domingo, 14 de janeiro de 2018

Religião e sexo



As religiões têm sempre algo a dizer sobre o comportamento sexual. Nunca vi nenhuma pesquisa sobre o porquê disso, mas posso especular. As religiões servem vários propósitos. Um objetivo é ajudar a regular o comportamento, por isso não é surpreendente que o comportamento sexual caia no seu âmbito.

O comportamento sexual é diferente da maioria dos outros tipos de comportamento. Os machos evoluíram para espalhar a sua semente. Este movimento manifesta-se, não como homens que desejam ter filhos, mas como homens que gostam de mulheres e que desejam sexo. Isso é verdade para muitas espécies, e é particularmente verdadeiro para um dos nossos parentes vivos mais próximos, o bonobo (os bonobos do sexo masculino fazem sexo várias vezes por dia e se envolverão com qualquer fêmea que fique dando!).

Mas, para uma espécie em que as crianças nascem impotentes e precisam ser nutridas por muitos anos, seria prejudicial para os homens se concentrarem em mais encontros sexuais à custa do sustento dos seus filhos. Portanto, precisamos de regras para comportamentos sexuais e elas precisam dum reforço poderoso, que é aí onde as religiões entram.

O desejo sexual masculino pode ser único, pois é um impulso evoluído que funciona contra a sobrevivência humana. Não consigo pensar num outro impulso que ameaçe a nossa espécie tão diretamente. Por exemplo, matar nossos vizinhos também ameaçaria nossa espécie, mas nós não nascemos com uma apetência para matar. A matança geralmente ocorre como consequência de outra coisa, como raiva, ciúme ou ganância. O excessivo desejo sexual masculino é um problema que a evolução nos conferiu.

Isso poderia explicar o porquê das regras para controlar o comportamento sexual serem encontradas em todas as religiões.

Opiniões?


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Desmontando a bíblia - Jesus, o filho de deus



Neste publicação quero agora relatar sobre o maior pilar do cristianismo. Por isso, espero a vossa máxima atenção.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer (cf. ANDRADE, 1995, p. 59) que ser “filho de Deus”, na cultura hebraica, não significava literalmente “ser Deus”, mas era um título honorífico, como se infere de João: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (João 1,12). Já na cultura greco-romana, era muito comum a ideia mítica de alguém ser “filho de uma divindade” (no sentido literal da palavra) e de uma divindade encarnar-se em forma humana – O MITO DO DEUS ENCARNADO – daí ter sido fácil a transição da imagem judaica de “filho de Deus” para a imagem mitológica grega de “Deus o filho” (DEUS ENCARNADO NUMA PESSOA HUMANA).

Vejamos agora como Hick (ibid.) nos esclarece como a velha linguagem metafórica judaica de “filho de Deus” (no sentido adotivo), título geralmente atribuído aos reis de Israel por ocasião de suas coroações (e também atribuído a Jesus pelos cristãos do cristianismo nascente) se transformou, devido ao encontro da cultura judaica.

Com a cultura grega, na figura mitológica de “Deus o filho”, fazendo com que Jesus passasse, no cristianismo histórico primitivo, de “filho de Deus” para “Deus o filho” (DEUS ENCARNADO, SEGUNDA PESSOA DA TRINDADE).

Eis como Hick descreve esse encontro das duas culturas (a judaica e a grega), mediante o qual os cristãos fizeram com que Jesus passasse de “filho de Deus” para “Deus o filho":

... "A primitiva comunidade cristã percorreu uma trajetória cultural que se iniciou com o judaísmo e desembocou na cultura helenista do mundo greco-romano. As ideias de deificação e encarnação eram muito comuns na cultura helenista e, quando se encontram com a imagem judaica de “filho de Deus”, essas novas categorias fazem acontecer uma significativa transição na imagem cristã de Jesus: de “filho de Deus” para “Deus o filho”, a segunda pessoa da Trindade (HICK, 1977, p. 175)".

Em termos mais claros ainda, o filósofo e teólogo pluralista John Hick (ibid.) explica que:
"dentro do próprio judaísmo, a noção de um homem ser chamado “filho de Deus” já existia há muito tempo. O Messias devia ser um rei terreno descendente de Davi e os reis antigos da linhagem de Davi recebiam o título divino de “filho de Deus” ao serem ungidos na posse do cargo: as palavras do Salmo 2,7, “Ele me disse: Tu és meu filho, eu hoje te gerei“ foram provavelmente usadas nas cerimônias de coroação. Outro textochave é o 2º Livro de Samuel (2Samuel 7,14): “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho”, novamente dito a respeito do rei terreno. Portanto, a linguagem de exaltação que a Igreja inicial aplicou a Jesus já fazia parte da longa tradição judaica".

John Hick faz, com muita propriedade, o seguinte questionamento:
"Como devemos entender essa linguagem antiga da filiação divina? Literal ou metaforicamente? O rei era literalmente filho de Deus? Claro que não. Dizer que o rei era “filho de Deus” era uma forma metafórica de se expressarem as qualidades do rei. O rei está mais próximo de Deus do que qualquer outra pessoa. Por isso, ele é chamado de “filho de Deus” (Salmo 2,7). Na linguagem mitológica, diz-se que Deus o “gerou”. Mas o rei é considerado “filho de Deus” apenas por “adoção”, e não por geração física, isto é, como sendo fisicamente "filho de Deus"".

Vemos portanto que "filho de Deus" é uma expressão que pode muito bem significar "amado ou cuidado por Deus como filho" se entendermos metaforicamente. E nesse sentido, imprestando a linguagem teísta, todos somos filhos de Deus. Não tem pé nem cabeça afirmar que Jesus é o único filho de Deus, pois nesse caso, incorreremos ao pensamento mítico de uma pessoa literalmente ser filha de Deus, o que é uma falácia, pois Deus não faz sexo e não pode ter filho[emprestando a linguagem teísta]. Cabe realçar também que nas religiões antigas os deuses tinham literalmente filhos, pois poderiam se relacionar sexualmente com outros deuses ou humanos. Mas essa concepção o cristianismo não comunga. Concluo assim dizendo, que Jesus não deve ser considerado literalmente filho de Deus, e se ele for filho de Deus, então é no sentido metafórico, e se for nesse sentido, ele não deve ser o único como já demonstrei ao longo da publicação.


