sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A explicação sobrenatural




Certas pessoas, perante algo para o qual não sabem qual a explicação, apenas consideram válidas explicações coerentes e que sejam racionalmente possíveis, dentro dos limites das leis naturais. Outras pessoas consideram que, não havendo ainda uma explicação natural ou não conseguindo compreender a explicação natural, é perfeitamente aceitável - por vezes, mais aceitável ainda - uma explicação sobrenatural.

Mas não existem “explicações sobrenaturais”.

O sobrenatural não é uma explicação.
O sobrenatural é uma desculpa, quando não se consegue arranjar uma explicação.
Quando se recorre a uma “explicação sobrenatural” é a assunção de que se desistiu de tentar encontrar uma verdadeira explicação e se decidiu “varrer” a ignorância para debaixo do “tapete” de um conceito abstracto que não pode ser demonstrado.

Perante algo desconhecido, é natural o questionamento do “porquê?”, ou do “quê?”, ou do “como?”. Pesquisando, observando, experimentando, usualmente consegue-se chegar a essas respostas.
E as respostas, para serem de confiança, têm de poder ser confirmáveis e testáveis, usualmente usando os supracitados métodos de aferição: pesquisa, observação, experimentação.

Quando não se consegue chegar a nenhuma resposta, a conclusão é que NÃO SE SABE qual é a resposta. E um indivíduo honesto pára aí: NÃO SE SABE.
Eventualmente um dia, quando existirem mais dados e métodos mais avançados de aferição (sempre baseados na pesquisa, observação e experimentação), possa vir a surgir a resposta. Mas, de momento, NÃO SE SABE.

O indivíduo desonesto e covarde, para não ter de admitir que NÃO SE SABE, irá dar um passo adicional, para apresentar uma explicação.
Recorre ao sobrenatural.
Deposita a sua ignorância na “caixa de miscelânea” que serve para “explicar” tudo o que não tem explicação.
Aplica uma camada de “tinta de desculpa” ao assunto para tentar disfarçar a sua ignorância e covardia. Mas, na realidade, nunca responde a nada.
Apenas se sente feliz consigo próprio, pois conseguiu convencer-se que tem uma “explicação” para aquilo que não compreende.


Texto de Rui Batista

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