estabeleçam. Um povo que muda sua própria postura mudará também o comportamento dos que os governam.

Reflitamos sobre isso. Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antonio Ferreira, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

Negro, sombrio e perturbador...



O cristianismo tem o seu lado negro. Tais como as pessoas que estão convencidas de que existem bruxas que devem ser mortas ou de demónios que devem ser exorcizados, mesmo que o 'exorcismo' possa prejudicar ou até mesmo matar as pessoas. E aqueles que acreditam na sua religião que dizem que os gays são uma abominação e que devem de ser privados de direitos, serem presos ou ainda de coisas piores. E aqueles que acreditam que orar pelos seus filhos que estão doentes, recusarem-lhes transfusões de sangue e medicação, são melhores do que permitir que se submetam a tratamento médico.

O cristianismo também tem o seu lado sombrio, como aqueles que acham que a história de Adão e Eva é verdadeira, que o universo tem menos de 10 mil anos, que a estória de Noé é uma história real, e que a barriga de um peixe poderia proporcionar a um homem uma acomodação confortável por alguns dias.

Para algumas pessoas, o cristianismo também tem um lado perturbador. Isso os faz viver com medo de Satanás, demónios, bruxas, maldições e, talvez ainda acima de tudo, faz com que tenham medo de morrer e serem julgados e condenados pela eternidade fora.

Mas, para milhões de pessoas que não acreditam em nada disso, o cristianismo é sobre conformidade, comunidade e conforto. É um sistema de crença relativamente inofensivo, embora banal.

Então, se tu não podes viver sem um amigo imaginário, poderias, por favor, abandonar o lado negro, sombrio e perturbador? Não o abandonando, não te irá ajudar nem ajudará ninguém.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 18 de agosto de 2018

Por que a religião não acaba?



A religião preenche necessidades humanas que não tem nenhuma relação com a razão.

Os sábios do século 19 não perceberam isso. Eu diria que mesmo hoje, muitos ateus não percebem e acreditam poder "desprogramar" os crentes através de argumentos puramente racionais.

As crenças em Deus, em alma imortal, no Diabo, na Bíblia, etc tem a ver com CONFIAR EM PESSOAS.

Os crentes são profundamente dependentes psicologicamente dessas relações interpessoais e é por isso que jamais pensam em deixa-las para trás seguindo apenas seu próprio intelecto.


terça-feira, 14 de agosto de 2018

Adoradores sobre constantes ameaças



Diga não a todos que usam “livros sagrados” para te ameaçar, te explorar, te subjugar, te iludir ou te amedrontar!

Na busca pela melhoria nas relações entre os povos, muitos não percebem que o ato de submeter-se as ameaças em nome uma divindade qualquer, continuará sendo sempre um entrave ao progresso e harmonia social.

As pessoas adoram a deus por que o amam ou por que são ameaçadas por ele e por seus representantes? Existe realmente o livre arbítrio quando há somente a opção de adorá-lo e ser salvo ou não adorá-lo e ser condenado? Para que se haja um livre arbítrio é necessário que se haja uma multiplicidade de escolhas e não apenas duas que te levem ao mesmo caminho pela coação e medo.

Quem inventou tudo isso? Um ser celestial completo de tudo e que de nada precisa ou homens gananciosos com o intuito de manipulação e controle social? Por que há tantas contradições nas qualidades surreais atribuídas ao deus bíblico? Pode alguém ser mal e bom simultaneamente? Poderia ser justo e injusto ao mesmo tempo? Seria possível ser completo de tudo e criador de tudo e ao mesmo tempo vazio, carente de atenção a ponto usar todo tipo de coação para ser venerado?

No mundo moderno em que vivemos, o espaço para a tirania tem sido cada vez mais reduzido ou monitorado. As pessoas tem se unido em uma proporção bem maior que antes para que tiranos sejam enquadrados em seus devidos lugares e os “machões” que antes faziam tremer todo um vilarejo com sua fama de valente sejam reduzidos a contos folclóricos e se percam nas areias do tempo.