Texto de Gil Yossuf


Bibliografia:
ANDRADE, Jayme. O Espiritismo e as igrejas reformadas. 4. ed. São Paulo: EME, 1995. HICK, John (Org.). The Myth of God incarnate.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Os ateus acreditam que o Universo veio do nada?




A resposta é um sonoro NÃO. Ser ateu não implica de modo nenhum na ideia, aliás absurda, de que o “universo veio do nada”. Esse é só o título sensacionalista de um livro de divulgação científica.

Na verdade, para um ateu, NÃO FAZ NENHUMA DIFERENÇA como é que surgiu o universo, se tem algum propósito ou significado. Se a vida tem algum sentido. Se viemos de algum lugar ou se vamos para outro depois da morte. Isso simplesmente não vem ao caso.

A noção de que o “Universo veio do Nada” é uma aberração lógica criada pelos primeiros cristãos que por acaso eram todos filósofos gregos muito preocupados em dar algum sentido na desordem das suas crenças. Perceberam que a MATÉRIA não poderia ser ETERNA ao MESMO TEMPO que um Deus único e eterno.

Então eles SUVERTERAM o significado de Gênesis dando a entender que Deus teria criado a matéria do nada (ex nihilo).

A primeira palavra de Gênesis é Bereshit (do hebraico בראשית, Bereshít, "no início", "no princípio". Em nenhum momento o texto faz menção a uma “criação do nada”. Aristóteles e os gregos em geral acreditavam que o Universo era ETERNO. A Física moderna se baseia no princípio da conservação da massa-energia. A Teoria do Big Bang se refere a ALGO que “explode” ou “infla” de repente. Mas algo que JÁ EXISTIA.

Assim, a crença numa “criação do nada” é uma aberração lógica CRISTÃ. Os cristãos acreditam que “Deus fez o Universo do nada” e, como os ateus não creem em Deus, então afirmam de forma ERRADA ou de MÁ FÉ, que os ateus acreditam que “O Universo veio do nada”. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Quem gosta de migalhas é pombo!




O boicote nas relações sociais e de “amizade” para os que abandonam a “casa de deus”.

Com todo respeito aos pombos, algumas pessoas inseridas nos grupos religiosos acham que deveríamos implorar pelas migalhas que elas tem a oferecer como se isso fosse a coisa mais preciosa do mundo tanto quanto o ar que respiramos, mas esquecem que ninguém pode dar o que não se tem nem ensinar o que nunca aprendeu.

Um “amor” fraternal e “amizade” baseada na conivência prejudicial e submissão total a líderes religiosos e a uma membresia que parece operar no modo zumbi o tempo inteiro não passa de migalhas que podem ser dispensáveis quando você já provou do fruto proibido do conhecimento. Os que te “respeitam” e te “amam” apenas pela sua subserviência ao grupo não passam de embusteiros hipócritas mal resolvidos ou mal intencionados. Esse tipo de relação nunca fez bem a ninguém.

Tais pessoas que assim agem tem a vaga ilusão de que outras deveriam suplicar para estarem com elas e serem eternos dependentes de suas relações de “amizades”, sendo submissas a essas, coniventes eternos com tudo que se estabelece no grupo mesmo que isso venha lhes trazer algum prejuízo moral, financeiro ou intelectual, isolando-se de tudo e de todos, vivendo um padrão de vida que mais parece um sepulcro caiado e como recompensa disso ser aceito no grupo de “salvos” que vão morar nos céus! Que petulância!

Alguns chegam a manter uma mentira deslavada fazendo com que pessoas de mente fraca acreditem que os que deixaram o grupo jamais conseguirão ter sucesso, serem abençoadas ou terem uma vida normal se não estiverem sob a supervisão de líderes religiosos e seus fiéis escudeiros.

Fazem as pessoas acreditarem que longe dos domínio daquele grupo tudo será desgraças e maldições e que uma vez tendo aceitado a jesus, batizado nas aguas, ou recebido o “espirito santo”, fizeram pactos eternos que jamais poderão ser desfeito sem prejuízos. Mentirosos!

Roubam a ideia de deus de uma cultura que eles mesmo demonizam, juntam com tantas outras linhas de pensamento e ícones que eles dizem ser do paganismo e depois juram estar seguindo uma verdade absoluta e inquestionável! Pegam pessoas normais, levam para esses recintos, enchem-nas de culpa e medo e quando alguém decide abandonar o grupo fazem todo tipo de ameaças para convence-las a permanecerem ali alegando estarem preocupadas com suas almas.

Na maioria das denominações religiosas que se dizem cristãs o “amor de deus” irá durar até quando durar seu dinheiro e sua subserviência cega as hierarquias eclesiásticas. Acabando-se um ou outro, extingue-se portanto esse tal de amor fraternal financiado à prestações eternas. Enquanto “deus” (o líder e toda a membresia) estiver no controle de sua vida, tudo correrá bem, depois que você mesmo decidir recobrar a racionalidade, a irá desse mesmo “deus” recairá sobre ti. Ninguém, absolutamente ninguém consegue pensar, racionar, questionar ou argumentar sobre qualquer assunto sem sofrer duras represálias. Obedecer cegamente e repetir comportamentos e falas é o modo mais seguro de continuar sendo “amado” nesses recintos.

Maldiçoes, pragas, rogos desejo de vingança, inveja e ira descontrolada por parte da maioria do grupo pode suceder aos que decidem deixar o “aprisco do senhor”. Desde o Édem, que uma das recomendações para agradar a deus é sempre obedecer cegamente. Nunca use o cérebro que ele mesmo te deu para pensar e refletir! Os que criaram esse conceito de deus agradece e dependem disso para estarem onde estão!

Me parece que o segmento pentecostal é o campeão nesse tipo de atitude de achar que todos deveriam implorar pela “amizade” deles o tempo inteiro. Se um membro consegue se livrar das garras de pessoas que agem como abutres e depois de sair do grupo passa por alguma dificuldade na vida, toda igreja é levada a acreditar que deus estar pesando a mão sobre esse indivíduo, e que o motivo de seu desemprego, separação, doença, descontrole ou até um resfriado que esse venha ter é sinal da ira de deus sobre este. Muita gente desse grupo irá dizer ou será induzido a crer pela boca do líder igreja que ali estar uma prova cabal das consequências de quem se desvia da “ casa de deus”. Jamais façam isso se não quiserem sofre as mesmas consequências! É o que dizem.