Muito antes mesmo da Lei Universal dos Direitos Humanos serem promulgadas, do século 17 para cá, várias colônias conquistadas por europeus e asiáticos começaram se declarar independentes de seus exploradores. O oprimido passou a rebelar-se e a ideia de que os governantes tem o direito divino de governar foi cada vez mais questionada, enfraquecendo assim as bases seculares de governos antigos, fazendo com que os povos pudessem interagir cada vez mais nos processos de construções sociais deixando de ser apenas meros fantoches do clero e da monarquia. Vários movimentos filosóficos contribuíram para incendiar tais movimentos populares e mudar a concepção do povo sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor.

Além disso, várias revoluções populares mudaram o curso da história e estamos aperfeiçoando cada vez mais, métodos para que o homem não seja oprimido pelo próprio homem e igualdade entre os povos seja algo cada vez mais palpável.

Alguns modelos de ritos religiosos ainda tem sido um entrave nesse processo da busca pela igualdade social, quando líderes gananciosos exploram seus fiéis para enriquecimento próprio além de dividirem mais uma vez as classes dos homens entre os que “servem a deus” e os que “não servem” fazendo com que as pessoas acreditem que somente por meio daquela instituição ou rito serão salvas, contribuindo com a segregação, fanatismo e ideia de menosprezo para com os que não fazem parte daquele segmento.

Enquanto uns constroem pontes lutando por interesses que beneficiarão a todos, outros constroem abismos, segregando, rotulando e classificando tudo e a todos a seu redor com os termos mais pejorativos possíveis por não crer ou não praticar determinada em crença ou rito litúrgico.

Os que constroem pontes geralmente prezam pela evolução social como um todo, por uma melhoria coletiva que gere lucro, dividendos ou benefício em comuns nos mais variados ângulos. Os que constroem abismos, geralmente o fazem em nome de uma divindade qualquer, quando na verdade estão apenas criando feudos particulares onde os vassalos irão trabalhar apenas em prol desse senhor feudal, cujo poder adquirido será para opressão dos que lhe servem. E depois dirão: “assim deus mandou, assim deus o quer, assim o farei! E quem não obedecer será castigado dessa ou daquela forma!

A diplomacia, a política (não me refiro a politicagem) e o direito tem sido as principais ferramentas utilizadas para pôr fim ou pelo menos amenizar os abusos que temos cometidos uns contra os outros nos últimos milênios. Essas ferramentas estão cada vez mais sendo aperfeiçoada por uns grupos e usado em mau intento por outros e mesmo assim estamos progredindo na busca pela igualdade e justiça social.

Hoje em nosso país por exemplo, se um homem ameaçar bater em sua companheira ou em qualquer pessoa ele pode ser severamente punido ou reprimido por meio de leis que procuram inibir ou evitar tais comportamentos.

Se um empregador humilha, agride ou assedia seus funcionários causando danos morais, físicos ou psicológicos a esse, poderá haver mais de uma instancia jurídica para punir tais abusos e fazer justiça ao que fora humilhado ou abusado.

Piadas com negros, gordos, loiras, gays, bullying e citações que possam constranger alguém também estão sendo severamente combatidas, coisa que há menos de duas décadas passava-se despercebida ou como um caso de pouca importância, pois era habitual e até certo ponto aceitável esse comportamento. Claro que em algumas situações podem haver excessos de censura quando o intuito de aparecer em público é maior que o desejo de defender a si mesmo ou a outros de tais abusos. Nesse caso o “oprimido” deseja apenas ser opressor de modo sorrateiro.

Pela nossa constituição é ilegal fazer ameaças a outrem bem como força-lo a fazer algo que este não queira ou que não tenha condições físicas ou psicológicas para executá-las. Até mesmo numa relação marital legal por exemplo, o sexo não consensual entre marido e mulher pode ser considerado estupro se um dos conjugues não estiver a fim por algum motivo.

Se nas relações pessoais estamos evoluindo, passando a considerar como impuro, imoral, ilegal, injusto e desprezível o ato de fazer ameaças, torturas e constrangimentos a outrem, por que achamos justo e até sagrado o ato de vivermos sobre constantes ameaças de um deus metafisico por meio de um “livro sagrado” e por meio de seus representantes? Qual a sacralidade de viver sob tensão para adorar uma divindade a fim não ser punido por esta?

Se um homem ameaça outro homem de morte consideramos isso um ato reprovável, digno até de prisão preventiva para evitar que um dano maior seja causado ao ameaçado, mas se deus em sua palavra ou seus representantes ameaçam alguém de morte por não lhe render louvores, ou não “aceitar jesus”, não vemos nada de errado nisso.

Por que será? Será que todos de modo inconsciente concordam que deus é apenas uma ideia construída e não um ser pessoal, por isso não se faz necessário questionar os fundamentos de suas ordens e dessas ameaças? Ou os seus adoradores são como hipócritas voluntários, coando um mosquito e engolindo um camelo, exigindo perfeição de quem não é perfeito (os homens) enquanto esconde os abusos daquele qual dizem ser a referência de toda justiça humana?

O deus bíblico é um ser justo e amoroso ou apenas um tirano ávido por incessantes louvores? Seria o deus bíblico um reflexo do próprio ego humano? O que seria ele para desejar incessantemente louvores e adoração a ponto de matar seu próprio povo quando este deixava de adorá-lo? Por que muitos, apesar de irem as ruas em protestos pedir igualdade entre os povos e condenar atos de abusos, não conseguem enxergar no modelo bíblico de deus, atos de extrema arrogância?

Como dito em outros textos, a “igreja do senhor” só tem conseguido se manter de pé bem como a ideia de deus como o ocidente fora ensinado a crer, devido as conversões foçadas pela espada durante a idade média, devido aos abusos da inquisição que ainda hoje deixou seus resquícios e devido as constantes ameaças em públicos que os representantes desse deus fazem para com aqueles que se recusam a dizer que esse é o deus justo, santo, único e verdadeiro. Até boicotes comerciais, industrias e pessoais são promovidos a fim de enquadrar os “rebeldes” segundo a visão dos que lucram com os currais da fé.

Nota-se que em países em que a maioria se dizem ser teístas ou que um “livro sagrado” seja mais importante que a própria constituição do país, os abusos do homem para com o homem ainda continua sendo demasiadamente grande em relação a outros países considerado laicos. Tudo isso resguardado debaixo das “leis de deus”, onde vários trechos mostram claramente que seus servos podem ter escravos pessoais, escravos sexuais, cometer pedofilia, abusar de outrem que não seja da mesma fé, trapacear e até matar “infiéis” e uma série de outros crimes que deixariam no chinelo até mesmo aquele que dizem ser o príncipe das trevas.

Quem sabe não sejam nos livros “satânicos” e “mundanos” que se encontrem as narrações das maiores loucuras cometidas do homem contra sua própria espécie, mas possivelmente estes fatos estejam relatados nos livros das principais religiões que tem como patriarca Abraão e seu deus.

Se perguntássemos a vários líderes do presente e do passado por que deus criou o homem e todo o ser vivos eles diriam praticamente em uma só voz, que todas as criaturas foram criadas exclusivamente para adorar ao senhor, inclusive as classes de anjos, arcanjos e querubins. Todo e qualquer ser, seja pedras, plantas e todo o ser vivo ou inerte deve adorar ao senhor, pois todos foram criados para isso. É isso que eles dizem!

O que estar errado nesse pensamento? Tudo estar errado! A citação inteira estar errada! O modo de concordar estar errado! O modelo de tirania...tudo isso não condiz com a ideia do sagrado.

O desejo incessante de ser adorado por tudo e por todos não são características de um ser completo, auto existente, auto suficiente, eterno, bondoso e fonte de todo amor. Ao contrário disso, o desejo profundo em ser o centro das atenções reflete apenas características de uma criatura vil, medíocre, paupérrima, infantil, não evoluída, com problemas de auto aceitação, de personalidade doentia e de extrema crise existencial.

Homens paupérrimos constroem divindades medíocres, inserem neles suas próprias qualidades doentias e vivem sob ameaças e dogmas que eles mesmos criaram, como se essas realmente tivessem partido daquele que dizem ser a fonte da pureza e justiça universal.

Não há nada mais louco e controverso do que isso: UM DEUS COMPLETO E TODO PODEROSO QUE DE NADA PRECISA PARA CONTINUAR EXISTINDO E QUE MESMO ASSIM AMEAÇA SUAS CRIATURAS COM DESTRUIÇÃO, MORTE E INFERNO ETERNO CASO ESSAS NÃO O ADORE CONSTANTEMENTE!

É na cabeça dos homens que as qualidades surreais dos deuses são criadas! É na crença coletiva que elas são inseridas! Qualquer qualidade dos deuses pode ser manejada para os mais diferentes propósitos e quem já estudou história da igreja por exemplo, sabe como foi criada a ideia do deus cristão e dos dogmas católicos ao longo dos séculos.