Agora se o mesmo indivíduo que saiu desse local, consegue manter uma vida normal, estabilizada, tranquila e se torna bem sucedido mesmo longe do local onde antes era explorado, logo dizem que esse tal virou maçom, fez pacto com o diabo ou se juntou a alguma sociedade secreta para ter sucesso, pois é impossível se dar bem na vida sem ser dizimista ou sem estar “sob a benção” de uma liderança eclesiástica. Bando de mentirosos, mal intencionados e desocupados são os que vivem a repetir falas como essas! Citações desse tipo são repetidas diariamente ainda que de forma disfarçada ou de modo explícito, inclusive em canais de TV aberta.

Ao invés de aproveitarem o tempo útil das pessoas para construírem algo realmente produtivo para toda sociedade em geral, estão enchendo a cabeça do povo de excremento verbal, usando táticas de submissão que nem os seguidores de satã quem sabe ousaria tentar. Para se manterem no poder, na lucratividade e pagarem de boas pessoas, certos líderes religiosos são capazes de absolutamente qualquer coisa. Outros agem apenas como papagaios de piratas, repetindo tudo que dizem e agindo iguais ao seus mestres.

Então a grande pergunta é: quem precisa de “amizades” como essas para sobreviver? Elas são realmente necessárias? Que falta faz? Você vai morrer por isso?

Antes de conhecer tal recinto a vida já existia, depois disso a vida segue do mesmo jeito! O inferno, desgraças e maldições acontecerá apenas na vida daqueles que mesmo longe do sistema continuam acreditando em todas essas baboseiras que lhes foi dito. Amizades verdadeiras independem de subserviência e conivência forçada a um ponto de vista. Se não houver respeito nas opiniões entre as pessoas pode ser apenas outro tipo de relação que não seja a de verdadeiros amigos.

“Amizades” em troca de obediência cega, aceitação do grupo ou recepção de cargos não passam de migalhas. O pior é que são migalhas podres, de pão embolorado que além de ser inútil para suprir a necessidade do corpo ainda será indigesto, causando sérios problemas estomacais a quem os ingerir. Uma vida racional tem muito mais a oferecer de modo mais saudável e eficiente.

Uma das armas mais sujas que os líderes religiosos usam para causar pavor aos liderados é o boicote! Quase todo mundo tem medo de perder algum tipo de relação social ou comercial por declarar um ponto de vista sobre algo e eles usam exatamente isso contra você mesmo!

Além de ameaçar um “desviado” com pragas e maldições, eles promovem o boicote das relações deste indivíduo com outros membros, e qualquer pessoa do grupo que seja visto mantendo o mesmo nível de relação com o tal “desviado” “filho do cão” poderá também sofrer os mais diversos tipos de boicotes internos como por exemplo ficar proibido de cantar, pregar, cear, ocupar cargos ou dirigir a palavra a quem quer seja durante o período de culto e fora dele também. As vezes penso que tais líderes foram treinados pela Gestapo, ou por algum outro grupo de regime comunista extremo.

Existe atos de “inteligência” que só uma pessoa realmente “cheia de deus” pode fazer nesses lugares. O sujeito que antes tinha uma vida normal, agora é obrigado a pagar 10% de tudo que ganha para que outra pessoa o ameace, o domine, o humilhe, que use ele mesmo ou a sua família para os mais diversos fins e tudo isso em troca de um reconhecimento no grupo ou uma promessa de um lugarzinho no céu.

É muita loucura para uma pessoa só imputar a si mesma! Sem falar da quase que obrigatoriedade de comprar todos os produtos gospel e bugigangas ungidas que os mercadores da fé inventam e ainda são forçados a produzirem mais lucros gerando “filhos na fé” para que o ciclo se repita e se perpetue. É muita insanidade envolvida! Somente a coação psicológica e a ganancia pelos títulos eclesiásticos ou celestiais fictícios para manter uma pessoa nesse estado doentio de ser.

Os que ainda vivem nesse estado mental estão sem perceber numa fase dolorosa da vida por ainda não ter despertado e que infelizmente todos os que tentam alerta-los só acaba sendo mal interpretados. Os que já conseguiram se libertar psicologicamente das ameaças não sentem culpa nenhuma em mandar pra PQP só com um olhar aquelas mesmas pessoas que antes lhe oprimiam e “comiam seu juízo” com regras próprias e liturgias sem sentido além de lhes explorarem dinheiro e tempo precioso. Se for necessário os mesmos não terão problema algum em fechar o punho, estender o braço na altura dos olhos e deslocar para cima apenas o dedo do meio para tais pessoas como sinal de repulsa caso elas ainda queiram trata-las como antes. Quem já passou por isso sabe o quanto é libertador! É como tirar dos seus ombros um fardo por demais pesado, feito para você afundar numa prisão interior e não subir em ascensão ao paraíso.

Quem já pertenceu a algum desses segmentos religiosos até duas décadas atrás sabe muito bem o quanto era quase que praticamente proibido para os membros a busca de qualquer informação que não fosse na literatura ou programas da própria igreja. Ler, estudar, pesquisar, ter rádio ou televisão estava fora de cogitação ou podia ser feito apenas sob supervisão. Eles sabiam que qualquer pessoa que consegue manter um diálogo aberto com pessoas de mente mais esclarecida pode mudar o ponto de vista e deixar de ser trouxa, e a televisão e o rádio seria um meio para mostrar que o mundo era bem diferente daquilo que a igreja mostrava. Quando eles perderam o controle sobre esse aparelho, agora inundam os canais de TV com suas programações para manter o mesmo padrão de doutrinação que acontece nos cultos.

Por séculos a igreja católica também fez questão de esconder, manipular ou ocultar o conhecimento ao povo, inclusive a própria bíblia era proibida. Até os padres precisavam de permissão do clero para acessar o livro da própria fé.