Se queremos realmente diminuir as desigualdades entre os povos e construir pontes ao invés de abismos entre os homens, ideias de que deus precisa de seu dinheiro e sua adoração para continuar existindo ou proclamando o seu reino devem passar pelo crivo da razão, da lógica e coerência.

Nós seriamos capazes de construir uma “sociedade celestial” se parássemos de terceirizar nossas responsabilidades e deixássemos de sermos trouxas, dando um percentual eterno de tudo que ganhamos para pessoas que usarão tais recursos para ser tornar cada vez mais poderosas e influentes a ponto de decidir como nos comportaremos além de influenciar nossas emoções, fazendo com que muitos se sintam um lixo se não estiverem sob a “proteção” desse deus ou de seus representantes.

Por meio de nosso silencio e falta de raciocínio alimentamos um monstro que nos encarcera, nos divide e nos põe uns contra os outros o tempo inteiro. Ache o monstro e mude, mude sua vida e seja realmente feliz aqui, agora ou em outra existência se possível.

O monstro pode ser o medo que te inculcaram desde cedo acerca da ideia desse deus. Pode ser seu próprio ego, ou pode ser a opinião dos “filhos de deus” a seu respeito, fazendo com que você se sinta um lixo, um pecador e leve um fardo desnecessário por um caminho a esmo. Em certos casos é até salutar para alguns mandar para a PQP só com um olhar, gente doente e paranoica que tenta nos contaminar com suas maluquices e com tantas ideias contraditórias acerca dessa ou daquela divindade. “Doente” malvado é todo aquele que tentar contaminar outra vez os que estão em processo de cura.

Uma das frases mais bonitas e encorajadoras que podemos dizer uns aos outros numa nova jornada é: “você pode mudar sua vida! Você pode ser o senhor do seu destino se assim você o quiser! Quase tudo pode ser mudado e refeito...

Se existe algum tipo de plano divino por um ser “divino” para a vida do homem, esse plano seria que deixemos de ser trouxa, capachos de gente mal resolvida, ignorante ou mal intencionada que te enxerga apenas como objeto de lucro e poder e usa a ideia de deus e suas ameaças para tais propósitos!

Temos apenas uma vida curta, e vivemos maior parte dela sob medo, tensão e constantes ameaças causando sérios danos a nossa saúde física e mental, tudo isso baseado na ideia de um deus carrasco e tirano, insensível aos problemas dos homens, que deseja apenas ser venerado acima de tudo.

A paz e equilíbrio que procuramos não precisa ser financiada por 10% de tudo que ganhamos nem baseado na obediência cega a pessoas que em certos casos de conduta deplorável. Ela pode estar mais perto do que você imagina. Pensem nisso!

Saúde e sanidade a todos!

Texto de Antonio Ferreira, graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

Quão bem dormes?




Se tu pudesses provar que o cristianismo é verdadeiro, ias ser mais famoso que Jesus -- ele só disse para acreditar nele e nos ameaçou com o fogo para sempre se não acreditássemos.

Se tu pudesses provar que o islamismo é verdadeiro, ias ser mais famoso que o Maomé -- ele apenas nos disse que o Islão é verdadeiro e nos avisou para não duvidar disso.

Os pensadores lógicos entendem que se uma religião não é verdadeira, também não são as suas ameaças. Por isso, exigem a prova de que a religião é verdadeira antes de se preocuparem com as suas ameaças.

Os pensadores lógicos perguntam-se por que as religiões dependem das ameaças e doutrinam as crianças em vez de arranjarem provas sólidas para as suas afirmações sobrenaturais. E também se perguntam por que ninguém nunca provou JAMAIS uma afirmação sobrenatural.

Os pensadores lógicos dormem bem à noite. Eles não se mantém acordados por medos ou temores de demónios, bruxas, juízos de deus ou pelo calor do inferno. Deixam isso para as ovelhas -- são elas que acreditam em estórias fantásticas sem um pingo de provas e ficam acordadas preocupando-se com coisas que não existem.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell


domingo, 12 de agosto de 2018

Será que somos feitos à imagem de deus?