Diziam no passado assim como dizem até hoje que a letra mata. Na verdade mata mesmo! Toda ignorância e todo medo desnecessário morre com a luz do saber, por isso se faz necessário ameaças e coações para manter o povo sob controle! A igreja nesse modelo que hoje subsiste não teria durado nem 50 anos logo que foi inventada se não fosse por meio da espada e pelo abuso de autoridade de seus fundadores.

É uma falta de respeito próprio que imputamos a nós mesmo deixar que pessoas desse tipo ameacem a nós ou a nossa família caso não estejamos em estado de servidão eterna a eles. É uma falta de amor próprio, fazer amputações pessoais em nossa personalidade para agradarmos a um punhado de gente mal resolvida em troca de “amizades” que alimentam menos quer as migalhas de pão jogadas aos pombos nas praças.

Uma das coisas que devemos entender, usando uma linguagem bem popular é que “para toda panela tem uma tampa”! Ou seja, independente do grupo que você escolheu ficar ou sair você nunca estará só. Sempre haverá pessoas que goste do que você goste, faça o que você faz ou pelo menos não vai fazer joguinhos sujos contigo, oferecendo uma falsa amizade em troca de silencio, subserviência e conivência.

Não é por isso também que vamos nos juntar a qualquer grupo ou qualquer pessoa para suprir algum tipo de carência afetiva nem tão pouco nos isolarmos de tudo e de todos achando que todos agem assim. Quando aprendemos a gostar de nossa própria companhia, estar ou não em um grupo, estar ou não acompanhado não fará muita diferença. A paz interior sempre acompanham os que conseguem entender o mundo a sua volta e controlar seus instintos. Quem mal conhece a si mesmo, necessitará sempre de alguém que os guie.

Para sair da posição fetal e passar para uma posição de resistência basta recobrar a consciência. Isso pode acontecer num estalar de dedos por meio de uma decepção ou busca de conhecimento, ou pode durar anos para os que tem medo de mergulhar no oceano profundo das letras, que “desviam” as pessoas dos “caminhos do senhor”.

O tamanho de seus medos e de sua carência será sempre do tamanho da sua falta de conhecimento de si mesmo e do mundo ao seu redor. “Conhece-te a ti mesmo”, já dizia um pensador! “Aquilo que o homem não compreende ele não o possui” já dizia outra grande mente. Só o conhecimento liberta!

Saúde e sanidade a todos!

Texto escrito em 26/12/17 por Antônio Ferreira Bispo,  graduando em jornalismo, Bacharel em Teologia, estudante de religiões e filosofia.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Será que deus está do lado de fora do Universo?




Às vezes, os teólogos afirmam que deus existe fora do nosso Universo. Não tenho a certeza de haver apoio bíblico para tal reivindicação. A bíblia parece sugerir que deus está bem dentro do nosso universo: seja mesmo na atmosfera da Terra, e de tempos em tempos caminhando ao nosso lado em terra firme. Mas não nos vamos esquivar sobre como os teólogos poderiam saber disso, pensemos no que significa estar fora do universo.

Se o Universo tiver um limite, ele será criado pela velocidade da luz (299,792,458 metros por segundo).
Para estares fora do Universo, tu tens de estar mais longe do ponto inicial do Big Bang do que a luz poderia viajar nos 13,8 mil milhões de anos desde então. Se tu estivesses APENAS fora do universo, tu terias que estar viajando à velocidade da luz e AFASTADO do universo para permanecer nessa mesma posição relativa. Se tu estivesses mais longe, mas não viajando à velocidade da luz, seria apenas uma questão de tempo antes de seres engolido pelo Universo.

Isso levanta outra questão. Se deus está fora do Universo, como é que ele se comunica com as pessoas dentro do Universo? Tanto quanto eu posso saber (eu posso estar enganado), isso exigiria que deus violasse a velocidade da luz. Mas Einstein disse que isso não pode ser feito e tudo o que aprendemos desde então, o confirmou.

Para que um deus fora do universo comunique comigo, ele precisaria de uma maneira de enviar mensagens...
(1) que pudessem viajar mais rápido do que a velocidade da luz; 
(2) que meu cérebro molecular orgânico poderia receber e entender; 
(3) que não pudessem ser detectados pelos nossos detectores de sinal mais sensíveis (caso contrário, teríamos descoberto já o canal que deus usa), e 
(4) para eu falar com deus, meu cérebro deve ser capaz de codificar e transmitir esses mensagens de alta velocidade.

Então, para que deus esteja fora do universo e que consiga comunicar comigo, não só ele teria que violar o limite absoluto da velocidade da luz, mas também eu!

Deus é muito difícil de ser encontrado, mas, se ele estiver fora do Universo, ele seria impossível de ser encontrado. Os crentes talvez devam repensar toda essa ideia!

Traduzido e adaptado de Bill Flavell

sábado, 6 de janeiro de 2018

Desmontando a bíblia - O nascimento virginal & A mãe de deus




O nascimento virginal

A crença literal no nascimento virginal e miraculoso de Jesus, mesmo tendo grande significação espiritual para os cristãos paulinistas, não é um fato histórico, de acordo com as pesquisas atuais de todos os estudiosos críticos do cristianismo.

Como afirmam todos os historiadores das religiões, o mito de partos virginais e miraculosos é antiquíssimo, encontrando-se em muitas religiões anteriores ao cristianismo e que, segundo os historiadores das religiões, nascer de uma mãe virgem significava, na antiguidade, que a criança seria um personagem importante. Por isso, os evangelistas, tendo que anunciar aos primeiros cristãos que Jesus era o Messias prometido pelos profetas ao povo de Israel, explicaram-no dizendo que ele nascera de uma mulher virgem, por obra e graça do Espírito Santo.

No dizer do renomado escritor espanhol Pepe Rodríguez, em seu referido livro Mentiras Fundamentais da Igreja Católica:

"nascer de uma virgem fecundada por Deus foi um mito pagão difundido em todo o mundo antigo anterior a Jesus. [...] Quando o personagem anunciado era de primeira ordem, a mãe era sempre fecundada diretamente por Deus, através de um procedimento milagroso que, fosse ele qual fosse, confirmava claramente o mito da concepção virginal. [...] Todos os grandes personagens, tenham sido eles reis ou sábios como, por exemplo, os gregos Pitágoras (570-490 a.C.) ou Platão (427347 a.C.) –, ou se tenham tornado o centro de alguma religião e acabado por ser adorados como “filhos de Deus” (Buda, Krishna, Confúcio ou Lao Tsé) foram mitificados pela posteridade como filhos de uma virgem. Jesus, surgido muito depois, mas destinado a desempenhar um papel semelhante ao que os seus antecessores haviam desempenhado, não podia ter um estatuto inferior ao deles (RODRÍGUEZ, 2001, p. 98; 100-101; 103)."

Como tenho demonstrado, o cristianismo é uma fusão de judaísmo[distorcido] e as outras religiões rotuladas como pagãs, os cristãos tiveram que encontrar uma passagem no Tannakh [Antigo testamento] que apoiasse a doutrina. E pasmem! Existe um texto, um só texto do Antigo testamento que apoia essa doutrina supostamente. Esse texto é o de Isaías 7:14 que terá um capítulo inteiro nas próximas publicações. Vou demonstrar o quão distorcida é a interpretação cristã desse texto.

Em primeiro lugar, é importante saber que as narrativas sobre o nascimento de Jesus só se encontram nos Evangelhos de Mateus e Lucas, escritos por volta dos anos 80 ou 90 d.C., mas não se encontram nos escritos cristãos mais antigos, como as Epístolas de Paulo, escritas na década de 50 d.C. e o Evangelho de Marcos (o mais antigo de todos), escrito mais ou menos no ano 70 d.C., o que prova que as histórias do nascimento de Jesus não tinham muita importância histórica nem teológica para a cristandade dos primeiros tempos (cf. BORG &CROSSAN, 2008, capítulo 2, p. 39-41).

Em segundo lugar, argumento (com John Dominic Crossan) que as passagens de Mateus e de Lucas que narram o nascimento e a infância de Jesus não são narrativas históricas, mas metafóricas, simbólicas, parabólicas e, portanto, não devem ser interpretadas ao pé da letra, como fatos históricos, mas como parábolas e alegorias.

Dizer, por exemplo, que Herodes mandou matar as crianças em Belém, para matar Jesus, não é uma verdade histórica, mas é, no correto dizer de Crossan, uma parábola, para afirmar que Jesus é o novo Moisés e Herodes é o novo faraó do Antigo Testamento (cf. John Dominic Crossan, Revista SUPER Interessante, edição 250, março/2008, p. 17-18). Nesse sentido, todas as histórias e cenas que Mateus e Lucas narram acerca do nascimento e da infância de Jesus, por exemplo, a manjedoura, a estrela de Belém, os três reis magos, os pastores, os anjos, os cantores, o massacre das crianças pelo rei Herodes, a fuga para o Egito etc., são parábolas e, logo, não podem ser interpretadas ao pé da letra. Interpretá-las literalmente como fatos históricos é transformar em mentiras as histórias sobre o nascimento e a infância de Jesus. Em seu livro “O Nascimento do Cristianismo”, John Dominic Crossan afirma que “os Evangelhos foram escritos pela fé, para a fé e a partir da fé. [...] Os Evangelhos são teologia em vez de história” (CROSSAN, 2004, p. 61).


Vamos agora falar um pouco da "mãe de deus".

Maria não pode ser considerada a “Mãe de Deus”, conforme o velho dogma católico, proclamado no terceiro Concílio Ecumênico, realizado no ano 431, em Éfeso (local, na época, do maior templo urbano, no Império Romano, da deusa Ártemis, ou Diana). Conta-se que, enquanto o Concílio estava reunido, discutindo a maternidade divina da mãe de Jesus, o povo de Éfeso se aglomerou ao redor do templo da deusa Ártemis, ou Diana, e começou a gritar: “A Deusa. A Deusa, certamente ela é a Deusa” (CAMPBELL, 2007, p. 190). Sabemos, pela história das religiões, que o mito da “Mãe de Deus” era muito comum entre as religiões bem mais antigas do que o cristianismo. As religiões pagãs costumavam dar uma mãe às suas divindades, por exemplo, na Babilônia, existiu “Istar” (ou ‘Ishtar”), a mãe virgem do deus Tamuz. Segundo esclarece o escritor José Reis Chaves, “a palavra inglesa Easter (Páscoa) é derivada de Istar (mãe virgem de Tamuz imolado)” (CHAVES, 2006b, p. 103).

Na Grécia, existiu “Deméter” (a “mãe” de Deus) e “Dioniso” (o “filho” de Deus), duas das divindades mais populares da Grécia antiga, cuja história, ritos e festas antecipam efetivamente, sob muitos aspectos, a religião cristã (cf. DONINI, 1965, p. 145)

Aliás, o termo “Dioniso” (da língua trácio-frígia, “dioniso”) significa etimologicamente “filho de deus” – “dio-niso” (cf. DONINI, ibid, nota 26). A história de Dioniso, o deus libertador, o “filho de deus”, é muito semelhante à história do “Jesus mítico” (o “Cristo da fé”), o Filho de Deus e o único libertador (salvador) da humanidade, segundo o mito exclusivista cristão.

Conforme já defendiam, corretamente, os chamados “hereges” nestorianos da Igreja primitiva (século V), os quais afirmavam, contrariamente ao dogma católico, que Maria não é “Mãe de Deus” (em grego, “Theotókos”), mas apenas “Mãe do homem Jesus Cristo” (em grego, “Cristotókos).

O monge Nestório de Antioquia, num de seus sermões, afirmava:

"Ninguém venha me dizer que Maria é mãe de Deus, ela foi mulher e Deus não pode nascer de mulher. Sustentar o contrário é imitar os pagãos que dão uma mãe às suas divindades (FRANGIOTTI, 1995, p. 128)." Nestório foi condenado no terceiro Concílio Ecumênico, realizado em Éfeso, no ano 431 (o qual proclamou o dogma mítico da maternidade divina de Maria), e, porque se recusou a submeter-se às definições dogmáticas desse Concílio, foi enviado para o exílio, onde morreu.

Mas vocês não acham absurdo Deus ter mãe?