Se somos feitos à imagem de deus, quais foram as características que deus esqueceu, em intencionalmente evitou, de nos incluir para não sermos perfeitos, como supostamente ele é?

Bem, os crentes irão responder invariavelmente com a questão do livre arbítrio.

Fomos criados perfeitos, mas como temos livre arbítrio, escolhemos fazer o mal.

- Isso significa que deus não tem livre arbítrio?

Sim!, responderiam os crentes.

- Então deus podia fazer o mal, se decidisse fazê-lo?

Sim!, responderiam os crentes.

- Então porque não o faz?

Porque é infinitamente bom, responderiam os crentes.

-Então deus não pode fazer o mal, porque é infinitamente bom. Está, portanto, condicionado a fazer apenas o bem, o que significa que não é omnipotente, pois há algo que ele não pode fazer.

Bem... ele podia fazer o mal, se o desejasse, mas não deseja fazer, começam a vacilar os crentes.

- Então, se não o deseja fazer, deus não pode experimentar tudo aquilo que podia ser experimentado. Portanto, deus não sabe tudo. Não sabe o que é fazer o mal.

Pois, por isso é infinitamente bom.

- Então deus não pode fazer uma coisa, porque não quer fazê-la. Mas permite o mal. Não só permite, como até sabe que ele vai acontecer, pois é omnisciente. E sabendo que o mal iria existir e que ele iria permitir, deus fez-me assim mesmo. Portanto, deus criou as circunstâncias em que o mal iria acontecer, mas na realidade ele próprio não quer fazer mal. Sou só eu, ou esta estória está uma perfeita confusão.

Deus opera de formas misteriosas... e... e... há o livre arbítrio. Pois, o livre arbítrio. E deus sabe o que faz. Arrepende-te!!! Vais arder no inferno!!!!

AHAHAHAAHAHAH

Texto por Rui Batista

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Somos feitos à imagem de deus?




Eu corro regularmente por um centro da Planned Parenthood na minha rota de corrida. A não ser que esteja chovendo há sempre um punhado de manifestantes na frente, geralmente os mesmos 4-5 idosos. Esta semana, no entanto, enquanto corria, vi uma multidão muito maior, talvez 15-20 manifestantes. Eles pareciam mais motivados do que o normal. Eu diminuí a velocidade e perguntei a uma senhora mais afastada do grupo o que estava acontecendo.

"Nada especial, eles contrataram um novo médico e estamos aqui para garantir que ele saiba que Deus está observando e que há um lugar especial no inferno para as pessoas que não respeitam a santidade da vida", disse ela com uma paixão fervorosa.

Embora essa não seja uma ocorrência ou uma visão do mundo incomum na América, fiquei impressionado com o facto de ela estar usando uma camiseta com uma referência à caça de lobos. O slogan dizia: "Mate os lobos e as pessoas que os colocam aqui", um rosto de lobo rosnando em mira adornava as suas costas.

“Eu concordo que a vida deve ser respeitada, então por que é que está matando lobos? Eles não estão vivos? Eles não são criações de Deus também? ”Perguntei eu.

“A vida humana foi criada à imagem do Pai. Nós nos parecemos com ele. Somos especiais!”, gritou de volta antes de sair numa tangente comicamente satisfatória argumentando sobre Satanás e lobos estarem em conluio (vou guardar isso para outro artigo).

É comum na linguagem política de hoje ouvir a frase "a santidade da vida humana". Neste contexto, a santidade está se referindo ao sagrado ou santidade e não valor, respeito ou honra, etc. Faço essa distinção para garantir que o meu argumento a seguir, não seja mal interpretado como anti-vida ou anti-humano. Minha intenção é mostrar que a vida, em todas as coisas, é igualmente merecedora de “santidade”, não apenas humana, e que a santidade não tem nada a ver com isso.

A organização sempre humorística no ponto, Focus on the Family, escreve em seu site:

“A Bíblia estabelece que a vida humana é sagrada em Gênesis 1:27: 'Então Deus criou o homem à sua própria imagem, à imagem de Deus ele o criou; homem e mulher os criou.
“Ser criado à semelhança de Deus significa que cada ser humano tem a Sua imagem e, com ela, um valor além das nossas características únicas ou atributos individuais. Nada mais na ordem criada de Deus tem a distinção de refletir sua imagem; é um status privilegiado e reservado apenas para a humanidade.”