Texto de Gil Yossuf

Bibliografia: 
CAMPBELL, Joseph. As Máscaras de Deus: mitologia primitiva. São Paulo: Palas Athena, 1992. v. 1. Chaves, José Reis. A Face oculta das religiões: uma visão racional da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Editora Bezerra de Menezes, 2006b. 
DONINI, Ambrogio. Breve história das religiões. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1965. 
FRANGIOTTI, Roque. Histórias das heresias: conflitos ideológicos dentro do cristianismo. São Paulo: Paulus, 1995. .

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Assumir pela fé...



Se és cristão, há muito coisa que tens que assumir apenas pela fé: 
- Jesus nasceu de uma virgem? 
- Jesus morreu e ressuscitou? 
- Jesus subiu ao céu? 
- Jesus está vivo hoje? 

Tu não tens como saber se essas coisas, além de muitas mais, são verdadeiras. Mas se definires o teu limite de crença suficientemente baixo, podes acreditar nisso tudo pela fé. No entanto, existem dois fatos, (um do Antigo Testamento e um do Novo) que deve acabar com a tua crença se usares de alguma racionalidade. Vamos vê-los.

A CRIAÇÃO É ERRADA

Se deus criou o universo, nenhum humano poderia ter testemunhado esse acontecimento. A bíblia explica como deus criou o universo. Assim, a estória da criação foi nos dada por deus ou os humanos a inventaram. Se nos fosse dada por deus, devemos esperar que seja verdade. Se não é verdade, podemos ter certeza de que a estória foi criada por seres humanos.

Se ignorarmos o fato perturbador de que a bíblia tem duas estórias de criação diferentes (Génesis 1 vs Génesis 2) e se apenas se procurar por tópicos comuns entre eles, vemos que a Terra e as plantas foram criadas antes das estrelas. Hoje sabemos que isso não pode ser verdade. Os elementos que formaram a Terra e as plantas foram criados nas estrelas que queimaram por alguns milhares de milhões de anos e depois explodiram como supernovas. Só então apareceram os elementos químicos mais pesados ​que foram necessários para a construção do planeta. As estrelas foram formadas muitos milhares de milhões de anos antes da Terra.

Há muitos outros erros na estória da criação, mas APENAS UM é suficiente para que possamos saber que não é verdade. Logo, esta estória foi INVENTADA por homens.

Tu podes passar por cima deste erro e aceitar a estória da criação como um mito. Ok, então aceitas que a bíblia contém mitos antigos, mas onde é que os mitos terminam e onde a história real começa? Quais as partes da estória da criação são mitos e quais são as reais? É a escala temporal um mito? O processo de criação é um mito? É o criador um mito? É 100% mito? Como podes saber?

Vai além da criação e irás enfrentar o mesmo problema por toda a bíblia. Tu precisas te reconciliar para tomar decisões arbitrárias e baseadas na fé, sobre o que é verdadeiro e o que é mito. A tua religião torna-se num conjunto de decisões infundadas e arbitrárias sobre o que tu escolheste para acreditar e o que rejeitas. 
Esta é uma base sólida para uma visão de mundo? 
Não. Sinceramente, é um absurdo. 

JESUS ​​NÃO REGRESSOU

De acordo com a Bíblia, Jesus prometeu várias vezes aos seus seguidores que retornaria na vida de alguns desses presentes:

Mateus 16:28 Em verdade, eu digo a você: Há alguns aqui em pé, que não devem provar da morte, até que vejam o filho do homem que vem em seu reino.

(Ver também Mateus 24:34, Lucas 21:32; Marcos 13:30)

Claramente, isso não aconteceu, então Jesus mentiu ou ele nunca fez essa promessa. Dado o papel teológico desempenhado por Jesus, é inconcebível que ele tenha mentido, logo ele nunca fez essa promessa. Eu explicar-te-ei: todos esses versículos que se referem à próxima vinda iminente, foram inventados. Mais uma vez, isso deixa-te a perguntar o que mais foi feito? Mas não há como responder essa pergunta. Tu ficas sem um chão para ficares de pé.

Começa com um limiar de crença baixo e tu podes acreditar na bíblia pela fé. Mas encontrar duas coisas que não podem ser verdadeiras, fazem duvidar de tudo. Elas espetaram dois alfinetes no teu balão de fé e vão fazer com que ele se esvazie, até que não haja mais nada.

Se és um cristão, pense nisso em 2018. Tenta ser lógico e tenta ser honesto contigo mesmo. Se tu fizeres isso, podes olhar para o ano de 2017 como o teu último ano como cristão.

Seja lá o que fizeres, desejo a todos os meus amigos do Facebook, religiosos ou não, um ano novo maravilhoso e racional.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Epopeia de Gilgámesh


Extrato do jornal A Folha de São Paulo:

"Uma história de milhares de anos nos conta sobre terrível decisão divina: um dilúvio universal destruiria a humanidade e tudo que fora criado. Um bom homem e sua família, porém, seriam poupados.

A divindade diz ao homem para tudo abandonar e construir um grande barco, dando-lhe instruções e medidas precisas. Diz também que leve consigo alimentos e animais. A tempestade vem, devastadora; ao final, a embarcação atraca no topo de uma montanha.

O homem solta alguns pássaros, mas eles não encontram terra seca onde pousar e retornam ao barco. Após algum tempo, uma ave não volta: as águas haviam baixado.

Poucos não reconheceriam nessas linhas a história de Noé, uma das mais famosas passagens da Bíblia. Esse, no entanto, é o resumo de um texto escrito muito antes de a narrativa hebraica existir.

No relato, Uta-napishtim cujo nome significa vida de dias longevos, um habitante da antiquíssima cidade de Shuruppak (fundada por volta de 3000 a.C. no sul do atual Iraque), narra a Gilgamesh, rei de Uruk, a proeza de ter sobrevivido ao dilúvio.

A versão final dessa obra magistral deve ter sido formulada por volta de 1200 a.C. na Babilônia (centro-sul do atual Iraque). Trabalho coletivo ou de um escritor inspirado? Não sabemos ao certo. Mas a própria tradição mesopotâmica consagrou o nome de um escriba e sacerdote, Sîn-leqe-unninni, como sendo o responsável pela Epopeia."


Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Desmontando a bíblia - As parábolas de Jesus






A parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20,1-16) é de autoria de Jesus?

Segundo Franz Griese (cf. GRIESE, 1957, p. 112-113), esta parábola dos trabalhadores da vinha foi falsamente posta nos lábios de Jesus por Mateus, sendo uma cópia deturpada de uma autêntica parábola narrada pelo deus hindu Krishna, cerca de cinco mil anos antes de Cristo. Mateus, ao pô-la nos lábios de Jesus, fez uma série de mudanças absurdas, falsas, mentirosas, como explica, a seguir, o referido teólogo Franz Griese:

...Enquanto a parábola de Krishna é natural e humana, demonstrando compaixão para com os fracos, a transformação que, segundo a Bíblia, foi feita por Cristo dessa parábola hinduísta está cheia de absurdos. Na verdade, ninguém pagaria o mesmo salário a trabalhadores que tivessem começado a trabalhar em horas tão diferentes do mesmo dia, como se narra aqui na versão cristã dessa parábola hinduísta. Com justa razão, reclamam aqueles que, tendo trabalhado o dia inteiro, receberam o mesmo salário dos que trabalharam apenas uma hora.

Por outro lado, a versão cristã desta parábola tem uma explicação satisfatória, quando interpretada do ponto de vista de seu ensinamento moral, expresso na última frase da versão cristã da parábola: “Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos” (Mateus 20,16).

Supondo que os primeiros trabalhadores eram os judeus, os quais, segundo a crença judaico-cristã, foram efetivamente os primeiros a ser chamados ao Reino de Deus, e que os últimos significam os pagãos, por terem sido chamados ao Reino de Deus em último lugar, e levando em conta que, nos tempos dos apóstolos, os judeus convertidos ao cristianismo não queriam reconhecer a igualdade dos pagãos convertidos à religião cristã, e que esta rivalidade terminou com o afastamento dos judeus e a entrada dos pagãos ao Reino de Deus, tal como São Paulo o explica detalhadamente em sua Carta aos Romanos, afirmando que os judeus, por causa de sua conduta, somente entrarão na Igreja depois que tiverem entrado todos os pagãos (Romanos 11,25), é que se pode entender o ensinamento moral da referida parábola: que os primeiros (os judeus) passarão a ser os últimos e os últimos (os pagãos) passarão a ser os primeiros, porque muitos homens são chamados à Igreja de Cristo, mas poucos são escolhidos (os membros do povo eleito de Israel). Quanto à referida parábola, é impossível que ela tenha sido narrada por Cristo, porque no tempo em que Cristo pregou não existia aquela rivalidade entre judeus e pagãos, principalmente levando-se em conta que Cristo restringiu sua pregação aos judeus. Esta parábola, por conseguinte, não foi narrada por Jesus, mas foi produzida pelo evangelista Mateus, que transformou a parábola original hindu, adaptando-a à rivalidade de seu tempo entre judeus e pagãos (GRIESE, p.112-113).

Obs: Na verdade o autor destes dizeres admite a existência do Jesus histórico, o que é de certo modo razoável, mas contestável também. Para mais informações quanto aos dizeres da verdadeira parábola hindu, recomendo aos leitores a obra "Catecismo ecumênico" de José Pinheiro de Souza.


A parábola da viúva pobre (Marcos 12,41-44) é de autoria exclusiva de Jesus?

Não.
Esta parábola já existia em diversas outras literaturas sagradas, bem mais antigas do que o cristianismo, particularmente na literatura budista, conforme argumenta muito bem o escritor Holger Kersten, nos seguintes termos:
"A esta altura, gostaria de apresentar um dos mais surpreendentes paralelos entre as escrituras hindus e o Novo Testamento: a parabola da viúva pobre. Nos textos budistas é costume que pessoas abastadas façam generosas doações a uma congregação religiosa. Uma pobre viúva, entretanto, não possuía mais que duas moedas. É tudo que tem, mas mesmo assim o dá com prazer. O sacerdote, diante de tão nobre atitude, a louva, deixando de mencionar a contribuição dos outros. É este o paralelo que encontramos no Evangelho de São Marcos: “E, sentado frente ao Tesouro do Templo, Jesus observava como a multidão lançava o dinheiro nos cofres; muitos ricos depositavam grandes quantias. Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de um quadrante. E, chamando a si os discípulos, lhes disse: ‘Em verdade eu vos digo que esta pobre viúva lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver” (Marcos 12,41-44). Além da correspondência da ideia básica, mencionamos agora a extraordinária semelhança entre as duas situações: em ambos os casos, trata-se de uma mulher, de uma mulher pobre; a de uma oferta feita na igreja em meio a gente rica; ambas as mulheres dão tudo o que tinham, isto é, duas moedas; ambas são louvadas por um observador e o sacrifício delas é muito mais apreciado que as doações dos ricos. E logicamente, por ser mais recente, o texto bíblico depende daquele budista (KERSTEN, 1986, p. 88)."

Em face do incontestável paralelo entre a parábola da viúva pobre, supostamente narrada exclusivamente por Jesus, e a existência dessa mesma parábola em outras literaturas sagradas, como na literatura budista, na literatura rabínica e na literatura grega antiga, os pesquisadores do SJ concluem que ela não pode ter sido narrada exclusivamente por Jesus. No dizer desses pesquisadores, “esta parábola é um belo exemplo de como um sentimento ou um costume antigo era falsamente atribuído exclusivamente a Jesus pelos autores dos Evangelhos, quando sabemos que, em qualquer cultura antiga, as doações dos pobres sempre eram vistas como mais agradáveis a Deus do que as exageradas contribuições dos ricos (FUNK, HOOVER & THE JESUS SEMINAR, p. 106-107).

Quero aqui realçar que independentemente se a parábola é um plágio ou não, a verdade é que esses dizeres da parábola em questão já existiam antes do Cristianismo. Esse olhar apaixonante que as pessoas têm dos dizeres da bíblia como se fossem os únicos é utópico. E isso eu quero deixar bem patente em cada publicação. Se o cristianismo se assumir como verdade, então ele é só mais uma entre as outras. 
Nunca existiu uma só verdade.