Então a humanidade é criada à imagem de Deus? Eu olho no espelho e supostamente vejo Deus olhando para mim: altura, constituição, sexo, etc. Sem pensar de forma muito profunda, essa ideia pode ser reconfortante à medida que eu crio (subconscientemente ou conscientemente) o Deus pessoal que eu, por sua vez, atribuirei à maioria das coisas também. Eu sou branco, então Deus deve ser branco? Eu sou homem, então Deus deve ser homem? Eu era cristão, então Deus deve ser cristão? Os meus amigos religiosos negros podem discordar, assim como os meus amigos asiáticos ou hispânicos, feministas religiosas ou os meus amigos muçulmanos.

Suponhamos, por uma questão de argumento, que o versículo de Gênesis não esteja falando de raça, mas de biologia. A nossa aparência física geral (sem sexo, sem raça) e estrutura biológica. Se isso fosse verdade, então teríamos que assumir que a humanidade sempre foi e nunca será o que somos hoje. Sem alterações físicas, sem evolução. Faz sentido certo? Eu suponho, a menos que você tenha prestado atenção nas aulas de biologia do ensino fundamental.

Evidências de ADN e pesquisas genéticas, são verdadeiramente pregos no caixão da maiorias das religiões, especialmente aquelas com raízes abraâmicas. O LA Times escreveu recentemente: "Os cientistas agora estimam, que algo entre 1,8% e 2,6% do ADN da maioria das pessoas vivas hoje, foi herdado dos Neandertais". Você pode deduzir que alguns dos traços genéticos que ajudaram os nossos ancestrais a sobreviveram e que podem ainda ser parte integrante de muitas das nossas vidas, veio de seres que a maioria das pessoas no mundo religioso não consideraria humanos (ou seja, não feitos à imagem de Deus). Este é um exemplo, mas eu poderia mostrar centenas onde a genética mostra conexões biológicas humanas com todos os seres vivos ao nosso redor. Essas conexões indicam um ancestral vivo comum, ou um ponto de partida - um organismo que não foi "feito à imagem de Deus".

Ok, então talvez seja nossa consciência, não a biologia, que se entende por "imagem de Deus" - a nossa capacidade de ter compaixão e raciocinar, ou de resolver problemas complexos. Existem centenas de estudos que provam que esta ideia está errada, mas vamos analisar uma.

Um grupo da Universidade Emory, fez um estudo com ratos-do-campo. O TheScienceExplorer.com escreve:
“Os pesquisadores criaram um experimento em que isolaram temporariamente parentes e indivíduos conhecidos uns dos outros. Enquanto isolados, eles deram-lhes um choque leve. Uma vez eles reunidos, os ratos-do-campo não estressados, começaram a lamber os ratos estressados ​​mais cedo e por mais tempo em comparação com o cenário de controle onde os indivíduos estavam separados, mas nenhum dos dois estavam expostos aos choques…
“O estudo também mostrou que a ocitocina, também conhecida como o“ hormônio do amor ”, é o mecanismo subjacente para essa empatia. A ocitocina é o receptor associado à empatia em humanos, então a equipe bloqueou esse neurotransmissor nos ratos-do-campo e, em seguida, realizou uma série de experimentos semelhantes. Acontece que o bloqueio da ocitocina fez com que os ratos-do-campo parassem de se consolar. ”

Esta pesquisa é um grande exemplo de como o amor, a compaixão, a empatia, etc., não são características encontradas apenas em seres humanos. Muitos, muitos estudos mostram numerosas outras espécies exibindo várias das mesmas ou semelhantes funções altamente inteligentes que consideramos necessárias para o funcionamento social humano.

Reivindicar fundamentos (como fazem as religiões abraâmicas), que o homem como o conhecemos hoje, milagrosamente emergiu há seis mil anos, pode ter feito sentido algumas centenas de anos antes que a ciência moderna entrasse no seu presente estado profissional. Mas continuar dizendo isso num mundo onde podemos olhar para os ossos de nossos ancestrais pré-homo-sapiens, um mundo onde eu posso ter o meu genoma sequenciado e ver os remanescentes neandertais, e num mundo onde eu vejo outras espécies se comportando de maneira mais moral e ética que nós, é simplesmente insano e destrutivo.

O homem não é feito à imagem de Deus, Deus é feito à imagem do homem.