A parábola dos vinhateiros homicidas (Marcos 12,1-12; Mateus 21,33-46, Lucas 20,9-19)

Eis um resumo comentado da referida parábola feita pelos pesquisadores do SJ:

"Deus plantou uma vinha, arrendou-a a vinhateiros (=o Seu Povo Eleito, Israel) e partiu para o estrangeiro. Chegada a época da colheita, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os seus frutos. Os vinhateiros (=os judeus), porém, agarraram os servos (=os profetas), espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Deus enviou outros servos (=outros profetas), em maior número do que os primeiros, mas eles (=os judeus) os trataram da mesma forma. Por fim, enviou-lhe o seu Filho (=Jesus Cristo), o qual foi morto pelos arrendatários, ou seja, pelo Seu Povo Eleito (os judeus), [o que não é verdade, pois Jesus não foi morto pelos judeus, mas pelos romanos] (FUNK, HOOVER & THE JESUS SEMINAR, p. 101)".

A parábola do rico e o Lázaro.

Esta é das parábolas mais esquisitas da bíblia de onde os cristãos interpretam literalmente a história do inferno.

Primeiro, cabe relevar que histórias de ricos e pobres cujos destinos se invertem após a morte são comumíssimas na literatura do Oriente Próximo.

Em segundo lugar, caso interpretemos literalmente a parábola, iremos cair em aspectos estranhos até para a doutrina cristã:
1-Em nenhuma parte a parábola menciona a perversidade do rico nem a benignidade de Lázaro. Parece até que a perversidade do rico é de ser rico, e a benignidade do Lázaro é de ser pobre. 
2-É a única parábola em que um dos personagens recebe um nome próprio.[apenas curiosidade]. 
3-O destino do Lázaro não é o "céu" mas um tal de "seio de Abraão" que por sinal, em mais nenhuma parte da bíblia é mencionado. Afinal, o que é seio de Abraão, onde está localizado? Essas perguntas divergem de igreja à igreja, dependendo da doutrina[cada uma interpreta de modo que se tenha benefício próprio]. Por estas razões, até eu não me sinto seguro em levantar juízo sobre o tal "seio de Abraão". 
4-A parábola sugere que o tal "seio de Abraão" e o tão famoso inferno são vizinhos e que há possibilidade de um contacto visual e auditivo entre os integrantes de ambos os lados. Esse aspecto é de longe o mais pertubador de todos, caso se interprete literalmente a referida parábola. 
5-O texto sugere que o rico foi pra o inferno imediatamente após a morte, o que gera várias questões. Será que as pessoas vão pra o inferno com o seu corpo físico imediatamente após a morte? Claro que não, pois o corpo fica apodrecendo no túmulo. Se admitirmos que a doutrina do inferno é correcta, então só poderia ser o lugar da tal "alma". Por outro lado, se o que estava no inferno é a alma do rico, porquê estava com sede e pediu pra que lhe refrescassem a língua? É óbvio que a expressão "língua" e "sede" fazem alusão ao corpo físico.

Por tantas incongruências gritantes resultante da interpretação literal da parábola, só nos resta o sentido metafórico. E quanto ao seu sentido metafórico, cada um é livre pra entender como quiser. Eu por exemplo, interpreto as chamas do inferno como água[risos].

Obs: não há referência bibliográfica pois, para além dos primeiros dizeres do post, a análise é excluisavamente minha.


Texto de Gil Yossuf


Bibliografia:
GRIESE, Franz. La Desilusión de un sacerdote: la verdad científica sobre la religión cristiana. 2. ed. reformada y aumentada. Buenos Aires: Editorial Cultura Laica, 1957. 
KERSTEN, Holger. Jesus viveu na Índia: a desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação. 17. ed. São Paulo: Best Seller, 1986. 
 FUNK, Robert W.; HOOVER, Roy W., and THE JESUS SEMINAR. The Five Gospels: what did Jesus really say? The search for the authentic words of Jesus. New York: Macmillan Publishing Company, 1993.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Na procura do sobrenatural




Os crentes dizem que deus permanece intencionalmente escondido de nós. Se houver um criador todo-poderoso que não quer que tenhamos provas incontestáveis ​​da sua existência, não temos a oportunidade de o descobrir. Deixemos deus de lado, afinal ele estará sempre escondido de nós.

O reino sobrenatural tem vários outros jogadores, e os jogadores menores têm apenas uma fração minúscula dos poderes de deus. Talvez possamos deter um demónio, prender um anjo, agarrar um querubim ou trazer Satanás? Mas parece que também não podemos, esses seres menores parecem ser tão bons a se esconderem como deus.

Esperem aí! Há um tipo de entidade sobrenatural que está muito mais perto de casa. Uma que não pode se esconder porque faz parte de nós. E essa é a alma. Então, se queremos encontrar uma entidade sobrenatural, a alma seria o lugar certo para começar.

O problema é que não conseguimos encontrar a alma, apesar do fato de haver mais de 7 mil milhões de almas em todo o mundo (talvez muitas mais) e, apesar do fato de que, supostamente, nenhum de nós poderia sobreviver sem uma.

As pessoas que acreditam que possuem almas, têm várias ideias sobre o que é uma alma, mas a maioria concorda que é a essência imaterial de nós, a nossa personalidade, emoções, inteligência, movimentos, gostos, desgostos, memórias e assim por diante que poderiam sobreviver depois do nosso cérebro e dos corpos físicos se irem. Mas nos últimos 50 anos, a ciência criou mapas bastante completos do cérebro, e agora entendemos o que é que a maioria das partes do cérebro faz.

Além disso, podemos comparar nossos mapas cerebrais com os dados clínicos de pacientes com lesões cerebrais. Agora, podemos prever com bastante precisão quais os defeitos e deficiências que surgirão de danos em qualquer região específica do cérebro. Isso nos diz algo muito importante: todas as capacidades que se presume serem causadas pela alma imaterial são, de fato, causadas pelo cérebro material.

Nós não conseguimos detectar QUAISQUER entidades sobrenaturais, nem mesmo aquelas que se diziam estarem intimamente em nós. Se não há entidades sobrenaturais detectáveis, por que é que eu deveria acreditar que existe um reino sobrenatural? Eu não devo.

E tu também não deves.


Traduzido e adaptado de Bill Flavell